31 outubro 2011

Bangalore

A cidade de Bangalore é vista como uma cidade "booming", sabe assim, de BOOM! De crescimento. Bangalore fica no sul da India, é a capital do estado de Karnataka e tornou-se um importante centro de pesquisas científicas e tecnológicas recentemente. Rapidamente, atraiu a indústria do software e hoje é a principal das cidades hi-tech na India.
A indústria do software atraiu muitas empresas a se estabelecerem na cidade e atraiu muita gente a ir trabalhar lá também. Literalmente. A mão de obra qualificada e razoavelmente barata é muito atraente e a India é a maior fonte de terceirização de serviços de TI do mundo.
Não é a toa que a gente mesmo lá na empresa tenta delegar pra India grande parte do nosso trabalho. Com tanta gente, a concorrência de empresas e pessoas é acirrada, mas a qualidade do trabalho é boa, e com a mão de obra accessível, está feito o negócio. É claro que é preciso levar em consideração outros fatores para terceirizar o trabalho pros indianos: fuso horário, viagens frequentes, culturas diferentes, e se mesmo assim valer a pena, então é pra valer. E é por aí que funciona nosso acordo com os indianos.
Estamos no começo ainda do nosso team work, com poucas pessoas, dobramos o time recentemente, e a intenção é expandir ainda mais esse trabalho em conjunto. É fácil trabalhar com os indianos. Eles são abertos, gentis, sinceros, dispostos. Em 2 semanas que fiquei lá trabalhei na boa com meu time e me senti por vezes até mais a vontade que aqui com os suiços.
A população de Bangalore é na base dos 6 milhões, a cidade está super povoada e irritantemente congestionada. Bangalore é a terceira maior cidade da India, depois de Delhi e Mumbai. Várias empresas estão instaladas em parques tecnológicos que são complexos fechados de prédios e mais prédios. A minha empresa lá fica em Whitefield, que é um dos distritos tecnológicos. São vários parques com vários prédios e várias empresas afastados do centro da cidade. Consequentemente, MUITA GENTE! Então imagine toda essa gente indo e vindo pro trabalho. Horas no trânsito. Uma das coisas mais chatas de ter passado esse tempo lá trabalhando foi não ter tido muita flexibilidade em poder sair do trabalho e ir ali dar uma volta, porque ir ali significava encarar pelo menos 2 horas de trânsito.
Uma vez saí com a indiana às 4 horas do escritório para irmos a um shopping, e mesmo assim demoramos uma hora pra chegar. Porque além do congestionamento, Whitefield é longe do centro de Bangalore. E eu estava hospedada num hotel em Whitefield.
Por ter ganho essa fama pela industria tecnológica, Bangalore terminou crescendo consideravelmente em outros setores tambem. Em algumas áreas, a cidade parece ter condições bem precárias, mas lá voce pode encontrar hoteis de luxo, excelentes restaurantes, bares moderníssimos e lojas de marcas.
Num dia, fizemos um evento com o time inteiro, depois que os colegas da Suiça chegaram. E junto com o time da India, fomos numa das principais ruas comerciais, a Brigade Road. É como se fosse a Bahnhofstrasse da India. Claro, ainda tem muito que melhorar, mas é característica do lugar, tipo gente vendendo coisa na rua e abordando voce com bugingangas na sua cara, fazer o que. Dizer não. Tivemos uma noite muito agradável jogando boliche no Ameoba e depois num bar chiquerésimo. Uma ótima oportunidade pra socializar com todo mundo e deixar todo mundo a vontade.
Foi jóia. No dia seguinte dessa noite, trabalhamos de manhã e a tarde fui com o pessoal da Suiça fazer um tour pela cidade. É verdade que passamos gastamos várias horas no carro parados no trânsito, mas fazer o que, faz parte da experiência. Fomos juntos conhecer o templo do touro, ou Bull Temple.
O Bull Temple nada mais é que um templo hindu do touro, o grande touro. Eu não sei muito nada de hindu, mas existe uns animais que representam coisas e forças diferentes, existe uma hierarquia e tudo mais, e o touro é aparentemente muito importante.
Todos ganharam uma benção que é essa marca vermelha na testa e passamos o resto do dia abençoados. Na cultura hindu, essa marca na testa é muito significativa. Vários indianos se benzem de manhã e passam o resto do dia com essa marca vermelha na testa. No norte da India, é ainda mais comum mulheres pintarem o couro cabeludo com essa tinta vermelha.
O templo era interessante mas era só o touro mesmo. É uma pena porque nenhum de nós pertence a esta religião então talvez a gente não tenha dado o devido valor a esta visita. Visitamos também o jardim botânico da cidade que é lindo!
A India pode ter muita coisa bagunçada, mas o jardim botânico foi um show de passeio. Bem organizadinho com árvores enormes, árvores antigonas, árvores de tipos que eu nunca vi na vida e toda aquele gente exótica caminhando por lá, olha, um barato. Adorei.
Foi legal depois daquele sufoco todo no trânsito, buzinas e poeira, ver algo tranquilizante e gastar um pouco de tempo no meio de tanto verde e paz. Mesmo na companhia dos colegas de trabalho, tínhamos um guia com a gente e foi bem bacana, tava todo mundo interessado em turistar um pouquinho, tirar foto, relaxar, etc.
Ao final do dia, fizemos compras e ainda fomos ao Hard Rock Cafe, que é um dos meus rock bars preferidos. Sempre faço questão de ir quando posso, quando viajo, e desta vez foi um pedido de um dos caras, então foi jóia eu não ser a única empolgada pra ir lá.
Hard Rock é sempre mais ou menos a mesma coisa, mas eu curto a merchandise de lá e fazia tanto tempo já que eu só comia frango na India que foi ótimo comer um bifezinho pra variar um pouco e dar uma força.

Visitamos também durante o dia o templo Iskcon que é um templo enoooorme de grande, ultra moderno, que infelizmente não podia entrar com máquina fotográfica. Aliás, foi um estress essa visita a esse templo. O guia lá todo empolgado querendo mostrar o templo pra gente, só que ninguém tava tããão interessado, e chegando lá foi maior hassle porque tinha que tirar os sapatos, o chão tava imundo, tinha uma fila gigantesca, tinha que deixar câmeras e celulares na entrada, e ninguém tava muito a vontade com isso. Eu que já tinha passado pelo stress do Sri Lanka fiquei mega bolada de deixar minhas coisas, e terminou que o guia ficou do lado de fora com nossas coisas e nós fomos lá sozinhos visitar o templo.

Só que a visita não é uma visita qualquer. Tem todo um processo, uma sequencia que voce tem que seguir, muita gente na sua frente e atrás de voce, e terminou que perdeu um pouco a graça e a magia porque um dos caras ficou sem a menor paciência, e eu admito que tava difícil ali... além de tudo tinha uma música que ficava tocando o tempo inteiro que se ouvia onde quer que voce estivesse lá dentro que só dizia a mesma coisa e era muito irritante. Ficava o tempo todo hare krishna hare hare hare krishna krisha krishna...

Enfim. Foi bacana conhecer, mas foi meio estressante. E de Bangalore foi só isso mesmo. Não tínhamos muito mais tempo e o trânsito também não permite muita coisa. Bangalore não é turística como Agra e Delhi. Como eu disse, é mais um centro de trabalho, mas como fica na India, é claro que sempre vai ter algo interessante pra conhecer e visitar. Mas se eu tivesse a turismo na India apenas, não sei se teria escolhido ir até lá. De qualquer forma, valeu muito. Passei 2 semanas e meia trabalhando nesta cidade e quem sabe nos vemos de novo no futuro.

30 outubro 2011

No mais tá tudo bem

Só muito trabalho. É sempre essa a conversa ne. Sempre que encontro com alguém é oi oi, e aí tudo bem, é tudo bem, isso e aquilo, assim e assado, bla bla bla, e no mais? No mais tá tudo bem, só muito trabalho.

Eu não vou reclamar do meu trabalho. Adoro que deu tudo certo depois da agonia da minha permissão que demorou pra ficar pronta, e adoro mais ainda que o trabalho é o que eu esperava.

Passo a semana muito bem, trabalhando com o que eu estudei, com novas tecnologias, abordagens e técnicas de testes modernas, num ambiente bacana, e com um bom time. Claro, sempre tem pessoas que estão ali com o único e exclusivo propósito de tentar mexer suas estribeiras, mas isso é em todo lugar, já coloquei na minha cabeça, e tento não me estressar com isso mais. E só tem me feito bem.

Tem dias que eu chego pra trabalhar e vejo meu calendário do dia com as atividades, Jesus, é tanta coisa e tanta reunião que as vezes eu me pergunto como vou passar daquele dia. As vezes chego ao final do dia e sinto que não produzi nada, parece que passei o dia olhando pro calendário, estudando a agenda, tentando encaixar uma coisa e outra, e entrando e saindo de reuniões. Claro, isso quando é feriado na India, ne, porque quando não é, sempre tem uma ligação, uma coisa com eles lá.

Aqui na Suiça é dificil as pessoas fazerem hora extra. Pelo menos na minha área de TI. E olhe que a área de TI pode ser bem estressante as vezes. Só vi uma vez em Zurique quando o projeto estava perto de terminar e precisava de um esforço extra e o pessoal ficou trabalhando a noite, mas não era nem meu projeto. Aqui em Berna eu nunca vi isso. Só eu lesa que já fiquei até 8, 9 da noite algumas vezes pra não acumular trabalho pra semana seguinte, me achando A esperta. Mas a real é que nao vai importar muito se o trabalho atrasou ou teve uns soluços no meio do caminho porque ninguém trabalhou extra, isto é, se tivesse trabalhado extra, teríamos o projeto em dia. Isso não é problema aqui. O que impera é a qualidade de vida. Essa semana que passou tivemos decisões importantíssimas e reuniões marcadas e desmarcadas de última hora porque estamos no final de dois projetos, e ninguém tava lá arrancando os cabelos. O gerentão tava era olhando pro relógio às 4 da tarde.

Aqui não tem aquele stress, aquela correria. Nunca. Por mais corrido que seja, é calmo. Ninguém deixa de ir pras coisas, nem desmarca coisas por causa de trabalho. Não chega nem perto do ritmo que trabalhei no Brasil. Ora, no Brasil, se eu brincasse que não queria trabalhar dia de sábado, eu era vista como corpo mole. Pelo menos assim eu aprendo a ter um ritmo de trabalho saudável e uma vida mais equilibrada. A força, mas aprendo.

Tenho ido a menos happy hours que é aquela mini farra depois do expediente, primeiro porque desde que cheguei da India ainda estou entrando no ritmo, porque fiquei doente, etc etc. depois porque sei lá, keine Lust. Como diz keine Lust em Português, meu Deus?

Por aqui a Suiça continua linda, mesmo com o frio chegando. Dias de sol ainda são luxo, ou melhor, são mais luxo ainda, porque com o frio, o sol faz uma diferença monstra no humor das pessoas e na atmosfera do dia a dia. Atmosfera do dia a dia. Ninguem fala assim em Português, fala? As vezes eu acho que não to sabendo direito mais as expressões em Portugues. Quando vejo to falando em Portugues a tradução de como é em Alemão, ou Inglês. Patético. Meu idioma mãe. outra que ninguém fala "idioma mãe".

Quando eu assistia Insensato Coração pelo youtube ainda ficava por dentro das gírias, mas agora depois que acabou e que eu tenho menos tempo livre, meu Português ta ficando defasado. Portugues e Ingles ne, acho que o cérebro tem que desalocar memória de um Idioma e alocar no outro que espero que seja o Alemão, porque as vezes ate no Inglês dá um branco.

É, eu espero que meu Alemão esteja melhorando porque meu Português definitivamente precisa de uma prática. Brasil a vista tá aí pra isso! Não, mas sério. Perdi consideravelmente o medo de falar Alemão. No começo, quando comecei a trabalhar em Alemão, em março deste ano, nossa, era a pior parte. Hoje não, hoje eu gosto. Algumas pessoas ainda só falam em Inglês comigo no trabalho porque é mais rápido realmente, mas outras têm o Inglês pior que meu Alemão, então falamos em Alemão. Nem sempre é fácil nunca é fácil fazer reuniões inteiras em Alemão, quando eu tenho que entender um monte de coisa, fazer anotação, tomar decisões e organizar os projetos depois tendo que passar um monte de coisa pros indianos em Inglês, algo que eu escutei em Alemão. Não é fácil. E no projeto que estou começando agora, um dos meus chefes ainda quer me dar outros times na India para coordenar. Só não sei como vai ser no período que estarei de férias, porque um novato que começa semana que vem vai me substituir e eu to contando com ele. Alguém que eu não sei nem quem é mas tudo bem.

Vou fazer como os suiços e não vou me preocupar com isso agora, porque são minhas férias, faltam menos de 3 semanas, eu mereço e quando eu voltar, eu toco o barco de onde ele estiver. Simples assim. Assim.

Terapia de Outono como a do post passado e encontros durante a semana com pessoas legais também ajudam a balancear essa dieta. E nesse vai e vem eu percebo como o tempo passou rápido. Um dia desses eu tava aqui contando as horas pra deixar de ir pro meu antigo emprego naquele ambiente multicultural. Hoje eu to aqui pensando em Alemão e com times na India. Unglaublich. Daqui a pouco já tá na hora de renovar minha permissão, tiro férias, completo 1 ano de casa. Passa rapido mesmo.

Se eu pensar nas viagens então. Quantos lugares eu conheci este ano, minha nossa senhora! Demais. A vida aqui pode ter muitas desvantagens, mas eu acho que eu to sabendo aproveitar o máximo das vantagens, porque eu to muito satisfeita. Claro, seria melhor se algumas pessoas se preocupassem mais com a sua própria vida e que o principe não tivesse se transformando num sapo ne... ainda to decidindo no que ele está se transformando.. sapo definitivamente ele não é, mas chega, essa história não é assunto pra esse post!

No mais tá tudo bem.

29 outubro 2011

Terapia de Outono

Faz 1 ano e meio que não vou ao Brasil. Talvez seja isso que me faz surtar as vezes aqui nessa Suiça. Sou cidadã do mundo e às vezes parece até que não tenho origens de tão bem que me adapto as coisas. Mas tanto tempo tão longe das minhas raízes, até pra mais flexível das espécies, é difícil.

Posso chegar aqui e só falar das vantages de morar no primeiro mundo, mas a realidade não é sempre o tempo inteiro assim. É verdade, tem muitas vantagens de se morar aqui. Eu adoro poder sair sem me preocupar com o que to usando que pode ser roubado, andar a noite na rua sem me preocupar que tem alguém andando atrás de mim, andar pra cima e pra baixo com transporte público que é pontual e é uma maravilha, poder contar com a pontualidade e educação das pessoas, poder contar que tudo tá funcionando é uma beleza. Além de tudo, depois do sufoco que passei com a mudança de emprego, eu bem que merecia uma folga, e graças a Deus, meu novo emprego é um presente! Eu adoro meu trabalho, adoro o ambiente, adoro o que faço! To crescendo na minha área, to super satisfeita, não tenho do que me queixar.

Poder morar aqui no centro da Europa com conexões fáceis e rápidas pra tudo quanto é lugar, viajar pra lá e pra cá sempre que posso é outro fator imensamente importante pra mim atualmente. E só em não me preocupar que minhas contas tão altas, tão erradas, que tem gente roubando meu dinheiro no imposto que eu pago e coisa do tipo é outro aperreio a menos que faz muita diferença na vida de uma pessoa. Principalmente se a pessoa não aguenta mais essa roubalheira sem fim na corrupção do governo que está o Brasil; sair disso e vir pra cá é uma tranquilidade que não tem preço. Nossa, eu podia ficar aqui ainda enumerando várias outras coisas boas de se morar aqui. Nisso tudo aí olha, é tudo muito bom.

Por outro lado, há desvantagens como a frieza das pessoas e a frieza mesmo, o tempo frio que já tá chegando de novo, por exemplo.

O outono tá chegando com tudo, eu já disse várias vezes aqui no blog que é minha estação preferida. Porque ainda não está aquele frio polar, não tá calor, e voce se sente bem, veste roupas lindas e confortáveis e a paisagem lá fora é liiinda com a natureza mudando de cor assim ao vivo!
Desde que voltei da India, não sei se é porque to ansiosa pras minhas férias no Brasil que tão chegando, não sei se é porque faz muito tempo que não vou lá, que eu tava meio sem paciência. Até escrevi um post desabafo totalmente sem paciência sobre pessoas que não tem o que fazer e se preocupam e se metem na vida dos outros, pra ver o nível de estresse que eu tava: tolerância zero. Sei lá, talvez foi a India que me deixou ainda mais sensível. Tive uns stress aqui e tava dormindo mal, tinha pesadelos, acordava no meio da noite, não conseguia dormir, acordava antes do despertador, e passava o dia com a cara péssima e exausta.

Aí voce começa de novo a questionar tudo, conversa com pessoas diferentes e ve que todo mundo tem algo de que se queixar e voce finalmente volta a enxergar o quanto o que voce tem é valioso. Sua vida mesmo. As vezes da a impressão que é preciso essa montanha russa de acontecimentos e sentimentos pra gente continuar seguindo em frente, senão tem hora que dá vontade de jogar tudo pro alto. Uma saída a noite com pessoas bacanas também ajuda a desopilar.

Ou as vezes só um café é suficiente..

Talvez esse texto esteja meio sem pé nem cabeça, mas não importa. Pra mim, faz todo sentido. As vezes eu preciso de uns sopapos assim pra get it together, sabe como é? Mas vou ser sincera. O que me ajudou mesmo a me reerguer e voltar a ativa rapidamente, me recuperar de vez da gripe que queria me derrubar e dessas dúvidas que volta e meia vêm aqui me assombrar, e ficar fit de novo com todo gás... foi uma terapia muito séria! Bem, um dia assim como quem não quer nada eu estava trabalhando em Zurique. Saí do trabalho e fui novamente na clínica tomar a segunda dose da vacina de Hepatite A e B. Sim, porque a viagem a India já passou, mas as vacinas continuam! Ainda tem a terceira e última dose da vacina de Hepatite daqui a 6 meses ainda! E depois que saí da clínica, de cara com a Banhofstrasse. Aquela rua dos sonhos em Zurique. Pensei... "por que não?!".....

Voltei pra casa com uma sacola enorme da Louis Vuitton, feliz da vida por ter feito minhas primeiras aquisições numa loja tão chique e tão maravilhosa! O que são aquelas bolsas?! E as malas? E as carteiras?! Meu Deus, uma mais linda que a outra!

Po, eu trabalho pra caramba, se eu não puder usufruir do meu salário pra me sentir bem, eu não sei pra que que vale tanto mais esse trabalho. Nada melhor que umas comprinhas pra massagear nosso psicológico, não? E olha que a bolsa é um presente de Natal pra minha mãe e eu não ganhei nada mais que uma carteira nova. LINDA!!!

Olha, eu só sei que depois que pisei fora da loja e fiquei andando nas ruas de Zurique com aquela sacola, a partir dali, eu era outra. Estava renovada. Me sentia livre, desinibida, dona do meu nariz, do meu dinheiro e da minha vida. Que se dane o povo frio, que se dane o cara que reclama do seu cachorro, que se dane se seu chefe tá de mau humor, porque voce tá ali linda e maravilhosa vivendo grandes emoções sem grandes preocupações.

Voce é saudável, bonita, inteligente, ficar se martelando pra que?! Não importa o que seja, não vale a pena. Nada nem ninguém vale a pena tanto esforço, tanta preocupação. Um dia tudo acaba e voce criou rugas a toa. Depois vai ter que gastar dinheiro comprando cremes caros.

Desperdiçou seu preocioso tempo, suas preciosas horas, podendo estar fazendo um passeio conhecendo gente nova, lugares novos, novas culturas, tudo que voce mais curte e gosta de fazer na vida.

Pode parecer bobagem, mas o efeito "Louis Vuitton" teve grande impacto sobre mim. Não vem achar que eu virei superficial e materialista agora hein. Tudo aconteceu no sentido figurado, o significado daquelas compras ali foi ampliado, a ideia vai além do usual.

Alguém tá me entendendo ou voces tão achando que eu fumei alguma coisa? Olha, nem fumar eu fumo. Odeio o cheiro de cigarro.

Sei que eu gostei dessa terapia. Custou caro, é verdade. Mas o preço que eu paguei na loja não paga o novo sentimento dentro de mim. Bem, o valor das coisas que eu comprei está fora de questão neste momento, ok? Eu levei adiante o efeito "Louis Vuitton" e poxa, no outono, é muito fácil se deixar levar por esse efeito, porque as vitrines são irresistíveis!

As cores são fofas, dá pra fazer combinações super elegantes e voce parece que tá sempre na moda. Eu amo o outono. Já disse isso ne? Pena que dura tão pouco.

Eu não pretendo manter essa "terapia" uma atividade muito frequente no meu calendário, primeiro porque o outono é só uma vez por ano e é invadido pelo inverno. Sempre. Depois porque ne, não dá mesmo. Preciso de um guarda roupa só pro outono, e um salário a mais por ano também seria bom.

Mas foi legal isso porque há 2 anos atrás, quando eu tinha acabado de chegar na Suiça. eu fiz um post mais ou menos assim,.. bem, em proporções muito menores, mas mega contente com meus novos cachecóis e casaquinhos. Mal sabia eu que 2 anos depois dali, eu ainda estaria aqui fazendo terapia semelhante àquela, de outono.

Mas é verdade. Voce pode ta rindo aí, mas eu não sei se voce sabe o gelo que tá pra chegar aqui. Veja bem, até março aqui só vai ter neve, branco e frio, muito frio. Ah, e escuridão também. Poucas horas de luz de sol por dia. A pessoa tem que se preparar psicologicamente pra uma temporada dessas. Ta parecendo brincadeira, mas é sério. As pessoas ficam mais tempo em casa, mais sozinhas e muita gente fica doente da cabeça por causa disso. Vivi até um episódio infeliz aqui na Suiça com a perda de um colega de trabalho no meu ex trabalho, que se matou. Nossa, foi um choque pra mim aquela época.

A vida aqui tem muitos benefícios, mas é preciso muito pé no chão pra não se deixar levar pelas desvantagens.

Talvez essa bota aí que eu comprei não seja só uma bota. Ela vai me proteger de muito frio que eu vou passar aqui e vai me acompanhar por muitos lugares, que só sabe Deus o que eu vou estar passando. Que ela me ajude. Porque voce precisa de alguma ajuda.

Aqui no frio, as pessoas ou ficam em casa ou vão fazer esporte na neve. É, esquiar, andar de snowboard, tal. Eu, como não fui muito bem sucedida na minha tentativa de andar de snowboard, não sei se vou me arriscar de novo e ficar toda quebrada com marcas no corpo das quedas que levei. Mas as pessoas vão, e se divertem, e isso ajuda a passar o tempo, e o frio. E voce se acostuma com isso. Ou é isso ou voce enlouquece no frio, padece no escuro.

É lindo a neve caindo, mas demora demais, e voce precisa se preparar pra estação.

E aqui foi a minha preparação.

Só em pensar que estava pra chegar mais um inverno, meu terceiro inverno suiço, eu surtei. Em pensar que quando eu voltar de férias do Brasil pra cá vou ter que encarar meses de frio e escuridão, devo ter surtado. E aí, as comprinhas me ajudaram a organizar minhas ideias e me fizeram lembrar que não é de todo ruim. Aquela voltinha ali em Zurique foi o snap do momento que eu precisava. O tapa na cara. Bem, foi mais pra tapa na carteira, mas tudo bem.

As novas aquisições além de me protegerem do frio, vai presentear minha mãe, me ajudaram a refletir. Afinal o outono representa a colheita daquilo que a gente plantou. As folhas caem, e voce precisa de equilíbrio pra não cair junto com elas. As folhas mudam de cor e voce precisa de maturidade e consciência, mesmo gastando uma nota nas compras, pra continuer a viver sua plenitude e não deixar também isso ser afetado pela paisagem bucólica por toda parte.

É tempo de consolidar as lições aprendidas no ano, ter consciência e continuar a caminhada para dar espaço a mais um capítulo na nossa evolução. Capítulo de inverno. E agora, diga, quem aí também não precisa de uma terapia?!

28 outubro 2011

Qutb Minar, Delhi

Depois de dormir muuuuito o resto do sábado no maravilhoso hotel em Agra, depois de visitar o Forte Vermelho e o Taj Mahal, eu tava tão exausta de toda a viagem que só acordei no dia seguinte, que era domingo, e tinha o dia inteiro pra fazer o trajeto de volta todo de novo, ou seja: Agra - Delhi de carro, e Delhi - Bangalore de avião, e me preparar para o primeiro dia de trabalho em Bangalore na segunda-feira. Ainda bem que não topei ir lá ver o elefante no dia anterior, meu corpo precisava de descanso. E o domingo também não foi mole não.
A viagem de carro Agra - Delhi de volta no domingo foi mais rápida que a ida e eu ainda coloquei 4 horas de folga antes da hora que queria chegar no aeroporto (que já era 2 horas antes de vôo!) porque sei lá ne, nunca se sabe, na India tudo pode acontecer. Vai que acontece alguma coisa com o carro, um elefante no meio da pista, sei lá, eu não podia perder meu voo. Achei melhor sair horas e horas antes do vôo e se sobrasse tempo, dar uma volta por Nova Delhi, a capital da India.
O guia do dia anterior não estava mais no carro, era só eu e o motorista. Aquele que não fala Inglês direito. Graças a Deus, no dia anterior, eles conversaram lá e o guia falou mais ou menos qual era o esquema pra não ser tão complicado nosso entendimento. Porque era tipo assim, eu dizia "Falta muito pra chegar?", e ele dizia "Ontem". Daí voce tira. Aí lá, chegando em Delhi, o motorista vem me perguntar aonde eu quero ir primeiro. Só que peraí, deixa eu dizer. Delhi é a maior cidade da India. Não... peraí, de novo: A MAIOR CIDADE DA INDIA!!! Então são milhõõõõees de pessoas. Eu quando cheguei já percebi logo o calor que aumentou e sim, é muito mas muuito barulhenta e nossa, não me canso de dizer como tinha gente!!!
Tem muita coisa pra ver em Delhi, mas a cidade foi dividida em duas partes: a parte nova e a parte velha: Nova Delhi e a velha Delhi. Dã! O aeroporto fica na parte nova, Nova Delhi, e a maioria das coisas mais legais pra ver fica obviamente na parte velha, o que é assim no mínimo 2 horas de uma parte pra outra. Sem brincadeira.
Se voce quer conhecer Delhi mesmo, tem que reservar dias e dias ali, porque olha, não é fácil. Então eu infelizmente não dispunha desse tempo pra conhecer por exemplo o templo Lakshmi Narayan, um dos principais pontos de interesse na cidade; ou o Hanuman Mandir... eu tinha que me conter com o que eu conseguisse ver em Nova Delhi apenas, que ficasse ali não tão longe do aeroporto. Então por sugestão do guia do dia anterior, o motorista me levou pra conhecer Qutb Minar.
Eu não consigo nem pronunciar isso direito, mas o Qutb Minar é o seguinte, é esta torre aí da foto acima esculpida com versos do Alcorão, a Bíblia dos Muçulmanos (Qur´an), construída no século 13 pelo primeiro sultão (rei muçulmano) de Delhi, Qutb-ud-Din-Aibak, para celebrar sua vitória sob reis hindus.
Eu já falei bastante aqui nesse blog como eu gosto de conhecer coisas da cultura dos países e religião, etc. Quando fui a Israel e Jordânia, esclareci ainda mais meus conhecimentos nesses assuntos através dos marcos da história e acho cada vez mais fantástico. A Turquia depois então foi outra maravilha. Então conhecer mais um exemplo de marca islã mundo afora, principalmente na India, em contraste com os hindus, a India tão vasta e tão rica em cultura, foi assim um fato marcante.
Hoje o lugar é um parque fechado, paga-se pra entrar e é patrimônio da Unesco. O monumento é a torre de pedra mais alta do mundo e a maior minarete na India com 72 metros de altura. É louvado pelos muçulmanos como belo exemplo de arquitetura islâmica e como lembrança do poder islão na região; mas não só isso, é rodeado de ruínas e partes de estruturas medievais antigas, formando o complexo de Qutb, grande centro de visitas e atração pros turistas que vão a Nova Delhi.
Realmente a torre é muito alta e muito impressionante, as cores muito exóticas e cheia de detalhes. O parque como um todo é bem interessante de visitar. Mas eu estava sozinha. O motorista não entrou comigo, ficou me esperando do lado de fora, então voce imagine eu andando lá e as pessoas apontando celular, camera pra mim e me pedindo pra tirar foto. Teve um que até me mandou tirar os oculos. Então é aquela coisa que voce não consegue nem relaxar nem aproveitar muito, porque tá todo mundo te olhando e eu não tinha nem o guia do meu lado pra me sentir menos assediada. Além de tudo, tava 33 graus nesse dia em Delhi, e eu não tava conseguindo nem respirar direito de tanto abafado. Visitei o parque inteiro em meia hora e fui dando meia volta.

Aonde eu ia, aonde eu andava, juntava uma trupe atrás de mim, ao meu redor, e se não tiravam foto, ficavam me olhando. Olha, agora eu sei como os artistas se sentem quando tem gente e paparazi querendo uma foto viu. Tive meus dias de celebridade na India. Até então, no Taj Mahal, tinha sido meu auge. Mas ali sozinha no Qutb Minar, em Delhi, foi o recorde. Em meia hora, tirei mais de 15 fotos com pessoas que eu não conheço, sem falar nas fotos que tiravam de mim sem nem me pedirem. Mas foi legal. Curti conhecer o Qutb Minar, mesmo nessa correria, e nessa brisa.
Voltei pro ar condicionado do carro e fui voltando a conseguir pensar direito de novo. Porque com aquele calor todo lá fora, eu tava ficando era sem força já. Fiquei fuçando no guia o que mais eu poderia visitar ali perto, mas o trânsito tava tão horrível, e eu não tinha comido nada ainda, que preferi parar num shopping, almoçar o frango menos picante que ainda era muito picante no KFC e ir me dirigindo pro aeroporto.
O aeroporto de Delhi é um mundo! Foi o primeiro aeroporto que vi que tem uma Prayer Room, ou seja, uma sala para rezar, fazer suas orações, sei lá como funciona. Comprei uma revista e fiquei lá esperando meu vôo, tentando descansar, sair do modo viajante e entrar no modo trabalhadora, porque no dia seguinte eu ia começar a curta mas grande jornada de trabalho em Bangalore!

26 outubro 2011

O Forte Vermelho de Agra

Antes de ir a India, eu nunca tinha ouvido falar nessa cidade Agra. Mas se voce planeja uma viagem a India e tem interesse em conhecer o Taj Mahal, voce com certeza vai se familiarizar com esse nome. Vai ver em todos os guias de turismo, em todos os sites. Pra chegar no Taj, voce tem que ir a Agra. Então a cidade é meio que famosa quase que totalmente por conta disso. E convenhamos, não é pouca coisa ne, afinal o Taj é o TAJ! E tem vários turistas que vão a Agra, se hospedam, vao conhecer o Taj Mahal e continuam sua viagem por cidades mais próximas e deixam Agra passar batido.
Pouca gente sabe que Agra é uma cidade de imperadores. É suja, barulhenta e exaustivo andar por ela, mas Agra tem mais a oferecer além do Taj. O Forte Vermelho é a segunda principal atração da cidade, a maior lembrança da riqueza e poder do Império Mongol na India. Na India, esse povo ficou conhecido como "mogol" e no século XVI chegaram a India tomando conta de Punjab, uma região fronteira com o Paquistão. O Império foi de grande importância para o país como um todo, império esse que só acabou na verdade com a chegada dos britânicos ao poder em 1700.
No seu ápice, o Império Mogol dominou quase a India inteira, o Paquistão e Bangladesh. Hoje, muita gente na China, Coreia, Japão, Sibéria e em outras partes da Ásia pertence a raça mongoloide. Foi minha primeira vez na Asia e eu não sei muito sobre a história dos mongóis, mas a imagem que me vem a cabeça quando penso neles é sempre eles montados em cavalos, guerreiros carregando lanças e morando em barracas. Que filme que tem isso?
O forte fica nas margens do rio Yamuna e já existia quando o imperador mogol Akbar, que era o avô e governou a região antes de Shah Jahan que foi o mandante da construção do Taj mahal, chegou a India. O forte antes era um templo hindu e ele ficou muito impressionado com a localização e por causa disso tornou Agra a capital da região. Mandou reconstruir o forte em pedras vermelhas e daí o nome. Hoje o forte é patrimônio da Unesco. Paga-se pra entrar e lá dentro é um mundo de grande!
O neto do imperador Akbar, o glorioso Shah Jahan com seu gosto por construções em mármore branco, ficou aprisionado neste mesmíssimo forte a mando de seu filho, diz a lenda. Este forte também foi palco de batalhas sangrentas durante a rebelião de 1857 que clamava por mudanças no governo britânico. O lugar é muito importante em termos de arquitetura. São designs e estruturas que só se vêem ali mesmo.
Eu admito que eu nem estava ansiosa pra ir lá pra conhecer nem nada. Como quase todo mundo, o que me levou a Agra foi o Taj Mahal. Apesar de eu ter passado horas e horas lá no Taj, o tour com meu guia e meu motorista durava o dia todo, então quase que arrastada quando saí do Taj, andando de costas, tirando foto ainda, respirei fundo e prestei atenção no que o guia tava dizendo. Era hora de ir conhecer o Forte Vermelho. Claro, nada é tão impactante como o Taj, ainda mais no mesmo dia! Qualquer coisa que eu fosse ver depois não ia ser tão impressionante. Eu ainda tive tempo de arejar, resfriar a memória olhando praquele monte de gente na rua, o trânsito, etc. e quando cheguei no forte, estava mais neutra.

Mesmo ainda sob forte efeito da beleza do Taj, eu curti muito o Forte Vermelho. O calor tava de matar, talvez fosse a cor que esquenta ainda mais.. mas meu guia tava muito confortável e empolgado lá com minha câmera me clicando em tudo quanto era lugar. Fiquei andando lá, e assim como no Taj, a grande maioria das pessoas que estava visitando lá eram os próprios indianos. Também assim como lá, indiano paga absurdamente menos pra entrar do que turista estrangeiro. Mas vale a pena. Pelo menos lá tinha menos gente pedindo pra tirar foto comigo.
De lá do forte, ainda se alcança visualmente o Taj Mahal, então muitos turistas ainda vão lá com suas super câmeras profissionais e mega zooms pra capturar fotos do Taj dos mais variados ângulos.
No final, eu fiquei andando sozinha, prestando atenção e tirando foto de tudo quanto era detalhe mesmo, porque fui dizer ao guia que tinha vontade de ver um elefante de perto, e ele foi lá ligar pra trocentas pessoas pra ver se arrumava um elefante em algum lugar que eu pudesse subir, andar e tirar foto. Ele conseguiu, mas era a 2 horas dali, e eu que desisti. No caminho de volta, vi um elefante assim no meio da estrada e pedi pra parar pra tirar foto.

E assim encerrei meu belo e marcante dia em Agra. Voltei pro hotel e fui dormir!! Ainda não sou de ferro.