30 abril 2016

Parque das flores Keukenhof, na Holanda

Como falei no post passado, usei informações de vários blogs na programação da minha viagem pelo interior da Holanda, no último feriado de Páscoa. Encontrei muitos e muitos posts falando do Keukenhof, o maior jardim de tulipas do mundo, a 30 kilômetros de Amsterdã, e também próximo de Den Haag, onde eu estava hospedada. Tirando as esquinas de Amsterdã, um cartão postal típico da Holanda tem sempre uma tulipa, umas rosas, e isso se deve muito ao Keukenhof.
Para início de conversa, o parque Keukenhof só funciona na primavera, ou seja, durante 8 semanas. Sim, o resto do ano inteiro ele fica fechado. E portanto as datas de abertura variam a cada ano. Se você for a Holanda e fizer questão de visitar o parque, fique atento às datas. Este ano (2016), o parque abriu em 24 de março e fica aberto até 16 de maio diariamente das 8 às 19:30. Eu tive o prazer de poder visitar o parque no dia da abertura da temporada, 24 de março, e devo dizer que era a grande atração esperada desta viagem.
Em séculos passados, as tulipas eram símbolo de status na Holanda. A tradição passou de geração em geração e permanece viva até hoje. O melhor exemplo e símbolo disso é mesmo o Keukenhof. O parque existe desde 1949 e já passou por diversas expansões. Hoje aquilo ali é um mundo, são centenas de tipos de flores espalhadas em 32 hectares que podem ser apreciadas por pessoas que qualquer idade. Se uma pessoa andar tudo lá, são 15km a pé para percorrer!
Há algum tempo que venho me interessando por destinos e passeios mais natureza. Seja pelos efeitos da idade ou pela maternidade, fato é que eu adoro apreciar a natureza e estava louca para conhecer o Keukenhof de perto. Era um sonho que tinha. Estávamos hospedados em Den Haag (ainda vou escrever post sobre essa cidade), e o parque fica numa cidade chamada Lisse. A distância entre as duas cidades era de 40km, e eu poderia ter ido de transporte público, que aparentemente não é difícil. Tem vários blogs aí explicando como chegar. Mas como eu tinha o serviço da Blacklane para experimentar, fui e voltei de carro. Eu e o Edi passamos o dia inteirinho lá, e olha, não sei se vi tudo não.
Como eu fui dia 24 de março, ainda é iniciozinho da primavera e bem, o clima ainda não está aquela estabilidade toda. Então neste dia estava nublado e fazia frio ainda. Não choveu graças a Deus, mas sol também não fez. Com certeza aquilo ali num dia de sol deve ficar ainda mais deslumbrante. Acho que no início e maio deve ser a melhor época em relação ao clima. Outro detalhe, é que como fui no dia da abertura, muitos canteiros de tulipas ainda estavam no início da floração, então era cedo para ver aquele monte de bulbos altamente coloridos. A plantação é artesanal, mas há fornecedores e floricultores trabalhando, porque gente, é muita flor!
Mesmo assim, valeu super a pena. Chegando lá, a atmosfera é de parque da Disney. Pelo menos pra mim, acho que de tanta expectativa que criei, que chegando lá eu parecia uma criança olhando para todos os lados. É um espetáculo da natureza, mas organizado pelo homem. Canteiros organizados por espécies, cores, tipos e variedades. Alocados meio a fontes jorrando água, pássaros cantando, árvores imensas. Olha, dá realmente pra se distrair ali por um bom tempo.
Lá também há um moinho dos ventos super antigo, que dá para um campo enorme de plantação de tulipas, que quando eu fui ainda não estava florido. Há também vários pavilhões com eventos acontecendo, exposições, restaurantes, cafes, parques para crianças, áreas de picnic, lojinhas de souvenirs. Tem também passeios de barcos, visitas guiadas, área para andar de bicicleta. Realmente dá pra passar o dia inteiro ali. Não é a toa que são milhares de visitantes por dia que passam ali.
O parque realmente tem uma infra estrutura invejável, além de paisagens lindíssimas e até surreais, se olhar de longe, algumas áreas parecem uma pintura. Sem dúvida é um lugar na bucket list para ir, sabe. Daqueles lugares que vamos e nunca mais esquecemos. Apesar do pouco de frio que ainda fazia quando fomos, o Edi conseguiu aproveitar bastante. Tinha bastante espaço e zero perigo porque não passa carro e tal, então ele podia correr a vontade, brincar, conhecer e se admirar com as paisagens.
Fui com o carrinho, então depois do almoço ele tirou uma soneca enquanto eu continuei o passeio. Eu realizei o sonho que tinha de conhecer o parque das flores da Holanda. Valeu muito a pena e fica na memória mais uma lembrança de um passeio inesquecível.

25 abril 2016

Holanda

Para muitos brasileiros que visitam a Europa e passam pela Holanda, o país se resume a Amsterdam. Que sem dúvida é linda, é a principal porta de entrada no país e tem muita muita coisa pra ver por lá, e é claro, é geralmente a primeira opção de cidade a conhecer no país. Acho justo. Eu mesma já fui duas vezes a Amsterdã, a cidade é muito interessante e nas duas vezes que fui, apesar de toda a cultura e bateção de perna durante o dia, o dia sempre terminou nas baladas da capital holandesa, que de novo, sem dúvida, são uma das melhores do mundo. Porém agora meus interesses estão mais calmos e viajando com o Edi, um dia inteiro passeando pra cima e pra baixo já é suficiente para satisfazer minha fome de viajar, e as baladas já não fazem mais parte da minha rotina. Mesmo cortando a night, acho que Amsterdã ainda tem pontos de interesse suficientes para esgotar dias de turismo intensos por lá. Mas tendo eu já viajado duas vezes à Amsterdã, tirei a bonitinha do meu roteiro desta vez, pois meu foco era outro: conhecer o interior da Holanda.
A Holanda merece ser conhecida além Amsterdã, pois é no interior, nas outras cidades que estão muito de sua verdadeira cultura e hábitos e lá podemos ver outras características dos países baixos. Aliás países baixos pra quem não sabe é a tradução de "Holanda" em holandês. Isso porque geograficamente parte da Holanda fica de fato abaixo do nível do mar. O país foi "ampliado", digamos assim. Grande parte de suas terras foi obtida através da recuperação e preservação de terras por meio de elaborados sistemas de diques. Por isso há tantos canais, os famosos canais que vemos nos cartões postais de Amsterdã, e não só em Amsterdã mas em várias outras cidades.
A minha viagem ao interior da Holanda foi de 5 dias, aproveitando o último feriado de Páscoa. Fui com o Edi de trem de Berna, passando por Frankfurt e ficamos em Den Haag, aliás, onde fica a sede do governo holandês e considerada por muitos a verdadeira capital da Holanda. Den Haag é linda e com um custo exorbitantemente mais baixo que Amsterdã. Ainda vou fazer post detalhado mas as cidades que visitei foram: Den Haag, Gouda, Utrecht, Rotterdam, além de passar um dia inteiro no maior parque de tulipas do mundo, o Keukenhof, que merece um post exclusivo. Foi uma viagem sensacional.
Um clima temperado marítimo com bastante vento pois o país é banhado pelo mar do Norte que vai até à Dinamarca e Noruega, compensou os dias de férias do clima gelado da Suíça. A simpatia das pessoas e a atmosfera leve talvez resultado da política liberal do país também foram significativamente perceptíveis, principalmente se você mora na Suíça, onde o povo é muito mais fechado. Tantas bicicletas e tanta infra estrutura para sustentar esse hábito popular dos holandeses também foram um ponto que me chamaram atenção, mesmo aqui na Suíça também tendo bastante gente rodando as ruas de bicicleta. Na Holanda nem se compara. Sem dúvida é um dos países do melhor qualidade de vida do mundo, e se não fossem os altíssimos impostos que se pagam por lá, eu moraria lá sem pensar duas vezes.
A Holanda é membro fundador da União Europeia, a moeda é Euro, mas diferente da Alemanha e da França, ela não se envolve em questões e discussões polêmicas e raramente está no olho do furação entre reportagens de crise envolvendo a Europa, como a questão dos refugiados, desemprego, etc.
Antes de ir eu pesquisei bastante sobre as cidades que queria visitar, o que visitar, onde ficar e tal, e li vários vários blogs. Aliás acho uma das melhores maneiras de pesquisar sobre destinos, é ler experiências dos outros. E faço questão de mencionar o blog do Daniel, o Ducs Amsterdam, que mora na Holanda desde 2007 e desde a época quando fui a Amsterdã da 2a vez, ele já fazia um ótimo trabalho no blog dele, e tem Amsterdã praticamente coberta com várias dicas e tudo que precisamos saber para planejar uma viagem por conta própria. Nos próximos posts falarei da minha experiência nas cidades que visitei e contarei mais dessa viagem maravilhosa.

24 abril 2016

April, April – der macht, was er will

Abril, Abril, ele faz o que quer.
Esse é um ditado bem popular aqui na Suíça, pelo simples fato de o clima ser tão instável, mas tão instável, que não dá mesmo pra prever bem como estará o dia amanhã. Veja bem, hoje é dia 24 de Abril, estamos quase no fim do mês. A primavera aqui no hemisfério norte começou oficialmente no dia 20 de março, e vai até o dia 19 de junho, que é quando chega o verão.
Um pouco antes do início da primavera, no dia 13 de março, começou também por aqui o horário de verão (que aliás dura até Novembro), e é quando temos que voltar o relógio uma hora. Temos menos sol de manhã cedo mas temos mais luz de sol no fim do dia, o que significa que agora por exemplo às 8 da noite ainda tá maior solzão, e isso só melhora até junho, que é quando teremos o Solstício de verão, quando o sol atinge a maior declinação em latitude e nós temos o dia (em termos de claridade) mais longo do ano. A partir desse dia, começa a diminuir o tempo de luz de sol por dia, até atingirmos o Solstício de inverno, o dia mais curto do ano em termos de claridade, e a partir daí tudo se repete.

Mas deixando um pouco a aula de astronomia de lado, por aqui desde o fim de março temos tido sim um aumento gradativo na temperatura, que se sente não só na pele, mas no humor das pessoas ao andar na rua, nas vitrines, na atmosfera mais animada que toma conta da cidade, no sol que vai até mais tarde, na natureza que fica mais viva, nas flores e canteiros que sorriem para nós, uma alegria contagiante. É hora de sair da toca e curtir mais o tempo ao ar livre. Como já escrevi aqui antes, parece uma explosão de alegria como uma despedida do inverno. Na primavera tem dias que de manhã cedo quando saio de casa pra ir pro trabalho está tipo zero graus, e vai aumentando ao longo do dia e no fim do dia o termômetro marca 20 graus. De manhã temos que sair de casa ainda de casacos, cachecol, e no fim do dia estão todos segurando seus casacos nos braços e tirando os óculos escuros das bolsas. Época que o clima varia tanto num dia só que realmente nos deixa confusos.
A questão é que, veja bem, desde o início da primavera, já tivemos dias tão lindos de até 20 graus, de poder tirar casacos e socar todas as roupas do inverno no porão, não desejando as ver tão cedo. Isso tudo para que o tempo mude assim da água pro vinho. De ter dias inteiros de chuvas. De ter uma previsão de neve e temperaturas negativas nos próximos dias. É de desacreditar mesmo, agorinha o sol estava brilhando... Hoje de manhã está zero graus aqui na minha varanda e já nevou. Uma neve ralinha que não vai ficar, que talvez depois vire chuva ou que vire o tempo no fim da tarde com um sol lindo e talvez chova granizo. Mudança de estação tem dessas coisas. Coitada da meteorologia que mais parece ganhar na loteria quando acerta uma previsão.
Abril, Abril, ele faz o que quer. É a nossa prova final de sobrevivência, de resistência dos rastros do inverno que se arrasta e teima em nos deixar. Abril que traz 30 dias de incertezas e transição de estações. Todo ano é a mesma coisa, e todo ano ainda nos surpreendemos com os fenômenos da natureza. Continuamos por aqui aguardando Abril terminar de apresentar seus espetáculos do ano e terminar, para entrar Maio, e com o novo mês, mais luz de sol, menos instabilidades e temperaturas mais eleveadas mais frequentemente. Estou otimista. Que venha o verão.

23 abril 2016

Berna: Restaurante Plaftform

O centro de Berna é o lugar mais atraente na cidade para várias coisas. É lá onde estão os principais pontos de interesse da cidade, lojas e mercados e é pra lá onde a maioria dos turistas está em suas passagens pela cidade. Não apenas turistas, mas quem mora aqui também, se dirige ao centro em busca de bons lugares para comer. Sendo assim é lá mesmo onde estão os restaurantes e bares mais populares da capital suíça e é lá que está o restaurante Plattform, do qual venho falar aqui hoje no blog.


Em tempos de publipost e recomendações duvidosas, eu saliento: este não é um post patrocinado. Continuo recebendo muitas mensagens agradecendo as dicas que já escrevi aqui no blog de Zurique, principalmente de bares e restaurantes que costumava ir quando morava lá (tudo sobre Zurique aqui), e agora morando em Berna, mesmo sendo uma cidade menor, continuo recebendo perguntas de coisas pra fazer na cidade e também dicas de onde comer por aqui. Portanto, resolvi escrever este post e vou tentar fazer isso com mais frequencia, escrever sobre os lugares que vou e gosto.


O Plattform é um restaurante que eu já fui várias vezes desde que voltei a morar em Berna, é um espaço relativamente novo porque foi reformado, e é do tipo que realmente só dá pra recomendar se você já foi mais de uma vez lá. Simplesmente porque o lugar é como vários restaurantes num só. Diferente dos restaurantes tradicionais, são várias especialidades, vários tipos de cozinha reunidos num só espaço. Ok, o espaço até que tenta ser dividido, pelo menos na decoração, mas tudo faz parte de uma coisa só.

Você pode ir lá e ter opções de menu de comida asiática, carnes, massas e pastas, tapas, sobremesas diversas além de um bar para happy hour. Ou seja, tem de quase tudo. Você pode ir com um grupo de mais 3 ou 4 pessoas e cada um pedir uma especialidade totalmente diferente, estando todos sentados na mesma mesa. Não é self service, o cardápio é um só para todos os tipos de cozinha disponíveis, o que é ótimo para famílias ou amigos que não estão com vontade de comer a mesma coisa naquele dia, não é legal?



Tão prático e tão diverso, eu adorei. O Plattform fica bem na Bärenplatz, uma das principais praças da cidade, ao lado do Parlamento, alguns metros da estação central, porém atenção, o restaurante fica no 1o andar. No térreo é outro restaurante. Basta subir as escadas de onde você vê o sinal "Plattform" e pronto, lá está o lugar que aliás é bem grande. Interessante é que o restaurante é aberto apenas de Segunda a Sábado, Domingo é fechado tanto para almoço quanto para jantar. Digo interessante porque ok, Domingo aqui é dia de descanso e o comércio é fechado, mas bares e restaurantes costumam abrir. Com horário restrito mas abrem. O Plattform não. Cheguei lá um dia de domingo com uns amigos e o lugar estava fechado.


Durante a semana o Plattform é também bem popular no almoço de pessoas que trabalham e vão gastar sua hora de almoço na cidade. Não é dica apenas para turistas não. E lá, se você sentar em uma das mesas próximo à área da cozinha tailandesa, pode ver os cozinheiros preparando sua comida, ou se sentar próximo à janela tem a vista da Bärenplatz, é definitivamente bem interessante, vale a pena a visita. Eu já fui lá várias vezes e já comi pizza, carne, comida chinesa. A qualidade da refeição estava sempre muito boa e o preço, bom, estamos na Suíça ne. Mas nada fora do normal. Recomendo.


O site aceita reservas online e dá detalhes de todas as opções de menu nas diversas cozinhas: http://www.plattform.be/