29 outubro 2012

Os primeiros três meses

Depois de ficar sabendo que eu estava grávida, não foi nada simples voltar a rotina. Eu só pensava em como isso podia ter acontecido, e como eu ia lidar com tamanha mudança e responsabilidade na minha vida. Os primeiros dias foram bem complicados. Principalmente com a mudança pra Zurique, a entrega do apartamento em Berna, a arrumação no apartamento novo, dar conta do trabalho. Tudo acontecendo como eu tinha planejado, menos essa gravidez.

Eu passava o dia "distraída" e entretida com o trabalho, mas era só chegar em casa que vinha quinhentas mil perguntas sem respostas na minha cabeça, horas e horas de conversa com o Eric e com a minha mãe, e por mais que minha irmã e minha mãe dissessem que era uma nova vida, um milagre e coisa e tal, o que eu sentia estava longe de parecer um milagre.

Um dos primeiros sintomas foi a fome que aumentou muito, e eu que comia pouco na janta na minha eterna luta pra manter o peso, se fizesse só um lanchinho a noite, ia pra cama com a barriga roncando. Então comecei a me alimentar melhor no almoço e parei de comer porcarias e lanches prontos, coisa que eu fazia muito no dia a dia corrido do trabalho.

Passei a fazer almoços mais demorados, e mesmo os colegas continuando apressados lá pra dar conta de tudo e estar as 13h pra reunião, ou eu saía mais cedo, ou cozinhava em casa e almoçava no trabalho direito, mas a hora do almoço se tornou sagrada.

Tá bom que a comida aqui na Suiça é uma das minhas maiores preocupações desde sempre, porque ô lugarzinho difícil pra se comer bem. E caro. Um prato de cordon bleu com batata frita e legumes no restaurante do Migros não sai por menos  de 18 francos. 18 francos pra almoçar todos os dias, meu amigo, é dose. Mas era suficiente pra matar minha fome do almoço.

A noite, quando o Eric estava comigo em Zurich, preparava alguma coisa e ficávamos até pegar no sono conversando sobre o futuro e como ia ser com um bebê em nossas vidas. Ainda era verão, então passeios no lago Zurich ou uma volta no quarteirão com Juca. Isso quando eu aguentava ne. Porque, minha nossa, que sono é esse.... Agora que tô no 4o mês tá muuuito melhor, mas no começo, por vários dias, chegava do trabalho, dava uma volta com Juca, tomava banho e cama! Dormia tranquilamente por 12 horas seguidas e se dormisse menos, só faltava não parar de bocejar no trabalho.

Eric continuava morando em Berna, mas vinha aqui quase todo dia, passava a noite aqui, e num dos primeiros fins de semana depois da mudança, fomos no Ikea atrás de um guarda-roupa pra mim, e não teve como não parar na seção de berços e quartos de criança (que aliás, podia ser maior ne). Mas ainda estava cedo pra comprar alguma coisa, eu estava grávida de um mês e claro não tinha barriga nenhuma.

Depois começaram os enjôos e as sensibilidades extremas. Me lembro que estava no tram indo ou voltando do trabalho e estava lá sentada na minha, quando me entra uma mulher com um cheiro de perfume tão forte, mas tão forte, que eu não conseguia nem respirar mais. Me levantei e fui sentar em outro lugar. Passei a perceber que cheiro forte de café me enjoava, cheiro de cigarro, red bull, perfume e qualquer coisa muito forte era motivo pra eu sair de perto.

Claro, parei de beber de uma hora pra outra. Em outro fim de semana, uma amiga de Berna veio passar o domingo aqui em Zurique comigo, e em pleno verão, maior calorão, ela lá com uma tulipona de cerveja, e eu me senti encurralada, e tive que contar pra ela. Fui de tulipa de suco de laranja mesmo.

Mas as situações que tive que me esquivar do alcool em festinhas e happy hours do trabalho não foram fáceis também não. Eu não queria contar logo da gravidez, até porque todo mundo faz tanta pergunta, e eu mesma ainda digerindo tudo, não ia saber nem como reagir com a reação dos outros. Também não sei mentir direito, então até na internet eu procurei dicas de como arrumar uma desculpa pra não beber e estava pronta pra dizer que estava tomando antibiótico, quando numa sexta-feira chega meu chefe comemorando 5 anos de empresa e com uma taça de champagne pra mim. Fui lá, fingi que bebia, fingia que atendia o celular, ia na copa e jogava um pouco na pia. Estava tão nervosa que pra mim todo mundo tinha notado...

Também tinha acabado de me mudar pra Zurique e não tinha médico, não tinha nada. Liguei pro hospital da universidade de Zurich pra perguntar como é que se faz, como é o pre-natal, pra onde eu devo ir. E aqui não tem muita frescurada não. Primeira consulta só depois de 8 semanas. Não tem exame de sangue pra confirmar nada, não tem exame de sangue pra saber o sexo. Depois eu escrevo um post só sobre pré-natal aqui na Suiça, mas é tudo muito relax.

Eu nervosíssima pra essa primeira consulta na 8a semana. Fui sozinha numa quarta feira de manhã com o iphone e o google maps na mão atrás da Policlínica. Minha cabeça até então era só preocupação. Preencher formulário, pedir informação no plano de saúde, enfim. Uma burocracia que só aumentava meu nível de aflição. Mas é incrível ne. Juro a voces... foi só entrar na sala da ultrasom, e ver um centímetro de bebê com um coração batendo, que não contive as lágrimas. O coraçãozinho lá batendo tão rapidinho... foi suficiente pra me confortar, me dar uma esperança que as coisas de uma forma ou de outra iam dar certo, e que o mais importante é que tinha ali uma vida se formando dentro de mim. Entrei no consultório uma Liana preocupada, aflita, incomodada com a sensação de insegurança e situação desconhecida, e saí uma Liana confiante e determinada a encontrar uma saída.

Eu nunca fui de esmorecer. Já enfrentei tanta situação difícil na minha vida, que acredito mesmo é que Deus não põe nada na sua vida que voce não seja capaz de carregar. E voce também não sabe o quanto é forte, até que sua única alternativa é ter forças. Eu grávida aqui na Suiça não era algo que eu tinha na cabeça pros próximos meses e anos, mas agora era assim, bebe estava lá com o coração batendo na minha barriga, minha vida aqui na Suiça agora então vai ter que acomodar um bebe e as mudanças que ele(a) trará. E tipo assim, isso não é uma coisa ruim. Não planejado não quer dizer ruim, quer dizer que vc (eu) precisa tomar medidas mais rápidas pra encarar a nova situação numa boa. Porque já já um bebezinho vai estar aqui e eu quero dar o melhor pra ele(a).

Hoje que a notícia é de conhecimento de todos, muita gente me pergunta se eu vou casar com o Eric. Ora, casar com o Eric não estava nos meus planos, e nunca achei que gravidez fosse motivo pra casar ou segurar homem nenhum. Minha história com o Eric é longa e a gente graças a Deus se conhece o suficiente pra confiar um no outro e entender que a situação é extraordinária. Somos responsáveis e estamos lidando com isso. O nascimento do bebê é inevitável, mas casar não é consequência disso. Minha gravidez está longe de ser algum tipo de golpe, porque eu e Eric continuamos com a mesma relação de antes, seremos pais juntos, mas não precisamos por isso casar. Pelo menos por enquanto. Porque quem sabe do futuro ne. Mas não por causa do bebê. Quanto a isso está tudo muito claro. Tambem casar agora ia ser mais um baque na minha vida.

Enfim. Depois da 10a semana, que seria o que, o 2o mês, eu comecei a sentir as roupas um pouco mais apertadas e comecei a me olhar mais no espelho, observar minha barriga e tentar ver algum crescimento "suspeito". De frente eu achava tudo a mesma coisa, mas de lado, minha nossa, que saliência... comecei a achar que todo mundo que me via na rua e no trabalho já desconfiava, eu só usando roupinhas soltas, calças cada vez mais largas.

Uma "fuga" desse mergulho nos primeiros meses de gravidez! A viagem programada há vários meses da minha irmã estava pra chegar, e mesmo com minha mãe insistindo pra eu diminuir o ritmo, eu quis continuar com todo o plano de antes. Suiça. Paris e Bruxelas!
Foi muito legal ter a minha irmã num momento de tantas mudanças na minha vida. Eu não estava a mesma Liana disposta que driblou o caminho da Macedônia pra Albânia, mas era a primeira vez que minha irmã me visitava. E eu achei que podia enfrentar tudo que tínhamos planejado.

Fizemos todo o roteiro, fomos até no show da Madonna. Só o que não estava no roteiro era eu passando mal no hotel em Paris e vomitando pela primeira vez de madrugada no banheiro do hotel, ou a minha insuportável dor nas costas em Bruxelas, mas tudo bem. Eu não sei quando minha irmã vai vir me visitar de novo então eu aguentei sorrindo e não me arrependo de nada.

No terceiro mês, eu esperava ansiosa chegar logo no fim do primeiro trimestre pra dar uma diminuída nos enjôos e na minha chatice - sim, eu fiquei muito sem paciência e hormonalmente alterada no terceiro mês. Baixei várias aplicações de acompanhamento semana a semana da gravidez no iphone, e era é uma maravilha acompanhar o desenvolvimento do bebê. A formação das mãozinhas, e de todos os órgãos minúsculos, saber o que está se passando dentro de mim, mesmo que eu ainda não o(a) sinta.

Ir a cada mês na consulta com a médica lá na Policlínica também ajudou muito a cair a ficha, se bem que vez ou outra ainda tenho a impressão que ainda está caindo e vai demorar muito a cair essa ficha totalmente. Mas com o fim do primeiro trimestre, veio sim graças a Deus a diminuição dos enjôos e das chatices, comecei a contar a notícia pros amigos, começamos a ganhar os primeiros presentinhos e pude começar a curtir mais a gravidez além do círculo eu-Eric-minha família.

Eric contou lá a família dele logo que soubemos, e é claro que a reação inicial também foi de susto. Com a distância, retomar o contato com a família dele não é foi inicialmente muito fácil. E digamos que a família suiça não é como a brasileira, então tudo muito na formalidade, jantar marcado com antecedência e coisital. Mesmo assim, a família dele não é tão próxima pra ficarmos horas falando sobre o tema, como eu fico com minha família e amigos. Embora tenha sido bom poder compartilhar com eles e com meus amigos daqui a notícia, agora que estamos mais pé no chão, mais consciente da situação e menos aterrorizados. No bom sentido, claro.

Ao final do 3o mês, organizei um café da manhã brasileiro no escritório, fiz pão de queijo, convidei todos e lá no dia, agradeci a presença de todos e compartilhei a notícia. Mais caras de surpresas, e como esperado, muitas perguntas.

Ainda não tenho respostas para todas (aliás quem tem ne), mas agora já está muito melhor de lidar com isso. Minha barriga cresce a cada semana e eu confesso que to apaixonada por ela. Os enjôos pararam, pude sair com o Eric pra curtir um pouco sem nos preocuparmos tanto o tempo inteiro com isso. Fizemos passeios, nos encontramos com os irmãos dele, e tenho pra mim que tudo está acontecendo como deveria acontecer.

Nem lembro mais porque estava tão preocupada no começo. Claro, medidas são necessárias, é preciso pensar no futuro muito mais, e tomar iniciativas novas, mudar algumas coisas, mas nada que eu nós não possamos lidar. Aliás, quem é que sabe quando está pronto pra se tornar pais? Quando a gente fica grávida, escuta cada história de quem tentou tanto tempo engravidar e não conseguiu, quem passou por gravidez não planejada, é tanta história pelo mundo, que voce termina achando a sua muito da normal. Mesmo aqui na Suiça. Ou talvez, principalmente aqui na Suiça!

O melhor que eu faço é continuar aqui namorando minha barriga...

28 outubro 2012

Dirigindo na Suiça

Eu recebo vários emails de gente buscando informação na internet sobre como fazer passeios na Suiça, o que conhecer na Suiça e tal. Aliás, faz um tempo que não respondo os emails por causa da ausência dos últimos meses, mas vou responder. Apesar de eu só morar aqui há pouco mais de 3 anos, a experiência de quem mora no país é incrivelmente mais interessante do que ler guias de viagens que voce não sabem nem quem escreveu. Eu quando viajo sempre levo um guia de viagem, mas sempre busco em blogs e sites espalhados também por informações úteis de quem já viajou, que talvez não encontre no guia.
Eu apesar de adorar dirigir e desde os meus 18 anos sempre ter dirigido no Brasil, desde que cheguei a Suiça, conto nos dedos as vezes que pus as mãos na direção. Concordo com o dizer que luxo não é ter carro, é poder andar de transporte público. Eu adoro andar de tram, de ônibus e de trem aqui na Suiça. É bom demais poder confiar nos horários e organizar cada passo do seu trajeto baseado nos horários dos transportes que funcionam, mas confesso que vez ou outra sinto falta de um carro. Não no dia a dia, mas numa ida até o Ikea pra carregar as tralhas, por exemplo.
Dirigir na Suiça é muito tranquilo, eu acho. Na cidade, o limite de velocidade é 50km/h, nas estradas 80km e nas rodovias altas (Autobahn) é 120km/h. Dirigir na cidade acho estressante, mesmo tendo dirigido no trânsito em Recife por quase 10 anos. Sei lá, a preocupação de estar na faixa certa, aqui se deixar de ligar a seta quando vai virar é chance de multa, sem falar nos estacionamentos que são muito caros. Por tudo isso acho muito mais vantajoso e tranquilo usar o transporte público no dia a dia da cidade como Zurique, por exemplo.
Já as estradas... ah, as estradas são boas demais. 72 mil km de zero buracos, nenhum arranhão, a maior preocupação é segurar mesmo o pé no acelerador porque com uma pista tão boa a vontade é de pisar fundo.
Sem falar nas paisagens que o interior da Suiça proporciona numa viagem de carro. De trem também é possível ver lindas paisagens, óbvios, mas estrada de carro nem sempre é a mesma do trilho do trem. Por vezes o trem entra num túnel e passamos vários minutos sem ver nada lá fora. Enquanto pra quem está no carro há de admirar paisagens o tempo todo, parar pra tirar fotos...
Dirigir nas autobahns suiças é um sonho realizado pra quem gosta de montanhas e curvas lá no alto. Na passagem da estrada por volta de Interlaken por exemplo, que é preciso passar pra quem vai de Berna até Ticino é uma viagem literalmente falando! Mesmo em pleno verão, é possível ver num dia claro o topo dos alpes ainda com neve. E na viagem de carro é preciso subir tanto que ainda há rastros de neve, a temperatura cai bastante lá em cima e nem parece verão mais. Mais alguns minutos, descidas, e pronto, lá estão os alpes lááá no alto de novo. Fantástico.
A carteira de motorista internacional é sempre recomendada pra quem sai do Brasil e pretende dirigir aqui pela Europa. Porem turistas brasileiros que ficam por aqui até 3 meses podem dirigir com a sua carteira brasileira se estiver junto com o passaporte pra provar o tempo de estadia.

Alugar um carro é fácil como em qualquer lugar. Companhias internacionais "Rent a car" como Hertz, Avis e outras locais como a Autoeurope e a Sixt, essa última eu mesma já aluguei carro lá e é muito bacana, alugam carros com facilidade pela internet. O sistema "Car Sharing" da Mobility, por exemplo, também recomendo. Vc pode alugar por algumas horas, escolhe o tipo de carro e pode pegar e deixar o carro em vários lugares espalhados pela Suiça e é muito prático, e não é muito caro tambem. O carro deve ter um adesivo (vignette) que custa 40 francos por ano e é o pedágio pra manter rodovias tão perfeitas.

Radares e sensores existem espalhados pelas estradas e pela cidade e nem se assuste em receber em casa uma multinha se passar 2km acima do limite máximo. O valor da multa aumenta de acordo com a velocidade. Quanto maior a velocidade, maior a multa. Mas acredite, mesmo um pouquinho acima da velocidade máxima já sai por mais de 100 francos. E se não pagar, vc pode levar um processo nas costas.

Além de que os impostos pra se ter um carro próprio aqui são tão altos que não me convenço que um carro valha a pena ainda. Carro próprio significa impostos, adicionar o valor da garagem no orçamento mensal que não é barata, estacionamentos aleatórios pela cidade que também não são baratos. Enfim, o custo benefício não me convence, porque tenho o transporte público que me deixa nos lugares com muito menos preocupações. Mas já pra viajar, eu recomendo. Só é preciso atentar para todos os detalhes que mencionei acima e também um detalhe importantíssimo que é a época! No verão as estradas são muito cheias e o engarrafamento europeu não é melhor que o do Brasil não. Já no inverno as pessoas viajam menos estrada afora, mas já as montanhas são destinos tradicionais, então vale a pena o alerta. Sem esquecer que no inverno tem que trocar pneu por causa da neve, colocar frequentemente o óleo anti-freezing por causa do frio... ai, é tanta coisa, que sinceramente, só olhando muito pra essas paisagens pra me convencer a pegar num carro aqui ao invés de um trem.

27 outubro 2012

Vale Verzasca no verão

Há exatos 2 anos atrás - Outubro de 2010 - eu conhecia o Vale Verzasca, em Ticino, a parte italiana da Suiça, aquela coisa hipnotizante que mesmo no vento frio do outono ainda dá paisagens de cinema.
Pois bem. Eis que nesse movimentado fim de semana em Ticino em junho deste ano, fomos nós um grupo de amigos que um dia trabalhava todo junto e hoje mora cada um numa parte da Suiça, nos encontrar em Ticino na casa de uma amiga pra passar o fim de semana. Foi joia, fizemos passeios, conversamos muito, conhecemos Lugano e tudo mais.

Eis que surge a conversa de ir fazer o bungee jump em Verzasca, e como falar no bungee jump sem falar no paraíso vale lá perto de Locarno?
Uma água verde transparentérrima, naturalmente localizada no meio de pedras e rochas com montanhas ao redor. Um verdadeiro esconderijo da natureza espetacular...

Eu já conhecia Verzasca, não tive coragem de fazer o bungee jump, mas desafiamos um colega a ir, e no domingo estávamos lá naquele cenário espetacular novamente. Ele não fez o bungee jump, mas isso é o que menos importa. Foi a desculpa necessária pra ir novamente a Verzasca!
E ir ao vale Verzasca no verão é muito diferente de ir no outono. Bem, a água ainda é muuuuuito gelada pro meu gosto, aliás não só pro meu... poucos corajosos pularam lá na água cristalina, mas água a 15 graus pra mim não rola. Mesmo no verão... mas os suiços são acostumados ne, então tá.
Então ficamos lá nas pedras e nos arredores apreciando a vista, conversando, andando, tirando foto, passando o tempo, o que pra mim já estava de bom tamanho.
Pra mim que moro aqui há 3 anos já ter conhecido tanto de Ticino e até já ter ido 2 vezes a Verzasca, acho que posso dizer que até que tenho explorado bem essa Suiça. Isso não quer dizer que ainda não tenha inúmeros lugares a conhecer... ou que eu não possa ir lá de novo.

26 outubro 2012

Lugano

O guia da Folha de São Paulo da Europa, na região da Suiça, só reserva meia página para a região de Ticino, e dois parágrafos para a cidade de Lugano, enquanto cidades como Berna, Zurique, Lucerna, Genebra e os alpes merecem páginas inteiras. Daí da pra tirar como a parte italiana é meio que subestimada aqui na Suiça, porque é mesmo. Quem vem a Suiça a turismo só quer conhecer Genebra e Zurique. Se tiver mais um pouco de tempo, escolhem sempre algo mais central como Lucerna.
Lugano, Locarno e Bellinzona sempre são mais esquecidos e mais deixados de lado, quando na verdade é o tesouro "que os turistas pouco conhecem" da Suiça. É ainda a parte menos explorada turisticamente falando, apesar de ser lindíssima com paisagens igualmente de tirar o fôlego como no resto do país.
Locarno que fica na extremidade norte do Lago Maggiore ainda é mais conhecida internacionalmente por causa do Festival de Cinema que acontece lá uma vez por ano. Já às margens do lago, está Lugano, a maior e mais importante cidade da parte italiana, podemos dizer.

Economicamente falando e com um atraente centro histórico, Lugano é encantadora. Em toda a parte italiana da Suiça, há obviamente a semelhança da arquitetura com a italiana e é bem notável as diferenças nas construções de lá com Berna e Zurique por exemplo. Mas os ângulos que se têm num bonito dia de sol a beira do lago são fantásticos. Não é uma cidade grande nem referência de muitas indústrias, mesmo assim Lugano ainda é provida de com belas arcadas com lojas variadas e é capaz de prover bons momentos num passeio no centro histórico ou na beira do lago. E a noite, principalmente no verão, a promenade vira uma festa com vários quiosques, música tocando e uma vibe muito bacana.
Assim, no fim de semana que passei com uns amigos em Ticino, gastamos algumas horas pra explorar o principal da cidade. Uma volta na Piazza della Riforma, uma visita a Cattedrale San Lorenzo, além de horas e até altas horas na beira do lago, que no verão, é difícil de superar.

De Zurique, há trens direto para Lugano - o ICN ou o EC - que duram quase 3 horas e é direto, não precisa trocar em nenhum lugar. Segunda classe tarifa cheia sai por volta de 60 francos por trecho. Em real, uns 120 reais. Já de Berna não tem trem direto, é sempre preciso trocar pelo menos uma vez ou em Zurique ou em Lucerna e a tarifa cheia de um trecho na segunda classe sai por volta de 95 francos, ou quase 200 reais.

24 outubro 2012

Fim de semana em Ticino

Se não fosse o meu antigo emprego do qual eu já reclamei taaanto no final do meu aviso prévio mas ao qual eu sou muito grata, eu não teria conhecido a Simona, uma das minhas grandes amigas aqui na Suiça. Ela é da parte italiana da Suiça, Ticino, que já falei aqui várias vezes e através dela tive a oportunidade de conhecer essa área da Suiça que acho que se não fosse ela mesmo, ia passar batido.
Primeiro porque é longe de Berna, onde eu morava, é longe de Zurique, onde eu moro, e no trabalho sempre tive mais contato com alemães e suiços-alemães. Conheci poucos da parte francesa, mas a parte francesa tem tanta coisa legal pra ver que mesmo assim terminei conhecendo muita coisa de lá. Não que a parte italiana não tenha, mas digamos que se a parte francesa já é "distante" emocionalmente falando da parte alemã, imagine a italiana. Poucas pessoas aqui que são da parte alemã tem contato com a parte italiana, a não ser esporadicamente pra ir passar férias no Lago Maggiore ou coisa do tipo. É verdade que muita gente ainda vem de lá pra parte alemã pra trabalhar, mas ainda assim, a quantidade é pouca.
Mas eu com a minha querida amiga, já conheci Bellinzona, conheci o interior e tive um Natal inesquecível há 2 anos atrás. Não é pra minha surpresa, mas do grupo de amigos que terminei formando no meu antigo trabalho, quase todos saíram do nosso antigo emprego e tomaram novos rumos na vida. A Simona foi uma delas e voltou a morar em Ticino. Obviamente comigo também me mudando e tanta mudança na vida de todo mundo, o contato diminuiu, e depois de muitos emails e mensagens, conseguimos encontrar um fim de semana de verão que desse certo pra todo mundo ir a Ticino passar o fim de semana por lá.
Ticino tem muita coisa interessante pra ver: a represa de Verzasca (uma dos posts mais acessados desse blog), o próprio vale de Verzasca que é uma coisa paradisíaca, cidades interessantes como Locarno e Bellinzona que falei antes, além de tradições que valem a pena conhecer. Desta vez, a cidade escolhida foi a maior de Ticino, Lugano, da qual eu falarei no próximo post. Mas o dia estava tão bonito que até fomos de novo ao Vale Verzasca e demos mais uma volta por Bellinzona.
A parte italiana é uma fatia importantíssima da Suíça e quem mora aqui não devia ignorá-la. Eu tenho muita vontade de aprender italiano, mas como a vida é uma questão de prioridade e as minhas mudaram ultimamente, ainda não chegou a hora, mas espero um dia poder aprender mais e usufruir ainda mais dessa belíssima região do país que não é só queijo, alpes e chocolate.

19 outubro 2012

Deus ri

Eu ainda vou contar da viagem do sul da França, nem se preocupem. Mas preciso finalmente registrar aqui o início da reviravolta da minha vida, que incluiu não só a mudança pra Zurique, mas foi também a principal causa do meu afastamento do blog. Não que eu deva satisfação a ninguem, porque ne, vc paga minhas contas? Mas porque isso aqui sempre foi e continuará a ser o diário da minha vida na Suiça e o que eu escrevo pode servir pra muita gente (aliás, perdão aí pelo atraso se vc me mandou um email e eu ainda não respondi), mas eu escrevo principalmente é pra mim mesma. E mesmo atrasado, vale a pena registrar.

Então que no meio de toda a correria pra mudança, arrumar caixas e deixar tudo pronto, eu e Eric tiramos 5 dias de férias e fomos pra Côte dazur, como uma despedida e também pra comemorar meu aniversário de 30 anos. Beleza, foi ótimo, maravilha, show. Voltamos no domingo e no sábado seguinte era o dia da minha mudança. Aquele clima de despedida, aquela sensação de que nunca mais vamos ter isso que vivemos em Berna de novo, aquela coisa. Beleza.

Trabalhei na segunda, trabalhei na terça, aí, quarta-feira, dia 1o de Agosto, era feriado aqui na Suiça, o dia que a Suiça foi fundada. Sim, porque a Suiça não foi descoberta, foi fundada. Achei ótimo porque era mais um dia livre que tinha ganho pra terminar de arrumar minhas tralhas. Eric me liga na terça-feira a noite e vai lá pra casa, disse que ia me ajudar na minha arrumação. Maravilha.

Terça-feira a noite, estamos lá eu e Eric no meu antigo apartamento em Berna arrumando as coisas, quando surge assim um pequeno detalhe, uma pequena lembrança, de que uma velha amiga que me visita todo mês estava demorando a chegar. Eric riu, eu também ri, hahahaha, até parece!!!! Mas ne, 9 e tanta da noite estávamos lá, de repente um olhou pra cara do outro, a feição mudou, e sai Eric lá de casa em direção à farmácia pra apanhar a farmácia ainda aberta e comprar................... um teste de gravidez.

Me chega depois de quase 1 hora Eric novamente com o bendito teste, e eu achando que era só mais uma pitadinha de emoção na minha saída de Berna. Dia seguinte era feriado. Fomos dormir e eu deixei pra fazer o teste no dia seguinte. Tipo, nunca que eu estaria grávida. Tipo, eu? Grávida? Do Eric? Hahahahahahaha.

Fomos dormir tranquilamente num dos únicos móveis que ainda estava montado, a cama, no meio de um monte de caixa, e a casa fazendo eco. Dia seguinte, acordei, fui no banheiro, e lá está o teste olhando pra mim. E nada da minha menstruação... já 6 dias atrasada... ah what the hell, vou fazer logo esse bendito teste pra tirar essa pulga atrás da minha orelha, mas tipo... hahahahaha! nunca que eu vou estar grávida. no way.

..........................

Não tenho como descrever o tanto que eu tremia quando vi esse + se formando nesse teste na minha mão. Peguei a instrução, fui ver de novo o que significava o + sem acreditar que + era positivo... e Eric acordando lá no quarto.... abri a porta do banheiro com as pernas trêmulas e sem nem conseguir segurar direito o teste de tanto que eu tremia. Eric de pé esperando o resultando, olhou pra mim, olhou pro teste, pegou nas minhas mãos tentando me acalmar e me fazer parar de tremer, me deu um abraço e ficamos lá estáticos olhando um pro outro sem saber o que dizer, o que pensar, o que fazer....

Eu sempre fiz tudo tão planejadinho na minha vida, que estar ali com um teste de gravidez positivo na mão tendo acabado de completar 30 anos, parecia que Deus estava rindo de mim, e mostrando que quem está no comando é Ele, não eu. Como eu macaca velha com 30 anos na cara que sempre agi com responsabilidade e disciplina estava ali com a maior bomba na mão, pela primeira vez em muito e muito tempo sem saber o que fazer dali pra frente?

Na noite anterior eu achava que minha história com o Eric estava se encerrando, tínhamos voltado a nos falar, a nos ver, porque eu ia me mudar pra Zurique e aí íamos diminuir o contato. Eu achava que eu ia me mudar pra Zurique pra ter uma nova vida, uma vida agitada de ritmo acelerado de trabalho e aproveitando o ritmo mais rápido daqui, e no entanto, ali estava eu no feriado de 1o de Agosto descobrindo que pela primeira vez eu estava com um embrião na minha barriga.

Me tremia muito, mas muito. A mudança pra Zurique ia acontecer daqui a 3 dias, e lá estava eu destinada a ter contato com o Eric pro resto da minha vida. Como a vida é... Fiquei tão desnorteada que minha pressão baixou, quase desmaiei, e a reação inicial depois do grande susto foi: o teste tá errado!!!

Eric ia trabalhar no feriado, e eu pedi a ele pra comprar outro teste. Melhor. Mais certo. E que trouxesse a noite. Como eu ia passar o dia eu não fazia ideia. Tomei um banho, andei de um lado pro outro, olhava pra Juca, ele olhava pra mim. Assim que o Eric saiu, liguei pra minha irmã e dividi com ela minha angustia e meu desespero, minha falta de chão e minha desorientação.

Pra minha surpresa e como pra me acalmar, minha irmã ficou felicíssima e conversamos no telefone quase 3 horas. Depois foi a hora de ligar pra minha mãe, e apesar do susto também, graças ao bom Pai, as duas me deram muita força e me fizeram enxergar alguma luz no fim do túnel.

Eu não saberia explicar a transição de sentimentos que aconteceu nas semanas seguintes. Meu desnorteio ao voltar ao trabalho, sair na rua, me olhar no espelho. Fiquei literalmente sem saber o que pensar. Claro que um dia eu queria ter filhos, sei lá, lá na frente em outra situação. Mas assim??? Agora? Com o Eric? Deus deve rir...

Durante o dia, Eric liga pra saber se eu to viva. A noite, me chega com um teste digital e na manhã seguinte, lá vai eu de novo pro banheiro....

MAIS DE 3 SEMANAS COMO ASSIMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
Semana passada eu estava no sul da França tomando vinho, comendo peixe!!!!!

Minha cabeça só não explodiu.... aliás, não sei nem como minha cabeça não explodiu, juro a voce. Voltei no tempo, o que aconteceu, como pode ter acontecido isso? Só se foi coisa de Deus mesmo, porque eu me preveni. Abri a porta do banheiro novamente, mais calma dessa vez e Eric já sabia o resultado. Nos abraçamos e a cara de susto não passava....

Olha, isso foi em Agosto. Hoje eu estou aqui entrando no quarto mês e enquanto escrevo aqui, estou sorrindo. Rindo. Rindo de mim, rindo de nós. Rindo do susto.

Ora, quem sou eu pra saber de alguma coisa, fazer planos. Eu nem sei se a ficha caiu ainda direito, mas a gente vai pensando, o susto vai passando, vc começa a pensar no que isso realmente significa, e a falta de planejamento e o enigma de descobrir como isso pode ter acontecido se tornam tão insignificantes, que o melhor que eu faço é rir junto com Deus e aceitar o presente, sabe...

Meu Deus, eu to grávida!

Não sei, não me pergunte, ainda estamos resolvendo e organizando o futuro. Toda semana é uma novidade tanto no meu corpo, no meu organismo, como no nosso planejamento, na nossa vida juntos... mas a nova vida que eu achava que ia ter aqui em Zurique, realmente uma novíssima vida. Não a que eu pensava, mas uma nova vida com muitas e muitas esperanças e expectativas.

É claro que ainda vou registrar aqui a continuidade dessa novela, que não é Avenida Brasil, mas olha, pra mim é digna de horário nobre. Que reviravolta! Que vida! Eu grávida na Suiça! Quem podia imaginar? Hahahhahaha.

Pronto, mistério revelado. Nova vida, novas prioridades, novos planos, uma fase novinha em folha pra eu viver e me deliciar aqui nessa Suiça linda. Peço desculpas a quem estava esperando a notícia da próxima viagem, uma volta ao mundo ou sei lá o que, mas agora o assunto abordado nesse blog vai se um pouco mais abrangente que isso. Tô até criando uma tag nova: gravidez.

Viagem a Rússia e a Polônia programadas pra esse segundo semestre tiveram que ser reagendadas. Ao invés disso, um turbilhão de emoções. Mal posso imaginar minha vida daqui a uns meses com a presença de uma nova pessoinha. Ou melhor, posso. Imagino muito. E até me assusto com tanta mudança. Como pode um ser tão pequeno mudar tanta coisa em mim? Meu comportamento, meus hábitos, minhas conversas, meus interesses, minhas prioridades. E isso porque há 3 meses atrás eu estava ali com esse teste na mão perdida sem conseguir enxergar como eu e Eric estaríamos vivendo com isso.

Não, não foi planejado. Nunca achei que eu estaria passando por isso nos próximos anos. Mas acho que até para casais que planejam levam um susto quando vêem esse + no teste, imagine eu, imagine nós. Fiquei sim sem chão, fiquei sim apavorada, mas passou, tá passando. Tudo que é desconhecido assusta. Mas como negar uma benção dessas? Um presente de Deus. Talvez o maior de todos em toda minha vida. Eu não sou superticiosa, sou católica, religiosa a minha maneira, acredito em Deus, e sei que vai ser difícil pra todo mundo "engolir" essa de destino. Me perdoe, mas eu não tenho outra explicação.

É isso. O resto a gente tá resolvendo. Enquanto isso, bebe está crescendo na minha barriga, já ganhei 5kg e nem sabemos ainda se é uma menina ou um menino.

Minha vida definitivamente nunca mais será a mesma. Eu vou ser mãe.

17 outubro 2012

Despedida de Berna

Meus últimos dias em Berna foram de muita correria e arrumação. Entre organizar a mudança, arrumar uma companhia de mudança, encaixotar as coisas e preparar tudo no apartamento pra entregar pra corretora, eu queria aproveitar o tempo com amigos que eu não ia ver mais com tanta frequência e também me preparava pra umas últimas feriazinhas de verão, no sul da França, com o Eric.

Arrumar uma mudança na Suiça é caro. Serviços aqui em geral são muito caros e mudança entre cidades é bem caro mesmo. Normalmente as pessoas chamam amigos pra ajudar, alugam um caminhão e fazem tudo sozinhas pra economizar. Eu até faria, mas como a minha empresa ia me ajudar a pagar uma parte, contratei uma empresa e me responsabilizei "apenas" por encaixotar minhas tralhas e desmontar o que desse. A mudança é paga por hora e número de homens trabalhando então quanto mais eu adiantasse, menos teria que pagar. Encaixotei tudo que deu e as coisas maiores e mais difíceis como minha cama, deixei que eles fizessem. E é claro, o transporte do antigo apartamento pro caminhão e do caminhão pro novo apartamento em Zürich.

Minha casa ficou uma zona por muitas semanas. Daí vc tira também porque eu deixei o blog um pouco abandonado nos últimos meses....

Alles klar. Eu ainda tinha que trabalhar 8, 9 horas por dia então o tempo que tinha "livre" eu tentava aproveitar arrumando alguma coisa pra mudança, antes da viagem com o Eric. Além disso, um happy hour com amigos, só um passeio na cidade antiga já deixava aquele clima de despedida no ar. Meus últimos dias em Berna se aproximavam.

Todos os dias ver aquela linda paisagem do rio Aare pelo trem era bom mas dava ao mesmo tempo já uma saudade...

Eu cheguei em Berna em julho de 2009 pra trabalhar numa organização internacional e não conhecia nada de lá. Tinha ido a Berna uma vez em maio pra fazer a entrevista e pronto. Cheguei sem conhecer nada nem ninguém, na cara e na coragem, apenas em busca de uma vida melhor, uma nova experiência de trabalho. Não sabia se ia dar certo. Entreguei tudo que tinha no Brasil e vim. Podia ter desistido depois de algum tempo, podia ter dado errado. Mas passaram-se 6 meses, 1 ano, 2 anos. Em Berna, morei 3 anos da minha vida, troquei de emprego, troquei de permissão, e chegou a hora de trocar de cidade também.

Berna
Minha principal razão e base de estar e continuar aqui é meu emprego. É a base de tudo, é através dele que posso usufruir da vida melhor que tanto almejei, é através dele que pude viajar o mundo, ver coisas novas, aprender um universo de coisas, melhorar finalmente meu Alemão e, é claro, me aperfeiçoar ainda mais na minha profissão, enfrentar novos desafios, crescer. Tanta, mas tanta coisa aconteceu nesses 3 anos.

Zürich
Eu amo Berna, ali passei maravilhosos anos, lindos momentos, momentos difíceis também, sim claro, nem sempre é tudo perfeito. Mas sempre valeu a pena o esforço. E continua valendo. Quando mudei de emprego pra poder aproveitar ainda mais minha vida aqui, sabia que meus dias em Berna estavam contados. Por sorte ainda passei mais 1 ano em Berna no emprego novo e só às vezes tendo que ir a Zurich a trabalho. Mas no início desse ano fui promovida, mudei de projeto e recebi novas responsabilidades. Com isso, o trabalho mais de Zurich do que de Berna. Resultado? Trem nosso de cada dia.

Foi uma luta conseguir dar conta de tudo e achar um apartamento nessa cidade foi uma loteria, nem te conto... mas é muito bom olhar pra trás, ver que tudo deu certo e voce conseguiu lidar com tudo, atravessou as dificuldades e continua firme e forte.

Como já disse aqui muitas vezes, adoro Zürich, mas Berna tem um lugar especial reservado no meu coração. Eu adoro aquela cidade. Pode ser lenta, pode ser boring as vezes, pode ser pequena, mas é uma das cidades mais bonitas que conheço e nunca me senti verdadeiramente entediada ali. Eu quero é ver agora é se Zürich consegue superar tudo isso... 

12 outubro 2012

Eurocopa 2012

Estou ciente que não é muito interessante ler sobre um negócio que aconteceu há 4 meses atrás, mas o hiato no blog acabou e eu não quero deixar de registrar a minha ida a Eurocopa lá na Ucrânia, em junho de 2012.
Assim como a Copa América reune as seleções do Brasil, Argentina e as melhores da América, a Eurocopa reune os melhores do velho continente. Assim como a Copa do mundo e todos os campeonatos importantes por aí, acontece a cada 4 anos, e há 4 anos atrás eu assistia de casa lá em Recife.
Sempre gostei de futebol e nem passou pela minha cabeça um dia poder assistir a esse espetáculo de perto. Até a minha amiga ucraniana dar a ideia de ir a Kiev justamente na época que está acontecendo a Eurocopa 2012 que COINCIDENTEMENTE nesse ano acontecia na Ucrânia e na Polônia!
Jackpot! Esses campeonatos já são a maior festa. Eu já até imagino a festança nas ruas do Brasil na Copa de 2014 e nas Olimpíadas no Rio em 2016. Mas já imaginou assistir a Eurocopa por aqui? Assim quase como a Copa do mundo, uma mistura de nações, um clima festeiro e emocionante, e ainda por cima assistindo a jogos de seleções incríveis. Isso sem falar que o verão aqui é rápido então temos que aproveitar ao máximo. Poder estar ali até tarde da noite de short, tomando cerveja, escurecendo as 10 da noite, ah, sem igual!
Depois da última Eurocopa ter acontecido na Suiça um ano antes de eu chegar por aqui e obviamente eu ter perdido, nada mais justo mesmo ter tido essa chance! hahaha.
Mais um item na minha Bucketlist bem executado. O grupo da gente - os locais (minha amiga, o irmão, a esposa do irmão, os amigos) e o suiço que estava com a gente todos animadíssimos com o clima da Eurocopa, e pra apimentar ainda mais a viagem, na nossa segunda noite por lá, a Ucrânia consegue a façanha de ganhar da Suécia! Não que a Suécia seja um timão, mas a Ucrânia também não tem a tradição da bola no pé, então estrear na Euro com um placar de 2x1 foi quase como ganhar a Copa!
O clima invadiu e contagiou a cidade e as pessoas! Muita festa na Fanzone em Kiev, muitas bandeiras, muita gente meeesmo, um clima nacionalista que mesmo sem ser de lá, é legal de se ver aquela explosão quando seu país faz um gol! Até queríamos ir assistir o jogo no estádio, mas o preço, a distância e outras dificuldades terminaram falando mais alto, e nossa festa se resumiu a Fanzone organizada pela UEFA no centro principal de Kiev, e olha, não foi pouca festa não.
Eu que já gosto dessa mistura de cultura e conhecer sempre mais de tudo, achei fantástico tudo o que os ucranianos mostraram ali, uma festa daquelas, mas organizada com disciplina, sem pancadaria nem vexames. Tudo com cara de primeiro mundo, nota 10 para o público em Kiev.
Assistimos também ali na Fanzone vários outros jogos nos 5 dias que estive ali e a impressão permaneceu. E mesmo a Ucrânia tendo perdido nos jogos seguintes e não ter ido muito longe na Eurocopa, assim como a Polônia, deu um exemplo muito bom como anfitriões. Se o Brasil fizer parecido daqui a 2 anos já tá de bom tamanho! Só espero que faça mais gol que a Ucrânia ne, e que vença a campeã desse ano, a Espanha, mas isso aí já é outra história.