25 agosto 2014

Mudança número 2783649204792031....

Em algum lugar desse blog, comentei num dos últimos posts que estou saindo do meu emprego atual. Nas fotos diárias que posto no instagram (@elaeamericana_liana - principalmente por causa desse desafio dos #100diasfelizes), já deu pra perceber que estou fora do ritmo normal de trabalho e rotina de antes. Tem dia que é plena terça-feira a tarde e eu posto uma foto tomando sorvete, ou numa quinta de manhã to andando por alguma cidade suíça enquanto ta todo mundo trabalhando. Aí começam as perguntas. Bom, não me lembro mais até onde eu escrevi aqui, mas a realidade é que estou de aviso prévio, sem trabalhar. O meu antigo emprego tava indo tudo bem até eu ficar grávida. Durante a gravidez com o problema nos rins e tudo mais, tive que diminuir a carga de trabalho e saí da fast track e posição de liderança que estava. Tive o Edi, tirei licença maternidade, 5 meses depois voltei a trabalhar. Já não estava mais trabalhando no projeto de antes. Trabalhei em diferentes projetos, mas nada a longo prazo. Eram projetos curtos e temporários, que eu sabia que não ia me segurar por muito tempo. A empresa que eu trabalhava é uma empresa de marketing digital e eu trabalhava como terceirizada de projetos de desenvolvimento de software para outras empresas. O cara que era meu chefe e que me promoveu e que me contratou mudou comigo depois que voltei a trabalhar, e percebi que a mulher muda a maneira como é vista no ambiente de trabalho depois que é mãe. Nossas ideias já não batiam e ele simplesmente não me incluía mais nos grandes pitchs. Ok. Eu também não podia mais ficar no escritório até 9 da noite quando era preciso. Eu tinha mudado mesmo, embora ainda tivesse disposta a me dedicar o máximo que pudesse ao trabalho, mesmo que o máximo agora não fosse o mesmo máximo de antes. Porque minha vida não era mais só trabalho e meu trabalho não estava mais em primeiro lugar, embora eu ainda preze muito pela minha carreira e faço questão de continua-la, não porque eu preciso, mas porque eu quero mesmo.
No meio de tudo isso, o que aconteceu foi que o projeto em que eu estava acabou e eu entrei em outro projeto de marketing que não é minha área, apenas para não ficar sem fazer nada, até aparecer outro projeto pra mim por aqui. Desafio monstro, eu não sei nada de marketing e enfrentei várias situações desagradáveis por não ter recebido absolutamente nenhum briefing sobre nada do projeto nem do que eu deveria fazer. Resumindo: não deu certo e não apareceu outro projeto na minha área aqui na Suíça. A empresa então me ofereceu duas opções: ou eu trabalhava num projeto em Munique, onde teria que estar lá fisicamente presente 1 ou 2x por semana, ou eu me mudava pra Köln pra trabalhar num projeto lá que estavam precisando de gente com a minha expertise. Ora... não tenho intenção de sair da Suíça, muito menos agora. Não sou mais só eu que arrumo uma trouxinha e me mando pra qualquer canto. Acho que mesmo se Edi não existisse, não to afim de me mudar pra Alemanha agora. Trabalhar num projeto em Munique podia até ser, mas ir pra lá 1 ou 2x por semana sei lá por quanto tempo com um bebe em casa dependendo de mim realmente é impossível! Portanto, depois de tudo isso, fizemos um acordo. Já que não dá pra eu ficar trabalhando com marketing que não é minha área nem meu interesse, nem me mudar pra Colönia e nem ficar indo trabalhar num projeto em Munique, simples, eu saio da empresa.
Ok, não é tão simples assim, eu gostava muito da empresa e esperava passar mais tempo lá, mas já estava trabalhando lá há mais de 3 anos e realmente parecia que não tinha mais espaço pra mim. Era hora de mais uma mudança.
Confesso que fui muito resistente, não queria uma mudança agora com Edi pequeno, eu me entendendo ainda com o Eric e com tanta coisa pendente... cheguei em casa arrasada depois da conversa com a chefe do RH. Minha mãe ainda estava aqui. Eu só abri a porta, peguei Edi e o abracei.
Mil coisas passaram pela minha cabeça ne. Zero animação de procurar emprego. Comecei a achar que meu tempo de Suíça estava com os dias contados. Mais uma peça que a vida me pregava a essa altura do campeonato, como podia ser?!
Mamãe voltou para o Brasil, e eu fiquei aqui sem saber que rumo tomar. O acordo que fiz com a empresa me dava 4 meses de aviso prévio, onde eu não "preciso" trabalhar. Bom, precisar eu preciso mas como não tem projeto na Suíça na minha área e como eles sabem que eu não posso ficar indo pra Alemanha trabalhar no projeto lá, eles foram "legais" e me deixaram ficar esse tempo sem trabalhar, recebendo meu salário normal e com tempo pra reorganizar minha vida.
As primeiras semanas foram desânimo total. Fiquei depressiva, triste, pra baixo. Acho que se não fosse Edi e Eric aqui, não sei o que eu teria feito. Tinha uma vida inteira pra organizar e não sabia pra onde começar. 4 meses. O que eu ia fazer depois? Procurar outro emprego? Com que astral? Com que motivação? E Edi? E como vou pagar a creche de Edi se passarem os 4 meses e eu não tiver emprego? Vou entrar no seguro desemprego? E eu como estrangeira tenho direito a seguro desemprego? E eu vou ficar desempregada? E a minha permissão de residencia? Era uma pergunta atrás da outra e quanto mais eu pensava, mais aflita eu ficava.
Tentei diminuir os dias que Edi ia pra creche pra ele ficar mais tempo comigo já que eu tava em casa e não consegui. Porque não sabia o que viria depois e se depois eu precisasse voltar aos 4 dias novamente, não ia dar e não sei o que lá, enfim. Em dias mais aparentemente animadinhos, eu deixava Edi na creche e vinha pra casa, ficava no computador procurando emprego nos sites e nada parecia me interessar. Nada.
Pra piorar, a maioria das vagas era tudo 100%, isto é, de segunda a sexta, 8 horas por dia, o que eu não queria. Desde que tive Edi trabalho 80% (segunda a quinta) e pra mim é o balanço ideal, porque senão trabalho pra pagar creche e tenho muito pouco tempo com Edi.
Passei a mandar curriculos aqui e ali, marcava entrevista mas se eu tivesse me entrevistando não ia querer me contratar. Eu soava totalmente desmotivada nas entrevistas e não fazia questão de parecer diferente. As vagas não eram interessantes e eu só estava ali mesmo por obrigação. Tudo me levava a acreditar que não ia ter jeito mesmo, parecia que eu tinha caído num buraco.
Dia após dia, tempo livre em minhas mãos, só procurar emprego e fazer entrevistas não tava sendo suficiente pra ocupar meu tempo. Resolvi pensar o que eu podia fazer pra aproveitar melhor esse tempo livre, fazer algo que antes não podia fazer porque tava trabalhando... e a primeira coisa que me veio a cabeça foi estudar Alemão. Voltei ao Alemão e foi o combustível que eu precisava pra dar gas a motivação. Não sei ficar parada, então ne, qualquer movimento já dá uma animada.
Depois com muito tempo nas mãos, passei muito tempo de frente ao espelho e nunca tava satisfeita com minha sobrancelha. Efeito colateral da gravidez ou não, depois de muito ponderar, resolvi fazer uma maquiagem permanente na sobrancelha. Eram 3 sessões e hoje estou aqui com sobrancelhas mais grossas e fortes, adorei o resultado!
Outra coisa que vira e mexe me enchia o saco, era que eu não podia dirigir aqui. Minha carteira de motorista no Brasil não era mais válida aqui e eu não tinha carteira suíça. Fui me informar e de acordo com a lei do cantão de Zurique, eu só precisava trocar minha carteira do Brasil pra cá e não tirar a carteira suíça desde o início do processo, mas pra isso teria que fazer uma prova prática. Me foi recomendado ter umas aulas práticas com um professor pra aprender as regras de prioridade no trânsito daqui com tram, bicicleta e tantos cruzamentos loucos. Pronto. Era a hora certa. Quando eu trabalhando de segunda a quinta ia ter tempo pra fazer aula prática de direção? Encontrei um professor super bacana e tive 5 aulas práticas, uma a cada duas semanas e há 2 semanas atrás fiz a prova prática.........: PASSEI! E já estou com minha carteira de motorista suíça na mão!
Mais uma coisa que nunca tinha tempo de fazer era ir ao médico cuidar de mim. Como disse no post dos efeitos colaterais da maternidade, estou indo ao dermatologista ver umas coisas e tomei coragem pra tirar dois sinais que me incomodam demais. Um no meu queixo e um no meu pescoço que sempre nas fotos é a primeira coisa que eu vejo e me acho uma bruxa com aquela verruguinha aparecendo, mesmo que pros outros seja imperceptível. Tirei os benditos sinais semana passada numa mini cirurgia a laser e to aqui com os curativos ainda e passando creme pra sarar e poder aparecer nas fotos com a pele lisa.
Alem disso, agora sem comer besteira na rua e com tempo pra cozinhar em casa, perdi 5kg e mesmo ainda querendo perder mais e tentando encontrar motivação para continuar a comer saudável, já estou muito feliz de estar cabendo em roupas que há poucos meses não passavam da perna.
Pode parecer besteira mas foram pequenas coisas que eu nunca conseguia parar pra fazer e agora finalmente consegui faze-las. É tipo um ar que eu precisava para respirar, sabe.
Mas ok, tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas e a história do emprego, como fica? É. Acho que agora já posso contar. Claro, no meio de tudo isso que fiz, encontrar um emprego (bom, de preferência) era minha prioridade número 1, porque é a base de tudo. Sem um emprego direito não posso fazer mais nada aqui e não quero jogar minha carreira pro alto porque fiquei chateadinha de ter sido demitida.
Não to sendo esnobe não gente, é verdade, os empregos que eu tava fazendo entrevista eram muito mais ou menos e não tinha aparecido nenhum que realmente batesse e me fizesse de fato quere-lo.
Até aparecer um.
Apareceu.
Apareceu O emprego.
Tipo eu navegando na internet sem pretensão nenhuma mais, apareceu lá. Aliás, minha mãe ainda estava aqui quando encontrei esse anuncio e eu até disse a ela: encontrei um emprego que é a minha cara, seria bom se eu o conseguisse e tal....
Mandei curriculo, passou um tempão e nada. Até um dia que eu tava tomando sol no gramado de Wollishofen, e meu telefone toca me convidando pra uma entrevista.....
Minha cara na hora..........................................
Engoli a emoção e tentei falar normalmente.... sim sim, claro, podemos marcar uma hora para a entrevista....
Depois que desliguei minha cara.......................
Hahahahahahahahah adorei esse gif!
Sério, fiquei muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito feliz porque primeiro, o emprego era muito bom, muito bom mesmo, gente. Depois era a minha cara e era o único que de fato tinha me despertado algum muito interesse. Nossa, liguei pra minha mãe pra contar e pronto, finalmente tinha levantado de vez meu astral, minha animação e minha motivação para enfrentar toda essa situação que tinha me pego de surpresa.
Duas semanas depois, estava eu no trem para Berna toda engomadinha a caminho da minha entrevista. Sim, o emprego é em Berna. Depois de tudo que eu passei pra me mudar de Berna pra Zurique por causa do
meu último emprego, estava eu no trem para Berna novamente atrás de um emprego.
Cheguei lá, fui recebida na recepção e subimos para uma sala. Tudo em Alemão. Tenso.
No meio da entrevista quando estava já meio que suando, perguntei discretamente... "posso responder em Inglês?" e escutei uma resposta também discreta... "lieber auf Deutsch....".... #muitotenso.
Apesar da tensão e dos eventuais errinhos de Alemão aqui e ali, fiz quase 1 hora de entrevista em Alemão, tive a sensação que fui bem, mas ne, podia ser só a euforia de estar tendo a oportunidade na possibilidade da vaga que me encheu tanto os olhos.
A resposta? Eu que tinha que dar a resposta. Depois de muitas e muitas perguntas, eles me apresentaram detalhes da empresa, que gente.... (queria muito dizer qual é porque é muuuuuuuuuito legal, mas pra evitar qualquer problema prefiro não dizer), e no final disseram "então depois de tudo que a gente te apresentou e ofereceu, pense se é realmente o que voce quer e nos mande um email confirmando e aí veremos os próximos passos". Bom, se isso não é um sinal que a entrevista foi bem, não sei o que é.
Escrevi o tal email alguns dias depois, mesmo sabendo que não tinha nem mais o que pensar, e confirmei meu interesse no emprego. Fui convidada para uma segunda entrevista com o chefe do departamento e um cara do RH.
Mais umas 2 semanas depois e lá estava eu novamente no trem sentadinha indo para a tal entrevista... #tensamastentandomanteracalma Tentei novamente o "posso falar em Inglês?" mas de novo não rolou. Apesar de eu achar que consigo me expressar melhor em Inglês que domino mais que o Alemão, o pessoal parecia estar satisfeito com meu Alemão. Mais uma hora de perguntas, perguntas técnicas, pessoais e muita conversa, chegou uma hora que começamos a falar de salário, me entregaram uma simulação da minha folha de pagamento, perguntaram quando eu podia começar e eu me perguntava se a impressão que eu tava tendo que tava tudo indo muito bem era só impressão ou tava realmente acontecendo. De novo ao final da entrevista, me disseram para pensar e escrever um email confirmando o interesse, só que dessa vez não hesitei e segui meu coração. Disse que não tinha mais o que pensar e que não achava que ia mudar de opinião em 1 ou 2 dias, eu queria realmente aquele emprego. Então eles disseram que iriam me dar uma posição amanhã ou depois.
Ufa.
Minha cara......
Senti que tinha feito minha parte. Fiz o melhor que eu podia, tentei dar as melhores respostas, mostrar que posso, que sou uma boa candidata para o trabalho e que estou disposta a dar o melhor de mim.
No trem de volta para Zurique, assim como quem não quer nada fui olhar meu email e....
Voltei o caminho do trem inteiro assim com um sorriso no rosto... o email dizia que estavam convencidos que estavam ganhando uma funcionária de valor no time.... o emprego é meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Hahahahahahahaha!!!!
Gente!!!!!
Não dá pra descrever a emoção.... Quando tudo parecia tão dark e obscuro e difícil e sem jeito e sem motivação nenhuma.... justo na minha área profissional que tanto batalhei, que tanto lutei para levar a cabo com tantas dificuldades, dificuldade de idioma, de personalidade dos colegas, trabalhando num país de cultura diferente da que eu cresci, tentando conquistar meu espaço, continuar construindo minha carreira.... consigo uma oportunidade de continuar, quando de outro lado me fecharam a porta, quase me fizeram acreditar que não tenho mais muito valor no mercado só porque virei mãe e tento conciliar as duas vidas. Ainda sou a mesma Liana que estudou anos numa universidade, que fez mestrado e tem o título de mestre em Engenharia da Computação, que deu aulas de Inglês a noite durante a graduação, que fazia Alemão no sábado de manhã quando todos diziam que não tinha pra que e que tinha um sonho de enfrentar a vida profissional em um idioma diferente do seu. Tive um filho, não estou incapacitada. Não acho que as duas coisas são excludentes e posso passar o resto dos meus dias de vida profissional para provar isso, mas não vou desistir. Depois de um voto de confiança desses, de conseguir um emprego numa empresa tão massa, e ainda 80%, que me permite balancear minha vida e não ser uma workaholic, estou ainda mais certa que fiz tudo certo até aqui e continuo no caminho certo e estou exatamente aonde deveria estar.
Como é boa essa sensação de conquista, de que deu certo, quando tudo parecia de novo sem rumo. Eu consegui mais uma vez dar rumo a minha vida, organizar tudo tudinho da melhor maneira, e ainda to aqui com a sobrancelha feita, com carteira de motorista suíça, com meu Alemão ainda melhor, e com minha confiança e meu astral lá no alto. Ah, e também criando coragem para mais uma mudança!!!! Oh não! Mas é... lá vai eu voltar de novo para Berna. Com toda essa história, o Eric que também saiu ganhando porque tava se organizando todo pra começar um trabalho em Zurich e se mudar pra cá de vez depois de ter morado a vida toda em Berna, e agora ganhou esse "presente" que somos nós voltando pra Berna. Já tava aí feliz da vida dizendo que ótimo que Edi vai falar berndeutsch e que não sei o que... hahahaha.
Claro ne, zilhão de coisas pra organizar em mais uma mudança de cidade, de cantão. Procurar creche nova pra Edi que não é tarefa simples, novo apartamento, entregar esse apartamento, encontrar novo morador e toda a burocracia que vem junto, além de todos os abmeldungs e anmeldungs em tudo quanto é orgão e empresa. Mas ne, ajoelhou tem que rezar. I need to be careful with what I wish for, cos I might get it.
Vida de gente grande não é brincadeira. Mas minha vida é emoção demais.
Mesmo tendo me sentido no chão e sem conseguir enxergar o que viria a seguir e vendo tudo embaçado, não fiquei parada e aos poucos fui correndo atrás. E hoje aqui estou eu, pronta.. ou melhor, me aprontando para a mudança número 832747623476981 da minha vida. Serio, ja perdi as contas. E não estou reclamando. Mudança é bom, e pra mim, é a única constante na vida.
Tenho mais alguns meses em Zurique antes da mudança. Só começo a trabalhar em Novembro. Já encontrei um ape dos sonhos lá em Berna e não vejo a hora de me mudar pra casa nova! Só na semana passada encontramos uma creche pro Edi, fomos lá visitar mas serão só duas vezes na semana. O resto ainda estamos organizando um a um.
A empresa que me mandou embora, ou melhor, que fizemos um acordo, nem sabe o favor que me fez. Tive a chance de dar uma reorganizada geral em quase tudo e ainda consegui um emprego que parece ser muuuito bom, aliás o melhor até agora! Espero que seja ne, quando começar venho contar mais detalhes.
Esse é mais um post milestone, sabe daqueles que sempre vou fazer referência em posts seguintes e que é um divisor de águas na minha vida porque relata todo (mais esse) turbilhão de emoções e mudanças e representa muita coisa. Quem é mãe sabe como é difícil tentar manter os dois papeis e fazer um bom trabalho nos dois. Esse assunto tem muito pano pra manga. Alias, até quem não é mãe e trabalha deve saber como já é dificil só esse ambiente e vida corporativa, quanto mais as duas vidas! Mas enfim.
Para fechar, vou falar uma coisa que meu pai sempre dizia que é bem batido e parece bobagem e frase de caminhão mas não é e eu levo muito a sério.... quando a vida te der um limão... faça uma limonada.
Vamo simbora que essa limonada tá boa demais!

23 agosto 2014

Wandern/Trilha/Hiking: esporte nacional suíço

É fato que a Suíça é super famosa por seus alpes e consequentemente esportes de inverno como ski e snowboard. No futebol e olimpíadas, a Suíça não se destaca muito, apesar do povo aqui ser naturalmente muito esportivo. Naturalmente muito esportivo. Como é isso? Bom, aqui a maioria das pessoas faz questão de manter uma vida saudável, praticar esporte regularmente, sem necessariamente ser uma prática obssessiva com corpo, aparência, etc. Práticas simples como andar de bicicleta ou ir de bicicleta pro trabalho, jogar futebol ou basquete com uns amigos a cada duas semanas ou uma vez por mês, etc. Mas o que é realmente uma prática constante por aqui é um esporte que não poderia ter mais a ver com os suíços: a trilha.
Trilha em Português, Hiking em Inglês, Wandern em Alemão, Randonnée em Francês. É andar pelas florestas, montanhas, alpes, enfim, pelas paisagens de tirar o fôlego que a Suíça tem. Muita gente não considera um esporte propriamente dito, mas é então a atividade mais comum por aqui. Isso porque dá pra fazer all year long e não apenas no verão, ou no inverno, ou no outono, ou só na primavera. Aí voce me pergunta... trilha no inverno?! Sim! Aqui é muito comum. Eu já fiz duas de nível fácil e cheguei morta de suada. Comecei a trilha toda empacotada e cheguei no final só com uma camisetinha em plenos -10 graus.
É até bom pra fazer exercício no inverno e não ficar em casa o tempo todo só comendo. Isso, claro, quando o dia tá bonito. Tem gente mais experiente que vai fazer trilha mesmo quando tá nevando ou com dia fechado. Eu por enquanto prefiro me programar pra quando o dia está bonito. Aí não só a trilha compensa porque as paisagens são sensacionais, como voce sente que tá fazendo algo "útil" com o dia belo e não apenas o deixando passar em branco.
No verão, aí sim é que precisa de mais cuidados. Porque nos dias bonitos, a temperatura pode chegar a 30 graus ou perto disso e aí uma trilha de 3 horas no sol é desgastante e dependendo da hora, muito sol pode ser perigoso. Claro, pra gente que é do Brasil é mais tranquilo sair pra caminhar de bermuda, camiseta, suar, etc. Mas aqui o povo não tá muito acostumado, já que o verão é a estação mais curta do ano.
Na trilha que fizemos até as cataratas do rio Reno há algumas semanas, tava bem quente e foi preciso passar protetor solar no corpo quase todo, proteger o rosto do sol com uma viseira, fazer pausas constantes na sombra. Principalmente com Edi que a gente levava na mochila nas costas. Claro, com Edi a trilha é ainda mais "pesada" literalmente, então trilhas de subir montanhas e tal ainda vai precisar de mais prática. Mas mesmo assim é muito legal. A gente revesa a mochila quando as costas começam a cansar e aí um descansa e continuamos andando.
Fazer trilhas na primavera é demais porque voce vê claramente a exuberância da natureza, as flores por todos os lados e não tá tão quente. É uma das melhores épocas pra fazer trilha. O outono também traz sua beleza bucólica de cores amareladas e as paisagens são unicamente fantásticas. Nessas estações não é preciso ir toda empacotada e ir se despindo a medida que a caminhada fica mais dura, nem o contrário, ir suando até não poder mais. São meia estações e nelas também é possível fazer trilha. Cada estação tem sua magia e como eu disse, dá pra fazer em qualquer época do ano, apenas com os cuidados necessários.
A Suíça é o país das trilhas. Ainda bem porque é o meio mais legal de conhecer de perto as paisagens lindérrimas. O país inteiro é sinalizado com placas de trilha pelas florestas e montanhas. Sempre essa plaquinha amarela com o nome do destino e o tempo médio que leva pra chegar até lá. Muita gente se prepara com todos os acessórios e apetrechos, bússola, mapas de caminhada com escalas grandes, enfim. E o legal também é que voce ve gente de tudo quanto é idade fazendo trilha. Dos mais velhinhos que voce olha e nem acredita que eles tão lá andando mesmo com todo gas, até crianças num ritmo até mais devagar que os velhinhos. Os velhinhos provavelmente fazerm isso já desde pequenos e estão acostumados e até por isso mesmo mais saudáveis e aptos a fazer tal atividiade. Eles normalmente usam esses pauzinhos (como dessa foto aí de baixo) que eu não sei o nome em Português, esses sticks comuns na caminhada nórdica, e assim têm mais coordenação na articulação da caminhada e mais controle dos passos.
Numa trilha que fizemos há algumas semanas por Sihlwald (essa foto aí de cima - ainda vou fazer post!), estávamos seguindo as plaquinhas e confesso que nos perdemos. Isso porque não é apenas uma trilha, isto é, um caminho que é sinalizado na floresta (ou montanha). Há diversas trilhas, umas mais lights, outras mais pesadas, e aí em algum lugar as plaquinhas podem se misturar. E nós, ou pelo menos eu, como não sou ainda muito familiarizada, devo ter seguido a plaquinha de outra trilha e chegou num ponto que não era mais a trilha que tínhamos começado. Então pra evitar que escurecesse e o passeio se tornasse um pesadelo da gente perdido na selva, seguimos a nova trilha até o final, perguntamos também as pessoas que apareceram no caminho, e chegamos numa cidade próxima e de lá voltamos pra Zurique. Digo pesadelo porque em algumas florestas há avisos de animais soltos como lobos, ovelhas, etc. algumas até ursos! E eu não sei como reagiria se visse um animal desse na minha frente solto. Normalmente os animais estão em florestas chamadas "urwald" que são florestas meeeesmo tipo jungle, grandes e no meio do nada.
Isso também é uma coisa legal. Voce ta andando no meio lá do nada, da natureza e tal, acha que só voce tá lá, e daqui a pouco, aparece gente vindo de um lado. Daqui a pouco, um grupo vindo do outro lado. E ao final do dia se voce contar com quantas pessoas voce encontrou no decorrer da trilha, voce percebe como realmente tinha gente fazendo o mesmo que voce, e isso só naquele lugar.
Digo com segurança que eu antes não ligava muito pra isso. Negócio de trilha, perdido no meio do mato parecia pra mim meio programa de índio. Tirando as paisagens, ne, mas sei la, não conhecia, achava que não compensava. Puro preconceito! Realmente é preciso experimentar mais de uma vez algo antes de julgar. Hoje é uma das minhas atividades favoritas, porque gente... olha essas paisagens! Ok, as paisagens continuam estando no topo da lista de motivos do por quê fazer uma trilha pelas montanhas e florestas na Suíça. O esforço faz parte. Como disse, há diversos caminhos e voce só vai pra trilha mais difícil se quiser mesmo.
Há trilhas que duram até 7 horas, subindo, descendo, enfim. Mas as que temos feito são light. Por aqui há vários livros, sites e forums sobre trilhas. Sempre que for fazer uma, é imprenscindível se preparar antes. Olhar mais ou menos o caminho que vão fazer, e pra isso levar a tralha necessária, (principalmente se estiver com crianças!), calcular o tempo, tempo de pausas, paradas pras fotos, etc. E claro, ficar de olho na previsão do tempo.
A Suíça é sem dúvida lindíssima, mas esconde paisagens e cantinhos ainda mais lindos e pouco explorados que só são conhecidos por quem mora aqui ou quem a explora a pé. Tem lugares que não se chega de ônibus nem de carro, então o prazer é ainda maior de descobrir esses lugares escondidos a pé.
Aqui alguns sites principais sobre wandern e com trilhas pela Suíça que voce pode saber mais ou encontrar um caminho favorito:

http://www.wandern.ch/
http://www.wanderland.ch/
http://www.wandersite.ch/

20 agosto 2014

Blatterwiese

Ligaram os aquecedores do meu prédio. Isso quer dizer que o verão está oficialmente de dias contados. Com isso, toda aquela alegria dos últimos posts sobre os Badis e banhos no rio Limmat aqui em Zurich também vai embora. Agora os passeios são menos ousados e com mais roupas. Ainda há muitas opções em Zurique para aproveitar dias não tão quentes, aliás alguns, como esse de hoje, dá pra aproveitar sempre.
A Blatterwiese é mais um lugar privilegiado ao longo do lago Zurich. Dá pra ser aproveitado tanto no verão quando dá até pra dar um mergulho na água fria, quanto no outono ou primavera num passeio só pra admirar as paisagens, ou no inverno com a emoção do vento gelado rasgando seu rosto e se tiver nevando então!
2 anos morando em Zurich e já me sinto totalmente de casa. É incrivelmente fácil se localizar por aqui. Começando a andar pelo lago Zurich a partir de Bellevue, você passa pela Utoquai, o lugar no lago aliás mais movimentado de todos. É ali onde grande parte do povo que trabalha ou estuda ali perto faz pausa na hora do almoço e os bancos ali são super disputados. Andando um pouco mais, você chega a Blatterwiese, que até então era pouco explorada por mim.
Engraçado que eu conhecia bastante o que tem antes e o que tem depois da Blatterwiese, que é a Seefeldquai, o Chinagarten, etc. mas pela Blatterwiese mesmo em si nunca tinha andando muito. É por ali que fica o museu Bellerive, que eu apesar de adorar museus ainda não me convenci da visita desse, e não sei porque sempre achava que era longe, mas não, é logo ali.
Conheci a Blatterwiese na verdade por acaso num passeio de domingo, e depois nas comemorações de 1o de Agosto os fogos ali são beeeemmmm exagerados. Adorei. A promenade é super ampla o que dá espaço pra muita gente passear ao mesmo tempo sem ficar aperreado, e ao mesmo tempo a beira do lago é super tranquila com vistas sensacionais para o outro lado do lago Zurich. O por do sol ali é imperdível!
Em dias de semana ali é um paraíso. Deserto, tranquilo, excelente para dar uma relaxada no ritmo frenético de uma cidade grande. Nos fins de semana, muitas famílias e grupos de amigos fazendo happy hours, ou mesmo gente sozinha deitada lendo um livro, e não precisa de muitos passos, logo logo andando direto voce chega a Chinawiese, aquele mundo de gramado verde fantástico que só se vê em Zurique.

14 agosto 2014

Depois de virar mãe: efeitos colaterais

Falo tanto que mudei depois da gravidez, que aquilo outro mudou depois que virei mãe, e eu mesma lendo os posts fico curiosa em saber o que realmente quero dizer com aquilo. Bom, é fato, a maternidade muda as mulheres. Cada uma de um jeito, mas sem dúvida tem coisas que mudam que são comuns a várias mulheres. Eu por exemplo, tenho uma lista de coisas que mudaram, poderia ficar horas aqui discutindo esse assunto comigo mesma. São muitas, muitas mudanças. Psicológicas, fisiológicas, por onde começar?

Bom, vou começar pelas mudanças no meu corpo que à primeira impressão, são as mais óbvias. Apesar de ter usado creme anti estria esse e aquele outro, aliás usei as melhores marcas (Clarins, óleo da L'occitane e Cicatricure), não sei se adiantou ou se eu não usasse a situação ia ser pior. Sim, fiquei com estrias na barriga da gravidez. Também ne.. voce viu o tamanho que minha barriga ficou no final? Parecia que ia explodir. Edi nasceu com 52cm e 4380g então qualquer barriga pra carregar isso aí ia ter consequëncias. O dermatologista disse que um procedimento com laser podia ajudar na aparência mas não ia remover totalmente as marcas e o custo benefício não vale a pena.

Então ta ne. O jeito é tentar perder uns kilos pra não ficar tão aparente e isso eu ainda to lutando. Há uns 2 meses comecei uma dieta, tava super motivada e tudo mais. Perdi 5kg em 1 mês só com reeducação alimentar. Agora ainda to tentando pelo menos manter mas não to com a mesma motivação do início sei lá porque. Dificil dieta... Espero que ela volte e eu consiga passar mais semanas comendo saudável. Ganhei 15kg na gravidez, até que não achei muito, pro tamanho que Edi nasceu. Durante a gravidez não deixei de comer nada que quisesse, e depois que Edi nasceu saíram claro os kilos da barriga e dele, mas ficaram uns 6, 7 kg a mais, isso considerando que já estava um pouco acima do peso quando engravidei.

Sempre ouvi dizer que durante a gravidez os cabelos da mulher ficam lindos e não sei o que, e até notei sim que meus cabelos estavam mais sedosos e bonitos. Mas foi só Edi nascer que bum! Queda de cabelo impressionante. Achei que ia ficar careca a cada banho que tomava ou a cada penteada. Achei que podia ser temporário e fiquei evitando ir num médico ver o que fazer. Por indicação de pessoas conhecidas, passei a tomar um remédio que faz crescer cabelo e fortificar as unhas que aliás também ficaram super fracas e vivem quebrando facilmente. O remédio é Priorin, aqui na Suíça é bem conhecido e ouvi boas críticas sobre ele. Comprei o pacotão de 3 meses que valia mais a pena do que o de 1 mês. Vai fazer 1 mês ainda que to tomando mas ainda não notei nenhuma diferença. E o dermatologista não recomendou. Ao invés de Priorin, me mandou tomar anticoncepcional que além de ajudar nos cabelos vai me ajudar nas espinhas que ave maria... Bom, quando tomar os 3 meses venho aqui dizer se serviu de alguma coisa.

Onde já se viu, eu com 32 anos e com espinhas no rosto. O médico disse que era disfunção hormonal e acha que é por causa da gravidez também. Po, 1 ano e 4 meses depois que Edi nasceu e ainda estou lindando com consequências tão graves. Pra voce que não sabe, o corpo da mulher só começa a voltar ao normal depois da gravidez depois de 1 ano, então ne, ajoelhou tem que rezar. Disse que o anticoncepcional que ele prescreveu vai ajudar a equilibrar os hormônios e melhorar as espinhas. Vamos ver.

Quando tava grávida e a barriga começou a crescer demais não conseguia dormir mais de bruço, como sempre costumava dormir. Atenção para a novidade: até hoje não consigo mais dormir de bruço. Não sei. Não dá, dói as costas, a perna fica dormente, não sei, meu corpo desacostumou e eu não consigo de jeito nenhum pegar no sono de bruços! E eu que achei que depois que Edi nascesse ia poder voltar a dormir como antes... É, de fato durmo. Edi dorme a noite inteira e eu também, mas dormir até tarde também nunca mais. Edi acorda no mááááximo no máximo mesmo umas 8 horas, quando temos sorte. E aliás normalmente quando ele acorda às 8, mesmo eu tendo ido dormir sei lá meia noite ou 1 da manhã, não consigo acordar às 8 também, normalmente acordo antes.

Já no lado psicológico, nem preciso dizer que Edi é a prioridade número 1 da minha vida. O amo mais do que tudo e não sei do que sou capaz por ele. Acompanhar os progressos a cada dia, a cada semana, mudar de humor por um só sorriso dele. Uma coisa muito grande e muito forte. Mas em paralelo, tenho tido pouquíssima paciência para algumas coisas. Se tem algo que não tá me agradando, eu corto e vou em frente. Sabe não tenho mais paciência nem saco pra tapar sol com a peneira ou deixar pra resolver depois. Ou muda ou chispa. E isso é novo, eu não era assim antes. Acho que já passei por tanta coisa na vida que chega um ponto que a pessoa aprende o que realmente importa e o que a faz feliz e pronto, sem muita enrolação.

Outra coisa que também não tenho mais muita paciência nem muito pique pra cidade grande demais. Acho que isso tem a ver de eu morar aqui na Suíça e ter essa coisa da qualidade de vida e tudo mais. Zurique apesar de ser a maior cidade suíça não tem nem comparação em questão de tamanho com capitais europeias como Paris, Madrid, Roma. Mas acho que tem a ver com o fato de ter virado mãe também. Não sei se é porque o trabalho em casa é hardcore mas sinto necessidade de mais calmaria, de paz, de natureza, de tranquilidade. Sair na porta de casa e ver carros passando, muita gente andando, movimento, tram e onibus passando não não. Quero um jardim, um parque, uma calçada tranquila pra eu andar com meu cachorro, um parque pro meu filho brincar, pra passear. Se passar uma semana sem eu ter feito isso, há consequências. Sabe, preciso mesmo.

Isso pode ter a ver com a idade também, não estou mais nos meus 20 e poucos anos naquele ritmo de trabalho-balada de antes, que aliás apesar de alguns colegas de trabalho nos seus 30 e 40 e poucos anos parecerem estar adorando ainda, eu mesma não consigo mais. Não aguento tomar 2, 3 taças de vinho sem já começar a ficar tonta. E isso antes pra mim não era nada! Faço questão de continuar tomando minhas taças de vinho, só não encho a cara mais. Não tem graça mais. Call me boring mas virei mais família, mais tranquilidade. Pra mim, acho que faz parte do amadurecimento, do meu crescimento como pessoa. Não sei se eu não tivesse me tornado mãe se isso também estaria acontecendo, talvez não.

É difícil assumir mas não dá pra se ter sempre como prioridade número 1 depois que se é mãe. Já tiveram vários dias que eu to aqui com Edi em casa e o ritmo e os afazeres são tantos, que quando vejo no final do dia quando o ponho pra dormir que me vejo no espelho, parece que fui pra guerra. To toda descabelada, não tomei banho o dia inteiro, não lavei nem o rosto. Só entretendo, fazendo almoço, trocando fralda, dando banho. Tem dias que eu to sozinha com Edi que me dedico inteiramente. Sinto orgulho de mim mesma de ter conseguido, porque quem tem filho sabe que não é fácil. Aí só às 10 da noite que vou tomar banho, comer decentemente, e quando deito no sofá pra assistir qualquer coisa pra relaxar, termino pegando no sono em 10 minutos.

Tenho tentando cuidar mais de mim, fazer limpeza de pele, me arrumar e tudo, até fiz maquiagem permanente pra corrigir as falhas da minha sobrancelha, depois de ponderar muito, e faço coisas pequenas aqui e ali o máximo que posso, mas tem dia que simplesmente não dá, não dá tempo, não tem como. Um intervalo que tenho por exemplo num dia que lembro que tenho que comprar alguma coisa no mercado, passo só um corretivo nas olheiras e prendo o cabelo num coque pra não sair parecendo um mulambo e não assustar as pessoas na rua. Nos dias mais calmos quando estamos todos em casa, que Eric tá por aqui e podemos dividir as tarefas, eu consigo tomar banho de manhã, tomar café, me arrumar e tal, ah, esses dias pra mim que antes era o básico são dias de princesa.

Edi é uma criança muito boa. Dá pouco trabalho e só chora com algum motivo: tá com sono, tá com fome, quer colo. Come de tudo e graças a Deus é muito querido na creche pelas cuidadoras e pelas outras crianças. Ele não tá acostumado a fazer manha, quando começava a fazer a gente cortava logo então ele aprendeu que não tem cabimento. Ele mal assiste tv (porque não quer mesmo, as vezes até tento por um desenho pra ele ver, mas não dura 5 minutos), adora o Juca, brinca bem sozinho ou com outras crianças e se comporta muito bem nos passeios. Sem dúvida o comportamento dele ajuda no nosso relacionamento e na minha posição de mãe. Ajuda também a minimizar os danos dos efeitos colaterais, que são inevitáveis.

12 agosto 2014

Zürichhorn

A vida anda tão movimentada ultimamente, tenho ido a tantos lugares legais e tantas mudanças mesmo de vida que apesar de até estar conseguindo manter um ritmo legal de postagem no blog, queria escrever mais, tipo mais sobre a vida, sobre mim, sobre o andar da carruagem, como fazia antigamente. Mas não dá tempo. Então termino misturando os posts dos lugares pra não perder o registro, com um pouco dos últimos acontecimentos e assim ir conseguindo manter esse espaço como sempre quis: o registro da minha vida aqui na Suíça.
Apesar de esse verão estar chovendo bastante, tento aproveitar os dias de sol não chuva como dá. Perto, longe, tudo milimetradamente programado pra não pegar os temporais, Edi não ficar doente, etc. Porém é tão legal quando a gente não programa nada porque a previsão do tempo é horrível e de repente você ve que tá tempo bom lá fora e pode sair espontaneamente por aí.
Não sei se é o verão ou o que é, mas eu e o Eric estamos nos dando tão bem de uns tempos pra cá. Acho que mudamos, tanto eu quanto ele. Sem dúvida eu não sou mais a mesma desde que engravidei, e ele também deixa de ser o mesmo que era quando nossas vidas eram tão diferentes e os acontecimentos saíram atropelando tudo. E assim a gente vai se acertando. Fico feliz de poder estar tendo essa nova oportunidade. Nessa reviravolta nesse fim de semana e nessa onda de tempos inesperados, mais uma vez o sol tirou a gente de casa e contribuiu para mais uma tarde memorável.
Fomos andando pelo lago como quem não quer nada, e conhecemos melhor a área de Zürichhorn. É uma espécie de "baía" no lago Zurich onde tem uma espécie de prainha com pedrinhas e ondas que Edi que o diga! Adorou! Fica próximo a Chinawiese, ali na altura do museu Belerive, que eu apesar de fã dos museus daqui ainda não me convenci que esse é bom o suficiente para visitar.. Mas olhando bem pra essas fotos, dá pra sentir que o lugar apesar de popular é bem tranquilo e remete a gente a uma reflexão, uma paz, uma tranquilidade. Acho que isso ajudou também até a escrever e refletir esse post enquanto escrevo.
Zürichhorn na verdade é uma das áreas de recreação mais populares de Zurique, e eu apesar de já ter passado por ali várias vezes, nunca parei realmente pra me tocar que ali especificamente era uma área especial e essa área se chamava Zürichhorn. É ali que no verão funciona por exemplo o cinema open air patrocinado pela Orange, uma infra estrutura incrível gigante com um telão fantástico que passa filmes ao ar livre nas principais cidades suíças, e aqui em Zurich é aí.
Ali por perto também tem um restaurante/casino, o famoso Lake Side, tem o pier Zurichhorn onde o barco faz parada no passeio pelo lago Zurich, enfim, vale a pena dar uma voltinha por ali. O que eu mais gostei foi a prainha mesmo. Levamos uma bola e tudo mas Edi se entreteu tanto com as pedrinhas que não precisava de outra coisa. Então num sábado a tarde como quem não quer nada, ficamos por ali andando e brincando com Edi e olha, essa paisagem deve ajudar no psicológico, porque uma simples tarde assim tem como não ser uma tarde perfeita?