Quem mora fora do Brasil e viaja bastante sabe o quanto é importante um bom dicionário ao nosso alcance. É ou não é? Já me deparei com vários, uns muito bons e uns muito ruins. Constantemente durante meu dia no trabalho, em casa, nos estudos, na rua, no celular, sinto necessidade de consultar uma palavra ou uma expressão. Ora curiosidade, ora necessidade mesmo.
O Babylon, um dos maiores e mais conhecidos, não só um dicionário online mas uma verdadeira ferramenta de tradução que auxilia nossa comunicação no dia a dia e aprendizado, abrange 76 idiomas + 1400 dicionários e glossários variados. Ele oferece dois serviços gratuitos que são um barato:
- Tradução online gratuita: http://tradutor.babylon.com/
- Dicionário online gratuito: http://dicionario.babylon.com/
Eu recomendo.
Palavra de uma brasileira que fala inglês, arranha um alemão e tá aprendendo francês. ... e já estudou espanhol, se meteu a aprender grego...
29 setembro 2010
28 setembro 2010
A prática leva à perfeição
Na minha segunda festa de housewarming quando me mudei pro meu atual apê, há quase um ano atrás, resolvi cozinhar alguma coisa que fosse típico do Brasil pros meus convidados que vinham de diversos países. Algo que não fosse muito difícil e desse pra agradar todo mundo. Sem ser nada formal, ne, afinal eu não puxei aos dotes culinários da minha tia e sempre almoço na rua, janto qualquer bobagem e tô satisfeita, então a decisão de cozinhar algo foi mais que um desafio pra mim. Por sorte, na época, assisti de camarote uma mineira fazer a massa do pão de queijo aqui na Suíça com amido de tapioca, ingrediente fundamental encontrado numa loja asiática que fica lá no fim do mundo. Sim, porque polvilho aqui não tem. Pão de queijo congelado também não. Aliás, já ouvi falar de uma casa portuguesa que vende mas só Deus sabe aonde fica. Então o jeito era ir até a loja asiática lá no fim do mundo mesmo, comprar o amido de tapioca, fazer a tal massa do pão de queijo e rezar pra que ficasse bom. Da primeira vez, foi uma aventura, sujei cantos na cozinha que depois não sabia como tinha conseguido tal proeza. Mas, sabe que com o tempo, não é que a gente aprende mesmo a ter mais jeito pra coisa? Não que da outra vez tivesse ficado ruim, mas desta vez, o pão de queijo ficou divino, perfeito, de-li-ci-oooooo-soooo!!!!
Como é bom fazer as coisas e agradar a gregos e troianos. A quantidade desta generosa bandejinha não foi suficiente, mas foi tudo, e em questão de minutos, estava tudo já devorado. Aproveito então pra compartilhar aqui a receita e o jeitinho que usei pra fazer essa maravilha. Quem mora fora do Brasil e também carecer de polvilho, pode tentar encontrar esse amido de tapioca ("tapioca starch") em lojas de comidas asiáticas que são bem comuns por aqui, e saborear um pouquinho dessa nossa tradição. Só não me responsabilizo pelos quilinhos a mais!
A propósito, descobri que pão de queijo é também bem comum na Bolívia, Paraguai, Argentina e Colômbia. Mas o nosso é mais gostoso, ne não?
Então vamos lá. A receita dá pra uns 50 pães de queijo. Depende do tamanho que você fizer a bolinha, claro, mas os meus 50 são do tamanho dos da foto aí de cima.
Pão de queijo
Ingredientes:
- 300ml de leite
- 150ml de óleo
- sal
- 400g de amido de tapioca ou polvilho
- 350g de queijo parmesão ralado
Modo de fazer:
1- Coloque 300ml (uma caneca) de leite + 150ml (meia caneca) de óleo + 2 colheres de sal numa panela e deixe ferver um pouco (não muito, não deixe o leite subir, obviamente).
2- Coloque 400g de amido de tapioca (3 canecas) numa vasilha.
3- Quando a mistura que está na panela estiver fervida, coloque na vasilha e misture tudo com uma colher de pau.
4- Eventualmente a colher de pau não vai ser suficiente pra misturar tudo homogeneamente, então misture com a mão.
5- Quando a massa estiver homogênea, acrescente um ovo e continue mexendo com a mão.
6- Enquanto mexe, vá colocando o conteúdo de um pacote de 350g de queijo parmesão ralado na massa gradativamente.
7- Continue mexendo até a massa tiver cara de massa.
8- Ligue o forno e deixe esquentar em fogo alto por 20 minutos.
9- Enquanto o forno esquenta, coloque papel manteiga numa forma.
10- Coloque uma gota de óleo na mão, e com uma colherzinha de café pegue uma parte da massa e enrole como uma bolinha e vá colocando as bolinhas na forma.
11- Após 20 minutos de forno ligado e bolinhas prontas, coloque a forma no forno a 220, 230 graus e deixe lá por 10 minutos.
12- Bom apetite!
Assunto:
casa,
culinária e gastronomia,
relatos,
vida na suíça,
vida no exterior
26 setembro 2010
Na balada
A Suíça tá longe de ser conhecida pela sua vida noturna, bares, boates e afins, é verdade. Aqui em Berna então, não tem muitas opções de festas que bombam e vão até o dia clarear, atrai gente de outras cidades e a cidade não dorme, aqui não tem disso. A cidade dorme muito bem e há regras de onde os lugares podem funcionar com música e são sempre muito bem isolados acusticamente pra não perturbar muito os arredores. Em Zurique, a maior cidade do país, sim, normalmente é mais agitado, em Genebra também, mas ainda acho que não tem jeito de vida noturna de cidade grande. Cidade grande suíça não é só uma cidade grande. É, em primeiro lugar, suíça.
Mas, é claro, aqui também existem lugares para ir à noite, um teatro, uma apresentação, dançar, beber e conhecer gente. Aqui, as casas noturnas não funcionam todos os dias do ano. No verão, por exemplo, quando o sol se põe por volta das 10:30 da noite, as boates não funcionam, pois é a época de fazer atividades ao ar livre, ficar bastante tempo ao sol, e 10:30 da noite as pessoas normalmente estão chegando em casa da piscina ou de um banho no rio, então não é negócio pras boates funcionar.
Eu acho muito legal o fato de ter bares e boates aqui onde você não paga pra entrar. Há vários (não muitos) aqui em Berna, e é bacana porque você entra, fica um pouco, sente se tá agradável e se não tiver, pode ir pra outro lugar sem ter tido que pagar entrada no lugar anterior.
É claro que aqui também existem lugares onde você tem que pagar entrada, e obviamente como quase tudo por aqui, não é barata, mas que normalmente quando é assim, tem um DJ conhecido tocando, uma seleção de músicas mais atualizada, um público mais seleto e vai até mais tarde do que nos lugares que não paga pra entrar.
Aqui em Berna, e na Suíça em geral, você vai encontrar balada de vários tipos. Tem boate que toca tutz tutz a noite inteira, tem lugar que toca música pop mixada e house, tem lugar que toca hip hop até não aguentar mais, tem lugar que só toca música latina e reggaeton. A maioria se resume a isso principalmente. As festas latinas, por exemplo, onde se ouve música cubana, colombiana, mexicana e até o funk carioca, são bem populares por aqui. Como os suíços não são o povo com o maior gingado do mundo, há muitas escolas de dança espalhadas pela cidade e eu já conheci várias pessoas que fazem ou fizeram já aulas de dança. Então, à noite, elas vão praticar e mostrar que aprenderam os passos nas casas noturnas que tocam esse tipo de música. Eu admito que quando vou pra essas festas, me divirto só de ficar olhando o povo dançar. Em geral, é sempre muito animada.
Por aqui existem boates que são transparentemente organizadas por faixa etária. Há lugares onde só tem teens, há lugares onde só tem oldies, e há lugares onde tem o que existe no meio. Normalmente você tem que mostrar documento pra entrar, e nas festas teens às vezes tem de um cair de tanto beber, o que você não encontra com frequência em festas de gente mais velha. O que reforça a minha desconfiança que no fundo no fundo, nós somos todos iguais, não importa onde nascemos e vivemos. Na noite daqui, tem paquera, tem cocktails, tem homem traindo esposa, mulher traindo namorado, menina chorando, um cara no canto tentando dançar. Nada de outro mundo. Eles só são meio desengonçadozinhos pra dançar, os suíços. Mas são simpáticos, puxam conversa, são cavalheiros e podem conversar com você em vários idiomas! Que internacional!
Eu não tenho carro, então geralmente ou vou de carona com alguém que conheço ou vou de tram, e ou volto pra casa de carona ou de taxi, que sempre tem por perto, já que o transporte público de madrugada só funciona com o Moonliner, que é uma linha especial de ônibus apenas com algumas paradas estratégicas e com horários bem espaçados, e nunca me é conveniente. Uma vez eu até já andei pra casa às 3 horas da manhã. Não há perigo em andar nas ruas de madrugada. Os bares também são muito agradáveis. Não sou nenhuma rainha da noite, mas na minha opinião, neste sentido, mesmo não sendo o forte daqui, a vida noturna bernense não me decepciona.
Mas, é claro, aqui também existem lugares para ir à noite, um teatro, uma apresentação, dançar, beber e conhecer gente. Aqui, as casas noturnas não funcionam todos os dias do ano. No verão, por exemplo, quando o sol se põe por volta das 10:30 da noite, as boates não funcionam, pois é a época de fazer atividades ao ar livre, ficar bastante tempo ao sol, e 10:30 da noite as pessoas normalmente estão chegando em casa da piscina ou de um banho no rio, então não é negócio pras boates funcionar.
A "temporada" começa em Agosto/Setembro e durante o outono e a primavera é quando as festas realmente acontecem e enchem de gente, pois no inverno é frio demais pra sair a noite sem ter que usar aqueles casacos pesadões. Então a não ser que você tenha um carro que o deixe na porta do lugar que você vai, pra ficar o mínimo de tempo possível exposto ao frio, é melhor ficar em casa. Não dá pra ficar andando de vestido e meia calça até a estação e ficar esperando o trem no vento, então a frequência já diminui um bocadinho nessa época.
Eu acho muito legal o fato de ter bares e boates aqui onde você não paga pra entrar. Há vários (não muitos) aqui em Berna, e é bacana porque você entra, fica um pouco, sente se tá agradável e se não tiver, pode ir pra outro lugar sem ter tido que pagar entrada no lugar anterior.
É claro que aqui também existem lugares onde você tem que pagar entrada, e obviamente como quase tudo por aqui, não é barata, mas que normalmente quando é assim, tem um DJ conhecido tocando, uma seleção de músicas mais atualizada, um público mais seleto e vai até mais tarde do que nos lugares que não paga pra entrar.
Aqui em Berna, e na Suíça em geral, você vai encontrar balada de vários tipos. Tem boate que toca tutz tutz a noite inteira, tem lugar que toca música pop mixada e house, tem lugar que toca hip hop até não aguentar mais, tem lugar que só toca música latina e reggaeton. A maioria se resume a isso principalmente. As festas latinas, por exemplo, onde se ouve música cubana, colombiana, mexicana e até o funk carioca, são bem populares por aqui. Como os suíços não são o povo com o maior gingado do mundo, há muitas escolas de dança espalhadas pela cidade e eu já conheci várias pessoas que fazem ou fizeram já aulas de dança. Então, à noite, elas vão praticar e mostrar que aprenderam os passos nas casas noturnas que tocam esse tipo de música. Eu admito que quando vou pra essas festas, me divirto só de ficar olhando o povo dançar. Em geral, é sempre muito animada.
Por aqui existem boates que são transparentemente organizadas por faixa etária. Há lugares onde só tem teens, há lugares onde só tem oldies, e há lugares onde tem o que existe no meio. Normalmente você tem que mostrar documento pra entrar, e nas festas teens às vezes tem de um cair de tanto beber, o que você não encontra com frequência em festas de gente mais velha. O que reforça a minha desconfiança que no fundo no fundo, nós somos todos iguais, não importa onde nascemos e vivemos. Na noite daqui, tem paquera, tem cocktails, tem homem traindo esposa, mulher traindo namorado, menina chorando, um cara no canto tentando dançar. Nada de outro mundo. Eles só são meio desengonçadozinhos pra dançar, os suíços. Mas são simpáticos, puxam conversa, são cavalheiros e podem conversar com você em vários idiomas! Que internacional!
Eu não tenho carro, então geralmente ou vou de carona com alguém que conheço ou vou de tram, e ou volto pra casa de carona ou de taxi, que sempre tem por perto, já que o transporte público de madrugada só funciona com o Moonliner, que é uma linha especial de ônibus apenas com algumas paradas estratégicas e com horários bem espaçados, e nunca me é conveniente. Uma vez eu até já andei pra casa às 3 horas da manhã. Não há perigo em andar nas ruas de madrugada. Os bares também são muito agradáveis. Não sou nenhuma rainha da noite, mas na minha opinião, neste sentido, mesmo não sendo o forte daqui, a vida noturna bernense não me decepciona.
25 setembro 2010
Quebrou as regras e sobreviveu
Até onde consegue se lembrar, sempre estiveram lá para determinar o limite do certo ao errado, do que pode e do que é proibido. Até onde consegue se lembrar, eram simples, como ir pra cama às 10 da noite, ou só brincar depois de estudar. Depois foram ficando mais sérias e de mais responsabilidade, como não ficar de recuperação no colégio, manter notas acima da média, sair da casa do namorado antes das 10 da noite. E aí, é claro, naturalmente com o tempo, tornaram-se ainda mais severas, como parar o carro antes da faixa quando aprendeu a dirigir, acordar antes das 7 pra dar tempo de lavar o cabelo e não chegar atrasada no trabalho quando conseguiu seu primeiro emprego.
Regras.
Como poderia viver sem elas?
Não é porque sua vida tinha tomado aquele rumo, simplesmente não se via vivendo sem elas. E com elas aprender a ter disciplina, a se fazer respeitada, a fazer a coisa certa. Tudo muito simples na teoria. Só que no mundo real, não há regras que esclareçam no meio de toda a conturbação, que é crescer e viver neste mundo apressado, o surgimento de vícios, sentimentos incertos e turbulentos que possam por a perder tudo que esforçou-se pra conquistar. Não há regras nem livros nem cursos explicando sexto sentido, experiência de vida ou métodos para detectar um mau pressentimento que sejam realmente efetivos... há?
Pronto. Aí vieram os dias que quebrou as regras para sobreviver, quando ignorou conflitos internos, fechou os olhos e passou por cima de medos e desconfianças e encarou o fato de que a melhor forma de entender era vivendo. No mínimo, um desafio. Se viu rodeada de estranhos e situações estranhas, onde regras não se aplicavam, e descobriu por si como atravessá-las.
Vestiu camiseta de banda, fez tatuagens, piercings na orelha, no rariz e na língua e foi a shows de rock. No outro dia, se equilibrou em saltos de cores combinando com o cinto, escovou e pintou o cabelo de loiro e comprou bolsas e perfumes caros no shopping. Se jogou no mar, dançou noites inteiras, conversou com estranhos, sorriu pro mundo, deu 10 reais ao malabarista do semáforo, passou 10 horas na internet, olhou as pessoas a seu redor, fez cirurgia plástica, estudou grego, dormiu 19 horas, pagou para ver, se pôs a risco e sentiu na própria pele a dor e o prazer de testá-las, as regras. Admitiu, finalmente, que em algumas situações, não se reconheceu. Em outras, foi tão melhor poder se conhecer mais, e poder se abrir ao que não era igual a ela, e descobrir o que era ela ali, instinto, talvez, afinal o que era igual a ela? Sair um bocadinho das suas regras, aquelas que conhecia, que a formaram, conhecer o lado de fora do seu mundo, da sua zona de conforto, mesmo que pudesse lhe causar dor e a fizesse querer voltar pro seu mundo, pro que conhecia e sempre conheceu até então, como um conforto que lhe transmitisse segurança e não a vulnerabilidade. Há um mundo, há um mundo lá fora e ela não podia viver sem saber o que acontece lá.
Tomou os riscos e arcou com as consequencias. Saiu do curso, do fluxo, não tinha mais volta, estava feito, tinha quebrado as regras. Viu realidades tão cruéis e quis voltar, teve medo e estava só. Não demorou e, felizmente, percebeu que sem isto não teria conseguido. Que essa busca por respostas, pelo desconhecido, pelo que está por trás das regras, do que uns e outros dizem ou pensam, pelo sabor próprio do conhecimento e da experiência de vida era o que a mantinha em pé. Pelo menos estava vivendo, conhecendo, estava quebrando as regras, estava sobrevivendo.
23 setembro 2010
Liefrange, o country side de Luxemburgo
Se quando tem um feriado, ou mesmo nas férias no Brasil, as pessoas se organizam para ir à casa de praia, passam o dia ao sol, andam de jet ski e surfam; em Luxemburgo, nas férias ou num feriado, as pessoas vão para o country side. Na verdade, não é nada de "country", o sentido é ser fora da capital. E uma das cidades a margem do lago Haute-Sûre chamada Liefrange é um dos destinos comuns dos luxemburgueses que se interessam em velejar.
Eu não me aventurei a velejar nem mesmo a tomar banho porque a água, apesar de ter feito sol (às vezes), ainda era muito fria. Aparecia uma nuvem e já tinha que correr pra vestir o casaco.
A cidade é bem pequena e não tem mais nada pra fazer se não for ir pro lago. Uma paz, uma calma isolada do mundo, é um lugar ideal pra descansar. Eu consegui até esquecer dos problemas, mas admito que já tava com saudade de casa. E olhe que a Suíça não é nenhuma Nova York.
Mas o que foi legal mesmo dessa viagem foi conhecer algo que não é muito popular para turistas. Não tinha quase ninguém em Liefrange que não era luxemburguês. É realmente um lado da região frequentada por gente que tem casa pra passar temporada, que vai no fim de semana pra velejar e tal. Eu curti. Foi bom ver algo da perspectiva dos "insiders". Foi lá também onde conheci a maravilhosa cerveja belga Leffe.
Andando nas estradas de Luxemburgo, em pouco tempo você está na Bélgica, daqui a pouco você anda mais e já está na França, na Alemanha. Então o país é muito influenciado por produtos dos países vizinhos. E pra não dizer que foi tudo ótimo maravilhoso, uma coisa que Liefrange tem de ruim são as moscas!!!! Nunca vi tanta mosca na minha vida. Me recusei de tirar foto porque fiquei agoniada com tanta mosca, mas devia ter tirado pra provar que não é exagero meu. Na casa que eu estava, tinha bem umas dez daquelas raquetinhas que mata mosca e era o tempo todo cada um com uma. Mas isso era em casa. No lago, não tinha. Então, o negócio era ficar no lago! Nos arredores tem as cidades um pouco maiores onde tem escolas e supermercado, e eu conheci uma chamada Wiltz, que é muito lindinha também. Um clima de cidade de interior. Uma graça!
Eu não me aventurei a velejar nem mesmo a tomar banho porque a água, apesar de ter feito sol (às vezes), ainda era muito fria. Aparecia uma nuvem e já tinha que correr pra vestir o casaco.
A cidade é bem pequena e não tem mais nada pra fazer se não for ir pro lago. Uma paz, uma calma isolada do mundo, é um lugar ideal pra descansar. Eu consegui até esquecer dos problemas, mas admito que já tava com saudade de casa. E olhe que a Suíça não é nenhuma Nova York.
Mas o que foi legal mesmo dessa viagem foi conhecer algo que não é muito popular para turistas. Não tinha quase ninguém em Liefrange que não era luxemburguês. É realmente um lado da região frequentada por gente que tem casa pra passar temporada, que vai no fim de semana pra velejar e tal. Eu curti. Foi bom ver algo da perspectiva dos "insiders". Foi lá também onde conheci a maravilhosa cerveja belga Leffe.
Andando nas estradas de Luxemburgo, em pouco tempo você está na Bélgica, daqui a pouco você anda mais e já está na França, na Alemanha. Então o país é muito influenciado por produtos dos países vizinhos. E pra não dizer que foi tudo ótimo maravilhoso, uma coisa que Liefrange tem de ruim são as moscas!!!! Nunca vi tanta mosca na minha vida. Me recusei de tirar foto porque fiquei agoniada com tanta mosca, mas devia ter tirado pra provar que não é exagero meu. Na casa que eu estava, tinha bem umas dez daquelas raquetinhas que mata mosca e era o tempo todo cada um com uma. Mas isso era em casa. No lago, não tinha. Então, o negócio era ficar no lago! Nos arredores tem as cidades um pouco maiores onde tem escolas e supermercado, e eu conheci uma chamada Wiltz, que é muito lindinha também. Um clima de cidade de interior. Uma graça!
22 setembro 2010
A revanche da aula de francês
Terminei este post indócil porque não tinha feito o dever de casa, me lasquei toda na aula de francês, meus colegas ficaram tirando onda porque "o Brasil é pior que a Suíça" e porque eu sinto muito frio. Me senti a última dos moicanos e o que eu queria era nunca mais aparecer no curso de francês.
Uma semana depois, eis as atualizações da aula seguinte. Fiz o dever. Eram 40 frases pra passar do presente pro passé composé. Fiz. Arrumei motivação não sei de onde. Aliás, acho que sei. Os comentários que li aqui têm uma parcela de culpa nisso. E eu não sou de me entregar tão fácil. Enfim. Cheguei no curso 10 minutos mais cedo, só tinha uma colega alemã. O resto todo faltou. Só foi eu, a colega alemã e a professora substituta que é da Romênia. Começamos pela correção do dever. Háá... Sem comentários, me senti ótima. Depois, continuamos conversando sobre o que tinha feito no fim de semana, e eu disse. Nada humilhante. Não tinha frio no meio. Depois, começou. Primeiro a professora me chamava de Larissa a aula inteira, e eu deixei. Daqui a pouco ela ri toda sem graça pedindo desculpas, porque eu me chamo Liana. No problem. Aí continou. Eu não consigo (mesmo) pronunciar o "R" como deve ser no francês. Tenho a mesma dificuldade no alemão. Mas tento como posso. Então a romena veio me dizer que eu tinha que forçar mais. (...) Forcei. Aí ela me vem com "ah, é porque não tem esse som no espanhol, ne?" (...) (...), aí eu "eu não falo espanhol". Impagável.
Pra terminar, ainda recebi meu boletim do nível anterior que acabou de acabar, e de 20, fiquei com 17. Tá bom, né? Tô pronta pro próximo.
Uma semana depois, eis as atualizações da aula seguinte. Fiz o dever. Eram 40 frases pra passar do presente pro passé composé. Fiz. Arrumei motivação não sei de onde. Aliás, acho que sei. Os comentários que li aqui têm uma parcela de culpa nisso. E eu não sou de me entregar tão fácil. Enfim. Cheguei no curso 10 minutos mais cedo, só tinha uma colega alemã. O resto todo faltou. Só foi eu, a colega alemã e a professora substituta que é da Romênia. Começamos pela correção do dever. Háá... Sem comentários, me senti ótima. Depois, continuamos conversando sobre o que tinha feito no fim de semana, e eu disse. Nada humilhante. Não tinha frio no meio. Depois, começou. Primeiro a professora me chamava de Larissa a aula inteira, e eu deixei. Daqui a pouco ela ri toda sem graça pedindo desculpas, porque eu me chamo Liana. No problem. Aí continou. Eu não consigo (mesmo) pronunciar o "R" como deve ser no francês. Tenho a mesma dificuldade no alemão. Mas tento como posso. Então a romena veio me dizer que eu tinha que forçar mais. (...) Forcei. Aí ela me vem com "ah, é porque não tem esse som no espanhol, ne?" (...) (...), aí eu "eu não falo espanhol". Impagável.
Pra terminar, ainda recebi meu boletim do nível anterior que acabou de acabar, e de 20, fiquei com 17. Tá bom, né? Tô pronta pro próximo.
17 setembro 2010
Luxemburgo
Cheguei! De bom humor agora! Chega de stress por causa do francês, ne. Ninguém merece mesmo. Só tenho a agradecer aos comentários e a força por quem escreveu ou desejou em pensamento. Faz parte e eu sei disso. Então vamo tocar a vida pra frente que o melhor que a gente faz. Falando em tocar a vida pra frente, lembrei que esqueci de falar sobre Luxemburgo. E como (tocando a vida) as próximas viagens estão logo ali na esquina, não quero esquecer e lembrar de novo quando já tiver outra viagem pra escrever sobre. Então, aqui estou eu pra falar do pulo que dei em Luxemburgo no mês passado, antes que o país desapareça do mapa!
Brincadeiras a parte - meu humor hoje tá bom até demais - Luxemburgo é um dos menores países da Europa e faz fronteira com a Bélgica, França e Alemanha. Tem menos de meio milhão de pessoas e é o único grão-ducado ainda existente. Chama-se de grão-ducado um território onde o chefe de estado é o grão-duque. Muito chique. Nessa foto aí de baixo, do lado direito, é a sede do governo, onde o senhor grão-duque atual Henrique Alberto deve manter suas atividades de chefe de estado.
*Pois é, eu novamente com essas fotos gigantes...* mas se não for assim não dá pra ver direito.
O país foi invadido e ocupado pela Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial e aos poucos foi conseguindo sua independência, até ser obrigado a sair da neutralidade e se juntou a aliados contra os alemães na Segunda Guerra. Por isso, foi invadido de imigrantes procurando refúgio e a fortaleza que se vê na capital até hoje próximo ao centro antigo é a prova viva desta história.
Luxemburgo é um país de três idiomas: o alemão, o francês e o luxemburguês, que, diríamos é a mistura dos dois anteriores. Muito esquisito. Tentei entender alguma coisa vendo o jornal, mas só consigo captar algumas palavras. A capital do país também se chama Luxemburgo e é uma cidadezinha muito bonitinha, pequena, organizada e o centro antigo segue ainda a tradição de capitais européias com cafés, bares, restaurantes, praças e eventos acontecendo no sábado a tarde, mas muito menos movimentada que capitais européias mais badaladas como Madrid, Roma, ou até mesmo Berna.
Mas eu adorei conhecer a cidade. Mesmo sendo um belo sábado de sol, não tinha muita gente, podemos andar pelo centro tranquilamente. Sim, porque eu tiro por Berna, dia de sábado, tá impossível andar no centro dia de sábado a tarde.
A moeda é comum a da União Européia, o Euro, mas a cidade não é cara, não é badalada. É quase como a Suíça, assim, o interior da Europa, só não tem os alpes.
Brincadeiras a parte - meu humor hoje tá bom até demais - Luxemburgo é um dos menores países da Europa e faz fronteira com a Bélgica, França e Alemanha. Tem menos de meio milhão de pessoas e é o único grão-ducado ainda existente. Chama-se de grão-ducado um território onde o chefe de estado é o grão-duque. Muito chique. Nessa foto aí de baixo, do lado direito, é a sede do governo, onde o senhor grão-duque atual Henrique Alberto deve manter suas atividades de chefe de estado.
*Pois é, eu novamente com essas fotos gigantes...* mas se não for assim não dá pra ver direito.
O país foi invadido e ocupado pela Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial e aos poucos foi conseguindo sua independência, até ser obrigado a sair da neutralidade e se juntou a aliados contra os alemães na Segunda Guerra. Por isso, foi invadido de imigrantes procurando refúgio e a fortaleza que se vê na capital até hoje próximo ao centro antigo é a prova viva desta história.
Luxemburgo é um país de três idiomas: o alemão, o francês e o luxemburguês, que, diríamos é a mistura dos dois anteriores. Muito esquisito. Tentei entender alguma coisa vendo o jornal, mas só consigo captar algumas palavras. A capital do país também se chama Luxemburgo e é uma cidadezinha muito bonitinha, pequena, organizada e o centro antigo segue ainda a tradição de capitais européias com cafés, bares, restaurantes, praças e eventos acontecendo no sábado a tarde, mas muito menos movimentada que capitais européias mais badaladas como Madrid, Roma, ou até mesmo Berna.
Mas eu adorei conhecer a cidade. Mesmo sendo um belo sábado de sol, não tinha muita gente, podemos andar pelo centro tranquilamente. Sim, porque eu tiro por Berna, dia de sábado, tá impossível andar no centro dia de sábado a tarde.
A moeda é comum a da União Européia, o Euro, mas a cidade não é cara, não é badalada. É quase como a Suíça, assim, o interior da Europa, só não tem os alpes.
15 setembro 2010
A burra da aula de francês
Se até ontem durante o dia eu estava super hiper mega feliz, contente e empolgada pelo show que fui do U2, pelo show que irei do Supertramp e pelas viagens que estão por vir, soltando sorrisos a toa pra quem direcionasse o olhar pra mim, ontem a noite mudei da água pro vinho. Tudo por causa da aula do curso de francês que fui ontem a noite.
Alguma coisa me dizia pra não ir a essa aula ontem e eu achava que era só consciência pesada por não ter feito o dever de casa, mas resolvi ir mesmo assim porque achei que não ir seria muito pior. É só uma vez por semana e pensei que indo, pelo menos aprenderia qualquer coisa na sala de aula. Aí fui. Chegando lá, a professora substituta obviamente foi corrigir na aula o dever, que eram frases pra passar pro passado composto e futuro. São cinco alunos na sala, eu e mais quatro, dois suíços e duas alemãs que, vale salientar, já estudaram francês na escola e sabem regras, conjugação de verbos e tal, e entraram na turma agora no A2. Eu comecei do zero e só estudo francês há um ano nesse curso devagar-quase-parando uma hora e meia por semana. Só há pouco tempo comecei também o francês no trabalho, e no momento faço os dois. Além do alemão, claro.
Lá no curso, quando não entendem alguma coisa, conversam entre si em alemão e eu só falto me descabelar pra acompanhar as discussões, e nunca me perguntam nada, nunca participo das decisões, das conversas, e lá mais que em nenhum outro lugar, me sinto uma total outsider. Mas tudo bem, afinal sou estrangeira mesmo e tenho que aguentar coisas desse tipo (..ne?). Até aí, relevo. (Seu nível de tolerância quando se mora no estrangeiro tem que aumentar). Na aula, cada um falava uma frase e passava pro passado composto e futuro. Eu me senti horrível porque errei todas as frases, os verbos mais difíceis sempre caíam pra mim e eu demorava um século pra conseguir terminar, enquanto os outros falavam super rápido e acertavam tudo, ficavam olhando pra mim impacientes porque eu tava atrasando a aula, apesar do meu sufoco lá pra conseguir terminar as frases. Até aí "tudo bem", afinal quem mandou não fazer o dever?
Já passei por coisas muito piores pra ser esse o motivo de um stress meu. Continuo a novela...
Tudo piorou quando eu achei que ia melhorar, quando o dever terminou e fomos só fazer perguntas um pro outro, e o cara foi responder como tinha sido o último trabalho dele na Bolívia. Disse que tinha sido uma experiência interessante, e quando a professora o perguntou como a Bolívia era diferente da Suíça, ele foi dizer que era muito quente, que era perigoso, que o povo era muito emocional, que gostava de fazer festa e a comida era estranha e não tinha salsicha, e... (tcha rãnn....) olhou pra mim e disse que devia ser como era no Brasil. ....momento de tensão. Minha gente, todo mundo ficou olhando pra mim com um ar de superioridade, negativo e repulsivo; e depois do dever que eu já não estava me sentindo muito bem, me senti muito humilhada, vítima de racismo, como se atirassem em mim com os olhos. Eu só queria sumir. Como se já não bastasse tamanha humilhação, na minha vez de responder a pergunta, minha pergunta foi o que eu fiz no inverno passado. Ora, eu fiz várias coisas, mas em francês não sei dizer nem metade, então pra não incomodar mais na aula, só disse que fiquei em casa porque tava muito frio lá fora. Ora, o nível de ofensa não tava elevado o suficiente. O que eles fizeram? Riram.
Eu sou a pessoa mais transparente que eu conheço, então resultado depois disso: dormi mal, acordei sem vontade de trabalhar e tô aqui com uma cara linda e já ouvi alguns "tá com cara de cansada hoje, Liana" hoje. Eu tô com vontade de nunca mais voltar nesse curso, e já tô é por aqui também com esses idiomas. Sei que nem tudo são flores e ninguém disse que era pra ser fácil, mas precisava ser tão difícil?
Agora peraí que vou ali respirar...
Alguma coisa me dizia pra não ir a essa aula ontem e eu achava que era só consciência pesada por não ter feito o dever de casa, mas resolvi ir mesmo assim porque achei que não ir seria muito pior. É só uma vez por semana e pensei que indo, pelo menos aprenderia qualquer coisa na sala de aula. Aí fui. Chegando lá, a professora substituta obviamente foi corrigir na aula o dever, que eram frases pra passar pro passado composto e futuro. São cinco alunos na sala, eu e mais quatro, dois suíços e duas alemãs que, vale salientar, já estudaram francês na escola e sabem regras, conjugação de verbos e tal, e entraram na turma agora no A2. Eu comecei do zero e só estudo francês há um ano nesse curso devagar-quase-parando uma hora e meia por semana. Só há pouco tempo comecei também o francês no trabalho, e no momento faço os dois. Além do alemão, claro.
Lá no curso, quando não entendem alguma coisa, conversam entre si em alemão e eu só falto me descabelar pra acompanhar as discussões, e nunca me perguntam nada, nunca participo das decisões, das conversas, e lá mais que em nenhum outro lugar, me sinto uma total outsider. Mas tudo bem, afinal sou estrangeira mesmo e tenho que aguentar coisas desse tipo (..ne?). Até aí, relevo. (Seu nível de tolerância quando se mora no estrangeiro tem que aumentar). Na aula, cada um falava uma frase e passava pro passado composto e futuro. Eu me senti horrível porque errei todas as frases, os verbos mais difíceis sempre caíam pra mim e eu demorava um século pra conseguir terminar, enquanto os outros falavam super rápido e acertavam tudo, ficavam olhando pra mim impacientes porque eu tava atrasando a aula, apesar do meu sufoco lá pra conseguir terminar as frases. Até aí "tudo bem", afinal quem mandou não fazer o dever?
Já passei por coisas muito piores pra ser esse o motivo de um stress meu. Continuo a novela...
Tudo piorou quando eu achei que ia melhorar, quando o dever terminou e fomos só fazer perguntas um pro outro, e o cara foi responder como tinha sido o último trabalho dele na Bolívia. Disse que tinha sido uma experiência interessante, e quando a professora o perguntou como a Bolívia era diferente da Suíça, ele foi dizer que era muito quente, que era perigoso, que o povo era muito emocional, que gostava de fazer festa e a comida era estranha e não tinha salsicha, e... (tcha rãnn....) olhou pra mim e disse que devia ser como era no Brasil. ....momento de tensão. Minha gente, todo mundo ficou olhando pra mim com um ar de superioridade, negativo e repulsivo; e depois do dever que eu já não estava me sentindo muito bem, me senti muito humilhada, vítima de racismo, como se atirassem em mim com os olhos. Eu só queria sumir. Como se já não bastasse tamanha humilhação, na minha vez de responder a pergunta, minha pergunta foi o que eu fiz no inverno passado. Ora, eu fiz várias coisas, mas em francês não sei dizer nem metade, então pra não incomodar mais na aula, só disse que fiquei em casa porque tava muito frio lá fora. Ora, o nível de ofensa não tava elevado o suficiente. O que eles fizeram? Riram.
Eu sou a pessoa mais transparente que eu conheço, então resultado depois disso: dormi mal, acordei sem vontade de trabalhar e tô aqui com uma cara linda e já ouvi alguns "tá com cara de cansada hoje, Liana" hoje. Eu tô com vontade de nunca mais voltar nesse curso, e já tô é por aqui também com esses idiomas. Sei que nem tudo são flores e ninguém disse que era pra ser fácil, mas precisava ser tão difícil?
Agora peraí que vou ali respirar...
12 setembro 2010
Show do U2!
Então finalmente chegou o grande dia! Só me toquei que era "9/11" quando Bono falou lá no show. Nunca pensei que anos depois daquela tragédia das torres gêmeas, eu estaria no show do U2 na Suíça! Aaaaaaaaaa!!!!!!! Mas então, deixa eu contar. Eu tenho pena de quem mora em Zurique e não se animou pra ir ao show, viu, porque a cidade estava lotadaça. Os trams e as ruas cheias de gente indo em direção ao Estádio Letzigrund.
Tuitei no caminho de Berna a Zurique, no trem, alguém viu? Não levei nada pra ler, porque não ia ficar segurando, e o único passatempo era meu celular.
O pessoal no trem tava era animado e a viagem passou bem rápido, só uma horinha de trem. Chegando lá, fui seguindo as pessoas que tinham cara de estarem indo pro show e peguei o tram que não cabia nem mais uma mosca de tão cheio.
Desci na porta do estádio e fui me encontrar com o pessoal. Tranquilo demais, sem tumulto, o clima ajudou. Uma beleza.
O One Republic abriu o show e cantou por uns 45 minutos, quando o povo já começava a ficar impaciente. Além de parecer que os suíços não conhecem nada de One Republic, o sol tinha ido embora, começou a escurecer, a esfriar... Além do que, a última vez dos caras em território suíço foi há 5 anos, então a expectativa tava grande.
Acabado o show do One Republic, mais 45 minutos de espera, corrida rápida ao banheiro, comprar mais uma cervejinha, e correr de volta pro lugar porque o show já ia começar.
Adrian, eu e Michael. Mais suíço que eles, impossível (isso é um elogio). Tirei foto e fiz vídeos. No início do show, a banda foi entrando andando, o público gritando, e eu filmei...
Difícil explicar, viu...
As fotos não são suficientes pra expressar a emoção de um show desses.
Tip top! Showzaço! Fantastic! Amazing! Com vocês, Bono e sua banda.
Tuitei no caminho de Berna a Zurique, no trem, alguém viu? Não levei nada pra ler, porque não ia ficar segurando, e o único passatempo era meu celular.
O pessoal no trem tava era animado e a viagem passou bem rápido, só uma horinha de trem. Chegando lá, fui seguindo as pessoas que tinham cara de estarem indo pro show e peguei o tram que não cabia nem mais uma mosca de tão cheio.
Desci na porta do estádio e fui me encontrar com o pessoal. Tranquilo demais, sem tumulto, o clima ajudou. Uma beleza.
O One Republic abriu o show e cantou por uns 45 minutos, quando o povo já começava a ficar impaciente. Além de parecer que os suíços não conhecem nada de One Republic, o sol tinha ido embora, começou a escurecer, a esfriar... Além do que, a última vez dos caras em território suíço foi há 5 anos, então a expectativa tava grande.
Acabado o show do One Republic, mais 45 minutos de espera, corrida rápida ao banheiro, comprar mais uma cervejinha, e correr de volta pro lugar porque o show já ia começar.
Adrian, eu e Michael. Mais suíço que eles, impossível (isso é um elogio). Tirei foto e fiz vídeos. No início do show, a banda foi entrando andando, o público gritando, e eu filmei...
Difícil explicar, viu...
As fotos não são suficientes pra expressar a emoção de um show desses.
Tip top! Showzaço! Fantastic! Amazing! Com vocês, Bono e sua banda.
09 setembro 2010
Quinze coisas que não sei
Movimentando a blogsfera, vou dar continuidade ao que vi no blog da Tânia, que viu no blog da Beth, que viu no blog da Silmara.
Quinze coisas que não sei:
1- Fazer minha própria unha
2- Andar de ski, snowboard ou skate
3- Cozinhar bem
4- Pra onde vou nas próximas férias
5- Quando vou criar coragem pra dar banho no meu cachorro de novo
6- Quem é o visitante de Mississipi que entra todo dia no meu blog
7- Desenhar
8- Tocar violão
9- Experimentar um novo prato sem perguntar mil vezes e descobrir antes o que é
10- Dar nó em gravata
11- Ouvir "Hotel California" e não cantar
12- Me dar bem com o inverno
13- Se atualizo meu Android
14- O que sonhei esta noite
15- Onde vou estar daqui a 5 anos
Quinze coisas que não sei:
1- Fazer minha própria unha
2- Andar de ski, snowboard ou skate
3- Cozinhar bem
4- Pra onde vou nas próximas férias
5- Quando vou criar coragem pra dar banho no meu cachorro de novo
6- Quem é o visitante de Mississipi que entra todo dia no meu blog
7- Desenhar
8- Tocar violão
9- Experimentar um novo prato sem perguntar mil vezes e descobrir antes o que é
10- Dar nó em gravata
11- Ouvir "Hotel California" e não cantar
12- Me dar bem com o inverno
13- Se atualizo meu Android
14- O que sonhei esta noite
15- Onde vou estar daqui a 5 anos
07 setembro 2010
A Suíça e os costumes
Depois de um ano e dois meses morando aqui, e hoje que é 7 de Setembro (...), acho que já dá pra escrever este post. Depois de ver e viver tanta coisa nova e diferente, me acostumar com umas, com outras não e renunciar alguns dos meus antigos costumes, aproveito pra compartilhar aqui alguns fatos.
Assim que cheguei aqui, tudo era novidade e até eu reparar a recorrência de alguns fatos, demorou um pouco pra assimilar a realidade. Até você perceber que é normal tirar os sapatos ao chegar na casa de alguém e que não é nada de outro mundo assoar o nariz fazendo maior barulhão seja no trem, numa reunião ou numa festa, você olha pros lados e se pergunta se só você acha aquilo diferente. Se a resposta for sim, é porque é um costume do meio em que estás, e mais cedo ou mais tarde, você há de escolher se vai ceder ou resistir a ele.
Assim que cheguei aqui, tudo era novidade e até eu reparar a recorrência de alguns fatos, demorou um pouco pra assimilar a realidade. Até você perceber que é normal tirar os sapatos ao chegar na casa de alguém e que não é nada de outro mundo assoar o nariz fazendo maior barulhão seja no trem, numa reunião ou numa festa, você olha pros lados e se pergunta se só você acha aquilo diferente. Se a resposta for sim, é porque é um costume do meio em que estás, e mais cedo ou mais tarde, você há de escolher se vai ceder ou resistir a ele.
O que ainda não me acostumei na Suíça
Por mais que já tenham me dito que é normal, e não é só aqui, eu não consigo me acostumar a tomar sopa no almoço. Faça sol ou frio (ou neve), é sempre uma opção de entrada no almoço, e eu simplesmente não consigo. Sopa pra mim sempre fez parte da janta. Não combina tomar sopa e depois almoçar, ne.
Outra coisa é jogar papel no vaso. Também não me acostumo. Já me disseram que é mais higiênico porque não junta sujeira no seu lixeiro no banheiro e não fede, mas pra mim, isso se resolve trocando constantemente o saco e limpando o lixo do banheiro. Tenho sempre a impressão que jogando papel no vaso, vai entupir quando eu vou dar descarga. Não rola.
O lance de tirar o sapato também ainda não me acostumei. Eu faço porque não tem outro jeito. Não vou ser a única que não tira os sapatos ao chegar na casa de alguém, mas os sapatos fazem parte do meu traje, e sem eles me sinto nua e desconfortável. É costume, tem gente que faz pra não arranhar o chão, pra não fazer barulho pro vizinho de baixo ou pra não trazer sujeira da rua pra dentro de casa. Na minha casa, eu prefiro receber gente calçada e lavar o chão depois.
O que já me acostumei
Por outro lado, já me acostumei a alguns hábitos daqui (e não só daqui) como beber água da torneira. Nos EUA também vivi isso, mas os suíços são muuuuito orgulhosos de seus alpes e já ouvi não sei quantas teorias de que por causa dos alpes sei lá como a água daqui é mais pura que em qualquer outro lugar. Então tá, ne. Ainda nas bebidas, eles são igualmente, ou talvez mais ainda, orgulhosos de sua tradição chamada Rivella. A famosa bebida feita de serum de leite é boa e saudável, eu gosto. Ouvi dizer que já tentaram exportar mas nos EUA não deu certo, e hoje só tem aqui, na Áustria e na Alemanha. Mas aqui, sem dúvida, a tradição é visivelmente mais forte, claro, o produto é daqui. As crianças crescem bebendo Rivella.
Andar de bicicleta é outro hábito do pessoal daqui. Muita gente não tem carro e depender do transporte público não é vergonha pra ninguém, pelo contrário, eu acho até luxo. Mas às vezes o tempo tá bonito e poder gastar o máximo de tempo possível ao ar livre é de lei. Aproveitar a natureza, respirar ar fresco, todas essas frescurices razões acentuam a motivação e a tradição do povo de andar de bicicleta pra cima e pra baixo e estar em contato com a natureza (in der Natur sein). No começo, eu achava isso estranho e bobo, mas hoje eu entendo. Ir pro trabalho, andar com os filhos com uma cadeirinha atrás ou só passear, não importa. É divertido. Aliás, só um dia desses fiquei sabendo da existência da bicicleta elétrica. Não chega a ser uma moto, mas é mais que uma bicicleta. É bem cara. Você ainda tem que pedalar, mas faz menos esforço. E agora entendo quando vejo gente subindo a ladeira de bicicleta na maior facilidade enquanto eu só falto morrer na minha mountain bike.
O que já desacostumei
Qualquer pessoa que saia do Brasil e vai morar em país desenvolvido sente, não é exclusividade minha nem da Suíça: preocupação de sair a noite. Em Recife, eu me arrumava pra sair de casa pensando se colocava meu relógio e meus brincos novos porque alguém podia me assaltar e roubá-los. Aqui eu saio vestindo qualquer coisa, com qualquer acessório, posso andar na rua com um carrinho cheio de celular, notebook, ipod, que ninguém aparece me olhando sob ar de ameaça. Aqui não tenho medo. Me desacostumar a ter medo? Moleza.
É muito fácil acostumar de um estado qualquer pro melhor, do ruim pro bom, do difícil pro fácil. Acho que no que depende disso, eu já aceitei as mudanças e os costumes. O que ainda não me acostumei é porque não me convenço que é melhor de alguma forma do que o que estou acostumada, então (por enquanto) mantenho meus costumes. Mas quem sou eu pra dizer que estão certos ou errados e que não mudarei?
Acho que o bom mesmo é estar preparado o suficiente na mente e no corpo pra abraçar todas as diferenças, processos de mudanças e conseguir se adaptar sem grandes dificuldades. Toda mudança é um processo delicado. Mudança de hábitos e costumes é inicialmente um choque, e posteriormente o choque passa, e a situação requer tomadas de decisão. Precisamos passar por elas. Não é fácil, mas a gente pode tentar amenizar o grau de intensidade ou dificuldade nesse processo, pra depois conviver bem com nossas escolhas no dia a dia.
Acho que o bom mesmo é estar preparado o suficiente na mente e no corpo pra abraçar todas as diferenças, processos de mudanças e conseguir se adaptar sem grandes dificuldades. Toda mudança é um processo delicado. Mudança de hábitos e costumes é inicialmente um choque, e posteriormente o choque passa, e a situação requer tomadas de decisão. Precisamos passar por elas. Não é fácil, mas a gente pode tentar amenizar o grau de intensidade ou dificuldade nesse processo, pra depois conviver bem com nossas escolhas no dia a dia.
Vou querer olhar pra este post daqui a algum tempo.
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