29 julho 2015

Informações para quem vem a Suíça pela primeira vez

Eu recebo cada vez mais emails de brasileiros querendo vir conhecer a Suíça. É difícil pra mim, responder a todos os emails e esclarecer a todas as dúvidas, embora eu gostaria, me falta mesmo tempo. Por isso resolvi escrever esse post que esclarece dúvidas básicas sobre a Suíça, principalmente para quem está vindo pra cá pela primeira vez, e muita coisa que já é óbvia pra mim, que já moro aqui há 6 anos, para outras pessoas pode não ser, então vamos lá.
Antes de começar, quero dizer que eu escrevi um livro ano passado, pra quem não sabe ainda, com as principais informações sobre a Suíça. Os principais posts que estão neste blog, organizados por categoria, mais conteúdo que não está no blog, tudo impresso, com fotos coloridas bonitinhas, ao seu alcance a qualquer hora, também quando você não tiver internet. No momento o livro só pode ser comprado online pelo site do Lulu.com, custa 25 dolares mais frete, e para saber mais informações sobre ele (como quantas páginas tem, o que tem nele exatamente, entrega, forma de pagamento), veja ESTE post, e para comprar o livro clique AQUI.

Feito meu merchandising, vamos lá. Suiça!




Informações básicas
A Suíça fica no coração da Europa, entre a França, Alemanha, Áustria e Itália, é um país bem pequeno que pode ser cortado de leste a oeste de trem em quatro horas e mais quatro de norte a sul. Falo de trem porque apesar de as estradas serem maravilhosas, são as linhas férreas suíças as mais utilizadas do que em qualquer outro país europeu. A Suíça chama-se oficialmente Confederação Helvética (CH) e é dividia em 26 cantões, que são como estados, e cada cantão tem sua capital, que são as cidades mais importantes do país. A capital da Suíça é Berna, é onde eu moro. Aqui durante o verão (que é inverno no Brasil), são 5 horas a mais que no Brasil, por conta do horário de verão europeu. Quando não é, são 4. E quando é horário de verão no Brasil, e estamos no inverno europeu, são 3 horas a mais que no Brasil. A voltagem aqui é 220v e o código de telefone do país é +41. Não há salário mínimo na Suíça e há pouca diferença social.

Visto
Parte da União Europeia porem a Suíça não é. Passaporte brasileiro não precisa de visto para entrar aqui e pode ficar até 3 meses assim. Passando de 3 meses é preciso uma permissão de residência, que consegue-se através de um emprego e consentimento do ministério da migração e do trabalho (veja este post para mais detalhes), ou casando-se com suíço/europeu.

Moeda
O dinheiro aqui não é o Euro, e sim o Franco Suíço (CHF). O Euro até é aceito em restaurantes e lojas, mas o troco lhe será dado em franco suíço. O franco é uma das moedas mais fortes ultimamente, mais forte inclusive que o dolar há anos. Hoje 1 franco suíço custa em média 3,50 reais.

Custos
Fato, tudo na Suíça custa meio caro. A Suíça é um dos países mais ricos do mundo, e concordo, não é fácil nem legal planejar uma viagem para um lugar onde uma coca-cola num restaurante custa de 4 a 8 vezes mais do que você paga no seu país, mas não tem pra onde correr. Zurique e Genebra estão constantemente no topo da lista das cidades mais caras do mundo. Pretendo escrever um post sobre esse assunto com mais detalhes, mas aqui não tem restaurante baratinho, nem lojinhas em conta como na Alemanha, por exemplo. Um lanche no McDonalds não sai por menos de 15, 20 francos. 

Transporte
Super bem conectada de ponta a ponta, o transporte público é a melhor maneira de viajar e andar pela Suíça. Claro, para tudo há um preço, e andar nos trens modernos e eficientes da Suíça custa caro. A melhor maneira de usufruir é mesmo fazendo passes. Visite sbb.ch ou inclua a Suíça no seu passe de trem europeu como o Eurailpass. Sobre transporte, não apenas trem, mas aeroportos, dirigir por aqui, até bicicleta e como ir da Suíça para países vizinhos, há vários posts já escritos neste blog, veja se te ajuda:

Aeroporto de Basel
Aeroporto de Zurique
Bicicleta na Suíça
De trem na Suíça com bebês
De trem pela Suiça
Dirigir na Suiça
Suíça-Alemanha de ônibus
Suiça-Áustria de trem
Suiça-Itália de trem
Suiça-França de trem
Transporte público em Zurique
Zürich Hauptbahnhof - principal estaçao de trem de Zurique

Como chegar a Suíça
O aeroporto de Zurique é o mais movimentado do país, depois o de Genebra, depois o de Basel. Há aeroportos menores em cidades menores, mas uma passagem de avião até eles custa muito. Para chegar por Zurique, a SWISS, a companhia nacional de aviação, faz vôos de/para São Paulo que dura 11 horas. Uma solução para quem vem do Nordeste é vir de TAP por Lisboa e fazer lá uma conexão. Um vôo Recife-Lisboa, Natal-Lisboa ou Fortaleza-Lisboa dura em média 7 horas e Lisboa-Zurique 2h30. Chegando por Zurique, você pode se transportar pelo país de trem.

Souvenirs da Suíça
Chocolates! São sempre a primeira lembrança quando você fala em Suíça, certo? De fato, acho que aqui estão os melhores chocolates do mundo. (Veja aqui neste post por exemplo como conhecer a fábrica de chocolate Cailler). Mas não apenas isso. A Suíça é conhecida por: canivetes, relógios, queijos, bancos. Ok, você não vai levar um banco suíço de souvenir da sua viagem, mas todos os outros itens são possíveis.

Idioma
Outra dúvida muito frequente... bem, não quero lhe assustar, mas a Suíça tem 4 idiomas oficiais. Alemão, Francês, Italiano e Romanche. Nesta ordem da mais falada para a menos falada mesmo. A grande maioria da Suíça (quase 70%) fala Alemão, no lado próximo onde a Suíça faz fronteira com a Alemanha. É a região de St Gallen, Zurique, Berna, Lucerna. Depois, perto da fronteira com a França claro, vem a parte da Suíça que fala francês (uns 20 e poucos %), é onde está Genebra, Lausanne. Tem também o Ticino, a parte italiana da Suíça, mais ao sul, próximo a Itália, onde está a pequena parte da população restante que fala italiano. São as cidades de Lugano, Locarno e Bellinzona as principais. E no meio do cantão de Graubünden, entre a parte alemã e a italiana, está a minúscula região onde o romanche ainda é falado. Há vários posts no blog sobre idiomas, veja as tags alemão e francês.

O que fazer na Suíça
Há cidades lindas a conhecer por aqui. Eu sou suspeita para falar e aqui estão todas as cidades listadas que já visitei por aqui. Não só cidades, mas vilas, montanhas, lagos. A Suíça não é famosa por oferecer um pouco de tudo. Por exemplo, você não vem em primeiro lugar para a Suíça se quer visitar museus e conhecer mais da história. Embora sim, existam museus maravilhosos aqui a visitar. Embora também Zurique e Genebra tenham um centro comercial invejável, não é pra lá que as pessoas vão primeiramente quando querem vir a Europa fazer compras. Então, o que tem pra se fazer na Suíça? Bem, eu não vou conseguir explicar em poucas palavras o jeito de viver suíço para justificar que a natureza e as atividades ao ar livre tem um papel importante na vida da Suíça. Não é a toa que as montanhas suíças sejam umas das mais desejadas para esportes de inverno quando a neve tá aqui, mas também no verão, as trilhas continuam sendo esporte mais praticado no país. Tá, nem todo mundo viaja para fazer trilhas. Mas conhecer as lindíssimas paisagens que mesmo da cidade dá pra ver já vale a passagem pra cá. Eu diria que organizar um roteiro apenas para conhecer as principais cidades e talvez uma subida a uma montanha seja a principal atividade dos turistas por aqui.

Clima
O inverno é longo. Em outubro já começa a esfriar muito e normalmente em novembro já há neve nas cidades. Na montanha há muuuita neve. Isso dura até março mais ou menos, com temperaturas podendo chegar até -15, -20 em dias de pico de frio mesmo. Temperatura média de inverno é 0 graus. Em abril começasm as chuvas, maio a primavera já dá as caras e junho, julho as temperaturas começam a subir rápido. O verão faz dias bem quentes, já pequei 38 graus aqui. Mas certamente dura pouco e logo vem a chuva pra esfriar de novo. Agosto, setembro o povo se despede das temperaturas quentes, sempre esfriando cada vez mais, junto com as chuvas que levam as folhas das árvores pro chão. É o outono. E aí outubro e novembro já dá pra ver que o inverno tá batendo a porta.

Cultura
Não é só no clima que a Suíça é fria. O povo tem uma cultura admirável, educada e de muito respeito pelo próximo, mas são bastante frios em relacionamentos e amizades. Claro que varia de personalidades, mas a grande maioria tem círculo de amizades pequeno e não são calorosos e espontâneos como nós do Brasil, não se abraçam com frequência. Eu diria que um suíço é sempre muito comportado, mesmo quando não é.


Acredito que esse seja um bom resumo/introdução com as principais informações a quem pretende visitar a Suíça pela primeira vez. De novo: para mais informações, cultura, dia a dia e curiosidades, visite a página Tudo Sobre a Suíça e veja os posts organizados por categorias, tem bastante informação por lá.

E boa viagem!
Bem vindos a Suíça!

08 julho 2015

As viagens do Edi

Aproveitando a vibe de viagens aqui no blog, agora que fechou essa série da Romênia, Bulgária e Italia, vou ver se esse post aqui sai agora, pois eu já tava querendo escreve-lo há um tempão. Bem, para quem me acompanha no Instagram (@elaeamericana_liana segue aí!) talvez já tenha percebido a hashtag que uso nas últimas viagens. "Últimas" desde que o Edi nasceu, isto é ne. #asviagensdoedi
Em Colmar, na França, Edi com 9 meses (janeiro de 2014)
Em Natal, Brasil, com 8 meses, conhecendo a praia pela primeira vez
Desde a primeira viagem ao Brasil com 8 meses em Dezembro de 2013, está tudo lá registrado, as melhores fotos de cada viagem que fizemos . Na verdade eu não sei muito bem como que surgiu essa ideia ou essa "onda". Só sei que já foram tantos lugares que já passamos até hoje, e olhando a hashtag outro dia, pensei, puxa, que orgulho.
Pristina, Kosovo, Edi com 1 ano e 9 meses
Nenhuma das viagens que fizemos pra fora da Suíça foi com o pai de Edi do lado. Mesmo na época que estávamos enrolados sem saber do destino, não viajamos juntos com Edi. Isso significa que: ou eu estava sozinha viajando com Edi - inicialmente Brasil, mas ne, já fomos até pro Kosovo - me chamem de louca agora - ou eu estava com minha mãe ou alguém conhecido.
Bled, Eslovênia, Edi com 1 ano e 1 mês
Beto Carrero World, Santa Catarina, Brasil, Edi com 1 ano e 8 meses
Pra mim pessoalmente, isso é motivo de orgulho. Pra mim e pro Edi. Porque Edi tem 2 anos e 3 meses e mesmo sem saber direito o que tá acontecendo quando estamos viajando, as recordações estão sendo feitas agora, no presente, nos nossos momentos juntos, nas nossas fotos, na memória, na lembrança que fica. Ele pode não perceber mas ele está aprendendo a viajar. Hoje ele presta atenção nos passeios, nos caminhos que fazemos, não estranha berço de hotel, não chora no avião. Claro, ele é uma criança, acabou de deixar de ser bebê e ainda faz seus esperneios de vez em quando, mas nada fora do normal.
Em Innsbruck, na Austria, Edi com 1 ano e 5 meses
Muita gente me pergunta como ele se comporta nas viagens ou se não é difícil viajar com ele (sozinha). Olha, primeiro, na maioria das vezes ele se comporta nas viagens melhor do que em casa, porque no inverno por exemplo, quando ficamos muito tempo só em casa brincando, ele logo enjoa dos brinquedos e quer atenção o tempo todo, não me deixa fazer nada em casa. Enquanto que viajando, ele sempre está interessado nos arredores, fica quietinho olhando o semáforo abrir e fechar, as pessoas andando. Acho que isso talvez seja costume de tanto passeio que fazemos desde que ele é bebezinho, mas nas viagens ele me dá menos trabalho que em casa.
No trem da Eslovênia para a Croácia, Edi com 1 ano e 1 mês
No hotel em Porto, Portugal
A rotina dele não muda. Ele dorme, ele come, ele toma banho na hora que faria todas essas coisas se tivesse em casa. Ok, talvez uma hora ou meia hora de margem de diferença, mas mesmo assim. E trabalho? Em casa somos sempre só nós dois e sou eu quem faço tudo então quanto ao trabalho pra mim não muda muita coisa. E viajando, ainda estou viajando, tipo, tem um plus do que se tivesse em casa de pijama fazendo tudo igual.
Em Berlim, Alemanha
É trabalhoso é. É prazeroso é. Eu sou mãe, cuido de Edi sozinha, por que deveria deixar de fazer algo que amo por conta disso? Faço junto com ele. Se eu não souber cuidar dele, quem vai saber? E se eu começar de deixar de fazer as coisas com Edi porque dá trabalho, não faço mais nada. Claro, exige planejamento, preparação e preparo físico hehehe, mas existem lugares mais "fáceis" de viajar, com uma boa infra estrutura, que dá pra andar fácil de carrinho pra cima e pra baixo (não foi o caso do Kosovo hehehe), mas o principal é voce (eu), mãe, saber se safar com seu filho sozinha sem precisar de ajuda de ninguém. Eu adoro ve-lo andar pelas ruas de cidades que estou conhecendo agora, fotografa-lo, descobrir o mundo juntos. Sei que em pouco tempo ele pode estar curtindo tanto quanto eu. Pelo menos quero da-lo a chance de saber o que é isso.
Cracóvia, Polônia, Edi com 2 anos e 2 meses
Num parquinho em Bucareste, Romênia
Sei que sou uma exceção e não conheço ninguém que faz isso que eu faço, mas oh well, se eu for parar pra me preocupar com o que dizem ou acham de mim ou das coisas que eu faço, eu não teria vivido metade do que já vivi. Ainda me incomodo com alguns comentários que ouço, mas aprendi a deixar pra lá e continuar fazendo o que me (nos) faz feliz. Precisei encontrar uma maneira de continuar vivendo (sã) sozinha com meu filho, e é assim que a gente vive. Prefiro buscar a melhor maneira de realizar o que tenho vontade, o que acho legal e bacana e certo, com responsabilidade e amor, do que me preocupar com o que vão pensar.
No ônibus chegando em Vaduz, Liechtenstein
Tento ver a big picture da coisa. Tento imaginar daqui a uns anos e olhar pra trás. Poder proporcionar isso ao meu filho, por minha conta, por mim, olha... no momento não consigo pensar em nada que me dê mais satisfação, mais alegria, mais felicidade. 
A lista atual dos lugares que ele conhece (tirando a Suíça) está assim:
1- Natal, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Brasil
2- Colmar, França
3- Porto, Braga, Portugal
4- Berlim, Munique, Konstanz, Alemanha
5- Ljubljana, Eslovênia
6- Zagreb, Croácia
7- Vaduz, Liechtenstein
8- Innsbruck, Austria
9- Pristina, Kosovo
10- Bucareste, Transilvânia, Romênia
11- Sofia, Bulgária
12- Roma, Napoles, Pompeia, Itália
13- Cracóvia, Polônia
Em Sofia, na Bulgária
Estamos partindo pela 3a vez ao Brasil esta semana. Vou realizar finalmente o seu batizado, depois de tanta discussão, espera e indecisões, vou fazer o que meu coração manda. Programada temos mais viagens este ano. Nem acredito mas vou realizar o sonho de conhecer a Rússia este ano, e claro, Edi vai junto. Esta já está fechada, outras estão engatilhadas, vamos ver o que virá. Só sei que #asviagensdoedi se depender do mim só tem a crescer.

07 julho 2015

Como chegar a Pompeia

Eu resolvi fazer um post só sobre como chegar a Pompeia porque a viagem até lá em si é meio que uma aventura e já faz parte da "viagem" em si. As informações na internet não são exatamente precisas então vamos juntar o útil ao agradável, aproveito e falo da minha experiência. Isso eu to falando de como ir lá por conta própria ne, claro, e não em tour.
Bem, de Napoles (ou se você tiver em Roma, vá até Napoles primeiro), a linha regional que vai até Pompeia (Pompei) é a Circumvesuviana (Vesuvio é o nome do vulcão que deixou a cidade no estado que está em 79 d.C., como falei no post passado). Não precisa comprar bilhete com antecedência. Os trens vão até cheios de turistas mas vai enchendo a medida que vai andando, vai parando em outras paradas, cabe todo mundo. Só uma dica - se você for pegar o trem em estações depois da estação principal de Napoles, isto é, a Napoli Garibaldi ou Napoli Barra, pode se preparar pra viajar em pé.
Da estação principal de Napoles (Napoli P. Nolana), o trem sai de meia em meia hora a partir das 6 da manhã, veja a tabela de horários aqui. A melhor parada para chegar a Pompeia é a Pompei Scavi Villa dei Misteri. Digo a melhor porque há outras estações com nome "Pompei", mas eu li por aí que essa era a melhor e tive boa experiência, você sai próxima a entrada principal do sítio. A viagem dura pouco mais de meia hora.

Bem poderia durar menos mas o trem que faz essa linha é um trem antigo, barulhento e lento. Não espere grandes coisas. E pelo preço também não se pode esperar muito - custa 3.20 Euros uma perna. O bilhete você compra em direção a Sorrento. Aqui mais informações.

Se você for em trem cedo, aliás, essa é a recomendação, tem menos turistas, mas em compensação, você vai junto com os vendedores ambulantes carregando seus carrinhos cheios de bugingangas. Não que isso seja um problema, mas só pra ficar atento.

Na volta é a mesma coisa. Se não tiver comprado bilhete ida e volta, na frente da estação Pompei Scavi Villa dei Misteri compre outro bilhete em direção a Napoles. Se tiver tempo, desca em Ercolano Scavi, como comentei no post passado, lá também tem um sítio arqueológico menos conhecido mas também interessante, e fica no caminho.
Essa é a melhor opção de chegar até a Pompeia, e a mais barata também. Em Napoles muitos taxistas ficam oferecendo o tempo inteiro corridas com desconto até Pompeia, mas mesmo com Edi, preferi ir de trem mesmo. E não me arrependi. Faz parte da experiência.
Chegando a Pompeia, como falei no post passado, o parque é fechado e o bilhete para visitar tudo custa 11 euros (criança não paga). Você recebe um mapa, mas a sinalização dentro do sítio é bem escassa e não tem gente dando informações. O melhor que você faz é perguntar a outros turistas sobre o sítio que quer visitar, ou se preparar antes e ir diretamente aos sítios (que são numerados e explicados num livrinho a parte que voce recebe quando compra o bilhete) que quer visitar. Senão se perde muito tempo olhando tudo ao redor, o tempo passa e você nem percebe, fora que você se perde várias vezes. É meio que um labirinto. Mas eu adorei conhecer a Pompeia, era uma viagem que estava nos meus planos há muito tempo e não tinha pretensão de realizar tão cedo. Graças a "conexão" da Bulgária até a Suíça, consegui realiza-la agora.

06 julho 2015

Pompeia

A Pompeia foi uma cidade do Império Romano, lá no sul da Itália, no primeiro século depois de Cristo. Fica a 22km de Napoles e ela é conhecida hoje por ter sido destruída pelas lavas do vulcão Vesúvio, que entrou em erupção em 79d.C., das quais cinzas e lamas que cobriram toda a cidade "protegeram" as construções e pessoas que ali se encontravam na época dos efeitos do tempo. Hoje a cidade é um sitio arqueológico extraordinário, pois a Pompeia se manteve oculta e esquecida por 1600 anos, sendo que quando foi encontrada "por acaso", estava do jeito que as lavas do vulcão a encontrou.
As cinzas e a lama da erupção do vulcão atingiu tudo que encontrou pela frente e moldou tudo que encontrou pela frente. E tudo se manteve do jeito que estava. Ainda hoje é possível ver até pinturas em paredes, os corpos das vítimas petrificados! Adultos e crianças deitados, em formas até de proteção, muito impressionante, da forma como foram atingidos pela erupção. A Pompeia é patrimonio mundial da Unesco e as escavações é o melhor destino para quem gosta de história e arqueologia.
Olhando de longe lá do alto onde paramos por alguns minutos parece um labirinto. Passamos um dia inteirinho andando por lá. Edi dormiu a maior parte do tempo no carrinho e olha, sou heroína de ter driblado os caminhos com o carrinho. Claro que minha mãe que tava com a gente ajudou muito, e não fomos em algumas ruas que pareciam muito difíceis de andar, mas foram no total 6 horas pra cima e pra baixo por ali, no que parece ser o pior lugar do mundo pra ir com carrinho. O passeio compensou as dificuldades.
O parque arqueológico da Pompeia é uma das atrações mais visitadas da Itália, recebe quase 3 milhões de turistas por ano e foi um sonho realizado pra mim ter ido lá conhecer. O trem que sai de Napoles é um trem regional lento e tem várias estações que voce pode descer com nome "Pompei". A melhor e a que descemos foi Pompei Scavi Villa Dei Misteri. Pagamos 11 euros para entrar no sitio, Edi não pagou nada. E ao entrar voce recebe um mapa de todo o parque arqueológico, com as principais atrações e o que ver em cada ponto.
O parque arqueológico é gigante, pode se preparar pra ir cedo porque se passa o dia inteiro ali fácil e nem se conhece tudo. O parque em si não é tão bem sinalizado, mas voce meio que segue os outros turistas e vai descobrindo uns resquícios de placas e informações. Gente dando informação esqueça. Preparo para cadeirante também pode esquecer.
Fomos num ritmo lento fazendo nossa andança, primeiro porque nem que eu quisesse daria pra ir rápido com o carrinho de Edi naquelas pedras, e depois pra poder ver tudo ao redor. A cada rua uma nova descoberta. Incrível imaginar que ali era uma cidade, com vida que quase que ainda pode ser vista em colunas e paredes quebradas pelos efeitos da natureza.
Na verdade ir a Pompeia empurrando o carrinho de Edi ditou nosso ritmo e procurar uma sobra pra ele era a desculpa perfeita pra encostar num canto e observar os detalhes, imaginar a surrealidade de ser engolido pelas lavas de um vulcão e quase dois mil anos depois estar ali ainda, do jeito que era.
O que mais me impressionou na Pompeia foi isso. Pisar lá aonde isso aconteceu. Ver e tocar nos restos de construções que se mantiveram de pé "graças" ao vulcão Vesúvio. E é claro o ápice do passeio foi ver os corpos petrificados lá, da maneira como foram atingidos pela erupção. Dá até pra ver um corpo adulto abraçando um corpo menor, provavelmente uma criança. Mais um pouco conseguiria ouvir seu desespero da situação na minha imaginação...
Quando estávamos mais da metade do passeio, Edi acordou e aí ele nos acompanhou nas andanças, driblando ainda o chão de pedras com suas próprias pernas. Tivemos sorte com o tempo, fazia sol e fez até calor, mas calor de primavera, agradável. Tendo rodado quase todo o parque, não precisamos sair por onde entramos, então saímos por outra entrada/saída e demos a volta por fora do parque para voltar para a estação para voltar para Napoles.
Mais um pouquinho de coragem e disposição e um pouquinho menos de calor e idade, teríamos esticado o passeio e parado em Erculano, onde também há um sitio arqueológico, menos popular que a Pompeia, e me foi bem recomendado. Ah, se o tempo desse pra fazer tudo que eu gostaria...

05 julho 2015

Napoles

Napoles fica no sul da Itália, mais ao sul de Roma, na região da Campanha. Uma das regiões com mais alta densidade populacional, a 3a maior cidade italiana depois de Roma e Milão e uma das mais pobres da Itália, Napoles é conhecida no mundo por ser a terra da Pizza!
Eu diria que Napoles poderia ser a cidade da Boemia mas tudo bem. Napoles é uma das cidades mais antigas continuamente habitada. Os gregos estiveram por ali no segundo milênio antes de Cristo. A cidade teve papel fundamental na cultura da República romana, mas foi uma das cidades mais bombardeadas na segunda guerra mundial. Grande parte da periferia de Napoles construída no século 20 foi graças ao governo fascista de Mussolini, líder do autoritarismo nacionalista na Italia.
Napoles cresceu ainda mais nos últimos anos e o nível de desemprego diminuiu, embora a cidade ainda lute contra a corrupção e a falta de trabalho. O Porto de Napoles é um dos mais importantes da Europa e o centro histórico o maior do continente, e é patrimônio cultural da Unesco, teve grande importância no Renascimento. Então já deu pra perceber o tanto que Napoles representa no mundo ne. Mas eu confesso que meu interesse em ir até lá foi despertado por assuntos relacionados a pizza e mediterraneo hehehehe...
Vejam esse céuu!!! Bom nós viajamos de trem rápido de Roma e em pouco mais de uma hora estávamos lá. Ficamos hospedadas de frente para o mar Mediterrâneo, no hotel Royal Continental, bem de frente para o Castelo do Ovo. Até o início do século 16 o Castelo do Ovo era o palácio real dos soberanos de Napoles, ele se destaca no golfo do mediterraneo as margens da cidade. O nome curioso vem de uma lenda, segundo a qual um poeta que também era considerado um mago na época, havia escondido um ovo mágico que mantinha em pé toda a estrutura da fortaleza. Quebrando-o, cairia não só o castelo, mas também uma série de catástrofes na cidade de Napoles.
A Via Partenope, onde fica o hotel que a gente tava, é a orla da cidade. Uma volta por ali revigora qualquer um. E depois de já ter rodado tanto pela Romênia, Bulgária e Roma, era tudo que precisávamos. Uma vista lindíssima e uma atmosfera mediterranea sem igual. Era fim de abril então não tinha muitos turistas, fazia sol mas não estava calor, tipo perfeito mesmo. Muito muito agradável.
Tiramos uma tarde para ir conhecer o centro histórico de Napoles com o restinho de força que nos restava hehehe. Brincadeira! Lá se vê aquelas ruazinhas perpendiculares às principais super estreitas sabe como é, típico italiano, cheio de roupas estendidas de uma parede a outra, pedindo para serem descobertas. O centro de Napoles é bem antigo mesmo e não é tão bem cuidado quanto Florença por exemplo. Tinha bastante pedinte e em algumas ruas com menos gente até me senti acuada. 
Mesmo assim o passeio por Napoles foi tranquilo. Começar e fechar o dia olhando para o Mediterraneo e encerrar a viagem assim foi fenomenal, vai ficar na lembrança. E foi de Napoles que partiu nosso último passeio nessa viagem comprida, a ida a Pompeia. Mas isso é assunto para o próximo post! Aguarde!