30 novembro 2013

Papinhas do Edi

Me perdoem os que não tem filhos e não vão nem ler a partir dessa frase. Mas me permito aqui um post totalmente "mami", pois é sim uma nova parte da minha vida. Meu mundo se abriu ainda mais depois que virei mãe. Olha, nunca, mas NUNCA MEEEEESMO curti ficar na cozinha fazendo comida. Nem pra namorado, nem pra família, nem pra mim mesma, nem pra ninguém. Até poucos meses atrás, até meu arroz saía sempre um grude só. Eu era a rainha da pizza congelada, comidas prontas, abrir um saco de salada e tacar molho francês pra comer no saco mesmo e nem sujar o prato ou jantar pipoca. Tamanha era minha falta de intimidade com a cozinha. Já me meti a fazer bolo de chocolate, que por incrível que pareça... alias, não é tão incrível assim porque é só seguir os passos da receita, fica sempre até bom. Jantares na minha casa não eram frequentes porque eu não ia submeter ninguem a testar meus minha falta de dotes culinários. Dá pra enganar com algumas coisas... Fondue, por exemplo, ok, que é só jogar o queijo na panela. Mas nada de muita sofisticação. Pronto, abri o jogo. Era isso mesmo.





















................................................................ERA!






















Até eu ficar grávida e receber os irmãos do Eric em casa pra um jantar. Me meti a fazer um creme de galinha que recebi tantos elogios, que hum, de repente a cozinha pode não ser tão assustadora quanto parece. No chá de bebe de Eduard, acho que foi ali o marco quando as coisas realmente começaram a mudar. Encontrei uma motivação não sei de onde pra fazer tudo tão caprichado. Ok, que minhas expectativas para o belíssimo bolo estavam muito altas, então eu tive que terceirizar o serviço. E também as coxinhas. E o pãozinho de queijo. Hahahaha! Mas, mesmo com um barrigão enorme, me propus a ficar lá em pé mexendo panela de brigadeiro e docinho branco. E a surpresa? Ficou ÓÓÓÓÓTEEEMO!!




























Então quando Edi nasceu e começou a aparecer dentes quando ele tinha 3 meses, eu comecei a me preocupar com o que ele ia comer, além de leite, daqui a alguns meses. Meses nada. Edi começou com papinha de banana amassada e mamão com 4 meses, e com 5 tinha os dois dentinhos de baixo e já adorava papinhas de fruta.





















Bla bla bla sobre só mamar no peito até 6 meses. Quem já teve filho sabe disso muito bem. Eu me ajoelho na frente de quem conseguiu, viu, porque olha. Como é dificil! Bom, não que eu queira me explicar, mas já que estou aqui, deixa eu contar minha experiência. Eu queria sim amamentar e pedi conselhos da Stillenberatung no hospital e tudo mais, queria tentar e conseguir que meu filho tivesse as primeiras substâncias no seu corpo fora da barriga saudáveis vindo de mim e todas as vantagens do leite materno. Só que aí vem a realidade... primeiro lugar, meu leite nunca foi suficiente por causa dos problemas que tive no parto. Então no hospital mesmo já teve que começar a dar leite em pó porque ele tava perdendo peso. Depois em casa, com o problema do ferro passando, foi melhorando e cheguei a ter bastante leite. Porque quanto mais se tira, mais se tem. E com a ajuda da bombinha elétrica, era muito prático. Mas mesmo assim, tinha dias que não era suficiente, eu ficava logo nervosa, e mais cedo ou mais tarde tinha que apelar pro Beba 1 da Nestle. E aproveito aqui pra dizer, que mesmo que se sempre tivesse tido leite suficiente, não sei se deixaria ele mamar SÓ no peito porque primeiro, é muita dependência. Pra voce e pro bebe. Pra voce porque voce nao faz mais nada além de amamentar na vida. Não dorme, não toma banho, não cozinha, não come, não conversa com ninguem mais. Seu tempo é exclusivamente para dar de mamar, o bebe adormece mamando, voce nao sabe se ele mamou suficiente, porque dormiu no meio, aí acorda, chora, volta pro peito, dorme de novo, as vezes voce dorme junto, quando ve já se passou 2 horas, já já tá na hora de ele mamar de novo e nem sabe se mamou direito da ultima vez, e nessa começa tudo de novo, e de novo e de novo, e 5x por dia, e pronto, acabou o dia e voce ainda tá lá de camisola cheirando a leite. E pro bebe porque ele não vai mamar pra sempre. E quanto mais tarde introduzir bico de mamadeira pior, e como é doloroso o afastamento do bebe de voce, seja quando for.

Eu sei que esse assunto é muito polêmico e cada um tem sua opinião, e principalmente quem não teve filho não sabe da dificuldade que é levar a cabo a amamentação. Agora que eu já passei por isso, sei que não é justo criticar e dar pitaco na vida de ninguem porque ninguém sabe o que vc ta passando pra tomar as decisões de como lidar com seu filho, principalmente num assunto tão delicado como esse. E sabe o que mais, mesmo se não tiver motivos médicos, se voce simplesmente não quiser amamentar, acho que é decisão sua, voce é a mãe, e ninguém tem nada a ver com isso. Sua decisão é soberana e tem que ser respeitada. Afinal, quem foi que carregou o bebe 9 meses na barriga, aguentou todos os enjoos, dores e sensações de ter uma pessoa dentro de voce, que pariu e que é a mãe? Clichê? É a pura verdade! Então a decisão, minha amiga, é sua mesmo.





















Mas pronto. Voltando aqui ao assunto das papinhas. Quem me viu, quem me vê! Eu me vi na cozinha por horas e horas seguidas tirando casca de cenoura e batata, aprendendo combinações de papinhas que nunca tinha ouvido falar antes na vida, e adorando tudo. Meeeeooo Deooos, que transformação. Sim, a maternidade transforma mesmo as pessoas.




























Pois então. Passei a introduzir papinhas novas "feitas por mim" com 5 e 6 meses. Digo 5 e 6 meses porque na primeira leva eu tava tão empolgada, que comprei tanta coisa, passei 3 dias na cozinha cozinhando que deu pra estocar papinha no freezer pra 2 meses. E fiz como recomendado, introduzindo uma coisa de cada vez, dando tempo de 1 semana pra ele se acostumar com o novo gosto. Quando vi que não era muito bem aceito, abria mais o espaço de tempo. Sem pressa, dando o tempo que ele precisava. As papinhas que vi que ele gostava mais, fui marcando umas estrelas pra fazer com mais frequência.




























Ah sim claro, tinha dias que ele cerrava a boca e não tinha quem fizesse entrar papinha ali. Só leite. Até banana que é a que ele mais gosta e tive que dar uma diminuída porque começou a diminuir o ritmo da digestão dele, tinha dias que nem banana ele queria. As receitas tirei a maioria daqui deste livro. A autora é britância e sempre se refere aos ingredientes de lá, então alguns eu não sei nem o que é em inglês, quanto mais em alemão. Então desisti de algumas papinhas por conta disso. Mas por exemplo, damasco dá pra encontrar, manga dá pra encontrar, e apesar de vários tipos, papinha de pêra também é simples.





















Depois da primeira e da segunda vez, voce começa a pegar o jeito, ou pelo menos, eu. E não preciso ler a mesma linha 3x pra ter certeza que to fazendo certo. A técnica é basicamente a mesma. Lavar as frutas, cortar, tirar a casca, ferver com um pouco de água, misturar, deixa esfriar um pouco e passa no liquidificador ou no mixer de mão. Depois põe no pote e pronto, tá pronto pra ir pro freezer. Bom, em teoria ne. Nem toda fruta pode congelar. Banana por exemplo. Não congele papinha de banana que não presta.





















Já outras depois de congeladas perdem a consistência e não ficam a mesma coisa. A de manga, por exemplo. Olha, eu fiz de tudo. Framboesa com maçã, manga com damasco, ameixa com pêra, e nas de verduras fui com calma porque não fez taaanto sucesso como as de fruta. Apesar de depois de 1 mês tentando, Edi finalmente aceitou bem a papinha de cenoura com brócolis. Hoje é uma das que ele mais gosta.





















Hoje, ele está com quase 8 meses, então já introduzi papinhas de carne e frango há 2 meses, pois ele precisa de mais ferro. A introdução foi com papinha de peito de frango com batata doce e maçã, essa sim deu um trabalhão-ão-ão! Porque tem que cozinhar quinhentas horas. Mas Edi aceitou bem. Depois de 3 semanas, introduzi papinha de carne de vaca com cenoura e batata, e essa ainda é uma luta. Também dá um trabalhão pra fazer, por sinal. E no fim de semana passado fiz de fígado de cordeiro com cenoura e batata também. Essa ele gostou tambem. Mas essas de carne eu fiz meio que por mim mesma, sem receita, baseada nos conselhos da Mütterberatung, que é a "conselheira da mãe". Ela não é bem uma médica, mas dá ótimas recomendações de cuidados com a pele, limpeza em geral e principalmente em alimentação. Depois conto sobre isso aqui.





















Agora, diga, se é ou não é um mundo a parte. Gente, eu não sabia de nada disso até alguns meses atrás. Absolutamente nada. E a paciência de ficar uns 30 minutos dando a papinha, fazendo caretas e fazendo aviõesinhos pra ele abrir a boca? Faço tudo com maior carinho e adoro senta-lo na cadeirinha pra dar as papinhas. Ele depende dos meus cuidados pra crescer, se alimentar e ter o que precisa pra se desenvolver. E começou a se desenvolver dentro de mim. Eu emprestei o meu corpo para sua existência, para sua formação, quase perdi a vida para o início da sua. Como não amar? Como não cuidar? Fazer papinhas é trabalhoso a beça, mas por ele eu faço tudo que for preciso. E ainda por cima, arrumei alguém pra rir das minhas leseiras...

27 novembro 2013

Outono, a estação mais curta do ano

Na verdade, ainda estou meio que na dúvida se é o outono ou a primavera a estação mais curta do ano. Tudo porque nosso querido inverno toma tempo das duas estações e termina durando mais do que devia... Aqui em Zurique tivemos a primeira neve da estação na semana passada. E o outono que tinha começado há poucas semanas já vai dando tchau.





















Já mencionei aqui algumas vezes que o outono era minha estação do ano favorita, porque não tá aquele calor chato e desconfortável do verão, principalmente aqui onde a maioria dos lugares não tem ar condicionado, e não tá ainda aquele frio exagerado do inverno brabo onde voce tem que andar como astronauta. No outono dá pra gente se vestir bem, andar confortavelmente na rua, e o principal, as paisagens são um espetáculo da natureza. E de graça.




























Mas depois de 4 anos e meio morando aqui, tenho que dizer que não tenho mais necessariamente uma estação favorita. Acho que uma estação vai além de vestuário e eu to aprendendo a ver que todas têm seus lados bom e ruim. O outono é bem legal por tudo isso que já falei, mas tem a parte chata que é além de ser curta, chove bastante! E po, eu que não tenho carro, ando de onibus e tram e bastante a pé, isso faz uma enorme diferença, ainda mais andando com um bebe.




























Mas nossa, como é legal poder viver aqui e ver as 4 estações tão definidas. Mesmo que umas mais curtas que as outras, podemos ver os picos de cada uma. O dia mais quente do ano no verão com aquele abafado que voce nao consegue nem lembrar de como é sentir frio. Os dias ensolarados de primavera quando todas as ruas parecem ter arranjos de flores especialmente preparados, mas não, é tudo natural. As cores bucólicas de outono evidenciadas num dia de sol, mas pegos de surpresa por uma tempestade de vento! E o dia mais frio do ano no inverno quando tá menos 20 graus, amanhecendo as 8:30 da manhã e escurecendo as 4 da tarde, com tanta neve lá fora que faz voce sentir saudade do que é calor.




























O outono te lembra que o verão já terminou, que não dá mais pra sair de casa relaxada de sandália aberta, e em alguns dias te lembra que o inverno tá chegando e voce precisa usar casacos mais pesados. E como pode tantas oscilações em um período de tempo tão curto? Talvez por isso, o outono seja tão especial. Um passeio num daqueles dias e olha que espetáculo.




























Ainda estamos oficialmente no outono, mas pelo menos pra mim, quando neva, já é inverno, e aqui em Zurique apesar de não ter tanta neve assim na rua, já nevou, então o outono já foi embora. E principalmente nos últimos dias com temperaturas negativas, definitivamente não tem mais cara de outono meeesmo.

24 novembro 2013

De volta no ar!

Por onde começar.... depois de 2 meses com blog desligado, estou de volta. E de volta, mais uma vez. Tenho tanta coisa que queria escrever aqui que não sei nem por onde começar. Não quero ficar escrevendo me desculpando pela ausência, porque ne, cada um com seus problemas e esse espaço não é pra dar satisfações. Nem muito menos vir com esse bla bla bla superficial de "falta-de-tempo-por-causa-da-maternidade" que é bem clichê.... apesar de ser bem verdade... kkkkkkk! O que importa é que me dei conta que esse blog é importante demais pra mim, pra eu deixar assim de lado. Por isso, resolvi investir na repaginada e fazer valer um design que eu já tinha na cabeça há muito tempo.

Mas eu continuo aqui. Me dividindo em mãe, profissional e dona de casa, que é um trabalho que eu nunca achei que fosse capaz de dar conta. Por incrível que pareça, aos trancos e barrancos, estou conseguindo. E sabe, lembrei de uma época na minha vida, há um pouco mais de 10 anos atrás quando comecei a morar sozinha em Recife, quando eu trabalhava durante o dia no meu estágio no Bompreço, fazia faculdade a noite, fazia aula de piano e de alemão aos sábados, e não sei como arrumava energia pra sair pras noitadas aos sábados e estudar pra faculdade só no domingo. Ok que meu apartamento era minúsculo e eu tinha uma faxineira que ia 1x por semana ainda, olha, que luxo. Apesar de eu não ter que me preocupar com a casa, com a roupa nem com a comida, lembro que foi uma época na minha vida de muita correria.




























E agora, é o mesmo. Não a mesma correria, mas de não saber como dou conta. Me lembro de alguns comentários que ouvia naquela época e que se aplicam a hoje também: quanto mais coisa a gente faz, mais coisa a gente faz, e quanto menos coisa a gente faz, menos coisa a gente faz. Pode parecer idiota lendo assim, mas não é. Quando voce tem que fazer um trilhão de coisas, voce é obrigada a otimizar seu tempo, priorizar as coisas, organizar tudo de acordo com o tempo, e no final, tudo dá certo se voce tiver planejado direito. Já quando voce ta em casa fazendo nada, sem atividades extras, parece que voce nao tem tempo pra nada, porque ficar no sofá assistindo a todos os programas ocupa todo seu tempo e voce nem nota.
Agora que minhas costas tão começando a incomodar porque Edi já passa dos 9kg, e agora que eu to começando a rever algumas prioridades, é que to começando a terceirizar alguns serviços, digamos assim, hehehehe. Olho pra trás e penso que só devia estar mesmo louca de achar que tudo bem trabalhar de segunda a quinta, levar e buscar Edi na krippe, cuidar dele em casa, mesmo que com a ajuda do Eric, manter a casa limpa, roupa lavada, passada, pia vazia, comida e papinhas de Edi prontas e ainda cuidar de Juca... não que eu seja perfeccionista, mas se eu me propor a limpar a casa por exemplo, pode crer que mesmo com pouca experiência, não me dou por satisfeita se não tiver bem feito.

Agora entendo quando eu ouvia as pessoas dizerem que ser mãe era um trabalho a parte. E sem salário, férias, e o pior, sem o devido reconhecimento! E apesar de tão mas tão clichê, como é difícil falar disso, achar as palavras certas. Às vezes comparo com um mundo paralelo, duas vidas. A minha vida no escritório é tão mas tão distante da vida que levo em casa que me pergunto como consigo me desligar de um e de outro e dar conta dos dois. E não to exagerando quando digo que são 2 mundos não. As conversas que tenho no trabalho com pessoas que não tem filhos e fora do trabalho com amigas que têm filhos são completamente diferentes. Me pergunto se tenho dupla personalidade hahahaha!




























No trabalho, me vejo almoçando com meus colegas falando de música, shows e assuntos aleatórios, e depois me vejo num passeio com uma amiga também com filho e nossos carrinhos de bebe conversando sobre tipos de cocôs! Hahahahahahaha! Sério... mas em contrapartida, não sei também explicar como é possível ser apenas uma. Não me vejo sendo APENAS mãe, conversando sobre papinhas e produtinhos de bebes o tempo inteiro, mas ao mesmo tempo, também não me vejo mais apenas a Liana trabalhadora. Viagens, independência, planos de última hora e falta de compromisso também não sei mais o que é. Pelo menos por enquanto, eu e Edi somos quase uma pessoa só, ele depende demais de mim pra eu me dar ao luxo de ser um pouco reckless.. e quer saber, eu tambem dependo dele, então the hell with it, vou curtir mesmo essa fase, dar tudo de mim, e depois o resto volta, se tiver que voltar. Nunca tive tão feliz e tão exausta na vida.

Eric sempre diz que eu tenho que aproveitar o tempo livre quando ele está com Edi pra eu fazer coisas que não posso fazer quando estou com Edi... Aí eu páro e penso. Ora, o que? A vida que eu tinha antes é tão distante que... algumas coisas não fazem nem sentido mais. Definitivamente minha vida se dividiu entre antes de Edi e depois de Edi. Ainda vai demorar um pouquinho pra eu deixa-lo com alguém seja-quem-for! e ir ao cinema tranquila, ou não me preocupar se ele acorda a noite e o Eric cuida dele, ao invés de mim. Sei lá, é um senso de responsabilidade muito grande. Embora o deixe tranquilamente na creche quando vou trabalhar e consigo me desligar... acho que porque ele se sente bem lá e eu aprendi a confiar. Depois conto aqui como foi essa história da creche. No começo não foi fácil, mas agora é a 2a casa dele. E posso dizer com alegria: ainda bem!




























É complicado encontrar o equilíbrio ideal entre não deixar de ser eu mesma e ser a melhor mãe que posso ser. Não seria esse, aliás, o dilema de todas as mães? Enquanto me realizo no trabalho, dando conta de continuar sustentando a casa, ganhando meu dinheiro e me mantendo na ativa, uma parte de mim também se realiza criando e educando um ser. Chega até a ser injusto descrever tudo que faço como mãe como "criando e educando". Mas oh well.

Vou procurar melhor as palavras pra escrever só sobre isso. Isso aqui foi só pra quebrar o gelo e voltar com o blog. Tá tão fofo com esse novo design que até me motiva mais a escrever. Ainda mais agora com esse inverno chegando que a gente fica mais em casa, vamos ver se eu encontro mais tempo. É bom estar de volta.