28 fevereiro 2015

Novo blog!

Calma! Esse blog aqui não vai acabar. Mas criei um novo para concentrar os posts informáticos, como já havia comentado na página do blog no Facebook: my public void.

Muito ponderei, mas foi mais forte que eu. É verdade, dar conta de um blog já é difícil, ainda mais de dois. Mas não há promessas nem prazos para escrever lá nem cá. É apenas para não misturar muitos os assuntos e perder o foco. Lá pretendo focar em assuntos da minha área, técnicos ou não, quando aqui o assunto é mais geral. E também como há sempre cada vez mais perguntas sobre o assunto "trabalho" por aqui, alguns posts mais generalizados lá podem até alcançar quem não é da área.

Escrevi o primeiro post há mais de uma semana e tava lá esquecido:

http://mypublicvoid.blogspot.ch/

Será que vai colar?
Veremos.

27 fevereiro 2015

Zurich - Cafe Odeon

Tem vários posts no rascunho de lugares e coisas em Zurique, de quando eu ainda morava lá. Então vou tentar fazer uma força aqui para publica-los antes que fiquem desatualizados.

Aliás, esse post é um que certamente não ficaria desatualizado com o tempo. O Cafe Odeon em Zurique é um lugar histórico. Em Julho de 1911 o Cafe abriu suas portas e desde então virou referência e ponto de encontro para discussões políticas, movimentos artísticos. Pessoas de reputação conhecida e intelectuais passaram a frequentar o Cafe durante sua estadia na cidade.

O lugar ficou famoso e fez história atraindo cada vez mais gente. Zurique sempre foi a maior e mais movimentada cidade da Suíça e sempre atraiu espetáculos artísticos e mentes brilhantes. Grupos de boêmios, escritores exilados, poetas, músicos, escultores, artistas de forma geral, além de cientistas como Einstein e políticos como Lenin e Mussolini costumavam se reunir e encontrar uma segunda casa no Cafe Odeon.

Veja aqui a história completa do Cafe Odeon.
O bar é legendário e até hoje é ponto de interesse turístico e atrai visitantes de quem está passagem por Zurique. O cafe/bar/restaurante fica em Bellevue, uma praça super central, conhecida e movimentada de Zurique, próximo ao Cafe Felix por exemplo, outro Cafe conhecido, mas outro estilo. Se você estiver andando por Zurique, vindo pela Limmatquai que é passeio obrigatório quando em Zurich, quando chegar em Bellevue pode conhecer os dois cafes.
Prepare-se para encontrar um estilo único da Belle Epoque no Cafe Odeon, meio nostálgico, meio vintage mas super bem cuidado, bem frequentado e com uma nobre qualidade de serviço. Além de servir cafes claro, o Cafe oferece almoços rápidos, sanduiches, saladas e ao contrário do que parece, é até accessível, financeiramente falando.
Sem dúvida vale a parada.

Cafe Odeon
http://www.odeon.ch/
Limmatquai 2
8001 Zürich

22 fevereiro 2015

Vantagens e desvantagens de ser uma mãe que trabalha na Suíça

Já fazia um tempo que eu queria escrever um post sobre esse assunto. Não é tão simples porque não é "apenas" sobre o meu caso, mas o meu caso abrange muita coisa, as leis da Suíça, os impactos na vida de uma mulher que trabalha, principalmente no meu caso, sendo apenas eu e Edi numa família, e aí já entra minha vida pessoal, enfim. Seria mais um post polêmico no qual eu provavelmente vou criticar o sistema de alguma forma, mas pretendo citar as vantagens também.

Porque nunca é só desvantagem, não é mesmo. Se fosse eu não estaria aqui mais. E ainda estou. Então vamos lá. Bom, sempre sai notícias nos jornais e revistas sobre medidas e propostas para mudar o sistema atual na Suiça, onde uma mulher trabalhar depois que é mãe tem muitas - eu disse MUITAS - desvantagens, e isso é fato, todos concordam. Desde que me tornei mãe, há precisamente 1 ano e 10 meses atrás (ou talvez desde que fiquei grávida) e só parei de trabalhar durante a licença maternidade e férias acumuladas que tirei depois que Edi nasceu, que passei a prestar atenção nessas notícias.

A começar pelos custos de serviços para cuidar da criança durante o dia, enquanto você trabalha. Creche, Tagesmutter, babá, serviços em geral na Suíça são caros e são cobrados por hora, ou por dia. Os preços variam um pouco de cidade a cidade, mas só pra voce ter uma ideia, deixar seu filho ou filha um dia numa creche custa de 120 a 170 francos suíços por dia (leia esse post sobre Creche em Zurique). Agora multiplique isso por 5 e veja quando custa uma semana numa creche = 600 a 850 francos por semana! Por mês 2640 a 3740 francos por mês! É preciso ter um ótimo salário para se dar ao luxo de deixar seu filho numa creche por esse valor.

Existem outros que eu vou falar mais na frente, mas esse é o principal motivo pelo qual as mães deixam de trabalhar por alguns anos, até a criança atingir a idade de ir pro jardim da infância, que é de graça aqui na Suiça. As que têm opção de simplesmente não querer se desdobrar pra dar conta das duas vidas tão diferentes, independente do dinheiro já estão um nível acima dessa discussão toda. Já as desvantagens de ter um buraco no curriculo porque deixou de trabalhar para cuidar da criança em casa é outra discussão, porque pra isso ninguém tem medidas ne, tem que encarar. Bem, muitas vezes o valor a pagar pela creche é quase o valor do salário da mulher, pois aqui na Suiça em comparação com a Europa, é abaixo da média o número de mulheres que ganha salários família, ou seja, o suficiente para sustentar (sozinha) uma família inteira. Isso tem a ver com o cargo e o tipo de trabalho que fazem. É natural. Uma coisa implica na outra, veja bem. Já por saber que o sistema funciona dessa forma, a motivação e o incentivo a fazer cursos mais técnicos ou seguir carreiras que exijam muita dedicação para atingir um nível mais alto de sucesso e remuneração é muito baixo por aqui.

Conciliar carreira e maternidade pode ser uma preocupação da mulher desde cedo, mesmo quando ainda
esteja refletindo qual profissão seguir. Muitas vezes carreiras que possibilitem carga horária reduzida ou uma maior flexibilidade de horários e carga de trabalho são preferidas, exatamente para ajudar lá na frente, quando a maternidade chegar, eventualmente. Daí cai o número de mulheres em cargos altos das empresas, liderando times e se destacando no mercado, pois obviamente o sucesso e o reconhecimento vêm com muita dedicação e muitas horas de trabalho.

Uma criança normalmente é prioridade na vida de uma mulher. É inevitável, não dá pra ser uma full time mum e uma profissional fazendo horas extras ao mesmo tempo. É logisticamente impossível, não há horas suficientes em um dia. A sanidade é outro ponto, mas vou relevar isso nesse texto. Eventualmente vai ser preciso tirar um pouco de um para por no outro e vice-versa. Encontrar esse equilíbrio é a grande questão de um milhão de dólares. Quem não quer conseguir fazer os dois, não é mesmo?

Seja qual for a sua profissão, você dedicou algumas horas e algum esforço para chegar onde chegou. De repente se doar totalmente aos cuidados do seu filho ou filha e deixar de lado tudo o que fez você chegar até onde chegou é uma decisão difícil. Aqui na Suiça, além de todos esses porems que são comuns a todas não importa o lugar onde você more, o fator financeiro pesa muito, muito mesmo. Além do caso das creches e serviços de babá (aliás aqui raramente alguém tem babá) a lei dos impostos é outro porém decisivo pois quando um casal é casado, os impostos são cobrados sobre o rendimento total da família, isto é, a tributação da segunda renda (normalmente a da mulher) é feito à taxa marginal da renda maior (normalmente do homem), então as desvantagens são grandes para a mulher. Daí surgem várias discussões e propostas para que isso mude para liquidação do imposto de renda individual dos cônjuges, mas por enquanto a realidade é essa mesmo.

Então ao invés de a mulher continuar trabalhando para - teoricamente - pagar a creche do filho, ela simplesmente pára e fica em casa tomando conta do filho para economizar e é claro, cuidar do filho de fato, enquanto o homem continua trabalhando para sustentar a casa. E depois pra voltar a trabalhar hein?!

Tudo isso gera consequências estrondosas para a Suíça, como por exemplo, diferenças grotescas entre salários e oportunidade homem x mulher, o que pra mim em pleno ano 2015 é inaceitável, embora no geral a maioria da população suíça está satisfeita com as suas vidas. É fato, a política e as leis na Suíça são meio machistas e retrógradas, ora veja, as mulheres aqui só adquiriram o direito de votar em 1971! 44 anos atrás!

Tem muita coisa mudando ainda mas em geral o incentivo para a continuidade no trabalho depois da maternidade para a mulher é muito muito baixa. Nesse sentido os suíços ainda são muito conservadores. A licença maternidade na Suíça paga é de 16 semanas apenas, e você só recebe 80% do seu salário. Quem trabalha em trabalho pesado tem que parar de trabalhar bem antes do bebe nascer e começar a contar a licença pra ficar em casa esperando chegar a hora, ou seja, se ela não puder se dar ao luxo de ficar meses sem receber salário, terá que voltar a trabalhar com o bebe tendo por volta de 3 meses.

Sério gente. Eu que já vivi isso sei bem como não é legal, onde já se viu, um país desenvolvido como a Suíça fazer as mulheres voltarem a trabalhar com o corpo ainda se recuperando do parto, amamentando... não dá, sabe. Em pensar que em países como Suécia e Noruega a licença é de 1, 2 anos remunerada. Enfim, mas o post não é sobre isso exatamente. O fato é que a Suíça não é um país que incentiva o aumento da taxa de natalidade, muito menos que dá condições de uma mulher ser mãe E trabalhar.
Fonte: Gender Equality and Employment - Polices and Practices in Switzerland and the US.

Por aqui 72% das mulheres da população suíça trabalha, mas não tempo integral. Enquanto 85% dos homens trabalham e trabalham tempo integral (veja mais dados aqui). Resumindo o que eu disse acima: a política suíça não é family-friendly. Não mesmo. Eu mesma trabalho 80%, isto é, 4 dias na semana, 32 horas por semana. Poderia escolher trabalhar menos horas por dia e trabalhar os 5 dias ou tirar um dia livre, escolhi tirar a sexta-feira livre e tenho sempre um fim de semana prolongado, o que me dá a chance de ficar mais tempo com Edi. Acho importantíssimo que ele vá a creche e tenha contato com outras crianças, e acho que trabalhar 4 dias e "descansar" 3 dias é um bom balanço, tanto pra mim quanto pra ele.

O fato de existir essa flexibilidade de não trabalhar tempo integral aqui na Suíça é sensacional. Podia ser pior. Porém não é toda empresa que apoia nem oferece essa flexibilidade, aliás, foi uma das minhas maiores dificuldades quando troquei de emprego no ano passado. Principalmente na área de TI onde o ritmo é tão intenso e o trabalho tão dinâmico, encontrar um emprego que não se trabalhe tempo integral é bem difícil. Sendo você mulher então o buraco é ainda mais embaixo.

A área de TI é dominada por homens e por isso mesmo, algumas - eu disse ALGUMAS - empresas suíças estão tentando implementar regras bem audaciosas para levantar a bandeira de igualdade de gêneros e motivas mulheres a trabalharem/continuar trabalhando na área. Isso eu disse empresas SUÍÇAS, pois empresas estrangeiras dão ainda menos importância a isso. Essa discussão sim é bem difícil de argumentar e polêmica, além de até contraditória. Encontrar uma empresa que de fato toque essa música não é fácil, embora muitas na teoria queiram - eu disse QUEIRAM - mostrar que sim, oferecem oportunidades iguais a homens e mulheres.

Não é, não adianta. Não é igual para homens e mulheres. Eu graças a Deus encontrei uma empresa que eu queria muito trabalhar e que me aceitou, trabalhando meio período e tudo mais, e ela é uma das poucas que tem uma meta social de atingir esse balanço e realmente pratica o que diz. Pra mim por enquanto ta dando tudo certo. Tenho muita sorte de conseguir dar continuidade a minha carreira e ser mãe ao mesmo tempo. O insucesso do meu relacionamento com o pai do meu filho são outros 500, embora me deixe numa situação atualmente onde de fato essas políticas e leis e bla blas são condições influentes nas nossas vidas. Se a situação fosse diferente e eu não conseguisse me sustentar nem tivesse uma boa formação, um bom emprego nem o apoio da empresa que trabalho, eu seria obrigada a aceitar a ajuda do governo, isso se não fosse obrigada a deixar o país, e o Eric teria que se virar pra ser o pai e o homem que ele não é.

Além de tudo isso, parte da prática de incentivo a mulher voltar a trabalhar depois da maternidade é uma empresa não só aceita-la trabalhar menos que o normal, mas participar e ajudar mais na parte social, seja aumentando o Familienzulage, seja dividindo custos da creche com a família, pagando seguro saúde. O Familienzulage é assim: depois que voce tem um filho aqui na Suíça, o pai ou a mãe (o que tiver maior salário), recebe do governo no seu salário através da sua empresa um valor por mês para ajudar nos custos com a criança. O valor depende do cantão mas é uma mixaria, tipo 100 francos. Existe ainda uma regra OPCIONAL das empresas de aumentar esse valor porém saindo do bolso delas. A empresa que eu trabalhava antes não dava nem um centavo a mais que o governo obriga daí voce tira o incentivo. Já a que estou hoje me paga 200 francos a mais.

Além disso, como falei no post sobre creches em Zurique, existe a possibilidade de pedir subsídio ao governo para pagar o valor da creche, dependendo do seu salario e dependendo da creche que seu filho está, pois nem toda creche oferece vagas com essa opção. Algumas empresas aqui na Suíça têm parcerias com algumas creches ou têm a sua própria creche e os funcionários que têm filhos lá pagam um valor bem abaixo do mercado ou um desconto dependendo do seu salário. Isso sem dúvida é fantástico. Ajuda muuuuito na vida e é uma vantagem sem igual. Por outro lado infelizmente ainda são poucas empresas que praticam essa prática.

Na prática do dia a dia, todas essas vantagens de participação nos custos da creche e trabalhar meio período são muito boas, mas existe também uma consequência de tudo que está por trás das políticas que ninguém vê mas que está lá. Há pouquíssimas mulheres trabalhando, na área de TI principalmente, que são mães então nem se fala. Quem é da área sabe que tem que aprender a conviver com isso desde cedo, eu mesma quando me formei em 2005 fui a única mulher formanda da minha turma de 22 caras. Mas no trabalho, não é a mesma coisa um grupo de pessoas trabalhando se todos forem homens e se só tiver uma mulher no meio. Todos olham pra você diferente e se perguntam (ou te perguntam) mesmo porque você não seguiu a regra de deixar de trabalhar e cuidar do seu filho em casa que só tem 2 anos, claro, em outras palavras.... Tipo: que que voce ta fazendo aqui?!?!

Por um lado podem te respeitar ainda mais, principalmente se você fizer um bom trabalho e mostrar serviço tipo "não to aqui pra brincar", ou pelo contrário, podem não te levar a sério porque "lugar de mulher (mãe) é em casa com o filho". Vai depender da mentalidade dos seus colegas de trabalho e da sua sorte de encontrar gente legal no trabalho. Mas você só vai saber se tentar. Eu tenho pra mim que geralmente quando a pessoa tem mais cabeça aberta, é viajada e já teve contato mais profundo com outras culturas ou já morou em algum outro país onde as regras são diferentes, que seja mais fácil menos difícil de "convence-los" que voce é uma boa profissional e que de fato não tá ali pra brincadeira. Porque sim, não importa a situação, você SEMPRE vai que ter que convence-los dos seus atributos, das suas qualificações, etc. Sendo mulher e mãe, e estrangeira E principalmente brasileira então...

É difícil encontrar mulheres que são mães e que trabalhem tempo integral aqui na Suíça. Como eu disse antes acho isso ótimo da flexibilidade, dá qualidade de vida e chances para encontrar o equilíbrio e tudo mais, eu mesma estou me beneficiando disso, mas sejamos honestos: isto impede que você avance no trabalho, em comparação com alguém que trabalha 100%. Cargos mais elevados e tomadores de decisão dificilmente trabalham meio expediente e se houver a chance de optar entre alguém que trabalhe 100% e alguém que trabalhe 80 ou 60%, sendo as demais qualificações semelhantes, sem dúvida o que trabalha 100% vai ganhar.

Ambição profissional, salários altos, reconhecimento, dedicação e/ou equilíbrio vida pessoal/social e trabalho, qualidade de vida, ritmo saudável. Tudo vai depender dos seus objetivos, das suas prioridades, da sua família, do seu tipo de carreira e trabalho, e da empresa que você escolheu pra trabalhar. Acredito que em todo lugar, qualquer país, há vantagens e desvantagens, não existe o emprego perfeito e nem ficar em casa só cuidando do filho ou filha é a resolução de todos os problemas.

No meu caso por um lado fico muito satisfeita de sim poder dar continuidade a minha carreira, pois foi ela que me trouxe até aqui. Claro que eu trabalho porque eu preciso também, mas acho que também não conseguiria não trabalhar... e ainda conseguir a opção de ficar um dia a mais na semana com meu filho, que apareceu de repente na minha vida, ou seja, não foi uma coisa que eu tive tempo de planejar como gostaria que fosse e etc etc. O fato de eu conseguir reorganizar minha vida toda de maneira que conseguisse conciliar as duas coisas pra mim é no momento a minha maior vitória. Por outro lado, adoro ficar em casa cuidando de Edi e da casa mesmo, tipo, é a maior canseira, totalmente diferente do que eu sou no trabalho, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, dando conta dele, da comida dele, da roupa dele, da casa inteira, das contas, das necessidades, e ainda de Juca, é uma correria só. Prefiro dizer que é a minha fitness kkkk. Tipo modestia a parte me sinto uma heroína e esse gostinho dá forças para ambos os lados, ambas as vidas, em casa e no trabalho.

Encontrar o que melhor se encaixa e o que ofereça as melhores condições para atingir o seu equilíbrio e objetivo desejado, aproveitar o que as leis do país te oferece e tirar proveito da situação que cada um se encontra é o xis da questão. Espero eu continuar vivendo e aprendendo mais dessa vida louca que é ser mãe e trabalhar fora ao mesmo tempo, ainda mais aqui na Suíça, pra voltar pra contar mais por aqui depois.

18 fevereiro 2015

Inverno 2015

É inevitável que após alguns anos morando num país do hemisfério norte com um inverno famoso como a Suíça, que façamos comparações com os invernos passados. Ahh mas no inverno de 4 anos atrás tivemos 15 centimetros de neve da noite pro dia! Quem mora aqui sabe como é. Então para não sair do costume cá estou eu novamente.

Em comparação ao ano passado que só tivemos neve praticamente nas montanhas, esse ano já tivemos um cenário bem diferente. Daí agora que moro de novo em Berna, me pergunto se o "problema" dos dois últimos invernos foi porque eu estava em Zurique. Pela minha experiência cheguei a conclusão que sim, acho que neva mesmo menos em Zurique que aqui em Berna. Ou então é coincidência que justamente nos anos que morei em Zurique praticamente não tivemos inverno.

O primeiro inverno lá eu tava grávida e quase não senti frio. E ano passado foi um lamaçero só de tanta chuva. Já nos anos anteriores que eu estava aqui em Berna, vivi verdadeiros invernos suíços dignos de ficar na memória. Nada mais clichê que um inverno "suíço" quando o território na verdade é um adjetivo que enfatiza a época do ano. Já fiz muitas e muitas reflexões sobre o inverno, busquei teorias tentando entender como lidar com essa época do ano tão esquisita, que até poucos anos atrás não fazia parte da minha vida.
Participei de programas suíços, fiz esportes na nevesubi montanhas geladas a pé e encarei o frio rachante não só aqui mas em outros países onde o frio é ainda mais pesado, mudei meus conceitos, hoje sei o que é viver o inverno no dia a dia. Não é todo aquele glamou que achamos quando moramos num país quente. Não é como nos filmes tudo sempre tranquilo. De longe não sabemos como é de fato o frio, esse frio de muitos graus abaixo de zero todo santo dia dói. Acordar ainda de noite, sair de casa pra ir pro trabalho ainda de noite não é legal. E sair do trabalho e já estar de noite também não é cool. Você praticamente não vê a luz do sol durante o inverno, não só porque os dias são curtos e há pouco tempo de luz de sol por dia, como também porque um dia de sol não é comum. Temos muitos e muitos dias seguidos de ceu totalmente cinza, uma paisagem muito triste e depressiva até.
Um dia tudo bem, se voce tiver que ficar em casa de baixo das cobertas. Não é meu caso. E quando neva então, sair de casa com a sua bota mais high tech, sua meia mais grossa, duzentas peças de roupa que mal te deixam virar o pescoço sem ter que virar o corpo todo pro lado. A pela fica seca, racha no vento frio, só saia com muito lip balm e com o corpo todo encremado.
E caminhar na neve, tenho minhas dúvidas o que é pior, andar ou dirigir na neve. Dirigir você pelo menos tá protegido do frio. Mas andando pelo menos voce escorrega sozinho no gelo e o escorregão do carro do lado não bate no seu. Todo anos são vários e vários casos de quedas e torção de pé por causa do gelo na rua. Ora, minha gente, gelo na rua, onde eu vim parar...

Sem falar nos atrasos de trens, ônibus, trams, lentidão no trânsito em geral, vôos cancelados. Apesar de
todo ano ser a mesma coisa, os países de primeiro mundo onde neva ainda não estão totalmente preparados para as nevascas que insistem em dar as caras... todo santo ano.

Posso continuar enumerando as desvantagens mas acho que já deu para captar a mensagem. Mesmo você que tá aí no calorão abafado do Rio de Janeiro. Vamos as vantagens agora...

Ahhhh, o inverno! Que lindo, tudo branquinho! Tirando o frio e os bastidores que é driblar a neve no dia a dia que falei antes, o inverno é mesmo lindo. Casacos, cachecóis e gorros deixam a gente até mais elegante. A maquiagem dura que é uma beleza, o cabelo fica bom e demora mais a ficar sujo. Ficar em casa é tão bom, sem ter a obrigação de sair só porque o dia tá bonito. Programas caseiros ficam muito mais interessantes. Assitir filme, escrever, ler, ainda mais vendo a neve caindo do outro lado da janela estando você com sua taça de chocolate quente na mão, humm que delícia.
É mais um motivo para encontrar os amigos em casa, conversar mais, estreitar os laços em ambientes fechados. Fazer exercícios é uma beleza porque suar no frio é uma experiência única. E mais um incentivo porque você certamente está comendo muito queijo, pão, batata, vinho e outras coisas engordativas que o inverno te convida. Nossa, como a gente come, viu!
Sentir frio é ansiar por dias quentes e dar até mais valor aos dias bonitos, ao sol quando ele aparece. É viver intensamente uma estação do ano e vê-la em todos os estágios: o início do frio, a emoção da primeira nevada, o frio polar, o frio exagerado, a amenizada. Quem não tem uma lembrança de um dia mais quente, tipo 5 graus, depois de semanas de temperaturas em zero ou abaixo de zero, como ele não traz alegria, não é mesmo?

É tudo uma questão de ponto de vista e de olhar as coisas. As crianças, por exemplo, não saem com tanta frequência pra brincar lá fora mas brincam. Com um milhão de roupas mas brincam ué. E garanto que têm lembranças boas da infância no inverno. Me lembro no meu primeiro inverno que fui sair um dia a noite e tava tão frio mas tão frio, e eu de meia calça tremia na rua. E um amigo me disse: "que isso Liana, é só frio..". E eu todo inverno me lembro disso. E hoje eu entendo, realmente, é só frio. Não é o fim do mundo. Pode até parecer conselho barato mas muitas vezes que estou batendo queixo de frio, páro e tento controlar meu pensamento, e sabe que melhora? Acho que tem sim o fator psicológio que piora um pouco, talvez para nós, brasileiros tropicais que só de ver uma paisagem nevada já fica com frio.

Sendo esse meu sexto inverno na Suiça, creio que eu esteja mais "madura" em relação a como encarar o frio. Já não penso como antes e não só mudei meus conselhos como não sei como antes era diferente. Aqui em Berna desde que voltei do Brasil em Janeiro tivemos dias bem frios que chegaram a -11, ainda até bom comparado a -20 que peguei no primeiro inverno aqui, mas enfim. Tivemos umas três neves grandes que deixou tudo assim como tá nas fotos, ruas cobertas de neve e carros e tetos dos prédios todos branquinhos.

Do alto do Rosengarten dá pra ver a cidade tooooda pintadinha, coisa mais linda, parece um quadro pintado a mão. Pra mim Berna é uma das, senão a, cidades mais lindas e especiais do mundo e eu acho a vista do Rosengarten a melhor possível. Bom, mas estamos caminhando para o final de Fevereiro, o inverno continua bem frio, mas tá passando. Estou ansiosa por dias mais claros, mais longos e mais quentes. E assim terá sido mais um inverno.

O inverno é lindo. Assim como todas as outras estações.

16 fevereiro 2015

Taga Bike - bicicleta com criança como meio de transporte

A vida na Suíça trouxe vários novos hábitos para o meu dia a dia. Jeitos de viver e coisas a fazer no dia a dia que pra mim era ou estranhos ou simplesmente incomum. Por exemplo, todas as cidades suíças são muito bem preparadas para comportar um trânsito livre de bicicletas, junto com carros, ônibus e trams. Há ciclovias por toda parte, sinais para bicicletas separados, enfim, coisas de primeiro mundo.

Confesso, nunca fui muito esportiva não. Fazia meus exercícios na academia pra manter a forma, gostar mesmo não gosto, mas fazer o que. Juntou as facilidades biciletárias da Suíça com a minha vida de mãe, daí nasceu a Taga Bike na minha vida.
De novo: eu não tenho carro. Ando pra cima e pra baixo com Edi no carrinho ou na mochila nas costas. No canguru não dá mais que ele tá muito pesado. E aqui você vê mães e pais pra lá e pra cá com seus pimpolhos nas bicicletas, trazendo o costume desde cedo. Então pela necessidade com a facilidade, comecei a observar as opções desse meio de transporte.

Há vários tipos de levar seu filho na bicicleta com você. Depende do tamanho, depende de quantos, na frente, atrás, e confesso de novo: nenhum deles nunca me deixou segura e confiante que é essa a bicicleta que eu quero andar com Edi na rua.

Atrás nem pensar. Talvez não esteja com a mentalidade suíça o suficiente, mas ok, é ótimo, é lindo carregar o carrinho atrás da sua bicileta com as crianças lá dentro, mas voce não tem controle. E se um outro carro passar o sinal e bater nas suas criancinhas lá atras? Voce tá lá concentrado e nem tá vendo o que ta acontecendo lá atrás. Não. Apesar de serem mínimas as chances de um carro passar o sinal por aqui, nunca se sabe, prefiro não arriscar.

Andar com Edi na minha frente então seria a solução pra mim. Vi vários tipos de cadeirinhas que se adaptam na frente da bike, mas sabe, nunca era aquele o modelo ideal. A criança ficava muito perto, muito em cima, muito isso, muito aquilo. Também não. E não me diga que sou cri cri. Quando a segurança do meu filho está em jogo, não tem meio termo.

Daí achei assim olhando o Instagram um dia, ela! A Taga Bike!!!!!!!!
Pronto. Foi amor a primeira vista. Era ela! Excelente! Com 3 rodas dando muito mais estabilidade ao passeio, um assento para a criança a sua frente do jeito que eu queria, como um assento de carrinho de bebe mesmo, um assento mais robusto e com proteções laterais, enfim. Não precisei nem fazer um test drive pra saber que era ela. Eu tinha certeza. Seria ideal e não só uma bike pra ir ali, pra mim seria realmente mais uma opção de meio de transporte.

E não pára por aí não. Eu já tava satisfeira só em ser uma bike, mas ela vira um carrinho! Tirando o assento da criança e virando o seu assento para baixo, isto é, passando as duas rodas por cima para o outro lado e encaixando o assento da criança de novo, voce está com um carrinho de bebe a mão. How cool is that?!?! Não tenho fotos no modo carrinho porque só usei uma vez assim e esqueci de tirar foto. Mas veja aqui no site como é. É muito bacana!

O assento no modo carrinho aguenta crianças até 15kg, e no modo bike até 25kg. Tipo, eu vou usar muito ainda. Ainda tem outros gueri gueri opcionais como um segundo assento para uma segunda criança e uns acessórios bacaninhas (veja aqui), mas pra mim eu queria o básico.

Bem, é claro que com todas essas vantagens e sendo única do seu tipo no mercado, o preço obviamente não seria barato. Só a bike em si custou a bagatela de 1500 euros, sem falar nos acessórios como bolsas laterais, capa de chuva, corrente de cadeado, capacete pra mim e pra Edi, enfim. Mas olhe, pra mim, eu tava fazendo um investimento! Era quase como estar comprando um carro.
Realmente valeu muito a pena. A bike foi enviada de Taiwan aqui pra casa e chegou rapidinho. Montei a bike SO-ZI-NHA em casa numa tarde. Ela ainda vem com 3 marchas que ajuda nas subidas porque o peso é considerável. Andar no trânsito com ela é incrível. Preciso escrever um post sobre como é andar de bike por aqui e como é fácil porque tudo funciona. Quem dera se no Brasil fosse assim também ne..
Ainda coloquei dois espelhozinhos, um servindo de meu retrovisor mesmo e um na frente de Edi pra eu ver seu rosto durante o passeio. Além de tudo voce ta se exercitando, economizando dinheiro, energia, combustível. É ecológico, é tudo de bom! A única desvantagem mesmo foi que a comprei em Outubro do ano passado, ou seja, não estou usando desde Dezembro porque andar de bike a menos tantos graus é que não rola mesmo. Mas esse problema será resolvido em breve quando a primavera começar a dar seus primeiros sinais por aqui. Aguardem as próximas fotos dos próximos passeios no Instagram! hehehehe.

Antes que me perguntem: não ganhei um tostão para falar da bike aqui. Sempre que o post for patrocinado, será mencionado. O post relata minha experiência e recomendação porque realmente foi um life changer pra mim.
Para mais informações http://www.tagabikes.com

15 fevereiro 2015

Carteira de motorista na Suíça

Quando você sai do Brasil e vem pra Suiça, sua carteira de motorista é válida aqui durante o primeiro ano da sua estadia aqui. Depois disso, a regra de validade varia de cantão a cantão. Eu sempre queria trocar a minha pela carteira daqui, porque apesar de não ter carro, é prático ter uma carteira caso precise. Nunca aconteceu de eu deixar de dirigir porque não tinha carteira nesse tempo todo. Sempre andei de trem, ônibus, tram e quando andei de carro andei com alguém dirigindo. Mas era uma coisa a se fazer que sempre tava ali no fim da lista.

No fim da lista explico porque. Primeiro como eu disse, o transporte público resolve minha vida. Depois, ok, é prático mas não é prioridade. E terceiro, não é um processo rápido nem barato. Se voce trocar imediatamente depois de chegar aqui é tranquilo. Mas depois disso, dependendo da lei do cantão que você tiver, o processo pode levar meses.

No meu caso, eu morava em Zurique ano passado quando resolvi fazer isso. Eu tirei, ou melhor, troquei minha carteira de motorista brasileira pela suiça em Agosto de 2014. Em Zurique o negócio é o seguinte. Você não precisa começar do zero pra tirar sua habilitação suíça. Começar do zero seria como no Brasil: fazer aulas teóricas, depois as práticas e fazer a prova. Como você já tem carteira no Brasil, você só precisa  primeiro fazer um exame de vista, e se tiver tudo bem, fazer a prova prática. E é aí que mora o perigo e tem vários porems.

Isso eu to falando de carteira de habilitação para carros normais tá gente, porque a carteira varia dependendo do que voce vai dirigir, assim como no Brasil. Aqui carro normal é categoria "B". Isso tudo e mais informações voce encontra no site do Strassenverkehrsamt e na papelada que te mandam quando voce aplica para a habilitação daqui.
Então continuando. Primeiro: só fazer a prova prática não tem nada de "só". A prova é na rua com voce dirigindo e o expert do Strassenverkehrsamt analisando. E se você for dirigir pela primeira vez aqui vai perceber que é bem diferente do Brasil. Pistas de tram cruzando uma com a outra, prioridade de quem vem do lado, símbolos que você não conhece, pista de bicicleta e de ônibus no meio da rua, limites de velocidade dependendo de onde voce ta, dentre outras regras diferente das nossas. Por isso mesmo quando eu entrei com o processo para trocar a habilitação, pedi para marcar a prova lá pra daqui a 2 meses pra dar tempo de fazer umas aulas práticas.

Aulas práticas: há várias escolas de direção nas cidades (Fahrschule). É só procurar uma que você goste, seja por indicação, preço ou tipo do carro e começar a marcar as aulas. O tipo do carro é porque é o seguinte: na prova prática você tem que chegar lá com o carro para fazer a prova. O Strassenverkehrsamt, que é o Detran daqui, não vai ter um carro lá esperando por você pra fazer a prova. Então você faz a prova no carro que quiser, e é claro que é melhor fazer a prova com um carro que você conheça. Por isso mesmo, faça as aulas com o carro que fará a prova. E para fazer a prova com o carro, se for o carro da autoescola que foi o meu caso, você paga a hora da prova como sendo mais uma hora de aula.

Não é barato, já vou logo dizendo. Primeiro os valores das taxas lá chegam a uns 200 francos, fora as aulas. Eu fiz as minhas aulas nessa escola aqui com o René que era super gente boa. Uma aula custa 83 francos lá, onde em outras escolas pode passar de 100 francos a hora. Depende da cidade, carro, etc. Eu dirigi um Mini Cooper que era ok, meio baixo pra mim, mas valeu. Se você fizer um pacote de várias aulas você tem desconto, e claro que é preciso fazer mais que uma aula. Eu fiz 5 mais a prova.

As aulas são na rua mesmo, o professor vai te levar para as ruas onde geralmente as provas são feitas, onde tem mais cruzamento com tram, onde tem prioridades e tudo mais, e vai te explicando as regras enquanto você dirige o carrinho com um adesivo azul com um "L". É tranquilo, apesar de ter sido em Alemão, no meu caso mas tudo bem.

E aí no dia da prova eu fiz o seguinte: marquei uma hora de aula antes com o professor e quando tava acabando a aula fomos indo lá pro local de direção da prova, ele saiu do carro, o expert entrou no lugar dele e fomos lá dirigindo fazer a prova. Ele vai dizendo pra onde voce tem que ir e voce tem que saber. Ele diz por exemplo "Dirija em direção a Basel" e ai voce vai. Sempre tem plaquinhas nas ruas então é só ir seguindo. Daí se tiver um cruzamento no meio, um tram passando, você tem que saber como agir.
Foram os 50 minutos mais tensos da minha vida. Minhas mão suavam tanto, e olha que tava até frio nesse dia. Na volta para o lugar de onde partimos, depois que estacionei o expert disse que eu tinha passado meio "knapp" que é por pouco, pois num cruzamento com um tram era para eu ter seguido em frente sem pestanejar, e eu dei uma leve freada pra avaliar se dava ou não dava. Na minha opinião não foi nada demais, então que bom que eu passei. Você recebe na hora um carimbozinho num papel que te dá direito a dirigir até chegar sua carteira oficial.
Poucos dias depois a minha habilitação suiça chegou pelo correio e a minha brasileira ganhou um adesivo 'Not valid in Switzerland' hahahaha. Então agora posso dirigir na Suiça e na Europa tranquilamente, além de ser mais um documento oficial suiço com meu nome. E o melhor de tudo vem agora: não tem data de validade. É válida para sempre e nunca vou precisar renovar!!!!!

Já para quem não passa nessa prova tem que fazer não só o curso teórico, e tudo de novo, como se fosse a primeira vez que está aprendendo a dirigir, como depois que tentar novamente a prova prática, se passar, a carteira não é válida para sempre e sim por um certo período e sempre precisará ser renovada. Tipo... totalmente horrível.

Já para quem vai fazer o processo do início, isto é, com aulas teóricas e váááárias aulas práticas (bem mais que as 5 que eu fiz, que é o recomendado), a prova prática é diferente da que de quem está apenas trocando a carteira de outro país pela suiça. A prova neste caso é mais longa (1h30) e tem outras coisas como avaliação de freio, ladeira, curvas e outras coisas. Coisas que na minha prova não tiveram. E o pior: prepare-se pra gastar mais de mil francos nisso. É preciso procurar uma escola que dê as aulas teóricas e se matricular lá. É super difícil e tem muita coisa pra aprender. Você encontra até na rua livros e cursos pra estudar em casa as regras de trânsito pra dar uma ajudinha na prova teórica.

Mas fique atento que essa minha experiência foi no cantão de Zurique. As regras para outros cantões variam. Já ouvi dizer que em alguns cantões, depois de 1 ano de estadia aqui, não importa, tem que fazer tudo do começo, inclusive a parte teórica. A moça que me atendeu em Zurique disse, entretanto, que depende de onde vem a carteira da pessoa, e que a regra varia de acordo com o país que a carteira foi emitida, então se informe direitinho com o Strassenverkehrsamt do seu cantão.

14 fevereiro 2015

Fribourg

Sabe aquela história de que quando voce mora no Rio de Janeiro há muito tempo você nunca foi ao Pão de Açucar ou ao Cristo Redentor? Pois é. Faço analogia desta ideia com a minha relação com Fribourg. Sim, já fui a Fribourg muuuuitas vezes. Então me pergunto, por que nunca escrevi sobre essa cidade aqui no blog?
Fribourg é a capital do cantão de Fribourg, aqui na Suíça. Uma cidade bilíngue, porém a maioria fala Francês. Fribourg em Francês, Freiburg em Alemão. Eu diria que é uns 80% Francês e 20% Alemão. Mas as placas nas ruas e tudo mais é tudo em Francês. Não chega a ser como Biel/Bienne, mas ainda se fala os dois idiomas sim. Eu chego lá e falo Alemão nos restaurantes porque o meu Alemão é melhor que meu Francês, e normalmente eles respondem. Eu sempre chamo Fribourg primeiro porque a maioria lá é em Francês, e em Alemão me lembra a cidade de Freiburg, no sul da Alemanha, que pois é, mesmo nome em Alemão. Ai esse monte de idioma, que confusão. Coisas de primeiro mundo.
Mas então vamos ao que interessa, Fribourg. Fica a 20 minutos de trem de Berna, uma cidade de pouco menos de 40 mil habitantes. Pra mim é a definição de onde a Suíça muda de Alemã para Francesa. De novo: embora sim ainda seja bilíngue, a maioria é Francês por lá. Fribourg apareceu no meu conhecimento primeiro porque vários colegas de trabalho que conheci, desde o meu primeiro emprego aqui e até hoje continuo conhecendo gente nessa situação, moram em Fribourg e trabalham em Berna.
Isso porque Berna é a "cidade grande" mais próxima de lá, então por questões de emprego, oportunidade, etc. o pessoal continua morando lá e vem trabalhar aqui. Ora o que são 40 minutos de trem por dia não é mesmo? A mudança do idioma muitas vezes é um empencilho, mas pro lado francês, a "cidade grande" mais próxima seria Lausanne, também com mais oportunidades de trabalho e tudo mais, mas fica a 40 minutos de trem. 40 minutos pra ir e 40 pra voltar não é a mesma coisa que a metade disso. Então daí se tira.
Então depois de sempre ouvir muito falar de Fribourg pelos colegas, tive a chance de experimentar o fondue num dos restaurantes mais famosos do país, o Cafe du Midi, que olha, é mesmo. O fondue de lá é coisa de outro mundo. De outra vez fui com uma amiga andar mesmo em Fribourg, passar o dia conhecer a cidade, tirei mil fotos, e aí o que aconteceu? Deletei todas as fotos da câmera sem querer. Acho que deve ter sido por isso. Fiquei com tanta raiva que não quis mais saber de Fribourg por um tempo. Rs.
Mas foi só voltar a morar em Berna que já fui lá várias vezes, seja pra encontrar com alguém, seja pra festa do São Nicolau que já contei aqui, Fribourg é um encantozinho. Moraria lá tranquilamente, sabe aquelas cidades medievais que parece cenário montado? Fribourg é muito agradável, tranquila, segura.. Ok, aqui na Suíça, todas são assim, mas lá é especial. Não tem ar de cosmopolita, porém voce tem quase tudo. Eu adoro o centro de Fribourg. Apesar de ser uma cidade pequena e o centro ser mil vezes menor que o de Zurich, eu adoro. A cidade antiga é lindíssima. E lá tem restaurantes ótimos, tem a Manor que não tem em Berna, talvez as pontes dêem um ar de grandeza tambem, e sei lá, gosto da atmosfera da cidade.
Pois é aquela coisa. Você conhece tanto do lugar mas chega na hora de falar voce não sabe encontrar as palavras direito, porque não fala muito sobre ela normalmente. Em Inglês tem uma expressão que resume bem isso, seria "to take it for granted". Mas enfim. Fribourg é uma ótima opção para morar e para fazer bate e volta a partir de Berna ou de Lausanne. Essas fotos foram de Outubro do ano passado.

13 fevereiro 2015

post sobre nada exatamente

Nem acredito que deixei de novo esse blog mofar aqui sem atualizações... ou melhor, acredito, acredito. É fácil falar, mas com o tanto de coisa acontecendo, é ainda de se admirar que ainda o mantenho vivo. Mas faço questão. O quanto esse blog me ajuda não tá no gibi.

Eu queria fazer no final de dezembro mais um daqueles posts retrospectiva, sabe como é... relembrando tudo que aconteceu, os fatos mais importantes, as viagens e tudo mais. Mas a correria foi tanta que fui mimbora pro Brasil de férias e não deu tempo. O post ficou iniciado só no rascunho. Aí lá no Brasil queria parar uma hora só pra atualizar que estava de férias no Brasil, mas não, também não deu tempo. Aí voltei, pronto. Começou janeiro e nada de retrospectiva. Então se não escrevi não escrevo mais. Vou escrever então algo já de 2015 e deixar os posts rascunhos de 2014 pra depois.

Não sei nem direito sobre o que é esse post, talvez uma retro misturada com a chegada de 2015. Nada específico, nenhum passeio, nenhuma nova cidade. Só eu e minhas reflexões mesmo. Agora que to com um tempinho, e isso é raro.

Continuo recebendo muitos comentários na página do blog no Facebook e no Instagram e emails, e muitos me perguntam se eu não vou voltar com o blog, como andar o trabalho. O trabalho vai bem, graças a Deus. Acabaram-se os 3 meses de período probatório, graças a Deus passei ufa, e agora estou oficialmente empregada de verdade. Passa rápido.

O trabalho é legal e muito mais técnico que o anterior e tenho quebrado bastante a cabeça, o que me fez cogitar a criação de outro blog de coisas técnicas da área de TI com a qual eu trabalh - testes - mas se eu não to conseguindo dar conta nem de um blog, que dirá de dois ne. Mas quem sabe, quem sabe.

Mas voltando a reflexão, pra mim 2015 tá andando bem rapidinho. Não sei se é porque a semana passa correndo porque tenho tanta coisa acontecendo no trabalho, que quando chega quinta-feira a noite que chego em casa vejo que minha semana de trabalho já acabou e eu nem percebi. Continuo trabalhando de segunda a quinta o que me dá 3 dias com Edi, mais tempo de descanso e mais tempo pra cuidar da casa, comida, roupa, nossa, é tanta coisa, ainda tem o Juca.

Como contei aqui nesse post, o rojão é pesado mas tá indo tudo bem, tudo certo. Sabe quando voce sente que tá fazendo a coisa certa. Pronto. 2014 foi um ano bem complicado e eu fiquei muito tempo me sentindo meio sem rumo, incerta do futuro e das minhas atitudes, coisa que não é comum. Então não foi simples. Muitos desentendimentos com o Eric, a saída do emprego sem saber pra onde ia depois, a saída de Zurich. De fato foi um ano definitivo. E por isso mesmo, depois que consegui meu atual emprego me enchi novamente de energia para mais uma fase. A fase Zurich/trabalho em Zurich/vida com o Eric estava acabando e mais uma nova fase da minha, ou melhor, da nossa vida começando.

Eu e Edi aqui em Berna. 2015 começou com muita motivação da minha parte pra fazer as coisas darem certo, eu não sei de onde arrumo tanta energia, mas é assim mesmo. Por enquanto tá indo tudo nos conformes, claro que os problemas com o Eric não acabaram, mas estão sob controle. Quem sabe um dia ainda sente aqui pra escrever um post desabafo que vai juntar com Suiça/suíços/vida expatriada e satisfazer a curiosidade de muitos e tudo mais, mas ainda não é hoje.

Depois que cheguei do Brasil de férias, o inverno tava com tudo aqui e nas duas últimas semanas só tivemos temperaturas negativas. A neve é linda mas no dia a dia atrapalha que é uma beleza. Principalmente pra quem não tem carro e ainda anda com um carrinho de bebe na rua. Por sorte aqui existe manutenção das calçadas e tem gente limpando a neve e jogando sal na rua pra evitar escorregões, mas mesmo assim ainda exige muito cuidado. Não vejo a hora de chegar a primavera e poder sair de casa sem luvas e sem cachecol. E gorro gente, odeio gorro.

Ainda arrumei um tempinho pra executar uma viagem em janeiro planejada desde outubro do ano passado que ainda vou contar por aqui com calma. Podem começar a me chamar de louca mas fui com o Edi conhecer o Kosovo. E foi ótimo.

Sobre o tema viagens, quem lê este blog sabe que é uma paixão minha antiga, então esse ano tenho alguns planos de realizar algumas, umas bem ambiciosas até, mas não vamos abrir o jogo todo agora, até porque poucas estão certas.

Edi completará 2 anos em pouco menos de 2 meses. Mal posso acreditar que já sou mãe de um menino deste tamanho, que está começando a falar suas primeiras palavras. Quem me segue no Instagram ( http://instagram.com/elaeamericana_liana) já viu ele falando algumas coisinhas. Fala bem pouco, mas nem to com pressa, nem to preocupada. Já acho que tá indo tudo rápido demais, dia desses ele tava aqui aprendendo a ficar em pé. Mas é muito engraçado, ele mistura Português com Alemão, eu me divirto a beça.

Ai, bom é isso. Acho que vou parar por aqui esse post sobre nada. Pelo menos o blog tá atualizado e eu vou tentar me organizar mais pra por em dia os posts no rascunho atrasados.

Antes de terminar, queria agradecer aos leitores que mandaram emails e comentários pedindo a volta do blog, aos que mandam seus recados e contam suas histórias, na esperança de alguma ajuda, seja de roteiro de viagem ou rumo de vida. Mesmo com o atraso nas respostas me sinto lisonjeada de de alguma forma despertar um certo sentimento de confiança, só pelo que escrevo aqui, e faze-los se sentir a vontade o suficiente para se abrir com uma "estranha".