31 maio 2011

Copenhagen, Dinamarca

O pouco que eu sabia da Dinamarca até então envolvia vikings, Escandinávia, frio e chocolate.
A Dinamarca, sim, é famosa pela associação aos vikings, aquele povo que se metia no alto mar em navios de madeira entre 800 e 1100 depois de Cristo, para atacar e negociar coisas pelo mar do Norte e Irlanda. Ali no alto, acima da Alemanha, formando a Escandinávia junto com a Suécia e a Noruega, a estratégica posição levou vantagem durante as lutas constantes com a Inglaterra e o resto da Europa. Aliás, li um bocado no guia Eyewitness Travel e realmente, a história é marcada por muitos conflitos por controle do mar do Norte e disputas de territórios sempre entre esses países: Suécia, Inglaterra, Noruega. Um troca troca de terra e espaço que no final deu no que deu. A Dinamarca bem que tentou ficar neutra nas duas grandes guerras, como a Suíça, mas muitas vezes foi pressionada pela tensa situação dos arredores e foi ocupada pelos nazistas, o que levou um movimento clandestino de residência. Em outras situações de conflito, foi forçada a eventualmente se posicionar, o que de uma forma ou de outra trouxe consequências. As reformas sociais continuaram depois da guerra e novas leis levaram o país a hoje ser um dos mais liberais que existem.
Muito tempo foi investido com esforço para manter o poder no Báltico, e uma sucessão de governos e períodos de prosperidade seguiram adiante. Andando pela cidade, é impossível não ouvir sobre Cristiano IV, o "rei construtor" que reinou no século XVI e foi responsável por muitas obras de construção civil e obras primas arquitetônicas, como o Palácio Rosenborg, em Copenhagen, a casinha de verão do moço. Mas o que muito me chamou a atenção foi o Amalienborg, ou Palácio Real. Um complexo de quatro prédios ao redor de uma praça, construídos para serem a residência de quatro famílias ricas, mas o tal do Cristiano IV comprou um dos palácios e o tornou residência da família real.
A Dinamarca é uma monarquia constitucional com um sistema parlamentar de governo. Este palácio é a residência oficial da rainha Margrethe II, no trono desde 1972, filha de Frederik IX. Todo dia ao meio dia acontece a troca da guarda, assim como em Londres no Palácio de Buckingham. É... menos pompa que em Londres, naturalmente.
Mas aconteceu um pequeno imprevisto e minha querida máquina fotográfica simplesmente se negou a tirar mais fotos e o botão não disparava mais nem a pau! Que raiva!!!! Imagine meu desespero, eu em plena Copenhagen com uma máquina sem poder tirar fotos...

Pelo menos foi no segundo dia e eu já tinha tirado muuuuuitas fotos no dia anterior, mas mesmo assim, ne. Bom, imprevistos acontecem mesmo. Terminei tirando fotos da troca da guarda com o celular, e filmei. A danada da máquina não batia mais foto, mas filmava...

Terminei adquirindo uma nova máquina no aeroporto, o que não estava nos meus planos, mas também a oferta era tão boa e eu como moro na Suíça, que não faz parte da União Européia, ainda ganhava 20% de desconto, a câmera nova terminou saindo por um precinho camarada.

Falando em União Européia, a Dinamarca é membro da UE desde 1973, mas não aderiu ao euro. A moeda lá é a coroa dinamarquesa (DKr), ou Danish Krone, em inglês. Eles aceitam euros nas lojas e restaurantes, mas te devolvem o troco em coroa. Sempre dividia os valores em coroa por 7,35 pra saber quanto custava em euro.




A Dinamarca tem um alto padrão de vida, de educação e saúde, mas li que os impostos também são bem altos por lá. Mesmo assim, o custo de vida é ainda menor que na Noruega e Suécia. Eu achei as coisas em Copenhagen bem carinhas, pra falar a verdade. Lojas, transporte e comida com um preço bem salgado, e olhe que eu moro na Suíça.
O idioma é o dinamarquês que a primeira vista parece coisa de louco com os Os cortados, mas prestei bem atenção, e no final, parece com o alemão. Claro, vêm do mesmo tronco germânico, apesar de diferenças na pronúncia e escrita, também com o norueguês e sueco. Mas fiquei IMPRESSIONADA como os dinamarqueses falam inglês bem!!! TODO MUNDO fala inglês, e fala inglês bem demais! Isso é fato. Não conversei com uma pessoa que falasse inglês mais ou menos, todos excelentes, o que facilita a vida de todo turista.
Um país tão pequeno, 5 milhões de habitantes. Copenhagen como capital, pequena mas bem movimentada, é a principal atração turística de lá. Em algumas regiões, prédios históricos e muito antigos, e logo ali pertinho, construções tinindo de novas e estilos variados. Sistema de transporte rápido, eficiente, de alto padrão. Levei exatos 15 minutos de metrô do terminal do aeroporto a estação mais próxima do meu hotel. Muito fácil de usar. As ruas todas têm áreas para ciclistas, aliás, tá pau a pau com Amsterdam pra saber onde tem mais bicicleta. Além do que, muito vento o tempo inteiro em qualquer parte da cidade!
Uma das principais atrações de Copenhagen é o Tivoli, o Parque Tivoli, inaugurado em 1834 e é um centro de lazer, e não apenas um parque de diversão, pois inclui teatro, restaurantes chiquérrimos e tal. Ali são realizados muitos eventos, shows e espetáculos de ballet, porque só o cenário é de chamar atenção. É baseado em jardins ornamentais do século XVIII, tem alguma coisa de arquitetura chinesa, jardins suspensos, parece um charme. Eu não entrei, mas só a entrada dá uma boa impressão do negócio.
Como falei antes, a Dinamarca é um país liberal, com alto nível de tolerância. Aborto é aprovado e existem uma área, chamada Christiania, que é o "estado livre de Christiana", melhor dizendo, onde tudo é permitido, paz e amor e nada mais importa. A área da paz existe no mesmo lugar desde 13 de Novembro de 1971 quando a comunidade foi estabelecida e atraiu muita gente de vários países com a mesma filosofia hippie pra lá. As autoridades dinamarquesas já tentaram de várias maneiras negociar a retirada dessa comunidade dali, pois vira e mexe gera problemas, mas ainda continua sendo uma dor de cabeça pro governo. Ali vivem quase mil pessoas, marijuana corre solta, pra não falar nada mais pesado. Pra quem não é da comunidade, é preciso se informar direitinho pra entrar ali para visitas.
Outro destaque de Copenhagen é a Pequena Sereia (Den Lille Havfrue). Não, não é a da Disney. Aliás, Walt Disney fez um filme inspirado na pequena sereia de lá, mas com um final de história diferente. A estátua tornou-se um símbolo da capital da Dinamarca, pois representa mais uma vez a forte conexão do povo dinamarquês com o mar. Ela fica voltada para o canal Öresund e foi inaugurada em 1913 e é a sereia que abandona o mar ao se apaixonar por um príncipe.
Tudo em um fim de semana muito corrido, mas de muitos novos conhecimentos valiosos e impagáveis. Eu adorei conhecer a Dinamarca. Pela primeira vez pisei na Escandinávia e agora obviamente já quero também planejar em conhecer a Suécia e a Noruega.

A cidade é relativamente pequena e dois dias dá pra conhecer bastante coisa e ainda visitar museus e palácios, como o Rosenborg Castle onde são exibidas as jóias da realeza, e o Amalienborg Royal Palace.
O país é rodeado de mar, mar, mar. Então é claro que um dos principais, senão o principal, pontos de entrada do país é o porto, de navio. Nos dois dias que passei, vi barquinhos simples assim vindo da Alemanha, da Noruega, etc. Então é muito comum embarcar num cruzeiro desses assim e "ganhar" uma visita a Copenhagen. Mas se a sua chegada for de avião, como a minha, melhor ainda. O aeroporto de Copenhagen é maravilhoso, enorme, super moderno e foi eleito o melhor do mundo várias vezes.
Sensacional!
Adorei a Dinamarca!

28 maio 2011

Minha grande jornada

Meu pai morreu quando eu tinha 15 anos, num acidente de carro. Ali começava uma nova etapa da minha vida. Com 15 anos vc deixou de ser criança, está virando adolescente e começando a achar que entende alguma coisa do mundo. Eu morava em Natal, só tinha pisado fora do Brasil uma única vez, no ano anterior quando fui a Disneyworld. No mais, minha vida tinha sido estudar, colégio, curso de inglês, algumas mudanças, Rio, Brasília. Com a grande tragédia que acontecia, eu precisei em alguns momentos ser adulta e ajudar a carregar a dor que minha família não suportava. Foi duro.

Alguns meses depois eu estava nos EUA fazendo intercâmbio, não desisti. Tinha passado quase 1 ano planejando esse intercâmbio com meu pai, não ia deixar passar. Fui, voltei, morei em Recife, passei no vestibular e passei a morar só.

Eu começava então mais uma fase da minha vida. A fase de descobertas do mundo real, a de possibilidades inesgotáveis, a de achar que é dona da própria vida, só porque estava na faculdade. As pessoas me diziam que eu era inteligente, que eu ia longe, e às vezes eu me pegava no meu quarto pensando.. "será que sou mesmo?". Passei a me questionar, mas a vida em Recife tava tão boa, tão agitada com tantos amigos, namorado, e eu me mantinha ocupada.

Mas o tempo vai passando, vc se forma, seus amigos vão cada um pra um lado, vc começa a trabalhar pra ganhar um salário miserável de estagiária, e volta a refletir se tá certo o que vc tá fazendo. De repente as lembranças da época da faculdade parecem tão reconfortantes e voltar pra aquele ambiente parece ser a melhor coisa a se fazer. Então eu voltei pra universidade em busca de um mestrado, abandonei meu emprego, fisguei a bolsa de estudos e fui, mesmo sabendo que não seria como antes, porque nunca é possível voltar a estaca zero totalmente.

No segundo dia de mestrado me xinguei eternamente e perguntei que diabo eu tava fazendo ali, e aonde eu ia usar aquelas disciplinas com tantos cálculos e lógicas sem lógica no meu dia a dia. Aquilo ia me levar a algum lugar? Oh well, eu já tava bem grandinha, dona do meu próprio nariz e precisava me colocar fiel às minhas escolhas, eu já era adulta, não tinha como voltar atrás.

Na verdade, parecia que eu era adulta, sim, eu vivia no mundo adulto com professores e executivos apertando minha mão e marcando reuniões, mas eu não me sentia parte dele. Sei lá, eu tava doida era que chegasse sexta-feira pra me encontrar com minhas amigas no bar ou na boate e dançar a noite inteira. Mas às vezes chegava ao final do dia e me tocava que eu não tinha conversado nada com ninguém que não fosse de trabalho. Começava o conflito de emoções. Eu era forte e adulta e de repente era frágil e infantil. Me perguntava se eu ia encontrar meu lugar no mundo.

Mundo. Passei então a olhar o mundo. O que ele tinha pra me oferecer? A vida não podia ser só aquilo ali. Não era, disso eu tinha certeza. Onde eu poderia buscar conforto, ajuda, espaço? Onde eu poderia ir pra me encontrar? Do que eu gosto de verdade? Minha amiga ia casar, a outra tava grávida, e eu só discutia com meu namorado que dava a impressão de cada vez menos gostar das mesmas coisas que eu.

Parecia tudo tão confuso e eu precisava compreender o que estava acontecendo, estava perdendo o controle da situação. Seguir a vida do meu namorado parecia um caminho passivo e fácil. Seria isso? Enquanto isso, eu ainda tinha que acordar 6 da manhã, ir a reunião e me preocupar com o imposto de renda, descontos no meu salário e férias. Era o MUNDO REAL. Eu deveria estar confiante, madura, trabalhadora com a vida ganha. Mas sentia que ainda tinha a vida toda pela frente, e queria aproveitar as oportunidades.

Será que o que me disseram quando eu era adolescente, então, era verdade? Que eu tinha a vida inteira pela frente, que eu era inteligente e tal, é real isso? Só dependia de mim. Passei a dar valor às pessoas que importavam. Minha mãe nem sempre tinha as respostas pra mim, e meu pai, ah, já não estava mais aqui, minha irmã seguia a vida dela e eu tinha que aprender a depender de mim mesma e assumir meu lugar no mundo.

Passei a ser menos impulsiva, passei a ter mais consciência e ver que não tinha outro jeito a não ser enfrentar a vida. Eu tinha sonhos, queria transformá-los em realidade. Eu acreditava. Mas os acontecimentos me sufocavam, alguns ofuscavam meu entusiasmo e meu otimismo de vencer na vida. Era difícil ter atitude diante de chefes chatos, pessoas invejosas e colegas pessimistas. Claro, todo mundo tem medos e inseguranças, e eu que questiono tudo, também questionava ali meu caminho na vida, minhas escolhas, e tudo parecia sugar toda minha energia. Pelo menos aqueles babacas da faculdade e as panelinhas do colégio serviram de alguma coisa. Me ensinaram lições valiosas sobre comportamento e atitude

Eu não queria que a rotina acabasse com meus sonhos, tinha pavor da monotonia, e olhe que eu gosto de ficar em casa lendo um livro ou vendo tv sozinha na minha. Os questionamentos como "eu realmente quero isso?" não saíam da minha cabeça. E como é difícil dar o primeiro passo, nao?

Eu queria sentir de novo aquele entusiasmo de quando comecei a faculdade, de querer conquistar o mundo. Eu já tinha alguma experiência pra fazer as coisas acontecerem e queria me desafiar. Então comecei, me lancei no mundo e é preciso alguma habilidade pra isso. E é preciso também dar um duro danado pra manter vivo o entusiasmo da juventude, a ambição, a empolgação e energia pra se fazer as coisas que se quer. Porque o tempo vai passando, a idade vai se adiantando e são muitos os medos, inseguranças e fatores externos que têm força pra destruir tudo da noite pro dia. É preciso coragem, ser firme nas decisões, superar obstáculos, tudo porque não quero me tornar uma cética, cínica e indiferente ao mundo. Eu quero carpe diem.

Diante da realidade, os sonhos parecem tão inantigíveis e sempre parece mais fácil desistir. O easy way out é sempre so easy, indeed. Mas ora, eu nunca iria ficar num emprego que não valoriza minhas habilidades e não me dá oportunidades de crescimento. Eu quero dar o melhor de mim no que eu faço na vida, eu quero um futuro digno de ser celebrado, eu anseio pelo que vem por aí. Quem tem que viver minha vida todos os dias sou eu, então vou make the most of it e estar feliz com as escolhas que faço.

Não se aprende lições de equilíbrios da noite pro dia, mas escrevi este texto depois de ler três livros recentemente: "As 10 mulheres que você vai ser antes dos 35", de Allison James; "The best women's travel writing 2010", e "Viaje sozinha", de Flávia Soares Julius e Maristela do Valle. A combinação dessas três leituras me fez refletir muito e no primeiro livro obviamente me enxerguei em muitos cenários que a autora descreve. Escrevi alguns aqui, com certeza muitas também irão ter a mesma sensação.

Depois de tantas experiências e tanta história pra contar, eu quero hoje celebrar todas as vitórias, conquistas e momentos difíceis que me fizeram ralar muito pra conseguir alguma coisa. Estou prestes a viver um marco dessa minha jornada que é a primeira grande viagem sola que vou fazer na próxima semana. Já viajei sozinha, mas nunca pra um lugar tão significante como Israel. E isso pra mim tá sendo bem marcante, planejar tudo e mergulhar de cabeça nessa aventura desafiadora. Já ouvi tantos comentários e muita gente colocando pedra no caminho, mas eu levantei a cabeça e estou seguindo adiante com meu plano.

Estou inspirada e sei que vai ser um acontecimento interessante. Ora, eu quero tirar o melhor proveito possível da situação que estou vivendo hoje. Quero conhecer novos lugares, novas culturas, ter contato com outros idiomas e outros estilos de vida, viver este constante aprendizado e enriquecer meus conhecimentos, porque foi isso que eu busquei: independência, liberdade, aptidão para hoje aqui agora, disposição, com sede de desbravar e descobrir o que tem por aí, e poder fazer isso. Continuar crescendo. Vivendo a fundo minha grande jornada.

27 maio 2011

correria

Ou estou ficando velha ou realmente o ritmo tá puxado demais. Conversando com uma amiga esta semana, não sei como aguentava a época de faculdade quando trabalhava 8 horas por dia, depois ia pra faculdade, ainda fazia alemão dia de sábado, piano, dava aula de inglês e ainda saía pra farra sexta e sábado. Não sei aonde eu arrumava tanto gás. E eu aguentava muito melhor dias seguidos de noites mal dormidas, dormindo só 5, 6 horas por noite. Hoje se eu dormir 5 horas por noite, 3 noites seguidas, no quarto dia eu tô acabada, cheia de olheiras e todo mundo percebe. Acho que preciso das 8 horas de sono.

Eu não passo o dia inteiro andando, mas quando vou trabalhar de salto, parece que o cansaço dobra no final do dia.

O ritmo de trabalho do trabalho novo não tá sendo moleza não. Não estou reclamando! Mas só pra deixar registrado, pois além de uma semaninha super ocupada de chegar o fim do dia e vc não acreditar que o dia já passou, fins de semana de sol não me deixam sossegar em casa direito. Quando não é aqui na Suíça, uma voltinha ali em Madrid, ou em Copenhagen, como esse fim de semana próximo.

E viajar cansa também, ne. Cansa, mas é bom e vale a pena. E eu estou empolgadíssima pra conhecer o primeiro país daquela região da Europa do norte que ainda não conheço, deve ser lindo.

Mesmo na correria do dia a dia, arrumar um espaçozinho depois do expediente pra um happy hour com amigos não é mal, ainda mais aqui nessa Suíça que não é minha home. Eu sempre juro que do trabalho vou pra casa, dormir cedo e tal, e no fim sempre termino me convencendo que é melhor dar uma esticada pra espairecer, conversar e voltar pra casa um pouco mais tarde.
Essa galera dessa foto é o pessoal que conheci no meu ex trabalho. Alguns já saíram, outros também estão saindo, outros ainda estão lá. Éramos o pessoal mais jovem da empresa e nos demos super bem. Fico feliz de manter a amizade mesmo depois de ter trocado de emprego. Eles são cada um de um lugar, tem suíço, francês, e até português. A gente sempre marca de ir jantar num restaurante novo e é um barato, mas o idioma entre eles é ou inglês ou francês, então a cabeça não relaxa 100% quando saio com eles, pois ainda tá trabalhando na "seção" de idiomas. Vc que é expatriado me entende, ne.

Eu não conheço muitos brasileiros aqui. Ou melhor, até conheci, mas de manter contato, conto nos dedos. 2 ou 3. Então, depois de um dia super pesado no trabalho, sair e encontrar com a Vá e a Rê, que eu já não via há um tempão, é uma alegria.

Porque a gente conversa até não poder mais, e conversar no seu idioma, poder falar, e falar mesmo, sabendo que está sendo entendida, depois de passar tanto tempo sem falar português e de ter passado o dia inteiro com a cabeça ligada no alemão, é um alívio, vai. A gente até ri quando se confunde com algum vocábulo.

Nós três estudamos alemão juntas há 1 ano atrás, e quando vimos que éramos três brasileiras numa sala de 6 pessoas, pensamos: "ih, essas brasileiras vão estragar meu aprendizado"... porque nos demos tão bem e era difícil não conversar em português durante a aula. Modéstia a parte, nós três falamos alemão bem razoável e pra não atrapalhar a aula, transferimos os bate-papos pra depois das aulas e ficou tudo certo. Falamos português até não poder mais.

Ontem eu trabalhei em Schaffhausen, que é a duas horas de Berna, ainda na Suíça, mas já ali bem perto da fronteira com a Alemanha. 2 horas pra ir e 2 horas pra voltas é puxado hein. Ainda bem que eu gosto das viagens de trem, porque senão... Correria! Dias muito ocupados, diferente de antes. Claro, não existe emprego perfeito, mas eu to gostando muito do meu, graças a Deus.

Falando em emprego perfeito, talvez muita gente já tenha visto esse vídeo, mas eu vou postar aqui, pois estou muito contente e satisfeita em trabalhar pra empresa responsável por produzir esta campanha de marketing tão fantástica ganhadora de tudo quanto é prêmio de publicidade alguns anos atrás, que tinha o propósito de divulgar a região de Queensland, na Austrália, para o turismo. A campanha fez as ilhas ficarem conhecidas no mundo inteiro, pois era O Melhor Emprego do Mundo!



Assim dá gosto trabalhar na correria, hein!

25 maio 2011

Deutsche Musik

...antiiiga de dar dó! Leuchtturm, de Nena.
Mas a música fez tanto sucesso na Alemanha no final dos anos 80 e 90 que a cantora Nena até regravou de novo recentemente com um novo clipe em Berlin e tudo mais.

Eu conheci essa musiquinha nas minhas primeiras aulas de Alemão lá em Recife, quando nem sabia que que eu ia fazer com esse Alemão na minha vida. Agora tá aí, pelo menos dá pra cantar e acompanhar a música. Que tal?

E pra quem não entende alemão e tá curioso de saber o que a letra quer dizer... aqui a versão das antigas com a tradução:

Bonitinha ne? Bem anos 80.. A galera daqui curte.
LOS!

23 maio 2011

Cirque du Soleil Corteo

Depois da experiência do show do Eric Clapton em Londres quando eu e o Célio estivemos lá, era difícil encontrar alguma coisa pra fazer em Madrid que chegasse aos pés. Quando eu resolvi me encontrar com eles lá em Madrid, ficamos procurando infinitamente na internet coisas legais pra se fazer em Madrid naquele fim de semana. Até que... algo apareceu...
















Claro, todo mundo já ouviu falar de Cirque du Soleil, ne. Eu? Nunca tinha ido. Eles até já vieram a Suíça com o show Saltimbanco, mas eu perdi. Já estiveram no Brasil três vezes e eu nunca vi. Quando vi que ia ter em Madrid naquele sábado que estávamos procurando algo interessante: bingo! ficou sendo nossa opção favorita!












 



O show era o Corteo, que pra ser sincera, eu nunca tinha ouvido falar. Porque funciona assim: ...er, bom, pra começar o Cirque du Soleil é canadense e não é um circo tradicional, vale salientar. Diria que é uma repaginação do termo "circo" e tem uma série de espetáculos estonteantes com artistas do mundo todo de talentos insuperáveis. Uma coisa impressionante.

No circo, não há animais. Mas há malabarista, contorcionista, trapezista, como num circo comum. Mas o destaque é a rica produção do figurino, decoração de cenários, que tem um toque de medieval e traços barrocos ou algo do tipo. É lindo demais. Você tá lá prestando atenção no que tá acontecendo no palco e de repente aparece um anjo voando vindo lá de cima. Outra hora você tá lá prestando atenção na espanhola se equilibrando numa corda super fina, dançando e rodando bambolê com uma música super bacana, e daqui a pouco acendem-se as luzes da parte de baixo do palco e tem todo um cenário lá montado já pra começar outro número, mas você nem percebeu quando estava sendo montado porque tava lá vidrado na espanhola lá dançando. Coisas assim, lá e cá que fisgam sua atenção de um jeito..

O que muuuito me chamou a atenção foi a trilha sonora! Nossa!! Fiquei encantada com as músicas (são tocadas ao vivo) e a sincronia com as coreografias, danças e malabarismos. Comprei até o CD e o DVD também com o espetáculo Corteo, pois não podia filmar e eu queria ter de recordação. As músicas são muito boas, bem melódicas e um que de inspiradoras.

O espetáculo é criativo, envolvente, surpreendente. É fascinante!
Olha, foi uma escolha imbativelmente fantástica de coisa pra se fazer em Madrid.



Quando fizemos as reservas e compramos os ingressos pela internet, quase todos os assentos já estavam esgotados. Claro, o preço varia de acordo com o lugar que você senta. Mas é muito bom porque o palco fica no centro e platéia toda ao redor, então onde quer que você sente, mesmo ficando lá no canto de cima, você não fica em muita desvantagem.

Eu nem preciso mais dizer o quanto eu adorei assistir ao espetáculo ne.
Simplesmente sensacional!

Catedral de Santa María la Real de la Almudena de Madrid

Eu resolvi fazer um post exclusivo para a catedral de Madrid, porque fiquei muito impressionada com a grandiosidade, a riqueza de detalhes que vi por lá e a sensação de um bom lugar pra alcançar paz.
Confesso que não conheço muito de sua história, mas quando vi a estátua do papa João Paulo II na frente, achei que ela deveria ser de alguma forma especial. Bem, ela é a sede episcopal da diocese de Madrid e tem arquitetura de estilos variados. A razão da estátua do papa é a visita que ele fez em 1993, sendo a catedral a primeira na Espanha a ser consagrada por um papa, e a primeira de João Paulo II fora de Roma.
Ela é destaque também porque fica ao lado do Palácio Real e a fachada chama a atenção, logo ao final da Calle Mayor. Dentro, os detalhes nos tetos e nas paredes são hipnotizantes. Estátuas de santos contemporâneos e um altar deslumbrante.
Eu sei que a igreja católica têm devotos e rebeldes e é alvo de muita crítica, ainda mais com os tristes casos de padres pedófilos; mas eu não posso negar que toca meu coração toda vez que vejo algo a respeito. Com certeza porque estudei em escola católica quando criança, minha família é católica, minha avó é a pessoa mais católica que eu já vi, e eu cresci indo a missa dia de domingo. Hoje que sei um pouco mais de coisas que não sabia antes, cultivo uma fé que não é necessariamente católica. Não gosto de rótulos, gosto da fé. Sou cristã, não vou discutir com você se você for protestante, nem vou tentar convertê-lo e convencer que uma religão é melhor que outra.

Sempre rezei, sempre cultivei minha fé no meu canto, e seja lá como for a verdade, a origem real de nossa existência, o Deus que está no comando de tudo, esse culto me faz bem, vivo melhor com isso perto de mim, me traz paz. Então logicamente me interesso em coisas, lugares, crenças, rezas, santos, histórias de aparições e tudo que tiver relação e contribua a um melhor entendimento de tudo que nos move e nos trouxe até aqui.

Me emocionei muito ano passado quando fui a Lourdes, na França. E se eu puder, nunca vou deixar passar uma oportunidade de exercer essa fé que eu gosto de ter. Sei lá, a gente passa por tanta dificuldade na vida e é bom ter um fundamento que, no fim, tudo acontece por um motivo e o mundo não é injusto.

Na visita a catedral de Madrid, enquanto caminhava e observava o vitral e as pinturas nas paredes, agradeci em silêncio por todas as bençãos que tenho tido na minha vida até aqui, por ter sido capaz de chegar onde cheguei e continuar firme e forte na luta do dia a dia na minha situação atual. Fiquei em paz ali.
Não sei se é a Espanha que de alguma forma passa essa atmosfera boa. Quando estive por lá pela primeira vez em 2006, assisti uma missa em uma igreja em Toledo em espanhol, e mesmo sem entender direito o que estava sendo dito, foi inesquecível. A fé move montanhas e eu acredito na fé.

Sei lá, acho que estou me preparando psicologicamente pra pisar na terra onde tudo isso começou...