28 dezembro 2010

Saldo do ano

Este foi um ano intenso pra mim. Meu segundo ano de Suíça. Coisas deixaram de ser novidade. Desafios apareceram, tanta coisa aconteceu. Comecei o ano indo a praia, num solzão do meu Nordeste e um calor desgraçado. Em poucos dias, já estava de volta ao frio da Suíça, minha mãe e meu cachorro conheceram a neve pela primeira vez, eu voltei a trabalhar e me empacotar da cabeça aos pés pra ir ali na esquina.

Conheci vários lugares novos pela Suíça, tentei andar de snowboard pela primeira vez, vi o Carnaval passar e penei no frio, mas sem que eu percebesse, gradativamente a neve foi se esvaecendo e a primavera chegou tão linda e cheia de graça. Apesar de eu ter ficado bastante em casa, meu namoro com o suíço ajudou com que o frio lá fora passasse mais depressa, devo admitir. Ainda assim, saí da toca, fui à maior feira de tecnologia na Alemanha, fui a jogos de futebol e fui desvendando essa bela Suíça.

Sofri com a falta de sol, me perguntei o que estou fazendo aqui diversas vezes, mas com a primavera, vieram os dias mais longos, os passeios agradáveis do lado de fora, os novos afazeres, os idiomas ganhando força na minha cabeça, novas amizades surgiram, amizades antigas vieram me visitar, decepções, dias de sol e passeios no parque, e logo chegou a época da Copa, aquela animação por toda a cidade, e o verão veio coroar a festa outdoor. Nem lembrava mais o que era inverno.

Dias longos, sol, roupas leves e floridas, piscina, pra melhorar minha família veio me visitar e fizemos a tão esperada viagem pela França. É, o verão foi curto. Ainda assim, deu pra aproveitar um bocado. Viajei e passeei bastante, conheci novos países, fui a mega shows, e trabalhei bastante também, o que também foi um fator ganhando força para as resoluções do próximo ano. (...resoluções? e eu faço isso?).

Segunda metade do ano, outono chegou, pessoas partiram da minha rotina diária e novas apareceram. É a vida. Aqui ou aí é assim. Conheci mais novos países pelo leste europeu, me estressei, chorei, revidei e dei a volta por cima. A história da volta por cima ainda não está completa, é verdade. Mas vou deixar pra revelar tudo com detalhes só no ano que vem.

Por ora posso dizer que o saldo do ano até agora foi positivo. A não ser que cancelem meu vôo para Dublin amanhã, pretendo fechar o ano assim: positivamente. Vou virar o ano na Irlanda, e esperançosamente, começar bem mais uma nova etapa, porque a vida é feita delas, as fases. Pretendo continuar registrando essa jornada aqui no blog que tem me enriquecido tanto. Agradeço a todos que de alguma forma colaboram com o crescimento do propósito do blog e peço desculpas se desapontei alguém.

Que 2011 traga novas conquistas, novos desafios, e que possamos continuar prosperando.

Até o ano que vem! Saúde e paz a todos!
Beijos e abraços.

27 dezembro 2010

Berna debaixo de neve

Fazer passeio no frio e na neve não é fácil. É fato. É agoniante, não dá pra curtir direito por causa do frio, não dá pra tirar foto sempre porque a luva não deixa e não dá pra ficar tirando a luva toda hora, e ficar sem luva menos ainda. Você tá cheio de roupa e quando bate o vento, corta tudo e o que você mais quer é entrar em algum lugar aquecido. Não é fácil. Não é fácil mesmo. Principalmente para nós brasileiros que não somos acostumados com essa friaca toda.
Mas olha, vou te contar, não morre não. Faz parte. Faz parte da "sobrevivência", faz parte do aprendizado, faz parte da vida ou do passeio no exterior. Pois é assim que a banda toca a maior parte do ano. Ajoelhou tem que rezar.
Mas quando você recebe visitas legais, mesmo com frio e com neve, sair e passear na cidade não é sacrifício nenhum, é uma alegria! É uma alegria receber pessoas queridas na sua casa e mostrar a elas a cidade onde você mora, sair pra olhar sob outra perspectiva a paisagem que você vê todos os dias e já está acostumado a ela, mesmo toda pintadinha de branco e um frio miserável.
Aqui tem feito um frio danado, como eu não tinha visto tão forte no ano passado. No inverno passado, mesmo contando com o tempo que passei de férias no Brasil em janeiro, a temperatura mais baixa que peguei, foi -16ºC, no ápice da estação, finalzinho de janeiro. Tava frio... Mas acabou, chegou a primavera, o curtíssimo verão, o outono, e agora estamos novamente nesse inverno rigoroso, com nevascas devastadoras fechando aeroportos, trazendo caos pro hemisfério norte e um frio demasiado intenso e constante.
É, esse inverno que começou agora vai durar um bocado ainda. Então o melhor que a gente faz é tentar aproveitar o lado bom disto. Faz frio? Faz. Muuuuuito! Então vamos vestir várias camadas de roupa, investir em bons casacos e acessórios de inverno como luvas, cachecóis e gorros bem quentinhos, botas e meias resistentes e sair sorrindo.
Sim, sair. Sair de casa. Sorrindo. Mesmo toda encasacada. Esquece a agonia das roupas, acostuma. É preciso. O que não dá é ficar em casa 24/7 e entrar numa rotina deprimente de casa-trabalho trabalho-casa. Não tem guitar hero, wii, filmes e séries que dê conta.
Já diz a minha amiga Jamille "Não tá fácil pra ninguém", tá todo mundo na mesma situação e o ciclo se repete todo ano. Então bora aprender esporte na neve, bora curtir as paisagens brancas, as belíssima montanhas que o país oferece, apreciar a culinária engordativa da estação e viver bem o inverno enquanto tiver tudo debaixo de neve porque depois quando acabar, vamos sentir falta de ver tudo branquinho. ...né?

26 dezembro 2010

Um Natal na Suíça

Foi um fim de semana pra lá de corrido. Na semana que passou não nevou nenhum dia, mas na sexta-feira dia 24, véspera de Natal, acordei e estava tudo branquinho branquinho lá fora. Beleza. A vida continua. Fui trabalhar, ou melhor, fui ao trabalho só fechar umas coisas pela manhã. Aliás, porque os trabalhos fazem isso com a pessoa? Trabalhar só de manhã, dia 24 de Dezembro, é sinônimo de baixa produtividade. Quem vai trabalhar na verdade não trabalha nada, ne, fala sério. Bom aí saí meio-dia, terminei de organizar minhas coisas em casa e às duas horas da tarde estava eu e Juca pegando o trem para Airolo, na parte italiana da Suíça.
Só que a cena de eu com uma mochila nas costas, uma sacola e a coleira de Juca nas mãos, toda encasacada, de luvas, cachecol, gorro e touca, nevando e ventando pra caramba com a neve caindo no meu olho, olhe, falar a verdade, foi um aperreio.

Sim, porque tudo cheio. A estação lotada, todo mundo correndo, atrasado, trens cheios, um caos. A viagem de trem duraria 3 horas e eu tinha que trocar de trem em Lucerna. Troquei e peguei um lugar melhor do que o primeiro trem. Porque o primeiro trem, meu amigo, que confusão! Nem parece que estamos na Suíça, que que é isso! Uma barulheira, pessoas com 500 mil sacolas, gente com snowboard e equipamento de ski, uma melequeira no chão de neve misturada com lama, com isso eu já estava me preparando pra um Natal de muita paciência até chegar lá, pelo menos. O trem ia parando em outras estações e mais gente ia entrando e chegou uma hora que simplesmente não tinha mais poltrona vazia. Um grupo de brasileiros que entrou viajou em pé. E nisso pelo menos Juca se aquietou e dormiu embaixo da minha poltrona, porque antes todo mundo que entrava e passava no corredor, olhava pra Juca e ia brincar com ele, engarrafando a passagem, e eu lá com aquela cara de paisagem rezando pra não me perguntarem nada em suíço alemão, porque tipo eu odeio quando alguém me pergunta algo em suíço alemão e eu respondo pedindo pra repetir em alemão. E quando eu tô com Juca SEMPRE vem alguém perguntar como ele se chama, quantos anos ele tem e tal. Mas essas perguntas eu já tô aprendendo a entender em suíço alemão, mas quando passa daí aí complica.

Bom, mas aí depois de 3 longas horas de viagem, cheguei a Airolo debaixo de muuuuita neve! Lá sempre tem mais neve que em Berna. A Simona estava me esperando na estação e fomos de carro para Nante, ainda mais montanha acima, mais frio, e com mais neve! Chegando lá, já fui entrando no clima natalino, porque lá sempre tem alguma coisa no forno com um cheiro irresistível, e tava a árvore armada com um montão de presentes na sala, vó, primos, tia, tio, que apesar de não serem meus e estarem lá falando italiano, era Natal e as portas daquela casa estavam abertas pra mim. Fui muito bem recebida, me senti bem acolhida, e isso é que importa. A milhares de quilômetros de distância da minha família, cheguei a pensar até que ia ficar triste e deslocada lá, mas a verdade é que me diverti pra caramba.

O Natal foi com a família da mãe da Simona numa casa super antiga em Nante, um vilarejo de 30 pessoas, então foi super tradicional. Quando chegamos lá, todos os tios e tias e primos e primas vieram conversar comigo como se eu fosse a celebridade vindo do Brasil. "Ohh, você é do Brasil?", "Está passando o Natal aqui nesse frio!!", todos tinham alguma coisa pra dizer. Os tios da Simona fizeram uma viagem de meses ao Brasil na década de 70, então na sala da casa tinha uma placa escrito "Rio de Janeiro". Quando eu disse que tinha nascido lá, ave maria, só faltaram me por no colo. E como foi bom ver a alegria deles contando da viagem de anos atrás com uma empolgação de como se fosse um marco na vida deles. De alguma forma, aquilo ali me levou um pouquinho mais pra perto das minhas origens naquela data especial.

Porque por mais que você tente ignorar o Natal e toda essa época festiva por mais comercial que seja, você ser o único dali daquele universo sem alguém próximo pra abraçar, dar um sorriso e brindar, não é a coisa mais fácil do mundo. Ainda mais nesse clima frio que tá, quando o povo já é mais frio que o normal. Lá fazia menos 7 graus. Mas foi divertido. Foi muito bacana. As tias da Simona ainda tiveram a gentileza de me dar presentes de Natal, gente, onde já se viu!? Nem me conhecem! Ganhei um canivete suíço e uma vela decorativa liiinda e cheirosa! Muito fofas!

Depois dos aperitivos e abertos os presentes, fomos à ceia! Peru de Natal? Na na ni na não!!! O negócio aqui é comer fondue, gente, já falei! Mas desta vez fomos de fondue chinoise, que é a versão carne do fondue. Então, ao invés de queijo, comemos carne. Ao invés de pão mergulhado no queijo, é carne mergulhada no óleo. O rechaud, isto é, a panelinha, como no fondue de queijo, é cheia de óleo e vamos espetando os espetinhos nos pedaços de carne e mergulhando no óleo, espera-se cozinhar sob o fogo baixinho, e quando pronto, come-se com arroz e molhos, acompanhado de bastante vinho, claro.

Comi tanto. Comi até me acabar. E depois ainda tinha três opções de sobremesa e eu tive que escolher, porque não cabia mais de tanta comida! Fui de mousse. Ah foi tudo uma delícia!

Ficamos lá ainda mais um pouco e depois voltamos à casa dos pais da Simona e era hora de eles abrirem os presentes deles. Eu só tinha comprado um presente pra Simona, e ganhei mais ainda. Ganhei dela e da mãe dela, e depois fiquei lá sentada no chão brincando com os cachorros e assistindo a troca de presentes entre vó, irmão, pai, mãe, a família toda reunida, muito bacana. E depois ainda inventamos de assistir um filme mas tinha sido tanto vinho que pegamos no sono no sofá no meio do filme.

Dia seguinte: mais Natal! Desta vez, com a família do pai. Fomos lá ao almoço de Natal, e fazia tanto frio, mas tanto frio, que eu não saía de perto do fogo. O almoço de Natal era uma sopa de frutos do mar, e como eu apesar de ser do litoral sou alérgica, fiquei na segunda opção que era vitelo com molho de atum. Mas percebi que o almoço, a ceia, a comida em geral não importa muito, o que importa mesmo é o vinho! Houve uma certa baixa no estoque de vinho por lá nesse fim de semana. E a torta de cereja de sobremesa do almoço era com licor de cereja forte como grappa. Forte demais, tive que rejeitar. Na ceia da noite anterior, experimentei licor de alcaçuz e apesar de bem doce, é muito gostoso.

Durante a ceia, o jantar e as conversas, escutei italiano até dizer chega, e sabe que não é nada de outro mundo? Quer dizer, pra quem mora num lugar onde se fala alemão, nada mais é de outro mundo, ne. Mas digo, pra mim que nunca estudei italiano na vida, prestando bem atenção nas palavras, dá pra captar, e falando português devagar dá pra ser entendida também. Foi engraçado porque todos falam italiano, mas um fala também francês, mas não fala inglês, o outro fala só inglês e italiano, o outro só fala alemão e italiano, então nas combinações entre meu italiano meia boca, meu francês arranhado, meu alemão tímido, meu inglês e meu português, consegui me comunicar até que bem, modéstia a parte.

Mas mesmo sendo na parte italiana da Suíça e falando-se italiano como se não houvesse amanhã, ainda estamos na Suíça, então nada de extravagâncias. Uma coisa que eu senti falta é que não tinha música, por exemplo. Costume suíço. Apenas pessoas conversando. E como costume suíço também, nada de ir até altas horas da madrugada. Acabou a comida, acabou a sobremesa, fecha-se ou termina-se a garrafa de vinho ou champagne e basta. Finito.

Voltamos pra casa e com a calmaria da bela vista dos alpes, em apenas um fim de semana, eu coloquei meu sono acumulado em dia. Fazia muuuuito frio. Hoje mesmo fazia menos 10 graus e só pra ir ali fora pra levar os cachorros pra fazer xixi, tinha que se vestir dos pés à cabeça e ainda tremer de frio. E pena que tive que vir embora hoje senão iríamos esquiar (cof cof...). Ontem ventava muito e não tinha condições de fazer nada lá fora. Tinha muuuito gelo na rua e eu quase levei uma queda várias vezes, mesmo com a minha super bota. O carro também dava umas derrapadas.

Ficamos trancados em casa fazendo massa de nhoque, jogando guitar hero, wii, ouvindo e cantando músicas de Natal e mimando os cachorros.

Mas também com um climazinho frio, gostoso, zero barulho lá fora, as comidas mais deliciosas e calóricas da Suíça e uma vista dos alpes como se tem em hotel cinco estrelas, é um privilégio ficar em casa e poder curtir isso.

Saca só a vista da janela...

E assim foi-se um Natal na Suíça.

24 dezembro 2010

É Natal! Tá nevando!

Este é o segundo Natal que passo na neve e no frio. O primeiro foi há muito muito tempo atrás quando eu era intercambista de high school nos EUA. E agora aqui na Suíça!
Esta semana começou com temperaturas menos baixas que na semana passada. Teve dia que até fez 8 graus! Uau!!! A neve foi derretendo toda e ontem já não tinha mais quase nada. Mas aí hoje, quando acordo, olho pela janela e tá aquela neve grossa densa caindo do céu. E mais uma vez meu Natal começa branquinho branquinho.
Eu confesso que não estou muito em clima de Natal não, mas aqui em Berna, as casas e apartamentos estão todos cheios de luzinhas e árvores de Natal, o centro da cidade está todo enfeitado com a feirinha de Natal e em todo lugar tocando musiquinhas  jingle bells. A neve chegou hoje cedo pra carimbar o Natal branco, iluminado, gelado e repleto de neve super tradicional do lado de cá.
Estou partindo para Ticino daqui a pouco. É lá que vou passar o Natal. Longe da minha família, sim. Este ano, devido aos acontecimentos e pelo que está por vir, precisei abrir mão da viagem pro Brasil e ficar por aqui.

Desejo a todos um Feliz Natal! Paz, harmonia e abracem muito a família de vocês!

23 dezembro 2010

Ice Ice Hockey, baby!

O Hockey (ou Hóquei em Português) é um dos esportes mais comuns em terras onde é suficientemente frio para o gelo ser natural, como Canadá, países nórdicos, aqui na Suíça, etc. Quando morei nos EUA, meu "irmão" lá jogava hockey e era a primeira vez que eu fazia contato com tal esporte, pois no Brasil nunca tinha nem ouvido falar.
Aqui na Suíça o hockey é muito popular. Talvez até mais que futebol... humm.. muito mais que futebol!!! Suíço que é suíço mesmo, em geral, curte mais assistir uma partida de hockey do que de futebol. Pelo menos os que conheci e o que tenho visto por aqui até agora me asseguram a dizer isto. A Suíça tem muito mais tradição em hockey.
O campeonato mundial de hockey de 2009 aconteceu na Suíça e apesar de a Rússia ter ficado em primeiro lugar e a Suíça só em 9o, este ano a Suíça ficou em 5o e é sempre muito bem criticada. O campeonato suíço de hockey é uma festa interna a parte. É como o campeonato brasileiro de futebol. Os suíços sabem os nomes dos jogadores, acompanham os jogos, discutem, se soltam como só no esporte!
Então na terça-feira passada, no primeiro dia oficial de inverno, fui com o pessoal assistir a partida do time da cidade onde moro, a capital da Suíça, o SC Bern, contra o time de Fribourg, time da cidade já na parte francesa da Suíça. Um dos nossos colegas que assistia ao jogo com a gente é de Fribourg, então a gente foi mais por conta dele. Eu mesma nem sabia que ia ter jogo! E sabe que foi show de bola? Er, quer dizer... show de disco de ferro?!!
As equipes de hockey são formadas por 6 jogadores que patinam no gelo com uma naturalidade como se estivessem correndo na grama com um taco atrás de colocar o disco de ferro que vai deslizando no gelo no gol do adversário. Mas não é assim tão simples. É um esporte violento e agressivo. É cada pancada que eu não me surpreenderia se o cara desistisse de jogar após cada choque, mas aparentemente eu não sei nada mesmo de hockey, porque embora os jogadores vistam pesados equipamentos de proteção, mesmo depois das pancadas, eles se levantam e continuam patinando na maior velocidade lá no jogo como se nada tivesse acontecido.
O jogo aconteceu no estádio do time da casa, o PostFinance Arena, e estava lotadaço! Mais de 17 mil pessoas foram lá assistir. Obviamente a maioria era a torcida de Berna com gritos de guerra e uma energia onde só o esporte proporciona. Interessante é que no estádio não há aquecimento, pois a arena é puro gelo. Assistir aos três períodos de 20 minutos com intervalos de 15 entre um e outro toda empacotada faz parte do apoio ao seu time do coração. Na hora do gol, todo mundo comemora, grita, se abraça e nos intervalos se esquenta com gluhwein.
O jogo aconteceu dentro da liga nacional e o time da casa ganhou! SC Bern 5 x 1 Fribourg. Podem imaginar como a galera vibrou com a vitória, ne. Nos cinco gols, uma festa! O time de Berna hoje encontra-se na quarta posição na classificação geral do campeonato, enquanto o adversário, Fribourg, está em sétimo. A classificação parcial e mais informações sobre o campeonato suíço de hockey você encontra aqui.

22 dezembro 2010

Crostata de damasco

Na festinha de Natal que fiz na minha casa, preparei alguns aperitivos, fiz pão de queijo, fizemos raclete e de sobremesa, tivemos a crostata de damasco, que é uma receita italiana de torta de damasco.

Eu não tenho muitas habilidades na cozinha, mas seguir passos de receita não é tão difícil. Então a minha amiga suiça-italiana preparou comigo em poucos minutos a tal da famosa crostata para a sobremesa da nossa festinha, e eu aproveito para registrar e compartilhar a receita com fotos, pois ficou uma delicinha, vale a pena. É muito fácil de fazer e os ingredientes são muito básicos. Quem tiver sem idéia de sobremesa nessas festas de Natal, tá aí minha contribuição. E o sabor, obviamente, não precisa ser de damasco, pode ser de goiaba, framboesa, cranberry, pera. Fica muito bom.

Ingredientes: açucar, farinha, fermento, ovo, manteiga, geléia de damasco.

Modo de preparo:
1- Coloque 200g de farinha na mesa e separe com um buraco no meio, como na foto abaixo. A Simona diz que a maneira de misturar faz toda a diferença na consistência da torta. E o buraco no meio para a mistura é o x da questão. Então tá bom, vamo lá.
2- Espalhe 100g de açucar por cima da farinha.
3- Adicione o fermento à farinha e açucar.
4- Misture 1 ovo.
5- Misture tudo bem misturado.
6- Adicione 100g de manteiga à mistura.
7- Quando a massa tiver bem misturadinha e bem homogênea, unte a forma com manteiga e farinha.
8- Com a ajuda de um rolo, ou no nosso caso uma caneca, espalhe a massa numa forma média, mas deixe uma pequena porção da massa separada para fazer a camada de cima logo mais.
9- Adicione a geléia de damasco sobre a massa.
10- A camada de massa por cima na crostata normalmente é entrelaçada, mas pode ser decorada como você quiser.
11- Depois é só por no forno por uns 15 a 20 minutos e saborear!
Viu como é fácil? Vida no exterior também é aprendizado na cozinha!

3x4: Budapeste com a Liana

Ter conhecido Budapeste este ano foi uma das melhores coisas que aconteceu este ano pra mim. Postei aqui e demonstrei toda minha alegria e satisfação pela viagem.

Aí a Claudia do site Aprendiz de Viajante me convidou para fazer um 3x4 sobre a viagem no site, e vê que barato que ficou aqui: http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2010/12/22/3x4-budapeste-com-a-liana/

21 dezembro 2010

Altos e baixos de um ambiente de trabalho multicultural

No estado que estou hoje, talvez seja exagero dizer que é uma relação de amor e ódio. Mas sem dúvida de altos e baixos. Só que ultimamente com altos médios e baixos bem baixos. Sim, é uma pena, porque tinha tudo para ser o emprego perfeito, culturalmente equilibrado​, estável. Mas nem tudo é perfeito mesmo.
Quando me foi oferecida esta vaga, eu imaginava como seria trabalhar num departamento com gente de 17 nacionalidades diferentes​. Sou da área de TI (tecnologia da informação), então somos​ particulares do nosso jeito. Eu estou acostumada a, por exemplo, trabalhar numa sala só com homens. Desde que fiz 3o ano do 2o grau quando dividiram as salas por áreas e eu fiquei na sala de exatas, era eu, mais duas meninas e uns 30 garotos. Na faculdade foi assim, nos meus estágios foi assim, no meu primeiro emprego foi assim, no meu mestrado foi assim e é assim até hoje. Não tenho problema com isso, já me acostumei. E já me acostumei a trabalhar com essa galerinha nerd, porque querendo ou não eu faço​ parte dela, mesmo sendo quase uma exceção por ser mulher​.
Então acreditei que meu nível de tolerância e flexibilidade fosse mais elevado, pois passava por situações que minhas amigas de outras áreas não viviam. Me achei pronta para aumentar o nível de dificuldade e vir bater aqui, trabalhando nessa área louca e cruel com gente de tudo quanto é lugar, isto é, homem de tudo quanto é lugar. E comecei a perceber as particularidades, não só que já tinha observado da área de exatas, mas isto misturado com as particularidades de diferentes nacionalidades e costumes. Mesmo sendo uma organização internacional e existir políticas de respeito de costumes e culturas e etc e tal, com o tempo, fica tudo bem claro.
A culpa de meu atual emprego não ter dado certo não foi porque é um ambiente de trabalho multicultural. Se é que existe culpa nessa história. Mas o lema de respeito e neutralidade de comportamento também termina levantando uma outra questão: a da indeferença. O lema às vezes pode ser traduzido na verdade como "cada um por si" e ninguém leva uma estrela dourada no peito por ter feito o trabalho que seu colega sei lá de onde​ não fez.
É difícil aplicar regras, criticar, elogiar. É difícil não rotular e agrupar as nacionalidades em adjetivos, porque você também termina sendo rotulada e o grupo que você se encaixa hoje talvez seja o seu refúgio no meio dessa babilônia. Mas quem foi que disse que era fácil? Meu orientador do mestrado já dizia que se fosse fácil não tinha graça. É, Sergio, eu ainda concordo. Mas precisava ser tão difícil?
Os alemães são sempre os mais temidos, os tidos como mais sérios e rígidos, mas isto não quer dizer que eles sejam competentes. Os italianos vão sempre ​ser aqueles que o sotaque é difícil de ajustar quando falam outro idioma. Os franceses sempre terão seu modo único de se comportar, olhar e falar. O suíço, por outro lado, é sempre aquele que tenta ser o mais profissional possível, mas normalmente se manifesta quando é cutucado. O povo da Romênia geralmente é tido como quieto e machista, se for homem principalmente. Colocar um romeno homem para trabalhar com uma mulher brasileira por exemplo, não é a melhor idéia do mundo. O brasileiro, em geral, é profissional e trabalhador, e não tem problema nenhum em mergulhar de cabeça no trabalho, no emprego. Acho que brasileiro pode ter fama de preguiçoso e malandro, mas em geral se tiver que pegar pra valer no batente, somos capazes de trabalhar horas extras, sob pressão e produzir resultados surpreendentes. Coisa que um sueco ou um inglês poderia se recusar ou ter mais dificuldade a fazer, por exemplo.
Por um lado, é bom estar rodeado de gente expatriada como você num ambiente de trabalho, que não importa de onde vem vai passar por dificuldades naquele país que você também vai, apesar de a maneira de lidar com isto possa diferir de você pra eles. Por outro lado, não é bom se sentir para sempre ilhado com um monte de expatriado mais ou menos na mesma situação que você, e aumentar mais ainda o caminho de se sentir em casa quando se está longe do seu país de origem, se é que isso um dia vai acontecer, uma vez que saímos do Brasil pra morar fora. Mas a integração com o povo nativo de onde você mora fica mais difícil, e você termina se sentindo longe de casa e ainda distante do ​próprio país onde mora.
Onde eu trabalho hoje, temos benefícios de diplomata, mas isso não é de todo bom. É ótimo não ter desconto hoje na folha de pagamento, mas não é de todo bom não pagar impostos​ e não contribuir para os serviços do país onde mora. Um dia você vai querer o retorno que poderia ter se estivesse pagando impostos por aqui. A sua legalidade é outro ponto. Imigrar não é fácil. Imigrar direitinho com papéis acertados é menos ainda. Mas imigrar direitinho como a lei do país manda também dá direitos aos imigrantes, que com o tempo, vai ser possível usufruir. A integração é necessária para quem imigra. Do contrário, você se sente um eterno ​estranho no ninho. Você não vai mudar de nacionalidade, mas o impacto pode ser menor.
O contato com gente da mesma nacionalidade que a sua é, digamos, uma tentação. É bom, mas é ruim. É ruim, mas é bom. É bom porque quando você encontra gente com quem tem afinidade e pode conversar no seu idioma, melhora seu humor, você fala na sua língua do jeito que você sabe que será entendido e está acostumado, mas é ruim porque não dá pra viver longe mas numa comunidade de gente da mesma nacionalidade como se aquele cantinho fosse seu país. Em primeiro lugar, você não saiu do seu país pra isto, certo? Dessa maneira, vai levar mais tempo para aprender de vez o idioma do lugar que você está, o processo de integração é mais longo e doloroso e você termina nunca se deixando voltar totalmente, nem que seja por algum tempo do seu dia, ao novo país onde mora, à nova cultura. E o governo do novo país onde você mora não quer imigrante formando coloniazinha que não se integra. Sacou a faca de dois gumes? De novo: quem disse que era fácil?
O trabalho ocupa a maior parte do seu dia, se você como eu trabalha oito horas por dia, quarenta horas por semana. E trabalhar com gente de tudo quanto é nacionalidade afeta. Afeta a sua vida. E muito. É ruim, mas é bom.​ É bom, mas é ruim.

20 dezembro 2010

Festa de Natal do trabalho

Comentei ano passado que o meu trabalho, como toda empresa, faz festa de Natal e a cada ano escolhe um país como tema da festa. Ano passado o país-tema foi a Tunísia e tivemos a festa das mil e uma noites, dança do ventre e músicas árabes. Foi legal, mas como pediram pra ir vestido a caráter, muita gente desistiu de ir por causa disso. Este ano o país-tema foi o Japão e tivemos a festa toda decorada com coisas do Japão, sushi no menu e os japoneses que trabalham no bureau vestidos a caráter.
Deu muito mais gente do que no ano passado! Eu não gosto de sushi e as alternativas para o jantar não eram assim oh que maravilha. Mas isso foi o que menos importou. Me juntei com o pessoal que sou mais chegada numa mesa e ficamos juntos conversando, até as luzes se apagarem...
A medida que as luzes foram perdendo força e o DJ animando o repertório (ou não..), e o nível de alcool subindo no sangue, a galera que vejo todo dia tão formal e séria foi se animando e mandando ver na pista de dança.
Até o nosso diretor geral entrou na brincadeira. É engraçado mesmo essas festas de final de ano. O povo se anima, aparentemente esquece dos problemas e da sua posição profissional e nada mais faz sentido. No bureau é mais engraçado ainda porque é gente de tudo quanto é nacionalidade, então cada um se solta de um jeito particular. Ficar sóbrio, não participar da festa e observar os diferentes comportamentos de longe é missão impossível, até para quem é de recursos humanos.
Não que a regra seja todo mundo se embebedar até cair e sair pagando mico, não é isso. E ainda bem que isso não aconteceu. Mas é a descontração o ponto alto da festa. É quando não importa mesmo a nacionalidade, todo mundo dança com todo mundo, todo mundo canta aquela música brega, todo mundo fica mais desinibido e o clima tenso do dia a dia no trabalho é esquecido, mesmo estando perto das pessoas com quem você compartilha os stresses.
Até a temperatura amena e a neve caindo lá fora não é tão importante. Um pouquinho de calor humano finalmente se faz presente no ambiente de trabalho dessas terras geladas. Falando em calor humano, não é que até o DJ me surpreendeu com um CD escondido do Axé Bahia??
Não era dos melhores, mas o povo gosta de uma batucadazinha.