31 julho 2011

Turquia

A verdade é que eu também enrolei um pouquinho pra escrever sobre a Turquia. Li tanta coisa e a medida que eu lia, queria correr pro PC pra escrever pra não perder aquela frase. Isso aconteceu tantas vezes até mesmo antes da viagem acontecer, que eu tive que me disciplinar e parar com isso de uma vez senão eu não conseguia ler 2 parágrafos. Então li, estudei, vi as fotos sem me preocupar, curti muito tudo, e depois quando fosse escrever, era problema meu resgatar o máximo que conseguir e tentar registrar aqui. E então aqui estou eu.
Nem quando eu fui a Berlin pela 2a vez no início do ano isso aconteceu, apesar da riquíssima história que a Alemanha tem. Mas não sei o que foi, a Turquia e a sua história me pegaram de um jeito que eu não sei explicar. Muito fascinante. Talvez eu tenha é ficado boba de só agora ter me ligado nesse país tão bonito e interessante e queria meio que recuperar o tempo perdido tentando sugar o máximo que eu podia de aprendizado daquele lugar.
Foi música, livro, guia de viagem, blogs, artigos na internet. Li tudo que consegui no tempo que me restou até antes de partir, e mergulhei o quanto pude pra chegar lá preparada pro que eu ia ver.  Eu "me dei" de presente essa viagem a Istanbul de aniversário, e não poderia ter escolhido presente melhor!

"Istanbul, que já foi Bizâncio e, mais adiante, Constantinopla, é uma cidade de encanto e magia, dividida entre a Europa e o extremo ocidente do continente asiático". Olha, eu vou puxar várias linhas do livro Istanbul que falei 2 posts atrás, já vou avisando logo, porque o livro, digo e repito, é muito muito muito bom!
A Turquia é uma democracia parlamentar laica. Em 2004, iniciou uma campanha para ingressar na Comunidade Europeia, o que exigiu emendas constitucionais e uma revisão na política de direitos humanos. A Turquia ainda não faz parte da UE. Tem 71 milhões de habitantes e 99% da população é muçulmana, apesar de não ser rígido como em outros países.

Pela Turquia já passaram tantos povos e raças, que é inegável as marcas da diversidade e universalismo que são visíveis até hoje. Istanbul não é a capital, a capital do país é Ankara. Istanbul é uma cidade majestosa, diferente de todas as impressões contemporâneas em cidades que eu passei até hoje. Foi escolhida como capital da cultura europeia em 2010, muito merecidamente. A cidade tem uma infra-estrutura revitalizada para acolher o turismo que cresce muito fortemente.
A Turquia conserva qualquer coisa de antiga, e qualquer coisa de metrópole cosmopolita. "O Bósforo une os dois continente mais antigos do mundo em uma fascinante aliança de civilizações". A Turquia é contagiante, é encantadora, é caótica e esplêndida. É o país muçulmano mais liberal que existe na face da terra, e o regime mais aberto para com seus povos é refletido em cada aspecto- nas pessoas, nas ruas, na arquitetura, nos famosos mercados. Esses conflitos que aconteceram no Egito recentemente clamando a queda de seu governo, na Líbia e em outros países muçulmanos, tudo aconteceu na Turquia há um tempo atrás. A Turquia é o estado de liberalismo muçulmano que os outros países querem alcançar e aqssim se desconectarem de tanta repressão.

Andando por Istanbul, percebi muitas e muitas mulheres de burca, e minha guia me explicou que elas não eram turcas. Eu fui a Istanbul no auge do verão, meio de julho, poucas semanas antes de começar o Ramadan, que não só é a época de jejum para os muçulmanos, mas é época de prática intensiva de valores - paciência, renovação de fé, purificação espiritual, aproximação de Deus e abandono de más condutas. O Ramadan é o quarto pilar do Islã e obrigatório a todo muçulmano. Os muçulmanos passarão o mês de agosto inteiro no Ramadan e é um período difícil, de muita dedicação e sacrifícios, então muitos aproveitavam o finzinho das férias antes do Ramadan, e por isso havia tantos muçulmanos e mulheres de burca em Istanbul, vindo provavelmente do Irã, do Egito, etc.
A viagem a Istanbul, ou talvez a Turquia inteira, deve ser feita por aqueles que gostam de viver a viagem, e não somente ir lá perambular. Por isso fiz tanta questão desse bafafá todo. Depois que quebrei barreiras de medo de viajar só com o marco da ida a Israel, a maior dificuldade que tenho agora é definir prioridades de onde ir e organizar toda essa euforia de conhecer os cantos. Países islâmicos sempre me amedrontaram, mas minha vontade de conhecer e explorar novas culturas finalmente venceu e agora eu só preciso é organizar tudo muito bem antes de partir. E assim foi com a Turquia. Apesar de ter sido um mísero fim de semana e só ter conhecido Istanbul (tem muuuuuuuuuito mais coisa pra se ver na Turquia), eu pude viver tanto e tão bem a viagem e deu tudo tão certo, que cada vez mais me realizo nessas viagens que faço.
Muita gente já comentou aqui que sente essa vibração nos meus relatos de viagem, e voces não poderiam estar mais certos. Ora, como eu poderia deixar de ir, deixar de conhecer essa magnífica cidade? Estou aqui tão perto, tão no centro do mundo podendo alcançar tantas coisas. Pode ser que amanhã eu não esteja mais aqui, não more mais aqui, e aí vou sentir não ter feito o que gostaria de ter feito. O livro de Dalal e Katia que falei acima diz que a primeira viagem a Istanbul é apenas uma introdução, uma pequena amostragem histórica do país. Porém, nesse primeiro contato já é possível perceber a atmosfera que envolve a cidade, constatar a simpatia e a simplicidade do povo, provar as delícias culinárias, apreciar os belíssimos parques e construções históricas, maravilhar-se com a grandeza e opulência de seus museus, palácios e mesquitas, e ainda vivenciar o misterioso encanto dos bazares e mercados espalhados pela cidade.




Istanbul é um centro financeiro e econômico importante no mundo de hoje. A vida noturna é surpreendente. A cultura é incalculável. A viagem a Turquia ultrapassa todas as expectativas de um turista, tenho certeza. O consumo de aprendizado é muito grande porque a história turca é muito impressionante e rica. Ah, e não confunda turco com árabe. Fui falar árabe ao invés de turco com meu guia, e ele me deu uma bronca de leve. Na realidade, os árabes e turcos só têm em comum a religião muçulmana. Os turcos têm raízes distintas, a língua é diferente, enfim. Tenho muito mais para contar sobre Istanbul, e conto no próximo post!

"Conhecer os hábitos e costumes de um povo permite que compreendamos e apreciemos suas qualidades e reconheçamos sua contribuição no desenvolvimento de nossa civilização. Este saber amplia nossa visão do mundo e valoriza o papel das diferentes nações. A comparação entre os hábitos, convenções sociais, relações familiares, saneamento, higiene e cuidados com o corpo nos deixa perceber os diferentes estágios na evolução dos povos de uma mesma época."

30 julho 2011

Feito uma condenada

É, sabe aquele dizer popular? Trabalhando feito uma condenada. Pois é...

Mas calma! Eu não estou reclamando! Eu acho bom! Fico exausta, é verdade, mas não acho ruim não. O que eu acho ruim é não dar conta de fazer tudo nas pequenas 24 horas que o dia tem.

Aí consequentemente, o blog fica largado, o tempo passa e as coisas não páram de acontecer... Eu adoro esse blog, e não gosto de deixá-lo muitos dias seguidos sem nenhuma palavra nova. Mas só ontem que fui baixar as fotos da Turquia, a viagem maravilhosa que fiz no fim de semana passado.

Trabalhei muito a semana inteira, claro. E a noite ainda esticava aqui e acolá, e apesar de ontem ter trabalhado de casa (o que às vezes é simplesmente perfeito, porque sexta estou só o caco e quando dá pra fazer home office, eu jogo as mãos pro céu!!!), hoje tive ainda que pegar no batente e ainda tive que ir ao aeroporto buscar a indiana do meu time que chegou!

Depois de muito tempo planejando a vinda dela, chegou o dia, e eu não ia deixar a pobre desembarcar em Zurique sozinha, ne, pegar o trem pra Berna e achar o hotel dela por conta própria, depois de ter sido eu que organizei a viagem dela inteira e lutei tanto pra ela vir passar essas 3 semanas aqui pra me ajudar e ajudar ao time. Principalmente porque era a primeira vez que ela botava o pé fora da Índia! Imagina o choque, o trauma se desse alguma coisa errada! Não não não, responsabilidade minha, eu assumo!

Fiquei lá 45 minutos segurando um papel com o nome dela no desembarque do aeroporto, no vôo que vinha de Dubai, e quando eu quase estava distraída com tantas variações de pessoas que saíam daquela porta, ela apareceu. Aí fui explicando tim tim por tim tim tudo que ela precisava saber, como comprar bilhete, como funcionam os transportes, um briefing da Suíça, da rotina do trabalho por aqui, entreguei telefone, tudo que ela vai usar aqui, fui no supermercado com ela pra ela comprar coisas básicas pra ficar no hotel com ela e a entreguei ao hotel sã e salva como deve ser. Claro que eu não tava esperando nada em troca, só estava fazendo meu trabalho, mas terminei ganhando um presente de aniversário atrasado: um elefante carregando marajás da Índia! Que lindo, eu adorei!!!! Já para entrar no clima da Índia para Outubro! Uau!!! Aliás, to do list já atrasada: correr atrás do visto pra Índia!!!!

Desde que aumentei o time da Índia e agora tenho um time de 4 pessoas lá e 1 aqui na Suíça, que tenho recebido ainda mais responsabilidades do meu supervisor. Estimativa de esforço, mais um projeto, relatórios importantes, coisas que eu antes nunca tinha feito. E consequentemente, gente no meu pé botando pressão também. Gosto muito do meu trabalho, mas é claro, nunca é 100% perfeito. Como isso aqui é um lugar público, eu prefiro parar por aqui mesmo, e só dizer que estou muito satisfeita com o que to fazendo, com o que to realizando e a parte chata eu deixo pra lá, porque no fundo nem é tão chato assim também. Digamos, faz parte.

A vinda dessa indiana é um marco na minha carreira. Em 3 semanas, preciso coloca-la a par de muitas coisas para que possa delegar algumas coisas a ela e ela possa me ajudar remotamente e desafogar um pouco a pressão aqui. Muito trabalho pela frente.

Segunda-feira aqui é feriado, dia de fundação da Suíça. E eu pela primeira vez em muitos feriados não estou viajando por causa da chegada dela. Nunca que eu ia curtir tranquila uma viagem sabendo que uma pessoa está se deslocando a trabalho sob um pedido meu, enfrentando várias dificuldades num país estranho, idioma, etc. enquanto eu to lá passeando. Simplesmente não ia rolar aquele mood. Enfim. Aproveito também pra dar uma organizada na casa que já tava precisando, e fazer trabalhos de dona de casa, que eu não tenho empregada e ninguém lava minha roupa ne.

Mas eu prometo que os posts da Turquia vão sair já já.

Pra fechar, uma musiquinha que não sai da minha cabeça!

22 julho 2011

Para entrar no clima da Turquia!

Estou indo já já para o aeroporto!
Meu presente de aniversário é esse esperado fim de semana em Istanbul.
Há um mês comprei o guia da Lonely Planet de Istanbul, comecei a ler, pesquisar passagens e possibilidades, e conhecer mais sobre a cultura do país, já entrando no clima. Porque pra mim isso já faz parte da viagem - a preparação, as leituras, o conhecimento, o background que voce vai adquirindo pra chegar na ponta da agulha e sentir onde voce esta pisando, eu A-DO-RO!!! Mas o que realmente blew my mind e me deu aquele estalo assim de CARACA TO DOIDA PRA CONHECER A TURQUIA! foi o livro que minha mãe mandou pra mim, Istambul Uma Cidade Fascinante, da Guia Addresses. Eu nem conheço essa editora nem nunca ouvi falar nesses autores, mas eu comecei a ler como quem não quer nada e não consegui mais parar! Cheguei no trabalho de manhã vários dias com olheira porque fiquei lendo até tarde no dia anterior. É realmente fascinante a história, todos os acontecimentos e povos que atravessaram Constantinopla, a sucessão de fatos e eu não vejo a hora de ver o resultado com meus próprios olhos! Só ouvi coisas boas de quem já foi lá e a previsão do tempo também parece que está cooperando muito com meu presente de aniversário.

É óbvio que vou tentar escrever mais aqui da melhor maneira que puder e tentar passar um pouquinho desse fascínio todo que estou, quando eu voltar, com fotos e histórias pra contar. Espero muito que a impressão continue boa.

Por enquanto, uma musiquinha turca para animar que eu já ouvi tanto das últimas semanas pra cá, que só falta eu aprender turco pra entender o que ela tá dizendo!

21 julho 2011

Um dia como outro qualquer

Ontem eu fiz 29 anos. Não tem pra que esconder ne?! O dia começou cedo. 5:30 da manhã meu telefone tocou e era meu primo que mora nos EUA ligando pra me dar parabéns. Lá 11:30 da noite, aqui 5:30 da manhã. Lindo. Eu achei ótimo ele ligar mas fiquei falando no telefone de olho fechado.

Depois eu já tava acordada mesmo e fui me arrumar pra ir trabalhar. Tomei banho, andei com Juca e peguei 2 ônibus pra chegar ao trabalho, trabalhei em Berna mesmo ontem.

Cheguei lá, só algumas pessoas sabiam que era meu aniversário. Antes de ontem foi maior stress com umas reuniões que tivemos e eu fiquei brincando que era meu presente de aniversário. Quem tava lá e ouviu, sabia que ontem era meu niver. Então vieram falar comigo e ficaram perguntando o que eu tava fazendo lá no dia do meu aniversário. É, ne. Tá bom.

Meu time da India me mandou um cartão lindo, passei o dia recebendo mensagens, emails, recados no Facebook, Twitter, celular e algumas ligações. Tinha também que me concentrar nas minhas atividades, algumas pessoas tavam se lixando que era meu aniversário e continuavam mandando brasa. Tá certo, ué, fazer o que, pra todo mundo ontem foi um dia como outro qualquer.

Eram 10 para as 6 da tarde e eu ainda estava lá no trabalho, começando a ficar com dor de cabeça já. Tomei uma neosaldina e saí, fui pra rua comprar uma torta. Tava nublado. Aliás, o clima aqui esses dias nem parece verão.

Tinha marcado com uns amigos de ir a um restaurante, o Schwellenmätteli, pra comemorar meu niver. Aquela coisa, só pra não passar em branco, e só umas pessoas que eu já conheço há mais tempo. O Schwellenmätteli tem uma concorrência desleal com outros lugares aqui de Berna - tem uma paisagem privilegiada e sem igual. Quando faz sol, é imbatível. Ontem, estava fresco, mas ainda assim muito agradável.
Fui direto do trabalho mesmo. Aliás, todo mundo. Plena quarta-feira, 7 horas da "noite", todo mundo só pode estar vindo do trabalho mesmo, tinha ninguém de férias.

Mas o que eu achei um barato foi ver a consideração dos caras que trabalharam comigo no meu emprego anterior que agora trabalham e moram em Lausanne, que é a mais de 1 hora de Berna, todos aparecerem lá! Teve um que veio de ainda mais longe que isso!
Meu último emprego pode ter tido várias desvantagens, mas uma grande vantagem foi ter conhecido esse pessoal. Lá mesmo no bureau, só restam ainda uns 4, o resto tudo também como eu já mudou também de emprego ou está com data marcada para sair.

Apesar desse grande fluxo, não perdemos contato. Até um que saiu há quase 1 ano continua na turma, sempre nos comunicamos de uma forma ou de outra. Já fazia um tempo que queríamos marcar alguma coisa mas é sempre tão difícil arrumar um dia que todo mundo possa, todo mundo concorde, etc etc e tal, e às vezes marcamos e um vai, o outro não, depois o outro pode, o um não, e por aí vai.
As bebidas eram por minha conta. Em compensação, ganhei presentes e "ganhei" meu jantar. Depois do apero, saímos do terraço até porque também tava começando a esfriar ne, voce sabe, verão na Europa é fajuto mesmo. E fomos pro interior do restaurante, para a parte "séria" da coisa.
Muuuuito séria como voce pode ver!
Muito assunto pra botar em dia, muitos papos, muitas histórias, fofocas e lembranças da época que trabalhávamos juntos e passávamos o dia inteiro juntos compartilhando stresses, trabalhos, café da manhã, almoço e horas legais.
Não estava com ninguém da minha nacionalidade, é verdade. Também não tinha ninguém da minha família, meus amigos que me conhecem no Brasil de ponta a cabeça, nada. Claro, faz falta. O idioma era outro. Mas minha vida agora é outra, e eu terminei comemorando muito bem comemorado esse meu aniversário viu. Estou entrando no 3o ano de Suíça, 3o aniversário longe do Brasil. O primeiro fazia 2 semanas que eu tinha chegado a Suíça. O segundo, ano passado, estava em Paris com meus avós e minha mãe, naquela incrível viagem pela França que fizemos. E agora o terceiro, não deixou muito a desejar não... eu adorei a farrinha!
E olha, o bolo que eu comprei foi uma bela de uma surpresa de tão gostoso!
Não tenho do que reclamar. Foi muuuito legal!
Depois ainda cheguei em casa e fui ler os tantos recados que recebi durante o dia que só me deixaram mais contente, apesar de morta de cansada que eu tava, afinal acordei 5:30 da manhã neam.

Agora o meu presente para mim ainda vai acontecer! Amanhã! Ou melhor, começa amanhã! Quando eu embarco para conhecer a Turquia!

Obrigada aos tantos recadinhos legais que recebi aqui no blog de gente que nem conheço pessoalmente e acompanham tão de pertinho a minha vida e o que eu escrevo aqui. Aos emails no email do blog, twitter. Obrigada, merci, grazie, gracias, thank you, danke schön!!!!!

20 julho 2011

29

Voce faz o que tem que fazer para sobreviver, certo? As vezes voce nem sabe direito pra onde tá indo ou o que quer da vida, simplesmente sobrevive às situações e faz o que acha certo, às vezes por instinto para viver bem da melhor maneira que pode. Certo?

Voce cresce, percebe que o mundo não é tão fácil como era há alguns anos atrás. Antes, sua maior preocupação era passar em Química e conversar com aquele garoto bonitinho da sua sala. Suas horas de folga eram pra escutar música, aprender Inglês, tentar convencer a sua mãe que todo mundo que voce conhece vai aquela festa então voce também tem que ir. O tempo passa, as pessoas mudam, se mudam, voce também muda.

Voce tem que procurar um curso pra fazer na universidade, voce tem que passar no vestibular, voce tem que entender que danado é POO, quer arrumar um estágio.

Sua familia se muda, voce começa a morar só, encontra um estágio, o que voce ganha não paga nem o combustível, muito menos seu aluguel.

Voce tá indo, mas não sabe direito pra onde. Vai tomando pequenas decisões, fazendo pequenas escolhas e sem saber vai traçando seu caminho, e construindo sua própria personalidade.

Se sente meio perdida ainda com muita frequência, é verdade. Imita umas coisas ou outras que vê por aí que acha legal, se identifica com várias coisas e se sente sem identidade. Para onde voce ta indo? Onde voce vai estar daqui a 5 anos?

Aí aparece um cara legal, voce começa a namorar sério, tá tudo ótimo por enquanto, apesar das provas loucas de Computação Gráfica e as contas de celular aumentando.

Aí o cara apronta várias, voce se decepciona, jura que nunca mais vai se envolver com ninguém, até 4 meses depois conhecer outro e ficar noiva. Pronto, agora vai, voce finalmente se encontrou. Ou melhor, encontrou uma base pra se encostar e alguém pra tomar as decisões por voce.

Mas não, peraí, voce ainda gosta de fazer várias coisas e tem vários planos pra sua vida e quer tomar as próprias decisões, afinal a vida é só sua e é voce que tem que vivê-la todos os dias. Então vê seus amigos casando, outras engravidando, e outras coisas ao seu redor que antes não tinha prestado atenção. Gente, como voce ainda não conhecia as músicas do Queen e nunca tinha lido nenhum livro de Nietzsche?

Voce ainda procura sobreviver no meio de tantas escolhas sérias e reza para que esteja tomando as decisões certas, diante de tantas alternativas. Voce podia enrolar aqui e acolá mas não, voce faz o que acha certo, quer fazer direito, e ainda se mantendo fiel aos seus valores, às suas intuições, às suas afinidades. Voce cresce.

Ah, mas como é dificil. Os caras continuam pisando na bola, uns parecem que nasceram ontem, e voce às vezes cansa de algumas coisas, mas ainda acha ótimo juntar 15 amigas pra sair a noite e ainda sonha em tirar uma foto na Torre Eiffel.

Mas como sobreviver às dores, às perdas? A gente enfraquece e se fortalece em outras coisas, e só percebe depois. O caminho parece ser longo, então voce precisa aproveitar a caminhada. Precisa se adaptar, se defender de ataques, como voce tinha visto há muito tempo nas aulas de Ciências - o bicho precisa se adaptar ao meio ambiente em que vive, senão morre.

Muitas coisas nos levam a muitos lugares. Mas poucas coisas fazem voce permanecer. É difícil falar de coisas abstratas, mas são elas que nos guiam e nos fazem permanecer fiéis, fortes, firmes, sólidos. A educação que voce tem, os valores que voce aprende, as amizades que cultiva, os amores que vive, as lições no trabalho, tudo te faz ser quem voce é, unica e exclusivamente no mundo. Só tem voce como voce.
Hoje que faz 10 anos que tirei essa foto, em Recife, no meu aniversário de 19 anos, quando fazia só 1 ano que eu tinha chegado naquela cidade, eu, minha mãe e minha irmã tentávamos recomeçar depois de um grande baque e uns amigos que eu conheci no colégio foram a minha festa, eu posso ver o quanto eu andei de lá pra cá. E que boa essa caminhada. Viveria tudo de novo!

Obrigada, meu Deus. Obrigada aos meus pais.

Parabéns pra mim!

18 julho 2011

Se fosse fácil não tinha graça

Depois de tanta festa e tanta viagem, vamos falar de trabalho!
O trabalho como vai? Vai muito bem, obrigada! Aliás, graças a Deus! Eu digo e repito: a melhor coisa que eu fiz foi trocar de emprego, a melhor coisa que eu fiz foi trocar de emprego, a melhor coisa que eu fiz foi trocar de emprego, a melhor coisa que eu fiz foi trocar de emprego, a melhor coisa que eu fiz foi trocar de emprego!!!!!

Meu emprego novo - que aliás, chega, ne, não é mais tão novo assim, 4 meses, já até acabou o período probatório - é ótimo, estou adorando! Aliás, é a principal razão que me trouxe a Suíça, tinha que ser mesmo algo que me motivasse. E olha, está sendo.

Já comentei aqui várias vezes sobre o progresso, e eu sinceramente não tenho do que reclamar. É um trabalho muito dinâmico, essa história de trabalhar em Berna e em Zurique eu adoro, não é nunca aquela coisa monótona de passar o dia sentada numa sala fechada, sabe. Tenho reuniões, participo de decisões importantes, me sinto valorizada e minha opinião é necessária, é ouvida. Eu estudei tanto, sei o que eu tô fazendo.

Bom, a empresa é originalmente americana, mas tem escritórios na Europa, na Ásia, na Oceania. E aqui na Europa anda com as próprias pernas. Aqui na Suíça, nossas regras andam muito ligadas as da Alemanha e as da Inglaterra ainda, mas estamos crescendo. Eu comecei participando de um projeto para um cliente, que é uma mega empresa aqui na Suíça. Comecei já com uma responsabilidade grande que era pegar um projeto do zero, e aumentar a qualidade do sistema que tem mudanças todo mês. Ou seja, todo mês temos novas funcionalidades num sistema que precisam estar funcionando o mais perto possível de 100%. E eu sou responsável por assegurar que isto aconteça. É todo um processo.

Com a saída de um colega, "ganhei" mais um projeto e mais responsabilidades de presente pela minha efetivação (fim do período probatório de 3 meses). O novo projeto já está em andamento e é um desafio maior ainda, pois vc tem que pegar o bonde andando e se adaptar ao ritmo que está indo assim da noite pro dia. Este é uma migração de um outro sistema e é bem mais complexo, envolve vários participantes, patrocinadores, parceiros, enfim, é uma coisa multidimensional. E eu não posso deixar nenhum lado de fora. É bem desafiador.

Isso tudo envolve muitas opiniões, muitos pitacos, muitos requisitos, muitas mudanças constantes, muitas ideias, muitas implementações, muitas configurações e muitas outras coisitas mais que eu não vou contar porque já vai ficar chato pra quem não entende. Envolve muita gente também. Existe um time de suporte para nos ajudar com algumas atividades manuais e são mais estudantes que fazem estágio que fazem isso. Então temos também que dar conta disso. Mas em suma é isso: os afazeres, a mão na massa mesmo é muito interessante. Me sinto produtiva, gosto do que eu faço, ponho os neurônios pra funcionar, aprendo bastante e lido com muitas pessoas todos os dias.

Café da manhã no escritório
Mas a empresa que eu trabalho não tem só o projeto que eu estou envolvida. Há vários outros e todo mundo trabalha duro. Pra compensar tanto esforço e pra saber mais o que o outro está fazendo, quando estamos no mesmo lugar, isto é, quando não estamos no site do cliente, aproveitamos o tempo da melhor maneira. Então é comum café da manhã recheado de coisa gostosa, happy hours regados a proseco, estendendo-se a champagne e quando a coragem deixa e quando é sexta-feira, estendendo atééééé.....

É um trabalho multilateral, com vários canais, vários times, várias participações e todo mundo é muito conectado com o que faz, muito participativo. Então são muitos eventos, inclusive beneficentes, muitos aniversários, muitas confraternizações ali e acolá, churrascos, infinitos happy hours que não deixam ninguém entendiado. Era tudo que eu precisava, um trabalho que me consuma, que sugue de mim tudo que eu tenho pra dar, todas as minhas ideias mirabolantes, minha capacidade de produzir, meu conhecimento.

Sexta-feira happy hour
Tô dizendo... não tenho do que reclamar MESMO! A correria é grande, mas o esforço é recompensado, e não tem nada mais gratificante que um trabalho bem feito ser reconhecido. Digo sem temores que estou me realizando no meu trabalho, enfim!!!

O ambiente é em grande maioria formado de alemães e suíços. Um ou outro inglês, holandês, mas é só. Eu sou meio que a et, mas o povo não parece se importar muito com isso não. Não tem nada de "ahhh brasileira" e aquele tratamento especial ou olhar diferente. Tá, contei 2 até agora de umas 200 pessoas que já tive contato desde que conheci. Me tratam de igual pra igual, contanto que eu faça meu trabalho direito. E isso eu to fazendo.

Eu também sou responsável e coordeno um pequeno time que nos ajuda em algumas atividades na India, e semana passada recrutei mais 2 pessoas. Nunca tinha feito isso antes, achei o máximo. Ora, eu sou da área de Computação. Passei 5 anos da minha vida martelando minha cabeça na universidade com cálculos e lógicas. Não achei suficiente e inventei de passar mais 2 anos fazendo Mestrado em Engenharia da Computação...  gosto de sofrer.. mas o que eu poderia saber sobre recursos humanos e entrevistas? Só por experiência mesmo. E olha, é muito bom ver que recebo tamanha responsabilidade e consigo fazer bem feito. Fiz várias avaliações e nosso time na India agora tem 4 pessoas, todas respondendo a minha pessoa! muito lesssgaaaal! Tão legal que resolvi trazer uma indiana por 3 semanas aqui pra ver de perto como tudo funciona, passar umas coisas minhas pra ela me ajudar de lá e ela chega daqui a 2 semanas! Participei de todo o processo de organização dessa viagem (como se eu tivesse achado ruim), de pedido de visto de negócios, de organizar a agenda dela, até de reservar o hotel dela eu assumi o dever, afinal ela é minha responsabilidade. Tô tão filiz que deu certo! É a primeiríssima vez que ela vai sair da India, gente!!! Muita responsa.

Em Outubro, serei eu que vou até lá. Pelo menos é o plano até agora. Ir a Bangalore conhecer meu time de perto, alinhar umas coisas. Quero só ver!!! É claro que eu vou querer esticar até o norte e conhecer o Taj Mahal ne, ja pensou eu no Taj Mahal, ai ai...

É muito bom crescer na profissão, subir uns degraus, começar a enxergar a big picture e não ficar só nas linhas de código sem saber o que se passa direito que faz a empresa andar. Difícil mesmo é arrumar tempo pra tudo. E ainda conciliar com as viagens pessoais que eu descobri verdadeiramente como meu novo hobby. Mas isso já é outra história. Faz parte do meu show.

Sou muito grata a finalmente ter dado certo meu empreguinho, meu visto. Sou tão correta nas minhas coisas que não poderia me contentar com pouco. Eu fui, insisti, insisti porque sabia que era capaz, insisti até conseguir encontrar algo que me satisfizesse. Não foi fácil. E não é fácil. Mas já dizia meu orientador de mestrado: se fosse fácil não tinha graça. O desafio é grande, acentuado ainda pelo idioma, mas trabalhar em Alemão hoje não é mais aquele bicho de sete cabeças do início. O que um dia após o outro não faz ne? Sério. Claro, ainda me enrolo de vez em quando, mas já participo de reuniões em Alemão e as pessoas não precisam mais falar Inglês numa sala cheia por minha causa. Embora alguns "prefiram" falar em Inglês comigo porque querem praticar o Inglês deles comigo. Presente maior impossível. Um dos grandes motivos e ao mesmo tempo desafio era esse - o idioma. Eu queria melhorar, mas ao mesmo tempo assumir um emprego EM ALEMÃO sempre tinha sido uma ideia que eu dificilmente consegueria alcançar. Tinha medo, era insegura, não tinha muito vocabulário, morria de medo de não conseguir responder uma pergunta. Hoje estou aqui. Demais isso ne.

Definitivamente estou me realizando no meu trabalho. Muito feliz por isso. Meu dia a dia não é nada chato. Pelo contrário. As horas passam e eu nem vejo! Não morro de amores pelas segundas-feiras, mas vou ao trabalho contente. Não acordo pensando numa desculpa pra não ir trabalhar. Não aperto o snooze do despertador 50 vezes antes de levantar da cama.

Não sei até quando esse encanto vai durar, mas se melhorar estraga.

17 julho 2011

Gurtenfestival

Aqui na Europa tem tanto tempo de frio, neve e inverno que quando é verão, as opções de diverão são muitas! Principalmente ao ar livre. O sol nasce cedo e se põe tarde, então parece que o dia dura mais, as pessoas são mais alegres, é tão bom aproveitar o tempo fora da toca. Eu demorei pra captar essa vibe, mas vc sabe, é adapte-se ou morra. Mas agora tô adorando.

Então, sendo assim, no verão, é muito comum esses festivais de música em tudo quanto é cidade, não só na Suíça, claro. Festivais de música de tudo quanto é tipo, festival ao ar livre, vários palcos, 4 dias, 5 dias, o dia todo. Tem gente que tira férias nessa época pra fazer tour pelos principais festivais de música por ai, leva barraca, acampa, é uma coisa louca.

Aqui em Berna, acontece até hoje então o 28. festival de música da cidade, o Gurtenfestival!
O festival acontece no Gurten, que é o principal parque da cidade, na montanha a quase mil metros acima do nível do mar. Ao longo do ano, o Gurten é popular destino para pic nic, comemorações, pista da esqui. Eu gosto de ir lá quando recebo visitas e leva-las lá, porque se tem uma bela vista da cidade, dá pra ter um bom passeio, é bem agradável.

Mas agora durante o Gurtenfestival, foi a primeira vez que fui lá. É o terceiro ano que acontece desde que me mudei pra cá, mas no primeiro ano eu tinha acabado de chegar, ano passado estava na França com a minha família, e este ano finalmente pude ir ver com meus próprios olhos essa festa tão popular da capital helvética.
4 dias, 3 noites, 66 bandas, 50 DJs, 3 palcos, tendas, boates, uma mega infra-estrutura, barracas vendendo roupas e produtos de marcas patrocinadoras, CDs das bandas que estavam participando do evento, souvenirs do festival, uma praça da alimentação ao ar livre com opções de comida suíça, indiana, mexicana, italiana, olha, pra botar Rock in Rio no chinelo e ameaçar Glastonbury! Hehehe.
Tem gente que vai pra acampar mesmo, não só na área reservada para pessoas que literalmente vão dormir lá, mas no meio da grama lá da área dos shows, tem gente que arma a barraca, leva toalha, estira no chão, leva comida, faz maior farofada lá, é uma maravilha.

Este ano as atrações mais famosas foram responsabilidades de Brandon Flowers, Underworld, Jamiroquai, Arctic Monkeys, 2ManyDJs, Kasabian, Jamie Cullum, Kate Nash, e outros que eu conhecia pouco e virei fã como os alemães Beatsteaks, os noruegueses Eels e os suíços 77 Bombay Street. Tip Top!

O festival sempre acontece nesta época de Julho e já é meio que uma tradição SEMPRE chover! Todo mundo quando fala no Gurtenfestival, fala que sempre chove, que tem que ir preparado com bota de chuva, capa e casaco porque lá é montanha e quando cai a noite esfria mesmo. Bom, eu devo ser pé quente porque até hoje não tinha chovido uma gota ainda! Hoje (domingo) é o último dia, e eu não vou hoje. Já basta ter ido quinta-feira e ter que trabalhar na sexta, hoje eu passo. E hoje choveu! Também todo mundo diz que hoje não é muito bom porque é o último dia e já tá todo mundo pra lá de bagdá. Deve ser tipo quarta-feira de cinzas no carnaval, sabe como é ne.

Mas o festival foi bom demais, galera animada, uma vibe que não é muito comum, sabe. Hoje mesmo quando acordei estava chovendo, tive que sair e ir até Vevey na chuva, e com o tempo assim é todo mundo encolhido, sério. No sol não, no sol é todo mundo alegre, com uma musiquinha de fundo então, pronto, a alegria tá completa! Foi demais! Me diverti como há muito tempo.
Pra mim, o melhor de tudo foi Brandon Flowers, que eu nem sabia que era o vocalista do The Killers (aahhhhhhhh!!!!) e o 2ManyDJs! 2ManyDJs são os fundadores da Soulwax, uma banda de rock alternativo e de musica eletrônica da Bélgica. Os caras pegam músicas famosas e mixam como nunca antes visto na história desse planeta! Demaaaaaaaaaiiiiiiiiiissssssssss!!!!!!!!!!!!!!! E ao vivo então, nossa, muito bom, muito bom.
E não vem me dizer que suíço é morgado e não sabe se divertir não, hein. Coloca ele num Gurtenfestival da vida que vc vê o que é animação!

Mas aí a noite vai caindo, mesmo sem chuva (Amem, Senhor!) o frio vai chegando, não tem jeito. Vc tem que por o casaco, tem que ficar se mexendo, porque nem Glühwein tem pra ajudar. É cada um por si. A festa é no topo da montanha, é o principal evento acontecendo na cidade inteira, todo mundo está lá, então não tem ninguém pra reclamar do barulho e do som alto. Isso significa que a festa não tem hora pra acabar!!!
Ai ai... sem palavras. Simplesmente demais, demais mesmo.
Gurtenfestival aprovadíssimo!

16 julho 2011

Up in the Sky!

Por esses dias está acontecendo aqui em Berna o Gurtenfestival, o maior festival de música da cidade que acontece no Gurten, a montanha da cidade.

Ainda vou fazer um post contando mais sobre o festival, é porque ainda não acabou. Começou quinta-feira e vai até amanhã (domingo).

Aí ontem, no intervalo entre Beatsteaks e Kasabian no palco principal, tocou o 77 Bombay Street num dos palcos secundários! Ah, voce não conhece o 77 Bombay Street? Apresento então... é uma banda suíça formada por 4 irmãos de Basel que moraram dois anos na Australia, em Adelaide, na Bombay Street, numero 77. Dã!

Mas calma, eles cantam em inglês. Os caras estão fazendo maior sucesso por aqui, ganharam várias competições musicais e estão ganhando um merecido respeito.

Na hora da música de mais sucesso "Up in the Sky", a galera se empolgou geral e olha o visual que não me deixa mentir:
77 Bombay Street, Gurtenfestival 2011
Uhuuuuuu!!
Foi demais! Suiçada animada toda! Tiro o chapeu!
Com voces, 77 Bombay Street, Up in the Sky:

15 julho 2011

Tallinn

Tallinn é a capital da Estônia.
O centro histórico de lá é medieval, preservado, patrimônio da UNESCO e a maior atração da cidade. Portanto, vamos começar por ele.
A cidade apesar de hoje não ser um grande foco industrial nem turístico, tem uma história meio turbulenta. Já foi governada no século XIV pelos dinamarqueses, alemães, suecos, russos e já ficou no meio de guerras entre os suecos, russos e finlandeses que eu comentei no post da Finlândia.
Catedral St Alexander Nevsky
Mas o que é bem perceptível é a influência russa dos tempos dos czares. É só ver a imponentíssima catedral St. Alexander Nevsky da foto aí de cima e aqui de baixo, que fica na Pikk jalg. Típica arquitetura russa com os domos de cebola. Esta catedral foi nomeada em honra ao duque que atacou o sul da Estônia, e foi construída entre 1894 e 1900.
Apesar da forte influência da Rússia, a Estônia tenta preservar alguma tradição da religião luterana, assim como na Finlândia, então muitos dos monumentos russos são meio que ignorados para não ostentar tanto as tradições russas extravagantes, embora seja impossível de deixar passá-los sem dar importância, de tão colossais que são.
A praça principal, a Raekoda plats é cercada de restaurantes, bares e gente procurando um lugar ao sol nesse verão. Me lembrou muito o centro de Bratislava, na Eslováquia. Muito simpático, organizado, bom de andar.

A Estônia se declarou independente em Fevereiro de 1918, mas a independência realmente só veio a acontecer depois de uma guerra contra os russos, dois anos depois. Tudo foi por água abaixo 20 anos depois, quando as forças soviéticas ocuparam o país inteiro e a marinha báltica aboliu sua independência.
Muitos danos foram causados como consequências da Segunda Guerra e os conflitos com a Alemanha. O período difícil durou até 1991, quando a Estônia declarou seu restabelecimento de independência, embora ainda tropas russas tenham permanecido por ali até 1994.
Tudo tão recente.
Mal dá pra acreditar que poucas décadas atrás, Tallinn ainda era cheia de regras e repressões. Depois de tanta história, a UNESCO reconheceu o centro antigo da cidade como patrimônio mundial em 1997, nada mais justo.
E só em 2004 a Estônia passou a fazer parte da União Européia.
O passeio por Tallinn eu comecei com um grupo num tour que bookei pela Tallink, como falei no post passado, a mesma empresa que fiz o mini cruzeiro de Helsinki para lá. Então chegando no porto em Tallinn, o tour saía de lá, fui procurar o ponto de encontro. Depois de umas 10 voltas sem sucesso que não vou nem comentar o sufoco aqui porque ninguém merece ouvir, finalmente encontrei o grupo, o ônibus apareceu e fomos fazer nosso tour. No final sempre dá certo.

O grupo foi joia. 3 meninas que trabalham juntas em Londres, mas uma de cada lugar, viajavam juntas, então começamos a conversar, e fizemos o tour juntas. Uma francesa, uma da Eslováquia e uma de Helsinki mesmo. Foi super legal!
O tour era curtinho, então como o navio de volta para Helsinki só voltaria às 9 da noite, tivemos várias horas livres para andar por Tallinn. Fazia um tempo ótimo, então almoçamos sem pressa, conversamos um bocado e depois fomos andar nas ruas medievais da capital da Estônia.
Além do centro histórico, Tallinn não tem muitas atrações turísticas. Aliás, nada além do centro antigo está incluído em nenhum tour. A cidade é organizada, bonitinha, mas fora do centro histórico, é um pouco sem cor e seca. Não sei, acho que é uma cidade relativamente "nova", no que diz respeito a suas próprias leis, regime, etc. Então seria legal vê-la de novo daqui a alguns anos.
Tanta coisa interessante que vi, só me deixou ainda com mais vontade de visitar finalmente a Rússia. Mas a vez dela vai chegar. Influenciou tanta gente, quero um dia ver de perto.

No mais, conhecer Tallinn foi uma ótima experiência, e uma ótima idéia extender a partir de Helsinki. Ao final do dia, mais 2 horas de navio de volta para Helsinki e pronto. Estônia - checked!