26 março 2015

EuroAirport Basel

O aeroporto de Zurique é o maior e o principal ponto de entrada a Suíça. Natural. Zurique é a maior cidade do país. Porém há outros aeroportos menos conhecidos, como o de Basel, por exemplo, o EuroAirport que é compartilhado com a Alemanha e França também, pois fica a 20km de Mulhouse na França e a menos de 50km de Freiburg, na Alemanha. De Basel, menos de 4km distanciam a estação de trem principal da cidade até o aeroporto.
Na prática o aeroporto é a principal base da EasyJet, a companhia aérea inglesa bem conhecida na Europa pelos valores abaixo do mercado das suas passagens. A Swiss por exemplo, a companhia aérea mais importante da Suíça, tem a maioria dos vôos saindo de Zurique. Lá de Basel só tem vôo Swiss para Barcelona, Hamburg, Londres, Praga e Palma de Maiorca no verão. Aqui na Suíça, a EasyJet só opera de Zurique para Londres, então as outras opções de vôo ou saem de Genebra ou de Basel.
Não são tantas conexões assim oferecidas de Basel ou Genebra pela EasyJet, mas na última viagem, o vôo para Pristina, no Kosovo, saiu de lá de Basel. Eu já conhecia o aeroporto desde uma viagem há alguns anos a Amsterdã, então achei que valia o post.
Apesar de ser mil vezes menor que o aeroporto de Zurique, o EuroAirport cumpre direitinho o que se propõe a fazer. Um aeroporto pequeno mas moderno que tem tudo. Além da infra estrutura básica com restaurantes e lojas, wifi free, serviços de aluguel de carro, câmbio de moedas, etc., existe um ônibus que leva e traz passageiros da Bahnhof de Basel até a frente do aeroporto a cada 7 minutos, o bus 50.
O ônibus sai da frente da estação principal de trem e vai até a frente do aeroporto. O percurso dura 16 minutos. O bilhete avulso sem abonamento Basel Bahnhof-Euroairport custa 4,40 francos. É realmente uma mão na roda porque um estacionamento custaria muito mais do que isso. Então para chegar lá voce pode ir de qualquer cidade até Basel de trem e de lá pegar o ônibus até o aeroporto, e vice versa.
Grande parte dos balcões é ocupada pela EasyJet, onde toda a sua estratégia e tática de negócio está espalhada como o medidor da bagagem de mão permitida e tudo mais.
O desembarque no Euroairport é um pouco especial. Você tem a opção de desembarcar oficialmente em 3 países diferentes, então precisa escolher a fila do país que vai desembarcar, pois as leis e a polícia que vai olhar seu passaporte serão de acordo com a sua escolha. Mas seja qual for, a fila anda rápido. 

Como o aeroporto é compartilhado por mais de um país, tem também dois códigos IATA, aquele que vai na etiqueta da sua mala indicando pra onde vai. Um código para a Suíça (BSL - Basel) e um para a França (MLH - Mulhouse), mas na prática para nós viajantes isso não faz muita diferença porque a esteira pra onde vão as malas de um vôo é uma só. 

Mesmo viajando low-cost, não acho que tem nenhuma inferiorização de serviço em comparação ao aeroporto de Zurique. Estou falando do aeroporto, não da companhia aérea. Se bem que ok, claro, o vôo Swiss podendo regular as costas da cadeira e com lanches incluídos no preço da passagem sem dúvida dão mais conforto do que a EasyJet. Mas em relação ao aeroporto, a experiência de sair e chegar pelo EuroAirport é tão boa quanto o aeroporto de Zurique, só que em menor dimensão.

Para mais informações: http://www.euroairport.com/en/

25 março 2015

O limbo

Agradeço a todo pelo feedback sobre o post passado. Em 2 horas o post tinha mais de 300 acessos. Recebi muitas mensagens de força e não desistência. Mas gente, eu não vou desistir não, a minha conduta é essa mesmo de falar só Português com Edi. Não tem do que desistir. É uma fase e estamos passando por ela, é assim mesmo, tá tudo certo, não estou em dificuldade. Mesmo assim agradeço muito pelas histórias compartilhadas, elas sempre ajudam.

Sabe que em breve vai fazer 6 anos que cheguei à Suíça. Nossa, quanta coisa aconteceu. Vim com um contrato de trabalho de 3 anos e não sabia nem se ia ficar tudo isso. Cá estou eu já com o dobro de tempo, em outro trabalho, com filho... Tempo para mais uma reflexão.

Esse não é mais um post chato de autoafirmação que se lê por aí. Quem me acompanha por aqui sabe que desde o início eu digo que a vida aqui não é o mar de rosas que se pensa. No meu caso, continuo dizendo que pra mim vale a pena continuar por aqui porque tem muita coisa da vida no Brasil que eu simplesmente não aguento e me deixam doente. Mesmo com o passar dos anos que as lentes vão mudando e a saudade vai apertando e você cada vez mais se distanciando do que a sua vida costumava ser quando você (eu) morava no Brasil.

Outro dia recebi uma mensagem de uma suíça que mora no Brasil (se você estiver lendo, obrigada pela mensagem, vou responde-la), que no final ela dizia assim: "...porque pelo que me parece, você ainda está muito mais inserida na cultura brasileira do que na suiça". Não entendi como uma crítica nem nada não, ela escreveu sobre o post de criar um filho bilíngue, mas aquilo ficou na minha cabeça.

Outro dia fui jantar na casa do meu chefe com meu time do trabalho, aí conversando com ele, chegamos ao assunto idiomas, Brasil, Suíça, etc. e ele dizendo que eu falo Alemão muito bem e tal, e chegou outro colega e disse "é, fala, mas nunca conseguirá falar Alemão Suíço sem sotaque". Nessas horas voce precisa de muito sangue frio experiência pra distinguir crítica de um simples comentário e não se ofender por bobagem. Ora o colega não sabe nada da minha vida, não sabe que eu comecei a estudar Alemão há anos e não conhece meu esforço diário pra me dar bem com esse idioma. Não entendi como uma crítica nem ofensa. A conversa continuou...

Para os suíços, eu nunca, jamais, never ever serei estarei inserida totalmente na cultura daqui. Isso não tem a ver se sou casada com alguém daqui ou não, se meus amigos são suíços ou não, se meu trabalho é com suíços ou não. Tem a ver com a minha história, o meu crescimento, as experiências que vivi enquanto crescia e passava pelas fases e transições da vida. Não aconteceu aqui. Aconteceu lá no Brasil. Então a conclusão que tiramos naquela conversa naquela noite do jantar e a minha conclusão é que: se você não cresceu aqui, pode passar 30 anos aqui que a cultura daqui sempre será a estrangeira para você.

Em pensar que quando completei o meu inocente primeiro ano de Suíça escrevi esse post toda cheia de experiência... mal sabia eu o que viria pela frente. E o legal de um blog é isso, ne, é ver que esse tipo de reflexão e sentimento já dava as caras mesmo no meu primeiro ano de expatriada. Sensacional.

Eu estou de acordo. Eu em 6 anos de Suíça ainda não concordo que uma criança não possa levar um chocolate um dia pra lanchar na escola aqui. Acho que posso passar mais 6 que vou continuar achando que não há nenhum problema nisso. Já as pessoas daqui não, acham certo, lanches da semana são frutas, verduras, coisas naturais. Doces só em festas e ocasiões especiais. Mas pra mim a discussão não pára aí. Porque não é assim existe a regra e pronto, vamos segui-la. Ora, por que? Isso tira a espontaneidade das coisas, por que gente a criança não pode lanchar um biscoito de chocolate numa terça-feira, o que que tem nisso? Mas antes de eu querer discutir com todo suíço que eu vir pela frente, vamos com calma.

É por coisas assim que vai-se mantendo a barreira que existe em Liana e cultura suíça, porque eu não aceito certas coisas (.... do mesmo jeito que também não aceito certas coisas no Brasil!). Por mais que eu saiba que posso bater de frente lá na frente em algumas situações e que em certas ocasiões é melhor só aceitar do que estar certa, eu ainda tento (muitas vezes em vão) em mostrar o outro lado e tentar encontrar um balanço, e aí me quebro toda ou me decepciono... acho que toda expatriada passa por algo parecido. Aquela frustração de que parece que só tem você pensando daquele jeito e você não pode mudar o mundo. Mas não vamos tão a fundo senão daqui a pouco eu to falando de novo do porque eu vim parar aqui. Eu só queria dar um exemplo.

Legal, ótimo. Aí vejamos o outro lado. Vou para o Brasil. Não entendo mais as novas piadas, as novas gírias, a música do momento. Falo Português óbvio mas com um certo delay ou usando umas expressões que já não são muito usadas, ou uma palavra ou outra em Alemão ou Inglês, achando algumas atitudes um pouco esquisitas ou exageradas... Virei a estrangeira. Por mais que assista uma coisa ou outra na Globo Internacional na minha vida aqui na Suíça e acompanhe as notícias e escute Português, e por mais que tente praticar meu Português nesses posts do blog, eu não sou mais a brasileira que eu era.


Tem muita coisa que vi no Rio da última vez que fui no Brasil que fiquei assustada ou com medo, e nem comentei aqui, acho que numa tentativa inconsciente de ignorar uma oportunidade para mais uma reflexão sobre o assunto. Olha jogar papel no chão pra mim é uma coisa tão inaceitável mais, que nem sei se tenho como explicar. Vi senhoras andando com seu cachorrinho e deixando o cocô no meio da rua, gente furando fila, vi um cara tomando picolé e jogando o papel no chão, coisas que antes eu talvez não desse tanta importância, mas que hoje eu nunca faria igual. 

Questão de educação, consciência... não to aqui pra discutir isso agora. Só sei que a Suíça me ensinou muita coisa também. Hoje eu sou mais calma, mais educada, falo mais baixo, sou mais paciente... sou mais correta do que já era, tento ser uma pessoa melhor, penso mais nas minhas atitudes. É, pode até ser que tenha ficado mais chata e boring como dizem que são os suíços, e concordo que perdi um pouco da minha espontaneidade brasileira. Entretanto os suíços me acham muito brasileira ainda.

Pros meus amigos e família, eu sou Liana que mora na Suíça. Depois de tanto tempo, não sou mais de lá, sou tratada diferente por algumas pessoas, como a "estranha" que voltou, mesmo que de férias... é como se eu não me sentisse mais em casa. Ora, a minha vida aqui teve um monte de coisa, a vida lá no Brasil também não parou. E eu estava aqui, não estava lá, ou seja, não acompanhei as coisas de lá, não sei de muita coisa, do mesmo jeito que o povo de lá também não sabe detalhes da minha vida aqui.

O limbo. É aí que estou. Não sou mais brasileira aos olhos dos brasileiros, mas também não sou suíça aos olhos dos suíços. Eu também não vim pra cá pra deixar de ser brasileira e nem pretendo virar suíça, mas é inevitável que aconteça esse distanciamento da minha cultura, quando passo muito tempo longe dela.

Por mais que eu me arrepie ao ouvir o hino nacional brasileiro, por mais que meu corpo queira sair dançando quando toca um axé e por mais que eu tente manter meu "oxe" que me deixa mais perto das minhas raízes, eu já entendo um bocado do Mundart da Suíça, expressões, casos no noticiário, piadas, mesmo que não consiga acompanhar 100% um filme alemão sem legendas.

O limbo. O meio termo, o nem lá nem cá. Limbo vem do latim e significa margem, beira, borda. Tem significados parecidos dependendo do contexto. Em sentido figurado, o limbo é onde são deixadas coisas em valor, coisas que são esquecidas. No catolicismo, o Limbo é onde estão por exemplos crianças que morreram sem terem sido batizadas, ou seja... seria o espaço entre o céu e o inferno? O nada? O meio.

Fazendo uma analogia do conceito da igreja católica com a situação do expatriado, o limbo é o espaço entre um país e outro, entre uma cultura e a outra, o meio-termo. É aí que eu me encontro. Quando estou no Brasil, não sou mais tão brasileira, sou a que mora na Suíça e com alguns costumes suíços, mas na Suíça, estou longe dos verdadeiros costumes suíços e sou brasileira mesmo.

Como é que esse sentimento é interpretado por nós, expatriados, e como lidamos com ele? Devemos simplesmente nos acostumar e aceitar que nunca serei realmente do país que moro há alguns anos, porque no fundo nem é isso que queremos mesmo... ou não, insistir e forçar uma coisa que no fundo não queremos?! Voltar para o país de origem é uma opção para sair do limbo? Voltar atrás? E para onde vão tantos anos de aprendizado e intercâmbio e a nova cultura absorvida será que não vai interferir na vida de volta ao Brasil?

Parece que há mais perguntas que respostas. E aí voce encontra histórias de vários brasileiros que viveram algum tempo fora, atravessaram essa transição, chegaram ao limbo, resolveram voltar e pow, vem a bomba: nunca mais conseguiram se acostumar ao Brasil. Ou saíram de novo do Brasil, ou estão tentando sair, ou vivem torturados pela decisão que tomaram... seria esse então o castigo, o preço eterno a ser pago para quem resolve levantar vôo e deixar seu país? Seria essa a maneira de o seu país que te mostrou tanta coisa a sua vida inteira fazer você ver o seu valor?

O limbo é um lugar de muitas perguntas, mas um lugar seletivo, não é todo mundo que consegue chegar por aqui. Tem que ter vocação. Quem chega definitivamente tem uma bagagem sem igual. Se o mundo fosse mesmo justo, poderíamos viver de trocar experiências ou de passar suas experiências pra frente, porque o valor dessa bagagem é inestimável. Porque não se compra, não se paga, quem a tem tem o mérito também de a ter construído, do seu jeito. E outra: é inigualável. É única a sua bagagem de vida, suas experiências de expatriado.

Você pode ignorar tudo isso que eu disse e viver numa pequena comunidade brasileira num país estrangeiro, e viver como se estivesse no Brasil, só que não está. Você não chegará ao limbo. Ou se resolver deixar tudo tudo tudo do Brasil pra trás e fechar os olhos pro que fez de você você e nunca mais voltar ao Brasil pra se inserir de vez no país onde está... acredite, não vai dar certo.

Esse post não foi para assustar ninguém nem como eu disse no começo, autoafirmar nada. Nem acho que venha a ser polêmico. Se encaixaria mais na categoria "abre olho" e "pé no chão" dessas reflexões meio doídas mas necessárias que fazemos (faço) de vez em quando, depois de fases completadas ou páginas viradas no livro da vida. Talvez para não cair em novos deslumbramentos e promessas bonitas da vida no primeiro mundo e nem deixar o coração esborrotar e ficar cego de saudade do que se vê em cartões postais tropicais.

22 março 2015

Criando um filho bilingue: primeiras palavras

Tem muita informação na internet sobre criar filhos bilíngues. Longe de mim pretender aqui apresentar alguma ciência, até porque não é e nem eu tenho fórmula nenhuma. Mas a partir de hoje estou criando a tag no blog "filho bilingue" para compartilhar e registrar as experiências com Edi aqui na Suíça on the go, agora que ele está começando a falar.

Edi está prestes a completar 2 anos. Eu sempre falei Português com ele, mas como na maior parte do tempo estamos só nós dois em casa, tem sido então Português em casa comigo, e Alemão na creche. Como ele vai pra creche 4 dias por semana escuta bastante Alemão (e Suíço-Alemão) dos cuidadores e dos coleguinhas.

A situação atual é: Edi fala mais Alemão que Português. É. Não tem pra onde correr. Eu sou só uma e a creche e a rua são muito mais input do que eu aparentemente. Ele não fala frases completas ainda, mas palavras soltas. Porém entende frases completas. As palavras que ele fala não são muitas mas a maior parte delas é em Alemão. Hoje em dia ele fala (em ordem de aparição):

- Mami = sou eu. Não fala "mamãe" nem a pau.
- Água = é água mesmo. Publiquei outro dia um vídeo no Instagram (@elaeamericana_liana segue aí!) dele falando água em várias tonalidades hehehe.
- Úg = é "Zug", que é trem em Alemão. Não pode ver um trem ou um tram que já fica todo feliz e fica "uhg uhg uhg" apontando pro trem. Acho que as tantas viagens Suíça afora contribuíram pra isso rs.
- uóuó = é "vovó", minha mãe. De tanto que nos falamos por Skype, do outro lado do oceano minha mãe participa mais da nossa vida do que gente que tá aqui do lado, então Edi sabe quem ela é.
- Papá = não é papai, é "papato" de "sapato" em Português! De papai ele fala "papi" mas não muito.
- Pé = pé mesmo.
- Mái = é "mais" em Português, quando ele está comendo e a comida acaba e ele quer mais.
- Auto = essa ele fala bem deutlich, é "carro" em Alemão. Se refere tanto aos carrinhos que brinca quanto aos carros que vê na rua.
- Aiô = é "hallo" em Alemão, "olá" em Português.
- Adê = é "tchau" em Suíço Alemão.
- Báu = é "Ball" em Alemão, "bola" em Português.
- Käss = Käse em Alemão, é "queijo" em Português.

Essas são as principais. Então veja aí, tirando mami que é meio que universal, de 11 palavras, as palavras que ele sabe em Português de vocabulário mesmo são só 3 ou 4 porque vovó é praticamente nome próprio. Em poucos dias observando, é bem perceptível que o vocabulário dele em Alemão está crescendo mais rápido que o Português. Toda semana na creche tem palavras novas, enquanto eu to aqui na luta pra ele sair de sapato e pé que ele já fala há muitos meses.

Edi entende frases em Português, quando eu falo por exemplo "pegue a bola, Edi", e vai e busca a bola mas assim que agarra a bola ele diz "Ball!!!". Já na creche quando ele quer água e não pede "Wasser" que é água em Alemão, ele diz "Água". Eu sei que com o tempo ele vai entender que existem duas palavras para qualquer coisa e ele vai perceber que em casa eu falo uma coisa e na rua ele escuta outra. Até lá, muita paciência e dedicação porque também não é nem será fácil pra ele passar por esse aprendizado.

Apesar de ter baixado uns livros no Kindle sobre o assunto (tempo pra ler são outros 500 ne) e já ter buscado vez ou outra na net, não to usando nenhuma técnica especial nem nada. To indo ad hoc. Até porque as regras são sempre "pai e mãe em casa" que divide-se em se pai e mãe falam idiomas diferentes ou não, e na rua outro idioma. E como eu não me aplico à regra, fica difícil ter saco pra acompanhar os exemplos e dicas de exercícios e tudo mais.

Estou seguindo simplesmente meu coração e falando o meu idioma com ele, porque mesmo eu sendo só uma pessoa, eu sou a mãe e tenho conviccão que minha participação será forte e terá peso grande no crescimento e aprendizado dele. Mas olha não é fácil, viu. Tem dias que dá um certo desânimo e falta de crença no futuro porque eu sei que Edi crescendo aqui, ele nunca vai ter o Português que eu tenho. Não vai aprender as gírias da sua geração nem vai entender certas piadas, nem por mais que eu coloque as músicas da minha infância pra tocar em casa, não terá o mesmo significado do que se crescesse no Brasil, claro.

Aí vem todos aqueles questionamentos de novo de "o que eu to fazendo aqui" e tudo mais, porém agora as reflexões não abrangem só a mim mas Edi também e seu futuro. Por um lado, dói um pouco saber que ele não será brasileiro de fato e não terá algumas coisas tão óbvias na sua infância como Turma da Mônica, coxinha, brigadeiro, por mais que eu traga gibis da Turma da Mônica do Brasil ou mostre desenhos no Youtube ou que faça ou compre coxinhas e brigadeiros por aqui. Não é a mesma coisa. Por outro lado, ele tem a oportunidade de crescer sem medo de andar na rua e brincar aqui no jardim sem precisar estar num condomínio fechado com cerca elétrica e segurança ou porteiro. 

A bagagem e diversidade cultural que ele pode adquirir aqui é enorme e não dá pra ignorar que isso num futuro a longo prazo vai fazer muita diferença. Estou criando meu filho em outra cultura mas ao mesmo tempo quero que ele absorva coisas e emoções da minha cultura. Não é uma tarefa fácil.

Outro dia estava conversando sobre o assunto com uma colega do trabalho que nasceu aqui, o pai é suíço mas a mãe é coreana. Ela disse que a mãe dela no começo até tentou manter o coreano com ela, mas eventualmente foi passando as conversas pro Alemão para ela aprender mais o idioma daqui. Resultado: depois de uns 10 anos e com a chegada da adolescência dela, a mãe ainda não tinha o Alemão fluente mas ela sim, então sempre tinha conflitos e desentendimentos por conta do idioma, pois ela não sabia mais falar coreano e nem a mãe direito Alemão, então não tinha um idioma 100% comum e fluente entre mãe e filha. Obviamente isso distanciou a relação das duas e ela mesma disse que preferia que sua mãe tivesse continuado a falar coreano com ela. Só assim ela não teria se distanciado da mãe por dificuldade na comunicação, e teria ficado mais próxima da cultura da mãe. Hoje ele mal fala coreano, só entende algumas palavras e há anos não vai a Coréia do Sul.
Ora eu moro aqui mas não pretendo me afundar tanto na cultura suíça. Nem sei se vou ficar aqui tanto tempo assim, e seja como for, quero ir com Edi ao Brasil pelo menos uma vez ao ano. Não só pra ele manter vivo o seu lado brasileiro e aprender com ele, como para também não virar suíço de vez pois algumas coisas aqui são muito extremistas.

Agora que ele está começando de fato a falar palavras nos dois idiomas, está caindo a ficha que a brincadeira aqui é séria. Meu filho será bilíngue, eu estou criando um filho bilíngue para o mundo e o que realmente isso significa vai muito mas muito além de falar (apenas) dois idiomas. Como se já fosse pouco. Em pensar que se estivermos aqui ainda quando ele for pra escola, ainda vem o Francês e o Inglês... Ai meu Deus, isso é só o começo.

Por um lado, sim, eu também aprenderei com ele o Suíço Alemão. Até poucos dias não sabia que "hebe" (não sei se escreve assim)... é "halten" no Alemão aqui de Berna, aprendi com Edi. Mas preciso ter força e muita paciência e crença no meu papel aqui. Você ouve tanta coisa de todos os lados que ás vezes dá um nó na cabeça. Gente dizendo que não, é melhor eu falar Alemão, que não, é melhor insistir no Português, que nossa... pare o mundo que eu quero descer. É muita responsabilidade.

Da maioria dos artigos que li por aí, é sempre recomendado mesmo que morando você num país estrangeiro, que fale no seu idioma com seu filho, para ele não perde-lo. Aí me lembro de uma situação que vi quando morava em Zurique, um casal de indianos com um filho de quase 4 anos. O pai trabalhava e a mãe não. A mãe sempre ficava em casa com o filho e falava no seu dialeto com ele. Às vezes o levava pra brincar na pracinha mas a maior parte do tempo o menino cresceu em casa com a mãe. Resultado: chegou aos 4 anos falando o dialeto indiano lá deles perfeitamente, e como mal falava Alemão, estava com dificuldade de entrar no jardim da infância sem falar o idioma. 

Não tem como. Morar num país diferente do seu e criar um filho, tem que abrir mão e dar espaço pra cultura do lugar que você escolheu. É ali que seu filho passa seu dia a dia e é natural que aprenda o idioma do lugar. De qualquer forma, lá no fundo dá um orgulho danado de ter a oportunidade de estar vivendo isso e de proporcionar esse carrossel de culturas pro meu pequeno. Vamos ver depois no que que vai dar.

17 março 2015

Prizren

Longe da capital Pristina, o Kosovo é um mix de etnias e culturas. Vilarejos de origem bósnia, albânia, sérvia e bastante natureza. O país sobreviveu muito tempo de agricultura, e pode não ser o lugar mais atraente do mundo para turismo, mas Prizren sempre está na lista de quem visita o Kosovo.
Prizren é a jóia do Kosovo, um must-see para qualquer visitante. Prizren tem o maior número de construções otomanas preservadas do país. A cidade não só tem a arquitetura e a atmosfera da era do império Otomano, mas também várias influências turcas, seja na culinária, seja no dialeto falado por lá. Algumas escolas lá até ensinam turco, algumas rádios são em turco, e há um jornal turco circulando também.

O municipio de Prizren tem cerca de 240 mil pessoas, mas a cidade em si tem 50 mil habitantes e a população lá é jovem. É a segunda maior cidade do Kosovo e ela meio que escapou da guerra do Kosovo dos anos 90 sem muitos danos, porem sofreu bastante na década seguinte com saques e badernas de albaneses querendo expulsar os sérvios remanescentes.

Prizren fica ao sul do Kosovo, perto da fronteira com a Albânia, com várias montanhas que fazem parte da paisagem cartão postal principal do centro da cidade. O centro da cidade limita o que tem pra conhecer por lá e é cortado pelo rio Lumbardhi e as ruas de paralelepípedo remetem mesmo a gente à era antiga. 
Totalmente diferente de Pristina que é turbulenta, confusa, suja e mal organizada, Prizren é bem arrumadinha e bem preservada. São quase 2 horas de uma cidade a outra de carro, 77km, as estradas são ok. Um ou meio dia é suficiente para conhecer a cidade.
Se você quiser conhecer o castelo que é um museu e mostra partes da história antiga da cidade, ele fica no topo de uma montanha, então reserve mais tempo. Nós não fomos ao castelo porque a única maneira de subir é andando, então abri mão da vista que se deve ter lá do alto por causa de Edi.
Mesmo assim valeu a pena conhecer Prizen. Por um lado a cidade me lembrou muito Kruja que é a cidade de maior resistência a tomada do império otomano na Albânia, no século 15 e a cidade mais turística de lá. E por outro, acho que pela ponte sobre o rio Lumbardhi, Prizren me lembrou Sarajevo. É uma cidade histórica. Mesmo sem visitar o museu no castelo e passando apenas uma tarde por lá, uma volta pelo centro é suficiente pra te passar a atmosfera do ritmo da cidade.

15 março 2015

Pristina

Pristina é a capital do Kosovo e de acordo com o meu guia de viagens, não é uma cidade que você gosta logo de cara. E não é mesmo. A impressão que tive ao chegar em Pristina é que a cidade está abandonada. Lixo acumulado em canteiros da principal rua da cidade, ruas sem calçadas, prédios abandonados, quebrados, ônibus velhos doados de outros países tornando o trânsito ainda mais confuso sem nem saber que linha tem o ônibus, por exemplo.
Andar de transporte público é apenas para os fortes. A cidade é uma bagunça. Em algumas áreas, o antigo abandonado se mistura com o novo, e os contrastes se acentuam, como na Boulevard Madre Teresa, onde estão lojas de marca, os prédios mais modernos, a rua é bem calçada, etc. Essa mistura de velho e novo, comunista e inovador, dá uma atmosfera urbana a Pristina que eu não havia visto em outra cidade até então.
O país é muçulmano, mas as mesquitas não são maioria, há igrejas sérvias ortodoxas, católicas e, gente, uma estátua de Bill Clinton com uma bandeira enorme dos Estados Unidos na principal avenida da cidade. Os Estados Unidos não só foram o país mais importante no mundo a reconhecer a independência do Kosovo, como ajudam bastante o país financeiramente falando. 
Ora a cidade passou (continua passando?) por transformações. Desde o comércio da era Otomana, virou uma capital comunista, socialista iuguslava até albana e dependente de Milosevic. Marcas da destruição estão por toda parte, isso sem falar na guerra do Kosovo que o povo não gosta de comentar. Só agora, desde a sua independência em 2008, a capital do Kosovo tenta se reerguer lentamente com a ajuda dos EUA e reacertar sua identidade.
A impressão que eu tive com o contato que tive com os locais, é que eles evitam falar do passado. Não negam sua tradição albanesa mas anseiam que sua própria individualidade seja de fato reconhecida. Uma incerteza do seu status, medo de afirmações. Pristina sempre foi uma cidade em fluxo, onde pessoas vão e vem. Os próprios habitantes não são fãs da capital do país e se estão ali é pela necessidade de vida. Pristina não é o reflexo da identidade (em construção) do Kosovo, não é uma cidade bonita nem atraente, muito menos turisticamente falando.
O que tem na cidade pra ver reflete toda essa baixa alto estima. O grande bazaar se resume a traseiras de carros abertas vendendo frutas. O Hamman, herança monumental do Império Otomano está todo coberto com tablados de madeira sabe-se Deus porque. O Museu Nacional que é a construção mais "europeia" da cidade não faz parte do itinerário "turístico". A estátua da Madre Teresa, que de novo, como comentei no post da Albania e Macedônia, todos os 3 países (?) dizem que ela é de lá, está meio esquecida na principal avenida com seu nome, numa pracinha suja e com muitos pombos. 
A Biblioteca da Universidade de Pristina, uma das construções mais únicas de toda a região dos Balcãs com esse teto de esferas brancas, está no meio de uma área mal cuidada com lixo acumulado. Enfim, são tantos os pontos negativos que fico até esperando alguem perguntar se vale a pena conhecer o Kosovo.
Sim, vale. Viajar não é só ver coisas bonitas e bem cuidadas, não é exaltar o que já chegou lá. É conhecer o outro lado também. E você não terá conhecido de fato os Balcãs se não passar pelo Kosovo. É a história viva. Pristina pode ser mal organizada mas tem seus segredos a conhecer. Os pontos que falei acima são os pontos turísticos, a história do país que está precisando de mais cuidados. Eu adorei conhecer o Kosovo, conhecer Pristina, mesmo que a cidade não estivesse ainda preparada pra me receber. Não moraria lá, não pelo caos generalizado que são os nomes das ruas, mas porque o país não suportaria meu estilo de vida.
A história do Kosovo e de Pristina se mistura obviamente com a história da Albânia. Há estátuas de Skenderbeg por toda parte, o grande Lorde Alexander, o grande herói albanês, chefe da resistência contra o império otomano, do qual tanto falei na ida a Kruja. Portanto é importante conhecer a história da Albânia ao visitar o Kosovo pra entender de fato porque o país está como está.
Conheci Pristina e os principais pontos históricos em um dia. Visitei o Museu Etnológico onde me foi contada a história, a influência albanesa na cultura do Kosovo e o progresso no estilo de vida do país, do povo, através de objetos de vida do dia a dia, roupas, tradições, etc. Muito interessante esse museu. O nome original é Emin Gjiku e fica escondido na parte antiga da cidade.
Com tudo que falei, sem dúvida uma ida ao Kosovo e a Pristina exige uma certa preparação (coragem?). A falta de estrutura generalizada pode decepcionar um pouco, então é bom estar bem preparado pro que encontrar. Sem dúvida a escolta do guia que contratei ajudou imenso no nosso passeio, levando a gente diretamente a conhecer o que queríamos ver sem perder tempo, e principalmente com Edi andando no carrinho que ele preparou pra gente, com as paradas pontuais para refeições do pequeno e estratégias de logística necessárias quando viajando com uma criança pequena.
Foi uma viagem única e inesquecível. Não me arrependo nem um triz e faria de novo se voltasse o tempo. Mesmo Edi não lembrando dela quando crescer, vou fazer questão de relata-la, e as fotos estão aí ne. Mesmo porque, o ponto alto da viagem estava por vir: Prizren. Próximo post!

14 março 2015

Kosovo

A viagem para o Kosovo era um plano antigo, desde 2011/2012 quando fui a Albania, SérviaMacedônia, Bósnia e comecei a conhecer aquela região da antiga Iugoslávia. É a região menos turística da Europa, mas não menos histórica. Ano passado ainda estendi a lista da ex-Iugoslávia conhecendo a Eslovênia e Croácia, talvez os dois países mais arrumadinhos para receber turistas, e então resolvi planejar uma ida curtinha ao Kosovo em 2015.
O que sabemos sobre o Kosovo? Bem, aqui na Suíça você encontra várias pessoas da Albânia, Kosovo, em grande maioria fazendo pequenos empregos. São motoristas de taxi, montadores de móveis. Com a proximidade da Europa central, a imigração desse lado é massiva. Não é o leste europeu famoso de Praga e Budapeste. Os países da ex-Iugoslávia fazem a península balcânica, o sudeste da Europa, são países pobres, carentes de infra estrutura e o turismo é desorganizado, ou quase inexistente.
Quem é que não lembra ter ouvido sobre a guerra no Kosovo na década de 90 nos jornais, quando forças sérvias, iugoslávas e separatistas albaneses lutavam pela independência do território? Nessa época vários e vários tratados e tentativas de paz falharam e o ataque da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à Iugoslávia em 1999 deu início oficialmente à Guerra do Kosovo, que durou (oficialmente) 79 dias. Eu mesma me lembro nitidamente das repetidas manchetes e chamadas nos jornais sobre a guerra que não cessava. Mas ela cessou. No meio de 1999 foi feito um acordo, a tropas sérvias saíram finalmente do território e permitiram a instalação de uma força internacional de paz no Kosovo.
A independência, entretanto, só veio mesmo em 2008, quando o país se declarou independente da Sérvia e ainda há controvérsias. Era a segunda tentativa de independência. A primeira foi em 1990 quando somente a Albânia reconheceu a independência do Kosovo. Já esta mais recente em 2008 foi reconhecida pelos Estados Unidos e vários outros países, embora outros até hoje não reconheçam o Kosovo como país como Rússia, Espanha e até Brasil.

Essa foto com esse nome "NEWBORN" é o símbolo da independência do Kosovo em Pristina. Significa "recem nacido" em Inglês e foi aí que aconteceram várias manifestações em prol da independência do país. O Kosovo é o 2o país mais novo do mundo, só fica atrás do Sudão do Sul, na África, que virou independente em 2011 (veja aqui a lista dos 9 países mais novos do mundo).

O Brasil não reconhecer o Kosovo como país significa que acordos políticos não são eficazes e o Brasil não tem nem embaixada no Kosovo, por exemplo. Isso significa que qualquer problema que acontecer com algum brasileiro no Kosovo não vai ser resolvido nem apoiado por autoridades brasileiras. Em contrapartida, brasileiros não precisam de visto para entrar no Kosovo e o passaporte brasileiro é aceito tranquilamente. Isso é muito curioso porque em 2012 quando estive na Sérvia, precisei tirar visto, e hoje brasileiro não precisa mais de visto para a Sérvia.
Com esses precedentes, parece até loucura ir lá ne. Tipo fazer o que! Teve uma colega que até me perguntou... "não é lá que tá tendo uma guerra?" ... Se eu disser que vou (fui) sozinha com meu filho de 1 ano e 9 meses então, vão mandar me internar. Ai ai... Puro preconceito. Não tem nada impossível nessa vida e com pequenos cuidados dá pra fazer tudo, tudo mesmo. Ora, eu pari um menino de 4kg, vou ter medo de que mais? Quero mais é que ele venha conhecer o mundo comigo e aprenda a curtir as coisas boas da vida. Se ele é um bebê ainda ou uma criança pequena, então eu preciso me adaptar ao estilo dele. Isso significa que não é só por uma mochila nas costas e ir, como eu costumava fazer. Mas com todas as coisinhas que uma criança precisa fora de casa e uma dose a mais de paciência pro novo ritmo dá tudo certo. Eu já cuido dele normalmente sozinha mesmo, o que seria um fim de semana longe de casa? Nada de outro mundo.

O Kosovo também não é a Áustria nem a França que voce sai do hotel e as ruas são calçadas e dá pra você sair andando sem rumo certo. Não é. É difícil de andar, as placas não são óbvias, o povo não é acostumado a ver gente batendo foto na rua, muito menos uma mulher com uma criança. Por isso me precavi e na pesquisa antes da viagem pra me certificar se era viável ou roubada, fui atrás de um guia que pudesse de fato nos guiar e mostrar de fato o que tem pra ver de mais importante no país.
O país tem montanhas, vales, monastérios escondidos em cidadezinhas, mas num fim de semana tive que me restringir a chegar pela capital Pristina, me hospedar por lá, e conhecer Prizren, a cidade mais turística do país. O Kosovo tem menos de 2 milhões de habitantes e a maioria da população é muçulmana, mas não é aquele islâmico estremista, eles são bem relaxados quase como na Turquia. Mal vi mulheres de burca e vi várias igrejas pela cidade.

Desde a época da Iugoslávia, a região do Kosovo sempre foi a parte mais pobre, sempre abaixo da média das outras regiões. Taxas de desemprego batendo 40% até hoje, renda per capital entre 1000 a 1200 euros, salário mínimo de 200 euros, mesmo se o Kosovo crescer em ritmo otimista, vai levar anos pra atingir por exemplo o estilo de vida na Macedônia, que não é lá essas coisas.
Com a economia em baixa, uma vantagem para nós viajantes é que tudo lá é muito barato. Hotel, comida, transporte, serviços. Voei Easyjet e a oferta de vôos é até alta devido a alta procura. Como disse antes, há muitos albaneses trabalhando por aqui. 

Fiquei no hotel Sirius, que era muito bem recomendado e ok, era bom, mas não era nenhum cinco estrelas. Duas noites lá me custaram 170 euros. Euro é a moeda do país.

Não foi muito fácil encontrar informações e organizar tour, traslado aeroporto-hotel, e mesmo com baixas expectativas, confesso que fiquei um pouco decepcionada com o serviço que obtive do Be in Kosovo, pelo baixo nível de profissionalismo da organização. Não da para culpa-los, faz parte do conjunto de coisas a melhorar no país inteiro.

Mas acho que no final tive o que queria. Era janeiro e não estava muito frio, ou seja, tive até sorte com o clima, conheci o que queria do Kosovo, tirei lindas fotos e voltei pra casa com mais conhecimento que antes.

Próximo post: a capital do Kosovo, Pristina.