17 setembro 2015

Detalhes e dicas práticas da viagem à Rússia

Cara, nem acredito que estou aqui finalmente escrevendo sobre a viagem da Rússia... depois de tantas idas e vidas, desistências, adiamentos e dúvidas. Que felicidade que deu tudo tão certo e eu pude enfim conhecer a tão sonhada Rússia. A viagem foi tão organizadinha que resolvi escrever um post contando todos os detalhes, até pra eu relembrar depois e claro como de costume, compartilhar minha experiência e ajudar a quem se meter em tais aventuras como eu. Calma que eu sei que tá parecendo mais uma introdução, mas não é! De introdução já basta os dois últimos posts hahahaha. Mas é natura, viagem mais longa, tem mais coisa pra contar. E sendo a Rússia então! Aqui já vou falar de situações da própria viagem, mas ainda vou escrever separado sobre as cidades e os pontos visitados.

A viagem em si - vôos Suíça-Rússia, viagem São Petersburgo-Moscou e transfers

A viagem consistia de uma semana, mais precisamente de segunda-feira a domingo, na
primeira semana de setembro. O plano inicial era conhecer no mínimo as duas principais cidades, isto é, São Petersburgo e Moscou, e dividir o tempo entre as duas. Como a distância entre elas não é pequena - 650km - ia ser muito contramão ter que ir e voltar, pelo fato que apesar da viagem de avião entre uma cidade e outra ser curtinha, você tem que chegar com pelo menos 2 horas de antecedência no aeroporto, sair com mais uma hora de antecedência do hotel porque aeroporto geralmente é afastado, a cidade é grande, tem trânsito e tudo mais. Chegando no destino é a mesma coisa, tem que esperar mala no aeroporto, passar pela imigração, tem mais trânsito, bla bla... que no fim você gasta quase um dia inteiro de viagem. E isso que a viagem de avião nem é tão confortável assim. Por isso se estivéssemos primeiramente em São Petersburgo e fôssemos a Moscou e voltássemos para São Petersburgo para sair de lá para voltar a Suíça, ia praticamente "perder" 2 dias viajando de 1 semana, então, não. 

Chegamos na Rússia de Zurique em São Petersburgo, mas saímos de Moscou, voando direto para Zurique, tudo pela Swiss, a companhia aérea nacional suíça, em vôos diretos, sem conexões. A passagem multidestino não é lá das mais baratas, mas estávamos num ponto de decidir: ou vai ou vai. Sendo então o plano chegar por São Petersburgo e sair por Moscou, para aproveitar o máximo de tempo e otimizar a viagem pelos motivos que falei acima, resolvi arriscar a outra alternativa, que pode parecer um pouco ousada pra quem vê de longe, mas hoje vejo que foi realmente a melhor alternativa mesmo. 
O trecho que faltava então de São Petersburgo-Moscou, os irredutíveis 650km, resolvi fazer de trem. Que cá pra nós, trem comparado com avião, eu prefiro trem, muito mais confortável. Na Rússia existe uma rede ferroviária eficiente, de respeito, que faz linhas transsiberianas então daí a gente tem uma ideia que realmente dá pra confiar. E depois de muito pesquisar, decidi que valeria mais a pena ir de trem, fomos de trem bala, que fazia o percurso em 4h10min, numa velocidade média de 200km/h. O valor do bilhete de trem depende do tipo de vagão que você escolhe. Eu fiz tudo online com antecedência pela Russian Trains e tinha escolhido inicialmente o vagão mais barato mesmo (Edi não paga), e o bilhete custava menos de 100 dolares. Mas aí depois que fiz a compra entraram em contato comigo por email para perguntar se eu não preferia trocar para o vagão business não sei o que lá, porque tinha mais espaço para por carrinho de criança e tudo mais (mesmo Edi não pagando, você tem que indicar a criança como passageiro). Paguei a diferença (uns 30 dolares) e aceitei a troca.
Para comprar bilhete de trem na Rússia (pelo Russian Trains) é preciso primeiro escolher seu itinerário claro, e depois dar todos seus dados: dados pessoais, endereço, nacionalidade, número de passaporte, enviar tudo, só depois de alguns dias quando você recebe uma confirmação que seus dados "estão ok", é que você pode finalizar a compra. 
Eu desde que comecei a planejar essa viagem para a Rússia com meu amigo lá de Recife já esperava que fosse tudo meio desconfiado assim mesmo, muito cheio de regras, seguranças, procedimentos e nada easy going. Agora que terminou a viagem digo que é assim mesmo, e não só com a compra de bilhete de trem. Faz parte.
Então, depois que recebi a confirmação das passagens de trem, recebi os bilhetes por email, imprimi e levei comigo claro para usar lá no dia. Deu tudo certo. Cheguei na estação de trem em São Petersburgo  uns 30minutos antes do trem partir, mas tinha saído com umas 2 horas de antecedência do hotel. Muito trânsito e dificuldade para estacionar, tem que considerar... (mesmo assim, acho que ainda vale mais a pena que avião!) Organizei um transfer do hotel para a estação e uma espécie de escolta e paguei 50 euros por tudo. Valeu a pena pois o cara falava Inglês (nem todo mundo fala, ou quer falar Inglês na Rússia), estacionou o carro, levou a mala da gente enquanto eu empurrava o carrinho de Edi, foi comigo até a plataforma, passou pelo controle e me deixou na minha poltrona dentro do trem! Assim sim ne! Mas tudo isso eu organizei com antecedência, e pedi que o transfer fosse assim mesmo, pois já sabia que ia ser complicado empurrar a mala e o carrinho de Edi. Não faço isso nem quando vou pro aeroporto com Edi aqui na Suíça, ia fazer na Rússia?!
Estação de trem em São Petersburgo
Estação de trem em São Petersburgo
A viagem São Petersburgo-Moscou foi uma maravilha. O trem era super moderno, o vagão business era bem bacaninha, mas eu infelizmente não sei pronunciar nem escrever o nome da linha que fiz. Vejam o nome pelo bilhete. Edi não paga passagem mas também não tem assento próprio. Por sorte estávamos numa área com 4 lugares e só tinha nós dois. Era uma quinta-feira então não tinha muita gente no trem. No fim da viagem quando o trem parou numa cidade, entrou um cara e sentou na nossa frente apenas. Mas não atrapalhou em nada, Edi brincou, olhou pela janela, dormiu, também já está acostumado a andar de trem aqui na Suíça então não deu trabalho nenhum. Aliás como eu ja disse, eu até prefiro do que avião, porque de avião ele geralmente não curte ficar de cinto de segurança... Lá no trem passa aquele carrinho tipo de avião e servem um lanche (sanduíche de frango ou queijo), oferecem café, bebidas, biscoitinhos, tudo incluso no preço do bilhete, não precisa pagar nada mais pelo lanche. E Edi que nem bilhete pagou também ganhou lanchinho.
Chegando em Moscou, o trem parou na estação, e eu esperei todo mundo sair do vagão para levantar e tentar sair com minhas tralhas, mas o aperreio não durou muito. O transfer que tinha organizado para Moscou estava lá na porta do meu vagão (pois assim foi combinado) com meu nome, e de lá o carinha levou minha mala e eu empurrei o carrinho de Edi. Fomos até a van e da estação até o hotel, que não é nem tão longe, mas o trânsito de Moscou.... Jesus amado!


Hoteis

Em Moscou, ficamos no National Hotel, um hotel muito central, bem do outro lado da rua na frente da Praça Vermelha, um dos principais pontos turísticos da cidade. Claro, com uma localização tão boa, há um preço pra isso, mas como já comentei aqui, eu nunca fui de ficar em hostel, e me enfiar num moquifo com Edi não rola meeeesmo. Então tem que desembolsar uma graninha e ter algum conforto e segurança, para evitar que demais problemas aconteçam durante a viagem. O hotel era mesmo muito bom, o quarto era simples, sem vista especial para o Kremlin mas bem espaçoso, com dois ambientes, duas tvs, garrafas de água "de graça", cama enorme e mega confortável e bercinho pro Edi, mas eu não me sinto muito a vontade em hotel cinco estrelas. Sei lá. O conforto está lá claro, e isso vale a pena, mas é tanto cartão pra isso, bilhete especial praquilo, regras exclusivas praquilo outro que eu tenho a impressão de estar sempre sendo observada, não gosto. Mas como não achei um hotel mais ou menos que fosse suficientemente ok naqueles arredores foi esse mesmo.
Reservei tudo pelo Booking.com. Em São Petersburgo ficamos no Golden Triangle Hotel, um hotel mais simples, mas também com ótima localização, a poucos metros da Rua Nevsky, que a é a principal rua de compras da cidade, onde no final dela fica a praça do Hermitage. O hotel era bem bonzinho, quarto menor que o outro, mas também bem confortável, com berço pro Edi e muito agradável, recomendo todos os dois. Todos os dois com elevador e de fácil acesso e com equipe falando Inglês.


O povo russo e o Inglês

Isso do Inglês tenho que enfatizar porque é um ponto a ser considerado, minha gente... É fato: não é simples falar Inglês nas ruas da Rússia. Não, nem todo mundo fala Inglês e poucas pessoas querem de fato falar. Vou contar um fato, estava eu na fila do Burger King para pedir meu sanduiche, e quando chega minha vez, adivinha? A atendente não fala Inglês, claro. Ela até se esforça, mas não adianta, não fala, falei "sem cebola" e ela não sabia o que era. E aí não tem nem o que fazer porque não dá pra fazer mímica de cebola ne. Virei pros lados e comecei a perguntar quem ali falava Inglês pra me ajudar, até que o cara que tava bem do meu lado se prontificou... er, quase isso. Quando vi que ele tava entendendo o que eu tava dizendo, meio que implorei pra ele traduzir pra mim lá em russo que eu queria o bendito sanduiche sem cebola... Tipo, ele tava do meu lado! Do meu lado o tempo todo vendo que eu tava precisando de ajuda e não falou espontaneamente... precisei pedir. Essa situação aí resume bem o comportamento dos que falam Inglês. 
Minha impressão do povo russo hoje foi um povo extremamente frio, distante e individual. Poderia estar falando dos suíços, mas acho que numa situação como a que descrevi acima, um suíço no lugar do russo teria se prontificado para ajudar na mesma hora.
Segundo uma das guias que nos orientou em Moscou, ela disse que não dá para culpa-los. Ora, eles passam a grande maioria do ano debaixo de um frio dos infernos (dos ceus?), têm pouca claridade, poucos dias de sol, é natural que virem individualistas. Essa explicação eu também já ouvi aqui na Suíça para a frieza do povo daqui, mas como na Rússia faz mais frio que aqui, na lógica, lá o povo é respectivamente também mais frio que o daqui. Voltei pra Suíça até achando os suíços mais amigáveis... hahahaha.


Guias de viagem falando Português

Sobre as guias que contratei na Rússia, pode até parecer piada, mas não é. Todas as três falavam Português. Imagina encontrar uma russa que fala Português. Pois eu encontrei 3. Ok não foi tão coincidência assim... no início quando eu estava organizando a viagem com meu amigo de Recife, estávamos atrás de guias que falassem Português. Aí encontramos uma em São Petersburgo e ela indicou as de Moscou. Inglês pode até falar mais ou menos ou nem falar, mas Português todas as três falavam. As três fizeram letras na Universidade e claro, como guias de turismo sabem muito da história da russa, mas na universidade tiveram que aprender um outro idioma também... e por quê não Português? Interessante, não? Não ia dizer nunca que se poderia aprender Português numa universidade russa, mas tá aí. E deve ser de bom nível porque olha, Português fluente, praticamente sem sotaque, sem erros. OK, uma delas me contou que namorou um brasileiro e foi ao Brasil algumas vezes, então isso deve ter ajudado. Mas as outras disseram que recebem muitos turistas brasileiros e aí uma coisa levou ao aprimoramento da outra. 
As guias foram excelentes, todas três e eu as recomendo. Fizemos tour privado, isto é, só eu e Edi, a guia e o motorista. A de São Petersburgo foi a que passamos mais tempo, Ekaterina Semenova (contato: catalina2507@yandex.ru). Fizemos com ela no primeiro dia um tour de 4 horas pelos principais pontos de São Petersburgo e no segundo fomos para fora da cidade conhecer Peterhof e Pushkin, os palácios de verão dos antigos czares russos. Calma que vou fazer post sobre tudo ainda. 
As guias em Moscou foram duas. No primeiro dia fiz um tour de carro pelos principais pontos da cidade com a guia Anna Nasonova (não tenho o email dela, organizei tudo com a 2a guia), que mesmo grávida de 7 meses, fez um ótimo trabalho e ainda tirou ótimas fotos nossas. No segundo dia em Moscou fizemos um tour a pé pelo Kremlin com a Maria Basova (contato: mariabasova@hotmail.com), mas tive azar no último dia, pois chovia muuuuuuito em Moscou e atrapalhou um pouco os planos.
As vantagens de turistar nas cidades com guias, além das óbvias e das que eu já falei antes, é que voce tambem nao enfrenta fila na entrada dos pontos, museus, etc. porque elas já organizam tudo com antecedência. Sendo privado então, você vai no seu ritmo. Acertei tudo com antecedência por email, paguei as guias em Euro, mas a moeda do país não é Euro obviamente. A moeda da Rússia é o rublo russo e eu troquei dinheiro antes de viajar.

Depois dos tours com as guias aproveitei ainda algumas horas para andar sozinha com Edi pelos arredores, depois que já tinha "aprendido" a andar pelo menos ali perto de onde eu estava. Eu gosto tambem de andar sozinha, na minha, isto é, com o Edi, no nosso ritmo, vou conversando com ele, mostrando as coisas, fazemos pausas, enfim.

Achei as duas cidades bem grandes e complicadas de serem navegadas. Não é como as principais cidades europeias que os principais pontos ficam no centro histórico e o centro histórico dá pra ser andado todo a pé. Por isso a necessidade em contratar as guias para ajudar na viagem também. Dá pra ficar hospedado próximo a um ponto, mas não dá bem pra ir andando de um ponto a outro. Tem que pegar carro, taxi, metro, onibus. As distâncias são grandes e o trânsito é intenso, principalmente em Moscou que mesmo com aquelas avenidas enooooormes com 7 pistas pra ir, 7 pistas pra voltar e prédios arranha-ceu, tem ruas que (obviamente têm menos pistas) e ficam beeem engarrafadas.


Brasileiro não precisa de visto

A Rússia pode parecer um país bem complicado para viajar, mas desde 2010 o país fez um acordo com o Brasil e o passaporte brasileiro não precisa mais de visto para entrar lá. Isso é uma vantagem monstra porque quase o resto do mundo todo precisa de visto para ir pra Rússia e eles são bem chatos rígidos quanto a isso. Lembro que no aeroporto em Zurique na fila para o embarque, tinha um monte de suíço lá conferindo seus vistos e eu pude passar com o Edi na frente tranquilamente porque não precisávamos conferir nada. Isso é ótimo porque não é sempre que o passaporte brasileiro é privilegiado.
Na chegada em São Petersburgo, passamos pelo controle de passaporte, recebemos nosso carimbo e até eu fiquei surpresa por não perguntarem "o que faz uma brasileira que mora na Suíça vir a Rússia com seu filho?"... surpresa, mas feliz. Quem sabe na Rússia eles já sejam mais avançados nessa questão.


Rússia com crianças e o Edi

Eu to ligada que rola um certo preconceito sobre viajar com crianças para países "diferentes" e a Rússia pode ser enquadrada nessa categoria. Preconceito porque é falta de entendimento. Como eu já disse antes, a Rússia é longe, é grande, é diferente. Ir pra lá com crianças??????? ....... o que que tem???
Se é pra viajar, é melhor que aprenda desde cedo hehehe.. brincadeiras a parte, eu parto do princípio que em todo lugar do mundo tem crianças, e em todas as cidades tem de ser possível andar com crianças. Talvez ainda precise escrever um post sobre isso, mas, eu não acho difícil viajar com crianças com o Edi. Eu acho que exige sim mais preparação, mais investimento, cautela, etc. mas isso aí faz parte. É meu nosso novo modo de viajar, ué. E apesar de parecer meio loucura para alguns ir com o Edi para a Rússia, eu fui e digo que não houve problema algum!
Claro, ele é uma criança de 2 anos e meio, exige a paciência e os cuidados naturais da idade aonde quer que a gente esteja. Na prática, Edi sempre faz sucesso com as pessoas na rua, todo mundo olha, sorri, torna até nossa viagem mais interativa com estranhos hahaha. Mas na Rússia foi especial, porque a quantidade de turista asiático (digo asiático porque não sei diferenciar chinês de japonês, nem coreano) era incrivelmente absurda. Muito turista asiático, muito, muito, muito. E como eles são, todos com câmeras fotográficas tirando foto de tudo, e claro, Edi é uma "atração", sendo diferente deles, ainda criança, chama muito atenção. Todos vêm falar com ele, cumprimentar, pedir pra tirar foto, brincar, nossa, ele arrasa. Eu fico só de longe assistindo tirando foto.
Os russos em si como eu disse antes, não são muito amigáveis e sorridentes com estranhos, mas o Edi até conseguiu arrancar uns sorrisos de alguns russos que cruzaram com a gente. 
Sempre tento procurar um mercadinho próximo ao hotel onde eu possa comprar biscoitinhos, coisinhas, necessidades e bananas para fazer a vitamina dele que ele toma todo santo dia ao acordar e antes de ir pra cama. Sim, viajo com toda a parafernalha... e no mais, como já falei aqui, é curtir a viagem juntos e tentar seguir a rotina dele de refeições, troca de fralda, sono, etc. Eu como cuido praticamente o tempo inteiro de Edi sozinha quando estamos na Suíça, quando estamos viajando é até menos trabalho, pois não tenho eu mesma que estar o tempo todo preocupada em entrete-lo, a viagem por si só já o entretem.


Comida

Dependendo da viagem, gosto de fazer com que a hora do almoço e da janta sejam parte do "tour turístico" e conhecer as comidas típicas do lugar, experimentar uma coisa ou outra. Na Rússia, fiz questão de pedir mais de uma vez um strogonoff, prato russo que conhecemos bem no Brasil, e da primeira vez achei uma delicia, ambos com carne de vaca, mas da segunda vez não curti o molho de champingons... Recomendo com certeza o strogonoff do shopping GUM, e NÃO recomendo o do hotel Nacional, onde ficamos em Moscou.
Passei também por um restaurante self-service e tinha tudo de russo. Me perdoem, não sei falar os nomes nem escreve-los. Mas tava bom! hahahaha... Em suma era arroz, purê de batatas e carnes empanadas, essa espécie de panqueca era com queijo tipo ricota, uma sobremesa de chocolate que era tipo um brownie, suco de berries e uma vodka de lembrança.
No mais comi também em redes de fast food como comentei antes, Burger King e sanduiches no Subway, e pastas em restaurantes "ocidentais". As redes de fast food não há tantas pela Rússia e as que há não são tããão lotadas nem tããão bem vistas (ou naturalmente frequentadas) como no Brasil ou Europa. Ouvi mais de uma vez das guias que há um certo movimento e frequentes demonstrações para fechar tais estabelecimentos por lá.


Clima

Fomos na primeira semana de setembro a Rússia e acho que foi uma ótima época, em relação ao clima. Ouvi dizer que São Petersburgo tem 20 e poucos dias de sol por ano apenas, e nos 4 dias que estive lá, peguei sol na maioria do tempo, então acho que tive sorte. A temperatura na chegada estava acima dos 20 graus, tendo dias de no fim da tarde chegar a 25 graus e não precisar nem de casaco. Segundo o motorista que foi nos buscar no aeroporto, ele disse que esse ano eles praticamente não tiveram verão, que fez muito frio, bem diferente aqui da Europa e da Suíça que tivemos um ótimo verão e com temperaturas bem altas.
Já em Moscou o clima é estranho. Estava bem mais frio que em São Petersburgo, mas acho que a queda foi natural e no país inteiro, pois não fica tempo bom e temperaturas boas por tantos dias seguidos. No inicio do dia mais pro fim da viagem estavamos pegando 8 graus... Mas sei lá lá em Moscou o ar é meio poluído, denso, muuuito nublado, e com o frio, fica uma coisa assim meio sombria no fim do dia. Não quero nem imaginar como deve ser no inverno com temperatura média beirando os -10, -15 graus centigrados. No nosso último dia em Moscou pegamos muita chuva e isso atrapalhou um pouco os planos e a viagem, mas ne, depois de tantos dias de sol, a sorte haveria de acabar. Uma viagem comprida tem disso também. 

Acredito que na primavera também deva ser uma boa época para visitar a Rússia, pois as temperaturas estão começando a aumentar. Já no verão é época de férias escolares, alta temporada, as cidades devem lotar muito, não curto. E no inverno não recomendo a Rússia para ninguém!


Custo

Eu não achei a Rússia barata. Moscou é bem mais cara que São Petersburgo, mas no geral achei o preço das coisas bem europeu. Para começar que pra chegar lá não é muito fácil ($), hoteis e tal também não são uma pechincha... embora deva existir hostels bons e mais em conta. Uma refeição de strogonoff por exemplo não sai por menos que o equivalente a 20, 25 euros, para uma pessoa. Souvenirs também não são muito baratos. Uma matrioshka, que são essas bonequinhas típicas russas de madeira que abre e fecha e tem mais outra bonequinha dentro, e mais outra dentro, e etc. custa na faixa de o equivalente a 20 dolares, isso de tamanho assim, razoável, de madeira. Tem outras mais chiquês de porcelana e pintada com tintas especiais e com cristais e não sei o que mais lá, essas aí são bem mais caras.

Bom, acho que é isso. Consegui meio que resumir os principais pontos da parte prática da viagem neste post. Agora vou ver se consigo começar a escrever sobre a primeira cidade que visitamos: São Petersburgo!

13 setembro 2015

Mother Russia

Uma viagem a Rússia por si só já admira alguém. Até a pessoa com o menor dos conhecimentos há de se espantar ao ouvir "Russia". A Rússia é longe, é grande, fala russo, tem outro alfabeto, tem fama de ser fria com invernos rigorosos, muita neve, e constantemente ouvimos sobre ela nos jornais e notícias pelo mundo com referências sinistras. É tudo de excêntrico e diferente do que podemos estar acostumados, quando vivemos no Brasil, ou aqui na Europa mesmo. Pra você ver que mesmo morando aqui na Europa, com um vôo somente de 3 horas entre Zurique e São Petersburgo, mesmo assim, as pessoas ainda se admiram quando ouvem falar que fomos turistar na Rússia. A Rússia se diferencia e se destaca da nossa cultura aqui do ocidente, do latino, e até mesmo do anglo-saxão. 
Praça Vermelha, Moscou
O povo originado da raça eslava desperta acima de tudo curiosidade no resto do mundo. Há anos o resto do mundo tenta meio que inconscientemente desvendar a Rússia. Ora um país que faz parte de dois continentes (Europa e Ásia), com proporções continentais, o maior país em extensão territorial do mundo que ocupa nada menos que 1/8 da área habitada na Terra, o 9. país pais populoso do mundo com quase 145 milhões de habitantes, com nada menos que 11 fuso horários diferentes, não dá pra passar batido. Um país que foi regido por impérios que definiram a essência da sua cultura, foi palco de revoluções e formas de governo centralistas democratas, ideologias socialistas que marcaram e impactaram a história do mundo inteiro e terminaram dissolvidas pela evolução de outros sistemas.


Uma terra de muita riqueza e indescritível pobreza, tiranos cruéis e mentes brilhantes, balets lindíssimos e monstruosidades industriais. Todas essas verdades coexistem na Rússia e o país é tão grande que parece mais fácil tentar entende-lo como uma coleção de países. A Rússia ocidental que faz fronteira com a Europa (Finlândia, Noruega, Ucrânia, etc.), mesmo que seja ainda também o leste Europeu, é a Rússia "europeia" com costumes mais próximos dos nossos. E a Rússia do lado de lá que é a Rússia do leste, a Rússia siberiana, onde é menos explorada, menos populosa e onde o frio é imperdoável.
Moscou
Tudo sobre a Rússia é monumental, inclusive a sua história turbulenta e suas façanhas culturais. Tal entendimento não vem assim tão fácil para quem está de fora. A Rússia parece meio impenetrável, única como só ela. Um mistério a ser desvendado, uma história que precisava ser aprendida em detalhes, um enigma. E tal como os mistérios costumam ser, fascina a quem se dá a chance de descobri-la. Talvez seja por aí que tenha surgido minha vontade de conhece-la, meu fascínio em descobri-la. Desde a queda da cortina de ferro no fim dos anos 80 quando o fluxo de turistas começou a aumentar na Rússia, ela vem então sendo explorada, ainda que em ritmo lento, e exposta para quem quiser ve-la. Muitos turistas vão além das capitais São Petersburgo e Moscou, se arriscando em trens siberianos para descobrir a Rússia rural e provinciana e mostra-la para o resto do mundo, ou talvez até para desmistificar suas própria ideias pre-concebidas e preconceitos. 
Moscou
Catedral de São Basilio, Moscou
O meu roteiro pela Rússia resumiu-se de: 1 semana entre São Petersburgo e Moscou com Edi, e acho que isso é o mínimo necessário para conhecer pelo menos as duas principais cidades. Como eu mencionei no post anterior, fiz tudo com guias de turismo e motoristas pre-agendados e organizados, que nos ajudaram a navegar pelas cidades e entender os fundamentos da história dos pontos que visitamos. Mas isso eu conto com detalhes nos próximos posts. Quero fazer uma introdução séria antes, porque não tem como falar de uma viagem para a Rússia sem fazer antes uma introdução, um referencial histórico, para entender de verdade o que se vê, o que se viu. Se você tiver interesse, vem comigo...
Moscou
Não tenho a pretensão de ir tão longe com isso, não vou falar de povoações pre-históricas na Rússia. Sabemos que os eslavos do leste migraram para a Rússia em algumas centenas de anos antes de Cristo. Depois daí, vikings e mongóis se estabeleceram nos arredores e a partir de 1500 o impérios dos czars é a história marcante mais definitiva que podemos comentar. Os czares eram os imperadores, título usado primeiramente por Ivan III, que proclamou-se sucessor do Império Bizantino, morto na tomada de Constantinopla (o que é hoje a Turquia). O Império Bizantino, por sua vez, não pode ser passado desapercebido, pois foi daí que firmou-se a religião cristã ortodoxa e a arquitetura única que se vê até hoje na Rússia.
Igreja do Sangue Derramado, São Petersburgo
O Império Russo comandado por czares revela uma história repleta de dramas, atrocidades, grandes feitos e riqueza de detalhes hoje ainda possíveis de serem constatados em museus, com objetos e peças desta época de muitas conquistas. História pura! O Império Russo teve na verdade sua verdadeira fundação com Ivan IV, o Terrível, que apesar de ter sido muito cruel, foi responsável pela conquista de grande extensão territorial para a Rússia e pela unificação de principados independentes que a Rússia um dia foi. 
Interior da Igreja do Sangue Derramado, São Petersburgo
Mas foi com Pedro I, o Grande, da famosa dinastia dos Romanov, uns 100 anos mais pra frente, que a Rússia prosperou mais. Pedro era fã de países como Alemanha e Holanda e introduziu muitos hábitos do ocidente para a Rússia. Construiu prédios mais modernos, reformou serviços e mais importante, recapturou a costa do Báltico dos suecos que tentavam controlar o território russo na época. Foi durante seu reinado também que São Petersburgo se tornou a capital russa, onde toda a corte russa viveu por quase 200 anos, até a revolução comunista de 1917 determinar Moscou como capital, pois os soviéticos tinham receio de deixar São Petersburgo cidade balneárea tão próxima das fronteiras como centro de tudo.
São Petersburgo
Peterhof
A segunda esposa de Pedro o Grande, Catarina, a Grande, se tornou czarina e governou a Rússia por 4 anos e mesmo tendo reinado por pouco tempo, também trouxe muitos feitos para a Rússia e é sempre fortemente lembrada na história do país. Foi também durante sua história que a Rússia viu cenas de atrocidade na sua corte: o assassinato de seu filho, a invasão e a ocupação de Napoleão e suas tropas em Moscou. Além disso, as questões pessoais da corte chamavam atenção. Catarina não gostava de seus filhos, mas adorava os netos. Deu um palácio para cada neto, e esses países estão aí para contar história. Depois de seu reinado, o império russo foi governado por diversos reinados ainda mais curtos que o seu, por diferentes czares, até chegar na era dos Alexandres, Alexandre I, II e III, também importantes para a história russa.
Hermitage, Palácio de Inverno, São Petersburgo
Interior do Hermitage, Palácio de Inverno
O último czar do império russo foi Nicolau II, até hoje criticado por não ter conseguido manter a monarquia russa em alta. Governantes provisórios tomaram o poder após a queda dos czares, mas não durou muito até Vladimir Lenin formar o Partido Social Democrata, em 1898, e a Rússia entrar anos seguintes na Primeira Guerra Mundial contra a Alemanha, e entrar em colapso econômico e político. A grande revolução socialista comandada por Lenin nacionalizou indústrias e reformou radicalmente diversos setores no país. A guerra cessou, a família dos czares foi perseguida e morta, e a partir daí o comunismo tomou conta, nascia a União Soviética, com Moscou como capital.
Kremlin, Moscou
Lenin faleceu em 1924, até hoje no Kremlin, a sede do governo russo, seu túmulo tem lugar de destaque (veja a foto abaixo), uma coisa impressionante. Aliás naquela época São Petersburgo se chamava Petrogrado. Grado em russo é lugar, e Petr vem de Pedro, o czar que mencionei acima. Lugar de Pedro. Quando Lenin morreu, a cidade mudou de nome e passou a se chamar então Leningrado: lugar de Lenin, em homenagem ao líder soviético. A cidade passou a se chamar São Petersburgo em 1991, pois a população decidiu que não fazia mais sentido chama-la de Leningrado e continuar referenciando Lenin. Então São Petersburgo remete novamente a Peter = Pedro, o Grande, e Burg vem do Alemão que quer dizer castelo. A referência do Alemão era pelo gosto que Pedro I tinha pela cultura alemã.
Túmulo do Lenin, Kremlin, Moscou
Joseph Stalin assumia o poder após a morte de Lenin e iniciava diversos planos para a industria e agricultura. Adolf Hitler, lider nazista, tentava invadir e dominar países vizinhos em 1940, 1941, o que fez Stalin estabelecer acordos sobre o controle do leste da Europa, no que resultou da invasão e controle da Polônia, que eu comentei brevemente nos posts da Polônia e de Auschwitz. Hitler não cumpriu os acordos e invadiu a União Soviética, o que resultou em severas batalhas em território russo. O fim da 2a Guerra Mundial emergiu duas superpotências mundiais: os EUA e a USSR. Os países que permaneceram comunistas após a guerra (aliás muitos deles eu já visitei e escrevi aqui no blog sobre) juraram lealdade à União Soviética, e formava-se assim então o bloco do leste. Alem disso Stalin fechou relações próximas com os governantes da China e Coreia do Norte.
Moscou
Stalin liderou a União Soviética no período pós-guerra com muitas reconstruções, e viu uma ascensão significativa no mundo ocidental, que gerou a Guerra Fria, um estado tenso entre o leste e o oeste do mundo no que diz respeito a política e militarismo. Durante esta fase não obstante, a União Soviética desenvolveu armas nucleares e fez planos para dissolver a famina pós guerra que matou tanta gente em regiões da Rússia, Moldávia e Ucrânia. Com a morte de Stalin que até hoje gera opiniões adversas, os governantes seguintes iniciaram um processo de "desestalinização", com reformas de reestruturação pelo país inteiro, enquanto países comunistas que funcionavam sob o comando da USSR suavemente dissolviam o socialismo internamente e buscavam sua independência, era o início da democracia no leste europeu.
São Petersburgo
Em 1985 eu tinha 3 anos de idade e Mikhail Gorbachev introduzia a democratização e abertura de mercados, o que levou de vez à desintegração da USSR. Boris Yeltsin assumiu posteriormente uma federação frágil e uma grande luta política entre presidente e parlamento ganhou espaço, dando margem a violência nas ruas, batalhas entre gangues de rua e Moscou era na década de 80 e 90 um lugar relativamente perigoso com tanques de guerra rodeando o Kremlin. 
Praça Vermelha, Moscou
Desde o ano 2000 então está Vladimir Putin no poder, aliás, foi substituído por 4 anos por Dmitry Medvedev, mas já está de volta ao poder russo, e a Rússia não é mais oficialmente governada por tiranos. Embora ainda hajam controvérsias, Putin é querido entre os russos. Prometeu diminuir com a corrupção e agitações étnicas, mas todos concordam que a Rússia é um país enorme e muito ainda há de ser feito. A chegada do capitalismo na Rússia trouxe progressos mas outras dificuldades e diferenças sociais ainda mais gritantes entre a Rússia europeia e a Sibéria.
Peterhof
Tríplice Entente - Mother Russia
Ainda hoje existe e eu mesma pude perceber na minha estadia por lá, que o capitalismo não é o mesmo que é visto no resto da Europa, muito menos nos EUA. Há um certo distanciamento do povo em tudo que diz respeito ao ocidente, aos EUA. A Rússia se mantém muito mas muito fiel às suas raízes, e embora pareça ser inevitável a invasão de redes e cadeias comerciais do capitalismo, eles tentam e conseguem sobreviver com um pé atrás. Quando eu estava em Moscou por exemplo, era aniversário de 868 anos da cidade, e acontecia no domingo um desfile militar. Não havia ninguém nas ruas para assistir ao desfile. Segundo a guia que me acompanhava, aquilo era herança do comunismo: o desfile era apenas para mostrar na televisão, apenas para o governo, não para o povo, não para "se mostrar". E pelo que tudo indica, o povo está ok com isso. Não obstante e em controvérsia como não poderia deixar de ser, a Rússia hoje é a número 1 no mercado de produtos de luxo, a maior exportadora de energia do mundo, sua economia tem crescido nos últimos anos, 19 das 100 pessoas mais ricas do mundo eleitas pela revista Forbes eram da Rússia. 

Não é para menos... O centro de toda a influência soviética, da riqueza dos czares, de império bizantino, toda uma era que deixou ambas material e culturalmente um legado não há de ser dissolvido assim tão facilmente. E que bom que não, o mundo está aí para ser diferente mesmo e ensinar e mostrar às pessoas sobre as diferenças, e que elas pode coexistir. A Rússia é um país complexo, aparente e literalmente gélido na superfície, mas tão único que não é a toa que é chamado de "motherland" mundo afora, a Terra Mãe. 

Mother Russia (Mamãe Rússia) é uma personificação nacional do país, que na época soviética aparecia em cartazes patrióticos, estátuas, anúncios, como no cartaz de 1914, esse aí do lado da foto, por exemplo, onde a Tríplice Entente (a aliança militar entre França, Reino Unido e Rússia) foi personificada alegoricamente. E não pára aí, Iron Maiden, The Sisters of Mercy e minha querida Renaissance têm todos uma canção chamada "Mother Russia", além de um número teatral baseado na série Doctor Who. 



Acho que essa música é tão intensa e se tivesse que escolher uma trilha sonora para representar minha viagem e minhas impressões da Rússia, não poderia ser outra música. Acho também que de introdução já está bom, não é? Esse post foi praticamente uma aula de história. Adoro. Nos próximos posts falarei mais da viagem em si e das cidades visitadas.

10 setembro 2015

A viagem para a Rússia

Antes de começar a me deixar levar pelos embalos dos posts sobre a Rússia, que eu sei que vão acontecer, preciso falar de todo o background dessa viagem. Primeiro que ir pra Rússia nunca é uma viagem comum. Tipo, vou ali na Rússia. E daí já precisa de um background. Depois, que quando comecei a viajar pela Escandinávia e fui para a Finlândia e Estônia em 2011 láá no topo da Europa, que volta e meia eu comentava algo do tipo "isso foi o mais perto que eu já cheguei da Rússia". Era meu ponto de referência, mesmo nunca tendo estado lá. Não sei, me parecia tudo tão grandioso e inalcançável, diferente e distante e símbolo maior do leste europeu, que apenas por isso a Rússia já estava na minha lista de desejos. 
No início disso tudo eu não sabia quando nem como nem com quem, mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu começaria a planejar uma viagem para a Rússia. E no ano seguinte, em 2012, quando eu já estava solta e virada nas viagens, estava certa que naquele ano minha viagem para a Rússia aconteceria. Comprei guias, comecei a pesquisar datas e sondar hoteis e tal, quando veio a mudança de tudo: minha gravidez inesperada. Volta tudo, muda todos os planos porque eu não sei de nada, quem sabe é Deus.

E pronto, estamos em 2015 e desde então, muita coisa aconteceu. Edi nasceu, eu me mudei de volta para Berna, mudei de emprego, Edi crescendo, e de novo devagar as viagens voltaram a fazer parte da minha vida. Comecei a planejar com minha mãe que também era louca pra conhecer a Rússia, de irmos então nas férias quando ela viesse pra cá. Só quem em Abril ainda faz muito frio na Rússia, e mesmo com itinerário tudo já semi organizado, desistimos por conta do clima e fomos para a Romênia, Bulgária e Itália que tava mais quentinho. Mais uma vez a viagem da Rússia sendo adiada... até quando?

Tudo bem. Estou eu na minha tranquila quando veio então um amigo de Recife me dar a feliz notícia que viria me visitar no fim de agosto, ele viria à Europa para uma conferência de TI e "passaria" pela Suíça. Que ótimo, fiquei mega feliz e já anotei na agenda. Só que aí conversa vai, conversa vem, porque quando se vem do Brasil pra Europa se quer tirar o máximo de proveito da viagem, me vem ele com a proposta de ir passar uns dias em São Petersburgo. Oooopaaa!!! Como assim!

Agora estávamos falando a minha língua. Nas trocentas conversas seguintes, resolvemos então ir a Rússia e não só ir a São Petersburgo, mas Moscou também. Tipo meu sonho. E com Edi junto também claro. Seria essa finalmente a viagem tão esperada se realizando? Era uma oportunidade e mesmo que eu tivesse a chance de ir com a minha mãe de novo depois em uma época que não fizesse frio, eu iria. Então partiu. 

Compramos passagens e começamos a discutir hoteis e tudo mais se encaminhando... quando dias antes da minha viagem ao Brasil, ele me diz que seu pai está com problemas de saúde, vai passar por uma cirurgia complicada e com risco de vida e ele decide não mais viajar..... Bem, minha reação inicial foi me importar primeiramente com a saúde do pai dele, se fosse com o meu eu também estaria mais preocupada com isso do que com viagens, seja lá quais fossem. Mas no final das contas, a realidade era que eu estava agora com uma viagem marcada para a Rússia.
Pensei, pensei, conversei com várias pessoas, até algumas pessoas se interessaram em ir junto, eu tentei convencer a Swiss sobre a possibilidade de adiar as passagens ou pegar o dinheiro de volta, mas como tinha comprado passagens em preços promocionais, não era possível e ponto final. O fato era o seguinte: ou eu ia com Edi para a Rússia ou eu perdia as passagens. E aí vocês já sabem o que aconteceu... porque primeiro meu dinheiro não é capim pra perder passagens aéreas assim. Depois que com todo esse histórico de adiamentos e vai e vem, parecia agora uma questão de honra fazer essa viagem dar certo.

Só que a Rússia não é ali Paris que você desce do trem, anda nas ruas com um mapa, pega
metrô, se vira. Em primeiro lugar, o alfabeto russo me impede de entender qualquer nome, palavra, pronúncia, o que dificulta em 200% a comunicação na rua, e o "lá eu me viro" que eu normalmente sei fazer bem fica impossibilitado. São Petersburgo nem tanto, mas Moscou é uma metropole maior que São Paulo, o centro não resume tudo que tem pra ver, as ruas são gigantescas, tudo é monstruosamente grande e com tudo isso, o grau de dificuldade de andar pelas ruas e fazer essa viagem acontecer parecia crescer exponencialmente a medida que eu ia pensando em cada aspecto que eu tinha que resolver.

Ainda bem que eu gosto de desafios ne. Pelo menos a época era boa, fim do verão, início de outono, não estava frio (frio que eu digo, o frio russo), então pelo menos isso eu tinha de vantagem. Teve gente que me perguntou se eu não tinha medo de ir pra Rússia, ainda mais só com Edi. Medo eu não tinha, ora eu pari um menino só Deus sabe como sobrevivi, cuido dele sozinha, trabalho, já viajei pro Sri Lanka num fim de semana quando trabalhava na Índia, já pisei em 44 países, moro no exterior por minha conta há anos, vou ter medo de que mais? Eu tenho medo de nada não, queria mais era viajar de fato, mas eu sabia que era preciso ir com cautela e que era preciso organizar cada ponto, cada trecho do programa nos mínimos detalhes. A melhor maneira de andar pelas cidades seria de carro mesmo, então não tinha pra onde. Eu tinha que enfiar a mão no bolso e gastar sim com guias de viagem, com motorista, com transfer, com bons hoteis pra evitar demais aborrecimentos e não estragar a viagem tão esperada.

Para você que tá lendo aí pode parecer uma loucura levar uma criança de 2 anos e meio pra Rússia turistar. Muitos dos meus colegas de trabalho com quem comentei sobre esta viagem ficaram com uma interrogação na cabeça quando eu respondi pra onde iria nas próximas férias. Tipo "a Rússia"? Outros colegas continuavam tentando entender... "é a trabalho?". Por que, gente? Não é interessante o suficiente o que tem na Rússia pra ver? Parecia que "só" em ir a Rússia já era extravagante o suficiente, ir com uma criança de 2 anos e meio então, manda internar. Adoro.
Eu não iria nem teria ido, se fosse minha primeira viagem com Edi, ou minha primeira vez viajando para lugares "diferentes". Como não é nem um nem outro e eu me considero relativamente "safa", resolvi ir, preparada, mas resolvi ir assim. Voltamos pra casa há 3 dias e eu tô aqui orgulhosamente escrevendo pra contar que deu tudo certo. As guias que nos "guiaram" literalmente em São Petersburgo e Moscou foram ótimas, Edi está um viajante nato, e eu estou aqui ainda digerindo os deslumbres que vi, ouvi e aprendi no maior país do mundo.

Foi assim minha viagem a Rússia. Depois de tantos atropelamentos, ela aconteceu, eu sabia que ia acontecer. Este ano aliás parece que está sendo o ano das viagens que não aconteceram em 2012, quando engravidei. Naquele ano estava prevista também a viagem para a Polônia, e eu fui este ano. E ainda com a companhia do meu pequeno. 

Tenho tanto pra falar, tanto pra registrar aqui, que chega tenho que me conter. Voces já sabem que meus posts costumam passar as emoções que sinto ao visitar as coisas, e eu sei ser dramática emocional. Vou me esforçar ainda mais pra passar exato as minhas impressões nos próximos posts, porque ne, é a Rússia! Até pra eu me lembrar depois de anos, quando eu voltar aqui pra ler sobre ela. Espero que gostem.