21 dezembro 2013

Zürich: Bellevue

A praça Bellevue em Zurique é um dos pontos de referências mais importantes da cidade.
A praça é não só estrategica e geograficamente bem posicionada, pois consegue alcançar linhas de trams vindo de variadas direções, como também é pertinho do rio Limmat e do lago Zurich, e apenas uma ponte a divide da famosa rua de compras da cidade, a Bahnhofstrasse.
Como falei no post sobre a Seefeldquai, a partir da Bahnhof, descendo o Limmat pela Limmatquai, chega-se em Bellevue. E dali, todas as direções são possíveis. É ali que tem a feirinha de Natal na Sechseläutenplatz, que aliás já é uma praça conhecida pelo evento do fim do inverno, onde é até meio dia feriado em Zurique.
É por ali também que tem a Opernhaus de Zurique, a casa de opera da cidade, onde famosos concertos e apresentações importantes acontecem durante o ano. E é ali também onde tem o Cafe Felix, que falei há uns posts, alem de vários outros cafes e restaurantes bacanas.
Bem, a praça mesmo Bellevue não tem nada de muito interessante não. Não é um ponto turístico. Tirando o ponto de referência que é importantíssimo em Zurique, não tem nenhum marco nem nenhuma estátua simbolizando a praça, além de umas lanchonetes e quiosques vendendo pizza, jornal e café e uma fonte. Bem, é verdade que no verão vira ponto de referência bem mais forte, já que aparecem quiosques de salsichas ao ar livre e o happy hour por ali é bem concorrido.
A importância do lugar se dá mesmo pelos arredores. O lago, o rio, a ponte ligando à Bahnhofstrasse, as conexões com todos os trams e a proximidade com uma estação menor, a de Stadelhofen, de onde vem os S-Bahns de lugares mais afastados de Zurique. Enfim.
Ao redor de Bellevue tem prédios antigos, com instalações de cafes, clínicas odontológicas, lojas de departamento como Globus e Coop city, vários restaurantes legais, lojas de griffe. Não é uma área residencial, mas morar em Zurique é ter Bellevue como referência na separação do rio Limmat e o lago Zurich. A partir dali, andando na beira do lago, voce está em Utoquai.
É inevitável para quem mora aqui ou até turistas não terminarem conhecendo ou ouvindo sobre a praça. Então quando ouvir, já sabe :)

13 dezembro 2013

Seefeldquai

Andando da estação central de Zürich ao longo do Limmat na Limmatquai e depois na Utoquai, você chega a Seefeldquai. É uma caminhada looonga, são 3km e os ambientes são diferentes. Na Bahnhof de Zurique, de onde saem os trens e onde todos os trams e ônibus se encontram, fica o ponto central da cidade. Andar ali é obviamente bem corrido porque junta todo mundo: turista, caminho do trabalho, da faculdade, da escola, pegar o trem pra ir não sei pra onde, tudo passa pela Bahnhof.
Aí descendo o Limmat, começa um pouco da cidade mesmo. O rio a direita, a vista das torres, das igrejas, os bares, restaurantes e lojas do lado esquerdo, e a Bahnhofstrasse em paralelo do outro lado. Maravilha. Só a Limmatquai já é uma caminhada e tanto. Antes que voce perceba, voce chega em mais uma praça principal centro de conexões, a Bellevue, onde fica o Cafe Felix que falei há uns posts. Ali a Limmatquai vira Utoquai e a caminha continua apenas ao longo agora do lago, o rio Limmat vira o Lago Zürich.
Aí andando pela Utoquai, que também não é um passeio curto, e andando um pouco mais, voce já está bem longe da estação central, nosso ponto de partida no início do post. Você chegou na Seefeldquai.
Perto de onde a promenade do lago Zürich se separa mais da rua onde passa carros do lado esquerdo e o cenário vai virando mais pacato e menos movimentado, ali é a Seefeldquai. Continua sendo a beira do lago, mas já é outro ambiente. Ali tem clubes, piscinas privadas, e começa a área de casas mais luxuosas, a pista que voce ta caminhando de repente tem gente fazendo cooper e senhoras jogando comida pros cisnes do lago. Uma área bem calma, bem tranquila, linda e ótima pra passear com o Edi.
Uma tranquilidade que te faz lembrar o que é qualidade de vida. Pra mim, uma caminhada pelo lago faz toda diferença na minha semana, me desligar um pouco e ouvir o silêncio, ver o lago. Ir mais além do lago e conhecer Seefeldquai confirmou essa vantagem ainda mais. Todo o caminho da estação até Seefeldquai são mais ou menos 3km. Andar 3km com um bebe não é uma atividade diária e comum pra mim, claro. Mas era sexta-feira e estávamos dispostos. O tempo apesar de frio estava claro, o outono já estava se despedindo e a paisagem ficou ainda mais tradicional.
Dali, voltamos pra casa. Mas por questão de localização, se continuasse andando, logo chegaríamos no Chinagarten, um parque que escrevi no verão. Agora vejo que já estou bem desenrolada entendendo a organização da cidade e onde fica o que.
Eu ♥ Zurique .

11 dezembro 2013

Solothurn

*post programado*

A gente percebe que já está há algum tempo num país, quando as principais cidades e pontos turísticos já são mais que de praxe pra voce. Berna, Genebra, Lugano, Lausanne, Zurique... Fora as montanhas que são um ponto de interesse a parte. Aí voce começa a conhecer as cidades menores, os vilarejos no interior pouco explorados, as curiosidades e os lugares que só quem já passou do deslumbre da fase de chegada conhece.
A Suíça é lindíssima, e as cidades menores fazem ainda mais jus à fama. Já falei de várias cidadezinhas e pontos turísticos suíços não tão conhecidos assim por aqui. E hoje venho acrescentar mais uma cidade à lista que vale a pena conhecer: Solothurn.
Solothurn é não só a cidade, mas como se chama o cantão. Cortada também pelo rio Aare, Solothurn é destaque não só pelo seu centro antigo, turisticamente falando, mas é uma cidade atraente para jovens que vão lá para estudar. É pequena, a população não chega a 20 mil pessoas, tendo o Alemão como língua principal, mas é o Italiano que fica em segundo lugar, ao invés do Francês. Aliás, dizem que é ali que tem uma grande concentração de estrangeiros vindos da Albânia.
Era sábado, dia das crianças, e Edi tinha 6 meses. Eric estava de folga e fomos nós 3 conhecer Solothurn. Estávamos em Berna, e de lá, são apenas 50 minutos de trem. Bom, o passeio foi super legal. A cidade é casa de nada mais que 18 estruturas tidas como patrimônios suiços de significância nacional. Há vários prédios históricos, cívicos e religiosos que vale a pena conhecer de perto. Andar no centro antigo de Solothurn é bem agradável, a cidade é super fofa, organizada, mas o destaque do passeio foi a Catedral St. Ursen. O Eric mesmo ficou tão impressionado com a imponência da catedral que disse que ela deveria estar era em Berna que é a capital da Suíça, e não em Solothurn! hahahahaha....
Tava bem frio nesse dia e depois de um certo tempo batendo perna, tivemos que entrar num cafe para aquecer um pouco e pra dar a papinha do Edi. E uma curiosidade que li é que Solothurn tem uma certa, digamos, afinidade com o número 11. Veja só: o cantão de Solothurn foi o 11o. a se tornar parte da confederação suiça, há 11 capelas e igrejas na cidade, assim como 11 fontes e 11 torres, a igreja St. Ursen tem 11 altares e 11 sinos, e a grande escadaria na frente da catedral tem níveis diferentes a cada 11 degraus. E por último, a cervejaria local se chama Öufi, que é 11 em suíço-alemão.

09 dezembro 2013

Fondue ao ar livre, Zunfthaus zur Zimmerleuten

Se voce não fala Alemão, calma, o título do post não é um xingamento. Para Zunfthaus não consegui encontrar tradução exata. Pode ser uma aliança, tipo uma prefeitura de um lugar, um órgão. E Zimmerleuten é carpinteiro. Não me perguntem detalhes, pois o que sei são as informações que têm no site, mas junto com 10 outras "alianças" como esta, o "Zunft zur Zimmerleuten" foi entre 1336 e 1798 responsável, na confederação suíça, pela vida política e social em Zurique.
Depois daí, com a reorganização do poder e de sua democratização, as alianças ainda exerciam alguma influência no governo da cidade, mas continuou a ser, e hoje resume-se em um "grêmio" de carpinteiros, como um clube, com 140 membros. Tradicional e turisticamente falando, continuam fazendo Zurique ser reconhecida e contribuem para a socialização por aqui.
O Zunfthaus zur Zimmerleuten passou por incêndio devastador em 2007, mas o espaço foi reconstruído no estilo que era antes, medieval, e em 2010 foi reaberto com uma culinária totalmente típica suíça, no coração da cidade mais conhecida do país.
No coração da cidade velha, na beira do Limmat na Limmatquai, com uma vista fantástica, o restaurante não podia ser mais atraente. Ora, pra começar, quando se fala em cardápio suíço, o que lhe vem a mente? Fondue, é claro!
A essa época do ano, quando tá começando o inverno, começa ali o Fondue ao ar livre! É isso mesmo! Calma, não estou louca! Open air Fondue a primeira vista pode até parecer meio insano mesmo, ora comer fondue ao ar livre nesse frio? Aliás, comer qualquer coisa ao ar livre nesse frio? Sim, é isso mesmo. E nem adianta querer comer lá dentro, pois a essa época, fondue só open air.
As mesas e cadeiras que ficam lá fora são bem preparados pra friaca. Cobertores do exército suíço mais quente que não sei o que para por nas pernas, cadeiras forradas com pelos de carneiro, e quando chega o fondue, o rechaud fica lá ligado no fogo e a batata no saquinho quente. O que mais? Pão e acompanhamentos estão servidos e não faz diferença se estão ao ar livre ou não. Tudo acompanhado de um bom chá preto quentinho, olha, não há programa mais suíço!
É verdade que não é a coisa mais agradável do mundo comer com toda essa roupa pesada, casaco, cachecol, etc., mas vale a pena uma vez na vida. E o fondue tava tão bom que eu nem percebi. Então quando a minha amiga de Ticino veio mais uma vez visitar a gente aqui, ela adorou toda essa swissness. Como ela não mora aqui e não conhece muita coisa de Zurich, aproveitamos pra conhecer o restaurante juntas. Parecíamos duas turistas tirando foto comendo fondue no centro de Zurique! E o Edi tadinho todo empacotado nos 3 graus que fazia nesse dia. Pelo menos tinha um solzinho pra animar a vida.
O fondue estava divino e eu mais que recomendo a experiência. 38 francos por pessoa. A vista é de graça.

Zunfthaus zur Zimmerleuten
http://www.zunfthaus-zimmerleuten.ch
Limmatquai 40
Zürich 8001

08 dezembro 2013

Dupla jornada: trabalho e maternidade

Muita gente me perguntou e continua me perguntando como é viver a dupla jornada de trabalhar e ser mae. Bom, eu diria até uma tripla jornada, pois além de tudo, sou chefe de família. Isso significa que além de trabalhar fora, cuidar do meu bebe, as decisoes de casa e do Edi sao minha responsabilidade.


No começo quando Edi começou a adaptaçao na creche e tivemos que nos separar, sem dúvida foi mais difícil pra mim do que pra ele. Ele nem sabia o que tava acontecendo e eu totalmente consciente tendo que me separar dele pela primeira vez, em 5 meses juntos todo santo dia e toda hora. Nao sabia que seria tao difícil. Nos primeiros dias que tinha que deixa-lo, nem ia pra casa, ficava batendo perna na rua esperando a hora de voltar. Mas num dia que fui pra casa sem ele, nossa, que aperto no coraçao ver todas as coisas dele lá e ele nao. Pronto, foi o suficiente pra cair no chão todas as minhas esperanças e começar a achar que toda essa história nao ia dar certo. Voltar pro Brasil, pedir demissão... quais eram as minhas opções mesmo?


Poxa, eu parecia ter organizado tudo tão direitinho... seria Deus rindo de novo da minha cara eu fazendo planos ainda, a essa altura do campeonato? Dessa vez, parece que foi sim. Mas ora, como eu ia conseguir me concentrar no trabalho sabendo que meu bebe, meu bebezinho que há poucos meses tinha nascido, está em um outro lugar, fora de casa, longe de casa, longe de mim, com "estranhos"? Como vao cuidar dele, e se ele chorar, e se sentir minha falta, e se sentir fome… Todos os "se" apareceram ao mesmo tempo na minha cabeça e eu me permiti sentir um certo desespero...


Pouco a pouco, a cada dia que eu deixava Edi na creche, eu também tentava me ajudar, ser positiva e racional. Get it together, Liana!!! Um dia de cada vez. Foi funcionando. Graças a Deus foram apenas alguns dias de desespero. O que hoje vejo que foi totalmente natural. Acho até que fui forte demais. De alguma forma, essa angústia foi passando, a adaptaçao na creche foi correndo melhor que eu esperava, e quem precisava de uma chacoalhada e adaptaçao era eu mesmo, nao ele. Pra ele, tudo era novo e ele nao estranhava novidades. Nessa época, pude contar com a ajuda da minha amiga de Ticino que ficou aqui comigo do meu lado nessa primeira fase de separação por alguns dias.
Primeiro dia de trabalho voltando da licença maternidade
Nos primeiros dias de trabalho, muita novidade, muita conversa, e surpreendentemente eu consegui ir me desligando, baixando um pouco a guarda e a preocupação com Edi. Eu fui mudando minha perspectiva com a creche, que Edi estava lá não apenas para continuar vivo enquanto eu estivesse longe, mas que estivesse bem, saudável, se divertindo, se distraindo, enfim, vivendo direito. As tias na creche fizeram um bom trabalho na adaptação com Edi e comigo, e eu passei a sentir confiança nelas, e deixando Edi lá. Claro, nos primeiros dias, liguei na hora do almoço pra saber como tinha sido a manhã, e a cada hora que passava era menos uma hora pra ir busca-lo. Eu imaginava a cada hora o que ele devia estar fazendo. Não preocupada neurótica, apenas alerta.

Novamente pouco a pouco, isso também foi diminuindo, melhorando, eu logo mudei de projeto, tive que me envolver mesmo no trabalho, ganhei responsabilidades, e o "luxo" de olhar pro relógio a cada hora e imaginar o que meu pequeno tivesse fazendo eu não tinha mais. Quando eu via, eu já estava tão mergulhada no meu novo projeto no trabalho, olhava pro relógio e já era 5 da tarde, hora de ir buscar Edi na creche.
Ainda bem! Antes super ocupada no trabalho, do que com tempo sobrando sem dar espaço pros meus pensamentos darem voltas sentindo falta do Edi. Hoje, trabalhando de segunda a quinta há 3 meses e com Edi na creche, fico tão feliz, mas tão feliz de ter dado certo. Pra mim e pra ele. Ora, pra ele porque como disse nos posts anteriores sobre a questão da creche, é maravilhoso pra ele ter contato com outras crianças e não ficar só preso a mim. E pra mim, é bom poder ter um pouco da minha vida, e poder tocar minha carreira que é o que me sustenta. Já dizia meu amigo Glaucio da faculdade em Recife: o trabalho é a espinha dorsal da vida.

O Eric tem altos e baixos. Hora está presente, hora não está. Mas infelizmente participa pouco do nosso dia a dia. Eu já desisti porque não dá pra contar com ninguém tão instável. Então eu que não estou acostumada a esperar por ninguém, vou lá e faço tudo eu mesma mesmo. E tá bem assim. Tem horas que ele está, que preferiria mesmo estar só eu e Edi. Sou eu quem o leva e traz da creche, que corre pra pegar o ônibus e toma café da manhã no trem a caminho do trabalho. Me distraio com meu dia super corrido, me satisfaço com meus projetos e meu time de estudantes que nem sabe mas tem me enchido de motivação. Quando vejo, o dia já passou, pego Edi na creche, as tias me contam o dia dele detalhadamente e a noite é nossa. Assim como as sextas-feiras e os fins de semana.
E antes que me perguntem, tive sim problemas na volta ao trabalho. Não foi assim tão smooth, pelo contrário, foi como eu ouvia dizer mesmo... "mulher que trabalha e vira mãe não é vista como a mesma no trabalho", "ter filho pra jogar numa creche e continuar trabalhando? melhor não ter!", "filho criado em creche!" e outros comentários terror. Mas ora, pra cima de mim, que cheguei aqui de mala e cuia e fui contradizendo clichês de mulher brasileira no exterior, de mulher na informática, e etc etc e tal. pra cada um que me aparecesse... me pareceu "apenas" mais uma batalha desafiadora a ser vencida. E venci.

Quando o blog estava fechado, cheguei a escrever um dia na página do blog no Facebook que o dia no trabalho estava pegando fogo e que estava doida pra abrir o blog e contar tudo. Bom, tudo, eu não vou contar. Mas em suma, um dos meus chefes foi literalmente claro que não me queria mais trabalhando com ele. E assim, sem razão. Ou melhor, como ele mesmo disse, porque eu "tinha um problema", isto é, um filho. E eu vou escrever de caps lock pra deixar bem claro: COMO SE TER UM FILHO INCAPACITASSE ALGUEM DE ALGUMA COISA! Ahh mas aquilo me deu mais combustível pra provar de novo do que eu era capaz. Aliás, como a vida parece insistir comigo...
Ele que me contratou, ele que me mandou pra India, ele que me promoveu, que parecia tão confiante e que apostou tanto em mim, agora estava me descartando? Por que motivo? Por que razão? Meu amigo, voce não sabe o que eu passei não pra chegar até aqui, com filho com tudo. Bom, graças a Deus, meu emprego não dependia só dele, porque senão ele tinha me posto na rua assim just like that. Meu outro chefe e a chefe do RH ficaram "do meu lado", e como eles são maiores, nós juntos vencemos, claro, com a prova de que eu continuava capaz. Me deram outro projeto, que eu agarrei com unhas e dentes e como eu, modestia a parte, sei fazer bem quando quero, fiz. E o resto foi consequencia só pra poder empinar meu nariz pro tal ex chefe.

Recebi elogios do chefe do projeto na Alemanha, recebi proposta pra ir lá liderar o time de teste de lá, e claro, não fui por causa de Edi, e já tenho outros projetos esperando no ano que vem. Em tão pouco tempo, o eco soou e chegou suavemente aos ouvidos do meu ex chefe. E como tudo que vai volta, um belo dia ele me chamou novamente pra conversar, e pediu desculpas, disse que não tinha sido bem assim e etc.

Gente, como é que a pessoa em 2013 faz um papelão desses. E o retorno foi breve, em parte devido ao meu grande esforço e vontade de mostrar serviço. Nessa brincadeira toda, sim, tive que fazer horas extras, quem me acompanha no Instagram (@lsos) me viu trabalhando de madrugada, de noite, fim de semana. Por sorte nessa época o Eric estava junto e ajudou com o Edi pra eu poder dormir e continuar viva. No final, de quebra, ganhei 5 dias a mais de férias. ho ho ho! in your face!
Pois bem. Não sou uma pessoa má nem vingativa, mas me provocar sem motivo, me julgar sem precedentes e duvidar da minha capacidade, meu amigo, voce está na verdade me ajudando a eu me esforçar ainda mais pra conseguir as coisas. E olha, eu consigo. Portanto, ele nem sabe, mas meu antigo chefe me ajudou ainda mais a mostrar serviço e me por em evidência, várias pessoas que não estavam nem ligando que eu tava voltando de licença maternidade ficaram de olho esperando ver a qualidade do meu trabalho (e viram) pra ver se fazia sentido os questionamentos do cidadão, e ainda tive as férias antecipadas com os dias que ganhei a mais por conta das horas extra. Ele me fez foi um favor.

Por sorte Edi normalmente dorme a noite inteira. Desde os 3 meses e pouco, começou a dormir a noite inteira e no começo quando voltei a trabalhar as noites foram bem tranquilas. Eu que acordava sozinha e ia lá ver se ele tava bem, e ele tava lá no décimo sono. No 4o mês quando começaram a aparecer os dentinhos de baixo, ele acordava a noite algumas vezes, o que me deixava mais acabadinha de manhã, porque de novo, nem sempre o Eric tava aqui. Hoje graças a Deus ele tem dormido bem. Quando acorda a noite, é com fome, e é só mamar rapidinho que pronto, já vai dormir de novo. Ainda não chegou o dia que ele acorda às 3 da manhã querendo brincar ainda bem hahahahahahaha!
E a noite quando chego em casa e fico com ele, estou sim cansada do dia no trabalho, mas é de novo aquela coisa.. se por um lado eu venho no caminho de ir busca-lo na creche pensando nas reuniões e nos testes e etc, quando o vejo, parece que aperta um botão e eu páro de pensar em tudo isso imediatamente. Enquanto venho pra casa com ele, aqui em casa enquanto estou com ele, eu estou COM ELE. Me desligo totalmente do trabalho, e de alguma forma, aparece energia pra brincar, cozinhar, dar papinha, dar banho. E eu gosto de fazer tudo isso. Não é impressionante?

Sem dúvida a fase que estou passando é uma das mais difíceis que já vivi na vida. Mas como já disse aqui uma vez, se fosse fácil não tinha graça. Quando chega a sexta-feira e eu olho pra semana, eu até agradeço por ter conseguido mais uma semana. Eu nunca estive tão cansada na vida, mas também tão motivada. Nunca me senti tão realizada, no trabalho e como mãe. Conseguir me organizar pra conciliar as duas coisas é uma vitória. Dar conta da dupla jornada é tarefa difícil pra burro. Olha, meus neurônios e minhas costas que o digam! É mais que se dividir em duas, é quase que ter uma dupla personalidade mesmo. Duas vidas tão mas tão diferentes, mas que de alguma forma se completam, ou melhor, me completam.


Eu só tenho mesmo é que esperar que tempos melhores venham, porque os tempos bons são os de hoje.

06 dezembro 2013

Creches em Zurique

O mundo dá mesmo voltas. Quem poderia dizer que um dia estaria eu aqui falando de esquema de creche! Pois é, mas estou. Passei poucas e boas pra organizar uma creche direita pro Edi, como contei no post passado, e aqui estou para contar os prós e os contras do sistema e como funciona na prática.

Bom, a verdade é que se voce quiser ter um filho na Suíça, se programe. Se o filho vier como o meu, não programado, prepare-se, porque é uma luta. Mas é possível vence-la. Ou melhor, vencer as etapas. Se voce é uma mãe que trabalha como eu, e decidiu entregar seu filho a uma creche, parabéns, acredito genuinamente que é uma boa opção. Agora, como escolher?
Em primeiro lugar, é preciso tempo, muito tempo. Tempo para pesquisar, escolher, visitar, tirar as dúvidas, comparar, visitar de novo, avaliar as condições, instalações, preços, custo benefício, enfim. É um mundo que voce só se dá conta de quanta coisa existe quando começa a acontecer mesmo.

Com tempo, é possível organizar suas prioridades. É melhor uma creche perto de onde voce mora ou perto do trabalho? E aí procurar as creches disponíveis naquele espaço que voce determinou. O site da prefeitura de Zurich disponibiliza informações valiosas na busca de Kinderbetreuung - veja aqui. Normalmente as creches (aqui chama-se Kitas), aceitam bebes a partir dos 3 meses (que é o tempo mínimo de licença maternidade) até 3-4 anos de idade, pois depois dessa idade a criança já vai pro jardim da infância.

Nem toda Kita tem o mesmo esquema de organização de grupos. Algumas creches têm grupos apenas de bebês, e outras misturam crianças maiores com bebês. Vejo vantagens e desvantagens nas duas. Nos grupos que são só bebês, o plano de atividades do dia é totalmente diferente do plano de atividades do grupo de crianças maiores. Não tem sessão disso, sessão daquilo, o dia basicamente resume-se em passar o tempo com os bebês. Porque bebes não interagem muito. Uns precisam de mais entretenimento que outros, então tirando o básico que é tentar seguir uma rotina de alimentação e troca de fraldas, o resto não vai variar muito. Grupos apenas de bebês normalmente não tem muitos bebês juntos. Porque exigem mais cuidados e atenção, e geralmente as creches preferem ter menos bebes, até porque senão fica lotado de adultos, pois as "tias" no grupo de bebês têm mais responsabilidades. 1 tia é responsável de 1 a 2 bebes, e nunca de 2 bebes muito pequenos ao mesmo tempo. Então se for um grupo com muitos bebes, imagine a quantidade de tias.
Outra coisa é que num grupo só de bebês, os bebes só interagem com os adultos. Sim, com outros bebes, claro. Mas eles não conversam entre si. Então vão ficar mais ligados e acostumados a conviver entre adultos. Dependendo da família, isso é uma vantagem ou não. Tem gente que prefere que o filho não tenha contato com outras crianças tão cedo, por questões de doenças e tal, que prefere que tenha contato apenas com um segundo adulto tirando pai e mãe. Já outras famílias preferem totalmente o oposto.
Num grupo misturado de bebes com crianças maiores, as atividades são mais intensas e exigem um planejamento mais cauteloso. Em algumas creches, um grupo pode ter 12 crianças e 2 serem bebês pequenos. Os 2 bebês não vão participar das atividades de pintar e fazer bolo, mas podem estar presentes e assistir as interações, ao invés de ficar o tempo todo SÓ com a tia.

Uma vez estava visitando uma creche e o bebe estava sentado e caiu pra trás. Começou a chorar e a tia pegou no colo e ficou dando beijo na bochecha dele. Achei carinhoso, mas depois fiquei pensando. É muito íntimo um bebe daquele tamanho estar recebendo beijo na bochecha de uma "estranha". Porque se o bebe é daquele tamanho ele não tá ali há muito tempo, então a tia não conhece ele há tanto tempo assim. Então fiquei me martelando: eu quero que Edi fique sendo beijado por uma estranha assim tão próximo? Bom, claro isso independe do grupo e vai da política da "empresa" na postura de seus funcionários.

Por essas e outras, eu preferi que Edi ficasse num grupo misturado. Eu já não conheço muita gente por aqui, se ele fosse pra creche pra não interagir com outras crianças, de uma vez que visse criança, ia achar que era um et. Então fiz questão que ele participasse de um grupo com crianças maiores, onde ele tivesse a oportunidade de as crianças conversarem com ele, de ele ouvir outro idioma além do que ouve em casa, e que se acostumasse com mais barulho, e ainda que mesmo com a barulheira, é um ambiente mais saudável e é bom que ele vai se acostumando com outras crianças, aprende a esperar mais, a se comportar perto de outras crianças, não fica tanto tempo só ligado com a tia, enfim.
Edi vai a creche 4 vezes por semana, o dia inteiro. As creches oferecem opções de ir apenas pela manhã e apenas a tarde, e voce escolhe os dias. Como aqui na Suiça a flexibilidade de se trabalhar é bem comum nas empresas e tem gente que trabalha 1, 2, 3 dias na semana, a creche se adapta a isso. Então tem criança que só vai a creche às terças e quintas. Outra só vai na sexta, e é claro, tem criança que vai todos os dias. Eu como to trabalhando 80%, tenho a sexta-feira livre e Edi também. É o meu dia pra resolver as coisas, e um dia a mais pra ficar com meu pequeno.

Os preços variam claro dependendo da frequência escolhida. Algumas creches exigem que a criança vá pelo menos 2 vezes na semana. Eu entendo o lado deles, porque imagina a logística pra alocar as crianças, organizar o grupo de acordo com as disponibilidades e as tias! Bebes até 18 meses pagam sempre mais. A média é 130 francos por dia. Normalmente há uma taxa de inscrição que varia muito. Em algumas creches é uma taxa simbólica de 100 francos, e em outras é uma mensalidade a parte. E uma mensalidade, dependendo da quantidade de dias que a criança vai a creche, pode chegar a quase 3 mil francos.
Os preços não variam tanto de uma creche a outra. Talvez uma seja 110 francos por dia, a outra 130, por exemplo. O que influencia mais no preço, que pude perceber, é mesmo a localização. Num bairro onde há muitos estrangeiros ou que seja mais distante do centro da cidade, o valor da "diária" é mais baixo. Uma frequência média, como Edi, que vai 4 dias na semana o dia inteiro, não sai por menos que 2 mil francos não. Por mês. Aí, uma alternativa é a ajuda do governo, a subvenção. Algumas creches convencionadas com a prefeitura oferecem vagas subsidiadas, onde uma parte da mensalidade é paga pelo governo. Tudo depende do salário da família e uns cálculos que estão explicados neste site.

O departamento de esportes da prefeitura oferece um fator de contribuição, que é calculado de acordo com o salário dos pais, ou de quem tem a guarda da criança, e aqui na Suíça, se os pais não forem casados, a guarda é automaticamente toda da mãe, a não ser que o pai queira dividir, e aí tem que entrar com advogado na justiça. Não é nosso caso. Uma porcentagem é determinada de quanto os pais da criança tem que pagar pela creche. O resto é pago pelo governo. Esse subsídio pode ser pedido diretamente a prefeitura pelo site, e o retorno chega pelo correio, não precisa nem ter o trabalho de ir lá, assinar qualquer coisa. O que acontece é que as creches têm suas próprias regras em relação a isso. Primeiro que nem todas as creches aceitam crianças com subsídio do governo. Depois as que aceitam, são apenas X vagas subsidiadas disponíveis, e não todas. E pra terminar, nem todas aceitam por exemplo uma criança que tenha subsídio quase que completo do governo. As razões eu não sei, mas é assim. E o contrato que é feito entre voce, o governo e a creche dura 1 ano. É preciso renovar e recalcular o fator de contribuição todo de novo a cada ano. Mas se conseguir ajuda do governo, é uma grande vitória.
No nosso caso, como eu pago a maioria das despesas de Edi, ele mora num endereço que está no meu nome e depende de mim, eu entrei em contato com o departamento de esportes para ver se tinha direito. Por sorte, a creche aceitava Edi como vaga subsidiada e com os meus 80% agora de trabalho, tive direito a um bom fator de contribuição, o que me ajuda bastante no orçamento. É nessas horas que voce fica com medo de ser promovida, aumentar o salário e ter de recalcular o fator de contribuição hahahahahaha....

Outra coisa que eu fiz questão de ser criteriosa foi as instalações. Eu visitei várias creches. Nossa, tinha umas que eu fui visitar lá no fim do mundo, chovendo, já fui até de taxi uma vez visitar uma creche porque não conseguia achar nem pelo google maps no meu celular. Tudo foi importante pra eu conhecer mais opções e ir restringindo meu gosto de como eu preferia uma creche pro Edi.
Tudo tem que ser avaliado. Escadas, separação da área pro bebe engatinhar, quarto com berços junto ou separado com crianças maiores, banheiro, trocador, climatização, janelas, se o espaço é arejado, se pega sol, se não pega, se faz muito frio no inverno, se o aquecedor funciona direito, se é muito quente, se tem animais de estimação para crianças maiores, se é perto da cozinha, se tem tomadas, ufa! Olha, é uma lista grande. Isso aí vai de cada um, mas eu já não gostava por exemplo se chegava pra visitar uma creche e via um bebe lá engatinhando sem ninguém prestando atenção, junto com as crianças maiores.

A equipe também conta muito. Eu não conhecia ninguém aqui pra me dar recomendações, então confiei muito no feeling e no meu sexto sentido em apostar no profissionalismo e comportamento das tias, no pouco tempo que pude conversar com elas no início. O fato de a diretora da creche do Edi falar Português ajudou imenso. Em compensação, a creche não é bilíngue, e as tias que tenho contato só falam Alemão, e ainda fazem esforço pra falar Hochdeutsch senão seria só Alemão suiço, afff!
As tias têm formação e cursos de cuidados com crinças e outras fazem estágio. Mas mais importante que isso, é poder perceber se gostam de crinças e estão fazendo isso porque realmente gostam ou porque precisam. Bem, como Edi é muito pequeno, e começou muito bebe ainda no grupo dele na creche, a lider do grupo e a segunda mais experiente eram responsáveis por cuidar dele. As outras tias do grupo eram pratikantin, que é tipo estagiárias, então não tem tanta experiência com bebes. Então no início do período da adaptação, que dependendo da creche vai de 1 a 2 semanas, passamos muuuuito tempo conversando diariamente sobre Edi, sua rotina, suas dificuldades e o que ele gosta. Pra que elas conhecessem mais ele e tivessem o máximo de informações pra chegar já com alguma familiaridade com ele.
Graças a Deus isso foi funcionando bem, a adaptação foi gradual e no final deu certo. E eu pude sentir que elas gostaram do Edi e Edi gostou de lá. Até hoje, todos os dias, quando vou busca-lo, temos uma pequena reunião rápida onde vejo lá o mini relatório de quanto ele mamou, que horas, o que comeu, a que horas, quanto dormiu, se fez cocô, até a consistência do cocô e outros detalhes por exemplo como ele interagiu hoje, se chorou, se brincou, enfim. Chegar lá pra deixar Edi e ve-lo sorrindo quando ve as tias me deixa muuuito mais tranquila.

Eu quero me manter informada e saber do desenvolvimento de Edi mesmo quando ele está lá na creche, e elas me passam tudo. Claro que de vez em quando uma tá doente, troca o shift e a outra esquece de escrever, ou uma meia tá faltando, ou o gorrinho de outro menino tá na gaveta de Edi. Isso é normal, uma creche com muitas crianças é como uma casa com muitas crianças. Não dá pra ficar sendo cri cri a esse ponto.

Me lembro no início quando eu tive que me separar de Edi na adaptação por uma horinha, e quando chegava pra busca-lo e o via com um brinquedo qualquer na boca, meu Deus, eu me coçava por dentro já pensando que ele podia pegar doença com aquilo na boca que sei lá por onde passou. Ha! É claro que ele está mais vulnerável a pegar doenças em contato com outras crianças, mas já me convenci com a história dos anticorpos, e sei que ele vai ter que passar por isso. Não dá também pra coloca-lo numa bolha. Edi já teve gripe, magendarmgrippe, que é a gripe da barriga, e vai provavelmente ainda pegar vários outros virus vindos dos coleguinhas da creche. Und ist gut.

Mas é tão bacana hoje ver como ele sorri quando chega lá e reconhece as tias. Como as crianças maiores gostam dele e o chamam de Edi. Uma vez estava no onibus e uma mulher chegou pra mim "voce é a mãe do Edi?", era a mãe de um coleguinha da creche que só falava no Edi em casa.
É tudo também um aprendizado pra mim, ne, vamos combinar. Outro dia fui na reunião de pais, e como no grupo do Edi eu sou a única estrangeira "primária", todos tiveram que falar Hochdeutsch por minha causa. Mas o mais "exótico" pra mim dessa reunião foi servir cerveja e vinhos no final da reunião. E como foi legal ouvir de alguns pais os comentários que seus filhos têm muito carinho por Edi. Uma mãe me disse que a filha dela agora brinca muito de mãe e filho com o boneco e o nome do filho dela é Eduard.

Enfim. Hoje, vejo que a escolha de por Edi numa creche foi o certo e graças a Deus esta creche está se saindo melhor que o esperado. Eu confio neles quando deixo meu filho lá, eu sinto que eles conhecem e se importam com Edi e o melhor, Edi se sente bem lá.
Algumas creches que visitei também tinham um espírito mais comercial, que familiar. Não conseguia ver o interesse em fazer meu filho se sentir a vontade, mais do que o interesse em como íamos resolver a questão do subsídio. Algumas são um negócio, mais do que pessoas interessadas em fazer o que gostam que é cuidar de criança. Mas isso depende muito de feeling pra se fazer notar.

Materiais do dia a dia normalmente têm que ser levados pelos pais. Fraldas, leite em pó, mamadeira, roupas extras, cremes. Edi tem praticamente uma segunda casa, porque tá tudo lá. As creches normalmente oferecem alguma coisa nas refeições mas é mais frutas e verduras. Por exemplo, Edi come papinhas todas feitas lá mesmo, mas eu posso levar uma que eu fiz ou que comprei e pedir para darem também.

Enfim, eu poderia escrever mais cem posts sobre as experiências na creche do Edi até agora. Acho que a checklist para avaliar a melhor creche para seu bebe é extensa, e Deus sabe como é complicado combinar as melhores coisas. Alguns criterios são comuns a todos, mas a avaliação vai depender das necessidades de cada um. E ninguém melhor do que voce como mãe para saber o que é melhor para o seu filho. O que importa é que seu bebe se adeque bem a essa realidade e que seja uma coisa boa. Claro, a separação nunca é fácil, mas já que é necessária, que seja da forma mais suave possível. E que a creche seja sim uma extensão de casa.