30 novembro 2010

Vestida para trabalhar

Preciso fazer esse post logo antes que seja tarde. Explico. De uns tempos pra cá, fiquei tirando foto no espelho da roupa que vestia de manhã cedo pra ir trabalhar, e queria compartilhar aqui estilo "Fui Assim" de blogs de moda, sabe como é? Só que com a nevasca que tá caindo lá fora, o modelito dos últimos dias é praticamente o mesmo todo santo dia: o casaco de astronauta que cobre tudo, muito cachecol, muita roupa pesada, gorro, então não tem tanto charme assim, como no Outono, quando comentei aqui que temos mais liberdade pra vestir o que quisermos. Sendo assim, lá vai. Algumas fotos vestida para trabalhar. Ah e dá um desconto aí na cara de sono. Aceito críticas, dúvidas, sugestões. Ahahahaha.... Blogueiras, sintam-se a vontade para fazer o mesmo. Busco inspirações.



Casaco: Espirit
Cachecol: uma feirinha na rua em Madrid, eu acho
Saia: C&A
Sapato: Dosenbach



















Casaco: Zara
Blusa: Zara
Cachecol: C&A
Calça: Benetton
Sapato: Dosenbach













Casaco: Benetton
Cachecol: H&M
Saia (vestido): DWZ
Bota: Benetton


















Casaco: Zara
Blusa: C&A
Calça: Espirit
Sapato: Dosenbach


















Cachecol: H&M
Blusa: H&M
Calça: Oliver

















Blusa: C&A
Cinto: Espirit
Calça: Oliver


















Blusa: H&M
Casaco: One
Calça: MOfficer
Sapato: Arezzo

















Vestido: C&A
Calça: GAP
Sapato: Dosenbach


















Blusa: Zara
Colete: One
Calça: Benetton
Sapato: Dosenbach

















Cachecol: H&M
Casaco: Benetton
Calça: Espirit
Sapato: Dosenbach
















Casaco: não sei...
Calça: GAP
Bota: Dosenbach



















Blusa: One
Bota: Benetton

29 novembro 2010

Paparazzi suíço

Quem mora no Nordeste sabe o que é Bobflash, certo? Começou pequenininho com fotógrafos na noite recifense e rapidamente a "marca" Bobflash estava por todas as festas mais legais das principais capitais nordestinas publicando a foto da galera no site e divulgando as próximas festas. Quem mora em Recife pelo menos de 2004 pra cá sabe. E essa moda não é exclusividade recifense obviamente. Vários sites de várias cidades surgiram ao mesmo tempo e hoje tem de monte em tudo quanto é lugar.
Aqui na Suíça a moda não foi diferente. O site usgang.ch também adota a mesma filosofia de registrar a night nas principais cidades por aqui.
Eu e Jams fomos conhecer a nova boate inaugurada em Berna - Le Ciel - na sexta-feira retrasada. Tinha uma óóótima propaganda e mesmo cansadas e com frio, nos recompomos e fomos lá conferir a balada nova com ninguém mais ninguém menos que senhor Bob Sinclair.
Lembra Bob Sinclair? Nossa, eu e meus amigos em Recife quando saíamos e tocava "World, hold on" era o ápice da noite. Muito bom o som. E muito bom o som que ele fez no Le Ciel. Aqui em Berna não temos os lugares mais badalados do mundo, mas se você procura um BOM lugar pra dançar e curtir um super som, Le Ciel é a pedida certa.

27 novembro 2010

Ontem

Eu queria ter escrito este post ontem e entitulá-lo "Hoje", mas não deu tempo. Cheguei em casa já não era mais ontem, era hoje, ou melhor, "amanhã" de ontem, isto é, hoje, e não era mais ontem que seria o "hoje" do post. Confuso ne? ....aaaaanyways, aqui estou eu para falar do que queria falar ontem!

Ontem foi um dia muito cheio. Pra começar, de manhã quando acordei e olhei pela janela, coisa que estava fazendo quase todo dia na expectativa da primeira neve... tcharannn finalmente ela chegou! Ontem tivemos nossa primeira neve!!!!
Tudo pintadinho de branco de novo, um frio desgraçado, tudo molhado, e é Outono ainda! Ai ai.. Como falei no post passado, a primeira neve é muito esperada, curtida, gostosa de ver e tal, depois dura tanto que enche o saco. É verdade. Mas ontem fui andando pro trabalho feliz da vida tirando foto. Vi em vários blogs de gente que mora na Europa Central postando sobre a primeira neve, então foi geral, nevou pra todo mundo, que lindo.
Por várias vezes no trabalho olhava pela janela e via a neve caindo, tão bonito. Passada a manhã de configurações da plataforma de testes que tem vida própria e só funciona quando quer, fui almoçar com os meninos no Credit Suisse. Esta semana é a semana do queijo lá, então quem me acompanha no twitter viu que na quinta almoçamos fondue e ontem almoçamos raclette.
É, amigos, essa época de frio é dureza. O organismo exige mais calorias, você passa mais tempo em casa, os encontros são para ir comer alguma coisa engordativa... Almoçar raclette com chá quente é o marco para decretar oficialmente a chegada antecipada do inverno. Com a neve, fechou, tá batizado.

Voltar pra trabalhar depois de almoçar raclette é mais dureza ainda. Mas na quinta-feira ainda foi pior que comemos fondue com vinho. Ô tarde pra demora pra passar! E ontem, já não bastasse a estafa acumulada da semana, ainda tinha marcado com o Beni de finalmente ir conhecer a nova churrascaria brasileira aqui em Berna e não podia mais desmarcar. Já tínhamos remarcado quinhentas mil vezes e tinha um cupom de desconto que ia vencer. Então fomos lá. No meio da neve, andando no frio. Ficamos das 19h atéééé meia noite e meia comendo arroz, feijão, carne, macaxeira, caipirinha, sorvete e um vinho tinto pra fechar.
Português, inglês, alemão e francês foram os idiomas da nossa conversa. (Que orgulho!). Depois de um dia cheio, deu low battery no final e nem percebemos que depois da meia-noite não tem mais tram e tivemos que sair andando na neve, em plenos menos 10 graus. Ontem.

25 novembro 2010

Neve em Ticino!

Fim de​ semana passado fui a Ticino novamente. Ticino é a parte italiana da Suíça, mais ao sul. Indo de Berna, não tenho trem direto, preciso trocar ou em Lucerna ou em Zurique e a viagem dura pelo menos umas três horas. É o de menos quando vamos viajando olhando a paisagem fantástica da janela. E é mesmo fantástico, ne. Não só a paisagem mas viajo três horas confortavelmente num trem extremamente pontual, bacana e tal, e estou ainda no mesmo país, mas em outra região onde o idioma já é outro, uma região com outros costumes, outras tradições, ah... é magnífico isso, vai. Adoro esse país. Bom, aí passei o sábado andando em Bellinzona com a Simona, amiga do trabalho, e Juca. Ela é suiça-italiana nata. Ela vem de um vilarejo chamado Nante​, parte da cidade de Airolo, um município do cantão de Ticino.​ Mais suíça-italiana que ela impossível. A família tem o mesmo sobrenome do distrito: Leventina. Então daí você tira como eu estava segura, bem guiada e acompanhada. Depois posto sobre o passeio em Bellinzona que merece um post só.
Pois bem, Airolo fica a mais de mil metros acima no nível que Berna ​está no solo, por exemplo, então lá é muuuito mais frio. Airolo tem uma média de 120 dias de chuva e neve por ano, então o inverno lá chega mais cedo e vai embora mais tarde. A Simona passa a semana em Berna e nos fins de semana vai a Ticino, onde moram os pais. Nesta época, ela sempre chega ao trabalho dizendo que ​já tá frio em Airolo, que já nevou em Airolo, que tem não sei quantos centímetros de neve em Airolo, que em Airolo fez 0 graus enquanto aqui ainda estamos nos 10 e patati patata. Então finalmente eu fui conhecer esse danado de Airolo!
Dito e feito. Quando chegamos lá de trem, o irmão dela estava no carro nos esperando na estação para nos levar à casa dos pais deles, em Nante, mais acima ainda. E em Airolo mesmo quando chegamos já estava nevando um pouco mas aquela neve bem fraquinha, ralinha que quando cai no chão já é água. Aí no caminho para Nante, tome subir ladeira, voltas e mais voltas subindo a colina numas curvas mega sinuosas como só na Suíça tem​, e quanto mais subia, mais a paisagem mudava e mais neve eu passava a ver. Chegando lá em cima, em Nante, voilá, muita neve... e muito frio!!!
O bichinho de Juca acho que desacostumou com a neve e só queria ficar entrando em casa e de lá ficava olhando pra mim sem entender porque eu não entrava também. Acho que ele também estava com ciúme das minhas brincadeiras com a Blacky, a cadela da casa. Aproveitei um pouquinho da neve, a primeira neve que vejo desta estação, já que a neve que teve em Berna esta semana ​foi muito fraca e não conta.​ Mas hoje neste exato momento que escrevo este post, quinta-feira, 5 para as 10 da noite, ESTÁ NEVANDO DE VERDADE!!! Saí da aula de francês e começou a nevar de verdade, daquela neve grossa e densa que fica no chão e está nevando até agora! Neste momento, no termômetro da minha varanda está 1 grau. Os carros lá na rua já estão ficando branquinhos e amanhã quando eu acordar vai estar tudo branquinho branquinho lá fora! É claro que vou sair com a máquina na bolsa e tirar zilhões de fotos. Daqui a 4 meses ainda estará nevando e eu vou estar de saco cheio reclamando horrores que não aguento mais neve, branco, frio e tal, mas a primeira neve da estação é sempre especial, ne. Lembro da do ano passado. Então deixa eu curtir. E com a previsão deste fim de semana, acho que essa vai ser a paisagem que vai permanecer por algum tempo. E isso porque ainda falta 1 mês pra oficialmente começar o inverno!

24 novembro 2010

Festa da cebola "para maiores"

Zibelemärit em suíço alemão.​ Em alemão seria Zwiebelmarket. Em português, mercado da cebola. A Festa da Cebola! Todo ano, na 4a. segunda-feira do mês de novembro, comemora-se a festa da cebola em Berna, capital da Suíça. 
Eu já ouvi diferentes histórias sobre a tradição desta festa. D​izem que no século XIX esposas de fazendeiros de Murten vinham a Berna vender seus produtos, em especial ​ a cebola. Mas parece que a tradição mesmo vem de muito antes, do século XV, quando aconteceu um grande incêndio na cidade e pessoas de Friburgo ofereceram ajuda. Em retorno, os bernenses deram o direito às pessoas de Friburgo venderem cebolas por aqui. Seja lá o que isso quer dizer e o que realmente tenha sido que originou essa festa que dura até hoje, a cebola tá no meio​. Hoje em dia é uma grande comemoração, forte tradição na cidade, quando as escolas nem funcionam.
A festa começa super cedo, às 6h da manhã a cidade já tá lotadérrima com stands vendendo tudo quanto é coisa de cebola, torta de cebola, salsicha de cebola (argh!), etc. E durante todo o dia a festa acontece no centro antigo da cidade, com brincadeiras para crianças, confeti, buzina, apito, é tipo carnaval. Muita gente tira o dia de folga no trabalho pra poder participar da festa durante o dia. Eu, como trabalhei o dia inteiro, não pude conferir a festa acebolada durante o dia, então fui conferir a comemoração à noite. 
Saí do trabalho por volta das 18:30 e fui à cidade me encontrar com o Adrian que estava com mais um amigo e o irmão. A cidade tava só o resto, cheia de confeti no chão e os resquícios davam provas que a festa durante o dia tinha sido grande. O mercado da cebola mesmo já tinha acabado, nem cheiro de cebola eu senti (ainda bem!). Os stands já estavam fechandoe apesar de ainda ter muita gente na rua, à noite, só ​tinha a festa "para maiores". Fomos jantar num restaurante chinês e depois fomos num bar.  
Todo e qualquer bar da cidade antiga estava LO-TA-DO!​ Suíços animados como eu raramente vejo por aqui. Tipo como no carnaval, sabe. Aquela coisa uma vez no ano. Agora sei que são duas vezes por ano: no carnaval e no Zibelemärit. Durante o dia a festa é para as crianças e gente mais velha. À noite, a festa é em qualquer bar com música alemã tocando, povo cantando todas com todas as forças, fila pra entrar, empurra empurra quase estilo carnaval de Olinda, um calor louco lá dentro, gente fumando dentro do bar que nem pode, todo mundo amigo conversando e abraçando todo mundo. Uma festa que só vendo. 
Eu que tinha ido direto do trabalho com a roupa do trabalho, de manga comprida, gola alta, só faltei derreter. O amigo do Adrian, o Joël, muito engraçado com umas danças malucas, apesar de que quase não tinha espaço pra gente se mexer! Derrubaram cerveja na minha calça, no meu cabelo, ficou uma nhaca só. Meu sapato coitado, vou ter que aposentá-lo.. Mas foi divertidíssimo! Depois das músicas alemãs, tocou até o rap das armas e todo mundo cantava "parapapá"! Em plena segunda-feira. Só o festival da cebola mesmo.

23 novembro 2010

Futuro do Pretérito

Há um ano atrás, a segunda-feira tinha tudo pra ser um dia comum de trabalho... mas não foi.
Há um ano atrás, eu escrevi isto:

Futuro do Pretérito

Conheci um rapaz meio sério que não me dava nem bom dia nem me dirigia o olhar nas primeiras vezes que o vi, apesar de ter aberto a porta do corredor pra mim uma vez. Não fomos apresentados logo. Quando eu cheguei, ele estava de férias e quando voltou simplesmente ninguém nos apresentou. Ele não tinha muitos amigos. Os meses foram passando, nos cruzávamos no corredor de vez em quando, e eu sempre esperava o olhar dele, mas ele era resistente. Passou mais um tempo e ele ficou ausente, não sei, achei que estivesse de férias de novo. Até que um dia numa reunião semanal, fomos todos informados que ele, ele mesmo, estava internado numa clínica para depressivos. Estava longe de casa há 7 anos e pelo jeito não tinha conseguido se adaptar muito bem assim, estava tendo problemas. E problemas da cabeça tem que tratar. Semanas depois fiquei sabendo que ele já estava em casa, sendo ajudado por um amigo, mas ainda não estava indo trabalhar. O gerente dele me convidou a um jantar num domingo na casa dele, disse que ia convidá-lo também, e eu - nas palavras dele - poderia compartilhar um pouco minha alegria com ele e fazê-lo se distrair dos pensamentos ruins que insistiam em invadir sua cabeça. Aceitei na mesma hora.

Antes de acontecer o jantar, fui à sala dele, no trabalho, e desisti de esperar alguém nos apresentar. Disse que era eu a pessoa que ia jantar com ele, com o chefe dele e a esposa no domingo. Ele apertou minha mão e só disse "prazer em conhecê-la". Mais dias passaram e naquela semana, na semana do jantar, eu tive uma crise de torcicolo como jamais vista, me mexia feito um robô. Não trabalhei quinta a tarde nem sexta o dia inteiro. O jantar era domingo próximo. Eu estava tão mal que cancelei compromissos da sexta, do sábado, mas o do domingo eu não cancelei. Não podia. Queria ir mesmo com a tal dor no pescoço.

Passei o fim de semana em casa com bolsa de água quente no pescoço, passando Perskindol e tomando anti-inflamatório. No domingo, meu pescoço ainda não estava bom, e chovia muito, mas eu não deixei de ir ao jantar. Marcamos de nos encontrar e de lá fomos à casa do chefe. Lá, estava a esposa e a bebê. Sentei no sofá, na outra poltrona sentou ele, o chefe foi fazer churrasco lá fora aproveitando que a chuva tinha dado uma trégua. E ficamos na sala conversando e brincando com a bebê. Fizemos perguntas de praxe um ao outro. O vi sorrir, ouvi sua voz e fiquei feliz de estar ali.

Sentamos à mesa, jantamos carne de cavalo, de vitello e de vaca com batatas e salada. Comemos muito, comemos uma torta de chocolate de sobremesa. Permanecemos sentados à mesa por horas, conversamos sobre tudo, e de vez em quando ele fazia confissões que estava melhor e me parecia uma pessoa normal, afinal quem não tem problemas? De volta ao trabalho, cruzei com ele algumas vezes, ele só estava trabalhando meio expediente, e na semana passada, na sala dele, dei de cara com uma caixona de biscoitos prussiens com açúcar que eram uma de-lí-cia. Me disseram que tinha sido ele que havia trazido pra todo mundo e deixou ali pra quem quisesse. pegar Roubei vários biscoitos durante dias e na quinta-feira falei com ele que aqueles biscoitos eram muito bons. Ele me disse que estavam em promoção no Coop aqui do lado. Na sexta-feira, saí do trabalho e passei lá, só tinha o último pacote do mesmo biscoito, ainda na promoção, na prateleira e eu levei. Cheguei em casa, abri na mesma hora e comi mais uns. Comi no sábado, comi no domingo. Na segunda-feira, levei ainda o pacote pro trabalho pra compartilhar com meus colegas de sala, assim como ele havia feito, e planejava ir lá brincar com ele e dizer que estava o imitando. Mas, infelizmente, naquela segunda-feira cinzenta e fria, a mesa dele estava vazia.... E não ia mais ser ocupada por ele, pois ele já não estava mais entre nós....

Respirei rápido. Fiquei muito perturbada. Não consegui me conter.... Rebobinei os momentos que o vi me ignorando nos corredores e depois um rapaz tão doce tentando sobreviver nesse mundo confuso e conturbado. Não me aguentei, chorei muito. Constatei que aquele domingo, aquele fim de semana do jantar na casa do chefe, tinha sido seu último fim de semana vivo. Seus últimos sorrisos e suas últimas refeições. Fui uma das últimas pessoas que ele conheceu.

Sei que não é minha culpa mas não deixo de pensar que talvez se eu tivesse o mantido ocupado no fim de semana seguinte, ele tivesse sobrevivido a mais uma semana. E a cada semana talvez tivesse mais tempo para curar suas perturbações, seus medos e inseguranças, suas tristezas e sensações ruins. Talvez se eu tivesse perguntado o que ele ia fazer no próximo fim de semana e o tivesse encontrado, talvez aquilo o tivesse impedido de acabar com a própria vida. Talvez se eu tivesse tirado uma foto, talvez aquela foto espantasse o sentimento amedrontador de que ele estava só nesse mundo, e tivesse mais paciência pra ver o que ainda teria pra acontecer mais adiante em sua vida. Talvez se eu não tivesse esperado até sexta-feira pra comprar o biscoito, teria dado tempo pra ele ver que eu fiz o mesmo que ele fez para com seus colegas de trabalho, que eu "aprendi" aquilo com ele e que ele tinha coisas valiosas pra mostrar, pra ensinar. Sei lá... 

Mas ele não esperou. E eu? E agora como é que eu fico? Bem, eu vou respirar fundo e tentar continuar. Mantê-lo na lembrança e aprender alguma coisa com isso. Lembrar dos meus próprios momentos de fraqueza. Eu? Eu vou dar valor por não ter jogado tudo pro alto quando as dificuldades apareceram, por ter continuado, por ter tentado, por estar ainda tentando e suportando as indiferenças, as injustiças, o não certo. Por ter sido forte, coisa que ele não foi. Eu? Eu vou esperar que ele tenha partido pra outro mundo mais calmo que este, mais terno e menos cheio de turbulências que podem fazer um ir à loucura a ponto de acabar com a própria vida, quanta coragem... Eu? Eu vou rezar. Porque me conforta e tenho fé que o conforte também. Eu vou me esforçar pra aprender com isto. Eu? Eu vou viver! Viva! Uma próxima oportunidade pode não chegar, e o momento poderá ter sido perdido para sempre.


Dedicado a Craig Peirson.

22 novembro 2010

Castelo de Bratislava

O​ Castelo de Bratislava​ fica na montanha de Cárpatos, a beira do rio Danúbio e é uma característica marcante da cidade. Além da linda vista de Bratislava, a 85 metros acima do nível do rio, quando o tempo está bom, dizem que lá do alto é possível ver a Áustria e a Hungria, mas eu só vi Bratislava mesmo.
O​ castelo em si não é​ lá essas coisas todas, se comparado a outros extraordinários castelos espalhados pela Europa. O que vale mesmo a visita é mais pela vista. No entanto, não deixa de ter sua história e quando se conhece a história percebe-se porque ele não é tão magnífico assim. Já foi habitado por diversos povos que dominaram a região, desde o século X. Como fica no alto de uma colina, a visão da cidade costumava ser uma vantagem importante para aqueles que tinham que proteger seu território de invasões e tal. 
Mas a mudança da capital da região para Buda após o governo de Maria Teresa trouxe um período de abandono e esquecimento ao castelo. A galeria de arte e outros objetos interessantes que uma vez ficavam lá no castelo foram todos transferidos e assim o castelo foi perdendo sua importância. Em 1802 o castelo foi designado como um quartel militar e aquilo era o início do fim. Em 1809 o castelo foi bombardeado pelas tropas napoleônicas e em 1811 explodiu em chamas sem quaisquer cuidados ou ajuda dos austríacos. O castelo deteriorou-se rapidamente e parte do que sobrou foi vendido a preço de banana para qualquer coisa.
Entre o período das duas guerras, começou a existir um desejo de reconstruir o castelo para formar prédios do governo eslovaco e um distrito universitário, mas a área continou a ser um quartel militar até meados de 1946, quando as ruínas foram abertas ao público.
A partir de 1957, finalmente iniciou-se o trabalho de restauração do castelo, envolvendo bastante esforço em trabalhos arqueológicos e pesquisa arquitetural. Com o resultado, a região da colina onde se situa e a própria área do castelo passou a ganhar mais importância e passou a sediar festivais de filme e eventos. Desde 1968 o castelo abriga exposição do Museu Nacional Eslovaco e eventuais reuniões do parlamento do governo.
Não visitamos o interior e a maioria das pessoas que visitavam lá também ficavam só do lado de fora apreciando a belíssima vista privilegiada da cidade. E assim terminamos de conhecer Bratislava, a capital da Eslováquia.

21 novembro 2010

Conhecendo Bratislava, Eslováquia

A idéia de conhecer Bratislava surgiu simplesmente pelo fato de ser tão perto de Viena. Em uma hora de trem, apenas a 60km de Viena, essa coisa de poder conhecer outro país já tão diferente do miolo europeu assim tão facilmente me atraiu bastante. Então me informei e assim quando me certifiquei que era isso mesmo, procurei saber como chegar à estação de Viena de onde saía o trem para a capital da Eslováquia, e no nosso último dia em Viena fomos conhecer Bratislava.
O clima do domingo não era dos melhores, mas pelo menos não chovia. Bratislava tem uma população de quase 430 mil pessoas e é bem pequena. O centro da cidade se resume à praça Hlavné námestie e arredores.
Pra falar a verdade, eu não sabia muito o que esperar da Eslováquia. Não conhecia ninguém que já tinha ido lá e o pouco que consegui descobrir antes de ir pra lá foi o que li na internet e alguns poucos blogs de viagem que mencionam este país. Sendo assim, não reservei hotel nem nada por lá. Como é só uma hora de trem de Viena, reservei mais um dia em Viena, e nesse dia, pegaríamos o trem para Bratislava de manhã, passaríamos o dia lá e pegaríamos o trem de volta a Viena no fim do dia. Mas aí conversando com a Lu na noite anterior lá na casa dela, que na verdade foi a primeira e única pessoa que conheci (conheço) que já foi lá, me disse que de fato não se tem muito o que fazer e um dia inteiro talvez fosse até demais pra ficar por lá.
Mas eu tava tão contente com a idéia de conhecer a Eslováquia mesmo sem saber muita coisa de lá, que resolvemos ir mesmo. A Lu tinha dito que quando eles foram, foram num ônibus que tinha um único horário específico pra voltar, e que eles ficaram lá um tempão só esperando dar a hora de pegar o tal ônibus porque já tinham visto tudo da cidade numa manhã. Eu chequei na internet e como eu confirmei que havia trem a cada duas horas de volta a Viena, Bratislava continuou em nossos planos. É fato que não se tem muito o que fazer por lá, não é uma cidade historicamente atrativa e turística, e pra falar a verdade, o que acontece é que é difícil ser atrativa quando se tem gigantes como Praga, Viena e o grande destino turístico do meio da Europa principal tão próximo. Gente que vem conhecer a Europa quer em primeiro lugar conhecer o "principal". Depois, se sobrar tempo, vai conhecendo os não tão principais assim. A verdade é essa.
Mas Bratislava tem seu charme. Não só aparente mas de história. Comprei um livro lá com a história da cidade e do país e é bem interessante. A história é misturada com a da Hungria, Áustria e a antiga Tchecoslováquia obviamente. A cidade se tornou a sede do governo eslovaco após a separação da Tchecoslováquia em 1993. Bratislava não é apenas o centro político, mas também econômico, científico e cultural da Eslováquia. Conta com três universidades que reunem 60 mil alunos universitários que contribuem com sua parcela significativa na atmosfera viva e animada nas ruas da cidade antiga e pracinhas.
Bratislava é a maior cidade da Eslováquia e algumas pessoas dizem que é o "subúrbio" de Viena. Apesar de muita destruição na época da guerra e nos anos seguintes de regime comunista, a cidade hoje é vista com orgulho pelos seus habitantes em ser um pequeno centro cosmopolita. Alemão e húngaro ainda são falados no país, mas a língua oficial é o eslovaco, que também não aprendi um oi sequer.
Apesar de Bratislava não poder competir com suas vizinhas como Viena e Budapeste, os visitantes que lá decidem ir costumam curtir uma volta no centro, as praças arborizadas, as ruazinhas de pedestres cheias de lojinhas, cafes e feiras. Existem também concertos de óperas, teatro, museus, galerias que atraem os turistas.
Essas estátuas de bronze não personificam ninguém específico, mas andando pela cidade, é comum se deparar com umas estátuas em lugares e posições inusitadas. Seja para simbolizar o clima amigável e receptivo da cidade, seja para marcar e deixar vivo na lembrança o ataque do exército napoleônico à cidade, essas estátuas formam uma marca popular por lá.
O início da história da região data da idade da pedra, de acordo com evidências arqueológicas, segundo meu livro, de Martin Sloboda. Assim como as origens dos territórios das proximidades, que já comentei aqui quando falei de Budapeste, a primeira tribo que se estabeleceu por lá foi a dos celtas. Devido a posição estratégica próxima ao rio Danúbio, a região foi logo tomada pelos romanos. A grande transposição de tribos e povos que aconteceu na Europa a partir do século VII trouxe os germânicos à região. Seguidos por eslavos e magiares que governaram a região, invasões dos mongóis e hussitas, domínio dos turcos, a cidade se chamava Pressburg. Pressburg teve uma era dourada no reinado de Maria Theresa (1740-1780) ambos cultural e socialmente. Graças à presença da rainha, a cidade viveu um desenvolvimento sem precedentes. O apogeu acabou quando seu sucessor, o reformista Joseph II transferiu a capital da região para Buda, que era tudo uma coisa só.
Apesar da mudança da capital, Pressburg (Bratislava) reestabeleceu sua importância na metade do século XIX, expandindo seu centro industrial rapidamente. Após a Primeira Guerra e após a queda do império austro-húngaro, a cidade foi designada a então estabelecida nova república da Tchecoslováquia em 1919 como um importante porto no Danúbio e oficialmente renomeada a Bratislava.
Bratislava serviu de marionete fascista à Segunda Guerra e só a revolta nacional em 1944 salvou o país de ser contado como um dos perdedores da guerra. Seguindo a guerra, a Tchecoslováquia foi restaurada mas o comunismo veio ao poder até 1989, quando a revolução do veludo pôs finalmente um fim a tudo aquilo. O "divórcio do veludo", em 1993, separou oficialmente a República Tcheca da Eslováquia e trouxe finalmente a tão esperada independência ao povo eslovaco.
Hoje Bratislava é tida como uma cidade com alto nível de educação, forte economia e uma potência em crescimento da Europa. A Eslováquia tem 5 milhões de pessoas e faz parte da União Européia desde 2004. Desde janeiro de 2009, a moeda do país é o Euro e apesar do idioma ser uma coisa de louco, todos falam inglês ou alemão. Conhecer Bratislava foi uma grande surpresa. Muito agradável, elegante, organizada, vale a pena conhecer a capital da Eslováquia! Para saber mais, visite o site da cidade aqui.