30 março 2012

post espontaneo

Boa noiteeee!!!! To muuuuuito feliz que to em casa a noite e amanhã não tenho que trabalhar, afinal é sabado, e esse fim de semana é o meu descanso, o descanso dos justos. Essa semana foi uma das mais puxadas EVERR e eu tenho chegado em casa tarde da noite. Pobre Juca, pelo menos um amigo agora está vindo andar com ele durante o dia e eu fico menos preocupada.

Quando eu trabalhava aqui perto de casa era uma tranquilidade vir em casa na hora do almoço por roupa pra lavar, andar com Juca ou trocar o sapato que tava me apertando. Agora eu passo o dia inteiro longe e apesar de Juca estar há 9 anos comigo e estar acostumado ao esquema desde lá em Recife, penso no que ele fica fazendo durante o dia aqui. Até deixei a camera do laptop da sala ligado uns dias filmando, e assisti depois. O bichinho fica no sofá dormindo de todos os jeitos possíveis, brinca com o osso, olha Juca é uma benção, não tem cachorro melhor. Nunca faz xixi nem coco em casa, acho que eu fiz um bom trabalho na educação dele. E agora com um amigo vindo aqui dar uma volta com ele durante o dia pra Juca é pefeito porque ele fica feliz com qualquer coisa.

Sei lá ne, uma coisa é voce morar com um cachorro no Brasil, outra coisa é voce vir morar na Suiça e aprender uma regra nova a cada dia. Sabia que cachorro aqui paga imposto? Pois é. Qualquer dia escrevo sobre o danado. Descobri esse ano e tive que pagar o do ano passado atrasado e pagarei todo ano. Afinal, eu não poderia mesmo achar que aqueles lixinhos de cachorro e os saquinhos de coco em cada esquina seriam de graça, neam!

Ai ai, vivendo e aprendendo. Sempre. A cada dia. E só assim pra gente dar valor as coisas. Outro dia fui jantar na casa de um amigo brasileiro com outros estrangeiros e quando vi feijão nos acompanhamentos, não consegui disfarçar minha alegria. Minha nossa senhoraaa!!! Que saudade de comer feijão toda semana. No Brasil eu nem dava valor, agora pra mim vale ouro. Outra coisa também, eu todo o tempo que morei em Recife e em Natal nunca fui fã de forró. No final dos anos 90, ainda curti Mastruz com Leite, Limão com Mel, mas depois que o negócio ficou desafinado e baixaria demais, eu desisti. Meus amigos lá sempre iam a shows de forró, vaquejada e essas coisas, e eu posso contar nos dedos as vezes que fui. Aí teve show de Aviões do Forró em Zurique esse mês e adivinha quem estava lá?

EU!
Oxe, quem mais dançou ali fui eu!

HaHaHaHaHa!!! pode rir, pode rir.... Dancei até o pé doer e não sabia que gostava tanto de uma festa a la brasileira. Que saudade, Deus, que saudade..

Me animei toda pro próximo show que vai ter que é Revelação (pffff olhe eu indo a show de pagode!!! HAhahahahahah!!!!!!) mas não vou não porque é no meio da Páscoa e eu to me coçando pra fazer minha primeira viagem solo de 2012!

Olha, sei não, viajar é muito bom. Viajar acompanhada é muito bom. Acabei de voltar de Estocolmo com uma amiga e nos divertimos horrores. Tenho muito que escrever aqui e tenho ótimas lembranças também do fim de semana passado. Foi ótimo, andamos que só, conhecemos lá a capital da Suécia, batemos perna, curtimos bares, conversamos a beça, mas eu confesso, depois de ter descoberto a mágica de viajar só, de explorar sob minha conta e risco uma cidade que eu escolhi, buscar no mapa onde quero ir, pedir informações e ficar lá com meus botões turistando, pensando, refletindo, lendo, tirando foto, é um sentimento que eu não quero perder. Portanto to aqui futucando a próxima muito em breve ida a mais outros buracos do leste europeu, continuando minha exploração da antiga Iugoslávia- Macedonia e Albania. Calma, calma, to ajeitando ainda. Depois de ter conhecido a Sérvia e a Bósnia, quero continuar essa "pesquisa", antes de começar a explorar terras novas. Porque várias novas ideias e planos estão aí, a Escandinávia que há 1 ano atrás era estranha pra mim está aí na palma da minha mão, e a região do lado que eu tenho muita vontade de conhecer - Letonia, Lituania e finalmente Bielorussia e Russia - estão só rondando por aqui.

O trabalho em Zurique tá puxado pra caramba. Desde a promoção, muita novidade, novo time, novas responsabilidades e novas cobranças tambem. Nao reclamo, pode chicotear que é ali que eu me esgoto mas me renovo também. De "presente" pela promoção ganhei um Macbook novinho da empresa e um bonus, e me dei conta do horror que me é descontado de taxa/imposto todo mês do meu salário. Ô Suicinha. Como se não bastasse o dia a dia com uns 30 francos por um cheeseburguer em Zurique no almoço ou 10 francos por uma mini lasanha por exemplo, mais coisas me aparecem pra eu não esquecer como viver aqui é caro. Literalmente tudo tem um preço.

Suiça é Suiça ne. Depois que fiquei sabendo que a maioria dos suiços votou contra aumentar o tempo de férias por ano de 5 para 7 semanas, não me surpreendo mais com nada nesse país. Até retuitei no Twitter o post da Ana no blog dela o post que ela escreveu sobre isso, e é muito interessante. Ora, imagine se no Brasil o povo tivesse o direito de escolher aumentar o seu tempo de férias por ano. Aqui o povo tem e votou contra. Em suma, eles são extremamente racionais e a razão de não quererem é que a longo prazo isso afetaria a economia do país. OH MA GOD! Amo e odeio viver aqui ao mesmo tempo. Agora voce entende, não entende?

Nao quero me alongar nesse assunto. Ja discuti demais demais demais com todo mundo sobre isso e minha cabeça agora ta cansada pra falar sobre isso. Outra que aconteceu por aqui e que eu adicionei à série "Só na Suiça" foi semana passada na academia. O diretor da academia chegou pouco antes da aula de zumba começar anunciar que ia fazer uma filmagem rápida na aula da semana seguinte e tirar umas fotos pra por no site pra divulgar ne a aula de zumba, e que se tivesse alguém contra, se pronunciasse ou estivesse avisada caso não quisesse aparecer na filmagem. Tipo.... sério. Se fosse no Brasil, nego chegava filmando no meio da aula, queria nem saber. É ou não é?

Outra ainda. Aqui em casa tem o aquecedor. Em cada cômodo da casa tem um. Na sala, no banheiro, nos dois quartos e na cozinha. É daqueles aquecedores antigos que passa água, e tem uma central no porão do prédio, não sei direito não como é que funciona. Sei que no final do inverno mais ou menos, chega a conta da calefação pra gente pagar. Só que no aluguel que eu pago todo mês, já pago 200 francos a mais como custo médio do prédio para água fria, parte da água quente e parte da energia e parte da calefação. Aí o que que me acontece? Recebo uma carta da imobiliária dizendo que no ano de 2010/2011, ou seja, inverno passado, meu consumo de calefação foi não sei quantos por cento abaixo da média do prédio (do valor que eu pago, aqueles 200 francos por mes) e pelas contas deles lá - me mandaram não sei quantas folhas explicando os cálculos, médias por mês, etc etc etc e tal - concluiram que no total eu paguei 100 e tantos francos a mais que todo mundo, e por conta disso, eles iam me devolver o dinheiro e queriam minha conta pra depositar o dinheiro pra mim. Tipo.......... sério? Meu, só aqui ne. Onde isso mais acontece? Alguém me diz.

Da mesma forma, eu tinha o cartão da meia tarifa pra andar de trem aqui na Suiça. Quando mudei de emprego e minha empresa me deu o GA (General Abonnement) que é o passe livre pra andar em qualquer trem na Suiça, fui lá no guichê na estação pra fazer o registro do GA, aí a mulher viu que eu tinha o meia tarifa e que ainda era válido por uns 6 meses. Sabe o que que ela fez? Me deu o dinheiro de volta equivalente aos seis meses que eu não ia usar, que EU JÁ TINHA PAGO da anuidade, porque o GA ia cobrir já. Tipo..... amo esse país.

Em contrapartida, odeio ter que ter uma receita médica pra comprar remédio pra uma simples dor de cabeça na farmácia. Trago tudo do Brasil. Um colega levou uma multa outro dia de 100 francos porque atravessou a rua fora da faixa de pedestres e quando o sinal de pedestres estava vermelho!!! Outro porque estava andando de bicicleta na calçada e tem que andar na pista de bicicleta. Essas coisas também certinhas demais às vezes são um pé no saco, mas já que é pra ser certo e organizado, tem que ser por completo.

Nossa, são tantas histórias que normalmente nem me dou conta. Quando me pego pensando como agora é que vejo como tem coisa pra contar aqui da vida por aqui que não é assim tão comum.

Que mais? Hm... a primavera finalmente chegou e chegou mesmo. Tempo esquentou e deu fim a estação de fondue e engordação. Até o horário de verão começou e agora é sol até cada vez mais tarde. Adeus inverno! Uma fotinho ainda de quando tava frio:
Não. Não tenho saudade desses casacos.
Isso foi em Friburgo. O ponto de encontro agora do pessoal do meu antigo trabalho que eu mantive contato. Lá sempre tá mais frio que em Berna. E é tão engraçado como lá é diferente da parte alemã, de Zurique por exemplo. No mesmo país, línguas diferentes e quem é de lá vive isolado de Zurique e quem é de Zurique nunca vai a parte francesa da Suiça. Eu não poderia morar no lugar mais neutro entre uma cidade e outra no país mais neutro do mundo.

E já que esse post tá assim espontâneo, sem assunto nenhum e sobre tantas coisas, o que é isso gente esse video "Para nossa alegria" ? Só eu morro de rir com isso? Gente!! Kkkkkkkkkkk! Esse menino é a cara do Cirilo, como pode!!! Hahahahahaha.... mostrei pra um amigo suiço aqui e óbvio ele não morreu de rir como eu. Oh well.

Ó, vou ali procurar alguma coisa pra comer que eu só fiz almoçar hoje ta.

25 março 2012

Live from Stockholm

Post do celular. Testando 1 2 3

Estou aqui em Estocolmo, capital da Suecia, neste fim de semana lindo e ensolarado, atipico mesmo sendo ja primavera, com uma querida amiga e otima companhia de viagem.

18 março 2012

rumo do blog de uma expatriada

A gente se enche de sonhos, metas e coragem, começa a por a realização de um sonho em prática e cria um blog pra registrar cada momento, cada passo, cada sentimento ao longo do caminho. Porque é tudo tão especial e único que voce não quer perder uma lembrança. É legal, sua família e amigos do Brasil acompanham, voce escreve desinibida, conta detalhes e não tá nem aí se alguém que voce não conhece vai chegar a ler.

O início tem tantas maravilhas, é tudo absolutamente novidade, voce anda sorrindo e abestalhada com tudo que vê e cada situação que passa. Não tem nem noção de como será a vida daqui a 1 ano, está aberta a fazer amizades com quem for, sorri pra todo mundo e dá pulos de felicidade pra quem lhe sorrir de volta.

Há tanta coisa pra contar no seu primeiro ano que voce nem sabe por onde começar. A primeira ida ao Brasil de volta, o reencontro com os amigos, a família fazendo mil perguntas, e voce se sente nas nuvens.

No segundo ano, as coisas deixam de ser novidade e começa a entrar uma rotina na vida que voce até sentia falta. Viaja, mas se sente bem em voltar pra casa, que sim, já tem cara de casa e voce já se sente em casa. As amizades começam a se separar, afinidades determinam quem realmente vai fazer parte da sua vida no seu segundo ano da nova vida, e voce nem acredita em algumas coisas que escreveu logo no inicio que hoje parecem tão normais. Voce se ve dando informação na rua, entendendo gírias do idioma local e novas pessoas chegando ao trabalho, a vizinhança vêem voce como veterana, quem diria.

Como tudo na vida, há altos e baixos nessa nova não tão nova empreitada, mas voce lutou tanto pra conseguir chegar aqui que busca sempre ser positiva e olhar o lado bom da coisa. O trabalho que não é tão bom assim, o frio que pega pesado no auge do inverno, seus amigos fazem uma falta desgraçada, o idioma novo que insiste em quebrar sua cabeça e tem dias que voce só queria o colo da sua mãe. Dias negros, dias chuvosos, dias difíceis. Tudo melhora quando chega o sol, a primavera dá sinal, todo mundo na rua parece mais contente, e voce se lembra o que veio fazer aqui. Viaja de novo, se apaixona pelas diferenças culturais que lhe despertou um certo interesse no início, ah, que vida maravilhosa estar livre pra ir aonde quiser e conhecer tantas coisas novas.

Como é bom reencontrar pessoas que fizeram parte da sua chegada aqui, voces até parecem velhos amigos, veja só como é a vida. Em plena Suiça! E tão longe do Brasil encontrar brasileiros com histórias tão diferentes que os levaram até aqui e até esse encontro contigo, não pode ser em vão. Aí voce se lembra como é bom conversar no seu idioma, e vê que tem dificuldades em articular no seu próprio idioma porque tem falado tanto outros idiomas, e dá risadas porque algumas expressões agoram soam engraçadas.

Os locais (no caso os suiços) que já lhe conhecem há algum tempo vêem voce de um modo especial e voce percebe do modo como eles te tratam que apesar de tanto tempo longe de casa, não perdeu sua essência.

É tarefa contínua, quando longe do Brasil por tanto tempo, manter sua essência, seus valores. Não é porque estou aqui e "ninguém" me conhece que vou fazer coisas que lá não faria. É um sonho sendo realizado mas com um cenário lindo e perigoso ao mesmo tempo, de descobertas e tentações. Como em qualquer lugar que voce estivesse, a vida é uma só e te põe a testes a todo momento. É um exercício diário lembrar-se o porque de estar e ter vindo pra cá. Não acomodar-se com coisas que não está satisfeita e continuar todos os dias fazer valer tamanho esforço.

Ser brasileira no exterior não é fácil. É preciso muita paciência e dicernimento pra separar conceitos e clichês que os estrangeiros têm não só de nós mas uns dos outros. E ser um estrangeiro automaticamente requer passar por isso. Porque assim como nem toda brasileira sabe sambar e só quer saber de sombra e água de coco, o mesmo vale para os russos que não são somente viciados em vodka, os alemães que não são todos rudes e insensíveis ou os nem todos os italianos falam alto e são malandros.

Eu poderia escrever aqui um diário literalmente sobre cada acontecimento, cada aprendizado e cenas de diferentes situações que vivo aqui. Embora o propósito do blog tenha sido no início registrar isso mesmo, é impossível fazer isso porque apesar de grande importância pra mim, o blog é secundário e eu escrevo o que me vem a mente na hora, o que tenho vontade, o que me dá prazer de escrever, ou um desabafo. Adoro escrever das minhas viagens, porque essas sim eu adoro vir aqui e recordar os lugares que passei. O dia a dia já é mais complicado, e eu ainda não quero descartar esse assunto daqui, porque embora esteja sempre mudando muita coisa na rotina aqui, pra mim algumas coisas são selbstverständlich e é simplesmente chato ficar escrevendo como se eu tivesse obrigação de dar satisfação pra alguem.

Fico muito contente quando recebo um email de alguem que está passando por alguma situação parecida com alguma que já escrevi aqui no blog e vejo como o blog serve de ajuda ou inspiração pra tanta gente. Ao longo de 3 anos, já pensei várias vezes e fechar o blog, parar de escrever tantos detalhes ou parar de postar fotos. Quando vejo, estou aqui novamente curtindo os comentários e as recordações de posts passados.

Sei que tem gente que vem aqui não com a melhor das intenções, e fica esperando encontrar um acontecimento marcante como um post com detalhes de uma discussão, do fim ou início do meu namoro, de saídas até a madrugada ou coisas loucas. E pra essas pessoas, simplesmente não tenho nada a dizer. Sei que a partir do momento que temos um blog, meio que abrimos espaço pra qualquer pessoa escrever o que quiser de volta, mas o blog é meu e eu ainda me dou o direito de mandar nele.

Estou longe de me tornar uma viajante profissional, quem me dera. Fico muito satisfeita quando vejo recomendações de posts das minhas viagens em blogs mega especializados como o do Ricardo Freire, ou quando recebo emails de empresas querendo fazer um acordo, oferecendo um banner ou coisa do tipo. Este blog não é um blog de viagens. Continua a ser relatos de uma brasileira na terra dos alpes e do chocolate, mas relatando viagens que faço e quaisquer outras coisas que venham a fazer parte da vida do lado de cá. O destino dele a partir daqui voce acompanha aqui mesmo.

17 março 2012

what goes around comes around

Quando achei que estava entrando numa rotina de trabalho, sabe como é, completei 1 ano no trabalho novo, já to mais acostumada com o ambiente, as pessoas, as tarefas, o time da India e tal, aí do nada muda tudo.

Tudo começou com a chegada de uma pessoa nova no time aqui na Suiça pra me ajudar no final do ano passado, um alemão até gente boa. Com isso, pude folgar um pouco mais no monte de coisa que eu tinha que dar conta, todos os projetos e relatórios. Beleza. Ótimo. O dia fluia melhor, menos corrido e eu podia respirar mais. Aí foram passando os meses, chegou março, 1 ano de emprego novo. Algumas pessoas que trabalharam comigo responderam um questionário sobre mim, é a famosa ronda de feedbacks. E aí recebi o sumário do meu chefe. Eu gosto do meu chefe. Acho ele um super profissional. Como pessoa não tenho muito contato além dos happy hours e ele não se abre muito, então não posso dizer. Mas no que diz respeito ao trabalho, estou muito satisfeita, obrigada. Tudo muito bom, tudo muito bem..... fui promovida!!!!!!!!!! ÊêêÊ! Parabens pra mim! Tanto esforço valeu a pena. Subi um nível e topei a transição pra um novo cargo que me foi oferecida, a liderança do time aqui na Suiça também. Pra isso, tenho que dar espaço pro cara que entrou no ano passado pra liderar o time da India no meu lugar, ele até foi a India no meu lugar no mês passado, beleza, tudo ótimo. Não dá pra gente crescer sem ter ninguem pra ocupar o cargo que voce ocupava antes. Claro, vou sentir falta de trabalhar "próxima" dos indianos, mas eles continuarão no time e vez ou outra esbarraremos um no outro. Só a indiana, lembra dela, que veio aqui em Agosto do ano passado com toda aquela história do preconceito e tal? Pois é, ela tá grávida!! Aí ela está se afastando do time por um tempo, vai entrar em licença maternidade em breve, e não sabemos se ela vai voltar depois. E eu agora, saindo da minha antiga posição, de onde eu já estava me acostumando pra novas áreas, novas responsabilidades aparecendo, novos projetos, novas pessoas, uma nova rotina inteirinha pra eu dar conta.

Tenho ido a Zurique com muito mais frequencia que antes, reuniões mais punks de decisões que eu preciso estar firme pra tomar e pra isso, um time inteiro pra estar a par. Não é assim da noite pro dia que essa transição vai acontecer. É capaz de quando eu estar me acostumando, ser a hora de mudar novamente, como foi com meu antigo cargo. A área de computação pode ser muito boring numa rotina de passar dias e dias na frente do computador trabalhando. A partir do momento que voce decide e tem espaço pra crescer, é inevitável ter que se envolver em coisas mais administrativas, gerenciais e financeiras, e aí a rotina é bem diferente do que eu costumava fazer no meu trabalho em Recife há 7 anos atrás, por exemplo.

É, ne, o tempo passa. Nada mais justo que a experiência servir pra alguma coisa e nos ajudar a crescer. Afinal foi o trabalho que me trouxe até aqui e continua sendo a principal razão dos meus dias. Era um sonho sair do Brasil através de um emprego que valesse a pena e chegar até aqui pela minha capacidade, que vale salientar, não envolve somente habilidades técnicas de estudos e diplomas universitários, é uma questão pessoal de superação, envolve desafios multidimensionais de idiomas, cultura, relacionamentos, etc. Esse emprego, essa promoção, essa vitória de estar finalmente bem sucedida no meu trabalho é uma coisa que eu busquei e cavei praticamente minha vida inteira. Significa muito pra mim. Então é tudo muito intenso.

A correria de acordar mega cedo, dormir poucas horas de sono e pegar o trem todo dia pra ir trabalhar em Zurique não faz nem cócegas em mim quando estou assim empolgada, entusiasmada e looking forward pros novos afazeres no meu trabalho. Porque, sabe, penso que podia ser diferente, ser mais um trabalho como o anterior que com um ano eu já estava entediada pensando e questionando por que eu saí do Brasil pra vir ter esse tipo de trabalho aqui. Agora não, agora tá certo, me sinto bem trabalhando numa coisa desafiadora, exciting que realmente tira de mim o que quero dar e com um ano estou ansiosa pelos próximos anos que virão. É muito gratificante se empenhar numa coisa e finalmente ver ela dando resultado, seus superiores confiando cada vez mais em voce, voce adquirindo seu espaço, mesmo tão longe de minhas origens. Sempre fui tão correta nas minhas coisas, o esforço que eu aplico nas coisas que me proponho a fazer ser reconhecido e fazer valer é realmente o melhor resultado que eu poderia pedir.

What goes around comes around.

14 março 2012

Trenó não é só pro papai noel

Andar de snowboard e esquiar na neve é para os fracos! O negócio aqui é andar de trenó! 
Ok, ok. Talvez olhando essa foto seja o contrário. Mas olha, te digo, não é tão bobo quanto parece essa história de sledge (Inglês) ou schlitteln (Alemão).
Aqui no inverno, em montanhas ou qualquer lugar que tenha neve suficiente, os suiços (e não exclusivamente eles) costumam andar de trenó. É, estilo o do papai noel mesmo só que sem as renas, e eu nem te conto como existem tipos diferentes de trenó, maior coisa. A princípio parece só uns pedaços de maideira juntos e sair deslizando na neve, mas a verdade (segundo os suiços) é que tem toda uma técnica pra aumentar velocidade, pra deslizar melhor, freiar, tipos de trenó, madeira melhor que a outra, ixe, uma viagem.
Eu pra ser sincera achava que era tipo eskibunda, sabe aquele que andamos nas dunas de areias em praias do Brasil como Genipabu no RN, e lençois maranhenses? Pois é. A ideia tem o mesmo fundamento, talvez aplicadas em extremidades opostas de cenários, e eu não sei se aqueles meninos lá nas dunas de Genipabu que fazem isso estão preocupados com tais técnicas e pensando nelas debaixo de 40 graus do verão. No Brasil, a ideia é mais pra se divertir mesmo.
Aqui também claro tem o lado da diversão, mas tem vááários outros fatores envolvidos como a questão da neve, fazer esportes na neve, ganhar equilíbrio, e claro, não ficar trancafiado em casa quando tá -10 graus mesmo num dia bonito como esse aí das fotos. Isso foi num domingo quando fui com os suiços no Gurten andar de trenó. O Gurten, cenário de churrascos e festivais de música no verão, agora coberto de neve e palco de voltas de trenó dos suiços de todas as idades. Uma verdadeira winterwonderland.
Aqui cada um tem seu trenó, trenó de um, trenó de dois lugares, trenó de Davos, trenó alugado, o importante é participar. Eu talvez tenha subestimado um pouco a brincadeira. Ok que muita criança curte o tal do trenó por motivos óbvios, mas em algumas áreas que andamos, é tão inclinado que a gente desce tão rápido que olha, pra frear é difícil.
Mas é muuuuito divertido!!!
E depois de tanta descida e subida e descida e subida e quedas e dor nas costas de tanta lombada, nada melhor que a tradicional cerveja do Gurten ou um cafezinho se o frio tiver pedindo arrego.
Típico programa suiço de inverno.
Vale salientar que o trenó é um esporte e exige cuidados, pois em algumas áreas com curvas e muito inclinadas e com lombadas, o impacto de volta a neve pode ser grande e pode causar problemas à coluna. Já ouvi várias histórias de gente que quebrou a coluna, torceu o ombro, e etc e tal andando de simples trenó. Pode parecer inofensivo e infantil, mas a brincadeira tem status de gente grande!

11 março 2012

O inverno é masculino

Já fazia tempo que eu queria escrever esse post. O inverno já tá quase acabando (amem Senhor), e eu ainda to aqui escrevendo sobre ele. É ne, porque apesar de a frente fria (e traumática, diga-se de passagem) já ter passado (já...!), e o tempo ter melhorado um bocadinho, ainda estamos aqui penando com esses casacões pra cima e pra baixo. Bom, pelo menos to conseguindo me livrar do gorro e do cachecol que eu não sou muito fã. As luvas ainda preciso usar, pois sinto muito frio nas mãos. Menos de 10 graus, preciso de luvas.

O título do post não poderia ser mais direto. Voce, amiga brasileira que está nesse hemisfério também passando frio nesses últimos tempos, diga se voce não concorda comigo, que é uma pena (ou um saco) voce se arrumar todinha pra sair a noite, ou até de dia tambem, e aí tem que meter umas peças "nada a ver" com o seu figurino porque vai sair na rua e não quer morrer congelada?

Não, sério. Comprei até umas roupas legaizinhas ultimamente, mas quem disse que consigo usa-las? Ok, talvez eu esteja aqui agoniada querendo que chegue logo a primavera, mas enquanto não chega, de que adianta aquela blusinha linda se voce tem que por uns casacões grossões que cobrem tudo e voce não consegue nem usar a blusa? E aquele sapato maravilhoso nunca consigo usar porque quando comprei estava nevando e se eu usar na neve não consigo dar um passo sem escorregar e cair no gelo, sem falar no frio... desde novembro do ano passado até umas semanas atrás, só usei botas todos os dias.

O inverno é pesado, é masculino, é escuro. Voce olha na rua, a grande maioria das pessoas tá toda de roupa escura, casaco escuro. É bota para todos os lados, claro, frio nas canelas ninguém merece. Voce vai na loja de sapatos, só ve botas, botas, botas. Eu pra ser sincera não aguento mais ver bota na minha frente. No inicio do inverno queria comprar uma, até agora não consegui achar uma que gostasse, e agora que o inverno tá perto do fim já desisti de comprar. Fica pro próximo inverno.

No dia que fez 18 graus aqui há 2 fins de semana atrás que eu consegui sair na rua sem casacão, eu era a pessoa mais feliz dessa Suiça. Me senti tão leve andando na rua, sentindo o vento no meu pescoço e sentindo o sol esquentar nem que fosse um tiquinho. Parecia que eu estava ganhando vida, energia. Me deu vontade de por uma roupa com cores mais alegres, o sol estava brilhando, por que eu sairia de preto?

Eu e todo mundo. De repente, olhei ao meu redor aqui perto de onde moro, e vi a rua cheia de gente andando, crianças andando de bicicleta, gente jogando bola. Onde estavam essas pessoas nos últimos 4 meses? ... hm, esquiando, talvez. É, eu que não me dou muito bem com esportes de neve, sinto cada grau abaixo de zero.

Mas estamos aqui. Sobrevivendo a mais um inverno, e graças a Deus chegando ao final dele.
Olhando posts do ano passado, em Abril escrevi um sobre o fim do inverno. E agora quase na mesma época estou escrevendo este. Posso falar? Eu tô é me coçando pra chegar logo a primavera e ir nadar no rio Aare. Agora estamos com dias já mais longos anoitecendo às 6 e pouca da tarde, já não é mais um parto pra levantar de manhã pois não está mais escurão. Venha, bonança, venha. Porque a tempestade está terminando.

06 março 2012

Île de la Cité

O mais legal de escrever no blog é ter aqui as recordações de onde eu andei, o que eu fiz, rever as fotos e relembrar histórias que talvez se não escrever posso ir esquecendo com o tempo. Decidi fazer o blog quando estava pra vir morar na Suiça e com tanta coisa que aconteceu desde que vim morar aqui há quase 3 anos, acho que o blog é uma grande obra-prima da minha estadia aqui. Um livro de ouro.
Veja os posts da França, por exemplo. É praticamente um pecado deixar as histórias e as fotos aqui no meu computador guardadas só pra mim. Com tanta coisa que se pode ver e viver aqui no velho continente, às vezes eu acho até que aproveito é pouco, que deveria estar fazendo mais e mais. Mas ne, a gente tem que trabalhar e se eu vivesse de blog era muito fácil.
O retorno que recebo no blog, como os contatos, emails, comentários maravilhosos, aí isso aí é consequência e eu sou muito grata. Afinal não sou a única brasileira por esses mares e é maravilhoso compartilhar experiências com quem está do lado de cá e aprender tanta coisa também. Nessa leva, com posts de lugares populares como a graciosa e única Paris, chove visitas no blog de gente buscando infos ou fotos de Paris pela internet, e termina mandando um email ou deixando um comentário, só compartilhando um pouco da sua experiência, e como é legal isso, nao? Isso me motiva a escrever ainda mais.

A Île de la Cité em Paris é um dos lugares mais conhecidos da cidade, e de extrema importância histórica diga-se de passagem. E de novo, não sou nenhuma expert por lá. Mas as origens da capital francesa estão ali, na ilha em forma de barco no rio Sena. Restos das primeiras construções ali já levantadas podem ser encontrados na cripta arqueológica da catedral de Notre-Dame.
A Île de la Cité em Paris abrange regiões onde ficam grandes atrações turísticas a quem visita Paris com este propósito. Além da Île St-Louis que eu falei no post passado que fica por trás da Notre-Dame, a própria catedral é parte da Île de la Cité, assim como o Palácio da Justiça e a Sainte-Chapelle, que é hoje aclamada como uma das maiores obras de arte do mundo ocidental devido a intensa luz vinda dos seus maravilhosos vitrais.
Palais de Justice
Já o Palais de Justice é nada mais nada menos que o esplêndido conjunto de edifícios que fazem os tribunais de Paris. Desde a época dos romanos, esta construção era a residência do governador e já foi sede do poder real. Hoje representa o grande legado de Napoleão, o sistema judiciário francês.

Prefeitura de Paris
E falando nisso, é também na Île de la Cité que fica a Mairie ou a Prefeitura de Paris, um prédio enorme com o grande lema da Revolução Francesa "Liberté, Egalité, Fraternité" (Liberdade, Igualdade, Fraternidade) de autoria de Jean-Jacques Rousseau; Revolução essa que foi o grande acontecimento que marcou o início da Era Contemporânea, aboliu a escravidão e proclamou a frase como princípio universal.
A Prefeitura fica entre as estações de metrô Hôtel de Ville e Pont Marie, mas a Châtelet e Cité também servem. Desta vez que estava quase feito uma nativa (cof cof) andando pra cima e pra baixo de metrô, foi hiper legal sair lá de baixo do metrô e dar de cara com o Arco do Triunfo, por exemplo, com a Prefeitura de Paris saindo da Rue de Rivoli com uma baita pista de patinação no gelo armada pra fazer a diversão do inverno. Demais. A Prefeitura de Paris é na verdade o Hôtel de Ville, é uma reconstrução do século 19 fantástica que eu deixo as fotos falarem por si.
Muito demais.
Tudo ainda parte da Île de la Cité. A Ilha é uma atração completa. Se estiver em Paris e não souber o que fazer, já sabe! Além de tudo isso, ainda tem museus fascinantes como o Musée Picasso, Museu de Arte e História do Judaísmo, o Museu de Victor Hugo grande autor de "Os Miseráveis", a Praça da Bastilha onde se deu o estopim da Revolução Francesa, a Île St-Louis que eu falei no post passado e tudo que eu já mencionei aqui, além de vários lugares que eu obviamente não conheço e não posso recomendar, e naturalmente lindas paisagens e pontes enormes cruzando o Sena onde cada passo aparece um lindo cenário novo.
Paris é apaixonante para andar. Cada rua, cada esquina virada tem um pedaço da história que marcou o mundo. Claro, pra quem gosta de história como eu, só isso sozinho é apaixonante, razão suficiente para se apaixonar pela encantadora Paris. E a Île de la Cité está no topo de áreas a andar e explorar na cidade. 

04 março 2012

Île St-Louis

Estou longe de ser uma expert em Paris e suas ruas, áreas e regiões. Mas mesmo sem querer, depois de ir algumas vezes a cidade luz, voce termina aprendendo alguma coisa e não é mais turista de primeira viagem indo aos mesmos pontos que todo mundo. Não que os mesmos pontos sejam ruins, eu por mim iria em tudo de novo sempre, mas terminam aparecendo áreas que voce antes não conhecia e percebe que são pouco exploradas pelos turistas e voce vai conhecendo cada vez mais e mais da capital francesa.
Île St-Louis é uma delas.
Andando para trás da Catedral de Notre Dame, passando a ponte St-Louis, da Île de la Cité, estamos em Île St-Louis, uma área calma com ruas calmas e ancoradouros na beira do rio Sena. Acho que essa região é um perfeito exemplo para sentir a verdadeira atmosfera parisiense. Um pouco menos alvoroçado do que regiões próximas a Torre Eiffel e Louvre, andar pela Île St-Louis é sentir Paris.
Vindo pela Quai de Bourbon, estavamos em Île St-Louis propriamente dita, com cafes e restaurantes típicos e até luxuosos. Continuamos andando pela Rue Saint-Louis en L'île, e que graça... ruas estreitinhas, calmas e com lojinhas pequenas mas super charmosinhas. Aquela rua é a principal atração turistica do pedaço. As lojas iam de chocolaterias fofíssimas, vintage, até sorveterias lindas, mas ok, no inverno não dá pra se deliciar tanto. Mas todos os cafes, restaurantes, creperias com portinhas no meio da rua eram sem dúvida um encanto. Além de prédios residenciais também muito simpáticos.
Um destaque especial para a Biscuitier e Sucrecuitier La Cure Gourmande! A começar pelo estabelecimento em si, que coisa mais fofíssima! E os doces, chocolates, caramelos, nossa, as atendentes tambem muito simpaticas oferecendo muitas delicias para experimentar, tantas opções de guloseimas, não poderia sair dali de mãos abanando. E foi o meu favorito, recomendo muito.
A história desse bairro (digamos assim) tambem é muito interessante. Pra variar ne! Quero que voce me diga o que não é interessante ali! Bom, quase tudo na Île foi construído no século 17, em estilo clássico. Há uma igreja, que terminou de ser construída em 1726 e é em estilo barroco, decorada com mármore dourado. A "ilha" tem este nome obviamente em homenagem a Luis IX, rei da França do século 13, e desde a Revolução Francesa ficou conhecida como a ilha da fraternidade, e antes era até conhecida como "ilha dos palácios" devido ao enorme número de mansões que se situam ali. A ilha é conectada ao resto de Paris por pontes e barcos que fazem o percurso pelo rio. Antigamente, a ilha era usada para armazenar madeira. Hoje é um oasis em pleno coração de Paris. Não tem estação de metro e apenas duas paradas de onibus. A melhor maneira de chegar ali e andar por ali é a pé mesmo.
Passamos uma tarde andando por Île St-Louis e que maravilhosa surpresa encontramos. Merecia um post nesse blog.