28 agosto 2010

Andar de trem pela França


Na viagem pela França que fiz com a minha família no mês passado, só viajamos de trem. Foi preciso uma pesquisa antes pra avaliar como valeria mais a pena: comprar passes, bilhetes avulsos, combinações de bilhetes, etc. Achei que o deal que eu fiz foi muito bom e o melhor pro meu caso, então vou compartilhar com vocês.

Muita gente vem do Brasil a Europa passear e não sabe direito como funciona os passes de trem e nem sempre escolhe a melhor opção por falta de informação. Nem sempre as francesas dos guichês das estações de trem são simpáticas, atenciosas e pacientes pra dar toda informação que você precisa. Principalmente se você chega lá falando inglês. Este post vem para dar meu depoimento e ajudar aos necessitados.

É o seguinte: existem vários tipos de passes de trem que só podem ser usados por quem não mora na Europa por mais de 6 meses. Em outras palavras, é só pros turistas mesmo. O mais conhecido é o Eurail pass, que foi o que eu comprei pra minha mãe, vó e vô.

Coisas que são importantes saber sobre este passe:
  • Se você comprar passe para 3 pessoas ou mais que viajarão juntas, o preço do passe cai.
  • As viagens são na primeira classe.
  • Há combinações de passes por viagens entre países (exemplo: Itália-França-Espanha, França-Itália, França-Suíça (que foi o que comprei), 21 países, por região, um país só, etc.).
  • Verificar se é preciso passar por outro país entre uma viagem e outra que seu passe não inclua, e se este país exige algum tipo de visto ou permissão para entrada.
  • Alguns trens exigem reserva de assento antecipada.
As opções e casos são muitos, por isso é imprenscindível tirar um tempinho pra ler bem cada opção e avaliar o melhor caso pro seu objetivo de viagem.



No nosso caso, como nosso roteiro era Berna-Paris-Lourdes-Montpellier-Berna, comprei o passe Suíça-França para eles três, e pra mim, que moro aqui há mais de 6 meses, teria que usar o Interrail pass, que é o passe pra quem mora na Europa há mais de 6 meses. Só que é o seguinte: o Interrail não oferece as mesmas condições e opções que o Eurail. Além de ser mais caro, as combinações são diferentes, e no meu caso, não consegui encontrar uma que encaixasse no que eu queria sem que eu perdesse dinheiro. Então, achei melhor eu comprar bilhetes avulso mesmo na estação.

Importante também é verificar horários dos trens, pois aqui os trens partem às 12:34, 6:49, e se você chegar um minuto depois, um abraço. Os horários você pode checar na timetable que você recebe junto com seu passe, quando comprar. Ou pelo site RailEurope. Esse site nem sempre está funcionando 100%. Para nossa viagem pela França, usei também o site do SNCF, que é a companhia francesa ferroviária. Lá sim encontra-se todos os horários e preços certinhos, e aí me ajudou na hora de programar e saber que horas chegaríamos nas cidades, se teríamos que fazer hora até ir ao hotel devido a hora mínima para checkin, etc. Também diz se há troca de trem, quanto tempo entre a chegada e a saída do próximo trem numa troca, se é trem bala (TGV), se tem restaurante, etc.


Outra coisa interessante saber é que na teoria, há limite de assentos para quem está viajando com o Eurail pass. Em trens que são exigidas reservas, quero dizer. Se você for fazer uma reserva antes de entrar no seu trem no guichê da estação e lhe disserem que não é possível porque o limite de assentos para passe desta categoria foi atingido, não desista da viagem... Explico: aconteceu comigo e eu entrei no trem mesmo assim, pois minha mãe, vó e vô tinham o passe e podiam pegar qualquer trem, mas eu já tinha comprado antecipadamente o meu ticket avulso e se não fosse naquele trem, perderia meu bilhete. Me disseram no guichê, quando fui fazer a reserva do assento deles três, que a capacidade tinha sido atingida para aquele passe, mas se eu quisesse comprar outro bilhete, eu era bem vinda. Ah... fala sério, lugares disponíveis e não poder ir porque o limite de assentos para aquele passe foi atingido? Não aceitei. Disse obrigada e fomos pra plataforma. Tudo para não perder o meu bilhete. Fiquei tensa o tempo inteiro, até chegar o controle e pedir pra ver o bilhete. Mostrei, perguntaram se eu tinha reserva, eu disse que não, e sabe o que aconteceu? Quando eu achava que o trem ia parar pra gente descer bem ali no meio do nada porque não tinha uma mísera reserva, o controle disse "quer fazer uma?" .... ahahahahahahaha! Me deu vontade de pedir pra voltar lá na estação e falar com a mulher do guichê que tinha me dito que era impossível viajar naquele trem sem reserva e que como o limite de assento pra aquele passe já tinha sido atingido, eu não podia mais fazer reserva e não podia mais pegar aquele trem. Ora, se eu não pegasse aquele trem, ia implicar na mudança de tudo que vinha depois, na chegada no hotel, na programação, nas outras viagens, enfim. Foi um stresszinho básico, seguido pela história do hotel em Paris, mas que depois não tivemos mais problema nenhum.


Viajamos de Berna a Paris, de Paris a Lourdes, de Lourdes a Montpellier e de Montpellier de volta a Berna de primeira classe na maior tranquilidade. Foi ótimo. Os trens são muito confortáveis, você não se preocupa com trânsito, a maioria dos trens tem restaurantes, tá sempre na hora e a paisagem é fantástica.


www.elaeamericana.net

Em mais uma tentativa de otimizar este blog, agora ele tem um domínio próprio:

www.elaeamericana.net

Quem ainda acessar pelo endereço antigo (http://elaeamericana.blogspot.com) será direcionado ao endereço novo.

Mudar de domínio foi super fácil. Só deu um trabalhinho pra atualizar os favoritos pois a minha lista antiga de blogs perdeu-se no meio da transição e eu tive que adicionar tudo de novo. Se eu tiver esquecido algum, avisa aí.

Outra coisa que também ainda não tinha comentado aqui, é sobre o Twitter. Estou lá (@lianasos) já há algum tempo. Tuitava um bocado quando passava muito tempo em casa no computador trabalhando na minha dissertação de mestrado. Hoje não é mais um vício, mas ainda acho cool-nerd.

25 agosto 2010

Shows na Suíça

Li agora no blog da Karine que o gosto musical dela vem dos pais dela. Eu poderia até dizer o mesmo, pois sou louca por músicas e bandas dos anos 70 que conheci através de meus pais. No entanto, também gosto de música atual e aí não sei se posso continuar com a mesma teoria porque meu pai nem nesta vida está mais e minha mãe não gosta de tudo que eu ouço de hoje.

Eu adoro música brasileira, mas também amo música internacional de vários gêneros. Sofria imenso quando morava no Brasil nordeste e quase não tinha show de banda internacional por lá. Lembro que fui em Recife no show do Offspring, Silverchair, The Calling, Deep Purple. Mas a grande maioria dos artistas sempre só ia fazer shows no Rio e em São Paulo.

Me aventurei em dezembro de 2008 quando fui a São Paulo para ir ao show da Madonna no Morumbi, uma loucura de gente. Mas até hoje, nenhum show que eu fui superou o show do Eric Clapton que fui em Londres no ano passado. Nossa, só de lembrar, de ver os vídeos que fiz e as fotos, mesmo tendo estado bem longe pois comprei o ticket mais barato que tinha, chega me arrepio, foi fantástico.

Depois que cheguei aqui, a quantidade de shows e artistas que passam perto de mim é tanta que eu não consigo dar conta. Primeiro que vários shows acontencem dia de semana e são em cidades próximas, mas que me obrigaria a tirar o dia seguinte off no trabalho. Depois que também não são lá tããão baratos assim os ingressos. E ás vezes parece que é tudo de uma vez só, porque no inverno não tem muito show, ne. Então, desde que cheguei, terminou que era é tanta novidade que tive que priorizar os afazeres, e desde então fui a poucos shows por aqui. Fui no da Joss Stone em Lucerna no ano passado, ouvi o show da Pink na varanda da casa de uma amiga que teve aqui em Berna e that's it. Teve vários já que quis ir por aqui: Muse, Coldplay, The Black Eyed Peas... mas ou eu tinha aula de alemão, ou tava viajando, ou era dia de semana e eu tinha que acordar cedo no dia seguinte, ou era muito caro, ou eu não tinha com quem ir, ou eu tinha outra coisa pra fazer.

Há vários sites de publicidade e venda de ingressos de shows aqui na Suíça. O alltickets e o ticketcorner são os mais populares, que vendem não só ingresso de show, mas festivais em geral, evento esportivo, teatro, etc. Mas quando chega em cima da hora, o ricardo também pode ser bem útil e oferecer um preço mais em conta. Como em todo país, a maioria dos shows por aqui acontece nas principais cidades como Zurique, Genebra, Basel, Berna (nesta ordem de importância), e normalmente ingressos começam a ser vendidos com muitos meses de antecedência.

Aí em maio eu fiquei sabendo que o U2 iria fazer shows em setembro em Zurique mas que desde fevereiro os ingressos já tinham esgotado. Oh dó. Fazer o que, ne. Bom... aííí dia desses ouvi dizer que ás vezes quando chega mais perto do show, são colocados mais ingressos a venda, que sei lá de onde vêm, de gente que desistiu, que tinham sido guardados pra vender depois ou pra dar pra algum patrocinador, não me importa. Fato é que são mais caros, é vero. Mas aí, gente, desde a semana passada, voltaram a vender (só pela internet) ingressos pro show do U2....... adivinhem...

.......Senhoras e senhores, em 17 dias, presenciarei o bendito showwwww!!!

Eu vou no show do U2 em Zurique!!!!!
Uma das maiores bandas de rock do mundo desde a década de 80, com músicas que já viraram clássicos como Sunday bloody sunday, One, With or without you, I still haven't found what I'm looking for que eu ouvia desde a época que não falava uma palavra de inglês, além de várias mais recentes como Beautiful day, Elevation, Stuck in a moment que eu adorooooo!
Sei que o show vai ser um espetáculo e eu não vejo a hora!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!

23 agosto 2010

Montpellier à noite

Eu tô com pena de acabar as postagens da viagem da França.... com este post de Montpellier à noite realmente se encerra e pra quem lê aqui atrás de notícias da vida na Suíça, parabéns, este blog vai voltar a ser como era antes. Mas é que a viagem foi um marco, ne, quem acompanha aqui sabe. Mas vamos lá então, Montpellier à noite.


Só passamos um dia em Montpellier. Andamos por lá, passamos a noite, dormimos e fomos embora no dia seguinte. Na verdade, Montpellier não era um destino imediato nos nossos planos. Passou a ser porque de Lourdes de volta para Berna era muito distante pra ir de trem, então eu como uma ótima planejadora de viagens, calculei (calculamos) parar na metade do caminho, onde estaríamos ainda meio que no sul da França, e pararíamos pra conhecer, passar a noite, descansar e continuar a viagem de volta para Berna no dia seguinte. E assim foi. A estratégica parada escolhida foi, portanto, a charmosa cidade de Montpellier.


Charmoso é pouco pra descrever o que essa cidade tem. Falei e mostrei no post anterior sobre o clima em que a cidade se encontrava quando lá chegamos. Pois agora multiplique aí esse clima gostoso por quanto você quiser (menos por zero..) e você vai ter uma idéia de como a noite foi agradável.


Começou a anoitecer enquanto comíamos uma pizza maravilhosa na Place de la Comedie. Enquanto isso também, foi aparecendo mais gente, gente passeando, gente fazendo apresentação na rua, mais turistas, muitos turistas. A cidade se iluminou toda com luzes diferentes e com uma lua linda, uma música de fundo do animador que fazia truques com bolas bem animou nossa digestão e nossa última volta pela praça.



E aí no final, quem perguntava era eu "a gente não pode passar uma semana aqui não?"...

21 agosto 2010

Comemoração atrasada do meu aniversário

Não só do meu, mas deles dois que também fizeram aniversário em julho:


















Desde o mês de junho, que falávamos de fazer alguma coisa no nosso aniversário, que seria, os três, em julho. Só que em junho e em julho, sempre tinha alguém do grupo de férias. Agora que chegou agosto e tá todo mundo de volta ao trabalho, resolvemos ir todo mundo comemorar nosso niver atrasado no Punkt.


















O Punkt é um restaurante muito conhecido em Berna por sua especialidade em comida asiática. Comida indiana, tailandesa, coreana, chinesa ou japonesa, você encontra lá. Eu não sou fã nem conheço nada de comida asiática, mas topei a parada. O restaurante fica bem no centro antigo da cidade, os garçons falam inglês e francês, mas não me pergunte o nome de nada das coisas que eu comi, pois não lembro mais do nome de nada. Só tenho a dizer que subestimei a tal culinária. Apesar de (um bocado) apimentada, não é que a comida, assim como os aperitivos, é bem gostosinha?


















No final, ainda ganhamos uma sobremesasinha de tiramisu, chocolate e café pros três aniversariantes, com direito a vela e parabéns.

20 agosto 2010

Montpellier

A última parada da nossa viagem pela França foi em Montpellier.


No sul da França, com uma arquietura que mistura antigo e moderno, menos de 300 mil habitantes e com clima de festa, Montpellier fechou com chave de ouro nossa sensacional viagem pela França.


Não é um dos destinos mais populares de turistas, a cidade é pequena, e a Praça da Comédia é o principal ponto de encontro da cidade. Onde ficam os principais bares, restaurantes, cafés e creperias, festivais, apresentações de rua, protestos. Tudo acontece nesta praça!


Pergunte a meu avô o que ele achou de Montpellier... não sei se ele encontra palavras pra descrever o sentimento que construímos ali por aquela atmosfera. Tão agradável, tão tranquilo, tão legal, tão legal! Tudo parecia estar funcionando perfeitamente, as pessoas pareciam tão tranquilas. Não tinha aquela pressa de cidade grande. Pra você ter uma idéia, quando chegamos na estação principal de trem, a rua pela qual eu tinha planejado nos meus cálculos de andar até o hotel estava fechada pra reforma. Então me perdi, não tinha preparado uma rota alternativa. Resolvi então ir de taxi. Quando estávamos chegando ao ponto de taxi, do nada resolvi perguntar a uma mulher que varria a rua, onde ficava a rua do nosso hotel, e ela muito simpática dizendo que não precisávamos de taxi, que já era logo ali, e apontava pro final da rua, falando em francês, que eu devia virar a esquerda e andar 200 metros, não sei o que. Sei que fiquei com medo de não estar entendendo direito a informação porque ela falava em francês, não me senti segura suficiente pra sair andando seguindo as direções dela. Ora, ela não aceitou, largou a vassoura e disse então que ia com a gente andando até lá pra mostrar como era perto! E foi! Realmente era bem perto! Isso nunca aconteceria em Paris, por exemplo. Alguém deixar de fazer o que tava fazendo (mesmo que fosse varrer a rua e ela precisasse de um break), e andar comigo até o final da rua pra me mostrar onde fica o hotel que estou procurando? Foi a cereja do bolo. Ficamos encantados por Montpellier.



Esse clima de descontração, boa vontade e alegria tomou conta da gente. Deixamos as coisas no hotel, (que de novo, não tinha nada a ver com o de Paris e ainda era melhor que o de Lourdes), e fomos andar pela cidade, pois só ficaríamos um dia lá.



Agradou e muito!
Meu avô gostou tanto que dizia "a gente não pode passar uma semana aqui não?" ahahahahaha...

17 agosto 2010

O Brasil que não sinto saudade

Em época de eleição no Brasil, é fácil encontrar motivo para dizer que o país não presta e só tem corrupção. Tenho acompanhado algumas notícias na internet sobre os candidatos e as preferências do povo e no final, me parece mais brincadeira do que gente preocupada em levar o país pra frente.

Primeiro, não vi uma pessoa, um email, absolutamente ninguém falando bem da Dilma, a candidata do Lula. Mas ela está na frente e se continuar assim, ela vai ganhar. Muita gente vai votar nela porque é ou quer ser servidor público e tem medo de trocar o governo de partido e perder qualquer coisa de bom que o Lula tenha feito pra esse setor. Vai votar, mas continua falando mal e reclamando do seu candidato. Que infortúnio, parece que então não há solução.

E qual a solução quando um monte de gente aparentemente sem qualquer preparo político, acadêmico, profissional em geral, aparece como candidato? Você reconhece as figuras por uma canção antiga engraçada, uma aparição num programa na televisão, uma coisa qualquer que não tem o menor valor na organização de uma sociedade. Agora, essas peças raras aparecem querendo voto, consequentemente exigindo que os brasileiros reavaliem sua postura, e coincidentemente, essas figuraças sem futuro todas resolveram ser sérias e fazer alguma coisa pela comunidade ao mesmo tempo? Só pode ser brincadeira.

Não dá pra levar um país desse a sério. Onde os eleitores se sentem de mãos atadas mas obrigados a votar. Alguns candidatos não merecem um pingo de respeito e consideração pelas propostas que fazem, dados seus históricos. Como acreditar, como construir, como permanecer idôneo e correto no meio de tanta palhaçada e desorganização?

Perdoe, meu país, tem algumas coisas que amo de você, mas estou feliz em não estar aí agora. De não ser obrigada a ver programas eleitorais obrigatórios na televisão com candidatos que mal sabem falar português tentando ler um papel que diria suas propostas de administração de qualquer coisa. De não receber trocentos emails de colegas de faculdade, de prédio, do trabalho, fazendo publicidade de seu parente que é candidato. De filhinho de papai que não deu pra nada na vida e resolveu ser político. Sinceramente não dá. Isso me irrita demais. Não tenho paciência, me tornei cética e não acredito que 1% desses candidatos aí queiram de fato fazer alguma coisa ou acreditem que possam ser capaz de fazer alguma coisa.

Nesse sentido, sou mais uma de mãos atadas, revoltada e com uma opinião sem força nenhuma. Por isso, prefiro ser expatriada e me anular como cidadã brasileira nesse momento, não exercer esse direito, que aliás eu preferia nem ter. Acho nada democrático exigir que o povo tenha que ir votar. Leis ultrapassadas, que não combinam com um mundo em tamanho desenvolvimento, é demais pra mim. Não sinto a menor falta.

Outras notícias que tenho lido dizem respeito à contínua violência de todo dia. O que é mais revoltante é que já é normal, e já é normal falar que é normal. As pessoas aprenderam a viver com isso. A ver manchetes horrendas todo santo dia no jornal, a crimes bárbaros dignos de apedrejamento, se as leis brasileiras fossem como no Irã. Longe de mim defender as leis islâmicas e pena de morte de qualquer natureza, mas a questão é que no Brasil acontece coisa muito pior e não acontece nada com quem pratica tal coisa!

Quando morava em Recife, cansei de chegar no trabalho esperando pra ver quem seria o "sorteado" do dia a chegar contando que tinha sido assaltado, carro arrombado ou acontecido com alguém que conhece. Cansei mesmo! Literalmente. Era uma tensão e um medo diário incalculável pra quem trabalhava no Recife Antigo. Isso sem falar nos abusos de flanelinha com seu carro estacionado, quando você tinha que pagar pra ele não arranhar seu carro. E eles tinham até crachá, era uma profissão ser flanelinha, eram cadastrados e tudo. Só o salário deles que dependia da gente e eu não recebia mais no meu salário por isso. Um absurdo completo.

Já que estou aqui relembrando os maus momentos e o que não me agrada/agradava no Brasil, me lembro também das contas erradas, da falta de respeito no serviço de atendimento ao cliente quando eu tentava ligar pra resolver uma cobrança indevida, uma dúvida, mudar de plano. Nenhuma mudança que eu fosse pagar menos era possível concluir nessas ligações. Uma infeliz coincidência, a ligação sempre caía, rapaz, que azar! Era impossível não perder a paciência e terminar xingando um no trânsito. Por falar em trânsito, o que me doía mais nos nervos eram aqueles caras no sinal que vinham limpar o vidro. Jesus do céu! Eu tinha muita raiva!!!

Eram detalhes que fazem A diferença no meu dia a dia. Pequenas irritações que juntando tudo dá um nó na minha garganta e se continuasse assim, eu ia morrer era de stress ali. Disso eu não sinto um pingo de saudade e só em lembrar não penso nem em ir passar férias. É claro que sinto saudade da minha família e amigos, ne, isso aí não precisa nem dizer. Mas chegou um ponto que não deu mais e a minha qualidade de vida estava tão ruim, mas tão ruim, que abrir mão da companhia da minha família e amigos foi menos pior do que continuar vivendo naquele inferno.

Agora que não estou mais lá, minha qualidade de vida melhorou incomparavelmente. E vivendo aqui depois de um certo tempo, tenho receio em dizer que não quero mais voltar. Tenho medo, a vida é muito mais difícil. O preço é muito alto e eu não quero pagar. Sei que por um lado é triste, não me sinto por completa feliz em abandonar meu país descaradamente porque ele não é bom suficiente pra mim, mas a verdade é que é isso mesmo, e me dói, pois tenho a sensação que embora esteja vivendo bem aqui, nunca estarei em paz. Porque o povo de onde eu vim não está em paz e não é isso que se deve fazer: abandonar a luta porque tá difícil e ir procurar paz sozinha em outro lugar.

Eu estou bem longe, resistene à nuvem negra do caos político e da violência que ronda o Brasil. Mas continuo sendo brasileira do outro lado do oceano e não estou imune. Sinto daqui, e não posso fazer nada no momento a não ser esperar que meu país se cure logo.

16 agosto 2010

O hotel de Lourdes

No post que escrevi sobre o hotel que ficamos em Paris, expressei (quase) toda minha revolta com o elevador que não funcionava e o desapontamento em contrapartida da grande expectativa que estávamos ao chegar lá. Como contei, fiz várias pesquisas de hotéis através de sites conhecidos como Hostelworld, Booking.com, li revisões, comparei preço versus benefício, localização, como sempre fiz, e de outras vezes que fiz reservas por esses sites, sempre fui muito feliz nas minhas escolhas. Infelizmente dessa vez não foi assim tão bom em Paris. Mas em compensação em Lourdes, as coisas melhoraram muuito neste sentido!


Ficamos no Beausejour, três estrelas da rede Best Western.


Li algumas críticas que o hotel parece ser maior nas fotos do que realmente é, que os quartos são muito pequenos, etc etc e tal. Mas os elogios me deram uma melhor impressão e os hotéis da rede Best Western seguem mais ou menos o mesmo padrão de quarto e banheiro hiper compactos, mas de boa qualidade e confiável. Nós todos adoramos. Esse sim eu recomendo. O hotel tem apenas 45 quartos, é pequeno, mas Lourdes é pequena, gente. O hotel fica bem na frente da estação principal de trem, e tem uma bela área de lazer.




Quando eu vi o site do hotel antes de partir, até me animei com a piscininha e coloquei um bikini na mala, mas chegando lá o tempo tava mais frio que na Suíça e nada de piscina para Liana! Mas não faz mal, de lá, ainda tínhamos uma bela visão dos Pirineus.


A intenção da decoração da parte de dentro do hotel é resgatar um pouco do luxo da belle epoque. Simples, mas bem elegante e aconchegante.




Além disso, o hotel também provia de um restaurante no terraço e dentro do hotel em si, onde até encontramos uma carioca trabalhando lá no café da manhã. Bom café da manhã, bom vinho, bom jantar. Muito bom!



Mas foram só duas noites, e logo tivemos que partir novamente à estação de trem de Lourdes (a 2 minutos do hotel!) e esperar nosso novo trem para nossa última parada na viagem pela França: Montpellier. Mas isso eu conto no próximo post.


15 agosto 2010

Mais de Lourdes

Em Lourdes, visitamos também o Museu de Cera, onde obviamente conta a história de Bernadette, mas também conta a história de Jesus Cristo. Com um guia de áudio, vamos andando pelos cinco andares do museu e ouvindo a história e vendo as réplicas de cera. Muito legal também. O que achei mais interessante, apesar de ser a réplica, foi poder ver a réplica do corpo intacto de Bernadette, como está hoje no convento de Nevers.


A história do corpo de Bernadette aconteceu depois que mesmo após sua morte, que aconteceu em 1879, muito ainda se discutia sobre as aparições e tudo que ela contou e o mundo ficou sabendo, muitos acreditando e muito ainda não; resolveram voltar ao local onde o corpo foi enterrado, e a trinta anos após o velório de Bernadette, seu cadáver foi exumado e o corpo foi encontrado intacto. Abriu-se um processo e em 1923, o Papa Pio XI finalmente confirma a heroicidade das virtudes de Bernadette. O corpo foi então colocado dentro de uma urna transparente e pode ser visitado no convento de Nevers. Para mim, é mais uma prova que ela realmente falava a verdade. Infelizmente não fomos lá ver de perto, pois Nevers fica a 800km de Lourdes e não tínhamos tempo suficiente. Então só vimos a réplica de cera no museu mesmo.


Continuamos o passeio no nosso penúltimo dia em Lourdes, sem nada em especial a mais pra conhecer. A cidade é pequena e o principal já tínhamos visto. Então depois de um lanche na McDonalds, (que eu mal pude acreditar que meu avô tinha aceitado lanchar lá), ficamos então a perambular pelas ruas e entrar nas lojinhas, livrarias e a tirar fotos pelos lindos parques, canteiros e ruas movimentadas da cidade.



A cidade tem uma população de mais ou menos 15 mil pessoas. É pequena, mas tem a capacidade de receber muitos turistas. Por todo lugar, é hotel e restaurante de tudo quanto é tipo. Li que recebe em média 5 milhões de turistas e peregrinos por ano, ou seja, a cidade não vive sem o turismo e suas atrações precisam ser sempre renovadas e cuidadas para continuar atraindo e agradando o povo que vai lá visitar.



Lourdes tem um clima e jeito de cidade pequena, de interior, que está em clima de festa pelas visitas e tantos turistas. O detalhe é que esse clima que quando você está lá tem a impressão que é passageiro e é só época de férias, é constante. É claro que em baixa estação a quantidade de turista diminui, mas o monte de hotel e restaurante continua lá, e a cidade na verdade continua é repleta de turistas! Fomos sempre muito bem atendidos, recepcionados e servidos. Os italianos e portugueses são os mais religiosos (católicos) da Europa, então sempre tinha vendedores e garçons falando nosso idioma. No geral, foi uma atmosfera muito amigável, tranquila e alegre que nos acolheu em Lourdes. Recomendadíssimo. Muito agradável. Não preciso nem dizer que minha avó ficou encantada com tudo, ne. Aliás, todos nós ficamos.

14 agosto 2010

Château Fort de Lourdes

Resolvi voltar ao fundo branco do blog. Sei que gasta mais energia do seu monitor, mas meu blog não é o google que você acessa tantas vezes assim por dia pra fazer tanta diferença na sua conta de luz, ne? Além do mais, o outro ficou muito psicodélico. Enfim. Continuando os posts sobre Lourdes, o segundo dia foi muito legal. O tempo deu uma melhorada e nós fomos conhecer o Château Fort, ou o Castelo Fortaleza. Achei que Lourdes só tivesse ponto turístico relacionado a Bernadette e à aparição de Nossa Senhora, mas não. Este castelo é relacionado a história da cidade.



Depois do Santuário que falei no post passado, esse castelo é o ponto mais visitado de Lourdes. Durante os séculos XI e XII, o castelo foi residência do Conde de Bigorra, e entre os séculos XIV e XIX passou por muitas extensões e reformas. Já foi um quartel, uma prisão e em 1921 o museu dos Pirineus foi inaugurado. O castelo é dividido em áreas de percurso. Subindo com o elevador, chegamos incialmente à Praça de Armas, que é a praça central onde tem a alcáçova de onde iniciamos o itinerário.


Eu não vou contar cada um dos 24 pontos que visitamos lá senão o post fica muito comprido. Mas vou tentar contar um pouquinho dos mais interessantes. Começamos visitando a "Cozinha Bearnesa", onde há a representação de peças de uma casa rica rural pirenaica, que eu achei muito interessante. Esse armário aí da foto abaixo, por exemplo, é datado de 1769. A data está gravada no topo dos dois pombinhos bem no topo do armário, que seria a data de casamento do casal dono da casa.





Peças de cozinha, sala de jantar onde se reuniam familiares em volta da fogueira para cozinhar um "gâteau à la broche", que é uma espécie de pastel caseiro feito em casa muito lentamente deitando camadas de maçã à medida que o bolo (ou pastel, como quiser) ia cozinhando na fogueira.



Adoro visitar museus que representam o passado assim.
Continuamos o passeio e visitamos outras partes do castelo como vinificação, cisterna, o quarto da Bigorra, o jardim botânico, a capela, etc.



Mas lá de cima, e eu não sei dizer a quantos metros estávamos, mesmo com tempo nublado, conseguíamos ter uma visão magnífica da cidade.



Outra coisa que também me chamou muito a atenção no castelo foi o museu dos Pirineus. O maior destaque do museu vai sem dúvida para Henry Russell, o maior pioneiro na exploração dos Pirineus, desde 1861. No museu, há jornais e livros da época com relatos e poemas feitos pelo explorador sobre sua devoção a essas montanhas. Ninguém conhece ou conheceu mais os Pirineus que esse cara.


Eu tenho mais umas 60 fotos só desse castelo e dos outros pontos que visitamos. Mas o essencial é isso aí. Nota 10 pro Château Fort. Não tínhamos nem intenção de conhecer tanto sobre ele nem a história que ele abrange: Pirineus, Henry Russell, história de Lourdes. Esta é a magia de viajar! Conhecer com nossos próprios olhos, nunca mais se esquece.