27 junho 2011

Mar Morto

Saindo do forno Masada, era hora de passar o resto do dia no Mar Morto!
Depois de 4 dias andando sem parar por Petra, Jerusalem, Belem, Nazaré, Tiberias, Mar da Galileia e Masada, agora vinha a parte relax da viagem: um spa resort bem no meio do deserto da Judéia, próximo ao Mar Morto, que na verdade não é nada de mar, é um lago.

O Mar Morto fica parte em Israel e parte na Jordânia. É 411 metros abaixo do nível do mar, e é o "mar" (lago) mais abaixo do nível do mar que existe, é o ponto mais baixo da Terra. E a tendência é aumento desse desnível.

A água é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito salgada, e por isso o mar tem esse nome. Ficou provado em estudos que a quantidade de sal que tem lá é dez vezes mais o nível de sal que se tem no oceano, por isso é impossível qualquer tipo de vida ali. Qualquer peixe que chega ali, morre.

Pelo que eu entendi da explicação do guia, a razão é que o Mar Morto fica numa baía, numa área sem saída, que é abastecida pelo Rio Jordão. Como a água que chega ali, chega e fica por ali, não tem pra onde fluir, e por causa da quentura do deserto da Judéia que fica ao longo da costa, a água do mar vai evaporando com o calor, a baía continua sendo alimentada pelo Rio Jordão, a água continua sendo evaporada, mas o sal permanece acumulado e não tem pra onde ir. Sendo assim, a grande concentração de sal é resultado de anos e anos de águas que chegam ali do Rio Jordão, evaporam e deixam o sal. Hoje o Mar Morto está muito menor que anos atrás, tem até placas pra identificar até onde ele alcançava 30 anos atrás, e hoje já está lá longe. A tendência é que continue "entrando" cada vez mais no mar de verdade e em alguns anos, é capaz de não existir mais Mar Morto!
A água é composta por vários tipos de sais, sais que só podem ser encontrados nessa região do mundo, e inclusive já foi comprovado que tem propriedades terapêuticas, assim como a lama preta nojentinha que tem lá. Mas o mais impressionante mesmo é boiar no Mar Morto. A quantidade de sal é tão grande, mas tão grande, que aumenta a flutuabilidade. É só entrar e boiar...
Nesse passeio, eu conheci 3 meninas super gente boa, 2 de uma banda de rock na África do Sul e uma italiana que faz doutorado nos EUA e também viajava só. Desde o início do dia no passeio em Masada que começamos a conversar, nos demos super bem e ficamos lá no Mar Morto tirando a maior onda de ficar boiando sem fazer esforço, na experiência mais esquisita que eu já vivi num mar! Mas olha, o difícil era se equilbrar ali, viu! Pra se virar era uma novela!
Foi super divertido! Eu quando cheguei - de sandália, claro, porque o calor não tava pra brincadeira - olhei pro chão e achei a areia engraçada, branca... é, não era areia, era sal já mesmo. E tem literalmente blocos de sal no meio da lagoa. O chão dentro d'água não tem areia, é só sal mesmo! Então ficava já difícil pra se equilibrar por conta da flutuabilidade da água, e ainda com o chão de sal escorregadio, mesmo de sandália, tornou a experiência quase que surreal!
A água é oleosa demais e isso dá uma agoniazinha. E a brincadeira, no entanto, tem outros poréms tambem. Eu no meio da diversão e das atrapalhadas tentando me equilibrar, acabei molhando o cabelo e obviamente a água do meu cabelo escorreu pro meu olho... olha, sal no olho é pior que pimenta!!!
aaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!!!!!!!! hahahahaahahahaha!!!!!!!!!!
Tô rindo agora que já passou, mas na hora foi um sufoco danado. Não tinha nada seco pra me ajudar a por nos olhos e ia demorar pelo menos uns cinco minutos até eu conseguir sair da água totalmente, andar até a areia, er.. quer dizer, ao sal lá da praia, onde já não tinha mais água e lavar o olho na torneira com água normal.
Então resultado, ficou eu e a roqueira da África do Sul em pé na água esperando secar com o olho ardendo até ficar boa de novo!
É ou não é uma experiência surreal?! Fala sério! Uma praia no meio do deserto! Com areia de sal e a água mais salgada que tudo no mundo, e ultra oleosa.
Bom, depois dessa macacada, ficamos lá aproveitando um pouquinho do sol, conversando, colocando o bronze em dia, relaxando, ne, que ninguém é de ferro. E ao bronze a Suíça agradece.

26 junho 2011

Masada

Desde que comecei a pesquisar e pesquisar pra organizar a viagem a Israel que passei a ver esse nome em tudo quanto é lugar. Masada.
Masada é a fortaleza que fica no sul de Israel, na Judéia. Foi "construída" pelo imperador romano Herodes, que contei um pouco da história aqui. Herodes na verdade mandou construir essa fortaleza totalmente isolada de tudo e de todos como um refúgio pra si próprio, caso fosse preciso, caso os Judeus se revoltassem contra ele, já que ele próprio não seguia as tradições do judaísmo e isso deixava os Judeus já meio desconfiados e insatisfeitos.
Mas olha, é impressionante. Estávamos no ônibus em Jerusalem, daqui a pouco, uns 15 minutos de estrada, só via barro e pedra. Estávamos no Deserto da Judéia. Era difícil crer no que meus olhos me diziam. Como podia isso? Agorinha há pouco estávamos na cidade e agora..... estamos no meio do deserto?!
Mas olha, era verdade mesmo. Estávamos no meio do deserto. E só em estar ali parecia que o calor também já tava aumentando. Bom, o deserto da Judéia é um deserto meio especial. Fica próximo ao Mar Morto.
Masada é uma fortaleza construída ali com 440 metros de altitude, muito isolada, propositalmente de difícil acesso, caso Herodes e os Romanos fossem atacados. Mas as coisas hoje são modernas e construíram um bonde pra gente chegar até o alto da fortaleza.
Com a morte de Herodes, a fortaleza foi capturada dos Romanos pelos Judeus e terminou sendo o local onde eles se esconderam durante a Grande Revolta Judaica, a primeira de três grandes rebeliões dos Judeus contra os Romanos. Depois que os Romanos dominaram totalmente Jerusalem, Masada terminou sendo o único local de forte concentração dos Judeus.
Fazia um calor do cão!
Acho que até pela cor das fotos dá pra sentir um pouco do calor que fazia nesse lugar nesse dia, não dá não?! Meu Deus do céu!
A pequena garrafinha de água que eu levei não deu nem pra dez passos. Mas tudo bem. Quando a gente prestava atenção às explicações do guia, à história, e via a tamanha engenhosidade do lugar, a gente até esquecia que tava com sede. Masada tinha toda uma infra-estrutura caso fosse preciso viver dias, semanas, meses ali sem sair. Cisternas, banheiras, colunas estratégicas para circulação do ar, cavernas, esconderijos, até uma sinagoga tinha, até o Columbarium, para guardar as cinzas de quem morresse durante o período ali. Muito impressionante.
O guia desse passeio a Masada fez a diferença. Ele falava com tanto entusiasmo ao explicar a revolta e o desespero dos Judeus, que se fosse outra pessoa contando, acho que eu não teria ficado tão impressionada com tudo que vi. Diz a história que os Romanos tinham um plano de cercar Masada com 10 mil homens de noite, então construíram rampas, e ao amanhecer, escalariam todos as pedras e pelas rampas fortaleza acima, para acabar com os Judeus. Os Judeus então orgulhosos de si e decididos a não perder a batalha para os Romanos, resolveram se suicidar ao invés de se entregar, sabendo que se iniciassem a batalha, perderiam, pois eram poucos em comparação aos Romanos. Os quase mil Judeus se suicidaram então em Masada sob o juramento "Masada não cairá nunca mais" ("Masada shall not fall again"), por volta de 70 d.C., ao fim da Primeira Guerra Judaico-Romana.
Masada tornou-se um dos grandes símbolos do judaísmo e foi declarada patrimônio oficial da UNESCO em 2001. Hoje ainda é possível ver as remanescências, o piso original ainda, quebrado, tudo agora sob proteção do governo, preservado por arqueologistas. Tudo muito incrível. Poder se aproximar um pouco dessa história tão impressionante, de mais uma perseguição aos Judeus. Olhar pro lado e ver o Mar Morto. Incrível, incrível, incrível.
Claro, incrível também foi o bronze que eu peguei nessas 3 horas de caminhada no deserto. Saí arrancando a blusa, buscando água, sorvete, o que fosse. Não to mais acostumada com isso não! Mesmo com protetor solar, meu couro agora acostumado com o sol mixuruca da Suíça que não queima nada, e com meses de um trilhão de peças de roupa de frio, achei ótimo sentir um calorzinho e mudar um pouco a corzinha. Eu tava branca feito leite. Mas essa corzinha era só o começo. Depois daí, pegamos de novo o bondinho de volta ao solo, e fomos em direção ao Mar Morto. E eu fui pegar um bronze agora no Resort mais abaixo do nível do mar da face da terra. Assim, pra fechar a viagem numa boa, sabe..

25 junho 2011

Viajar só

Agora que eu voltei de Israel, e ainda estiquei até a Finlandia depois, numa maravilhosa viagem planejada nos mínimos detalhes, que embarquei sozinha, posso tirar minhas próprias conclusões sobre viajar só.

Em suma, na minha opinião, foi uma experiência muito, mas muito positiva e enriquecedora mesmo. Não tô querendo me gabar nem justificar nada não, mas acho que toda mulher que curte viajar deveria, ou melhor, merecia embarcar numa viagem solo. Explico.

Eu mesma tive vários, inúmeros questionamentos, dúvidas, medos, e depois de muitas reflexões e noites acordadas até tarde lendo, eu criei coragem e fui. A mulher sofre muito com questões de preconceito e dependência do homem ou de qualquer companhia que seja pra não se sentir desamparada. Homem viajar só pode, é normal, mas mulher, o quêe?? Por quêê?!! É sempre assim.

Já ouvi muitas mulheres comentando que não viajam - ou não só viajar, fazer outras coisas - porque não tem com quem ir, porque não acha graça em fazer nada só, porque se preocupa com o que as outras pessoas vão pensar, ou porque tem medo, ou porque não é louca. Pô, primeiro: eu concordo que existem coisas e coisas pra se fazer só. Por exemplo, eu não me meteria numa viagem ao Quênia ou a Marrocos sozinha, porque sei que tem muita informação que eu precisaria pra chegar até lá e ter uma boa experiência que sozinha nas minhas condições atuais eu não conseguiria. Aí tudo bem. Partir de qualquer jeito sem eira nem beira na doida e se meter em um monte de encrenca ninguém merece. Mas deixar de embarcar numa viagem, organizada tim tim por tim tim, onde vc vai estar imersa em novas culturas, sem ameaças, num esquema pré-elaborado, atingindo seus objetivos de conhecer os novos lugares..... por quê não, me diz?!

Israel
Eu sempre amei viajar. Só não tinha percebido até então que eu amava taaaaanto assim, como sei hoje. E nas viagens que fiz até então, antes da minha primeira viagem sola, eu viajava com quem tivesse disponível. Já viajei a trabalho com colegas de trabalho, já viajei com minha mãe, com amigas, amigo, colegas, namorado, parente, primo do primo, colega de faculdade, e nunca tive problema. Claro, viajar já é ótimo, quando vc tem uma pessoa do seu lado interessada nas mesmas coisas que vc, em conhecer o lugar, em visitar uma praça, ir num restaurante, essas coisas que se faz quando viaja, é excelente. Mas quando vc tem disponibilidade, tem vontade, tem dinheiro, e não tem ninguém que tenha tudo isso ao mesmo tempo que vc, o que fazer?

Na minha humilde opinião, uma mulher madura, independente, confiante em si mesma, no comando da própria vida e preparada pro mundo, não encararia a falta de uma companhia como um bloqueio pra realizar uma viagem, nem qualquer coisa na vida. Ora, vc viajar sozinha é uma maneira de se conhecer melhor, de passar por situações que vc não viveria se tivesse com uma companhia, e talvez vc nem tivesse conhecimento que fosse possível passar por tal situação. Vc cresce, vc se pensa mais, vc conhece outras pessoas, vc não tá só no mundo. E olha, existem poucas sensações no mundo melhores do que a de descobrir que é capaz, como bem disseram a Flávia e a Maristella no livro Viaje Sozinha, que eu li antes de viajar e gostei muito.

Se vc gosta de viajar, mais cedo ou mais tarde, essa questão vai bater de cara com vc, porque é fato: nem sempre dá pra conciliar os interesses. Tipo, eu estava LOUCA pra conhecer Israel. E eu ia com quem? Po, Israel é um destino especial. Claro, tem pessoas que vão lá e não se ligam e não se interessam em toda a bagagem histórica que o lugar carrega e ainda assim têm uma ótima experiência de viagem, mas tem pessoas que não tão nem aí e Israel nem faz parte da lista de desejos de viagens. Conversando com uma amiga suíça daqui, ela me disse que se eu fosse pra Italia ou Paris, ela iria comigo, mas Israel não, não tinha interesse. Lógico, acho que é muito mais fácil arrumar companhia pra ir a Roma, Paris, Londres, do que Israel, Finlandia... Turquia? De tanto que a gente vê a Torre Eiffel, o Coliseu e o Big Ben na capa das revistas, sei lá, acho que deve-se criar no imaginário que aqueles lugares são os principais que deve-se conhecer na vida, e pronto.

Mas eu já fui a Paris várias vezes, já tirei muitas fotos do Big Ben, e tá bom, admito, até gostaria de ir de novo ao Vaticano, mas a vida é curta, eu quero conhecer o mundo e não vivo só pra isso. Preciso aproveitar as oportunidades que tenho - e dinheiro também ne, que meu dinheiro não dá em árvore - pra conhecer o que mais existe além do pacote Europa básico. Aliás, esse foi um dos motivos pelo qual eu me mudei pra Suíça. Aqui eu tô no centro da Europa, Zurique tem vôo pra tudo quanto é lugar, e as promoções de passagens aéreas são muito frequentes.

O problema de ter curtido tanto a experiência é que agora sinto como se qualquer lugar estivesse ao meu alcance. E eu já passei da fase de dar ouvidos a quem não devia, de aborrecimentos que poderiam sabotar meus próprios planos e desejos, agora eu prefiro me inspirar na história e na minha vontade, e seguir adiante ampliando meus horizontes!

Jordânia
Eu deixar de manter minha mente aberta, deixar de conhecer a cultura do mundo, de aproveitar minha liberdade, quando eu não tenho nada mais pra me preocupar a não ser eu mesma, por causa de preconceito, de pessimismo dos outros e de histórias de catástrofes, azar, perigo, mal pressentimento? Ah eu não, perigo pode estar em qualquer esquina, até aqui na Suíça, meu bem, meu pai faleceu da noite pro dia num acidente, e ali eu vi o quanto estamos vulneráveis em qualquer lugar desse mundo. Eu vivo bem na minha, sou uma boa companhia pra mim mesma, sei me cuidar, eu falo inglês, todo mundo me entende, posso me comunicar com a humanidade, e não sou idiota, nunca fui assaltada em nenhuma viagem que fiz, e tipo, eu já morava sozinha em Recife, sou expert em me virar sozinha no caos.

Algumas medidas são obviamente necessárias antes de viajar: se informar o máximo que puder sobre o local que se está indo, a cultura, os hábitos, a moeda, os horários, facilidade de transporte. E pra ser sincera, eu adoro essa fase, a fase da preparação. Pra mim, a viagem já começa por aí. Adoro ler sobre os lugares, conhecer no papel e depois poder ver o que li com meus próprios olhos. Não tem aula melhor que essa. E como a gente aprende assim, como a gente cresce. Olha, rodar pelo mundo é um banho de cultura e conhecimento. Pablo Neruda já sabia o que dizia quando afirmou que o mundo é pequeno demais pra nascer e morrer no mesmo lugar.

Pode até ser mais uma fase, uma deliciosa fase, e se for, então que seja, eu estou vivendo-a. Desbravar Israel pra mim representava um desafio pessoal. Depois de tanto aperreio que passei, ir ali, conhecer os passos de Cristo, me rebatizar no Rio Jordão, foi uma renovação. De novo: pode ser fase, uma crise, pronto, uma crise, estou chegando perto dos 30. Mas veja só, estou chegando perto dos 30 e viajando percebo o quanto ainda desconheço do mundo e o quanto ainda quero descobrir desse universo tão complexo e tão encantador.

O que vi, as pessoas que conheci, as situaçoes que passei, toda a trajetória e não só os lugares, os cartões postais, as fotos que apareço sorrindo, são o que fazem tudo ser inesquecível. Por minha conta e risco. Minha sede de sair e desbravar o globo, seja num ritmo acelerado, num esquema sofisticado ou de baixo orçamento, já andava comigo há bastante tempo, desde quando eu vendi todos os meus brinquedos e juntei dinheiro por 4 anos pra ir a Disney com 15 anos. Tudo porque eu quero e sempre quis tentar tirar o maior proveito da situação que estou, seja boa, seja ruim, não importa, eu estou no controle e a vida tem o peso que a gente coloca nela.

Conhecer sempre novos ares, novas culturas, ter contato com outros idiomas, se sentir minúscula diante de um oceano infinito, ver outros estilos de vida, é sempre um acontecimento pessoal marcante. Não me importa se não estou nos parâmetros que a sociedade e a civilização criaram, é o que me faz feliz.

A fama da mulher brasileira não é das melhores nesse mundão afora, e viajando sozinha então, é preciso muita atenção. E conseguir vencer todas essas barreiras e ter depois uma boa experiência, boas lembranças, é o maior triunfo que eu poderia pedir.

Esse sentimento de orgulho, de ter quebrado barreiras e realizado meu sonho. Sei que muita gente queria ter a coragem que eu e muitas outras têm, e eu digo hoje: só fica alienado quem quer. O mundo tá aí, e é aquela história, todo mundo passa por dificuldades. Depois das dificuldades, cabe a vc ficar se lamentando, ou tomar atitudes e sair em busca da sua vitória, seja ela qual for, ela depende única e exclusivamente de VOCÊ. Seja conhecendo coisas novas, ampliando seus horizontes, dando razão às suas vontades... o importante é tirar as pedras do caminho. E se quiser dar umas voltinhas pelo mundo, é um remédio libertador e muito enriquecedor.

24 junho 2011

Rebatismo no Rio Jordão

O Rio Jordão é conhecido na religião e pelos Evangelhos por ter sido onde o profeta João Batista batizou Jesus.
Aliás, muitos Judeus, e não só Jesus, foram batizados neste Rio.
O Batismo era um ritual de conversão judaica, e depois foi adaptado ao cristianismo.
Yardenit é o local de batismo instalado por peregrinos que iam ali de toda parte do mundo em busca de seguir o ritual feito por João Batista e Jesus na Terra Santa. Em busca de andar os passos de Jesus e de alguma forma fazer parte também deste ritual através das águas sagradas do Rio Jordão. Yardenit é o diminutivo de Yarden, que em Hebreu significa Jordão ou Rio Jordão. Então seria o Jordãozinho, porque é uma área pequena e reservada, especial, perfeita pra realizar o santo ritual.

O Antigo Testamento fala da imersão na água com o propósito de purificar a alma, apesar de não mencionar explicitamente a palavra "Batismo". Mas o significado do Batismo é o livramento de todos os pecados, um marco para seguir com a fé renovada e crer no Espírito Santo, porque ninguém há de entrar no Reino de Deus se não for através da Água e do Espírito (João, 3:5).

Já o Novo Testamento fala das pregações de João Batista nas proximidades do Rio Jordão, o batismo de Jesus, e dois milagres que aconteceram ali: o do machado que flutuou e a cura de Naamã, os 7 mergulhos de Naamã; Naamã que era um dos chefes do exército da Síria que era infeliz, descrente da vida e estava com lepra; foi ao encontro de Jesus e do profeta Elizeu, que o mandou mergulhar no rio 7 vezes, e depois disso, ficou completamente curado.

Hoje o Rio Jordão é uma das maiores fontes de abastecimento de água de Israel, apesar de ficar na fronteira entre Israel e Jordânia.

Então íamos caminhando, eu, a guia e o grupo, ela ia nos explicando todas essas histórias, as crenças, o volume de visitas a Yardent e tudo mais, e comunicou que era comum muitos fiéis irem até lá com o único intuito de seguir também o mesmo ritual, portanto quem dali quisesse fazer isto, também podia ir.
Poxa, eu pensei, nem tinha imaginado que seria possível isso antes, nem estava com roupa apropriada pra molhar, nem nada, absolutamente nada disso tinha passado pela minha cabeça antes, e não, não fui lá com esse propósito... Mas POXA!!! Estava eu ali olhando pro Rio Jordão, com a possibilidade, a chance, a oportunidade de me batizar com um padre no mesmo local que Jesus foi batizado há 2 mil anos atrás, onde Ele realizou milagres, onde tanta gente vai só pra isso, EU vou deixar isso passar? Mar... de jeito nenhum!!! Eu sei que eu ia morrer de arrependimento depois se não fosse, não ia ter escova nem roupa que me impedisse de realizar também essa benção... e que benção, ne!
Sendo assim...
Eu tremia... mas eu tremia, não sei porque.. o padre pegou na minha mão, perguntou de onde eu vinha, pra variar arregalou os olhos quando eu disse que era brasileira... me olhou no fundo dos olhos e disse o quanto Deus devia estar feliz por eu estar ali... meus olhos encheram de água ainda mais... ele se concentrou, eu ouvia as palavras dele, dizia com muita emoção que eu estava ali numa demonstração de fé, de desejo de seguir os ensinamentos que Ele tinha deixado, e que aquilo ali não era em vão...
Rebatizada.
Pronto.
Acho que depois daí eu nunca mais serei a mesma, fui rebatizada no Rio Jordão!
Pessoas batiam palmas, outras rezavam em voz alta, outras davam-se as mãos.
Eu agradeci a Deus, e fui me secar.
Pode até ser que aquele "mergulho" ali hoje não signifique muita coisa, mas pra mim, espiritualmente, significou muito.
Senti como se eu morresse ali, tinha feito minha parte, sabe, tinha crido em Deus, no Poderoso, no Deus Forte, que me levou até ali, Aquele que está no controle de tudo, em quem eu acredito e quem sempre esteve presente na minha vida, de onde eu busco forças, o nome sobre todos pelo qual existo. 
Shalom.
O senhor é a minha paz.

23 junho 2011

Tiberias e Mar da Galileia

Vou tentar resumir o resto do segundo dia num post só, porque também olha, quem não é católico, religioso ou pra quem simplesmente não liga pra esse tipo de viagem, o blog deve tá enchendo o saco hein. Mas enfim, o blog é meu ne e eu escrevo o que eu gosto. Então. Saindo de Nazaré, seguimos no ônibus em direção a Tiberias, que é a maior cidade as margens do Mar da Galileia.
A primeira parada foi em Capharnaum, em Português é Cafarnaum, A Cidade de Jesus, conhecida por ser onde muitos dos apóstolos iam pescar e onde Jesus realizou muitos milagres.
Ali também foi construída uma basílica para guardar e marcar a importância do lugar, celebrar missas, reunir fiéis, principalmente em datas festivas, e ser ponto de peregrinação, obviamente promovendo a comunidade e as tradições católicas.
Íamos andando, a guia ia explicando como os fatos aconteceram por ali com Jesus, os milagres e a descrença do povo. Íamos chegando perto do Mar da Galileia, e antes passamos por ruínas da antiga sinagoga que existia ali.
A guia que explicava pra gente os detalhes ia misturando muito Inglês com Espanhol, pois esse era um grupo muito grande - o maior de todos os tours que fiz lá - e nem sempre dava pra chegar a tempo das explicações, ou ela também não esperava o grupo inteiro juntar, até porque nem dava, então eu terminei perdendo muito da informação pra entender e captar o significado dos passos que eu tava dando ali.
Mas tudo bem, o maior interesse era pelo Mar da Galileia, onde muitos dos apóstolos de Cristo pescavam e onde Ele mesmo "recrutou" alguns de seus seguidores. Mas hoje o Mar da Galileia nada mais é que um lago de água doce, abastecido pelo Rio Jordão, e onde muito israelense vai como se fosse a praia, pegar sol, andar de lancha e passar o domingo.
É, ne, fazer o que, os tempos mudaram. Não tem como ser diferente, é um lago.
E não tinha ninguém ali preocupado com conflito nem guerra nem atentado nem nada que tá acontecendo nos países vizinhos, nao, viu. Um calor danado, suor escorrendo, o povo tudo no lago relaxando.. não tinha o menor sinal de guerra nem perigo por ali!
Ainda bem porque o que estava prestes a acontecer só podia ser em estado de muita paz de espírito mesmo. Meu rebatismo no Rio Jordão! Conto no próximo post.