29 dezembro 2015

A esquisita era eu

Sabe quando você olha pra trás na sua vida e ve o quanto você era diferente, lembra das suas ações e pensa "nossa, essa era eu!"? Pois é. Talvez porque seja Dezembro e é época de fazer muitas reflexões, então em mais uma dessas vezes que páro pra pensar, me vi em algumas situações, me vendo em outras pessoas, como eu costumava ser, como eu já fui um dia, e me toquei do quanto eu mudei nesse meio tempo.

No ônibus outro dia, apertei o botão pro ônibus parar na próxima parada e antes que eu chegasse na porta próxima ao motorista, uma pessoa se levantou e parou na minha frente, pra sair primeiro que eu. Sem problemas, esperei atrás dela o ônibus parar e quando a porta abriu, ela saiu calada sem nem olhar pra trás. "Nossa! A pessoa nem fala com o motorista!!!". Eu na minha vez de sair, imediatamente após essa pessoa, olhei pro motorista e disse "Obrigada, bom dia! Tchau", e ele me respondeu, e só então eu saí do ônibus. Sair sem cumprimentar o motorista. Coisa que antes pra mim eu nem ligava ou quando comecei a perceber que as pessoas faziam isso, pensava "nossa, tem que cumprimentar até o motorista!". Hoje em dia é automático pra mim. Se estou a sair pela porta próxima ao motorista, sempre viro pra trás, agradeço e desejo um bom dia, um bom trabalho.

Eu quando vou jogar o saco do lixo no container perto de casa, vejo um outro saco de lixo já lá próximo ao
container, não dentro do container, meio entreaberto e com latas de alumínio e caixas de leite. Minha Nossa! Como é que a pessoa mistura latas de alumínio e caixas de papelão de leite no saco do lixo! Primeiro que alumínio é reciclavel, tem que jogar ali na máquina e rodar a válvula para tritura-lo, assim como o papelão que tem que ir num container específico para sua reciclagem. Misturar os dois junto com sei lá mais o que vai causar impacto no meio ambiente. E não é que eu também não fazia isso antes? "Ah, eu vou lá me preocupar com isso!" - era meu pensamento. Não foi automático não, tipo, agora moro no exterior, virei educada. A minha preocupação com o meio ambiente veio vindo aos poucos, acho que tem a ver com amadurecimento também. Mas não tem como negar que a cultura ao meu redor contribuiu. Tambem porque pagando pelo saco do lixo a gente é forçado a parar pra pensar e se preocupar com o que que a gente tá enchendo ele. Tá muito cheio, já precisa de outro saco! Gente, um saco custa quase 2 francos, vamos economizar! E como? Tira as latas, as caixas de papelão, a garrafa pet! Hahahaha, ok, garrafa pet é demais. Mas nossa, como eu era ignorante. Fui obrigada a aprender e me dar conta do que eu colocava no meu lixo sim tambem por causa do preço que eu pagava pelo saco do lixo. Me lembro numa festa que fiz na minha casa pouco tempo depois de chegar aqui com os primeiros amigos, e no dia seguinte aquele monte de garrafa na cozinha, eu não sabia nem o que fazer com elas. Foi o Eric (o pai do Edi) que riu comigo da minha ignorância e me ensinou. Depois fui vendo o processo do caminhão tirando as latinhas, os papelões e levando para a reciclagem. Li uma matéria outro dia no jornal de como esse processo ajuda no meio ambiente. Nossa, eu ajudei também, coloquei lá minhas latinhas e meu papelão. Quero continuar ajudando! Esse é o espírito. E por aí foi. Hoje em dia acho um absurdo que eu já tenha misturado tudo e não tenha nem me preocupado com isso antes, até chegar aqui. Por que não fiz isso no Brasil também?

"Gente do céu, tem que tirar o sapato pra entrar em casa! Vou ficar com frio no pé. Vou parecer desarrumada sem meu sapato. Não combina ficar de meia com essa roupa!". E eu era obrigada sim a tirar os sapatos antes de entrar na casa de alguém e deixa-los na porta. Durante a festa/almoço/jantar, todos aqueles sapatos lá na entrada, minha nossa, cade o meu?! Essa era minha cabeça em 2009. Achava esquisito demais todo mundo de meia em casa num evento. Com o tempo, prestando atenção nisso, e nos eventos que eu organizava na minha casa, eu mesma dizia "não, não precisa tirar o sapato não", e depois que todo mundo ia embora, Jesus amado, quanta sujeira dentro de casa! Realmente teria sido mais prático se eu naquela época tivesse seguido o costume suíço e mesmo achando esquisito, concordado em todo mundo tirar o sapato pra entrar na minha casa. Hoje em dia, nem o Edi entra em casa de sapato. Juca limpa e lava as patas regularmente. Não quero ninguém trazendo sujeira da rua pra minha casa porque primeiro que quem limpa sou eu, depois porque fica mais confortável todo mundo de meia em casa, não é mesmo? Questão de higiene. Ou de hábito.

Outra coisa é que eu quando vou ao Brasil hoje em dia: vou ao banheiro e jogo papel no vaso, dou descarga, o vaso entope. Putz, esqueci que não estou em casa! Antigamente, o costume era jogar papel sujo do banheiro na lixeira e não no vaso. Mesmo aqui na Suíça eu me sujeitava a isso e gastava muitos saquinhos de plástico e energia tirando e botando saquinho novo com muita frequência, e ainda me sujeitando a sentir aquele cheiro agradável (#not) de sujeiras de dias atrás. Aqui na Suíça alguns banheiros nem lixeira têm. Se precisar jogar absorvente ou outra coisa, enrola num saquinho e deixa no recipiente específico pra isso ou deixa no cantinho que será apanhado. Pois qualquer papel higiênico pode e deve ser jogado no vaso e dado descarga nele. Que estranho quando alguém vem aqui em casa e percebo que usou a lixeira para jogar papel higiênico. E pensar que eu também fazia isso naturalmente.

Em 2009, 2010, chegava numa festa e procurava um rosto conhecido pra ir conversar. Não falava com quem não conhecia e achava todo mundo muito esquisito quando chegava e ia se apresentar a todos que já estavam na festa. "Eu, não, não conheço ninguem, quem quiser que venha falar comigo.". Que falta de educação! Quem chega, é quem fala oras! Hoje eu chego nos lugares e vou apertar a mão de cada um, digo meu nome, espero a pessoa falar o nome dela, e a saúdo. Antes de ir embora, da mesma maneira, me despeço de cada um, tipo, isso é o básico da educação. Como é que eu não era assim antes?

Lembro que há uns anos, um dia quando eu cheguei no trabalho, tinha quatro pessoas, duas e duas conversando entre si, passei pelas quatro, dei bom dia, ninguém respondeu. "Nossa, que falta de educação, ninguém me respondeu bom dia!!". Sento na minha mesa, ligo meu computador, começo a trabalhar, depois de um tempo, lá longe escuto um "Ah bom dia Liana". "Hum, ficou com dor na consciência que não falou bom dia na hora que eu cheguei?!" - pensava eu. E depois, todos continuam a trabalhar em silêncio. Isso foi há alguns anos. Semana passada estava eu no trabalho, tinha chegado cedo e estava conversando com um colega, quando chega outro colega, passa por nós, não diz nada e senta do nosso lado. Quando terminamos nossa conversa e nos direcionamos pros nossos lugares, dizemos quase que simultaneamente "Bom dia, Markus", e ele nos dá bom dia também. E aí me toquei que, nossa, que óbvio, é claro que ele esperou a gente terminar de conversar para dar bom dia. Teria sido realmente estranho se ele entrasse e desse bom dia e eu tivesse que interromper minha conversa com o outro colega para dar bom dia pra ele. Tipo, óbvio isso. E aí me lembrei da situação semelhante de anos atrás e da minha reação do outro lado da situação. O mundo da voltas mesmo.

Pode parecer bobagem e situações engraçadas, mas são lições de costumes, de "novos" costumes. Com mais paciência, mais atenção, mais responsabilidade, mais educação. O jeito suíço de levar o dia que hoje pra mim até ri aqui pra escrever esse post porque é tudo tão óbvio, porém vejo que antes não era. Que antes a esquisita era eu de interromper todo mundo pra dar bom dia e ainda exigir que eles parem o que estão fazendo para me responder, que não falava com as pessoas que estavam numa festa, num almoço, porque eu não as conhecia, e achava estranho quem ia lá se apresentar um por um! Eu que ficava em casa de sapato! Que misturava o lixo e que nem falava com o motorista do ônibus que eu acabei de sair. Realmente, que menina esquisita que eu era. Como eu cheguei diferente aqui, ou melhor, como eu mudei depois que cheguei aqui. Confesso que sem perceber terminei abraçando alguns costumes suíços e hoje fazem parte do meu comportamento, da minha reação com as coisas e das minhas ações principalmente.

Sim, acho que se eu me visse, uma clone de mim mesma, a Liana que chegou aqui em 2009, eu ia achar sim ela meio esquisita. Com a cabeça que e comportamente que tenho hoje. Não que brasileiro seja esquisito, porque eu continuo sendo brasileira, mas alguns costumes meus de antes já se foram, já mudaram, e acho que não vão mais voltar. Tantos anos de Suíça teriam que, sim, causar algum impacto, não é mesmo? Não só à própria Suíça, mas dou créditos de tudo isso também ao amadurecimento natural que vem com a idade e à maternidade, principalmente. Por observar mais os outros, por me colocar mais no lugar dos outros, por perceber mais e mais coisas e dar mais importância ao que está a minha volta. Definitivamente eu não sou mais a mesma.

28 dezembro 2015

Museu do Transporte Suíço

O Museu do Transporte da Suíça é o museu mais popular do país. Fica em Lucerna, na Suíça central, e funciona desde 1959 apresentando a história do desenvolvimento dos transportes e das comunicações. O museu recebe cerca de 800 mil visitas por ano, sendo curiosamente em grande maioria os próprios suíços. Ele exibe as diversas formas de transporte dentro do país. De locomotivas, automóveis, barcos, navios, aviões até os trens do dia a dia, tem de tudo. O museu é tão bem frequentado que hoje em dia tem até um Planetario, um cinema, um centro de eventos e uma atração a parte, a Aventura do Chocolate.
Já fazia tempo que eu queria visitar o museu, então esperei Edi crescer mais um pouquinho para ir com ele, já que ele adora tudo que o museu aborda. Trens são os brinquedos favoritos do Edi então foi um dia e tanto. O museu satisfaz realmente a curiosidade de crianças e adultos pois combina o divertimento com conhecimento e cultura. Eu adorei! Eu fiquei sabendo lá por exemplo, que na Suíça em 1981 o cinto de segurança passou a ser obrigatório pra quem anda de carro.
Hoje em dia fica óbvio pra quem mora ou visita a Suíça que o transporte desempenha um papel essencial na cultura do país. Um país tão pequeno mas tão bem conectado de norte a sol, por meio dos alpes e montanhas permite que a população e turistas consigam se movimentar facilmente por aqui. Andando pelo museu é perceptível que o país se tornou assim móvel aos poucos, quando ainda a exposição mostra locomotivas do século passado e vagões originais. As inovações tecnológicas vieram com o tempo, sem pressa, trazendo mais velocidade e segurança às viagens dentro do país.
O próprio governo da Confederação Suíça, a SBB, a empresa federal ferroviária e a antiga Swissair, foram desde o início da existência do museu, os principais parceiros para que ele se tornasse interessante, como é até hoje. Todas as peças foram doadas e a coleção que vimos por lá é realmente impressionante. Vale a pena os 30 francos do ingresso. Pelo menos o Edi, que era o mais interessado, não paga pra entrar.
Na parte aberta do museu, é possível ver aeronaves da antiga Swissair, as placas de sinalização das auto-estradas em tamanho real e bastante espaço pra criançada gastar as energias. Dá pra passar o dia inteiro ali. Tem uma ótima infra estrutura com restaurante self service e banheiros. Foi realmente um dia e tanto, difícil dizer quem gostou mais do passeio. Mais informações aqui: https://www.verkehrshaus.ch/

27 dezembro 2015

Blausee

Aproveitando que uma amiga que eu não via há anos estava aqui na Suíça e passou uns fins de semana aqui em casa, organizamos vários passeios, pois ela queria conhecer o que a Suíça tem de melhor: as paisagens! Partiu, não precisa nem de muito argumento pra me levar junto. A questão é só escolher os lugares a visitar, porque as opções são umas melhores do que as outras. E assim tirei mais um lugarzinho da minha lista dos desejos que já queria conhecer há um tempão: o mágico, lindo, exuberante, maravilhoso... Blausee.
Na verdade a minha amiga depois que leu o post do Caumasee queria ir lá também conhecer, e ne, eu não a culpo hehehe. Mas como o Caumasee fica em Chur e não é muito fácil nem rápido de chegar lá, estando a gente em Berna, arrumei rapidinho uma opção tão boa quanto, e ainda mais pertinho de Berna. O Blausee é exatamente como o nome diz: a lagoa azul. Literalmente. Aqui poderia ter sido o cenário daquele filme "A Lagoa Azul" e sem precisar de nenhuma arrumação no cenário, muito menos efeito especial.
O Blausee é um pequeno lago mesmo, uma lagoa, que fica num vale, o Vale Kander, um pouco acima da cidade de Kandergrund, a quase 1000 metros acima do nível do rio Kander que passa ali perto. A área pertence ao cantão de Berna e à região de Berna Oberland. O lago fica num vale mas é lago de montanha. De Berna pode-se chegar lá em 1 hora com transporte público - um trem até Frutigen e de lá um ônibus que te deixa bem na entrada do parque. É um parque natural, não se paga para entrar e é um paraíso escondido.
Escondido mais ou menos, hoje em dia já virou um boom entre turistas. Acredita-se que o Blausee tenha surgido há cerca de 15 mil anos atrás por uma avalanche de ruínas, peças de geleiras que deslizaram terra abaixo e após derreterem, formaram-se buracos e vale. A água que alimenta o Blausee vem do fluxo de águas subterrâneas do lago Kander e acredita-se que essa seja a causa do azul hipnotizante que é a cor da água lá. Porém como todo lugar incrível, existe uma lenda que dá outra teoria para a cor da água.
Uma jovem donzela namorava um pastor e eles se encontravam no Blausee, vivendo momentos de muita alegria, quando a água ainda tinha cor normal. O pastou acabou perdendo a vida quando escorregou de um penhasco nas rochas que cercam o local, e a moça com o coração partido continuava a ir todas as noites chorar no Lago Azul e relembrar seu grande amor. Um dia ela foi encontrada no fundo do lago e a partir daí foi percebido que a cor da água havia mudado. Reza a lenda que foram as lágrimas da jovem donzela que deixou para sempre a água da lagoa com uma cor especial.
Seja como for, o azul da água é mesmo uma coisa impressionante. Hoje em dia é um destino turístico popular na Suíça, para os fãs de belezas naturais e lugares para ficar em contato com a natureza. No verão pode ser bem difícil encontrar um lugar livre ali, pois o lugar é destino popular entre os suíços também para um lugar ao sol e um banho nas águas cristalinas do lago. O Parque natural não é muito grande, mas o destino ficou tão popular que abriu um hotel por lá e um restaurante, então dá pra passar o dia inteiro e ainda dormir por lá. Mas dá pra fazer pic nic também, sem precisar gastar muito.
O Parque ao redor do lago tem várias áreas de picnic, um parque para as crianças e muito verde e natureza, ideal para fazer trilhas, passar um dia inteiro. Os guias de turismo descrevem o Blausee como "a jóia de uma paisagem imersa na solidão da floresta mágica" e por mais louco e viajado que isso possa parecer, é isso aí mesmo. Uma jóia.

26 dezembro 2015

Berna: Matte

O quarteirão de Matte aqui em Berna é um bairro legendário do centro antigo da cidade. Já não bastasse o centro antigo por si próprio já ser interessante, só por ser... bem, antigo, a região de Matte é bem mais que isso. Entre os locais, é conhecido por "Mattequartier", ou o "quarteirão de Matte" mesmo, em Português. Viver por ali hoje é um privilégio, e não só hoje. Ali está a história da fundação e da expansão da capital suíça. E por isso, merece um post.
Desde o ano de 1191, quando a cidade foi fundada e o seu centrinho (conhedido por "Zähringerstadt", fundado pelo duque Berthold V, duque de Zähringen, que continha as principais ruas medievais, que ainda vemos hoje quase que não modificados) começou a ser expandido para baixo, próximo às margens do rio Aare, surgiu então ali o que viria a ser o Mattequartier, mais exatamente ao sul da península do rio Aare, o rio que corta a capital suíça.
Naquele tempo Matte era uma vizinhança relativamente pequena e sobrevivia basicamente de atividades mercantis, enquanto o comércio e o crescimento da industria e maquinaria se expandia lentamente. Ao longo dos anos, uma pequena hidroelétrica, um moinho e outras engenhocas foram construídas e instaladas no rio Aare próximo ao bairro de Matte para desviar um pouco a força da água do rio. E olha, andando ali hoje não é difícil de imaginar aquela região da cidade em eras medievais.
O centro antigo de Berna é tão bem preservado, que até hoje o quarteirão de Matte é um dos mais nobres para se viver. Além do que, tem uma excelente infra estrutura social com teatro, escolas, creches, cinema, tudo mesmo, e está no coração da cidade. A caminhada pelas ruas de paralelepípedo apela sem fazer esforço para uma atmosfera medieval preservada. Ao redor, uma arquitetura distinta observada nas casinhas pitorescas que mesmo um rápido olhar percebe as particularidades.
Seja no formato, na combinação de cores, na arrumação da simetria, é algo que hoje em dia não vemos por aí em qualquer lugar. Notamos a diferença, percebemos que tem algo de especial ali. E ao andar mais um pouco e chegar nas embarcações do Aare aí sim temos certeza que o bairro de Matte é mesmo especial. É praticamente um pequeno oasis bem perto de quem mora ou trabalha ali. Já pensou sair pra dar uma volta com essa paisagem ao redor, com o rio passando, o barulho da água batendo nos galhos das árvores caídos ou dos pássaros cantando. Mesmo estando bem no centro da cidade e com um emaranhado de prédios de apartamentos, Matte ainda mantem o ar de tranquilidade e está distante do caos corriqueiro.
De transporte público ali não passa tram, só passa ônibus e olhe lá. Ok, as ruas estão tomadas de carros estacionados, mas há também um elevador que te desce da Münsterplatz até lá embaixo. É, você tem que pagar por ele. Sim, porque senão você tem que descer com suas próprias pernas e joelhos. Mas se adianta alguma coisa: pra descer todo santo ajuda. E mais: chegando lá embaixo, juro que compensa.
Se você quer conhecer Berna a fundo, ver de perto onde a cidade começou, ver de onde o verdadeiro centro antigo surgiu e ter uma ideia da vida por ali, você precisa dar uma volta por Matte. Te digo que morar numa cidade que eu posso praticamente fazer um passeio turístico e histórico assim como quem vai ali, é realmente um privilégio. E melhor de tudo, ainda posso escrever aqui sobre isso.

23 dezembro 2015

Ballenberg, o museu a ceu aberto da Suíça

Infelizmente no inverno o museu está fechado. Mesmo sendo este um inverno atípico até o momento com temperaturas mais altas que o normal e com pouca ou quase nenhuma neve, o Museu a céu aberto da Suíça só funciona de Abril a Outubro. Também ainda estamos em Dezembro ne, vamos ver o que vem por aí. De qualquer forma, o museu fica numa região serrana, um pouco acima do nível do mar, e há pouca luz de sol por dia, portanto o museu permanece fechado, então esse vai ser um daqueles posts pra abrir de novo quando os dias voltarem a ficar mais quentes. Portanto presta atenção para programar bem os passeios da próxima primavera, hehehe.
Ballenberg é o museu a céu aberto da Suíça. Uma coisa como nada que eu havia visto até então. E eu fui no outono, no fim de outubro já, quando as cores das árvores estão bem evidentes, uma coisa impressionante de linda. Na teoria o museu é assim: uma grande área, ou parque, ou fazenda, chame como preferir, exibindo casas e construções antigas típicas da Suíça, arquiteturas de todas as regiões e cantões do país. Você vai andando e conhecendo uma por uma, como uma viagem ao tempo mesmo, um museu, digamos, bem realista.
Mas na prática Ballenberg é muito mais do que isso. Para começar que são quase 700 mil metros quadrados de área verde, numa paisagem que já valeria o passeio. Não é perto de muita coisa, fica num município afastado próximo a Brienz, no cantão de Berna, então uma ida até lá é geralmente um programa de um dia inteiro reservado apenas para isso. Mas te garanto: vale a pena. Eu já disse aqui que eu prefiro mil vezes um passeio ao ar livre num dia bonito, então eu posso ser suspeita pra falar. Mas termine de ler o post e diga se você não concorda comigo.
Eu aliás tive mais dificuldade aqui para selecionar as fotos pra incluir neste post do que de fato para escrever o post, porque olha, uma foto mais linda que a outra. Além da paisagem sensacional, são mais de 100 construções suíças tradicionais. Uma verdadeira viagem no tempo ver como funcionava uma farmácia no século passado, ou uma chapelaria, uma antiga fábrica de queijos, ou casas de pessoas normais, inclusive o seu interior com decoração e tudo mais. Eu já falei aqui mais de uma vez que é perceptível a diferença na arquitetura quando se vai para a Suíça alemã, francesa ou italiana. Vá ao Ballenberg e constate isso tudo num dia só.
O Ballenberg tem também demonstrações da vida rural suíça, das próprias atividades e técnicas artesanais, da vida no campo, longe do barulho das grandes cidades. Um dia no Ballenberg é um descanso, um alívio para o corpo e a mente. Ok, pro corpo nem tanto porque se anda muito ali! Hahahaha. Mas continuo dizendo que vale a pena. Para as crianças então, é um paraíso. O Edi amou.
E qual criança não ia gostar de andar e correr ao ar livre, vendo animais como vacas, cavalos, poneis, porcos, coelhos, galinhas, é diversão pra um dia inteiro mesmo. E um dia pode ser até pouco para ver tudo que tem no Ballenberg. A gente até recebe um mapinha na entrada, mas não tem como, é muita coisa pra ver e tem que priorizar, escolher por onde começar, o que ver, o que não ver, o que ver depois, senão chega a hora do museu fechar e você ainda não tá nem na metade do caminho.
Tanto que há duas entradas, para quem entrar pela parte leste possa sair pela parte oeste e vice versa, sem ter que voltar o caminho tooodo de novo e gastar mais sei lá, umas 2 horas só pra sair do lugar. Bom, a gente gastou no total umas 5 horas no museu, talvez um pouco mais. Fomos de manhã cedo e reservei 2 horas para ver a parte oeste e mais outras 2 horas para ver a parte leste. Parando para almoçar, claro.
Lá dentro tem restaurantes, áreas para picnic, até um carrossel no meio da área verde, um tanto que surreal. Toda uma infra estrutura muito bem pensada e apropriada para quem for passar o dia ali realmente tenha o melhor dia possível e uma ótima experiência com o museu. Assim foi a nossa experiência, fico feliz em dizer. De fato um dia memorável.
Na saída leste (ou entrada, depende por onde você começa o passeio), tem ainda uma chocolateria própria do museu, fazendo chocolate na hora (e vendendo também, claro). Em datas especiais e festivas, há também apresentações de danças com roupas típicas suíças, tudo muito interessante. Realmente o Ballenberg é um museu e tanto, vale a pena sim a visita. Eu que já gosto de passeio em floresta e em áreas verdes assim, juntar com um museu como este, não tem programa melhor.
Para chegar ao museu de transporte público, é preciso ir até Brienz e de lá pegar o ônibus 151 que parte da própria estação de trem. A entrada do museu custa 24 francos, crianças de 6 a 16 anos pagam 12 francos e crianças até 6 anos entram de graça. Se você comprar um passe para ir 2 dias, voce paga 39 francos pelos dois dias. Como eu disse no início do post, o museu funciona de Abril a Outubro, das 10 às 17 horas, então agora é esperar mesmo a primavera voltar.
Ballenberg
Freilichtmuseum der Schweiz
http://www.ballenberg.ch/