25 julho 2012

Ucrânia

Você que lê esse blog com frequência já deve ter percebido que eu não escrevo muitos posts começando do nada ne. Tudo tem sempre uma história, um background, um motivo, uma razão, um início. E por mais resumido que seja, eu sempre começo assim. Esse post é sobre a Ucrânia, 36° país que eu visitei na minha vida, e não vai ser diferente, vou começar do começo.

Bom, quando eu cheguei a Suiça e comecei continuei a estudar Alemão numa escola aqui em Berna, conheci gente de tudo quanto é lugar na minha sala. Sim, uma era da Ucrânia, a Yuliya. Quando tínhamos que fazer tarefa em dupla, eu só a chamava de Júlia porque não entendia, o nome dela e I-Ú-LI-A parecia muito difícil de pronunciar. Só mantínhamos contato nas aulas, mas quando eu mudei de emprego e passei a trabalhar na Swisscom, adivinhe quem eu encontrei por lá na cafeteria? Tivemos a maior surpresa de esbarrar uma na outra e era como se fôssemos velhas conhecidas, quando na verdade estávamos nos dando conta que tínhamos muito em comum. Duas expatriadas morando na Suiça em busca de uma vida melhor.
Ela é de marketing e eu sou de TI e claro, a gente vem de lugares totalmente diferentes, mas a vida de expatriado mesmo assim pode no fim ser muito mais semelhante do que parece e o melhor de tudo, aproximar muita gente, afinal a cultura suiça é nova pra gente. E assim nos aproximamos e viramos amigas. Saídas sexta a noite, jantares, drinks, passeios no fim de semana, até um convite pra conhecer a terra dela, Kiev.
Uau! Eu conhecia Kiev de nome, quando comecei a aprender a toca piano há anos atrás, quando meu sonho era fazer o solo de Renaissance. Fui procurar saber onde ficava essa cidade de nome esquisito, ouvia essa música e imaginava Kiev tão longe, tão fria e cheia de neve. Uma visão bem diferente da imaginação que começou a passar pela minha cabeça quando comecei a levar a sério convite de ir a Ucrânia com uma ucraniana e um suiço em plena Eurocopa, em pleno verão!
A Ucrânia é mais um país do Leste Europeu, esse que eu já insisti tanto em explorar, seja sozinha, seja acompanhada, me submetendo a aventuras únicas e situações pra conhecer as curiosidades de uma área ainda pouco explorada, mas com tanta coisa interessante pra se ver. 

Ainda mais especial ainda, a Ucrânia é antiga colônia da União Soviética, já inclinando para minha imensa curiosidade de conhecer mais da Rússia, o que torna tudo ainda mais atraente pra minha pessoa. Sendo assim ne, não tinha opção a não ser aceitar o convite. Isso tudo foi conversado entre a gente com meses e meses de antecedência, então eu tive muito tempo pra comprar um guia da cidade, comecei a ler sobre o país, toda vez que a gente se via trocava mais uma ou outra informação, até que chegou Junho, e lá fomos nós.
A Ucrânia faz fronteira com a Rússia, a Polônia, a Bielorrússia, a Hungria, a Romênia e Moldova. Daí só conheço a Hungria. Nada melhor pra aguçar ainda mais meu espírito aventureiro e me preparar para 5 dias em Kiev. A viagem de avião Zurique-Kiev é curtinha, menos de 3 horas e eu só tenho coisas boas pra falar dessa viagem.
Andar por Kiev é, acima de tudo, cenários de contrastes atrás do outro, com prédios antigos, reconstruções, transportes caindo aos pedaços e construções brilhando de novas. Por várias vezes, a Yuliya e o irmão dela comentavam sobre os prédios que eles eram "muito soviéticos".
A Ucrânia foi parte do império russo e passou por maus bocados pra conseguir independência no século passado. É de colocar qualquer aulinha de história da Europa no chinelo o que os ucranianos passaram. De um genocídio devastador com histórias de partir o coração a guerra civil, passando por crise econômica e acidente nuclear, a Ucrânia ainda consegue manter uma rica história de cultura e tradições infelizmente ainda escondidas e meio apagada diante do mundo.
Sério. O que eu vi, ouvi, aprendi e comi nesses meus dias em Kiev colocaram a Ucrânia no topo da lista entre países com cultura e história pra ver e conhecer. Ainda tô na dúvida entre a Ucrania e India, pra falar a verdade... mas enfim. Pra voce ver como eu to falando sério. A Ucrânia não tem nada a ver com a Índia, mas em matéria de cultura e tradições, preenche todos os requisitos e ainda sobra. Andar por Kiev levanta lembranças de uma época difícil de domínio russo, invasão nazista, e ainda mais com ucranianos do lado me contando histórias reais do sistema de despopulação lamentável liderado por Stalin


Enquanto historiadores ainda discutem sobre se a Famine foi uma consequência de problemas econômicos e sociais da época quando a União Soviética se industrializava, já foi concluído que o lider soviético tinha a intenção de destruir a Ucrânia como nação e entidade econômica, deixando milhares de pessoas sem comida e levando-as a morte. Apesar de os "suspeitos" já estarem longe dessa dimensão, a Ucrânia ainda lembra com dor dessa época quando não podiam deixar o país e sobreviver ali era vencer uma guerra. A Yuliya e o Taras, irmão dela, contaram histórias de seus avós de me deixar fascinada... eles são antes de tudo sobreviventes!
Eu não queria nem escrever sobre isso aqui, porque é uma pena gastar tempo e energia lembrando coisas ruins, mas essa dor faz da Ucrânia hoje uma nação a ser descoberta e admirada. Um país que só conseguiu sua independência oficialmente em 1990, gente, há 22 anos atras! Depois de tudo que passou, e tão recentemente, conseguiram ainda estabelecer princípios de democracia e atingir um nível aceitável de independência econômica e política. 
Hoje o sentimento "anti-russo" ainda mostra de leve a mágoa que os ucranianos carregam em si por toda essa história, e isso é visivelmente perceptível, como por exemplo na Eurocopa mesmo, de todos os ucranianos que perguntei (e não foram poucos!) pra quem estavam torcendo no jogo Polonia x Russia e TODOS disseram Polonia. A razão? "Não sei, não consigo torcer para a Russia..." era a resposta mais comum.


Hoje a Ucrânia pode ainda viver sobre a sombra da USSR, e não tem como falar da Ucrânia sem falar da Rússia, mas caminhar a passos lentos é melhor que não sair do lugar. Kiev é uma cidade linda, ótima de andar, ótima de fazer turismo, explorar, conhecer, e eu amei meus 5 dias por lá. Infelizmente como a maioria dos países do Leste Europeu, é um país pouco valorizado, carente de informação e sistema organizado de turismo, mas definitivamente vale a tentativa. Eu to aqui pra contar minha experiência.


Claro, conto mais no próximo post.

24 julho 2012

Organização suiça

Quando se fala em Suiça, muita coisa vem à mente como chocolates, relógios, queijos, alpes, montanhas, neve. Quanto a maneira suiça de ser, jeito, coisas abstratas que vem à mente quando falamos Suiça, outras palavras aparecem como organização, pontualidade, frieza, educação, etc.

A Suiça tem inúmeras características das quais eu falo aqui no blog espontaneamente, mas nunca falei de uma específica. Vou falando das coisas conforme elas vão acontecendo na minha vida aqui. Mas hoje eu sentei aqui pra escrever especificamente sobre um aspecto, a organização.

A Suiça é organizada ao extremo. É também bem administrada, bem regulamentada, com pessoas bem educadas, mas tenho pra mim que o ponto que une tudo isso é a organização.

A começar pelas ruas que são super bem divididas, nomeadas, sinalizadas, elas são o pátio onde o povo anda. Regras são fundamentais pra fazer o trânsito numa rua funcionar direito, assim como numa rua de pedestres, numa rua de comércio. Regras não seriam nada se o povo não a seguisse. E o povo não seguiria regras se eles não fossem pessoas educadas, conscientizadas, e elas não fizessem sentido. Tudo junto forma uma grande organização onde tudo funciona. Os carros andam de um lado, os trams passam sempre nos horários, pessoas atravessam a rua na faixa e sujeira no chão não há.

Ok ok que as bitucas de cigarro estão cada vez ficando mais sérias, e de vez em quando eu mesma vejo uma lata de red bull no chão, mas às vezes tenho a impressão que elas, as ruas, são limpas todos os dias impecavelmente. Pegue um festival de música como o Gurten por exemplo, ou qualquer um nas principais cidades que são super comuns agora no verão, no dia seguinte do fim do festival, tá tudo tão limpo e ajeitado que nem parece que tinha 30 mil pessoas com latas de cerveja na mão no dia anterior ali.

A agenda de um suiço é organizada com meses de antecedência. Não se admire se ninguém for a sua festa que voce "organizou" em uma semana. Aqui tudo é organizado tim tim por tim tim, e consequentemente, com antecedência. Seja de bilhetes do show da Rihana começarem a serem vendidos com 11 meses de antecedência e se esgotarem em poucos dias, seja um fim de semana com amigos organizado o que fazer hora por hora, aqui a espontaneidade tem que ser combinada.

Enquanto isso tira um pouco da naturalidade de algumas coisas e muitas vezes o povo e os costumes terminam sendo vistos como formalidades e frieza, a organização suiça é uma característica e contribui massivamente para o bom funcionamento do país.

O que pode, o que não pode, como deve ser, como não deve ser. Regras são necessárias, a organização é uma vantagem. A Suiça é sim fria em comparação ao Brasil, ou a Espanha. Mas olhe para o nível geral de organização desses outroa países e perceba como a Suiça é superior.

Talvez se houvesse mais Suiças no mundo, os suiços fossem mais capazes de dar exemplo. Tenho a sensação que não estão preocupados em mostrar seus feitos pra ninguém. Talvez porque a Suiça seja pequena e não grande o suficiente para chamar a atenção. Ou talvez já até tenha chamado a atenção suficiente. 


Depois dos EUA, nunca vi um lugar pra mostrar tanto sua bandeira e se orgulhar tanto dessa cruz branca sobre o vermelho. Em dias de comemorações oficiais, a cidade de Berna por exemplo se enche de bandeiras nas ruas principais, que alternam entre bandeiras da Suiça e bandeiras do cantão Berna.


A Suiça tem 26 cantões, que é como se fossem estados. Cada um tem suas regras, e no entanto se entendem muito bem. A organização não é diferente. Tudo bem que em Genebra a organização não é a mesma que em Zurique, mas outros fatores são de interesse aí.


Enquanto a parte alemã é vista com a parte mais rica da Suiça, mais bem desenvolvida, e sim, mais bem organizada, a parte francesa ainda tem muita influência da França e é mais internacional, multiculturalizando um pouco mais essa região. Já a parte italiana é a parte de "férias" da Suiça, mas acredite em mim, embora haja influência da Itália ali, Ticino ainda é muito mais organizada que muita região aqui da Europa.


Toda essa questão não é assim tão pacífica e perfeita. Em todo país, em todo lugar, existe pessoas que discordam do sistema, não importa o quanto ele funcione, sempre há alguem descontente. Aqui na Suiça, nem todo mundo tá contenten de ter que ter sempre uma receita de um médico pra poder comprar um remédio na farmácia. Nem todo mundo acha que é necessário amarrar jornais para que eles sejam coletados pelo lixo para reciclar, podem estar em caixas de papelão, já que vão tudo para o mesmo container.


Em tudo há uma explicação, e a maioria que define regras pra manter a ordem precisa manter também o bom senso e justificar o porque de cada uma delas. E acredite, a organização é tanta, que existe espaço para justificativas, críticas, sugestões de mudanças.  Tudo pacificamente, claro, isto é Suiça.


Embora quem olhe de fora possa ter impressão que por conta disso tudo aqui é pre-definido e robótico, pense bem se não seria melhor se houvessem regras para certas coisas em certas partes do mundo, e se não seria melhor se sistemas e processos fossem organizados, tipo, como na Suiça.

Na minha opinião, em meus 3 anos de Suiça, vejo que aqui as pessoas se respeitam mais, organizam sua rotina, suas vidas, seus afazeres. Muitas consequências ruins são evitadas e o país progride muito bem.

Se dão ao direito de rejeitar parcerias com a União Europeia, de não trocar sua moeda que hoje é uma das mais fortes do mundo. A Suiça não tem três de suas cidades na lista das cidades com melhor qualidade de vida a toa.

A fama da organização se extende até os maiores bancos do mundo, que também estão aqui, o UBS e o Credit Suisse. E a precisão dos relógios suiços não são créditos apenas da tecnologia.

A Suiça pode ser vista como um paraíso pra quem vem da India, por exemplo, onde o caos da desorganização é tão intenso por todos os lados, que estando lá, não dá nem pra imaginar que existe o total oposto que é isso aqui.

Não acho que seria bem paraíso o nome. Porque como já falei, há outros aspectos que devem ser levados em consideração pra criticar qualquer lugar. É organização mesmo. A Suiça é um país organizado. Extremamente. Se for paraíso da organização, aí sim, eu concordo plenamente.

22 julho 2012

Verão suiço

Se voce buscar por posts de inverno nesse blog, vai encontrar muito mais conteúdo do que histórias no verão ou primavera. Sendo curta e grossa, a razão é que o verão é curto demais.

Oficialmente as estações duram o mesmo tempo, mas o inverno invade a primavera que deveria começar em março. Ora, em março ainda tá um frio danado aqui e mal dá pra abrir mão do cachecol. Inverno termina tarde e começa cedo, pra dizer a verdade.

Bem, em abril chove muito por aqui e não é mais inverno mas também não é primavera. É verdade que precisa de muita chuva pra trazer o verde de volta, pois no inverno as árvores ficam todas peladas e as gramas são marrons e congelada. E pra falar a verdade, eu até gosto das chuvas de maio.

Lá pro fim de maio é que começa a ter dias mais quentes, e é muito comum começar o dia a 2, 3 graus e lá pro meio dia está 20, 23 graus. Os dias que são quentes o tempo todo em maio são uma festa. Todo mundo louco pra arrancar os casacos de vez, eu mesma em maio já to de saco cheio de tanta roupa de frio, to doida pra usar um sapato aberto, uma sandalinha. A essa época, começa a aparecer flores nos canteiros, nas janelas e tudo parece mais feliz.

O verão começa oficialmente em junho, mas em junho ainda temos dias relativamente frios. Bom, não é frio como no inverno mas também não é verão. Quando a previsão diz que vai passar dos 25 graus, aí sim começa o verão.

Agora em julho tivemos no início do mês dias de muito calor realmente. Mas assim, são dias que contamos nos dedos. Nos dedos de uma mão só. To falando sério.

Não precisa de casaco pra sair de casa, dá pra sair de sandália as 6 da manhã. O problema maior é a tarde, depois de meio dia, 2 horas da tarde, trabalhar num dia de verão desses numa sala sem ar condicionado. Enquanto que normalmente os ventos ainda são geladinhos por aqui, mesmo no verão, há dias nessa estação que simplesmente não há vento.
É um calor abafado, um sol que queima, mas não arde. É quente. Voce ve gente na rua de short, de blusa de alça, de chinelo. Suiço não consegue trabalhar quando tá calor. 4 horas da tarde ninguém aguenta mais, todos saem cedo e compensam depois. Vai todo mundo pra piscina, pros lagos, pros rios.
Ouentão vai terminar de trabalhar em um ambiente mais agradável, que é o que de vez em quando fazemos na minha empresa. Encerrar o expediente no escritório e fazer um feierabend não no escritório, mas na beira do lago. Ainda falar de negócios e trabalho, mas com uma taça de champagne geladinha pra aliviar a tensão. E espontaneamente, ir trocando o assunto de trabalho por algo mais relaxado, e encerrar o dia de trabalho com uma bela vista do lago em Zürich. Isso é verão!

Lago Zurich
A temperatura do rio Aare, pelo menos aqui em Berna, nessa época do ano fica na base dos 17, 18 graus. É frio. É gelado. Nadei no Aare ano passado pela primeira vez, foi uma experiência incrível, mas nos primeiros 2 minutos, achei que ia morrer congelada. Parece que voce ta entrando numa banheira gigante com pedras de gelo.

Esse ano fui nadar no rio no dia mais quente do ano até agora, quando Berna fervia a 30 graus. O rio continuava a 18. Fui com mais coragem e incentivada por quem passava por mim nadando e parecendo muito contente lá dentro. Tava um gelo ainda, mas pela experiência eu já sabia que depois melhorava e que valia a pena.

É tradição. Não tem praia, nada no rio. Nada no lago. Vai pra piscina. É tudo lotado a essa época do ano.

Enquanto o sol não é aquele sol tropical de dar um bronze daqueles, dá pra dar uma queimadinha sim, mas suiço é cuidadoso demais pra isso. Todos usam protetor no maior fator possível, pois são brancos demais. Qualquer alteração é perigosa pra eles. E mesmo com o protetor solar mais alto não passam tanto tempo no sol. Tostar nunca.

Em dias que não dá pra ir dar uma nadada ou pegar um sol no parque, o verão pode ser aproveitado de outras formas por aqui. Fazer trilha é uma delas, mas só quando não está muito calor. Sentar no bar mais próximo, tomar um chopp ao ar livre, tomar sorvete na rua, ficar até tarde na rua sem casaco, ver o sol se por as 10 da noite. Tudo isso é característica do verão suiço.

Sinceramente não sei como alguns bares e restaurantes sobrevivem, porque se comparar a quantidade de gente nas ruas - tanto indoors quanto outdoors - no verão é consideravelmente maior que no inverno. Sei lá, a atmosfera muda, o povo conversa, se ouve barulho na rua. No inverno não, é tudo quieto, todo mundo que tá andando na rua tá doida pra entrar em algum lugar.
chuva de granizo

No final de julho começa mais uma temporada de chuvas, e em agosto quando fizer de novo um dia que faça muuito calor, pode ir se despedindo. Além de com certeza vir uma tempestade logo depois, o próximo dia que fizer calor já vai fazer menos calor. E assim vai.

Dia desses tava aqui maior sol, de repente, do nada, o tempo se fecha, e chove granizo. Mas muito forte mesmo. Pedras de gelo caindo do céu com toda força, num barulho ensurdecedor, em tempo de danificar os carros e as pessoas nas ruas. É verão.

Aqui não existe verão com muitos dias seguidos de sol e calor. Faz calor, faz. Faz sol, faz. Mas pode checar a previsão do tempo que logo logo vai aparecer uma tempestade pra compensar. Não to jogando areia no seu verão não, é a mais pura realidade.

Bom mas no final de tudo, é muito bom. Eu adoro o verão. Mesmo que não de pra aproveitar muito como estive acostumada, dias seguidos de sol e torrar no calor, é muito bom ter mais tempo de luz do sol por dia, chegar em casa ainda claro e ter ainda claridade por várias horas, acordar no claro, e não precisar de casacos por algumas semanas. Eu também não gosto de calor o tempo inteiro. Adoro quando chega o outono que podemos nos arrumar mais, ir trabalhar e não precisar ligar o ventilador, nem ficar suando no escritório.

O verão é curto, é. Mas tem sua medida que embora eu ainda não saiba dizer se é certa ou quanto seria a certa, to satisfeita do jeito que é.

Pelo menos da uma aliviada na friaca que acabou mas que ja ja chega de novo. Mas que quando chega, já é bem vinda. Sinal que o verão foi bem aproveitado, ou longo o suficiente pra fazer o frio fazer falta. Pelo menos pros suiços.

19 julho 2012

Chäs chüechli

E esse suiço alemão aí hein? Entendeu? Chäs-chüechli. Não entendeu não? Ah, rapaz! Tem que estudar suiço alemão! Hahahahahaah!!!!
Chäs chüechli nada mais é que tortinhas de queijo. Em alemão, Käsekuchen, ou seja, bolinhos de queijo. O chüechli com li no final significa diminutivo, por isso bolinho. E chäs é queijo ora (käse, em alemão). Em francês, é conhecido como Ramequins. Em italiano, Tortine al fromaggio. O mais legal é tentar a pronúncia em suiço alemão... Bem depois da lição de idiomas, vamos ao que interessa. Apesar de ser uma especialidade tipicamente suiça, e tipicamente de Berna! por isso o nome em suiço alemão no dialeto daqui de Berna, essas tortinhas parecem com nossas famosas empadinhas do Brasil. Tem bem menos massa que empada, é verdade, e o queijo que é usado é obviamente suiço e aí varia de receita a receita. E olha, não são poucas
Como quase toda especialidade suiça, a receita de Chäs-chüechli é própria de inverno, quando o frio tá rolando solto lá fora e a casa toda fechada fica impestada com o cheiro enlouquecedor de queijo esquentando no forno. Mas ne, quase todas as receitas suiças envolvem essa filosofia queijo. Fondue, Raclete, Rösti... com esses bolinhos, a coisa não muda esse aspecto.

Em casas típicas suiças, é muito comum fazer um chäs-chüechli para o lanche da tarde num dia de dezembro, para a janta mais incrementada quando o recheio não é só queijo, mas cebola, espinafre, o que voce quiser, ou como acompanhamento numa ceia de natal.
Eu não conhecia essa belezinha e fui conhecer logo agora no verão, quando mesmo com as janelas todas abertas da minha casa, quase enlouqueço com o cheiro esfomeador vindo do forno.

Não sei a receita, nem fui eu quem fiz. O Eric comprou pronto no mercado e chegou com isso aqui, só fiz por no forno. Pra que, meu Deus, pra que inventei de experimentar isso?

17 julho 2012

show do Red Hot Chili Peppers!

Aqui na Europa tem tanto show legal de tanta banda que eu gosto, que me dá até nervoso quando vejo que não consigo ir a todos que gostaria. Bom, não vou a todos que gostaria primeiro porque shows dia de semana já é complicado o suficiente. Depois companhia, compatibilidade de gostos, preços, e às vezes só fico sabendo do show quando já tá em cima e nem ingresso tem mais, como foi o caso de Coldplay... ai não gosto nem de lembrar.
Eu adoro música e ter conseguido ver shows do U2, Jamiroquai, Joss Stone, Eric Clapton e Supertramp, por exemplo, me dão a sensação que meus dias gastos ouvindo música na minha adolescência não foram em vão.
Red Hot Chili Peppers é uma banda que eu curto desde a época que comecei a sair nas festas lá em Recife, há 10 anos atrás, quando Californication e Otherside eram a trilha sonora do momento. Nossa, como eu ouvia no carro, no mp3 player, na praia, no downtown... Como não fechar os olhos e cantar junto Scar Tissue ao ouvir o som daquela guitarra maravilhosa de John Frusciante?

Quando soube ano passado que eles iam fazer um show em Zurique em dezembro, me liguei na data que iam começar a vender ingressos e pra minha desalegria, quando fui ver na internet as 10 da manhã, não tinha mais ingresso. Em duas horas esgotaram-se. Nem companhia eu tinha pra ir, mas fiquei p da vida.

Passou esse show em Zurique ano passado e o sucesso foi tão grande que ano passado mesmo começaram a anunciar mais um show deles aqui na Suiça para este ano aqui em Berna!
Uau! Parecia um presente pra mim. Combinei com um amigo então, e em novembro do ano passado já estava com ingresso comprado pro show que aconteceu agora em julho, 8 meses depois.

O show era dia de semana, eu tinha que sair cedo do trabalho em Zurique, olhe, foi uma arrumação, tudo por Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith e Josh Klinghoffer. É ne, já que Frusciante não está mais no grupo, eu fui ver o substituto.
Vi o substituto, vi Flea de cabelo roxo. Vi tudo. O lugar era o Stade de Suisse, onde já fui assistir jogo de futebol e partida de hockey. Agora no verão, são vários shows em estádio, pois com o clima bom dá pra fazer show em lugar aberto, o sol vai até tarde, é uma maravilha essa época. 

Tirando a esquisitice da banda que abriu o show, chamada Tinariwen que vem lá do deserto do Sahara e não tem absolutamente nada a ver com Red Hot, o show foi superrrrrrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!
Tinha muuuuita gente, e a gente ficou relativamente perto do palco, considerando que a galera que fica imediatamente da frente do palco até uns 20 metros pro meio da pista é da área vip, estávamos bem. Só que era um show de rock, ne, não é como U2 que é tudo mais pacífico, então fomos sorteados de ficar bem no meio das rodinhas de "dança", entenda-se: chutes e pancadas.

Mas calma, estamos na Suiça, não houve problema algum. Ok que Anthony Kiedis - e a banda inteira na verdade - não são os mesmos garotões de quando lançaram Give it Away, mas ainda sabem por o povo pra pular. Me diverti muito, ouvi ao vivo as músicas que adoro. Foi demais. Give it away, give it away, it's Red Hot!!!!