29 agosto 2015

Franco suíço forte

O Franco Suíço é a moeda usada aqui na Suíça e em Liechtenstein. O símbolo é CHF. Enquanto eu não sei nem me interesso muito por economia, é impossível não sentir os reflexos e os impactos da força da moeda vivendo aqui. Comparação com o real, o dolar, o euro, o câmbio na hora de viajar, notícias no jornal, essa é basicamente minha experiência mais próxima com a economia. Portanto não vamos esperar um post muito bem elaborado e economicamente fundamentado, ok?! 
Como sempre, os posts aqui são minha experiência pessoal. E tendo minha família no Brasil e sendo brasileira de fato, acompanho as notícias do lado de lá. E não tem como não ouvir falar do esfriamento da economia brasileira, a desvalorização do real, efeitos colaterais da bolsa da China, enfim.... Mas o post é sobre o franco suíço. Engana-se quem pensa que a moeda na Suíça é o Euro. Não é! A Suíça não faz parte da União Europeia e não tem o Euro como moeda. Existe um acordo político conhecido como Schengen que permite que cidadãos europeus e nacionalidades com acordos com a União Europeia (o Brasil se encaixa aí) que tira um pouco a burocracia política e o reflexo para nós é por exemplo poder entrar na Suíça com passaporte brasileiro e assim ficar aqui até 3 meses. O acordo porém nada fala sobre moedas.
Fonte: Swisscam
O Euro até é aceito em algumas lojas e comércio de cidades maiores da Suíça, mas nem todas. Algumas até colocam placas: Não aceitamos Euro! E nem são obrigados, não é mesmo? Se aceitarem, o troco porém será em franco suíço. Mas então, o franco suíço. Quando vim morar aqui em 2009, 1 franco suíço custava pouco mais de 1 real. Hoje em dia, está mais de 3 reais. Não é apenas o real que está desvalorizado, o franco suíço se valorizou bastante nos últimos anos (bom pra mim) e se tornou de vez uma das moedas mais seguras para investidores que precisam de um lugar estável para guardar seu dinheiro. A Suíça tem bancos centenários, seguros, e continua sendo vista como um porto seguro em tempos de turbulência. Enquanto outras economias sobem e descem drasticamente em pouco espaço de tempo, aqui, apesar de alguns ups and downs, continua mais ou menos tudo certo. A economia é estável, cresce lentamente.
Fonte: Swisscam
Importante pra entender um pouco mais é saber que o Banco Nacional Suíço introduziu há um tempo atrás uma taxa de câmbio obrigatória entre o Euro e o Franco de 1,20 francos por euro, o que aumentou muito a reserva de moedas estrangeiras nos bancos suíços. A situação da economia mundial porém ficou meio instável com o reflexo do conflito político entre Ucrânia e Russia e a economia não tão boa de países emergentes como Brasil, India, Africa do Sul, e enquanto isso a segurança do franco suíço entrava novamente em questão. Será que o franco suíço no meio disso tudo vai continuar estável?


Fonte: publico.pt
Bem aí em Janeiro deste ano o Banco Nacional Suíço tirou essa taxa de câmbio de 1,20 francos por euro, o que praticamente igualou o Euro e o Franco, isto é, 1 Franco = 1 Euro, e valorizou o franco em mais de 40% nos últimos meses. O que pra nós pobres mortais foi ótimo ver tudo muito barato nas vitrines para compras aqui do lado na Alemanha por exemplo, férias pela Europa mais baratas e tudo mais, porém para a economia isso tem um impacto ainda questionável, pois torna os valores das exportações mais altos e consequentemente possíveis problemas ainda difíceis de avaliar para a Suíça diante da crise mundial, como um certo receio que a moeda suíça perca um pouco de sua competitividade no futuro. Será?!

Este vídeo do Swissinfo ajuda um pouco a entender, aperte play:



O que é certo é que o franco suíço continua como moeda refúgio no mundo inteiro e uma das moedas mais fortes do mundo, depois da libra esterlina, e atualmente anda um pouco abaixo do Euro, mas acima do dolar americano.


Bem, o franco suíço na questão prática, vem em notas que variam de tamanho e cor de acordo com o valor. Começa em 10 amarelinha e vai até nota roxinha de mil francos. Imagine uma nota de mil francos! Hahahahaha. Um pedacinho de papel com tanto valor... De centavos até 10 francos é tudo moeda. Tem moeda de 1, de 2, de 5 e centavos tem de 5, 10, 20 e 50, todas com símbolos da Confederação Helvética no verso, como mostra as imagens aí acima.

Do futuro dessa situação econômica nós podemos apenas cogitar e fazer hipóteses, e planejar o nosso de acordo com experiências passadas, o que sempre indica que sim, parece que a moeda suíça tem mais fatores prováveis que proporcionam no fim das contas a estabilidade econômica do que ao contrário, e sendo assim, tudo indica que o franco ainda continuará forte por bastante tempo. Quem viver, verá.

26 agosto 2015

Mamães pelo Mundo

Quem me acompanha no Instagram (@elaeamericana_liana) já viu que vira e mexe eu posto algo relacionado ao "Mamães pelo Mundo". E apesar de sempre marcar o Instagram do projeto tambem (@mamaespelomundo), algumas pessoas me perguntam o que é isso. Então vamos ao esclarecimento oficial! :-)

O projeto Mamães pelo Mundo é uma reunião de 30 mães espalhadas pelos quatro cantos do mundo em torno do tema “Maternidade”. Reunidas levamos pra frente a idéia de compartilhar com o mundo as nossas experiências e a diversidade que cada canto do mundo pode oferecer. O projeto gira em torno do mesmo objetivo: fazer o maior intercâmbio materno virtual.

Nós além de mostrarmos fotos diárias do dia a dia com nossos filhos no Instagram e também em videos no Snapchat agora (eu lá sou @elaeamericana), queremos contar nossas experiências, expor dúvidas, celebrar descobertas e fazer um intercâmbio de histórias de vida. Desde maio deste ano tive a alegria de começar a participar do projeto quando ainda era meio incerto o escopo do que iríamos abordar, certo era apenas o nosso foco na maternidade fora do Brasil. Depois passei um tempo afastada e há algumas semanas voltei com a corda toda. 

Aliás antes que eu esqueça, outra plataforma sempre cheia de novidades do projeto é o Canal no Youtube Mamães pelo MundoToda semana tem vídeos novos e as mamães contam um pouco dos países em que vivem. Estilo de vida, dicas de produtos, vlogs, curiosidades, e a grande novidade do mês de agosto é o VEDA. Pra quem não conhece, o VEDA significa Vlog Everyday in August (Vlog todos os dias em agosto) e tá funcionando aí pela blogsfera afora. Isso significa dizer que todos os dias tem vídeo no canal! Quer saber como funciona? É assim: cada dia uma mamãe em uma parte do mundo te leva pra conhecer o país e o dia dela! EUA, Japão, Coréia do Sul, Canadá, Espanha, Alemanha, Israel, Austrália, Tailândia, Inglaterra, Emirados Árabes e muito mais. Tipo, tudo a ver comigo.

Imagina que legal conhecer um pouco de cada país e de como essas mamães se viram no dia a dia com seus filhos longe da família e dos amigos!? Cada uma do seu jeito, na sua família, no seu estilo de vida, com seus relatos de vida. É muito interessante, gente. O VEDA está dando a oportunidade de mostrar tudo isso pra nós. E eu como participante tive também que gravar o MEU VEDA que aliás saiu ontem! Fiquei meio cabrera de gravar ne, não sou muito de gravar video, mas já que gravei e tá aí pronto e editado no estilo do projeto, faço questão de compartilhar com vocês. Um dia na minha rotina com Edi e Juca, meu vai e vem pra lá e pra cá, e ainda gravei no dia que fomos a Lucerna a noite depois do trabalho para encontrar uma amiga do Brasil que estava aqui, tipo dia suuuper comprido! Mas o video ficou muito legal! Tcharaaannnn:



Dia puxado! Mas é assim mesmo... E ainda um blog pra dar conta hehehe.
Bom mas além do VEDA, o canal tem outros quadros como o Fala Mamãe. Nesses vídeos, as mamães respondem as perguntas que os leitores querem saber. Por isso, se você aí que tá lendo tem alguma curiosidade sobre alguma mamãe ou sobre um país em específico, deixa um comentário aqui ou lá no video do youtube ou no Insta mesmo. Depois sua pergunta será respondida em vídeo pela mamãe, com detalhes e tudo mais!

O Mamães pelo Mundo reúne mães das mais variadas idades, profissões, número de filhos, e claro, países diferentes. Há mamães desde os EUA, Portugal, Espanha, França, e até países com culturas diferentes e curiosas, como Emirados Árabes. Eu particularmente adoro saber no que é diferente em alguns países alguns aspectos aqui na Suíça, como sistema de escola, como lidar com uma situação ou outra tipo a questão da fala em outros idiomas misturado com Português, entre tantos outros assuntos interessantes, enfim. Uma das plataformas mais importantes do projeto é o Instagram (@mamaespelomundo), então convido voces a acompanharem o projeto lá, mas tem também a página do projeto no Facebook, e claro como já falei, o canal no youtube. 

Eu fico muito feliz de estar participando do projeto e convido quem me acompanha aqui e ainda não conhece o Mamães pelo Mundo a fazer uma visita.

Instagram: https://instagram.com/mamaespelomundo/
Facebook: https://www.facebook.com/pages/Mam%C3%A3es-pelo-mundo/702947839814232?fref=ts


22 agosto 2015

Knie: Circo Nacional Suíço

Pouco a pouco vão aparecendo neste blog dicas de coisas para fazer com crianças aqui pela Suíça. Claro, baseado em nossas experiências. Principalmente em Zurique e em Berna. Agora Edi com 2 anos e 4 meses entendendo mais das coisas que fazemos e participando mais, fica cada vez mais bacana mostrar o mundo pra ele. Em breve crio uma tag nova. Hoje venho falar de mais uma experiência, a primeira ida do Edi ao circo. O famoso circo suíço, o Knie.
É o maior circo da Suíça, tem uma história de quase 100 anos e 6 gerações fazem parte da história da família Knie. Com origens na Áustria, em Innsbruck, a dinastia Knie tem créditos competentes para falar de entretenimento. Enfrentaram mudanças significativas, passaram pela Alemanha, e encontraram um refúgio neutro das Guerras na bela Suíça, mais precisamente em Rapperswil, na beira do lago Zürich, que é a sede do circo Knie hoje.
Lá em Rapperswil hoje funciona inclusive o zoológio Knieszoo, pertencente a família Knie, com os animais que desde 2005 depois de uma leia europeia, não são mais permitidos participar dos espetáculos do circo. Hoje o espetáculo do Knie no que diz respeito a animais inclui 2 elefantes e umas duas dezenas de cavalos e pôneis, que aliás, é o símbolo do circo.
Já há algum tempo Edi vem se interessando por apresentações assim, digamos, apoteóticas. Seja esses artistas de rua que sempre vimos fazendo um truque ou outro, ou na televisão, ele sempre pára e quer ficar prestando atenção nos próximos passos lá do número teatral. Então quando vi os primeiros anúncios que o circo Knie iria vir se apresentar em Berna como parte da sua turnê de verão, nem pensei duas vezes. 
Eles sempre fazem apresentações todos os anos nas principais cidades suíças. Os números variam um pouco, entre apresentações e artistas de malabarismo, palhaços, mágicos, equilibristas, sei lá mais o que. O que não muda é o número do Fredy Knie com os cavalos, um dos irmãos da família Knie que dão continuidade até hoje à tradição que já dura tantos e tantos anos.
Eu adoro circo e fazia aaaanos que eu não ia, nem me lembro quando foi a última vez que pisei em um. Agora com Edi posso também relembrar um pouco da minha infância, voltar um pouco a ser criança com ele e curtir esses programas tão divertidos. Crianças a partir de 3 anos são obrigadas a ter um assento no público, Edi com 2 anos e 4 meses sentou no meu colo, isto é, só tive que pagar por um ingresso. E como só era nós dois mesmo, comprei um assento na primeira fileira bem lá na frente do picadeiro mesmo pra gente ver cada movimento bem de pertinho.
Foi super legal. Comemos pipoca, tomamos sorvete, Edi também no início ficou um pouco assustado com as luzes, a quantidade de gente e não queria sair do meu colo de jeito nenhum. Ainda bem que era só um assento hehehe... Com o início e o passar do espetáculo, ele foi se me soltando, e prestando de fato atenção ao que se passava lá. Nossa, ele adorou. Sorriu, deu gritinhos de alegria, bateu palmas, apontou pro palhaço, pediu mais sorvete. Que alegria, que sábado feliz!
O espetáculo do Knie dura umas 2 horas e tem um intervalo no meio, onde o público se levanta pra ir comprar sorvete, os pais vão fumar lá fora e o próprio Fredy Knie fica lá vendendo e autografando o livro dele e tirando fotos com os fãs. É realmente um evento. Os números são bem profissionais, bem divididos e não duram muito tempo pra criança não ficar entediada numa coisa só. Tem uma banda animando tudo ao vivo, é tudo muito bem organizado, do jeito suíço de ser ne. Extremamente pontual, muito muito legal. É um programa que faz parte da vida das famílias suíças e já entrou pra nossa programação anual.
Este ano eles ainda estão em Berna até o dia 26 de agosto se não me engano (só mais uma semana), depois vão para a parte francesa da Suíça - Genebra, Yverdon les Bains, Nyon e acho que Lausanne também, e mais outras cidades. Veja aqui a programação da turnê 2015. Os valores do ingresso dependem da localização do assento. Variam de 20 a 80 francos mais ou menos e podem ser comprados pelo Ticketcorner, impressos em casa ou entregue pelo correio.
Eu não preciso nem repetir ne? Amamos o circo Knie e recomendo de olhos fechados. Se você quiser saber mais da história da dinastia Knie, veja na Circopedia o artigo sobre os Knie. E visite o site do circo:
http://www.knie.ch/

21 agosto 2015

E o trabalho?

Vai bem, obrigada. Faz quase 10 meses que comecei no novo emprego depois de mais uma grande mudança na minha vida. Foram muitos acontecimentos desde a saída de Zurique, a mudança de volta para Berna, nossa, olhando para trás parece um filme. Enfrentar toda a burocracia da saída do meu último emprego e a grande reviravolta que foi conseguir o meu atual, contando assim parece brincadeira. Não só porque era o emprego que eu mais desejava conseguir, mas foi como se me tivessem jogado no meio do nada e eu consegui me levantar e dar um novo rumo a minha vida.

Forças pra organizar uma mudança inteira sozinha de Zurique para Berna eu não sei de onde tirei. Talvez só uma conquista muito valiosa como foi essa mesmo pra conseguir me dar essa garra, e ainda ter cabeça pra conseguir começar um novo trabalho cheio de desafios, tudo em Alemão, novo ambiente, novos colegas, novo tudo. Olha, vou te contar...

Por mais que eu já estivesse trabalhando em Alemão no meu último emprego, eu mesclava com Inglês também, quando era necessário. Só que hoje a empresa que eu trabalho é totalmente suíça e mesmo havendo estrangeiros trabalhando lá, não é coisa para amadores. É tudo em Alemão. TUDO! Reuniões, emails, documentos que tenho que escrever ou ler, documentação técnica, apresentações, cursos. Absolutamente tudo.

É ca-laaa-ro que eu ainda cometo erros, mas é estupendamente incrível como o homem é produto do meio, a gente aprende na marra mesmo. Hoje eu já entendo bastante do dialeto. Antes, pedia sempre para falar Hochdeutsch (Alemão clássico) e hoje consigo levar uma reunião em Berndeutsch. Eu continuo falando Alemão, mas só em entender mais do dialeto pra mim já é um grande progresso. 

Driblando a barreira do idioma, sobra então de fato os desafios do trabalho em si, os projetos, a mão na massa, o dia a dia. E é isso que é muito fascinante no meu trabalho atual. Apesar de ter um ritmo bem tranquilo e flexível, sem loucuras de prazos e trabalho "forçado" "obrigatório" como no meu anterior que mesmo grávida eu tinha que trabalhar até tardão da noite, às vezes fim de semana, hoje eu administro meu horário sem maiores estresses, tendo quase total autonomia da minha organização pessoal para entregar o trabalho que me foi designado.
Isso sim melhora em 300% minha qualidade de vida. Sem pressão do trabalho, de horário, apenas com foco em cumprir o que devemos cumprir e na confiança óbvia que somos todos profissionais, adultos e temos consciência do que estamos fazendo. Não deveria ser assim em todo lugar? É uma questão cultural, mas deveria ser regra. A questão de trabalhar 80% (isto é, de segunda a quinta-feira) é outro fator que faz muita diferença. Tenho mais chance de conciliar melhor carreira e vida pessoal, ficar mais com Edi. Eu falei mais sobre isso neste vídeo.

Enfim. Mesmo sendo empresa suíça, eu gosto bastante dos meus colegas de trabalho, de time, de projeto. Claro, sempre tem umas figuras, mas em geral, gosto de trabalhar com suíços. Tudo é sempre muito correto e combina com meu estilo de ser e com o meu trabalho em si, que é certificar que não há erros no software.
Agora no verão é uma boa época para socializar com os colegas, é quando acontecem várias festas de verão, festão de verão do nosso time, festa de verão do projeto, festa de verão de toda a área de Informática. A empresa não é pequena, então junta bastante gente. Os dias ainda estão bonitos e faz sol até mais tarde, então é ótimo para um churrasco, ou uma Oktoberfest, o qual foi o tema da festa este ano.
Eu faço um certo malabarismo para poder dar conta de tudo e ainda conseguir ir a algumas dessas festas, mas faz parte. O desafio hoje é parte da minha rotina e cada dia é uma batalha vencida e uma nova a vencer. Não é mais tão difícil como pareceu ser um dia, ou talvez como ainda pareça para alguns.
A minha história de como eu cheguei até aqui também impressiona os colegas de trabalho (e não só os brasileiros mundo afora que ficam conhecendo minha história), mas eu também não saio contando pra todo mundo. Alguns com quem tenho contato mais frequente terminamos falando da vida pessoal, e sempre terminam perguntando: "...mas e você veio parar aqui como?". Não tenho mais muita paciência e empolgação pra falar que sou do Brasil. Todo mundo tem uma opinião certa sobre o Brasil e brasileiros, não é um país "ok" e neutro que as pessoas desconhecem. Sempre têm algo a dizer. Então é sempre a mesma coisa... alguém já foi ao Brasil, ama o Brasil, tem vontade de ir, não tem vontade de ir, tem preconceito, nessa escala... Então hoje prefiro não estender muito a conversa nesse assunto.

Diferente de antes que parecia que eu sentia necessidade de me justificar, de mostrar o que o brasileiro tem de bom, de passar uma boa impressão. Hoje eu sou apenas eu e a impressão que ficar da "colega brasileira ali"... ficou. Sem grandes encargos nem responsabilidades. Estou mais preocupada em fazer um bom trabalho. E acho que isso é já até um pouco de influência do estilo de vida e de trabalho daqui.

Quem diria hein... 6 anos de Suíça, 3o. emprego, Alemão fluente... quem diria. Pensar que eu cheguei aqui com um contrato de trabalho de 3 anos, sem nem saber se ia conseguir ficar isso tudo, com o Alemão todo errado, só falando Inglês praticamente, e me virando para conquistar algum espaço no mercado de trabalho. Estou bem satisfeita com meu trabalho atual, espero que dure mais muitos anos.

17 agosto 2015

Buskers Bern Street Music Festival

Esse vai ser o tipo do post que vai servir agora aqui como relato, não como dica. Mas como é isso mesmo o que venho fazendo por aqui: experiências que terminam servindo para futuras outras experiências de terceiros -- tá tudo certo. Pelo menos não vai ser dica pros próximos meses, já que o Buskers Festival em Berna só vai acontecer de novo ano que vem. O Buskers Festival é o festival de música de rua na capital suíça que acontece uma vez por ano, e já há 12 anos, sempre em um fim de semana em Agosto. O próximo está agendado já com data certa e tudo para 11, 12 e 13 de Agosto de 2016.
Quase 150 artistas de 20 nacionalidades diferentes, 40 grupos em mais de 300 apresentações se apresentam com música, teatro, comédia, dança, performance em várias ruas do centro pitoresco de Berna durante 3 dias inteiros. Essa é a ideia. Para Berna, uma cidadezinha com menos de 200 mil habitantes, relativamente pequena, sem muitas opções do que fazer no fim de semana e muitas vezes rotulada como "boring" pelos jovens que buscam diversão definitivamente tem um fim de semana atípico durante o Buskers.
É o que eu falei no post sobre o verão passado... Parece que no verão o povo fica mais alegre. O Buskers Festival traz mais vida à cidade, movimenta as ruas, traz som literalmente, então claro não podia ser em outra época. E foi um lindo fim de semana de sol com várias barraquinhas de comidas típicas de vários lugares do mundo, uma verdadeira festa ao ar livre. Uma voltinha na rua durante o festival não é apenas uma voltinha na rua. As lojas estão abertas normalmente mas entre um quarteirão e outro você pára para assistir às apresentações. Aqui na Europa é comum ter músicos de rua tocando instrumentos, fazendo suas apresentações, então esse festival tem o intuito de reuni-los e celebra-los.
É de graça. Você dá dinheiro como forma de apreciar o trabalho dos artistas se gostar das apresentações. E olha, são boas sim. É como sempre tudo muito bem organizado e os participantes têm um programa de onde participar, de que horas a que horas. Tem tudo neste site. Desde que morei em Berna da primeira vez em 2009, tinha um colega que tocava numa banda e sempre chamava pra ir ve-lo no Buskers. Nunca fui... que vacilo. Todo ano ouvia falar do festival, que aliás é conhecido em toda a Suíça, então mesmo quando morava em Zurique ouvia falar dele. Mas sei lá, diferentes razões, o festival é relativamente curto e eu nunca me preparava com antecedência, estava viajando ou tinha outra coisa programada. Terminei indo pela primeira vez este ano durante o dia. Sim, porque o festival também acontece durante a noite e é quando junta mais gente.
Durante o dia são apresentações musicais mais leves, digamos assim. E há também o Buskers para crianças que acontece na Münsterplatz, como já falei aqui no blog, é lá onde acontecem vários eventos, inclusive o carnaval das crianças também. No Buskers para crianças, há oficinas de diferentes assuntos, brincadeiras, pinturas, crianças fazem bazar de seus brinquedos usados como na foto acima, e tem também apresentações de alunos de circo, que eu e Edi assistimos numa tarde de sábado e foi super legal. Tudo de graça, gente!
Fica guardado então esse post para relembrar a dica no próximo ano, quando o Buskers acontecerá em sua 13a. edição. 
Para mais informações: http://www.buskersbern.ch/

16 agosto 2015

Verão Suíça 2015 pegando fogo

Eu sabia que ia ser só eu tirar esse post do rascunho que ia ter dar uma diminuída no calor... desde ontem que só chove hahahaha! mas vamos lá que eu acho que o verão ainda não acabou #oremos... Aqui na Suíça no inverno faz tanto frio por tanto tempo seguido que dá até vergonha de reclamar do verão. Não, não é bem reclamação. Acho que é meio que uma indignação, surpresa, lógica! Nunca na história desde a minha chegada à Suíça em 2009 eu vi um verão tão quente por tanto tempo como este de 2015.

É, faz calor, quando passa de 35 graus, ave maria ninguem aguenta. Mas o verão deste ano está surpreendendo porque está vários dias seguidos fazendo muuuito calor. Normalmente aqui quando faz calor, é sabido que logo em seguida vem chuva, trovoada, tempestade, chuva de granizo, uma louca no tempo e a temperatura cai. Este ano continuamos tendo sim tempestades mas depois de uma semana inteira de temperaturas acima de 30 graus.

É aquela coisa, ninguém consegue ficar muito tempo em casa ou trabalhando. Aparecem as Sommerfests (festas de verão) de tudo quanto é grupo. É churrasco do trabalho, é evento de verão na creche do Edi, é churrasco com os amigos, é piscina depois do trabalho. Ô clima bom, é uma festa. Saiu até no jornal que Genebra chegou a registrar 39.7 por lá, imagine! É outra Suíça!


Aqui é bem menos úmido que no Brasil mas o calor seco é abafado. A infra estrutura para o verão é praticamente inexistente. As piscinas são lotadas. E no escritório no trabalho, ficamos morrendo pingando de suor porque no meu novo emprego nem ventilador tem, ar condicionado nem pensar, e o prédio que eu trabalho fica de tarde de frente pro sol, pense.

Quem me acompanha no Snapchat (elaeamericana) já deve ter visto meus snaps com uma colega reclamando do calor lá. Realmente... teve um dia que estava marcando 36 graus, e a gente tudo de roupa social tendo que derreter no trabalho. Sem condições. Os suíços não ficam, não se submetem a isso, a não ser que seja muito preciso, eles vão embora. Minha chefe mesmo outro dia foi embora às 14h porque "estava muito quente, vou pra piscina".
Não só no trabalho mas várias lojas e prédios não tem mesmo ar condicionado. "Não vale a pena" instalar um sistema para funcionar alguns dias ao ano. Realmente. Só que esse ano tá sendo um pouco mais que "alguns dias". Nos transportes públicos alguns ainda oferecem ar condicionado, não todos. Às vezes você entra num ônibus que tá mais quente que lá fora, pense no desconforto sufoco. Já quando o ar condicionado do tram tá funcionando dá vontade de pular a sua parada e dar mais uma volta lá dentro só pra ficar no geladinho. Falar em gelado, haja sorvete hein!

Em casa eu só tenho um ventilador. Fica no quarto de Edi pra ele dormir melhor. Quem sabe eu compre outro no próximo verão se for assim também... Já estamos em Agosto e as temperaturas ainda foram bem altas essa semana que passou, apesar de ter caído uma chuva com vento pesada na sexta-feira que derrubou até uma árvore na minha rua. Sem problemas, a polícia chegou em pouquíssimo tempo para resolver. Agora o sol não fica altão até 9, quase 10 da noite. Às 20:30 já começa a ficar escuro, já estamos perdendo luz do sol mais a cada dia, que pena. E a cada vez que chega uma tempestade, é certo que elas estão levando o calor embora.
O Embora eu ainda não tenha me acostumado a ir dormir com o sol forte lá fora, gosto de ter o sol até mais tarde, aproveitar mais a varanda, usar roupas mais leves, tomar um banho mais frio, acordar e ter o sol ao abrir a janela batendo forte. Dá um ânimo, bem diferente do inverno, quando é tudo tão escuro e a luz do sol quando tem dura tão pouco num dia. Ai ai, não se pode ter tudo, não é mesmo? Aqui a gente tem as estações bem definidas e tem um pouco de cada. Já já o calorzão vai embora e chega o outono e rapidinho tem o inverno de novo aqui com a gente. Para de novo a gente criar uma grande expectativa para o próximo verão.

15 agosto 2015

Ela é Americana no #TchÊncontro: Encontro de Blogueiros de Viagens em Porto Alegre

Eu acho sensacional que a Internet tenha dessas comunidades e associações pra juntar gente com interesse em comum. Se não fosse assim eu não teria conhecido já tanta gente legal, mesmo que virtualmente, por causa desse meu bloguinho aqui que tem 6 anos e já me trouxe tantas alegrias.

Blogar virou uma coisa "séria", levada a sério. E encontro de blogueiros acontecem mundo afora, com diversos objetivos e metas, além do delicioso networking. Morando aqui na Suíça e mesmo já tendo conhecido outras blogueiras daqui, fica difícil participar dos encontros que acontecem por aí, principalmente no Brasil, não é mesmo? Porque vejam, meu blog é escrito apenas em Português e nada mais óbvio que o povo que me leia esteja grande maioria no Brasil.

Dando uma ajudinha na participação de blogueiros expatriados em tais encontros, a Paula Brum do Mochilinha Gaúcha me convidou a participar do #TchÊncontro, o Encontro de Blogueiros de Viagens em Porto Alegre que aconteceu de 31 de Julho a 02 de Agosto agora em 2015, mesmo que distante, doando um exemplar do meu livro "Viver na Suíça" para sorteio entre os participantes que lá estariam. Topei na hora!
Um encontro que reuniu cerca de 50 blogueiros em prol de um objetivo em comum: viagens, informação, fotografia. Tudo a ver comigo. Vários outros expatriados também enviaram seu material e lá de alguma forma estávamos presentes. Tenho certeza que foi demais. Obrigada pelo convite Paula, parabéns pelo evento e obrigada pela divulgação do meu livro e do meu blog.

14 agosto 2015

Dicas da Suíça: como despachar as malas na estação de trem e ir para o aeroporto sem malas

Aqui na Suíça, a SBB é a empresa de transporte ferroviário que opera em todo país. SBB em Alemão, CFF em Francês, FFS em Italiano. Já falei muito dela aqui. A Suíça é o país que mais tem movimento de trem pela Europa. Sendo o país relativamente pequeno, é muito bem conectado de norte a sul, leste a oeste por ferrovias. Apesar de não ter trens de altíssima velocidade como o TGV na França, há trens IC que são os InterCities que viajam sem muitas paradas entre as principais cidades, e o IR que são os InterRegionais que são mais lentos, mais antigos e param em cidades menores.

Aqui todo mundo usa muito o trem. Tem estação de trem em quase todas as cidades suíças com um número razoável de habitantes. Sendo assim, há poucos aeroportos no país, sendo os principais o de Zurique, de Basel e o de Genebra. Aqui em Berna por exemplo há aeroporto, aliás foi por lá que eu cheguei aqui em 2009, mas é muuuito pequeno, só tem 3 portões! E há poucos vôos, é caro viajar por lá, etc. 

Aí o que acontece é que muita gente que tem que viajar de avião, obviamente não mora nessas cidades, e precisa ir até o aeroporto, e muitas vezes vai até o aeroporto de trem. É o meu caso. Quando eu morava em Zurique era bom porque já estava na cidade, e apesar do aeroporto ser 15 min de trem do centro, rapidinho eu estava lá. Já morando aqui em Berna, preciso me programar pra ficar 1 hora e 15min no trem até chegar lá.

Uma das coisas que dificulta esse trânsito é a mala. A mala que você carrega de casa para o aeroporto. Porque não há tanto espaço assim para as malas nos vagões, porque pesa, porque às vezes tem que subir escada, enfim. Não seria muito mais fácil poder ir pro aeroporto sem se preocupar com as malas?
Sim! E é possível. Pensando dessa maneira, a SBB começou o programa Fly Rail Baggage, que nada mais é que despachar sua mala na estação de trem da sua cidade direto para o seu aeroporto de embarque, e você "viaja" até o aeroporto despreocupado. Já pode até fazer o checkin direto na estação. Chegar no aeroporto é só ir direto para o embarque. Sua mala chegará no seu destino final.

Como funciona

Não importa qual companhia aérea você viajará. Os aeroportos que operam nesse programa são somente os de Zurique, Genebra e Berna. Basel por enquanto está fora. Há regras de horário, claro. Se o seu vôo é às 20h, você normalmente precisa estar no aeroporto com 2 horas de antecedência. Isso significa que não dá pra pegar o trem 3 ou 2 horas antes do vôo e despachar as malas na estação nessa hora. As malas vão de trem também até o aeroporto junto com outras malas então há uma necessidade de deixar as malas com umas 5 horas (no máximo) de antecedência. 
Você só tem que ir até a estação com a sua mala que quer despachar, seu passaporte e a reserva da passagem. Lá eles vão pesar a sua mala e por uma etiqueta de capa verde nela. Dependendo do horário você já sai de lá com o seu cartão de embarque com assento reservado e tudo. Eu desde que comecei a usar esse serviço, sempre deixo a mala na Bahnhof no dia anterior da viagem. Já arrumo tudo antes, despacho na estação um dia antes e fico despreocupada. 
Claro que há um custo. O serviço custa 22 francos suíços por mala por trecho. Se você desejar o serviço também na volta, é preciso deixar já acertado quando você despacha a mala na ida e pagar 44 francos (22 pra ida, 22 pra volta). Aí você recebe a mesma etiqueta com a capa verde para a volta e precisa colocar na mala antes de despachar a mala no aeroporto do qual você vai viajar. A mala chegando aqui na Suíça (lembrando que é só Zurique, Genebra ou Berna) com a etiqueta verde, não vai para a esteira do aeroporto e sim para o trem direto para a estação que você determinou no despacho inicial.
E na volta, claro, você desembarca no aeroporto aqui na Suíça, passa direto da esteira de bagagem e pega seu trem de volta pra casa. Há também horários fixados para a busca da mala na estação tabelados. Veja a foto abaixo do cartão que recebemos com as informações, que variam dependendo do aeroporto.
Se o seu vôo chegar por exemplo entre 13h01 e 15h em Zurique, você pode pegar no
mesmo dia na estação da sua cidade a partir das 18h. Já chegando por Genebra ou Berna, só a partir das 8h do dia seguinte. Eu sempre deixo pra buscar a mala na estação no dia seguinte, porque ne, você chega cansado e não tem que se preocupar com a sua mala até o dia seguinte. No dia seguinte ela está lá te esperando, é só mostrar o papelzinho do despacho e pronto. A mala está lá inteirinha. Por cada dia adicional que a mala ficar na estação a sua espera você paga 5 francos.

As principais estações de trem da SBB das maiores cidades são muito bem preparadas no quesito "viagem" como um todo, e não só no que diz respeito a trem. Elas também têm casa de câmbio com moeda de praticamente todos os países. É uma mão na roda, dá pra resolver tudo lá e otimizar muito a sua viagem.

Eu acho o serviço muito eficiente, prático e maravilhoso. No meu caso que vou sempre ao aeroporto com Edi, uma mão a mais é sempre bem vinda. A única desvantagem é que você tem que preparar absolutamente tudo na mala um dia antes e não dá pra colocar na mala a escova de dente que você tava quase esquecendo ao sair de casa pro aeroporto. Mesma coisa na volta. Voce chega em casa as vezes querendo abrir a mala pra abrir um presente ou uma coisa que comprou na viagem e não pode, tem que esperar até o dia seguinte quando for buscar sua mala na estação.

Ainda assim acho que é uma mega vantagem e recomendo o serviço que já usei várias vezes e sempre tive sucesso. Para mais informações, vá ao centro da SBB da sua cidade na estação de trem, ou veja https://www.sbb.ch/en/station-services/services/baggage/fly-rail-baggage.html. Para mais informações sobre trem na Suíça, veja este post, e para mais informações sobre transporte público em Zurique veja este post. Todos os posts da Suíça por categoria, inclusive uma só para Transporte na página Tudo Sobre a Suíça.