29 dezembro 2011

Feira de Natal em Zurique

Ta eu sei, o natal continua acabado. Agora só próximo ano. To atrasada mesmo nos posts, então vai assim mesmo. Até porque a feirinha de natal está nos seus últimos dias mas continua acontecendo! Assim como em Berna, Montreux, e nas principais cidades suiças, Zurique como maior cidade do país e mais importante economicamente falando, também é digna de uma feira de natal.
E que feira! Tão fofa, lindamente decorada, cada detalhe e combinação de cores que dá vontade de ficar tirando foto o tempo inteiro. Assim como falei no post passado, coisinhas interessantes de tudo quanto é gênero pra se ver. Claro, com não um, mas mais de um stand de Glühwein, a feirinha de natal em Zurique na verdade não é só uma. Mas no centro, a principal fica no centrão, lá por trás da Bahnhofstrasse, na Linthescher-Gasse. Várias barraquinhas, mais diversidade até que as outras feiras que visitei, um verdadeiro e muito agradável passatempo pra essa época do ano.
Zurique é uma cidade que tá sempre cheia, lotada de gente andando na rua. Bem diferente da maioria das cidades suiças ne, vale salientar. Então a feirinha de natal é mais um lugar pra se amontoar de gente. Pode acreditar. E lá em Zurique pode crer tambem que voce vai encontrar coisas de qualidade. Além disso, se voce for olhar a previsão do tempo, Zurique sempre tem a temperatura mais elevada que em Berna. Na teoria, porque na prática é outra história. Na realidade lá está sempre mais frio, acho que pela proximidade do lago Zurich e do rio Limmat que fica tão próximo às ruas. Então é um vento desgraçado e andar na feirinha é uma prova de fogo gelo. Só um Glühwein mesmo pra ajudar, viu, porque olha, vento gelado rasgando o rosto não é nada legal.
Ok, o inverno tá até legal, só nevou uma vez, e a essa época nos anos anteriores, estava beeeeeemmmm mais frio. Mas ne, mesmo estando já bem melhor acostumada com o frio depois de quase 3 anos de Queijolândia, ainda o sinto tremendo minha espinha. E quando chega a noite, oh mein Gott, Deus nos ajude.
Bom, mas o que importa é que feirinhas de natal são o que há! É um clima tão legal de tanta gente só ali andando na rua, tudo iluminado, é uma doçura. Quando na Suiça e Alemanha em dezembro, não deixe de visita-las.

Feira de Natal de Berna

Ok, ok, o natal já passou. Estou atrasadérrima aqui com os posts. Mas mesmo nessa época do ano, com minha mãe aqui comigo, com as lojas todas em promoção lá na cidade, eu ainda tenho que trabalhar, e ainda queimo o dedo na cozinha me impedindo de fazer movimentos bruscos (pausa para a risada), então o blog termina tomando as dores, pobrezinho. Oh well. Enfim. Mesmo já tendo passado o natal, vale a pena falar sobre a feira de natal que é costume nessas bandas aqui do mundo.
Feiras de natal são uma tradição alemã, onde como pode-se presumir, são feirinhas que se montam nessa época do ano em principais cidades para vender .... hum... qualquer coisa. Na verdade não é a primeira vez que falo sobre feiras de natal aqui. Apesar de ter passado 3 meses em Nürnberg, na Alemanha, em 2004, não estava lá na época de natal, então perdi o show, pois Nürnberg é a cidade que tem a feira de natal mais famosa do mundo. No meu primeiro ano de Suiça, conheci uma das principais feiras de natal, a de Montreux, na parte francesa. E ano passado mesmo no post de natal, tava lá a feira de Berna toda coberta de neve.
Este ano não tinha mais neve no natal. Aliás, esse ano tá sendo todo diferente. Mas a feira estava lá. Durante o mês de dezembro quase todo. De 3 a 24 de dezembro, e "os restos" de 27 a 29 de dezembro. Assim são todas as feiras de natal Alemanha afora, aqui na Suiça também, e em Berna, capital suiça, não é diferente.
Gueri-gueris de tudo quanto é coisa. Bugingangas de tudo quanto é tipo. Enfeites decorativos, velas, bijuterias, comilanças, coisinhas legais pra ficar passando e olhando. Mas o que tem mesmo é stand de cachecol e luvas porque olha, o frio não tá brincando não. Depois da primeira nevada, não tivemos mais neve nenhuma, mas o frio continua firme e forte. Vai entender. Bom mas só assim fica menos mico perigoso de andar porque os escorregões também continuam firmes e fortes quando tem gelo no chão. Jokes apart, a feirinha mesmo sendo a mesma coisa do ano passado e praticamente a mesma coisa todo ano, e o mesmo esquema de feiras de natal, e mesmo eu não estando no clima natalino, é muito legalzinha de visitar.
Voce termina achando alguma coisa interessante, e dar uma volta em feiras ao ar livre é algo que me cativa, pelo simples fato de não ter caráter de obrigação consumista, não tem vendedores te chamando, nem te fazendo perguntas, voce simplesmente anda na rua e olha o que quer, totalmente descompromissado, e eu gosto disso. Mesmo sendo no natal, que é uma coisa meio "yeah, vamos comprar tudo como se não houvesse amanhã", sinto que as feirinhas de natal - apesar dos preços bem ambiciosos - ainda são despretensiosas.
E, é claro, não podia faltar, o principal motivo das feiras de natal. Ou seria a principal consequencia? Depois de andar tanto no frio desgraçado, é natural precisar de algo quente pra se esquentar - o famoso glühwein, ou vinho quente. Os marmanjos do meu trabalho organizaram uma Weihnachtsmarktbummel, ou uma caminhada pela feira de natal na semana passada.. mas, veja voce, até parece que um monte de homem tá interessado em ficar andando pela feira pra comprar algo ou coisa do tipo. O interesse, o real motivo da "caminhada" era apenas-unica e exclusivamente o stande de glühwein, que aqui na feira de Berna, só tem um! E está sempre lotado. Seja o principal motivo de alguém ir a feira, ou a consequencia como eu falei antes, fato é que o glühwein é uma delícia e principalmente aquece o passeio. Voce pode até sair de mãos vazias de lá, mas feira de natal sem glühwein não é feira de natal.

22 dezembro 2011

Weihnachtsfeier e etc. e tal

Ho ho ho! Frohe Weihnachten!

Não to no minimo clima de Natal. Mesmo com a chegada da neve e a Suiça toda enfeitada pro Natal, não to com a minha familia pra me empolgar pra alguma coisa. Essa é uma das desvantagens de morar aqui, by the way. É o preço que se paga às vezes por ir atrás de seus objetivos. Mas minha mãe está chegando amanhã e aí já tá de bom grado. Seja qual for a programação pra noite de Natal, pra mim essa data passou a ser uma festividade que eu tenho que passar por ela. Não é chato, não é desagradável, é apenas incomum.

Ano passado foi muito agradável na casa da minha amiga suiça-italiana, fui muito bem tratada, me diverti a beça e pude conhecer o outro lado da moeda. Mas não é simples, ne. Claro que voce pensa na sua família. Mas já faz tanto tempo que eu moro só que já que é assim, eu prefiro ficar de bem com as regras. E eu acabei de passar férias tão maravilhosas no Brasil e na Argentina que não tenho nem o direito de choramingar.

Por aqui as tradições não são nem as mesmas, não tem Papai Noel, ou melhor tem "o menino do Natal" que vem no dia 6 de Dezembro ver as crianças, as famílias não são nem essas coisas toda de unidas. Apesar de as cidades estarem decoradas, ilumindas e tal, não sinto tanto a pressão da celebração não.

Esse ano não tivemos amigo secreto entre amigos como no ano passado, pois com a mudança de emprego terminei me afastando de algumas pessoas, outras se mudaram de cidade, e cada um meio que foi pro seu lado, apesar de ainda mantermos contato. Mas como a festividade faz parte do calendário, tivemos uma festa de natal no trabalho.

É a primeira festa de natal que participo na empresa nova, pois faz 9 meses que troquei de emprego. A festa só contou com gente da Suiça ou da Alemanha que trabalha aqui. Claro, seria impossível juntar todo mundo dos escritórios de Londres e Stockholm, por exemplo. E alguns clientes foram convidados também.

Dia normal de trabalho em Zurique, aperitivos mais tarde, cervejas, vinho quente, salsicha. Tinha tudo pra ser um feierabend comum e ninguém nem ia saber que é época de natal. Não estava nem nevando ainda. E a decoração não estava lá com muita cara de natal não.

Só que um colega que é bem nerdão (no bom sentido da palavra) resolveu querer incrementar os preparativos pra festa de natal, e desenvolveu uma aplicação para iPhone pra ser usada na hora da festa.

De início parecia uma bobagem só. Ora, imagine voce uma aplicação que quando voce vai tirar foto, reconhece o rosto da pessoa na câmera e aplica enfeiteis de natal como chapéu e barba de papai noel, uma gravatinha enfeitada, asinhas de anjinho e uma auréola bem em cima da sua cabeça, além de backgrounds e molduras na foto com temas de natal.

Pois bem. Ele resolveu tirar horas extras de trabalho pra desenvolver a ideia dele e sem ser pago a mais por isso, a aplicação ficou pronta no dia da festa! Todo mundo que tinha iPhone ficou portanto incumbido da tarefa de usar o programinha no celular durante a festa, tirar fotos das pessoas que estivessem lá e a aplicação mandaria automaticamente as fotos pra um site, e as fotos do site seriam passadas num telão pra ficar passando lá e todo mundo ficar vendo.

Contando assim talvez não tenha o mesmo efeito. Ou talvez eu que seja nerd demais que tenha achado muito legal. Mas olha, se não fosse a aplicação dele... tudo bem que a árvore de natal tava até bonitinha, mas tava tão escondida no canto que se não a procurasse não daria mesmo pra dizer que era natal. A tal aplicação fez o maior sucesso. Todo mundo adorou.

Aqui na Suiça quase todo mundo tem um iPhone, então era um bocado de gente com o telefone na mão tirando foto e esperando sua foto aparecer no telão.

Só o fato de fazer a graça de ficar lá procurando a melhor moldura, a melhor máscara de natal que se encaixava na pessoa terminou sendo o grande barato da festa, deixando o ambiente mais descontraído e caracterizou mais o tema do evento.

O cara que desenvolveu foi a sensação da festa, pois todos queriam saber quem teve tal ideia e pos pra funcionar por conta própria, saber detalhes de código, detalhes técnicos, etc. Nossa, ele arrasou.. Tenho certeza que ele vai ganhar alguma promoção por isso. Merecida ne.

Em primeiro lugar, a empresa vai comprar a aplicação dele e vai vender na Apple Store. Só isso aí é um grande barato.

Isso é o legal de trabalhar em empresa de tecnologia. Ninguém dava nada pelo cara, até ele por essa ideia pra funcionar em pouquissimo tempo e agora ele é o rei do pedaço. Achei arretado! Terminou sendo um belo presente de natal.

A festa durou horas e horas, terminou com karaoke e marcou no trabalho o final de 2011, ano de muitas mudanças, novos desafios, novas conquistas, muito trabalho. Que venha muito mais em 2012.

21 dezembro 2011

Fondue de queijo

Eu já escrevi aqui no blog sobre fondue de chocolate. Aquela maravilha de chocolate quente derretido que se come com frutas. Passei o Natal passado comendo fondue chinoise, ou seja, de carne. E logo que cheguei a Suiça, também comentei do normal fondue de queijo na minha primeira experiência com o mais famoso prato suiço. Afinal, Suiça sem fondue não é Suiça.

É vero. Até vir morar na Suiça, fondue pra mim era a única mistura que eu conhecia de pão e queijo derretido. Mesmo no calor de Recife, eu e meus amigos já tínhamos feito vários. Depois que cheguei aqui, aprendi que além do pão, acompanha-se com batatas no tal fondue. E depois que fiz Francês, aprendi que não se fala "fondi", mas sim "fondúúe". E que existe várias combinações de pão, queijo e batata na culinária suiça, e não só fondue.

Eu não conhecia Raclette. Talvez no sul do Brasil seja mais popular, mas pra mim que sempre morei no sudeste e no nordeste do Brasil, era novidade. Mas hoje que já passei por tantos micos experiências, nem ouso mais dizer que raclette é tipo fondue, porque só falto ser linxada pelos suiços. Queijos diferentes são usados nos dois pratos. Não me pergunte detalhes porque ainda estou aprendendo. Sei que quero voltar a Gruyères e visitar a fábrica de queijo lá e entender melhor os detalhes, porque quando fui há 2 anos atrás ainda estava sob estado de choque das lindas paisagens.

Aqui na Suiça, quando começa a ficar mais frio como agora, fondue não é apenas um prato, mas um evento. É literalmente delicioso, mas gostoso mesmo é todo o processo de preparação também. Aliás, fui postando ao vivo no Facebook e Twitter os passos enquanto fazia.

Na verdade, os preparativos pra fazer um bom fondue são bem simples. A começar pelos ingredientes: pão, queijo e batata. Tem algo mais fácil que isso? Não é preciso nenhuma habilidade especial, nenhuma mágica, nada disso. Mas fazer fondue na Suiça quando está menos 3 graus lá fora e a neve está a cair, é mesmo especial.

No Brasil também é fácil encontrar queijo de fondue no supermercado, só não lembro quais as marcas que têm por lá. Por aqui há infinitas.

E então numa noite gelada, cozinhei quase 1 kilo e meio de queijo, 1 kilo de batata e mais um pãozão, além é claro de um estoque de vinho tinto - Montepulciano d'Abruzzo, meu favorito - e recebi convidados especiais no meu apartamento pra uma noite suiça com fondue.

Batatas cozidas, pão cortado, só faltava mesmo tirar o queijo semi pronto da geladeira e por no rechaud. Existe também a possibilidade de comprar o queijo "cru" para prepará-lo com outros condimentos antes de levar a fonduezeira. Aí já é trabalho pra um suiço experiente, leva mais tempo, exige mais habilidade, e ne, eu não to pronta pra isso. Pra mim já estava de bom tamanho tirar o queijo semi pronto do pacote e por na panela com alho pra começar a farra.

Então enchi a panela com os três pacotes de queijo - cada um tem 400 gramas. E tem que ficar lá no lerê lerê mexendo e mexendo sem parar pra não embolar.

Coloquei uma lambada no som da cozinha e fiquei lá. Senão não aguento. Já não tenho o hábito de cozinhar. Ficar lá suando mexendo um queijo sem lust não rola.

Quando o queijo começa a deixar de ficar sólido e fica mais homogêneo, mesmo que pastoso (claro, não vai ficar líquido), é sinal que pode tirar do fogo e levar pro rechaud, já a mesa. Vai começar de fato o fondue.

Voce pode também colocar o queijo no fogo do rechau desde o começo. Vai demorar um século pra ficar pronto, mas acompanhada de um bom vinho, isso é detalhe.

Bom, mas com a panela no rechaud a mesa, está iniciado oficialmente o fondue. É só alguém tomar a iniciativa de espetar o pão ou a batata e banhar no queijo. Condimentos, paprika, pimenta ou acompanhamentos a gosto são bem vindos. Chá para acompanhar quem não bebe também é comum.
É uma ótima oportunidade para reunir amigos e família a mesa e gastar um bom tempo ao redor da fonduezeira jogando conversa fora e bebendo um bom vinho, enquanto de quebra ainda se come fondue.

No Brasil a gente se reune pra um churrasco, na Inglaterra pra um chá, na Alemanha pra um bratwurst, e aqui pra um fondue.

É um prato comum na Suiça primeiro por causa dos ingredientes, depois porque é uma comida quente e pesada, altamente calórica (!!!!!!!!), portanto excelente para essa época do ano de frio no hemisfério norte. Mais tradicional, mais suiço impossível.

O calor do rechaud no verão não combina, e no inverno ajuda a aquecer o ambiente. E a desculpa das calorias também é necessária no inverno pro corpo da gente ne. Não dá pra ficar comendo salada e frutas geladas nesse frio. O organismo precisa de calorias pra aguentar o frio.

Os suiços que são acostumados a comer isso também são acostumados a nadar em lago quase congelado, a fazer esportes no gelo, têm alta resistência, etc. e assim perdem calorias. Faz parte do costume deles. Aliás, é super comum fazer uma mega caminhada na neve, escalar sei lá o que no frio, e quando chegar ao ziel, ter um fondue como recompensa. Experiencia própria.

Mas pra mim é diferente, eu não me dou dei bem com nenhum esporte de neve que tentei até agora, e não sei se isso vai ter jeito. A solução é arcar com as consequencias e tentar perder os kilos adquiridos quando começar a esquentar de novo, isto é, lá pra março, abril, maio? Mas bem, isso aí já é assunto pra outro post...

Mas também, vou te contar... ficar se preocupando com calorias no inverno aqui é como ficar tentando não mostrar a barriga quando se está de biquini na praia no verão do Rio de Janeiro. É assim e pronto. O melhor a se fazer é relaxar a consciência mesmo, geniessen o momento, a companhia dos amigos e o próprio fondue.

Suiço pode ter muitos defeitos, mas fondue, certamente não é um deles. Ô racinha pra fazer um tal negócio de pão, queijo e batata gostoso!

19 dezembro 2011

Um dia branco

Lembra que eu escrevi no post passado, ontem a noite, que ainda estava nevando? Pois é. Primeira nevada demorou, veio este fim de semana, nevou e nevou até hoje de manhã. E hoje ficou aquela de neva e pára, neva e pára, neva e pára, deixando o dia totalmente branco.

Acordar ainda de noite já é um parto. Sair de casa ainda amanhecendo e nevando muito é acima de tudo um teste de paciência viu, vou te contar... Ainda inventei de ir de galocha pro trabalho hoje com pena de por minhas botas no meio dessa nevasca que tá por aqui, meu pé quase congela! Mesmo com uma meia grossona.

Na hora de sair pro trabalho fiz esse vídeo pra registrar a dureza que é sair de manhã cedo no inverno. As roupas, a escuridão, o frio, a neve... O frio ok não dá pra sentir. Mas sabe que agora to achando o video tão bacaninha que nem dá pra passar muito a dificuldade que é se empacotar toda e sair de casa a menos 3 graus. Quer ver, assiste aí.

Talvez eu tenha que fazer um video do momento que eu acorde até a hora de sair de casa então... não não, melhor não, perderia leitores. Talvez então só a foto do equipamento todo da roupa toda pra sair de casa só pra pegar o transporte pra chegar ao trabalho. Eu fico cansada só de olhar, a trabalheira que dá vestir isso tudo aí.
O caminho pro trabalho quando eu trabalho em Berna consiste em pegar um tram e um ônibus. Cruzo boa parte da cidade em meia hora. E aí é bom que tenho a chance de ver como fica tudo branquinho em todo lugar da cidade, coisa mais linda! É, o caminho em si não é simples. Entre entrar num transporte e outro, tenho que andar um bocado e aí é punk segurar firme a friaca.
Pareço que vou chorar, ne?

Chegando no trabalho, mais alguns minutos pra tirar o casacão, respirar, pendura-lo, tirar as botas, trocar as meias, colocar o sapato de escritório, guardar as galochas, e pronto. Café? Hoje eu tava inspirada, até tirei foto no café.
Bom, a verdade é que só vou pro café de vez em quando. Não é como no outro emprego que era de lei todo dia as 9 todo mundo ir tomar café junto. Agora no emprego novo no meio de suiços e alemães sem nada de ambiente multicultural e muito mais fechados falando suiço alemão o tempo inteiro, não é sempre que eu to no meio. A integração é só as vezes, é parcial. Aliás, pra ser sincera, só tem UM sujeito que sempre que cruza comigo na hora do café me chama pra ir lá, e aí eu vou. Mas se não, não. Ás vezes não consigo nem entender o que eles estão dizendo em berndütsch direito, até parece que vou lá me meter. Não, minha mãe me deu educação e eu tenho trabalho a fazer.

Mas aí quando estou sociável lá no café, conversas fiadas do dia a dia, eu converso mais com ele mesmo, que é quem tenho mais afinidade. Não sei como, mas é. O resto é só colega de trabalho mesmo. E aí pronto, café tomado, vamos dar início aos trabalhos. No sentido literal da expressão. Mas hoje foi particularmente especial. Porque onde eu trabalho aqui tem uns janelões e era impossível ignorar a neve caindo o dia inteiro! Variando apenas de intensidade. A vontade que eu tinha era de ficar com um chocolate quente na mão do lado da janela só vendo a neve cair. E aí fiz mais um video pra o momento não passar batido.

Legal, não? Legal fui eu falando em Português sozinha com a camera do celular lá no trabalho achando que tava sozinha e quando olho pra trás, tá o Ralf olhando pra mim e ainda dá tchauzinho pro celular! AHahahahahaha. Ainda bem que ele é legal.

Todo mundo já está querendo entrar em ritmo de Natal, então pra voce ver, eu fui uma das primeiras a chegar, e quando saí as 4:30 da tarde já não tinha quase ninguém no escritório. Também já estava escurecendo. Ainda passei um convite pra ir andar no mercado de Natal hoje e estou aqui com o nariz entupidíssimo e uma sinusite querendo me pegar. Efeitos alérgicos da neve?

18 dezembro 2011

Enquanto isso, na Suiça...

Quando o outono vai se despedindo no final de outubro, início de novembro, e começam aquelas tempestades de folha caindo, vento de derrubar um, é certo que é o inverno querendo dar as caras. A temperatura cai descaradamente, fica aquele frio de doer os ossos e todo mundo fica na maior expectativa de que neve logo pra aliviar o frio.

Quando planejei minhas férias no Brasil e Argentina pra voltar pra Suiça em dezembro, eu tinha certeza que esse ano ia perder a primeira nevada da estação, e que quando chegasse aqui ia estar tudo branquinho já. Afinal este é meu terceiro inverno na Suiça e nos dois últimos, a primeira nevada sempre caiu no finalzinho de novembro.

Quando eu saí da Suiça em novembro de férias, a paisagem que eu deixei foi mais ou menos essa aí da foto acima. Toda amarelinha, folhas caindo. Era outono. Eu tava crente que ia perder a transição quase mágica do outono pro inverno e os primeiros floquinhos caindo.

Mas como a natureza faz o que quer, enquanto o sol não aparecia nos meus últimos dias de férias no Rio de Janeiro, por aqui também nada de neve. Só muita chuva, e o frio nem estava tão ruim assim. Nos alpes e nas montanhas lá no alto já tinha nevado sim. Quando cheguei de volta, na primeira semana de dezembro, vi do avião os alpes bem branquinhos, mas aqui em baixo na cidade nadica, nada, niente, nichts! Achei ótimo que faziam 10, 12 graus pro meu choque de volta não ser muito grande. E logo me juntei a todo mundo na expectativa da primeira neve.

Este é meu primeiro fim de semana de volta a Suiça, e durante a semana enquanto aguentava os efeitos do jet lag no trabalho e tentava me acostumar de volta a rotina, o centro das atenções era a previsão do fim de semana que dizia que a temperatura ia cair muito e finalmente a primeira neve da estação ia cair! Máxima de -2 graus, mínima de -9 era a média da previsão meteorológica.
Na sexta-feira, fazia 2 dias que só chovia sem parar, e um furacao na Alemanha cancelou voos, atrasou trens e deixou aquelas bandas um caos, e daqui sentimos os efeitos.

Acordei no sábado com uma mensagem da minha amiga suiça-italiana dizendo que estava nevando lá pelo Ticino, e mesmo meio sonâmbula, a primeira coisa que pensei foi: se tá nevando lá, tá nevando aqui também! Dei um pulo da cama e fui na janela olhar! E lá estava ela: a primeira neve da estação: 17 de dezembro de 2011. Demorou, mas chegou.



Fiquei mó feliz e quase feito criança, me arrumei, arrumei Juca e fomos dar um passeio...

Finalmente tirei o casaco de astronauta da caixa que já estava guardada desde março deste ano. Faltou mão pra segurar guarda-chuva, coleira de Juca, celular, saquinho do cocô... fora o vento que ainda tava punk e mais punk ainda era ficar tirando e colocando as luvas.

Mas ontem não foi aquela nevaaaasca como foi a primeira dos anos passados não. Não estava tão frio e no final do dia já não tinha quase nada, só gelo. O que eu particularmente odeio quando a neve derrete e fica só o gelão mesmo porque eu sou mestre em escorregar, além de ficar uma melequeira só na bota e é um saco pra chegar em casa, tirar sapato, enxugar, etc. Mas a noite ontem mesmo começou a nevar de novo e eu fui dormir na expectativa de acordar hoje com tudo branquinho.

E voila, hoje quando acordei estava assim:
Pra quem há poucos dias estava a 30 e poucos graus em Buenos Aires...
Juca como sempre animadíssimo, e eu me lascando toda pra dar conta de tudo ENQUANTO nevava. Hoje ainda não parou de nevar. Quer dizer, tem hora que fica mais fraquinha, tem hora que os flocos estão grandões e pesados, mas parar ainda não parou. Dei uma volta com Juca quando deu uma melhorada e assim como no ano passado, fiz um vídeo no celular para registrar o momento. Nada de produção, apenas um simples vídeo.

É, parece que agora o inverno chegou de verdade. Vou confessar que estou sofrendo bem menos com o frio, em comparação aos anos anteriores. Até que enfim ne. Um dia teria que me acostumar. Mas a neve está aí. Demorou, mas chegou. Aliás, continua a cair até agora! Pra alegria da galera que tava esperando ansiosamente pra ir esquiar, andar de snowboard com bastante neve, ou só pra curtir a magia gelada, antes que enjoe.

Puerto Madero

Jurava que o nome era Puerto Madera, mas tudo bem, é Puerto Madero. Ninguém notou, ninguém notou....
Puerto Madero é um dos bairros mais nobres de Buenos Aires. Mas não foi sempre assim. O porto foi criado nas margens do Rio da Prata no final do século 19 por Eduardo Madero (daí o nome) e foi um marco da engenharia na Argentina. Com o passar dos anos ficou obsoleto, um novo porto (Puerto Nuevo) foi criado para receber maiores navios de carga e a região de Puerto Madero ficou entregue às moscas.
Diversas propostas para revitalizar a região foram feitas, até que finalmente na década de 90 o bairro recebeu grande investimento do Estado, de Barcelona e de sociedades anonimas. Uma nova cara começava a ser vista em Puerto Madero, aos poucos o bairro ia deixando de ser perigoso, feio e abandonado. Deixar aquilo ali abandonado seria mesmo uma vergonha.
Antes tarde do que nunca, a área foi reurbanizada, novas ruas e avenidas foram criadas dando acesso a Puerto Madero o que incentivou bastante a iniciativa privada. Modernos prédios foram construídos, empresas formaram seus escritórios na margem do Rio da Prata, assim como restaurantes, residências e hoteis. Adivinhe onde fica o Hilton Buenos Aires?
A Argentina já passou por difíceis recessões nos últimos anos e um bairro como Puerto Madero certamente tem seus impactos na economia. Ao mesmo tempo que não é fácil mante-lo bem sucedido o tempo inteiro com os altos e baixos da economia, a "orla" é um dos mais importantes centros financeiros e turísticos da capital portenha. Ao longo do Rio da Prata, há uma série irresistível de restaurantes, cafes, padarias e bares que tá sempre cheia de gente a qualquer hora do dia.
Puerto Madero não é propriamente dito perto de alguma coisa, mas é central. É relativamente próximo a Praça da República, a Casa Rosada, ao miolo mesmo central que se conhece quando se vai a Buenos Aires. Era mais ou menos perto do nosso hotel, então na dúvida de onde jantar com as milhares de opções a cada esquina, Puerto Madero estava lá para tornar nossas escolhas ainda mais difíceis! A noite o bairro fica ainda mais charmoso com tanta iluminação nas ruas e dos prédios, além da movimentação noturna dos bares. Mais um ponto imperdível em Buenos Aires é jantar uma carne argentina saborosíssima num dos cafes em Puerto Madero.
E aí, curtiu? América do Sul, ta.