20 março 2016

Chocolates e Ovos de Páscoa na Suíça

O maior clichê da Suíça mundo afora é o chocolate suíço, certo? Certo. Na Páscoa então, onde a tradição de presentear ovos de chocolate é repetida em comunidades cristãs mundo afora, como fica a Suíça?
Campanha de Páscoa da companhia aérea Swiss
Eu me lembro bem quando criança lá no Brasil esperar ansiosamente pelo meu ovo de Páscoa! Da mãe, do pai, da tia, do avô, era tanto ovo de chocolate que eu nem sei como eu não engordava... Bem, aqui na Suíça, é até irônico dizer isso, porque aqui realmente estão os melhores chocolates do mundo, já a tradição do ovo de chocolate não é assim tãããão popular e comercial como no Brasil. Claro, as marcas colocam mais chocolates a venda e em formas diferentes, mas a Suíça está longe de ser conhecida por seu marketing.
Fonte: http://reisefieber.hotnewsblog.net/
O ovo de chocolate ou ovo de Páscoa é uma tradição milenar do cristianismo, pois o ovo simboliza o nascimento e a Páscoa comemora a ressurreição de Jesus Cristo. Antigamente a tradição da Páscoa era pintar o ovo oco da galinha, embora o ovo já representasse a fertilidade e o renascimento séculos antes de Cristo. Aliás eu li que antes de Cristo, o costume era trocar ovos no Equinócio da Primavera (que seria amanhã, 21 de março), para celebrar o fim do inverno e o início de uma estação marcada pelo florescimento da natureza. Daí quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, a cultura do festejo da primavera foi integrada na Semana Santa e os cristãos passaram a ver o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo.



Colorir ovos é também costume de povos da Europa do Leste, os ortodoxos são experts nisso há milênios. Antigamente presentear ovos pintados era muito nobre. E essas tradições foram passando pelos povos, pelos anos e pelas fronteiras até chegar aqui. Até hoje aqui na Suíça, uma grande, senão a maior tradição da Páscoa é pintar ovos. Principalmente entre as crianças e nas escolas, Páscoa não é símbolo de ovo de chocolate, mas de pintar ovos.

Já ovos de chocolate já são invenção dos Pâtissiers franceses que recheavam os tais ovos ocos da galinha
pintados com chocolates, ou recheavam primeiro e pintavam depois. Os ovos eram escondidos nos jardins e as crianças tinha de acha-los. Essa tradição também é praticada aqui na Suíça, embora não haja uma influência tão grande do comércio com vários tipos e modelos de ovos de chocolates, muito menos os preços abusivos que se vêem hoje no Brasil.

Os ovos de chocolate de Páscoa aqui na Suíça que se vê nos mercados são mais ovinhos pequenos, que são geralmente usados em arranjos ornamentais, para usar de lembrancinha em algum evento, ou presentear crianças. Embora sim, você encontre ainda os ovos de Páscoa de chocolate maiores, mas de novo: com preços bem accessíveis. Um ovo de chocolate desses como do Kinder Ovo custa 12 francos.
Aqui se vê as pessoas também decorando suas casas com símbolos da Páscoa, mais do que comprando chocolates até. Os arranjos feitos com flores e cores de fato se mistura com o timing da Primavera que chega oficialmente hoje no hemisfério norte, e assim as duas coisas terminam se misturando. É um marco. Não é interessante como costumes e tradições milenares possam ser observados e praticados até hoje?

13 março 2016

Reflexões de inverno

Quem mora no hemisfério norte sabe. Chega março, já dá aquela coçeira ao vestir (ainda) esse monte de
roupa de frio. Mais um dia nublado? Não, pelo amor de Deus! Cada dia é uma nova esperança que dias melhores virão, não é mesmo? O inverno é lindo nas fotos, mas no dia a dia é dureza. Eu sempre disse que o ruim do inverno não é nem o frio em si, mas o quanto ele dura! Desde outubro, novembro que estamos vestindo esses casacões todo santo dia pra sair de casa, e já estamos em março! São 5 meses, e ainda não terminou! Apesar de esse inverno não ter nem sido dos mais rigorosos, a constante do frio, mesmo que com temperatura acima de zero graus, poderia até dizer que esse inverno está bondoso. Mas depois de um certo tempo, dá uma sensação um tanto quanto aborrecida, infeliz, desgostosa. Por mais de bem com a vida que você seja, chega um dia que o inverno simplesmente enche o saco.

Mas ok, vamos tentar ser otimistas, positivas! Tudo é questão de ponto de vista. Mesmo no inverno, mesmo sem parecer muito quando a gente olha pro céu, o sol continua nascendo e se pondo todos os dias. Aliás desde dezembro cada vez nascendo mais cedo e cada vez se pondo mais tarde. Percebam, já estamos em março, hoje às 6:30 da noite ainda tem sol! A cada dia temos mais um pouquinho de luz do sol por dia e como isso faz a diferença.

Um belo dia de sol no inverno pode ser a coisa mais linda do mundo! Outro dia estava na montanha e enquanto aqui em Berna o dia nem estava lá essas coisas, lá em cima nas montanhas a mais de mil metros de altitude, estava um sol lindíssimo. Muita neve e zero graus, mas com a caminhada dá até pra abrir os casacos. Os programas de inverno são esses mesmo, não tem o que fazer. Eu que não ando de ski nem me meto mais a andar de snowboard, vou à montanha apenas para admirar a lindíssima paisagem que se tem lá de cima. Pra mim é suficiente.

Os passeios ao ar livre de inverno não são lá tão frequentes como nas outras estações. Realmente não dá, eu não curto vento gelado rasgando meu rosto e aquele desconforto constante sempre buscando um lugar pra entrar e se aquecer um pouquinho. Mãos congelando numa contagem regressiva para entrar num par de luvas. Duas calças é demais pra mim, odeio roupa me apertando. Se visto só uma fico com frio. Oh, dó.. Então é época de ficar mais em casa...comendo. Deus, como eu queria voltar a encontrar uma motivação forte para levar uma dieta a sério por mais que umas semanas. Vira e mexe, estou eu aceitando um chocolatinho ali, comendo um fondue acolá. E pronto, quando vejo já era. É culpa do inverno isso ou é culpa minha?

Eu nem sou disso mas nas últimas semanas meses tenho virado telespectadora frequente do Netflix, assistindo séries e filmes que nem tô afim só porque o que, porque o tempo lá fora tá feio, vou assistir TV e esperar melhorar. .... Horas depois. Eita não melhorou.... de qualquer forma já anoiteceu e eu peguei no sono. Falta quantos dias pra primavera mesmo? Me sinto uma inútil no inverno! Isso sem falar dos dias de nevasca noturna que quando você tem que sair de casa tá aquele mar de neve na calçada que só sendo o carrinho de bebe do seu filho (ainda bem) muito bom mesmo pra conseguir andar na neve sem derrapar.

Chega de se lamentar, eu disse que ia ser otimista. Porém ser otimista no inverno é o que, é ter esperança que ele acabe logo e torcer que a primavera se antecipe? Hahahaha. Difícil isso ne. As estações do ano aqui no hemisfério norte passam a ter tanta importância na sua vida, coisa que antes lá no Brasil não acontecia. De novo: eu até gosto do inverno, mas pra mim já deu. Chega março já cansei de sentir frio. Hoje mesmo tinha programado umas coisas pra ir fazer na cidade... não fiz nada, só saí de casa pra ir andar com Juca tamanho era o frio e a ventania que tava quando botei o pé fora do prédio. Isso porque eu até me acho bem animada pras coisas, mas realmente hoje não deu.

A influência do inverno no humor das pessoas também é uma coisa notável. Já falei bastante disso aqui no blog bem no início da minha vida aqui e é realmente uma coisa que eu continuo achando, e acho que não sou só eu que acho. Por mais que tente se dizer ao contrário, no inverno as pessoas na rua parecem sim mais deprimidas, mais cabisbaixas.. talvez estejam tentando se encolher pra se proteger do frio mas enfim. E não é apenas pela cor dos casacos não, que em grande maioria, o preto predomina. Mas diga se não é mais animador você sair na rua com uma calçada repleta de flores coloridas sorrindo pra você. Dá vontade de sorrir de volta, de falar bom dia com vontade e não por educação com as pessoas que cruzam seu caminho, de acordar mais cedo, e esticar o dia depois do trabalho num bar de calçada ou no parque ao barulho dos passarinhos e das crianças. No inverno as pobres das crianças mal conseguem se mexer com tanta roupa!
Dias bonitos naturalmente nos dão mais energia. E ok, concordo, dias bonitos no inverno também existem. Dias bonitos de inverno com sol brilhando e neve, mesmo que esteja frio, como falei antes no episódio da montanha, podem ser sim extraordinários, lindíssimos. A questão é que são muito poucos os dias bonitos de inverno. Muito pouco mesmo! Isso quando não cai durante a semana quando você tem que trabalhar! Não é a toa que muitos suíços por aqui tiram o dia livre no trabalho espontaneamente, quando a previsão do tempo dá dia bonito em plena terça ou quarta-feira! E mesmo que lá na montanha haja mais dias bonitos porque estão mais acima, não dá pra ir todo fim de semana pra montanha, não é verdade?

Esportes de neve são outro tema que eu já não vou nem me aprofundar muito, mas pensa comigo como é caro manter um hobby desses. Equipamentos de ski, casacos, botas de ski, todos os acessórios, luvas, gorros, todos apropriados, além dos bilhetes para subir e descer o teleférico lá nas montanhas. É um hobby caro!

Eu se pudesse, desejaria apenas dias bonitos pra ver da minha janela lá do trabalho ou da varanda da minha casa, o mais frequentemente possível. Tenho certeza que ajudaria em muita coisa. No dia a dia, como tenho que preencher a maior parte dos meus dias da semana ocupada no trabalho, acho que até levo vantagem pois lá o tempo passa rápido, eu me ocupo tanto entre uma reunião e outra que quando vejo o dia já terminou, a semana já terminou, e assim, os dias passam mais rápido. Veja, quando sentei aqui pra escrever sobre o inverno, já era março e ele felizmente já estava terminando! ... Isso sou eu dizendo a mim mesma.

Esses dias curtos e gelados enfim estão literalmente com os dias contados. Foram poucos os dias bonitos de inverno que tivemos esta temporada até agora. Mesmo o frio não tendo castigado muito com temperaturas até piedosas, os assíduos dias sem cores e clima insípido têm força e sugam um pouco de minha potência. Fazendo uma analogia com o nome da cidade onde moro, Berna tem esse nome por causa dos ursos, e esses por sua vez, se recolhem durante o inverno para poupar energia, reduzem o metabolismo. A hibernação não significa dormir o tempo inteiro. Eles hibernam, isto é, ficam em estado de inatividade, diminuem drasticamente a atividade física, diminuem a temperatura do corpo e o metabolismo, onde as funções vitais do organismo são todas reduzidas apenas ao absolutamente necessário para não morrer. Eles vivem meio grogue, quase vegetando, exatamente para gastar menos energia, consumir menos durante os meses gelados do inverno.

Veja que prático. Isso nada mais é que um mecanismo de sobrevivência das espécies. A espécie humana não está incluída aí nessa prática de estado letárgico, mas eu entendo perfeitamente as razões da morbidez desse fenômeno, porque não precisa de muita explicação inteligente para tal, é apenas instinto. Por mais natural que possa ser um inverno para quem tenha vivido a vida inteira com essa estação uma vez por ano, e por mais necessária que ela seja para o acontecimento das seguintes, e por mais belos que sejam os belos dias ensolarados de inverno, o inverno é sim o pai ríspido que não quer nem saber como você está se sentindo hoje, ele faz o que tem que fazer, e dispara a neve pesada que cai sobre as nossas cabeças na hora mais inesperada do dia, que por vezes cai como um sermão duro de ouvir e que dura sempre mais tempo que o esperado.
Sobreviver a um inverno é suportar mais que dias congelados, é suportar a si mesma, é sair dele ainda equilibrada, sã, ainda que com remanescências dos cortes do vento rasgado gelado no rosto. Quando acaba o inverno, os ursos também "acordam" para continuar vivendo depois desse estado de transe que estiveram. Talvez a "hibernação" dos humanos seja essa tal falta de ânimo na maior parte do tempo dos dias cinzas e frios. Por melhor que tentemos encarar, a severidade do inverno nos repreende de fazer (e de vestir, de comer...) muito do que gostaríamos... A gente é que tenta fazer dele o melhor que podemos, bem melhor do que ele realmente é talvez.

Talvez eu tenha exagerado nas metáforas e nos adjetivos deste post. Uma brasileira indiferente às marcas de mais um inverno suíço é que eu não ia ser. Sorte que ele está com os dias contados. E que não seja indelicado como nos outros anos, que rouba os dias da tão esperada primavera.

04 março 2016

Viajar de avião com uma criança de 2-3 anos

Esse post é uma sequência deste aqui que escrevi há 2 anos, depois da minha primeira viagem sozinha com o Edi para o Brasil. Nossa, quanta coisa mudou. Relendo aqui o post vejo o quanto me faltou experiência na viagem com o Edi bebê. Mãe de primeira viagem. Hoje faria várias coisas diferente. Mas foi bom escrever pra hoje eu ler e me lembrar de como eu lidava com as coisas na época. Bem não faz tanto tempo assim, mas há 2 anos o Edi era um bebezinho que não tinha nem 1 ano e o "esquema" era outro. Fomos outras vezes ao Brasil e fiz outras viagens com ele nesse meio tempo, mas nesta última viagem ao Brasil, agora que o Edi está perto de completar 3 anos, acho que já dá pra dar um upgrade no post e contar a nova "modalidade" de viagem que me encontro.

Acredito que daqui a uns 2 anos eu vá sentar aqui novamente e dizer "nossa, olha como eu era inocente viajando com o Edi quando ele tinha 2, 3 anos! Hoje faria diferente!"... apesar de me achar "a safa" nas viagens com o Edi, continuo sendo mãe de primeira viagem e estou lidando com essa nova fase do Edi pela primeira vez na vida. Mas como os anos servem para alguma coisa e eu conheço o Edi como ninguém, posso dizer que a experiência de viajar com ele nessa fase de 2, 3 anos é a melhor que eu poderia ter.
De novo vou salientar que a grande parte do tempo quando estamos em casa, somos só nós dois, então eu
já estou acostumada a fazer tudo e a nossa rotina é puxada mas já virou a definição de "normal" pra mim, e é muito boa. Sinto um pouquinho de saudade dele bebezinho, cabendo no meu colo direitinho e até de conseguir segura-lo com uma mão só, mas hoje prestes a completar 3 anos, ele não cabe mais num braço só por muito tempo, são então outras vantagens e um novo mundo que estou descobrindo, inclusive vários aspectos durante as próprias viagens.

Com 2, 3 anos, ele já é um pouco mais independente. Já anda por bastante tempo, entende tudo que eu falo então pode ajudar em alguma coisa, tipo segurar uma bolsa, ou não tocar em nada quando estamos num banheiro público. Estou lidando com uma mini pessoinha e não mais um bebê que fica imóvel e não sabe aonde está. Ele participa das viagens, ele sabe quando vai viajar, conhece as sensações de levantar vôo num avião, não se assusta mais com pequenas coisas, diz o que quer, o que não quer, escolhe o quer comer, o que quer fazer, e está começando a entender quando eu aponto para uma paisagem e digo "olha, Edi, que lindo!".

O Edi hoje já esteve em 14 países então o vocabulário relacionado à viagem ele conhece bem. Mala, aeroporto, avião. Ele se anima quando tem uma nova viagem, anda entusiasmado no aeroporto e ao chegar num lugar novo. Não tenho certeza se ele é assim hoje porque já viajou bastante até chegar aqui, ou se é porque ele tá crescendo e de uma forma ou de outra ele iria se entusiasmar mesmo bastante na hora de viajar.
Seja como for, meu melhor companheiro de viagens está também numa fase única na vida. Ele poder andar por mais tempo e não estar sempre no carrinho na hora das viagens, significa que ele tem muito mais
energia! O que num vôo de 12 horas para o Brasil não é necessariamente uma vantagem. Se for um vôo noturno, eu posso ficar tranquila que ele vai dormir praticamente o vôo inteiro. Chegou a hora de dormir ele dorme. Mas se for num vôo diurno, meu amigo, é preciso ter força e mil maneiras prontas de entreter uma criança.

Eu procuro me preparar com antecedência, pensar em novas maneiras do que fazer durante um vôo, mas a verdade é que sempre terminamos fazendo as mesmas coisas. Ele ainda dorme a tarde e dorme no meio de um vôo longo, mas o que são 2 horinhas num vôo de 12, não é mesmo? Nas outras 10 horas, são muitas horas, que gastamos basicamente brincando, comendo, conversando, desenhando, assistindo desenho ou fazendo atividades no iPad. O iPad é a única ferramenta que o entretem por um tempo mais longo, pois além de ter várias atividades diferentes como quebra cabeça, desenhos, brincadeiras interativas, tem aplicativos de desenhos que ele pode assistir e ficar entretido sozinho.

Não sei se precisa dizer que eu não durmo. Enquanto ele está acordado, eu não consigo pregar o olho,
então eu aproveito pra ler, ver revistas, comer, enfim, fazer o tempo passar. Já se ele está dormindo, o meu sono parece pesar mais, mas eu no máximo tiro uns cochilos de alguns minutos pingados. Da última vez consegui até assistir quase um filme inteiro! O que é um acontecimento raro. Mas jantei, tomei um vinho, curti o vôo também. Fico praticamente com um olho aberto, e normalmente amarro uma coleira, uma cordinha ou o cachecol nele e em mim, para não levar nenhum "susto".

Falando em cordinha, eu comprei uma coleira pra ele, dessas mesma que ele veste e eu posso amarrar em mim ou segurar, pra que ele não se perca quando estivermos andando em aeroportos ou em alguns passeios que tenha muita gente. Não vejo o menor problema nisso, ele curte e eu posso andar mais tranquila, olhando pra frente ao invés de pra baixo pra ver onde ele está a cada 2 segundos. Acho essas coleiras uma mão na roda!
Gosto também de usar pulseirinhas de identificação, caso aconteça de ele se perder. Deus me livre, nunca
aconteceu, mas melhor prevenir do que remediar. Já vi por aí pulseirinhas com GPS mas ainda não me convenci do preço, então continuo old school.

Durante o vôo eu levanto com ele mais pro fim do vôo, quando a paciência dele já está se esgotando de ficar parado e nada mais é bom o suficiente para entrete-lo. Aí ele adora, ir ver as comissárias de vôo que sempre gastam um tempo conversando com ele, ele corre pra lá e pra cá e gasta uns 2% de energia que estão transbordando já.

Edi ainda usa fralda, então ainda tenho que usar o trocador do banheiro do avião para troca-lo, o que é uma parte não tão fácil da viagem, porque ele já está grande e mal cabe no trocador.

Ao fazer checkin e reservar assentos, eu sempre procuro dois assentos sozinhos, o que não existe em toda aeronave nem em toda companhia aérea. Viajar com um "estranho" do nosso lado é um pouco desconfortável, perdemos um pouco da nossa privacidade e Edi tenta interagir com alguém que às vezes só quer dormir. Mas faz parte das viagens.

No tema comida o Edi não me dá trabalho. Claro que durante um dia de viagem ele não come como em casa, mas as refeições dos vôos sempre inclui uma pasta com molho de tomate, quer prato melhor pra criança? Eu sempre levo uns biscoitinhos na bolsa e suquinho de caixinha e assim a gente vai enganando o estômago, não é um problema.

Me faltam palavras para descrever o quanto é boa essa sensação de poder fazer o que eu gosto com meu filho, e ensina-lo a gostar também, e ver o resultado. Ele é tão pequeno e já passamos por tantas coisas, já fomos a tantos lugares. Sem dúvida viajar com o Edi agora está melhor simplesmente porque ele participa mais das viagens, é um verdadeiro companheiro.