29 janeiro 2014

Música em suiço-alemão: Adrian Stern

Música em Alemão às vezes costuma revirar os olhos de quem não tem intimidade com o idioma. O Alemão às vezes assusta, parece rude. Música em Alemão? Combina?! Talvez o rock de Rammstein seja o que venha a sua cabeça. É, mas na Alemanha, música em Alemão mesmo é mais popular do que se pensa e vai bem mais além de Rammstein e Die Toten Hosen. Há vários grupos de grande repercussão, ainda que no Brasil não haja muito eco, exatamente por causa da barreira do idioma. Na Suiça, vixe, música em Suiço Alemão?!?!?! Deve ser pior ainda, ne?! Kkkk...

Ainda que alguns grupos daqui cantem em Inglês, como o 77 Bombay Street que comentei uma vez, ou a novinha popular entre os adolescentes Stefanie Heinzmann (jurada do The Voice of Switzerland), talvez para tentar atravessar as barreiras do dialeto e se propagar além do país dos alpes, alguns outros preferem continuar fiéis às raízes e cantar em Suiço-Alemão, como o grupo Plüsch, que já comentei aqui também, e um outro que descobri recentemente e já gosto muito: Adrian Stern!


Digo logo que já baixei o cd no itunes e as músicas que to postando aqui são umas das que mais escuto ultimamente! Não sei se é porque ele fala devagar e mesmo sendo o dialeto, eu consigo entender "Bliib mi mir" e "Wänn i a Sie dänk", ou talvez sejam os anos ouvindo Suiço Alemão fazendo efeito. Ok, o dialeto e o sotaque de Baden (de onde ele é) não é também tão horrivel como o de Berna, que não tem jeito de eu me acostumar... ainda bem que saí de lá... Seja como for, as músicas são bem legaizinhas. Fica aí o exercício pra quem tiver coragem de tentar entender. Ou senão, só curtir a melodia.



26 janeiro 2014

Da Suiça para a França de trem

Viajar de trem pela Europa é uma maravilha. Quando na Suiça, é sinônimo de pontualidade, segurança e normalmente tranquilidade. É verdade que nos últimos tempos os trens têm andado beeem lotados, e a tranquilidade fica um pouco comprometida, mas quando a Suiça é só mais um país no seu roteiro, geralmente os trens internacionais são menos lotados que o inter-cidades. Ou não. Em época de férias e verão, pode acontecer aliás exatamente o contrário. Mas como isso nunca foi impedimento pra ninguém, vamos ao que interessa.
Já fui várias vezes daqui pra França de trem. Pra Paris várias vezes, pra Nice na viagem pela Côte d'azur,  Dijon, Montpellier, Lourdes e há algumas semanas, para Colmar. Aliás, a França, mais que a Itália e a Alemanha, é o país vizinho que eu mais exploro por aqui. Então acho que já dá pra escrever sobre o assunto. Nem sempre a viagem foi a mesma coisa, nem o mesmo trem, mas todas as vezes fui com o mesmo intuito: passeio. Também já parti de diferentes cidades: daqui de Zurich, de Berna, de Genebra e de Basel.
Aqui no blog já tem vários posts sobre viagem de trem. Escrevi um post sobre como ir da Suiça para a Itália, entrando por Milão, de trem, um já há vários anos sobre viajar de trem pela França, e até um sobre viajar pela Côte d'azur de trem, e um sobre viajar de trem pela Suiça, mas da Suiça para a França é a primeira vez. Aliás, tá bom de fazer uma tag "viagem de trem", vou fazer uma... rs.
Então, como é, como funciona atravessar a fronteira Suiça/França de trem? Bom, na verdade, pra quem mora aqui na Suiça, os bilhetes podem ser comprados diretamente no site da SBB, a companhia suíça ferroviária ou nos guichês das estações, e não tem muito mistério não. A companhia ferroviária francesa também tem horários e compra de bilhetes online, e a única coisa que às vezes é preciso um pouco mais de atenção, são as reservas obrigatórias em alguns trens.
Dependendo do trem que voce for viajar, é preciso ter reserva de assento antecipada, mas normalmente quando voce compra o bilhete e tem dizendo qual trem que voce vai viajar, seja no site ou no guichê, já pode fazer a reserva lá mesmo. Aqui na Suiça, é normal comprar bilhete ou pagar algum extra como troca de 2a pra 1a classe dentro do próprio trem já andando. Nos trens internacionais isso não é recomendado. A começar porque geralmente esses trens pedem reserva por um motivo, e adquirir bilhete quando o controle vier pedir seu bilhete na hora provavelmente bagunça o sistema deles. Isso gera em um custo. Sim, voce terá que pagar um valor bem maior do que o preço normal, fora a reserva de assento.
Ainda na Suiça, antes de partir na estação, os trens que partem da fronteira e vão direto para a França, como de Basel ou de Genebra, as plataformas são separadas das demais (ou seja, dos trens inter-cidades), e para chegar à plataforma, voce passa por um ponto "oficial" de cruzamento de fronteira, como esse aí da foto. Normalmente ali ainda não precisa mostrar passaporte nem nada. Para agilizar o serviço, essa verificação de passaporte é feita dentro do trem pela polícia federal francesa.
Quando fomos a Colmar, partimos de Basel direto para Colmar, e quando chegamos lá, estava subindo a polícia pra pedir controle de passaporte, ou seja, nem precisamos mostrar porque já descemos lá mesmo. O trem continuaria até Strassburg, então quem tava no trem teve que passar pelo controle.
O controle de bilhetes é separado do controle de passaporte. O cara que checa o seu bilhete trabalha pra companhia ferroviária e não tá nem aí pro seu passaporte. Já a policia quando chega pra controlar seu passaporte, por outro lado, não liga pro seu bilhete, só quer saber se voce tem o passaporte válido e visto, etc.
Não existe trem de alta velocidade na Suiça. Os trens que não são pinga pinga demais são os mais rápidos somente pelo fato de não fazer tantas paradas, são os inter-cidades (IC). Os inter-regionais (IR) por exemplo são os pinga-pinga. Esses trens não cruzam a fronteira da Suiça. O trem que vai pra França partindo da Suiça são da companhia francesa, e na França existe trem de alta velocidade, o TGV. Viajar de TGV é uma maravilha, mas custam mais também. São geralmente os trens que partem daqui pra Paris. De Zurich a Paris leva apenas 4 horas com o TGV, sem paradas, isto é, sem precisar trocar de trem. O trem tem paradas intermediárias em Basel, Mulhouse e Dijon apenas.
Lembro quando fui com Juca para Dijon, viajamos de 1a classe pra evitar a lotação da 2a classe, e mesmo na 1a classe, os trens, mesmo os TGV, não são lá tão impecáveis, como na Suiça. Há bastante poeira, sujeira, muitas vezes os trens franceses são pixados e a diferença no serviço também é notável. É aí que voce percebe que tudo na Suiça funciona muuuuito direitinho mesmo.
Mesmo assim, seja tambem qual for o motivo, viajar da Suiça para a França de trem é sempre muito agradável e ainda muito confortável, eu adoro. Vale lembrar também que quem não mora aqui, existem vários tipos de passes e combinações de bilhete entre países, como falei no post sobre andar de trem pela França, mas mais detalhes sobre isso voce pode achar na página do RailEurope, o maior portal sobre viagens de trem pela Europa e passes, etc.

24 janeiro 2014

Colmar

A região de Alsácia no nordeste da França faz fronteira com a Alemanha e a Suíça. A capital é Strassburg, que aliás já fui há anos atrás com o Eric inclusive, e não escrevi nem um post aqui no blog! Colmar é a terceira maior cidade da região de Alsácia e fica a 2 horas de trem de Zurique.
Não é sensacional morar na Europa e poder em um dia fazer um passeio bate e volta até outro país e conhecer uma cidadezinha como Colmar? Foi nesse espírito que meu dia de folga na sexta-feira se tornou um dia de aventuras com uma amiga e sua bebe apenas um mês e meio mais nova que Edi, quando fomos passar o dia na França.
Eu já passei por muita cidade nesse mundão, e na Alemanha mesmo onde vivi em 2004, vi bastante dessas casinhas de madeira que parece cenário de filme, mas Colmar me surpreendeu e muito! Além de ter sim essas casinhas que parecem de chocolate, Colmar literalmente parece ter saído de um livro de conto de fadas, ou ser de fato cidade cinematográfica.
É tudo tão bonitinho, harmonioso, tranquilo e fofo que dá vontade de tirar foto de todos os ângulos que voce bate os olhos. É França, mas parece um pouco Alemanha, mas todo mundo fala Francês, mas um pouco de Alemão. O humor das pessoas é típico de cidadezinha de interior, simpáticos e pacientes, mas ao mesmo tempo, direto ao ponto e ainda assim amigáveis.
Colmar foi fundada no século 9 e passou pela mão de vários imperadores até o século 16, quando caiu na mão do exército sueco, que a dominou por dois anos. A cidade foi conquistada de volta pelos franceses sob o comando de Luís 14, mas incorporada à Alemanha, a então chamada província "Alsace-Lorraine" em 1871. Foi a última cidade francesa a ser liberada da ocupação alemã, em 1945, depois de muita resistência.

Nossa ida a Colmar começou cedo. De Zurique ou de Berna, o trem vai 1 hora até Basel, onde trocamos pelo trem já da companhia francesa, e mais 1 hora de viagem até Colmar. Apesar de a previsão dizer que ia estar nublado e talvez chovesse, tava sol, mas muito frio.
Começamos então a andança com os dois pimpolhinhos bem agasalhados saindo da estação e indo em direção a cidade antiga, pra conferir mesmo a fama de "Petite Venise", ou a pequena Veneza. Esse apelido é por causa dos vários canais do rio Lauch que cortam a cidade. Passamos pelo grande parque Champ de Mars que ainda estava com decoração de Natal e árvores pintadas de branco, e aí chegamos a cidade antiga.
Que sonho! As construções seculares e homogênea de Colmar refletem mesmo séculos de arquitetura francesa e alemã. Mas o mais impressionante é como ali os dois estilos batem tão perfeitamente e caracterizam tão bem a cultura local.
Eu estou muito satisfeita morando em Zurique, e acho que vai demorar um pouco até eu morar novamente numa cidade pequena, mas eu moraria em Colmar. Com menos de 70 mil habitantes, o turismo é uma grande fatia da economia da região. Olha, acho que Colmar é a cidade mais pitoresca que já visitei. Passar uma noite ali e acordar no meio de casinhas que parecem de brinquedo deve ser mesmo um pouco surreal.
Andar por Colmar é super agradável. Rodamos o dia inteiro, passamos por igrejas, praças, becos e ruas minúsculas, cafes e restaurantes, e não consigo pensar em nada que não tenha me agradado. Ok, um restaurante que entramos e não tinha espaço pra dois carrinhos, but oh well. Até as crianças se comportaram mega cool (como dizem os suiços) e não deram trabalho nenhum. Comeram na hora que paramos pra almoçar, tomaram leite numa paradinha num banco da praça, dormiram que só, olhe, estão de parabéns esses dois.
A volta foi um pouco aventura demais, pois quando chegamos na estação pra pegar o trem de volta até Basel, o trem que era pra ter passado há 2 horas, ainda não tinha chegado. Bateu aquele desespero, não por mim, mas pelas crianças, de não saber o que ia acontecer e como seria nós duas com esses dois sem conseguir voltar pra Suiça?!
Uma coisa é aventura só a gente adulta e tal, levar tudo na esportiva e dar risada dos perrengues, outra coisa é estar com um bebe contigo e começar a pensar se há leite suficiente, roupa, fralda, caso tivéssemos que dormir por lá. Mas calma, não foi pra tanto. É que, ne, a mente modo "mãe" já começa a se ativar sozinha nessas horas. O trem chegou, estava lotado ok, mas entramos na 1a classe que não estava tão lotada assim, só que ao invés de parar em Basel e eu poder trocar de trem e ir pra Zurique, esse trem parou em Mulhouse, ainda na França, e todos os trens para Basel estavam atrasados sem previsão de chegada... oh, ceus.... A gente acostumada ao sistema suiço que é super pontual e não há situações como essas, chega perde as estribeiras.

Por sorte dos céus, apareceu no visorzinho um trem Mulhouse-Zurique direto, sem atrasos, e aí todos os meus problemas acabaram. Viemos até Zurique tranquilas e apesar de o dia ter sido longo e movimentadíssimo, valeu a pena demais e Edi também adorou, porque dormiu feito um anjo.

20 janeiro 2014

Preços e custo de vida na Suiça

Muito já se falou e escreveu sobre preços altos e custo de vida altíssimo na Suiça. Nao eu. Eu só escrevi assim solto por aí em alguns posts que sim, é caro, sim, o custo de vida é alto. Mas um post só sobre isso é a primeira vez. Primeiro porque ok isso é fato, mas daí a refletir e pensar sobre as causas, a realidade e separar tim tim por tim tim as ideias e estar apta a concluir alguma coisa daí é possível fazer principalmente através da experiëncia depois de tanto morando por aqui, mas também do convívio com outras pessoas e poder analisar nao só a sua realidade mas sim fora da sua zona de conforto, etc.

Pra começar, é, o custo de vida é alto, as coisas custam caro, mas em compensaçao, ganha-se bem na Suiça. Digamos que qualquer trabalho dá condiçoes de vida justa pra pessoa viver aqui. Mesmo um trabalho nao tanto qualificado, ninguém morre de fome. Longe disso. Bom, tem também o lado super importante da ajuda do governo em várias situaçoes, mas isso aí já é assunto pra outro post.

Todo ano sai o ranking de melhores cidades para se morar e cidades mais caras do mundo, nos quais, a Suiça sempre tem participaçao nos primeiros lugares. Zurique já foi escolhida diversas vezes como a melhor cidade pra se morar, mas também a cidade mais cara do mundo! Li uma vez que quem mora em Zurique paga 20% a mais por produtos e serviços do que em qualquer outra cidade europeia. Fora o índice Big Mac, onde seguindo o estudo da The Economist comparando o preço do mesmo sanduiche no McDonalds pelo mundo, o franco suiço é 62% super avaliado e um suiço paga 6x mais que o valor nos EUA. Entao afinal, como é isso?
Zurique
Bom, em média, a renda mensal de uma casa fica em torno de 6 a 7 mil francos. Daí, tiram-se os descontos, impostos e sobra-se mais ou menos 70% disso. Em média, gente! Pode ser um pouco mais, um pouco menos, também depende se há 2, 3 pessoas na casa e se todos trabalham. Mas trabalhando-se 100%, isto é, 40 horas por semana, seja qual for o trabalho, acho difícil alguem ganhar menos de 2500 francos por mes, que dá mais ou menos 1600 euros, ou 6500 reais. Mesmo com os descontos, o poder aquisitivo é alto e dá condiçoes de uma casa se sustentar e poder bancar uma vida confortável de consumo.

Nos gastos, a começar que (quase) tudo é privado e voce tem que pagar (caro) por plano de saúde, transporte e imposto pra tudo. Por outro lado, voce paga uma vez e vê resultados. Tem que considerar tambem que a educaçao nao é necessariamente de graça, ha taxas nas instituiçoes públicas e mesmo as privadas ou nao têm reputaçoes invejáveis. Afinal, quem nunca ouviu "estudar na Suiça" como uma coisa altamente conceituada? Isso resulta em qualidade de vida. Lindo na teoria, mas e na prática, como é? Quanto custa um plano de saúde e quanto custa o aluguel, e um café, um almoço no dia a dia na rua, quanto custa a feira do mercado e quanto custa cortar o cabelo?

Cansei de receber email no blog perguntando "quanto eu preciso ganhar por mês pra viver aí?". Po, isso aí depende ne. Depende do estilo de vida de cada um, claro. Mas nao custa refletir um pouco e passar as ideias e fatos com mais clareza pra que até voce aí lendo possa pensar por si próprio, sem precisar que eu diga "7 mil francos!" e voce ficar com a pulga atrás da orelha se ganhar 6500, por exemplo.

Eu depois que virei mäe e chefe de família to vendo que muita coisa é relativa e é muito possível se reorganizar, priorizar os gastos de acordo com as necessidades, e mesmo assim, dá pra viver bem. A Suiça é cara e muita gente que mora aqui vai a países vizinhos fazer compras e serviços. Injustiça pra quem mora no centro, mais longe das fronteiras. Mas pra quem mora na fronteira com a Alemanha, com a França e com a Itália, por que não um pulinho pra cortar o cabelo, ir ao dentista ou ir ao shopping? É muito mais barato! Mas mesmo assim, eu tenho convicçao que ninguém precisa passar por necessidade morando aqui, com as condiçoes que o país oferece. É tudo uma questao de prioridade e organizaçao.

Claro que muita coisa depende sim do seu trabalho, profissao, salário, etc. Mas mesmo o cara que trabalha no Coop carregando mercadorias as plateleiras e tem pouca educaçao (educaçao de estudo, e nao má educaçao) pode tirar férias e ir esquiar nos alpes na Áustria, no mesmo lugar que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, por exemplo. Ok que eles nao devem ficar hospedados no mesmo resort, mas tudo bem. Quero dizer que ainda assim, pode sobrar uma graninha no fim do mês pro lazer.

Gastos constantes e periódicos nao tem como correr. A nao ser que voce desista de ter televisao em casa pra nao pagar imposto nem a mensalidade da TV a cabo, voce vai pagar a mesma coisa todo mês por ela. Assim como o plano de saúde, a conta de energia (que pode ser de 2 em 2 ou de 3 em 3 ou a cada 6 meses), a conta do celular, do telefone fixo, da internet (que normalmente é uma só, dependendo do plano), o abonamento do transporte ou a gasolina, o aluguel, etc. Esses sao os básicos ne. Fora cartao de crédito, feira de mercado, avulsos, alimentaçao na rua, e agora, gastos com bebê.
Eu e Edi com 4 meses
O bom aqui na Suiça é que normalmente há opçoes. Por exemplo, a Swisscom é a maior empresa de Telecom da Suiça. Nela, voce pode ter telefone fixo, celular, internet e tv. E ai fazer um combo pra baratear. Mas se ainda assim for caro pra voce, porque sim, ela nao é barata, há outras opçoes mais em conta como a Orange, Sunrise, Cablecom, e outras ainda menores e mais baratas como Migros Budget, Yallo, Green, etc.

Eu instalei um aplicativo no celular e fiz o teste por um mës do quanto eu gasto em coisas aleatórias, fora contas normais. Fiquei assustada no final do mës quando vi quase mil francos só de Starbucks, almoço e coisinhas ali e aqui. Starbucks é um bom exemplo. Quase todo dia eu saio de casa em jejum, deixo Edi na creche e vou pro trabalho. Tomo café na rua. Entre um önibus e um tram que tenho que pegar, tem um Starbucks bem na frente da estaçao, entao vou lá, compro meu café, 2 croissants e vou tomando café no tram pro trabalho. Esse café médio e 2 croissants custam CHF 10.40. Considerando (neste post) que o franco suiço hoje esteja sendo cotado a 2,60 reais, sao mais de 20 reais por dia, só de café da manha. Ok, eu podia tomar café num cafe menos internacional e pagar talvez uns 6 francos, mas eu prefiro Starbucks e o preço é esse.
Serviços sempre sao absurdamente caros aqui. Por isso mesmo que muita gente prefere ou fazer por si próprio ou chamar os amigos pra ajudar. Comentei isso no post sobre mudança dentro da Suiça. Se voce for fazer por si, basta alugar um carro grande e voce mesmo embalar e carregar as coisas. Se contratar alguém, nao vai sair menos de 1000 francos, isso se o seu apartamento for pequeno e voce nao tiver muita coisa como eu pra embalar e carregar. E claro, depende de onde pra onde tambem. Mas continuando sobre serviços, coisas do dia a dia como fazer a unha e faxina em casa, se for terceirizar, pode estar disposto a abrir o bolso. Aqui em Zurique nao é até tao caro como em algumas cidades da Suiça, acho que pela concorrência, mas ainda assim é caro. 80 francos pra fazer pé e mao, que tal? Sem tirar cuticula. 100 francos em média pra cortar o cabelo. E 30 francos por hora por uma faxina na sua casa? Assim fica difícil ter empregada... Quase ninguém tem empregada aqui. Todos fazem os próprios serviços de casa sozinhos mesmo.

Almoçar fora é caro mesmo. É uma das coisas que mais me dói no bolso porque tem dias que posso até me virar com um sanduiche na frente do laptop, mas em outros eu simplesmente tenho que ir almoçar fora. E aí, desembolso mais ou menos 20 francos quase todo dia... Já as feiras de mercado. Ah, essas eu me divirto. Depois que encontrei o Coop@home, onde faço as compras online, escolho o que quero e entregam em casa no horário que eu escolher, minha vida ficou bem mais fácil. Claro, vez ou outra, corro no Migros perto da minha casa pra comprar uma coisinha ou outra que tá faltando. Mas seja de um jeito ou de outro, o preço das coisas é basicamente o mesmo: BEM CARO! A começar que as frutas sao quase todas importadas, e mamao e banana sao frutas exóticas e vem de longe, o preço é caro mesmo. Aqui em baixo algumas fotos e preços de produtos básicos (pipoca pra mim é básico, ok?!) e os preços. Lembrando que a cotação é a de ontem (19.01.2014) do site do Banco Central, onde:
1 franco suíço (CHF) = 2.60 reais (R$)

6 Maças = CHF 2.85 = quase 8 reais

1kg de batatas = CHF 3.30 = quase 9 reais

700g de peito de frango = CHF 9.90 (PROMOÇÃO!!!) = 25 reais

500g carne moída de boi = CHF 11.05 = quase 30 reais

200g fígado de bezerro = CHF 7.95 = 20 reais

Pacote de macarrão (750g) = CHf 2.25 = quase 6 reais

1kg de arroz parbolizado = CHF 4.30 = 11 reais

Pipoca de microondas com 3 saquinhos = CHF 4 = 10 reais

Sobremesa para bebês sabor pêssego e pêra com 6 potinhos (tipo Danoninho) = CHF 4.20 = 11 reais

Caixa de molho de tomate 500g = CHF 1.80 = quase 5 reais

1kg de açucar = CHF 1.25 = 3 reais

1kg de cenoura = CHF 2.70 = 7 reais

1,5l de leite = CHF 2.40 = 6 reais

6 ovos = CHF 3.95 = 10 reais

Pacote de salada (alface e cenoura) 250g = CHF 3.20 = 8 reais

Tortelloni com recheio de carne moída 250g = CHF 4.30 = 11 reais

Manteiga 250g = CHF 3.65 = 10 reais

Queijo Sbrinz (meu favorito!!!) 200g = CHF 4.50 = 11 reais

Barra de chocolate Lindt 100g = CHF 1.95 = 5 reais

É, a barra de Lindt por 5 reais tá de graça. No Brasil, custa os olhos da cara. Mas esse valor em reais é só pra se ter uma noção dos valores. Os produtos foram comprados por mim no Coop e Migros, os principais mercados da Suiça. Como aqui nao existe salário mínimo, também nao existe cesta básica, e voce deve saber o que é necessário para seu consumo. A Suiça ao todo é bem individualista, mas isso é um assunto para refletir em outro post.

Aluguéis sao também bem salgados. Zurique e Genebra sao as cidades com aluguel mais alto no país. E quanto mais próximo do centro da cidade, mais alto o preço e mais alta a concorrencia. É possível sim morar num apartamento de 2 quartos e varanda por 1600 francos, mas nao em Zurique centro. Talvez nos arredores de Zurique, a mais ou menos 20 minutos de trem da cidade. Um apartamento de 2 quartos no centro nao sai por menos que 3 mil francos por mês. É caro a beça!
Na minha opiniao, o importante é balancear e, de novo como falei no início, priorizar o que é mais valioso pra voce. No meu caso, como tenho que dar conta de muita coisa em pouco espaço de tempo, é imprescindível morar no centro, entao eu pago um aluguel alto. Dá as vezes uma sensaçao de desperdício de dinheiro sim, mas no momento nao há como ser diferente, porque a praticidade de morar perto de uma estação central de vários trams e ônibus, de tudo, da creche do Edi, do trabalho, do mercado, de tudo que eu preciso, me evita outros problemas que teria se morasse longe pagando menos aluguel. Por outro lado, não tem muita "natureza" perto de onde eu moro, diferente de como era em Berna que tinha bastante verde, árvore, parques. Aqui é mais prédio e prédio até chegar no parque mais próximo. Nem tudo é perfeito.

Como minha empresa me dá o GA, o abonamento geral de trem da SBB, que dá o direito de andar de qualquer transporte na Suiça inteira, eu economizo bastante nessa área, senao o gasto seria alto. O GA 2a classe custa mais de 3 mil francos por ano. E desse jeito tambem nao preciso de carro e nao me estresso com transito, os transportes estao sempre na hora e economizo na gasolina também. E de quebra, viajo pela Suiça de trem "de graça".
Contas mensais que mencionei acima precisam de uma reserva gorda no seu orçamento. Claro, as contas dependem de suas escolhas e suas necessidades. Eu escolhi a Swisscom pra telecom primeiro porque trabalhei lá e tinha desconto e na minha opiniao, é a melhor da Suiça. Tenho o combo de TV, internet, telefone fixo e telefone celular e pago 250 francos mensais pelo básico que inclui ligaçoes locais, sms, canais básicos e internet 30Mbit/s, o que pra mim tá de bom tamanho. Dos 400 canais, assisto pouquíssimos, e ainda pago 35 francos a parte APENAS pela Globo Internacional. E ainda tenho telefone fixo pra falar com minha família, pois o Skype nem sempre funciona direito com a beleza de conexao lá do Brasil. E de ligaçoes internacionais, conto com o Budgettarife, onde voce pode ligar pra qualquer país pagando bem menos. Pro Brasil, custa 4 centavos o minuto para telefone fixo e 10 centavos o minuto para telefone celular. Entao dá pra falar sem contar os minutos.

Plano de saúde na Suiça é obrigatório e é privado sempre. E nao é barato. Há diversas seguradoras e enquanto voce pode decidir o tipo, a franquia onde quanto mais alta, menor o valor que voce paga por mes, normalmente nao sai por menos de 200 francos por mes. Mas lembre-se que se voce paga pouco por mes porque tem uma franquia alta, se precisar usar o plano, vai precisar pagar todos os gastos até atingir o valor da franquia. Por exemplo, se voce paga 200 francos e sua franquia é 800 francos. Voce paga 200 francos por mes, e quando precisar fazer um tratamento por exemplo que necessite várias consultas, exames, etc., vai pagar por todas elas até atingir os 800 francos da franquia, e só depois daí, o tratamento está incluso no valor de 200 francos que voce já paga por mes. Na minha opiniao nao vale muito a pena porque voce nunca sabe quando vai precisar. Acho melhor pagar um pouco mais por mes e ter uma franquia baixa e quando precisar usar, nao precisar pagar muito pelo tratamento ou consultas, etc. Isso pra mim é liçao aprendida. Imagina como teria sido minha vida se tivesse uma franquia alta quando fiquei grávida? Com a tonelada de exames e consultas que fiz na gravidez, teria gasto uma fortuna. (Mais detalhes sobre gravidez na Suiça neste post.). Isso sem falar em dentista, seguro de vida e outras opçoes que sao tudo a parte.

Além de tudo isso, é sempre bom ter uma reserva porque de vez em quando aparecem umas surpresas, como a que aconteceu comigo este mes. Recebi uma continha de 500 francos por taxas de serviços feitos no meu prédio. Elevador, limpeza, aquecimento extra que usei, água do prédio, etc. Com essa eu nao contava...

Mas também, se por um lado, há tanta coisa cara e o custo de vida é alto, nem tudo é ruim. Em compras como roupas e eletronicos, que no Brasil custa caríssimo, aqui dá pra ter quase tudo do bom e do melhor sem ter gastos exorbitantes e tornar sua vida mais prática e confortável. Isso é muito importante. Enquanto por exemplo no Brasil só gente rica tem iPhone e brinquedos da Fisher Price, aqui qualquer um, nao importa a profissao e o status, pode ter tambem. Em épocas de promoçao, um casaco de frio que normalmente já nem custa tao caro assim, como esse da foto, sai por 20 francos! E isso é em todas as lojas. Isso eu gosto muito. Porque diminui a diferença de classes sociais, diminui o olho grande, a inveja e a impressao de status.
Eu, por exemplo, uma simples Informatikarin, isto é, engenheira da computaçao, que se estivesse no Brasil talvez tivesse lá ganhando meus 5000 reais por mes, aqui posso bancar meu apartamento com tudo dentro, pago minhas contas, sustento a maior parte das despesas do meu filho, e ainda posso dar umas voltinhas pelo mundo. Aqui ainda tenho segurança, justiça, educaçao, aprendizados. É bem verdade que nem tudo sao flores, mas por enquanto ainda vale a pena continuar aqui. Por tudo isso que pra mim, isto é qualidade de vida. Gosto das coisas justas e nao me arrependo de ter vindo, nem de ter ficado e estar aqui até hoje.

A Suiça tem sim um custo de vida altíssimo, mas, de novo, dá condiçoes de que trabalha aqui viver bem assim. Acho que é um país justo e bem organizado. Exagerado em algumas coisas, é verdade, mas minhas reflexoes neste assunto já sao assuntos pra outro post.