30 maio 2015

Transilvania: Bran

A Transilvânia é a região mais turística e mais famosa da Romênia. Enquanto é famosa entre os fãs de esportes ao ar livre pois a paisagem da cordilheira de Cárpatos e montanhas é espetacular, é também muito conhecida pelas supertições e lendas que contextualizam o cenário de cidades como Bran, Brasov e Sinaia, que foram as cidades que visitei.
De acordo com Cristina, nossa guia turística, a cidade de Sinaia ainda não é Transilvânia, mas de acordo com meu guia de viagens da Lonely Planet, é. De qualquer forma, resolvi abordar neste post apenas Bran e deixar Sinaia e Brasov para os próximos posts porque o contexto de Sinaia não se encaixa muito no da Transilvânia que vou falar aqui e Brasov também não. Na verdade esse post aqui é pra esclarecer o mito do Drácula!! Hahahaha! E Drácula só Bran mesmo.

Há várias outras cidades interessantes a conhecer nessa região, como Sighisoara, Sibiu, Cluj-Napoca, mas como só tínhamos um dia, tive que escolher. Bran não poderia ficar de fora pois é a mais conhecida pela tal lenda do Drácula. A arquitetura de Brasov eu também queria ver de perto. E Sinaia tem o castelo de Peles que é outra pérola. Então essas três cidades caracterizam e marcaram nosso passeio à Transilvânia. Saímos de Bucareste de carro, paramos primeiramente em Sinaia, depois Bran, depois Brasov e depois voltamos de Brasov direto para Bucareste, 3 horas de carro neste trajeto. Foi puxado, mas valeu a pena!

Historicamente a Transilvânia pertenceu por muito tempo à Hungria, foi tomada pelos turcos, depois governada pelos Habsburgos para depois voltar ao domínio dos húngaros. Apenas em 1918 foi unida à Romênia oficialmente, o que até hoje gera discussões e divide opiniões entre os húngaros. Apenas um vale separa a Transilvânia da Valáquia, que é o que costumava ser a Romênia sem a Transilvânia, e é aí onde não é bem certo o que já é Transilvânia, onde não é. É aí onde fica Sinaia, que falarei nos próximos posts. 
Fizemos tudo de carro, e aliás é a melhor maneira de fazer essa viagem. Chegando em Sinaia, fizemos uma parada lá, e depois andando mais pra frente, chegamos a Bran, a famosa Bran. Bran se tornou conhecida por ser lá que está o famoso castelo de Bran, de Vlad III, ou Vlad Tepes, ou o Conde Drácula, e a conexão com a ficção de Bram Stoker. Bem então vamos aos esclarecimentos do que é e o que não é.
O Conde Drácula é um personagem no romance gótico do escritor irlandês Bram Stoker, do final do século 19. Ele desenvolveu um mito literário moderno do "vampiro", e fama veio pelas perfeitas descrições de cenários e personagens, onde muitas delas eram reais e possíveis de serem encontradas, como o próprio castelo de Bran. Ele descrevia detalhadamente as características do castelo, dos cômodos como a altura do teto e cores das janelas, assim como particularidades da cidade Bran, e quem morava lá ou quem conhecesse o lugar, perceberia que o que ele estava contando era de fato existente. Nesse cenário, Stoker juntou personagens que também se misturavam com a realidade e confundiam a imaginação do leitor.
O Conde Drácula existiu. Vlad Tepes foi príncipe da Valáquia por 3 vezes. Era bem querido na antiga Romênia, muito respeitado como guerreiro, pois sua política livrou o povo romeno da dependência do império otomano no século 15. Ele foi e é lembrado por ser um cavaleiro que lutou contra o crescimento do islamismo na Europa, é um herói na Romênia e na Moldávia. Entretanto ele tinha a fama de ser muito cruel, intolerante e sádico. Ficou conhecido como o Empalador. Foi nesse brecha que o autor irlandês pegou o fio da meada para desenvolver o Drácula da ficção, misturando imaginação e realidade, e deixando dúvidas e perguntas até hoje. Uma lenda.
A sinopse do romance do Drácula que virou um filme famoso em 1992 conta a história de um líder romeno que defendia a igreja cristã na Romênia contra o ataque dos turcos e da invasão do islamismo (até aí tudo real). Então sua noiva Elisabetha recebe a falsa notícia de que ele morreu em batalha e se suicida. Vlad, ao retornar da guerra, renuncia suas crenças a Deus pois este tinha levado sua amada, e jura a partir daquele momento só beber sangue. Isso aí já é ficção ne. Mas o que reforça a lenda do vampirismo é que havia uma lenda na antiga Valáquia de que os mortos se levantavam do cemitério, e uma vez o Vlad foi confundido com seu pai, que já estava morto.
A personalidade forte e rígida do Dracula descrita no livro de Bram Stoker não era muito diferente do que se conhece do então príncipe da Valáquia. Então tudo isso tornou a história mundialmente conhecida e famosa até hoje. E é essa história e a curiosidade em ver com os próprios olhos se de fato o que Stoker escreve no seu livro está lá, em Bran, no castelo medieval no topo de uma colina, onde era a residência de Vlad. E daí cada um tirar suas próprias conclusões. Tem quem acredite em vampiros ué.
A Transilvânia tem vários castelos mas o Castelo de Bran é o mais conhecido por ser o "Castelo do Drácula" e atrai milhares de curiosos ano após ano. Hoje a antiga residência do Dracula pertence aos herdeiros da família e é um museu que exibe antigas peças da residência da Rainha Maria da Romênia, do final do século 19. Foi muito interessante conhecer o castelo, que não chega a ser muito atraente pelos objetos e coleções exibidas no museu mas sim pela lenda que o envolve mesmo. Andamos pelas passagens secretas, vimos lá a árvore genealógica da família do Drácula, uma pintura dele!, visitamos todos os cômodos e fomos até o topo, o tempo todo ouvindo as histórias que contei acima pela guia Cristina
Muito interessante, nao? Um país que ficou conhecido mais por uma lenda do que por sua própria história, a Romênia. As lendas também fazem história e também são cultura! Bom, depois de visitado o castelo, descemos a fortaleza onde fica o castelo no maior cuidado pois o caminho é todo de pedrinhas escorregadias, e lá ao pé da colina bem na entrada tem camelôs vendendo souvenirs e lembranças de Bran. Pegamos o carro e esticamos ainda mais o passeio, fomos então a Brasov, ainda na Transilvânia! Mas isso eu conto no próximo post!

29 maio 2015

Bucareste

A capital da Romênia é também a maior cidade do país, com pouco menos de 2 milhões de habitantes. E dessa vez vou começar o post logo pela minha opinião. A impressão que eu tive de Bucareste é que é uma cidade meio que "planejada" para impressionar, porém ainda que impressionante, um tanto quanto peculiar. Uma mistura de cenários socialistas como que encontrei em Kiev com algo como sei lá, algo menos leste europeu e mais energético, tipo Madri. Acho que é ali onde o socialismo encontrou o capitalismo, ou o ocidente encontra o leste.
O que foi um dia a cidade rica capital da antiga Valáquia, com arquitetura única e cultura tradicional romena só é possível constatar em poucos resquícios em cantos e esquinas da capital. A lembrança do socialismo é inevitável ao andar pelo centro de Bucareste. Conheci a história dos principais pontos que visitei e vi e senti de perto a emoção de quem viveu isso me contar lá ao vivo, com a guia Cristina Iosif, que falei no post passado.
Bem, para dar um pouco de contexto histórico, deixa eu contar que entre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, Bucareste cresceu muito e viveu uma era de ouro cultural e economicamente falando. Era conhecida como a "Paris do Leste", embora tenha sido palco ainda de muitos conflitos durante a Guerra Fria. Alguns terremotos destruíram parte do centro histórico da capital romena, mas contra os efeitos da natureza nada podemos fazer. O que dói mesmo na lembrança dos romenos é a destruição comandada pelo líder comunista Nicolae Ceausescu, que botou construções históricas abaixo para levantar uma Bucareste forçada a preço que a população prefereria não ter pago. Essa foto abaixo é de uma construção bem preservada que hoje é um restaurante mas é um dos poucos prédios que mostra um pouco de como era a antiga Bucareste, antes de ser mudada pelo governo comunista. Era antes uma espécie de pensão, onde dormiam os trabalhadores que vinham pra cidade trabalhar. Já dá pra notar bem a diferença das fotos seguintes...
Cristina nos contou que o ditador mudou o país a duro custo. Nas décadas de 70 e 80 quando esteve no poder, Ceausescu se focou a impor um governo evoluindo para uma ditadura. Se negou a fazer reformas trabalhistas, passou a controlar a liberdade de expressão e meios de comunicação, sem tolerar qualquer tipo de oposição. Acelerou a industrialização de Bucareste com trabalho forçado da população, que se acabava de fome e não tinha outra saída a não ser obedecer. O aumento da fome veio pelo aumento da exportação da produção agrícola do país para pagar dívidas externas, também consequência de atitudes inconsequentes do ditador.
A vida dos romenos na década de 80 foi uma luta diária pela sobrevivência. Cristina nos contou que ela e sua família sentem raiva de andar pela cidade hoje e ver os monumentos lá de pé, pois eles sabem o que tiveram que passar para que fossem construídos. Bucareste sofreu enormes alterações do que era originalmente, muita gente fugiu do país, muita gente morreu nessa transição. 
Esse edifício do Parlamento da foto acima, enooorme e muito impressionante de perto, é o 2o maior edifício do mundo, só perde para o Pentágono, nos EUA. Tanta grandiosidade e obssessão por ela, conspirações e insatisfação gradativa da população levaram a alguns golpes ao regime de Ceausescu, que teve seu governo enfraquecido, até finalmente levado às manifestações que culminou na revolução em dezembro de 1989. Revolução que aconteceu exatamente aí nessa praça da foto abaixo, no campus universitário.
Foi o único protesto violento contra o comunismo. Até tinha começado pacífico mas logo se tornou intenso quando tropas militares começaram a disparar contra os manifestantes, bem na frente do prédio da universidade de Bucareste, coração da cidade. Ficamos nós ali paradas ouvindo a história detalhada de Cristina, era como se víssemos tudo num filme, e ainda estando lá no cenário onde tudo aconteceu. 
Ceausescu fez um discurso na praça principal de Bucareste em 21 de dezembro de 1989, o que viria a ser sua última aparição pública. O evento foi grandioso, havia 80 mil pessoas na praça, foi transmitido ao vivo pela televisão, inclusive internacionalmente. Porem muitas promessas de mudanças não foram mais suficientes para a população naquele ponto. Já era tarde demais. No dia seguinte o presidente fugiu do país de helicoptero com a esposa, o piloto porem no meio da viagem alegou falhas mecânicas, fez um pouso de emergência e ao pousar, Ceausescu e sua esposa foram presos e condenados à morte. No Natal de 1989 então, foram fuzilados num pátio de uma base militar, e assim é o fim do regime comunista na Romênia, o único país que teve uma história violenta para contar sua transição de regimes.
Triste. Depois daí ocorreram eleições presidenciais e a década de 90 trouxe novos ares para Bucareste e para a Romênia.

Bucareste é a cidade mais desenvolvida da Romênia. Passamos o dia inteiro zanzando pra lá e pra cá, conhecendo os cantos mais interessantes, batendo foto, sem pressa e fugindo de uma chuva que não sabia se ia nem vinha. E no centro antigo além de igrejas ortodoxas históricas, como a Stavropoleos que é decorada com um lindo altar e frescos e também é um monastério, e ruas de paralelepípedos boas de bater perna, fomos surpreendidos com o Caru cu Bere, uma cervejaria histórica, com uma decoração interior singular, música ao vivo com piano e violino, praticamente uma volta ao passado, uma coisa impressionante e hoje já muito turística.

É tranquilo andar por Bucareste. Pelo menos no centro, apesar de alguns pedintes, não oferece perigo nas ruas, como pode ser a dúvida de alguém aí que queira visitar o leste europeu mais "leste" e tá sem coragem. Há vários parques enormes com muito verde, como o Cismigiu, que ficava perto do nosso hotel, até com um parquinho que Edi amou, obviamente. Enfim, foi bem tranquilo, em relação à segurança da viagem.
Foi legal também porque foi a primeira viagem que fiz com Edi "solto", assim andando pra lá e pra cá com a gente a maior parte do tempo, participando e aprendendo a viajar. Foi incrível conhecer mais de perto a história da Romênia, foi como que uma aula presencial de história, um intensivo. Mesmo tendo pesquisado pontos turísticos, estudado e lido antes sobre a história do país, de Bucareste, o que visitar lá e tal, só indo lá mesmo para de fato entender o que aconteceu, vendo e pisando nos cantos, vendo com seus próprios olhos. Porque a maioria dos blogs de viagem, dos guias e do foco mesmo das viagens à Romênia é todo aquele contexto com o Drácula na Transilvânia, as lendas e tudo mais. 
Eu tinha que fazer um post só sobre Bucareste e chamar atenção à história que tá contada por lá porque foi demais, demais. E ainda com uma guia como a que tivemos contando tudo ao vivo, fez toda a diferença. Foi muito legal, adorei conhecer Bucareste. Mas, claro, não podia deixar de conhecer também a história afinal do Drácula, das lendas, da Transilvânia, que é o que torna a Romênia mais famosa hoje em dia. Mas isso é assunto só pro próximo post!

25 maio 2015

Romênia

Já são mais de 40 na minha lista de países visitados. Viajar e conhecer novos lugares e culturas é pra mim não só um hobby que eu levo muito a sério, como uma necessidade. Em 2011 quando rodei por 19 países comecei a achar que viajar era minha válvula de escape, mas não, é muito mais do que isso, acho que faz parte de quem eu sou... coisas de expatriada, onde tenho aquela sensação incomparável que o mundo é meu quintal. Tenho a impressão que ainda conhecerei o mundo inteiro, se uma vida for possível para tal façanha.
Mês passado tive o privilégio de conhecer um país pouco conhecido ainda pelos brasileiros, um dos países mais pobres do leste europeu, que sofreu muito com o regime comunista e tem uma história simplesmente INCRÍVEL. Estou falando da Romênia. Se você tem dúvidas sobre o que tem pra conhecer nesse país e desconhece o quão interessante é a sua história, te convido a continuar lendo esse post, vou me esforçar para transparecer as minhas impressões da melhor forma possível, pois o resultado foi muito positivo.
A Romênia faz fronteira com a Hungria, Ucrânia, Moldávia, Bulgária e Sérvia, lá no sudeste da Europa e é em grande maioria ortodoxa. Eu até concordo que quem vem pra Europa pelas primeiras vezes quer conhecer a parte mais famosa, ver de perto o que se falam tanto em livros, revistas e na TV. Mas o leste europeu precisa ser visto com olhos melhores. Não é uma beleza de luxo como há em Paris, nem Londres. É uma beleza de história recente, de superações, de verdadeira admiração.
A capital da Romênia é Bucareste, a sexta maior cidade da União Europeia, da qual faz parte desde 2007. Curiosamente porem o Euro não é aceito como moeda no país, e sim o Leu romeno. A Romênia tem quase 20 milhões de habitantes, isto seria metade do estado de São Paulo. Voamos Zurique-Bucareste direto pela Swiss e o vôo dura pouco menos de duras horas. Brasileiro não precisa de visto para entrar na Romênia.
A Romênia surgiu de uma província do império romano, Dácia, e dos principados antigamente independentes uns dos outros e conhecidos como Moldávia, Valáquia e Transilvânia. Hoje em dia a Moldávia é um país único, independente da União Soviética desde 1991, e a Valáquia e a Transilvânia hoje são a Romênia. A Valáquia é a região ao norte do rio Danúbio e ao sul da cordilheira de Cárpatos. E Transilvânia talvez você já tenha ouvido falar, famosa pelas lendas do Conde Drácula. Os detalhes de Bucareste e Transilvânia virão nos próximos posts. 
A Romênia passou pela mão do império otomano (do qual eu comentei no post sobre a Turquia e a Albania, que também tiveram influência dele), adquiriu independência formando o Reino da Romênia que durou pouquíssimo tempo, para depois, ao final da Segunda Guerra Mundial, começar a ter seu território ocupado pela União Soviética e tornar-se uma república socialista até 1989, ora tão recente, quando a violenta Revolução Romena marcou o início da transição para uma democracia e economia capitalista.
Toda essa história aprendi ao vivo com a guia Cristina Iosif. Fizemos um tour privado de meio dia por Bucareste com ela num dia, e no outro pegamos pesado fazendo o castelo Peles, castelo de Bran e Brasov num bate e volta de Bucareste, também com ela, e foi simplesmente incrível. Faço questão de recomenda-la aqui e no Trip Advisor, pois ela não só é de lá e conhece muito bem a história, deu ótimas explicações históricas nos passeios, tinha respostas para as perguntas e tivemos uma ótima experiência com ela como guia andando o dia inteiro junto, como ela também além de ter paciência de andar com criança, comprou uma cadeirinha de carro para Edi só para nos receber. Sem dúvida fez toda a diferença conhecer a Romênia com uma "local".
No meu primeiro emprego aqui na Suíça eu trabalhava com dois romenos, e com eles é que fui percebendo algumas particularidades sobre o país. A começar pelo idioma que é derivado do latim, o único no leste europeu, e eles se orgulham muito disso. É uma mistura de italiano com aqueles outros idiomas do leste que eu não sei identificar ainda direito, mas se você parar para prestar atenção, vai ver que muita coisa dá pra ser entendida por nós brasileiros. Ouvi muito dos colegas sobre o clima, sobre as pessoas, e eles são sim mais calorosos que alguns europeus. Mas a história mesmo do país só vim aprender agora quando finalmente pude ir até lá.
E engraçado que quando estava perto de ir, tudo na TV aparecia algo da Romênia. Era Globo Reporter na Globo Internacional sobre a Romênia, um documentário no canal britânico The Romanias are Coming sobre os imigrantes da Romênia no Reino Unido e um pouco sobre a situação atual do país, curiosidades dos costumes dos ciganos, etc. Muito interessante. Só aumentava ainda mais minha ansiedade de chegar logo a viagem. Preparei e organizei a viagem toda tim tim por tim tim com a maior dedicação e cuidado, pra que conseguisse ver realmente o melhor em pouco tempo.
A Romênia é um país muito especial, adorei conhecer um pouco de lá e recomendo muito para desmistificar a impressão (ou a falta dela) que se têm de lá. A arquitetura das ruas é algo que nunca tinha visto em lugar nenhum. A da Transilvânia então... Estou louca para escrever sobre a lenda do Drácula! A Romênia é um país para se conhecer devagar, com calma, com tempo. Passamos 3 dias lá e se tivesse passado mais teria muito o que conhecer. Próximo post: Bucareste!