30 junho 2012

Tirana

Pra não perder o embalo: Tirana!
A maior cidade da Albânia, a capital do país. Tirana existe desde a época do império Otomano, que comentei no post passado. Tornou-se capital em 1920 e hoje tem uma população de quase meio milhão de pessoas. Considerando que a Albânia inteira tem menos de 3 milhões de habitantes, Tirana é bem populosa.
Quando cheguei em Tirana naquele ônibus maravilhoso, lembram? Desci na praça principal, a Skanderbeg square, e de lá peguei um taxi pro hotel. Sorte que o hotel que eu tinha reservado era no centro, só que... quando eu cheguei eu não sabia que eu estava no centro! Enfim. Cheguei no hotel, começou logo a chover tão forte que me desanimou de fazer qualquer coisa mais naquele dia. A previsão do tempo não estava boa.
Eu queria sair, ainda dar uma andada pelos arredores do hotel, fazer um reconhecimento de território e tal, mas não. Depois do "passeio" lá de ônibus, o mundo caindo em chuva la fora, e meu quarto de hotel ser tão aconchegante e legal, o melhor que eu fiz foi olhar o menu do restaurante do hotel, procurar algo típico e pedir um maravilhoso byrek!
Depois do perrengue no ônibus, eu mereceia mesmo um descanso. Passei o resto do dia no hotel lendo meu guia, estudando mais a história da Albânia, vendo tv em albanês, comendo meu byrek, carregando a bateria da câmera, enfim, me preparando para o dia seguinte. Aí sim! 


Acordei toda disposta no dia seguinte, pronta pra conhecer Tirana!

Foi muito interessante começar o passeio por Tirana com meu guia albanês, aliás excelente guia, pena que não acho mais o cartão de visitas dele. A previsão do tempo continuava ruim, mas de manhã as 9h quando o guia me pegou no hotel, saímos de carro no maior sol. Ele ia me explicando sobre a posição geográfica da Albânia, a influência dos italianos na arquitetura dos prédios que eu ia vendo passar no carro, o heroi nacional Skanderbeg, exemplo de maior resistência contra o império Otomano.
Muita coisa foi destruída e os prédios que se vêem na praça principal em Tirana, a praça Skanderbeg é tudo reconstrução. Aliás, a influência italiana é inegável. Prédios amarelos e de arquitetura semelhante às que se vê na Itália, em alguns ângulos voce pode jurar que está na Italia! 

Os italianos dominaram Tirana por um tempo, e foi graças a eles na década de 20 que Tirana ficou com cara de capital. Praças, boulevards, calçadas, ruas largas e bem decoradas. Infelizmente muita coisa mudou na era comunista e terremotos também não ajudaram.

Foi nessa praça Skanderbeg que o ônibus que veio de Skopje parou e é aí sempre o ponto de encontro pra qualquer coisa, o centro de Tirana. É aí que está o museu nacional, a mesquita Et'hem Bey e a torre do relógio. Nada assim ohhh que coisa impressionante, mas é o que Tirana tem pra oferecer.
Tirana pode não ter estação de ônibus, mas a cidade tem museus, cafes, restaurantes, que aliás, o lek albanês tem uma cotação baixíssima e tudo lá é muito barato. Esta praça em si como centro não tem cafes e bares, é mais uma coisa histórica e sempre tem muito carro passando. É um lugar pra ir, ver e seguir caminho.
Fora isso, o que tem pra ver são construções históricas, prédios do governo, praças e tal, nada de extraordinário que se destaque muito. Mas o que mais me chamou atenção em Tirana não foi nada disso, e sim o que se vê por todos os lados: prédios da época do comunismo em forma de caixa, todos iguais seguidos um do outro sem diferença de tamanho, com janelas simetricamente idênticas, só que de cores diferentes!
Cores, cores e mais cores! Cores destuadas, cores em formas, mistura de cores por todos os prédios. A explicação? Eu pedi uma a meu guia e eis aqui a resposta: esses prédios são da época do comunismo. Pode ver que alguns até ainda estão de sua forma original sem pintura alguma. Imagine a cidade inteira com blocos residenciais assim iguais, marrons. No mínimo, bem socialista...
Pois bem. Quando a Albania se livrou do regime comunista, o primeiro prefeito que foi eleito em Tirana era um pintor. E uma das primeiras medidas foi simplesmente pintar esses blocos residenciais, e mudar a cara de Tirana, tirar esse ar socialista, essa coisa marrom baixo astral e pintar os prédios de diferentes formas e cores.
Eis aí o resultado até hoje. Hoje essa ação é característica marcante da capital albanesa, que eu particularmente adorei. Não que fique bonito e moderno, mas imagine se fosse tudo marrom como era antes. Com cores diferentes, a cidade finalmente mudou mais sua imagem e no fundo é uma tentativa de afastar os difíceis tempos soviéticos da lembrança.
Engraçado que meu guia também me levou pra conhecer a área onde os líderes soviéticos daquela época moravam. Casas grandes com varandas e jardins, totalmente diferente do resto da cidade. A área das casas eram fechadas com segurança militar e pessoas normais não podiam circular ali. Triste.
Como dá pra perceber, o passeio por Tirana foi muito mais história contada do que coisa pra ver. Grande parte do que escrevi no post passado aprendi nesse passeio com meu guia. No início da tarde, quando o tempo já começava a virar e dar razão a previsão do tempo, tínhamos encerrado nosso tour por Tirana, e era hora de partir para Kruja, a cidade de maior resistência do império Otomano. Mas isso eu conto no próximo post.

Albania

A Albânia também foi parte do império Otomano, que eu contei aqui no post da Turquia. Lá na Turquia, conhecendo Instambul, a antiga Constantinopla, capital do império Otomano, não tem como ficar neutra diante de tanta coisa que os otomanos construíram. O império se estendeu pelo norte da África, Oriente Médio e sudeste Europeu.
Tirana, capital da Albânia
Mas sabe, talvez não seja certo começar falando da Albânia como mais uma região que foi parte do império Otomano. Mesmo antes dos Otomanos chegarem, os bizantinos, os romanos e os ilírios já haviam passado por ali. Sem falar nos gregos da pré história. O continente europeu é habitado desde muitos e muitos tempos, se for remeter a esses tempos, eu só escreveria isso aqui nesse post. E pra falar a verdade, não sou historiadora nem sei muita coisa. O que escrevo aqui é o que leio, o que aprendo com as viagens. Acho que o que me interessa é como a Albânia de hoje foi afetada pra ser o que é. Obviamente tenho que voltar ao passado e entender o que aconteceu por ali, mas na medida certa.

Então saber que o império Otomano lutou pela região que é hoje a Albânia contra sérvios, húngaros, bósneos, búlgaros e os próprios albaneses locais é sem dúvida interessante pro meu entendimento.

A minha curiosidade de ir até a Albânia mesmo sujeita a passar pelo sufoco que passei foi acatada porque era muito perto da Macedônia, onde eu resolvi ir passar a Páscoa, ali na península balcânica. Li sobre a Albânia, não vi nenhum perigo momentâneo, nenhuma ameaça de conflitos, nem nada, porque né, nunca se sabe direito o que está acontecendo nessas regiões que são meio fora de rota. E então resolvi ir. E ir pra mim não é só ir, é saber o que rolou ali, é conhecer a história, é catar um guia que me explique os fatos, que me leve pra ver os principais pontos. E nesse tipo de viagem eu não tenho problema nenhum em ir só sabe, porque aí posso "viajar" o quanto eu quiser!
Kruja, a cidade de maior resistência ao Império Otomano na Albânia
E assim em 2 dias aprendi coisas que nunca vi na escola. 
A Albânia se tornou independente do império Otomano depois da primeira Guerra dos Balcãs, em 1912, um conflito bélico entre Sérvia, Montenegro, Grécia, Romênia, Turquia e Bulgária pra decidir a quem pertenceria os territórios restantes que tinham sido dos Otomanos. Só que a Albânia foi governada pelos Otomanos por muitos séculos e com a independência, ficou instável e insegura. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Albânia foi liderada pela mesma pessoa, Enver Hoxha, até 1985, ou seja 44 anos. Hoxha era seguidor da antiga liga stalinista, forma de poder político da União Soviética da época de Stalin. Pelo que aprendi e vi nesses intensos dias na Albânia, digamos que essa forma de governo não foi muito saudável. Há um termo para caracterizar formalmente o governo de Enver Hoxha na Albânia: isolacionismo.

Se voce estudou isso na escola, ótimo. Porque isso aqui é um mergulho na história. Já deu pra perceber que eu não fui pra Albania pra relaxar ne? Em suma, Enver Hoxha fechou a Albânia para o resto do mundo. Hoje, pra voce ter ideia, um dos (se não o único?) países que segue essa forma de governo é a Coréia do Norte. Por 44 anos, a crença ou o sistema político tentava evitar que o governo fosse enfraquecido mantendo o país longe de ideologias e qualquer coisa que pudesse afetar as organizações nacionais, o regime da época. Ditadura é um termo fraco pra caracterizar o que a Albânia passou. Segundo meu guia, a Albânia foi o país que mais penou com o regime socialista.
A Albânia se mantia ignorante para tudo que se passava no resto do mundo. Eles não conhecem bandas famosas da década de 70, não tinham acesso fácil a televisão, meios de comunicação. Foi uma época de destruição moral que não tem guerra que dê jeito, o tempo não volta. As pessoas foram subversionadas, transtornadas, obrigadas a viver de uma forma porque um homem que estava no poder achava isso certo.
Ponte do século 16 em Tirana
Por outro lado, essa também foi por algum tempo uma época de renovação e tentativa de retomada de orgulho próprio para o país. Pelo menos por algum tempo! Após tantas mortes na Segunda Guerra, as Nações Unidas contribuiram para a nacionalização de bancos, indústrias, transportes. A Albânia ainda tinha um bom relacionamento com a Iugoslávia, Belgrado dava assistência ao seu país vizinho, embora as relações diplomáticas com os EUA e a Inglaterra tenham estremecido por suspeitas de encorajamento da oposição.

A história infelizmente continuou num rumo não muito favorável para a Albânia. Em meados da década de 50, as relaçoes entre a União Soviética e a China enfraqueceram e a Albânia cometeu o erro crucial de ficar do lado da China. Por causa disso, em 1961, a antiga USSR quis se separar totalmente de qualquer relação com o país. Em 1968 a Albânia se retirou então do Pacto de Varsóvia do qual foi fundadora, onde através deste, os países socialistas do leste europeu e a União Soviética mantinham uma aliança militar. Estando fora dele, a Albânia estava isolada no seu regime socialista.

Era praticamente o fim do país. Nesta época, no auge da Revolução Cultural Chinesa, a Albânia resolveu banir quaisquer prática de religião e se declarou o primeiro país ateísta do mundo. Padres foram presos, mortos, igrejas e mesquitas foram fechadas, demolidas ou transformadas em depósitos de qualquer coisa. De acordo com o meu guia, foi a pior época que a Albânia já viveu. Era pior que uma prisão, pois estavam "livres" mas não tinham liberdade pra fazer o que queriam. Bizarro, mas ali estava eu passando a Páscoa no país que passou mais de 20 anos ateísta...
Prédios em Tirana
Mas vamos continuar com a história! Depois da morte do principal governante chinês na época, Mao, a China perdeu o interesse na Albânia e o pouco que apoiava o país se resumiu a nada no final da década de 70. A Albânia não tinha nenhum aliado político para se proteger, não tinha relações diplomáticas com absolutamente ninguém mais, estava totalmente abandonada e sozinha, sem condições de se manter. A primeira atitude que se foi então tomada foi tentar reestabelecer algum acordo com seus vizinhos da Iugoslávia, e após o restabelecimento da democracia, com a Grécia. Os albaneses estavam cada vez mais isolados do mundo.
Kruja
A reaproximação da Iugoslávia dividiu opiniões e Hoxha eliminava sem olhar pra trás quem discordasse dele. Muitos rumores e atentados anônimos começaram a acontecer. O povo estava revoltado com o sistema sob o qual tinha que viver, e a pressão aumentou consideravelmente nos principais prédios do governo em Tirana, capital do país. Assim nasceu finalmente o partido da oposição, o primeiro partido da democrático do país. 

A década de 90 ainda viu muitas greves e revoltas de estudantes que não aceitavam o regime albanês da época, muitas promessas que não eram cumpridas. A Albânia era um lugar de conflitos constantes, era perigoso estar lá. No meio desse auê todo, o Partido Democrático tentava ganhar as eleições e derrubar o regime de Hoxha que apesar de não estar mais no governo nesta época, seu partido, o PPSH (ou Partido Trabalhador), ainda estava no poder. Mesmo perdendo as eleições, os democratas levantaram uma greve nunca antes vista na história daquele país e assim finalmente tomaram posse em 1992.

Os conflitos não acabaram assim tão fácil, obviamente. A Albânia tinha pontos a melhorar em todas as áreas. A turbulenta década de 90 ainda foi agravada pelos conflitos no Kosovo, na Sérvia e na Bósnia.

A Albânia hoje é um país democrático, mas sua economia ainda é muito fraca, a taxa de desemprego é altíssima e o orgulho ferido dos albaneses é um problema. Também não é pra menos, depois de tantos conflitos e tanta instabilidade, mal podia eu acreditar que eu estava lá turistando e ouvindo os relatos de quem viveu tudo isso.

Muitos albaneses deixaram o país nesta época pra tentar uma vida mais tranquila. Mas quem viveu tudo isso lá na Albânia, como meu guia por exemplo, tem na memória todas as marcas de toda uma história. A história que fez o que a Albânia é hoje. Eu poderia ficar ali escutando os relatos dele sem pensar no amanhã. Olha, foi muito emocionante e ao mesmo tempo difícil estar lá ouvindo como eles passaram fome, como eles não podiam ter nada sem que o governo soubesse, ouvindo todas as atrocidades a que eram submetidos, e tantas dificuldades que até pouco tempo atrás estavam acontecendo.

As marcas do socialismo sem dúvida ainda estão pelas ruas de Tirana. As casas e os prédios daquela época em Tirana são todos iguais. Não podia haver diferença entre as pessoas, apenas os governantes podiam se sobressair. Olha, eu tenho muito ainda o que contar. Tirana, Kruja e Dürres, por onde passei, tem lindas paisagens, e apesar de não ser muito popular ainda pra se fazer turismo, o litoral adriático está começando a se tornar atraente para férias de verão dos europeus. 


Eu passei um perrengue danado na viagem de ônibus da Macedônia pra lá. Mas depois de conhecer a Albânia, sua história... pergunte se eu faria de novo? .... preciso responder?

25 junho 2012

Da Macedônia para a Albânia de ônibus (e com aventura)

Hoje que eu sentei aqui com tempo e disposição pra escrever no blog, a internet aqui de casa tá frescando... mas enquanto ela tá durando, vamos lá ver se esse post sai.

A ida pra Albânia!

Tipo, voce sabe onde fica a Albânia?
Albania em vermelho
A Albânia fica no sul do leste europeu, faz fronteira com a Grécia, os países da antiga Iugoslávia e é banhado pelo mar adriático. Ok, legal mas.... Por que ir lá?

Bom, aí já são outros 500.

Não conheço ninguém da Albânia, nem que já foi a Albânia. Mas sendo como sou, nos meus dias de férias de Páscoa quando resolvi conhecer Skopje, na Macedônia, comecei a pensar em esticar a viagem até a Albânia, já que em Skopje não teria tanta coisa assim pra fazer pra ocupar todos os dias que eu tinha livre pra viajar.

Pensei até em viajar pela Macedônia mesmo e conhecer mais alguma coisa de lá, mas devido a falta de informação turística, resolvi me resumir a Skopje mesmo.

Bem, ok, é até meio contraditório dizer isso, porque ir a Albania não é a coisa mais fácil do mundo, e a falta de informação também era muita. Ir da Macedônia para Albania então, vixe, nem te conto...

Bom, eu conto sim! Primeiro que não tem vôo que faz Skopje-Tirana. Tirana é a capital da Albânia. Pra ir de avião de uma pra outra tem que parar em Viena, na Austria, então não vale a pena. Fui procurar então informação de como ir de trem.... pfffffff pior ainda. Trens ali são muito antigos, precários, lentos, sem horário fixo e perigoso. Então, terceira opção: ônibus. E se essa não desse certo eu ia pedir carona ne! Hahahahaha! Bem, mas antes que eu conte parecendo que foi tudo fácil, deixe eu dizer antes que eu quando estava vendo como ir de Skopje para Tirana já havia comprado a passagem de avião: Zurique - Skopje e Tirana - Zurique. Ou seja, meu vôo de volta pra Suiça sairia da Albania. Eu TINHA que arrumar um jeito de ir de Skopje pra Tirana.

É, assim, só pra ficar mais emocionante.

Site de empresa de ônibus não tinha. Tinha uns mochileiros de não sei quantos meses atrás dando dica de como ir de não sei onde pra Tirana em sites de viagens internacionais, mas nada que me ajudasse muito. Passando os dias, a data da viagem se aproximando e eu já começando a ficar preocupada sem saber como iria de uma cidade pra outra, tive a brilhante (e tão simples) ideia de entrar em contato com o hotel que tinha reservado tanto em Skopje, quanto em Tirana. Ah, isso sem contar que pra reservar o hotel não é como na Europa central que há um milhão de opções no booking.com e os hoteis têm fotos super bacanas e tal. Nada disso. A aventura aqui era séria!

A equipe do hotel que fiquei em Skopje me ajudou demais. Já comentei nesse post como o povo é receptivo e pronto pra ajudar na Macedônia. E foram eles que me ajudaram a terminar de montar esse quebra cabeça da história do onibus para a Albania. A história é a seguinte: tem ônibus, tem! Mas os ônibus não têm horário fixo e em Tirana não tem estação de ônibus central!

Bilhete de ônibus Skopje-Tirana, em macedônio
Oh ceus! Como eu ia comprar o bilhete? Quando sai o ônibus? E chega aonde em Tirana? Como faço pra chegar no hotel? Quanto tempo dura a viagem? Tantas e tantas perguntas, comecei a ficar preocupada se eu não tinha exagerado a dose de aventura e comecei a olhar quando custava pra trocar a passagem de avião de volta pra Suiça. Mas não! Eu sou valente. Não desisti. Confiei nas informações meio incertas do pessoal do hotel na Macedônia e fui-me!

No primeiro dia do passeio em Skopje com os locais, meu primeiro pedido foi que me levassem a estação de ônibus pra me informar sobre o ônibus para a Albania. Primeiro que a mulher vendendo bilhete não falava inglês. Se eu tivesse sozinha, tava lascada. O motorista do passeio que resolveu pra mim. Comprei o bilhete de ônibus que saía no dia seguinte as 6 da manhã.

O tempo de viagem era incerto. Ela dizia 3, 4 horas. O motorista dizia 6 horas. Ok. No dia de pegar o ônibus, reservei um taxi no hotel pra me buscar as 5:30 no hotel pra me levar pra estação. O onibus saía as 6 horas! Deu 5:45, o dia amanhecendo e taxi nenhum aparecia pra me levar. O recepcionista do hotel de madrugada não falava inglês. Fui pro meio da rua desesperada rezando pra aparecer um taxi e finalmente apareceu um! Sorte que a estação era perto. Em 10 minutos cheguei, e ok que lá não é Suiça mas o onibus saiu as 6 em ponto!
Ônibus Skopje-Tirana
O meu assento no ônibus era o primeiro na primeira fila, sabe como é? Só que o motorista tinha as coisas dele nas 4 cadeiras da frente e reclamou quando eu afastei pra eu sentar. Ora, meu assento era ali, eu ia fazer o que? Ele não falava ingles e eu não falo macedônio, imagine. Ele chamou um passageiro que falava inglês pra traduzir e na verdade ele tava dizendo que as cadeiras da frente eram reservadas pro motorista e pro ajudante que ele ia pegar daqui a pouco, que eu arrumasse outro lugar pra sentar.... imagine a minha cara. Bem, eu falei pro cara pra traduzir pra ele que eu tinha comprado a passagem e lá tinha esse assento, portanto eu não ia sair e sentar no lugar de outra pessoa porque se outra pessoa chegasse e tivesse reservada a cadeira que eu estivesse sentada eu teria que sair e tipo, eu não ia ficar pulando de cadeira em cadeira, quando eu tinha uma reservada pra mim. Se ele não quisesse ninguem ali, tivesse falado com a empresa pra não vender bilhete naquela cadeira, oras. E fiquei la sentada na minha. Hm, digamos que ele não virou meu amigo.
Estrada para a Albânia
O dia começou a amanhecer e volta e meia o motorista me dava umas olhadas matantes com odio porque eu estava no lugar "dele". Daqui a pouco ele pára o onibus, sobe o ajudante dele que contava bilhete e conversava com ele na frente e ele também não falava inglês mas falava alemão! Lá vem também dizer que o assento tava reservado pra eles. Eu nem me estressei. Fiquei lá sentadinha.

Tirando isso, e sem saber quanto tempo eu ficaria ali sentada até chegar em Tirana, a viagem foi ótima. Uma paisagem linda, mesmo morta de sono tendo dormido pouco, não preguei os olhos e fui acompanhando cada pedaço da estrada. Ora, eu estava na Macedonia! Indo para a Albania! Quando eu iria viver isso de novo?

Cruzamos a fronteira, carimbaram meu passaporte e a melhor coisa que eu fiz foi ignorar o motorista, seu ajudante e seus olhares pra cima de mim, porque assim curti meu passeio numa boa. Bom, em parte.

Na metade da viagem, isto é, depois de 4 horas de viagem, paramos na estrada num restaurante lá pro pessoal ir ao banheiro e tudo, e o motorista querido resolve colocar o ônibus pra lavar! Onde já se viu....

Ok, ficamos nós passageiros (não eram muitos), todos do lado de fora do restaurante olhando lá o onibus ser lavado esperando a hora de voltar lá pra dentro e continuar a viagem. Só que... quando o onibus tava lá limpinho por fora...... ELE NÃO LIGAVA MAIS!!!! Começou a sair gente do restaurante pra empurrar o onibus, gente não sei de onde, sei que era um monte de homem empurrando o onibus enorme e o onibus sem querer pegar.

Olhe, não sei nem descrever minha raiva desse motorista que resolver lavar o onibus no meio da viagem pra depois o bicho não pegar mais........

Talvez minha cara aí nessa foto de uma ideia...

Bom, mas faz parte. Eu sabia que era parte da viagem e uma hora tudo ia ficar bem. Assim como me estressei no Sri Lanka, sei que quem viaja tá propício a qualquer coisa, então mantive a calma, e fiquei vendo o rumo que a coisa ia tomar.

Depois de uns 20 minutos, finalmente o onibus pegou, todo mundo voltou pros seus lugares, o motorista ainda sem ir com a minha cara, voltamos a pegar a estrada, e eu nem sabia a que horas chegaria em Tirana e nem onde ia parar lá, já que não tinha estação central.

Ah, quando chegasse lá eu descobriria. O melhor que eu podia fazer ali era aproveitar a viagem, aproveitar que eu tava na primeira cadeira com toda a vista da janelona do motorista, mesmo sem ele gostar, e tirar muitas e muitas fotos.
Comi frutas, escutei música, observei a estrada, as casas, as pessoas nos vilarejos, tudo tão diferente, eu estava tão distante de tudo que conheço. Nunca tinha estado naquelas bandas. A região lembra a Grécia e a Sérvia. A estrada não é ruim, e o motorista podia ter tomado mais cuidado nas curvas. Mas bem, o que importa é que DEPOIS DE OITO HORAS E MEIA eu cheguei na praça principal em Tirana, e o motorista e seu ajudante não me disseram uma palavra de ajuda, pra onde ir, nada!

Peguei minha mala, sem saber se estava perto ou longe do centro, do hotel, nem nada, encontrei um taxi, mostrei o endereço do hotel e ..... em dois minutos cheguei.

Eu disse que no final dava tudo certo.
Eu estava na Albânia!

21 junho 2012

Matka

Propaganda enganosa hein dizer que o blog vai voltar ao normal e não voltar. Pura ilusão minha achar que minha vida voltaria a um ritmo normal (?) depois que encontrei o apt em Zurich. Agora é que tenho mesmo coisas pra organizar! Por isso o enoooooooooooorme atraso de notícias aqui no blog. Perdão, queridos.

Mas cá estou eu novamente pra falar de Matka. Sim, ainda estou falando da Macedônia, de 2 meses atrás. Eu não queria escrever de qualquer jeito por isso demoro pra escrever quando não estou com a mente livre no momento.
Matka foi uma grande surpresa na viagem a Macedônia, quando o tour que eu tinha organizado não duraria o dia inteiro, porque a capital Skopje não tem tanta coisa assim pra ver. Então o guia sugeriu incluir algum lago nos arredores de Skopje e fechar o dia. A intenção era ir ao lago Ohrid, que é verdadeiro ponto turístico, mas é mais longe e precisaria de mais tempo. Então Ohrid ficou de lado e fui conhecer Matka mesmo.
O lago Matka é um refúgio dos macedônios e dos skopjites. Seja programa de fim de semana, passeio rápido, férias, trekking ou respirar ar puro, de acordo com os locais, Matka está se tornando cada vez mais popular. É uma área abençoada pela natureza com grandes montanhas e um lago lindo, que dá uma combinação de paisagem pouco vista por aí.
Com toda essa beleza de natureza junta, quando visitei Matka ainda estava carente de visitantes. Sim, vi vários hoteis e restaurantes com caras de recem-abertos, mas ok, talvez pela época, pelo dia que não se decidia se chovia ou se fazia sol, mas olha aquilo ali é um pedacinho de céu! 
Que tranquilidade! Que coisa fora do real! Lindo! Lindo! Ok, imagino que fique menos tranquilo em alta estação... Matka sem dúvida no verão é bastante popular. A vista é espetacular e nem cenário de filme é tão bem feito com tanta perfeição de simetria e cores. Atividades por ali é andar de barco, explorar as cavernas que tem por ali, fazer trilha conhecendo os diferentes caminhos que levam a esse paraíso. Olha, eu adorei.
Em Matka tem uma espécie de barragem onde chega o rio Treska e ela controla o nível da água do lago. Eu e a guia andamos pelos arredores, ela me apresentou o melhor vinho local e a torta sekulova que falei no post passado, fechando uma tarde muito agradável e inesquecível passeio pela Macedônia.