23 fevereiro 2016

Bundeshaus, o Parlamento suíço

O Bundeshaus é o Parlamento, o Palácio Federal da Suíça, a sede do governo suíço, que fica aqui em Berna. A palavra "Parlamento" vem do Francês "parler" que quer dizer "falar" e é a autoridade mais alta do país. Se você mora na Suíça ou já passeou pela Suíça, já deve ter ouvido falar desse prédio. Já comentei aleatoriamente dele aqui no blog quando falei por exemplo do espetáculo do Rendez-vous, aquele show de luzes sensacional que acontece no fim do ano, é lá. Falei também dele quando falei do Kleine Schanze, que fica logo do lado da fortaleza, onde está situada uma parte do centro antigo de Berna. E já devo ter falado outras vezes. Bem, enfim chegou o dia de eu falar APENAS do Parlamento em si. Já fazia tempo que eu queria escrever sobre a sede do governo suíço, mas agora que finalmente conheci o interior do prédio, posso falar dele como um todo.
Então vamos começar do começo. O edifício do Parlamento suíço foi construído entre os anos de 1894 e 1902 de acordo com os planos do arquiteto suíço de St. Gallen Hans Wilhelm Auer, mas que envolveu também uma série de empresas e artistas suíços em diversas áreas e atividades durante esses anos. Os suíços se orgulham de saber que 95% dos materiais usados na edificação do principal prédio do país veio do próprio país. Todas essas informações estão no site do Parlamento, que também pode ser lido em Inglês, para quem não fala Francês ou Alemão ou Italiano ou Romanche.
Agora falando em linguagem bem popular, e isso não está no site oficial não, sou eu mesma que estou escrevendo.. olhando de fora o Bundeshaus é aquele baque! Uma construção gigante que chama a atenção até para quem já mora aqui há anos e passa por ali. Aquela cúpula e os detalhes totalmente simétricos uns com os outros quase não cabe na pequena capital Suíça de 140 mil habitantes. Berna quase não comporta um prédio que é praticamente um monumento por si só, desse tamanhão. Deve ter aberto uma exceção só porque afinal, é o Parlamento. Para enquadrar o prédio inteiro, você tem que tirar foto de longe, há uma praça na frente, a Bundesplatz com bastante espaço, aliás onde geralmente acontecem os principais eventos da cidade, como eu já mencionei antes, o show de luzes no fim do ano, além de feiras, sim, feiras de frutas mesmo, palcos de shows, patinação no gelo, etc., então se você for bem pro canto do outro lado da praça, aí conseguirá enquadrar tudo na sua foto. Ou da ponte de Kirchenfeld para ver o prédio de outro ângulo, como na foto acima.
Quando você finalmente encontrar a praça do Parlamento enfim vazia, espero que seja verão. Bem na frente, ou mais pro lado direito se você olha diretamente para a entrada principal, estão 26 buracos no chão, que viram fontes de água que jorram em ritmos sincronizados umas com as outras como numa brincadeira. Perfeito para distrair as crianças no verão. E as 26 fontes não são 26 à toa, elas representam os 26 cantões da Suíça. Tenho certeza também que a sincronia do jogo de águas não é à toa.
No topo da fachada do prédio do Parlamento estão três estátuas, obra de um artista suíço, do cantão de Vaud, Rodo de Niederhäusern, que simbolizam a independência política (ao meio), o poder executivo (à esquerda) e o poder legislativo (à direita). Cada outra estátua que se vê são obras de artistas suíços e têm todas um significado forte. Olhando de fora, mesmo sem saber de nada disso, dá pra perceber que se trata de algo bem importante.
Então para entender melhor sobre o significado do Parlamento, o que acontece ali e pra ver de fato o interior daquele prédio colossal, eu me interessei em procurar saber, e descobri que existem visitas guiadas ao interior do palácio. As visitas são de graça e acontecem quando os políticos não estão em sessão obviamente, e em dias alternados, em diversos idiomas, veja aqui os detalhes. A busca é grande, então vale a pena se informar de antemão e se preciso, agendar com antecedência, pois os grupos não são grandes.
Eu tive a sorte de conseguir uma vaguinha no tour organizado pela Deborah Biermann, uma tradutora e intérprete aqui de Berna, que é responsável pelo Brasil Infos, uma plataforma informativa com forum e dicas interessantes para a comunidade Brasileira. Eu, apesar do meu envolvimento quase nulo na comunidade brasileira aqui, me inscrevi para receber emails com as notícias da comunidade e foi assim que fiquei sabendo de tal acontecimento. Então o tour dura 1 hora e o que eu fui era com a guia do próprio Parlamento em Alemão e a Deborah traduzindo para Português, o que foi ótimo.
Para entrar, é preciso deixar algum documento oficial na recepção e entrar com um crachá, passar por revista de segurança, como num aeroporto. Tem espaço para deixar casacos, armários para guardar bolsas, o que é ótimo para fazer o tour tranquila, sem ter que ficar segurando tudo.
A gente entra pela traseira do edifício que contempla um terraço com vista para os alpes, e o tour começa no hall principal, antiga entrada principal, no centro do prédio, na sala da cúpula, onde ficamos exatamente embaixo da cúpula principal, que se vê de fora. Uma seguidora comentou no Instagram que já fez esse tour e não sabia nem pra onde olhar, e olha, é esse o sentimento. A sala da cúpula tem a forma de uma cruz (da cruz suíça) e tem várias referências simbólicas à história da Suíça. A escadaria principal nos traz ao centro, onde está o grupo de estátuas dos "Três Confederados", essa da foto acima, obra de James André Vibert, natural de Genebra, que merece uma explicação. Os três confederados são Walther Fürst do cantão de Uri, Werner Stauffacher do cantão de Schwyz e Arnold von Melchtal do cantão de Unterwalden, e eles personificam o Juramento do Rütli de 1291, mito importantíssimo na história suíça, pois sugere a fundação da Suíça. Sim, porque a Suíça não foi descoberta, foi fundada. Essa estátua inteira pesa 24 toneladas e você imagine uma estátua desse tamanho ali dentro de um prédio.
Igualmente da autoria do mesmo artista, estão quatro outras estátuas de soldados em cada pilar da escadaria, como se fossem a guarda dos Três Confederados, e eles representam as quatro partes do país, bem como as quatro regiões linguísticas: de um lado está o soldado representando a parte alemã da Suíça (63%), do outro a Suíça francesa (20%), mais atrás a Suíça romanche (0.5%) e do lado atrás também está a Suíça italiana, ou o Ticino (6.5%). As duas fotos acima são dois desses soldados guardiões.
De onde eu estava agora quando tirei as fotos dos guardiões, se você olha para cima, vai ver quatro vitrais também pintados por artistas suíços, e eles representam as quatro atividades econômicas em quatro regiões representadas pelos pontos cardeais, ou indústrias principais da Suíça, na ocasião da inauguração do prédio em 1902. As fotos acima são desses vitrais. De um lado a indústria textil da região do lago de Zurique, de outro o comércio e os transportes as margens do rio Reno na região de Basel, depois a indústria metalúrgica nas colinas de Jura e por último a agricultura junto ao maciço do Jungfrau nos Alpes Bernenses.
Tudo é muito lindo e muito detalhado, mas o centro mesmo da cúpula de vidro, está a cruz suíça, obra do atelier inglês do cantão de Neuchâtel, Clement Heaton, com a inscrição em latim "Unus pro omnibus - Omnes pro uno", que significa "Um por todos - Todos por um", pois ao redor estão todos os brasões de todos os cantões da Suíça, e o lema vale para os cantões que apesar de terem suas próprias leis e regras, funcionam todos em prol de uma Suíça unida. Nesse vitral dos brasões não está o brasão do cantão de Jura, este se encontra um pouco mais abaixo, sozinho, pois o cantão foi fundado apenas em 1978, quando este teto já estava pronto lá no palácio Federal, e ao invés de destruírem o mosaico para fazerem um novo inserindo o brasão do novo cantão na época, decidiram por deixar como está e deixar o brasão de Jura abaixo separado mesmo, pois foi assim que a história aconteceu e deve ser lembrada, Jura veio depois.
O Parlamento suíço é composto por duas câmaras que têm a mesma competência: o Conselho do Estado, composto por 46 deputados que representam os cantões, e o Conselho Nacional, composto por 200 membros, que representa o povo suíço. Os membros dos Conselhos são eleitos pelo povo para um mandato de quatro anos. Nós visitamos as duas câmaras e foi sensacional sentar ali no lugar onde as leis da Suíça são elaboradas. A primeira sala que visitamos foi a sala menor, a do Conselho do Estado, que tem uma pintura enorme de artistas suíços de Zurique e de Basel, e representa a comunidade rural no cantão de Nidwalden no século 18. As fotos abaixo são dessa sala.
A comunidade rural é a forma original da democracia direta suíça, com uma votação a céu aberto, que aliás exige até hoje nos cantões de Appenzell, Innerrhodel e Glarus, onde as pessoas votam levantando o braço. Na pintura porém só se vêem homens participando da votação, pois na Suíça mulheres tiveram o direito de votar apenas a partir de 1971, extremamente tarde para padrões europeus.
As fotos acima são da sala do Conselho Nacional que é bem maior que a anterior e o quadro magnífico que está lá na frente é obra do artista de Genebra, Charles Giron, que ilustra uma vista ao Lago dos Quatro Cantões, mostrando o "berço" da confederação, onde supostamente aconteceu ali o juramento de Rütli, que eu comentei mais pra cima.
Nesta sala está também a estátua à esquerda do quadro de Guilherme Tell, herói nacional, símbolo da liberdade política e da ação, obra do artista do Ticino, Antonio Chiattone. E do outro lado, à direita, obra do irmão do autor anterior, está representada Gertrud Stauffacher, símbolo da racionalidade. Ela era esposa de um dos Três Confederados, que falei acima, da estátua no hall principal, e acredita-se que tenha sido ela a sugerir que as aldeias dos vales de Uri, Schwyz e Unterwalden viessem a se unir numa aliança, formando assim a Suíça. Se for assim, ela é a verdadeira responsável pela fundação da Suíça em 1291.
Durante o tour, a guia explicou como acontecem as votações entre os conselheiros, que até pouco tempo não eram eletrônicas. Hoje em dia a mobília de antigamente foi adaptada e onde ficavam originalmente, os tinteiros, hoje está um pequeno painel com botões para votação. As sessões dos Conselhos são abertas ao público, acima estão cadeiras e bancadas onde a população pode assistir votações, discussões, etc. e assim participar mais da política do país.
O Governo Suíço é composto por sete Conselheiros Federais, que são representados por vários partidos políticos, de esquerda e de direita. Os membros do Conselho não estão organizados em hierarquia entre si, cada um é responsável por um ministério. Os Conselheiros Federais são eleitos pela Assembleia Federal (ambas as câmaras) para um mandato de quatro anos também, porém todos os anos ocorre uma eleição de um Conselheiro que virá a ocupar o cargo de Presidente Federal nos próximos doze meses. Este preside as reuniões semanais do governo e assume a representação oficial do país em eventos no exterior, não é como no Brasil por exemplo que a voz do presidente é soberana.
Atrás da sala do Conselho está a Wandelhalle, um hall comprido conhecido como a Sala dos Passos Perdidos com 44 metros de comprimento, e é ali onde os membros dos Conselhos discutem e reúnem-se durante as sessões e recebem visitas oficiais de outros países. Dizem as más línguas que a política de fato é feita ali. Neste hall há janelas e uma bancada com vista privilegiada para o Gurten, o Marzili, sem dúvida uma vantagem trabalhar por ali.
Visitar o Parlamento foi uma experiência incrível, inesquecível, todos deveriam reservar uma visita para conhecer mais da história do país. É mais que visitar um museu. E como a Suíça não foi atacada nas guerras mundiais, toda a decoração de dentro do Palácio Federal é original. Claro, com ajuda de renovações, modernizações e muitos investimentos para manter tudo no alto padrão de sempre, sem perder a tradição, preservando sua história. Há tours também em Espanhol, para quem preferir. O tour com tradução para Português é organizado duas vezes por ano, o próximo será em Novembro. Basta ficar de olho nas informações do Brasil Infos.
A Déborah ainda me apresentou este vídeo sensacional esclarecendo como funciona o Parlamento, mostrando tudo o que vimos no interior e tudo mais. Há uma versão para cada idioma, mas eu estou postando aqui a versão em Inglês, pois acho mais fácil mais pessoas entenderem, do que em Alemão.

A Suíça pode não ser um país tão conhecido pela sua história e personalidades que a construíram, mas sua história deveria ser conhecida e mais apreciada. A Suíça é muito mais que clichês de neve, chocolates e queijos. Fica aqui portanto o relato da minha experiência da visita ao interior do Parlamento, e o registro de um pouquinho de história, como minha contribuição à divulgação da cultura desse país que é minha casa há quase 7 anos, e que eu tanto adoro.

19 fevereiro 2016

Rio 2016

Não, não são as olimpíadas. Foram minhas férias no Brasil. Passei as festas de fim de ano de 2015 em Paris  com amigos e não fui ao Brasil festejar com a família. Resolvi ir em Janeiro e passar o aniversário de 11 anos da minha sobrinha por lá, fazer diferente, já que não comemorava o aniversário dela perto dela há muitos anos. Achei que seria uma boa ideia tanto por, por um lado passar um Natal diferente em Paris com amigos, e por outro, pela minha sobrinha pelo aniversário dela, e também pelo Edi, por poder ver como é a comemoração de um aniversário no Brasil.


Já passamos (eu e o Edi) 2 Natais no Brasil e pretendo ainda passar outros, mas esse ano simplesmente foi diferente. Alem do que, como é exorbitante a diferença de preço dos vôos em Dezembro e em Janeiro! Uma economia sempre vai bem, não é mesmo? Então juntou tudo e compensou fazer diferente este ano. Dessa vez voamos para o Rio de Zurique via Londres pela British Airways e tudo saiu por 1300 francos, eu e o Edi! Muito mais barato do que se fosse em Dezembro, pela TAP.


O vôo Londres-Rio, assim como foi Zurique-São Paulo que também já fiz uma vez pela Swiss, é mega cansativo. 11 horas e meia num avião é um teste de resistência onde não há opção a não ser vencer, não tem pra onde ir, não dá pra desistir. Voamos de classe econômica e o vôo da ida foi tenso. O avião é diferente do que eu estava acostumada a viajar com o Edi pela TAP. Sei lá, menos espaço, poltronas mais estreitas e o Edi não estava cansado... Dormiu apenas 2 horinhas, o resto todo do tempo foi pra lá e pra cá, fazendo atividades, desenhando, conversando, comendo, assistindo desenhos no iPad, correndo no corredor, enfim. Foi puxado.

Já a volta foi muuuuito melhor porque o vôo foi de madrugada, Edi estava mega cansado e dormiu o vôo Rio-Londres inteiro, e eu tirei uns cochilos, até consegui assistir metade de um filme! E ainda consegui reservar um lugar privilegiado com apenas duas poltronas, mesmo na classe econômica, o que é mil vezes melhor do que viajar com um "estranho" do seu lado a quem toda hora você tem que pedir licença pra se levantar.

Enfim. Apenas detalhes. O que importava mesmo era a viagem em si. O Rio, o reencontro com minha família, o descanso, o contato do Edi com o Brasil, enfim, as férias em si. Feliz ou infelizmente quando eu cheguei começou uma onda de chuva de verão no Rio que durou 10 dias o que me impediu de ir tirar o mofo na praia assim que eu cheguei, o que era minha vontade. Por mim eu ia direto do aeroporto pra praia! Ok, não, talvez eu tivesse que dormir antes pra compensar o cansaço da viagem. Bem eu tive que ficar em casa ou em lugares fechados por vários dias. Porém eu disse felizmente também porque pelo menos assim o calor não foi tão horrendo como da vez anterior que estivemos no Rio e o calorão de 40 graus deixou até o Edi com a pele toda irritada.


Bom, tudo demais é ruim ne? Dessa vez foi diferente mas era só a chuva dar uma trégua que eu fazia um "esforço" e ia ali na praia de Copacabana encher minha alma de energia e meu corpo de vitamina D. Como eu sinto falta do sol, de ver o mar e daquela espontaneidade que se vê de sobra na praia... ah se na Suíça tivesse isso seria o melhor lugar do mundo para se viver... ainda bem que posso ir lá me renovar para mais uma temporada por aqui. O Edi ainda tem medo do mar assim no início, assim que chega. Mas é só a onda vir umas 3, 4 vezes que pronto, ele já quer descer do colo e ir lá correr atrás da onda. Depois o difícil é voltar pra areia. Mas também é só voltar que a brincadeira na areia também não termina nunca hahahaha... Nos divertimos muito.



Fora a praia, as férias foram de poucas atividades extraordinárias e passeios pra cima e pra baixo como minhas férias normalmente costumam ser. Os passeios que fizemos foram só nos arredores como forte de Copacabana, clube, shopping, nada de mais, só pra apreciar a vista linda do Rio, curtir e descansar.

E, claro, finalmente, curtir o aniversário da minha sobrinha de perto. Acho que Edi foi o que mais curtiu. Quem me acompanha no Snapchat (elaeamericana) viu o quanto ele dançou e se divertiu, meu Deus, no fim da festa tava todo suado e exausto! Foi a primeira vez que Edi comemorou uma festinha de aniversário a la Brasil com música alta, gente animada dançando, DJ, ah foi muito legal!

Aproveitamos pra curtir o tempo em casa mesmo, dormir, ver televisão, Edi brincar com a prima que caso contrário só fala por Skype, ir ao teatrinho de crianças e Edi ver "Alladin" em Português, ver familiares, amigos que não via há muito tempo, jogar conversa fora no boteco, comer comida da boa e aproveitar o tempo restante pra não fazer nada, coisa que eu não faço nunca.
Graças a Deus dessa vez não tive nenhuma surpresa desagradável, como da outra vez que "perdi" meu celular, aliás, vi aqui no arquivo do blog e nem fiz post da primeira vez que o Edi esteve no Rio em 2014, acho que de tão chateada que fiquei com essa história do meu telefone. A primeira viagem foi meio estressante, como eu disse, Edi ficou com muita brotoeja na pele por causa do calorão e eu terminei nem falando dessa viagem aqui, que foi até quando fomos também a Santa Catarina, no Beto Carreiro. Que pena, merecia um post. Vou ver se ainda faço.

Dessa vez São Pedro preparou uma recepção diferente pra gente e só a chuva mesmo pra esfriar um pouco o clima tropical do Rio e não deixar a gente passar pelo aperreio que foi a primeira viagem de novo. Cada lado tem sua vantagem e desvantagem. Foi bom assim. Deu pra renovar um pouco as energias e voltar para a continuação do inverno suíço que como sempre não tem sido muito fácil.