30 abril 2012

Skopje

Skopje é a capital da Macedônia e foi a primeira parada da minha viagem balcânica pela Macedônia e Albânia. Eu não sabia muita coisa de lá e a viagem foi programada em pouco tempo, ou seja, não tive muito tempo pra ler sobre o lugar. Não era bem o caso de eu querer me deixar surpreender como foi com Estocolmo eu e Magali andando de qualquer jeito. Pra Macedonia, eu queria me preparar como pudesse, então com o pouco tempo, me preveni como deu. Chegando lá, eu estava munida do guia Bradt Travel Guide e uma das primeiras coisas que li é que a cidade é dividida em norte muçulmano e sul cristão ortodoxo, o que me deixou meio pensativa e imaginando que a cidade poderia ter um clima tenso e antes de ir até tirei minha corrente com a cruz que tenho de Jerusalem. Sei la ne, vai que alguem nao gosta.. pra voce ver como eu tava por fora. O guia é escrito por uma inglesa de decendência malasia que morou lá por 5 anos então eu estava meio desconfiada, mas tem tão poucos guias decentes e sites com informações sobre a Macedônia, que eu acreditei desacreditando em muita coisa que fui lendo sobre Skopje.... Até chegar lá!
Eu não sabia o que esperar, não sabia o que ia encontrar. Podia ser que Skopje fosse como uma simples ex república comunista sofrida ou severa e intolerante. Eu tinha reservado um tour privado e o dia inteiro que passei com a minha guia e o motorista nativos da Macedônia e de Skopje valeram muito mais que o tal livro e qualquer pensamento duvidoso que eu ainda tivesse sobre a Macedônia foi pro beleleu. Skopje assim como a Macedônia inteira tem sim muita influência de diversas origens, incluindo islâmica e cristã ortodoxa. Como falei no post passado, o que não falta ali é um molho diferente na tal salada macedônia, mas a cidade não é necessariamente dividida assim. A cidade é sim cortada, mas pelo rio Vardar e o centro de Skopje é predominantemente turco, pois foi ali onde os turcos mais viveram na longa época do império otomano, e hoje essa área é o centro antigo da cidade, o principal ponto turístico, pode-se dizer.
São várias e várias ruazinhas com lojinhas estilo bazar turco vendendo antiguidades e qualquer outra coisa. Claro, os turcos eram em sua maioria muçulmanos, então é ali onde se vêem muitas mesquitas e influências islâmicas desde aquela época.
As ruas do centro antigo de Skopje me lembraram um pouco o centro de Sarajevo e alguns cafes me lembraram os bazares de Istanbul. Ao topo da montanha por trás do centro, fica o forte Kale, herança do governo otomano, de onde se tem uma bela visão da capital macedônia.
Cruzando a famosa Stone Bridge, ponte que data do século 15, estamos no centro "novo" de Skopje. Há um projeto chamado "Skopje 2014" onde até então o governo almeja ter a cidade restaurada e com uma nova cara para atrair turistas e alavancar essa fonte de renda. Então de acordo com a minha guia, e com o que eu vi, tudo está em reconstrução! É verdade mesmo, por todos os lados, principalmente nessa parte nova da cidade, quase tudo está ajeitando, prédios reformando, investimentos gregos ali, construção turca acolá. Há várias estátuas que vi por lá que de acordo com minha guia não estavam lá há 2, 3 anos atrás. Tudo parte desse projeto Skopje 2014. Tenho certeza que quem for lá daqui a 2 anos vai ver já muita coisa que eu não vi, e espero que realmente ajude a cidade a atrair gente, porque merece.
É aí o coração novo da cidade, é aí onde ficam os prédios do governo, o museu nacional que eu queria visitar mas estava fechado pra reforma, prédios da universidade, forums, é aí que a cidade funciona e vibra todos os dias. Estão fazendo um esforço grande para manter a cidade apresentável nesse projeto de 2014 e olha, eu dou nota 10. Depois de tudo que o país passou, estar finalmente caminhando com suas próprias pernas mesmo a passos lentos é honorável.
Como se já não bastasse os maus tratos do comunismo, quase todas as construções do século 18 e 19 da antiga Skopje foi destruída pelo terremoto de 1963 que matou muita gente e deixou milhares desabrigados. Então esse projeto Skopje 2014 já vem é tarde. Desde que conseguiu independência em 1991, conflitos com a Sérvia, Kosovo, Grécia e Albânia foram constantes e não era seguro viajar por essas bandas.
Skopje passou pelas mãos de muitos governantes, dentre bizantinos, eslavos, gregos, búlgaros, austro-húngaros, sérvios e turcos, mudou de nome várias vezes, e é fácil ver como ela foi diferentemente influenciada. Por outro lado, tenho pra mim que a influência que a própria Skopje tem sob o mundo é meio que subestimada.
Ora veja bem, foi a 20km dali que nasceu o imperador bizantino Justiniano. Foi ali onde nasceu tambem a Madre Teresa - sim, a que foi pra Calcutá - e tem um museu no centro onde era sua casa! E por último, mas não menos importante, Alexandre o Grande teve sua estátua ereta em 2008 na praça principal de Skopje, já causando mau estar com a Grécia pois o território onde Alexandre o Grande nasceu era na época de domínio grego.
Mas a Macedonia agora parece estar atrás de cultivar mesmo sua história sem se importar com o que seus vizinhos vão achar. Até o aeroporto foi renomeado "Alexandre o Grande" aumentando ainda mais a tensão com a Grécia, e a Macedônia está firme se segurando como pode. Admirável.

Outro ponto forte - talvez não tãão turístico pra todo mundo mas ainda sim de interesse de quem vai a Macedônia - são os monastérios. Mais de 60% da Macedônia hoje é cristã ortodoxa, então os monastérios que existem hoje são de grande importância para o país, considerando que nos 500 anos que o país passou sob influência do império otomano, a prática de outra religião se não a muçulmana não era incentivada e havia várias regras que desfavoreciam outras religiões, como igrejas tinham que ser menores que as mesquitas, por exemplo.
Alguns monastérios como o Sveti Spas datam do século 14 e tiveram que ser reformados nos séculos 18 e 19. Alguns têm partes secretas subterrâneas e alguns têm pinturas que refletem não só a religião como a típica pintura fresco de igrejas ortodoxas, mas que refletiam as tradições e folclores macedônios.
Fomos num monastério mais longe do centro de Skopje, o St. Panteleymon, Plaosnik, e esse foi muito legal porque é um convento de verdade, com aprendizes de freiras longe do barulho urbano, e esse monastério foi construído nas ruínas da antiga igreja do século 4! Grandes pesquisas e descobertas arqueológicas por ali provaram mosaicos antigos achados do século 4. Acredita-se que esse monastério foi construído quando São Clemente chegou em Ohrid a mando do rei Boris I da Bulgária e restaurou a igreja.
O lugar é tido como onde São Clemente ensinou a liturgia e disciplinas de variações do alfabeto glagolitico  que é o mais antigo da origem eslava, no qual o idioma macedônio é baseado hoje. São Clemente, por isso, como voce pode imaginar, é de extrema importância na história da Macedônia e ele construiu uma cripta nesse mesmo monastério, e está ali enterrado desde o ano 916.

Como voce pode ver, o dia foi intenso, as fotos foram algumas centenas e a cabeça a mil com tanta informação, tanta coisa nova e tanto aprendizado. Monasterios, museus, centro antigo, centro novo, mesquitas, praças, vista panoramica. Tudo muito bom viu. No final das contas, eu tive uma impressão muito positiva de Skopje. Pessoas, comércio, ruas, trânsito - nada de caos, nada alarmante, apenas um país tentando se reerguer do seu passado turbulento e andar com suas próprias pernas. Sente-se um esforço em tratar bem o turista, embora turismo não seja (ainda) o forte da Macedônia, mesmo sem todos falarem inglês perfeito por exemplo, a viagem foi muito agradável em todos os sentidos. Skopje tem tudo para se tornar em breve um atraente destino de passeios. Esse post foi mais pra introduzir o que vi por lá, mas ainda quero escrever mais, como informações práticas de como ir, como chegar, então aguarda aí que já vem mais informações sobre a Macedônia. Além, é claro, do paraíso escondido chamado Matka. E depois ainda me perguntam o que eu fui fazer na Macedônia!

29 abril 2012

Macedônia

Tem uma estudante que é estagiária no meu trabalho que é da Macedônia. Fora isso, nunca tive nenhuma outra ligação com esse país, que honestamente falando, há um tempo atrás eu não sabia apontar no mapa direito onde fica.

Depois de ir praquela região balcã ali quando conheci a Sérvia e a Bósnia no ano passado e passei a realmente conhecer o leste europeu e sua fascinante história, foi que atinei pra Macedônia. Promoções de passagens para Skopje. .... Skopje? Onde fica? Ahh! Na Macedônia!
A Macedônia fez parte da antiga Iugoslávia, o Estado comunista formado após a Segunda Guerra Mundial, junto com a Sérvia, Bósnia, Montenegro, Croácia e Eslovênia. Desde 1991, se tornou independente da Iugoslávia e muita coisa já aconteceu desde então. Aliás, é interessante saber o que aconteceu por ali antes disso! A história da Macedônia é rica e nobre, vale a pena descobrir.
A região que é hoje a Macedônia foi mais um território dominado pelos romanos e otomanos. Acho interessante que, nessas viagens que faço sozinha, me ligo em vários detalhes que talvez se tivesse acompanhada não prestaria atenção. Quando fui a Turquia no ano passado foi que conheci de fato a história do Império Otomano e dos sultões, que influenciou tantas e tantas nações e culturas mundo afora, nações essas que estou ainda a conhecer até hoje, e sem dúvida a ida a Turquia foi fundamental pro meu conhecimento nessas viagens seguintes. Simplesmente sensacional...
Após o domínio otomano e uma sequência de conflitos turcos e até russos, a Macedônia foi disputada por gregos e búlgaros, e num tempo mais recente, digamos no início do século 20, uma série de desentendimentos e disputas entre seus vizinhos deixou o país com diversas influências e em dificuldades de encontrar sua própria identidade.
Ora, 500 anos de império otomano, quase 50 anos de regime comunista, até o próprio nome a Macedônia teve que mudar por desentendimentos com a Grécia e hoje é formalmente conhecida como FYROM - Former Yugoslav Republic Of Macedonia. Como se não bastasse estar no olho do furacão e fazer fronteiras com países como Kosovo e Sérvia, a Macedônia carrega uma história pesada de conflitos com a Albânia, que não fez parte da Iugoslávia, mas compartilha algumas de suas origens e cultura. A região é no mínimo delicada, vamos dizer assim. Não é toa que os franceses chamam uma salada mista de "salada macedônia", pois a Macedônia é isso mesmo, um mix de influências, invasões e domínios diferentes. Etnicamente diversa, a Macedônia é tudo menos uma terra homogênea. É a terra de Alexandre, o Grande, o rei grego da Macedônia, quando a Macedônia era território da Grécia em 350aC, criou um extenso império no mundo antigo, é um ícone no país.
A Macedônia hoje é em sua maioria cristã ortodoxa, essa religião que conheci mais um pouco quando conheci Belgrado. E está por todos os cantos. Apesar de 20 e poucos por cento da população do país ser islâmica, em cada rua há uma expressão religosa cristã, uma igreja, e o país é repleto de monastérios. Eu visitei uns quatro só nos arredores de Skopje.
Como um belo exemplo de leste europeu que é machucado pela história e tenta se reerguer diante de guerras e conflitos tão recentes, a Macedônia é, entretanto, um país que tenta redefinir o que é seu, preservar sua cultura e reconstruir seu orgulho, apesar da crise de identidade que o persegue. Com uma altíssima taxa de desemprego passando dos 30%, o país tenta buscar refúgio onde pode e hoje há uma grande iniciativa de investimento no turismo, pois a região é abençoada pela sua posição geográfica e não é o Brasil, mas é bonita por natureza. Lago Ohrid tá aí pra dar exemplo com nível de turistas aumentando a cada ano.
Só pra não confundir, esse da foto acima não é o Lago Ohrid, é Matka, que é outro belo refúgio que eu vou contar depois. Bem, apesar de ainda não ser tão popular fazer turismo na Macedônia e muita coisa na capital Skopje estar em reforma e renovação, escolhi a Macedônia e a Albânia como os primeiros destinos de viagem só por aqui, aproveitando 5 dias de feriado de Páscoa. A viagem foi programada em poucos dias, as informações eram poucas e isso deu um que de aventura e põe aventura nisso depois conto porque, mas foi maravilhosa, e eu definitivamente defendo a ideia de viajar só, é demais. O quanto aprendo, o quanto vejo e tenho tempo pra refletir e ler e observar e aprender... nossa, podia viver pra isso.

A seguir mais sobre a Macedônia!

27 abril 2012

Game on!

Minha cara de simpatia no trem logo cedo
Acabou a brincadeira. Não tem mais boquinha de trabalhar perto de casa na mesma cidade, o trabalho novo deixou de ser novo e depois da promoção, muita coisa está mudando. Eu nunca gostei de acordar cedo, agora tenho que acordar cedíssimo para estar a tempo não tão tarde no trabalho, que agora está sendo em Zurique. Embora o trem leve "só" uma hora, de porta a porta contando trajeto de tram, andar, etc, são quase 2 horas, ou seja, eu "perco" quase 4 horas do meu dia só me transportando do e para o trabalho.

Claro que isso afeta minha saúde, meu desempenho, minha paciência, e olha, voce leitor tem é sorte de eu não estar escrevendo aqui com frequencia porque o quanto me irrita algumas coisas ligadas a essa história de ir pra lá e pra cá todo dia não tá no gibi, e não é esse o propósito do blog ne. Falei no post passado sobre as andanças de trem, e sei que tem gente me achando maior chata e metida de estar aqui na Europa e reclamando de estar andando no trem confortável enquanto tem neguinho pegando metro e transito em São Paulo que é um caos. Tá, gente, eu sei. E eu tenho mesmo é que morder a língua porque quando eu troquei de emprego eu já sabia que a base era em Zurique e mais cedo ou mais tarde eu teria que me mudar.

Já escrevi um monte aqui sobre essa história de Berna e Zurique, Zurique e Berna, e não quero parecer um disco quebrado, mas é meu dilema atual, porque embora eu sabia no que estava me metendo, e de novo, não me arrependo, o buraco é mais embaixo e a mudança pra Zurique não é assim tããão simples como eu queria que fosse. Nunca achei que seria fácil, mas encontrar um lugar decente e que dê pra eu pagar em Zurique é antes de tudo um teste de paciência.

Vista do trabalho em Zurique
Ainda bem que eu gosto de desafios ne, e Deus deve estar lá em cima rindo de mim. Quem manda pedir as coisas e ir atrás ne, depois eu consigo e fico aqui tendo que lidar com as consequencias. Quem procura acha, e to eu aqui com meu achado. A verdade é que o jogo começou. Tenho buscado, olhado, visitado apartamentos e etc etc e tal, mas se eu começar a listar aqui as dificuldades pra finalizar a negociação do aluguel naquela cidade, minha nossa, voce vai achar que eu to tirando onda.

É sério. A começar pelos preços ne. Ja topei morar fora do centro, onde os preços caem um pouco, mas ainda assim não é fácil. A demanda é 500 vezes maior que a oferta, e em 10 minutos que visito um apartamento, vejo uns 20 rostos diferentes fazendo a mesma coisa, é pior que vestibular. Deve ser 200 pra uma vaga a concorrência. E obviamente não é justa. Além de ter que preencher um formulário - que faz parte do processo normal - e se "candidatar" a conseguir o apartamento, a galera manda curriculo, foto, tudo pra "se vender" e conseguir o ape. Claro que conta contatos, esquemas e coisas do tipo, e eu que não conheço ninguem em Zurique e dependo da minha força de vontade e da boa vontade dos colegas do trabalho, caio lá pro fim da fila.

Vista do trem chegando em Berna - Rio Aare
Tive uma conversa séria com meu chefe essa semana e ele pelo menos reconheceu meu esforço e minha situação delicada, e vai me ajudar me "deixando" fazer as viagens diárias de trem na primeira classe (uhuuu!), primeiro pra ficar mais confortável e diminuir o stress porque a segunda classe em horário de pico é difícil mesmo, e depois - claro, nothing comes easy - pra eu aproveitar o tempo e trabalhar no caminho (...). A primeira classe nos trens são mil vezes melhor e é claro que isso me deu uma carga de motivação a continuar nessa luta diária e tambem na busca de um ape em Zuri.

Como se não bastasse esse meu dilema, o trabalho andava super inconstante nessas ultimas semanas e eu fiquei pulando de projeto em projeto lá em Zurique, conhecendo uma coisa e outra, que meu chefe queria que eu "abrisse meu leque de oportunidades" e... ok, ele tem razão.. minha nossa, como tem coisa no mundo fora de Berna hahahaha! Realmente, profissionalmente falando, pra mim não tem nem comparação, é óbvio que tem mais projetos em Zurique e eu tenho muito mais oportunidade de crescimento lá, então........tipo, EU TENHO QUE ACHAR ESSA DROGA DE APARTAMENTO JA! Alguem ai não tem um não pra mim? hahahahaha!!!

Pra terminar os incentivos de ir de vez pra Zurique, até a academia que eu já tinha feito o abo aqui em Berna, tem lá em Zurique também e é mega sofisticada e eu posso fazer lá sem pagar um centavo a mais. Ufa, pelo menos ne. Quase não acreditei. Porque aqui tudo tem que pagar, e conseguir isso assim tão 'fácil' foi uma vantagem. Senão ia ser dinheiro jogado fora esse da academia.

O problema também é que eu adoro Berna, adoro meu apartamento aqui e pra ir a Zurique, não quero me mudar pra qualquer lugar. Po, quero morar bem, melhor ou igual a aqui, senão não vale a pena. Então como eu já me acomodei aqui em Berna, me arrancar daqui tem que ser algo muito bacana. E se nem algo não tão bacana é fácil, imagine o que eu quero!! hahahaha! é rir pra não chorar, minha gente. A parada aqui é dura e eu tenho que manter o foco e o entusiasmo, porque senão é só stress. E eu não vim pra Suiça pra me estressar neam?

Portanto, tá dada a largada. Aliás, há tempos já.

Zurique, querida: GAME ON!


Ps. Queira Deus que eu vou estar lendo esse post daqui a um tempo dando risada do meu ape super bacana lá em Zurique...

19 abril 2012

O trem nosso de cada dia

Meu dia tem começado muito cedo. Às vezes tenho reunião em Zurique as 9h e tenho que pegar o trem as 7:30 da manhã. Hoje e amanhã também estou num treinamento lá que começa as 9, então essa semana não tá fácil. Quando não tenho nada marcado muito cedo, posso dormir um pouco a mais. Home office faz tempo que não faço. Cochilo no trem, chegando em Zurique, pego meu Grande Latte no Starbucks da esquina, aliás de tanto ir lá virei mayor no foursquare, já ganhei 3 cafes frees, as vezes ganho extra cafe e me chamam pelo nome. Me encontrei com o gerente outro dia no tram e ficamos conversando, muito engraçado. Virou rotina.

Ainda está chovendo desde que escrevi o último post. Talvez seja esse tempo mofo que tem me deixado meio azeda, ou talvez eu esteja novamente trocando as lentes com que vejo a Suiça já que estou chegando perto de completar 3 anos aqui, mas minha paciência e meu nível de tolerância com algumas coisas tem simplesmente diminuido drasticamente. Não sei. Talvez seja mesmo esse tempo. Cade a primavera que ja devia estar aqui com seu sol brilhando e temperaturas aumentando? Só vejo tempo frio de dar dó, ninguém merece isso em pleno mês de abril.

Aliás depois dizem que o homem não é produto do meio... estou eu aqui louca que chegue o verão pra ir nadar no rio Aare.. como explicar? Quando cheguei aqui morria de medo e achava tudo isso muito maluco... ir nadar no rio? HaHaHA! Hoje acho o máximo, super refreshing e uma experiência deliciosa. Faz parte da revisão dos conceitos e do grande aprendizado que tá sendo isso aqui.

Bom, eu tenho gasto tanto tempo no trem ultimamente que praticamente posso criar um blog só pra contar as experiências que vivo no trajeto. Que eu vivo correndo pra não perder o trem ou o tram que são sempre pontualíssimos é regra já. Exceção é quando não to correndo, e quando eles estão atrasados.

Lá dentro, oh... as mais diferentes situações, criaturas, interações ever. Tenho que dizer que a melhor experiência até agora é quando o vagão da 2a classe é trocado pelo da 1a e ainda assim é 2a classe, então posso ir mega confortável, e isso já aconteceu 2 vezes!!!! HAHAHAHA! Pobre é uma desgraça.. ah, fazer o que, o passe da 1a classe é quase o dobro do preço e minha empresa só paga 2a. Eu não me importo, só em já ter o passe to muito satisfeita. O problema é que os trens nos horários que pego são lotados, mesmo muito longos com muitos vagões e tal. Na 1a classe, as poltronas são mais largas, mais confortáveis e tem mais espaço se quiser ligar o laptop por exemplo. Na 2a, é menor, mais apertada, mais poltronas e é as vezes é uma farofada tão grande que nem parece que vc tá na Suiça. Trem as 6:30 da tarde é o pior que tem. Uma misturada danada de cheiro de comida, sim, porque a essa hora quem tá no trem tá voltando pra casa do trabalho e tá com fome ne. Bom, se fosse sempre SÓ cheiro de comida... mas deixa que essa parte é melhor eu não me aprofundar. Então é aroma de doner kebap com comida chinesa, cheiro de molho barbecue, mc donalds, batata frita, tangerina, afe, tudo no mundo. Péssimo. E as poltronas normalmente são de quatro em quatro, então se sentar 4 pessoas realmente fica muito apertadinho sem espaço nem pra baixar o braço entre uma cadeira e outra. Sim, é só um braço.

E a essa hora, assim como no trem das 8 da manhã, pode esperar que vc não vai conseguir ir sozinho nas 4 poltronas. Trem a essa hora é sempre cheio. Tambem ne, Zurique é tão cara que está muito alto o número de pessoas que moram em outra cidade e trabalham em Zurique e tem que pegar o trem todos os dias pra ir trabalhar. Mais cedo ou mais tarde, a Suiça vai ter que dar um jeito nisso, porque a tendência é piorar. Em dias de grandes eventos é ainda pior, pois é gente sentado até na escada, no chão do trem, não tem lugar mesmo pra todo mundo. E vc não paga a menos por isso. Mal tem espaço pro cara que pede o bilhete passar.

Eu normalmente vou escutando música ou lendo meu kindle. Nesses dias que tenho que ir muito cedo, sempre pego no sono. Acordo chegando em Zurique desnorteada. E é cada peça que senta do seu lado... uma vez apareceu um com um laptop gigante que tava com uma calça rasgada e uma meia furada e ele queria parecer um homem de negócios. Outra vez tinha um casal pegajoso que de manhã cedo 8 da manhã passou a viagem inteira trocando de posição. Quase sempre tem alguém no maior bate papo no telefone. Engraçado foi quando na ida foi uma menina na minha frente tomando café e assistindo video no celular, e na volta a noite a mesma menina sentou de novo na minha frente e veio jantando comida chinesa e assistindo video no celular de novo. Triste mesmo foi essa semana que sentou um cara na minha frente falando sozinho a viagem inteira. E logo depois que tinha lido que 1 terço da população suiça tem problemas mentais... sério, me deu vontade de chorar.. fico muito impressionada com essas coisas. E vejo tanto tipo diferente de gente nesse vai e volta que querendo ou não termino absorvendo alguma coisa nessas diferenças todas.

Cansativo é, não vou mentir, mas eu não vou reclamar muito não. Tem suas vantagens, por exemplo hoje estava chovendo em Berna e tava sol em Zurique. Eu gosto de pegar o trem, sentir o balanço, olhar as paisagens, só rola um leve desânimo em adicionar muito mais tempo quando planejo alguma coisa que lembro que ainda tenho que pegar o trem. Mas tenho pra mim que é uma situação temporária. O maior problema mesmo é eu dormir de verdade na volta, perder a parada e ir bater em Genebra...

15 abril 2012

Chuva, trabalho, parties e preguiça

Há 1 semana que só chove por essas bandas alpinas. Eu não vou nem reclamar muito que apesar da caída de temperatura, tá bem melhor que o inverno louco e tem mais é que chover mesmo pra crescer de novo o verde das árvores que andou sumido, claro, por causa do frio. Não vejo a hora de a primavera mostrar mesmo as caras e eu poder tomar um solzinho de verdade.

Amanhã faz uma semana que voltei da viagem que fiz no feriado de Páscoa pra Macedônia e Albânia, e ainda to aqui com a malinha e roupas pra ajeitar. Semana muito corrida, essa ida a Zurique todos os dias está muito cansativa. Tenho mesmo que voltar a ver apartamentos lá. Mas aí chega o fim de semana, finalmente não preciso levantar de madrugada cedo e tenho 0 vontade de procurar apartamento. Ainda mais com essa chuvinha boa.

Bom, mesmo com chuva, até que tenho me movimentado um bocado. Fiz um esforço monstro pra conseguir retomar a academia essa semana, porque ce sabe ne, corpo começa a acostumar, depois que pára uma semana, volta tudo de novo. Como é difícil retomar a rotina... Apesar de a aula de zumba estar meio que on hold porque a professora que eu gosto está de férias, tenho que manter o foco. Sorte que a mesma academia também tem em Zurique, então vou poder ir lá também a partir da semana que vem.

Hoje li que um terço da população suiça tem problemas mentais e embora adore morar aqui, cada vez mais vejo o quanto sou diferente. Mas é bom, conhecer o diferente da gente pra dar valor a certas coisas, o que é nosso, e conseguir reconhecer nossas características, que talvez se estivesse no meu "habitat natural" nunca fosse enxergar. É bom pra nos conhecermos mais, ahh, essa vida aqui é uma surpresa nova a cada dia.

Mesmo no meio de dias de chuva, ontem apesar do ceu cinza ela deu uma tregua e eu fui dar uma andada na citi com um amigo, paguei 10 francos num doner kebap que não era nem essas coisas todas.. é sempre legal ir andar na cidade. Eu adoro Zurique, mas amo Berna, foi a cidade que me acolheu na minha chegada a Suiça, vou sentir falta quando sair daqui...
























Essa semana no trabalho, topei com meu chefe de começar uma nova função nas próximas semanas, e logo depois, outro colega me aparece com uma proposta pra trabalhar num projeto em Cingapura. Ai ai.... é bom que dinamismo é o que não falta.

E nessa andança pelo meio de mundo e nessa correria nossa de todo santo dia, tirar umas horinhas no feierabend depois do trabalho pra jogar conversa fora com os colegas, ou pra me encontrar com as amigas brasileiras e conversar em Português, tomar caipirinha da boa e comer bolinho de bacalhau ouvindo música brasileira é um merecido time off pra mim mesma. Relaxar que eu não sou de ferro.














































Já hoje to aqui de pijama o dia inteiro. Não parou de chover um segundo e eu ainda nem saí de casa. Preguiça danada, dormi e acordei mil vezes, assisti tv pela primeira vez na semana, e também finalmente baixei as fotos da viagem, em breve mostro aqui. Enquanto isso, a chuva cai lá fora...