26 abril 2010

A Paz

Pode parecer repetitivo ou clichê, mas eu não ligo. Vou falar mesmo assim. Nesse maravilhoso mundo dos blogs, descobri tanta gente interessante com tanta coisa interessante pra contar que isso me motivou ainda mais a pensar em posts bacanas e manter o blog atualizado com assuntos interessantes também. Saio lendo os blogs por aí e encontro gente com o mesmo pensamento que eu, e gente tão diferente, e tão perto e tão distante, é fantástico. Por esses blogs, encontrei em um deles um texto de Amyr Klink, um empreendedor de expedições marítimas e escritor brasileiro, que se encaixou muito bem também à minha pessoa, assim como várias outras que também estão aí pelo mundo, tenho certeza. Não que eu seja uma expedicionária, nem me meto por aí sem saber pra onde vou. Ainda não cheguei a este ponto. Tento ser bem sensata. Mas enfim, o texto diz o seguinte:

"Um homem precisa viajar.
Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV.
Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.
Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto.
Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.
"

Eu juro a você que às vezes parece que só tem eu pensando nessa linha, nas minha caminhadas pelo parque Elfenau, que eu chamo de "A Paz".
Aqui é onde eu sento (quando não tá frio), esqueço do tempo, ouço o barulho do rio correndo, sinto o cheiro de natureza, um ar tão limpo que dói, penso na vida. Penso no mundo, onde eu tô, pra onde vou. Questiono meus problemas, procuro soluções, encho os olhos de lágrima e faço planos B. Lembro dos meus ex namorados e dos amigos que eu não falo há anos, da importância das pessoas na minha vida, e de algumas coisas, de uma música que eu sabia cantar inteirinha e hoje esqueci como começa. Penso que estou quase chegando nos 30 e pergunto a Deus se é só isso mesmo. Faço contas do mês na cabeça, faço lista de prioridades de coisas a fazer, olho no relógio, mato um bicho que pousou na minha canela. Olho o casal caminhando do outro lado do rio e lembro das minhas idas à academia. Fico com frio porque a nuvem tá passando na frente do sol e penso em voltar pra casa. Ando de novo e sempre me lembro do tempo do colégio onde eu marchava e aí tento manter a cadência do passo. São tantos pensamentos que conseguem ir e vir à minha mente quando estou neste parque, e me sinto tão viva e tão querendo viver mais. Por vezes me sinto inquieta por ter tanta coisa a se ver ainda no mundo e tão pouco tempo, como se fosse tarefa minha não deixar passar e querer saber e conhecer tudo. Mas chego perto de concluir que é essa inquietude que me alimenta e sem ela não vivo, não tenho paz, não tenho razão. Ainda bem que tem gente nesse mundão afora feito eu, senão ia achar que eu era a ovelha negra do mundo.

Visita a Härkingen Letter Centre

O centro de cartas de Härkingen do Correio Suíço (Swiss Post) é um dos mais modernos do mundo. Lá dentro, rola um (enorme) processo automatizado de entrada e saída de cartas (neste é só cartas, encomendas é em outro) que vêm e saem da Suíça, além das cartas de passagem pelo país. O termo "cartas" inclui não só carta carta, mas revista, folders, envelopes tamanho A4, mas encomenda de caixa maior aí sim é em outro centro de distribuição.

No tour que fizemos, foi explicado e dito tudo em números, mas confesso que não lembro exatamente, foi informação demais. Este post é sem fins lucrativos e eu não estou trabalhando por ele, então não há dados nem estatísticas aqui, é um relato de visitante. Não sei quantos milhares de itens processados todos os dias, fazendo uso de equipamentos mais modernos da área, galpões enoooormes com dezenas de caminhões carregados, estação de trem dentro do galpão, com gente trabalhando todos os turnos, é realmente impressionante. Às vezes a gente faz uso do serviço e nem se toca do processo que está por trás de tudo. Eu fiquei mesmo impressionada.

Vê só as fotos e sente a pressão do negócio:

Primeiro, no ônibus a caminho de Härkingen, a 1 hora de Berna, com os colegas de trabalho.

As fotos abaixo são exatamente das áreas que visitamos, mas são de divulgação pública do correio suíço, pois lá dentro não era permitido tirar foto.

Robô para descarregar mercadorias recebidas.

Sistemas de triagem.

Esteira com cestas de itens recebidos.

Tobogãs para passagen de itens no meio do processo.

Entra e sai de cargas e descargas dos caminhões com as mercadorias.

Primeiro mundo né?

19 abril 2010

Aniversário suíço

Eu não tenho muitos amigos aqui. Na mesma situação que eu, há vários outros. Juntando os "sem família" e "sem amigos", fizemos nossa rede, ficamos amigos e formamos um grupinho, não de estrangeiro, mas suíço mesmo que vem de outra cidade só pelo trabalho.

o restaurante que ele escolheu para comemorar o aniversário dele só tinha comida "suíça" ou um mix de indiano (afinal nan só vem de lá, né?) e italiano. Vai entender. Um típico restaurantezinho suicinho. Umas 4 ou 5 opções de menu só. Bem escondido, numa rua errada do Google maps, de longe parece uma casa qualquer, mas lá dentro o garçom falava alemão, italiano, francês e inglês, numa vizinhança com uma vista de se admirar e com um vinho de primeira categoria.

A Suíça é um grande mix. Então de não suíça aí só tem eu mesmo, porque um é da parte francesa da Suíça, o outro da parte italiana, outro alemão.

E assim, nessa mistura suíça, comemoramos de maneira suíça o aniversário do meu amigo suíço ME.

16 abril 2010

Já não bastasse a natural falta de sol...

...ainda "aparece" um vulcão na Islândia soltando poeira que vem bater aqui na Suíça.


Piadas a parte, a Andrea fez um post bacana sobre os desastres naturais acontecendo ultimamente. Terremoto ali, chuva sem parar acolá, frio e neve de matar aqui. E hoje a previsão que era de começar a fazer um solzinho pro fim de semana, temos o dia cinzento e fechado, e não é apenas "só mais um dia nublado". São cinzas que vêm do vulcão Eyjafjallajökull (só Deus sabe como se pronuncia isso), na Islândia, que, em excesso além de naturalmente atrapalhar a visão, contêm partículas de vidro e de rocha pulverizada, obrigando a parar aeroportos, cancelar vôos na Europa inteira, gerar prejuízo, dor de cabeça e aumentar nossa preocupação com o corpotamento do planeta.

Li no jornal daqui que isso só aconteceu uma vez, em 1815, e hoje de novo. Depois dessa, a Islândia pode até se tornar um lugar perigoso. De fato, como a Andrea falou, eu sozinha não sei se posso fazer muita coisa pra salvar esse planeta senão rezar.

15 abril 2010

Minha Páscoa foi assim

Convidei Nieta e a família, que moram na Itália, pra vir passar a Páscoa aqui comigo. Afinal, somos amigas de muito tempo desde Recife, hoje moramos na Europa, mesmo que em países diferentes, mas ainda assim, tão perto uma da outra, que mesmo estando aqui há (só) 9 meses, era uma pena a gente ter se visto por aqui "só" no casamento dela ano passado, lá na Itália. Mas então enfim eles vieram. Nieta, Valério e o pequeno Luca vieram conhecer um pouquinho da Suíça, de Berna, das poucas opções da cozinha bernense, da vizinhança tranquila (até demais), e se decepcionar com o chocolate quente do Gurten que nada mais era que um leite quente com um chocolate em pó misturado. Pobre italiano achava que ia ter um chocolate quente de outro mundo.

Passeamos pela cidade velha, pela feira, pelo parque, e eu até me lembrei de mim assim quando cheguei, como andava deslumbrada com tudo e hoje já não arregalo tanto os olhos. É bom receber visitas até pra dar mais valor ao lugar onde a gente mora. A cidade continua linda, encantadora, um espetáculo de organização. Vê nas fotos e diga se eu tô errada. Nieta não me deixa mentir?


À noite do sábado, um jantarzinho na melhor pizzaria que já encontrei por aqui, Molino. Com a companhia do Eric, Valério me deu uma folguinha nas perguntas sobre a cidade e foi interrogar "o suíço", que de certo pôde responder mil vezes melhor que eu sobre a história e os fatos daqui.

E no domingo, mesmo com chuva, mais passeios pela Münsterplatz, parque Elfenau e Gurten.

Münsterplatz

Elfenau

Gurten
E assim passei minha primeira Páscoa longe da família, mas me senti em família com essa visita especial aqui, na minha morada.

09 abril 2010

O que eu tô fazendo aqui?

Há algumas semanas, passei a acompanhar uma discussão na comunidade de brasileiros morando no exterior do LinkedIn sobre o porquê de ter saído do país, como tá a vida aqui fora e se temos pretensão de voltar. Dei meu depoimento e li as outras dezenas de comentários palavra por palavra. Não é difícil perceber os pontos em comum de quem tá na mesma situação que a bonitinha aqui. Ainda bem. Às vezes me sinto tão sozinha aqui que acho que devo ter sido maluca de ter deixado toda minha vida no Brasil pra trás por livre e espontânea vontade pra vir pra cá sem conhecer ninguém, começar tudo do zero, e achar que isso tá certo.

Lendo os comentários de brasileiros morando no Canadá, Inglaterra, Suécia, Holanda, Peru e tantos outros lugares, é fato: TODO MUNDO sente falta realmente do jeito brasileiro desinibido de ser, de conversar a vontade, descontraído. Sei lá, é único, não tem ninguém de nenhuma outra nacionalidade que seja como a gente. Mas também TODO MUNDO fala dos pontos positivos de se morar na Europa, nos EUA, ou Canadá: a qualidade de vida, a organização, os serviços que funcionam, a ética das pessoas. E motivados pela corrupção do poder no Brasil, a falta de organização das coisas, a bagunça generalizada em vários setores, a violência e a mesma ladainha de sempre, a vinda pra cá parece ser a fuga ideal na esperança de ter uma chance de viver um pouco mais despreocupado enquanto o Brasil se "cura" de seus problemas. Aí o tempo passa, você começa a se acostumar com a vida longe de casa, perceber as coisas que lhe faziam feliz quando morava lá e ver mais as coisas que te deixam triste aqui, e começa a reavaliar se toda essa mudança vale a pena. Mas aí também já não é tão fácil voltar atrás, você já fez novos amigos, tem namorado, emprego, contatos, planos pra próxima viagem e aí termina ficando por aqui, porque no fim ainda parece valer mais a pena.

É difícil. Uma vez fora do Brasil, não somos mais os mesmos. Eu particularmente estou por aqui mais ou menos pelos mesmos motivos dos outros. Eu passei 3 meses na Alemanha em 2004, viajei bastante, aprendi alemão, foi incrível. Mas voltei pra Recife, terminei a faculdade, comecei a trabalhar, depois queria aprender mais, crescer mais, larguei o trabalho e comecei o Mestrado com a bolsa, e senti que não deveria voltar pro trabalho por lá. Queria voltar sim pra trabalhar na indústria e não mais no meio acadêmico, mas não ali em Recife, nem em Natal. Muito menos me aventurar no Rio ou em São Paulo, loucura, não, não e não. Eu queria mais, queria aprender de vez o alemão, queria coisa nova, queria gente nova, gente diferente, lugares diferentes. E tava também cansada dos salários baixos, das contas absurdas, da malandragem e da falta de compromisso das pessoas e das coisas, sei lá, eu tava esgotada e precisava dessa experiência. Queria vir, tinha que vir. E consegui. Consegui vir, consegui um emprego, me sustento, posso dizer que estou muito realizada e bem sucedida profissionalmente, mas ainda não certa de que é aqui que quero ficar. O que eu sei hoje é que quero ficar aqui ainda mais algum tempo, não sei quanto. Não quero voltar. Não penso em voltar agora, na verdade nem depois também. Penso que talvez daqui eu vá pra outro lugar, mas não tão cedo de volta ao Brasil. Mesmo com a saudade, as diferenças e os apertos no coração na falta das coisas que sei que não terei em nenhum outro lugar, sinto que ainda preciso ficar mais por aqui. É isto. Deus nos proteja, nos guie e vamos em frente!

On y va!

07 abril 2010

O sol

Eu precisei vir pra Suíça pra entender a importância do sol na minha vida. Se acordo e não vejo sol lá fora, o dia passa cinzento, pesado, devagar e enfadonho, triste. Se não faz sol, faz frio, e as pessoas andam encolhidas e não se olham, não se cumprimentam. Sem sol lá fora a vontade de sair diminui e termino ficando em casa debaixo da coberta no meu sofá cama vendo televisão ou tentando trabalhar na minha dissertação. Olho lá fora e franzo a testa. Como diz minha amiga portuguesa, não me apetece fazer nada, pois não é confortável ficar lá fora, meu cabelo fica feio se chove, me tremo toda de frio, não fico a vontade, tenho que por 15 peças de roupas... simplesmente não é animador, não se vê ninguém nas ruas, só pessoas com pressa de chegar aos seus destinos. Tudo parece tão solitário e abandonado.

Mas se faz sol... ah, se faz sol as pessoas andam com menos roupas e meu cachorro já não rosna pra elas, pois não estão vestidas de casacão preto até o chão nem chapéu cobrindo o rosto. Com sol brilhando lá fora, o dia parece mais feliz, mais alegre e pronto pra acontecer. É mais encorajador e dá mais vontade de viver, de sair de casa, de fazer as coisas acontecerem, de sorrir e cumprimentar as pessoas na rua e poder dizer "Schöne Tag!". As pessoas parecem estar mais amigas, mais leves e com menos problemas. Não se encolhem ao andar e olham pros lados, percebem mais as coisas e as belezas ao seu redor. As ruas ficam mais bonitas com os canteiros floridos, coloridos e não aquelas árvores secas e sem vida. Sim, o sol enche as coisas e as pessoas de vida, e eu só percebi que eu também sou movida por essa energia aqui, na Suíça, onde passam-se semanas sem sol. É verdade quando dizem que só se dá valor a alguma coisa quando se perde. Vivendo e aprendendo. Sou apenas humana, e como errar é humano, acho que fui perdoada, pois os dias cinzentos parecem estar indo embora de vez levando meu castigo, e agora o sol tem vindo sorrir pra mim novamente. Uma nova fase, nova estação, a primavera está por aqui. Obrigada, obrigada, obrigada!

01 abril 2010

A 'melhor' piada de 1º de Abril

Oficialmente a Primavera já começou desde 21 de Março, certo? Eis que ontem dá uma ventania louca, uma queda de temperatura no final do dia e todos comentam "ah, normal, é a mudança de estação, é comum para o mês de março e tal". Ótimo. Maravilha. Keine Sorge. Eis que acordo hoje e adivinhe? Está tudo branco novamente lá fora!! ...e eu sem querer quando olhei pela janela: "Ahh nãão...". Poxa, é lasca... eu não estava psicologicamente preparada pra isso de novo. Depois de 4 meses de frio e neve, ter toda essa sensação de novo quando estou na expectativa de ver flores e árvores verdes novamente, em pleno final de Março, 1º de Abril? Só pode ser piada... de mal gosto. Não aguento mais frio, não, gente, I quit! Quero deixar os pulovers, as botas e as luvas no fundo do armário, quero usar blusas de manga curta e coloridas! Já foi muito tempo de frio, neve e céu cinzento. Quero soool!!!