22 setembro 2015

Peterhof e Pushkin: os palácios de verão dos czares russos

Ouvi dizer que uma visita a São Petersburgo não está completa sem uma pequena viagem a um ou mais palácios que há em volta da cidade. Isso porque são tantos mas tantos palácios dos antigos czares russos, que realmente tem que incluir no roteiro da viagem. Então no nosso 3o dia em São Petersburgo, 2o dia de passeio, saímos de São Petersburgo e fomos aos arredores conhecer os antigos palácios de verão dos imperadores, o famoso Peterhof das estátuas douradas e Pushkin, da czarina Catarina, que hoje são museus abertos ao público.


Peterhof
Peterhof é sem dúvida o palácio de verão mais visitado e mais conhecido dos arredores de São Petersburgo. Fica a 29km da cidade. É o que mais e melhor foi restaurado nos últimos anos, principalmente depois da invasão dos alemães, então está super bem conservado e isso obviamente atrai muitos turistas.
Peterhof como diz o nome, é o palácio do Pedro, o nosso conhecido Pedro I, o Grande, de 1725, de quem já falei aqui. Hof vem do Alemão e quer dizer lugar, ou seja, o lugar do Pedro. O imperador russo gostava da cultura alemã e holandesa, então a decoração e arquitetura do palácio imitava descaradamente o Palácio de Versailles, nas redondezas de Paris. Por isso mesmo, Peterhof é conhecido até hoje como o "Versailles russo", a versão russa de Versailles, porque realmente se aproxima muito.
As diversas fontes da fachada principal (são 144 no total) são uma das principais atrações. Os turistas se amontoam hoje em dia para ver elas sendo ligadas todos os dias às 11 da manhã. Ligadas realmente fazem parecer um espetáculo.
O Palácio está localizado num lugar bem privilegiado da Rússia, próximo ao Golfo da Finlândia, onde o czar podia ter uma visão para o mar, como nesta foto aí em cima. É, em relação a isto não tem nada a ver com Versailles... Ao todo são 607 hectares de parque e jardins. Dá pra passar o dia todo ali. Aliás Peterhof não é apenas atração turísticas. Muitos russos tiram seus livres para ir passear nos parques de lá, a atmosfera é realmente muito boa, com muito verde e muita tranquilidade, bem, pelo menos não nos jardins principais onde tem tanto turista.
Passamos uma boa parte do dia ali, ouvindo as histórias e curiosidades do czar Pedro o Grande, da nossa guia. De como ele gostava de levar seus convidados ao palácio no verão, ele gostava de ser cupido entre casais, então quando recebia visitas, mandava os casais darem uma volta pelos jardins e eles eram atingidos por fontes "surpresas" que eram despertadas ao pisar em certos lugares, como um campo minado. Assim ele sabia por onde os casais haviam caminhado.

Pushkin
Depois do nosso almoço, andamos mais um pouco (de carro) e chegamos ao segundo palácio do dia a ser visitado, em Pushkin, o Palácio da czarina Catarina I, esposa de Pedro. Mas o que se vê hoje de Pushkin não é o que costumava ser naquela época. A filha de Pedro, que se tornou imperatriz, Elisabeth, decidiu posteriormente construir novos cômodos e transforma o espaço num palácio mais opulente, em 1741, ainda também com Versailles como exemplo.
O design extravagante e barroco simboliza o clima que dominou o reinado de Elisabeth. A fachada de Pushkin se parece bastante com Peterhof, mas não há todas aquelas fontes então é um palácio mais tranquilo, e com bem menos turistas, ideal para um passeio sem pressa.
Visitamos também o interior de Pushkin e lá tem um museu que restaura a história do que se viveu naquele palácio. É de fato menos impressionante que o que se vê no Hermitage mas vale a pena a visita sim. Aliás, no carro no caminho de São Petersburgo para lá, vi vários outros palácios a distância, são tantos! Havia inclusive um que pertence hoje ao presidente Putin, ele é originalmente de São Petersburgo e tem um palácio lá para receber visitas. Quem sabe no futuro esse também não vire um museu.
Eu achei incrível conhecer esses palácios de verão de perto, ter uma ideia de como era a vida da corte russa, quando a Rússia era um império. Não conhecer apenas as capitais, mas também esses palácios faz parte de uma viagem a Rússia. No dia seguinte, era nosso último dia em São Petersburgo, íamos pegar o trem bala para Moscou, como já falei aqui. Tinha muito mais por vir...

21 setembro 2015

São Petersburgo: principais pontos turísticos

A segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo, foi nossa primeira parada pela viagem a Rússia. Se considerarmos a Rússia como parte da Europa, ou pelo menos a "Russia europeia" como comentei antes, é a quarta maior cidade da Europa, ficando atrás de Moscou, Londres e Paris, com 5 milhões de habitantes. São Petersburgo é lindíssima, um poço de cultura, arte, tem muuuita coisa pra ver, conhecer. Ficamos 4 dias por lá e poderia ter ficado mais que haveria mais coisa pra ver. Aqui vou falar dos principais pontos da cidade, o que visitamos e um pouco de conexão com a história russa, da qual São Petersburgo teve tanta influência.
Primeiro que São Petersburgo foi capital do império russo por mais de duzentos anos, lá por 1700 e alguma coisa. Isso significa que era lá onde moraram os czares, toda a corte russa, e isso fez com que St Pets ficasse com uma herança histórica riquíssima, com muitos palácios, igrejas e museus consagrados como patrimônios da humanidade. Por tudo isso a cidade hoje é conhecida como a capital cultural da Rússia.
A cidade que se chamava Petrogrado, como comentei antes, devido ao czar Pedro I, e também já se chamou Leningrado, como homenagem ao ditador Lenin. São Petersburgo tem uma história como seu nome: de muitas mudanças, luta e renascimento. Tanto tumulto tem de fato suas vantagens. Então vamos a elas. Vou começar a contar sobre os pontos turísticos e mais importantes da cidade que visitamos, enumerando-os.

Rio Neva
Geograficamente, São Petersburgo é formada de ilhas. Cortada pelo largo rio Neva e com muitos canais, São Pets é uma cidade portuária, o maior porto da Rússia, tem vários pedaços de terra ilhados lá e cá. É lá onde estão as pontes que abrem e fecham, mas segundo nossa guia, isso é interessante apenas para os turistas vêem. As pontes abre e fecham durante a madrugada no verão (ou quando ainda não é inverno, pois o rio congela em parte), e isso significa que quem está de um lado, não tem como passar para o outro lado (outra ilha) até a ponte fechar de novo. A não ser nadando ou numa outra ponte de pedestres que fica a quase 1 hora do centro da cidade. Considerando que elas abrem por volta da 1 da manhã e ficam a noite inteira abertas para que embarcações cruzem o rio durante a madrugada, só fecham de novo por volta de 5 da manhã, então na prática do dia a dia, é um problema para os moradores.
Foi lá na promenade do rio Neva que começou nosso passeio no segundo dia em São Petersburgo. Infelizmente só pude ver as pontes fechadas. Mas o rio Neva é tão largo que tem que fazer esforço pra ver o que tá do outro lado da ponte. Acho que nunca vi um rio tão majestoso.


Fortaleza de São Pedro e São Paulo
De lá fomos visitar a Fortaleza de São Pedro e São Paulo, aliás, o lugar mais apropriado para iniciar um tour por São Petersburgo, pois foi aqui que a cidade "nasceu". Construído durante a Grande Guerra do Norte, entre 1700 e 1721, o Forte foi desenhado pelo próprio Pedro o Grande, o czar russo, para proteger a região das tropas suecas que dominavam o mar Báltico nesta época. A data de início da construção da fortaleza -  27 de maio (16 de maio no calendário juliano, implantado pelo lider romano Julio Cesar, o qual a Rússia usava na época, que ao contrário no nosso calendário - o gregoriano - que era 13 dias atrás) é considerado o aniversário de São Petersburgo.
Durante muitos anos este lugar foi também usado como prisão política. Esta praça aí da foto acima é conhecida como Praça da Dança, e o nome não remete a uma coisa muito boa. "Dança" na verdade era porque a praça costumava ser enchida de pregos e os prisioneiros tinham que andar em cima deles, fazendo parecer com que estivessem dançando.
Lá no Forte que é na verdade um complexo com várias construções dentro dele, há também a Catedral de São Pedro e São Paulo, onde está enterrada a maioria dos imperadores (czares) russos, inclusive o próprio Pedro o Grande, e o Nicolau II e sua família, o último czar russo. 
A decoração interna da catedral ortodoxa vale a visita. Muito cheia de detalhes, ouro e pinturas lindissimas, passamos um bom tempo ali observando e admirando tudo. A vista da entrada da fortaleza pelo mar também é bem impressionante, assim como quase tudo na Rússia, é tudo grande, gigantesco, grandioso.

Catedral de Santo Isaac
De lá fomos até a Praça Santo Isaac, onde há prédios importantes e bonitos ao redor, como a Assembleia Legislativa, mas principalmente é onde está a incomparável Catedral Santo Isaac. 
Ok que tudo na Rússia é grandioso, mas essa aí é especial. Ela foi construída para ser impressionante, com métodos inovadores para a época. E não só porque ela demorou 40 anos para ser construída, nem porque o teto tem 100 kilos de puro ouro, nem porque 43 tipos diferentes de pedras a mármores foram usados para construir e decorar o interior, ela é esplendorosa, a mais sumptuosa catedral ortodoxa de São Petersburgo, em estilo neoclássico.
Também dedicada ao czar Pedro, o Grande, tem esse nome pelo santo patrono do czar, Santo Isaac de Dalmatia, é a quarta maior catedral do mundo. Com portas de bronze e tantos detalhes na decoração interior que eu mal posso descrever tudo. É realmente de impressionar como não há um cantinho que não tenha sido pensado. Até o Edi se impressionou.

Catedral do Sangue Derramado
De lá fomos em direção a Catedral do Sangue Derramado, que apesar de eu já ter visto no dia anterior, agora ia conhecer o interior e a história dela. Nosso hotel (o Golden Triangle Hotel) ficava pertinho da Catedral, então no dia que chegamos, fui dar uma volta e vi essa coisa alucinante na minha frente. Alucinante porque olha bem.... Por fora, ela parece um castelo da Disney, de brinquedo, de longe um bolo confeitado cheio de balinhas coloridas com suas cinco cúpulas revestidas de bronze e esmaltes coloridos. Este é o estilo bizantino de decorar igrejas ortodoxas, pitoresco como nenhum outro estilo, que se vê na Rússia como em nenhum outro lugar.
 A Catedral do Sangue Derramado é um dos símbolos de São Petersburgo. Também conhecida como Igreja da Ressurreição do Salvador, ela tem esse nome dramático, pois foi aqui que o czar Alexandre II perdeu a vida, vítima de um atendado em 1881, e foi ali que seu sangue escorreu. Seu filho Alexandre III ordenou que fosse ali, onde o sangue de seu pai derramou, que fosse construída uma igreja em homenagem a ela. O interessante é que esta "ordem" foi na verdade uma ação voluntária. A catedral foi erguida apenas com dinheiro doado pela população, que realmente participou da colaboração, como demonstração de seu amor e respeito pelo czar falecido. 
O interior dela é também impressionante, repleto de mosaicos nas paredes, no teto e no chão. É uma das maiores coleções de mosaicos monumentais da Europa e para nós pobres mortais, é de cair o queixo...
Daí acabava nosso tour de meio dia com a nossa guia Ekaterina Semenova. Fizemos uma pausa para almoço, banheiro e soneca do Edi, e depois fomos continuar turistando, para aproveitar ao máximo o tempo em São Petersburgo. Já que nosso hotel era bem central, fomos no meio da tarde finalmente conhecer o famoso Palácio de Inverno, o Hermitage.


Hermitage, Palácio de Inverno
Tem gente que vai a São Petersburgo apenas para pagar uma visita ao Hermitage. Isso poque a arte sempre foi uma coisa importante na Rússia. E mais que importante, ela é política também. Os czares russos gostavam de disputar coleções de artes e exibir isto como forma de status. 
A czarina Catarina a Grande herdou o Palácio de Inverno quando ela assumiu o poder em 1762. Mudou o design do interior de várias salas, trouxe sua coleção de pinturas e gradativamente acrescentava novas peças à sua coleção. O czar Nicolau I decidiu abrir o palácio para o público como museu em 1830, e o século 19 trouxe coleções arqueológicas e mais pinturas ao palácio.
Durante a era soviética, a coleção do Hermitage era símbolo de magnificência, e hoje com 3 milhões de peças e objetos ricos que remetem a era do império russo, permanece como símbolo de orgulho para toda a Rússia. 
Como estávamos neste passeio sem guias, apenas eu e Edi, tive uma ideia de como teria sido muito mais difícil nossa viagem sem guias, pois na ordinária tarefa de comprar um bilhete para entrar no museu, a atendente não falava Inglês e quase ninguém que estava perto falava Inglês direito, onde já se viu isso! Depois de algum sufoco, consegui comprar o ingresso e fui com Edi enfim conhecer o Hermitage.
Eu tinha apenas 2,5 horas disponíveis até o museu fechar. Mesmo sendo já fora do horário de "pico" de visita no museu, estava cheio. Principalmente de asiáticos. Nunca vi tanto turista asiático. Não deu realmente para andar com calma, conhecer nem metade do que eu queria. A guia havia me dito que para conhecer tudo tudo mesmo são necessários 11 anos visitando o Hermitage, então me contive com o que vi no tempo que eu tinha. É realmente muito grande muito impressionante.

Praça do Palácio 
A praça que fica na frente do Hermitage também é um ponto turístico. Ela conecta a Nevsky Prospekt, que é a principal rua da cidade com o Palácio de Inverno. Como ela é enoooorme, é sempre centro de eventos, concertos, feiras e manifestações significativas. Os prédios ao redor, além do próprio Hermitage, são simetricamente perfeitos e combinam entre si, como em estilo neoclássico, um exemplo perfeito da arquitetura russa. 
O centro da praça tem uma estátua enorme (preciso continuar falando enorme pra tudo? tudo é enorme!), a Coluna de Alexandre, o ponto focal da praça, em homenagem ao czar Alexandre I. O monumento de quase 50 metros de altura foi erguido para comemorar a vitória da Rússia sobre Napoleão, em 1812.
Ficamos ainda um tempo ali nessa praça no fim do dia depois da nossa visita ao Hermitage, tirando fotos e deixei o Edi correr um pouco. Ali fica bastante gente tanto passeando quanto sentado no chão (não há bancos), e há também carruagens esperando turistas para passeios pela cidade.

Nevsky Prospekt
A principal rua de São Petersburgo. Nosso hotel ficava numa rua perpendicular a ela, relativamente próximo da Catedral do Sangue Derramado (uns 10 minutos andando), e do Hermitage (uns 20 minutos andando). A arquitetura é como não podia deixar de ser, esplêndida, durante quase todos os 4,5km da avenida. 
A principal rua para compras da cidade, com restaurantes, cafes e casas noturnas. Estava sempre sempre lotada. Mas não só isso, há vários pontos e construções notáveis ao longo da rua, igrejas, prédios históricos, inclusive uma livraria que ficava na esquina do nosso hotel, que nossa... ah se toda livraria fosse daquele jeito. Quem me acompanha no Snapchat (elaeamericana) pôde ver um pouco ao vivo quando filmei o interior da livraria com decoração até no chão e no teto. Me empolguei tanto com o Snap que esqueci de tirar foto.
Acho que esses são os principais pontos turísticos de São Petersburgo. Claro, dá pra ver mais coisas, e daria para gastar mais tempo visitando museus, fazendo um passeio de barco no rio Neva, ou até passando mais tempo no próprio Hermitage, mas nosso passeio se resumiu a isso aí e acho que o tempo foi muito bem aproveitado.
No dia seguinte passamos o dia nos arredores de São Petersburgo para conhecer os dois palácios de verão mais famosos dos czares russos: Peterhof e Pushkin, que são conhecidos como o "Versailles" russo. Mas isso eu deixo pra contar no próximo post.