26 outubro 2011

pessoas que nao tem o que fazer


Foi mal ai voce que tava ate curtindo os posts indianos, mas preciso fazer uma pausa. Nao sei se eh porque to ficando ansiosa pras minhas ferias, e de repente do deixando transparecer a alegria e despertando inveja nas pessoas, mas ultimamente parece que to sendo ponto de convergencia de pessoas que nao tem o que fazer. Isso eu to sendo educada ta. 
Seja uma situacao comigo mesma, ou que fiquei sabendo que aconteceu com alguem, ou no trabalho, to por aqui ja com gente que nao tem o que fazer e gasta tempo se preocupando com a vida dos outros. Meu... serio... Egal se eh no Brasil ou aqui. Qualquer semelhanca com a realidade NAO eh mera coincidencia!!!
- a pessoa leva sua capsula de cafe pra usar na maquina do trabalho, ai pega um saquinho de acucar que ta la disponivel na cafeteria, e a mulher da limpeza vem reclamar que voce nao pode pegar o saquinho de acucar porque nao esta consumindo o cafe da cafeteria, esta trazendo seu proprio cafe. Tipo... serio?
- a pessoa ta numa fila e tem dois guiches atendendo. uma fila eh preferencial (so pode ser no Brasil essa, porque aqui nao existe isso de preferencial). Ai a fila anda primeiro na fila normal e a pessoa da fila preferencial fica la batendo boca porque deveria ir primeiro. Ora, ja existe um guiche pros preferenciais, a pessoa ainda vai criar caso, ja devia deixar de merecer o preferencial so por causa disso.
- a pessoa tem um cachorro daqueles husky siberiano sabe? bem bonito. e mora numa cidade claro. ai o vizinho que nem eh amigo nem nada do dono do cachorro chega e diz sem ninguem perguntar que aquele cachorro nao deveria morar na cidade, mas sim na montanha, porque eh o tipo de cachorro pra morar na montanha, no meio da neve e etc. Nao... serio mesmo?
- a pessoa que nao entende nada do seu trabalho, so eh responsavel por aprovar suas despesas de viagem, e pede pra voce coloca-la em copia de todo e qualquer email que voce manda que nao a diz respeito, porque ela quer entender o que voce faz.
Olha... Sem comentarios. Ta faltando panela pra esse povo lavar.

24 outubro 2011

Moda indiana

É verdade que tudo da viagem a India foi muito intenso e muito diferente. Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção na passagem por lá foi o modo como as indianas se vestem.
Além de terem o cor de pele mais amarronzado e o cabelo sempre escuro, as roupas acentuam ainda mais a excentricidade delas. Nos primeiros dias, eu fotografava as roupas que via na pela rua que achava mais interessante. Depois me toquei que absolutamente TODAS as mulheres que eu via na rua se vestiam assim com esses panos da cabeça aos pés e ali era a coisa mais normal do mundo. Antes de ir a India eu era muito ignorante em relação a isso e nem sabia que existem diferenças e nomes pras roupas. Quando a indiana veio a Suiça em Agosto deste ano a trabalho, ela se vestia "normal" como nós ocidentais, de calça jeans e blusa xadrez, e ela me disse que se vestia diferente na India com roupas mais coloridas. Ok ne, no Brasil tambem a gente usa mais colorido, vestido florido, mas com essa friaca que já tá chegando por aqui, não dá pra animar muito no figurino. Enfim.

Eu achava muito interessante as cores fortes, ficava prestando atenção na combinação das estampas, nos brilhos e detalhes, e até refleti aqui em voz alta sobre como deve ser feita essa roupa e tal.

Aí fui ao shopping pela primeira vez em Bangalore um dia depois do trabalho, e a indiana lá que trabalha comigo me esclareceu um monte de coisa, me explicou a diferença entre sari e salwar, que são as principais vestimentas ali. Depois aprendi que as roupas dependem da região, na verdade. Como a India é muito grande, tem roupas e estilos que são mais usadas no norte, outras no sul. E por todas as vezes que viajei e andei na rua, constatei que a grande maioria anda é de sari mesmo.

É raro ver uma indiana de calça jeans e camiseta. De short então, nem pensar. Daí me recordo da roupa que vesti quando fui ao Taj Mahal e entendo melhor porque tanta gente pedia pra tirar foto comigo lá. Ora alem de branca, cabelo claro, vestindo bermuda?! Eu tava muito fora do normal. Pensando melhor, até perdoo o guia ter sido antiprofissional e ter tirado foto minha também com o celular dele.
Nas lojas que andei pelos shoppings e que vi por lá, fiquei muito admirada quando via as lojas de saris e salwars cheias de indianas lá olhando tecido e modelos, e nas lojas de roupas "normais" ainda com muitos coloridos e modelos comportados com bem menos gente. Lojas mais universais como Zara com uma moda mais ocidental não visitei nenhuma, e não vi nenhuma. Vi uma propaganda em um shopping uma vez quando passei de carro, mas não entrei. As lojas mais internacionais que vi por lá foram só nos aeroportos e num shopping muito chique onde fomos jantar com o time todo onde só tinha mais estrangeiro; e as roupas mesmo ocidentais eram sempre mais puxadas pro estilo indiano. Não se via nada só preto, ou só cinza, só branco, com brilhos, lantejoulas e coisas do tipo. Era sempre pelo menos umas 3 cores e sempre algum desenho, fosse uma rosa, uns mosaicos, sei lá o que, sempre tinha alguma coisa.

E aí mais uma prova da identidade da India. Povo de cultura, de cores fortes, comida com muito gosto, de cheiros muito fortes, de muita gente e muito barulho. Tudo muito intenso. Sempre.

22 outubro 2011

Taj Mahal

A primeira coisa que me veio a cabeça quando essa história de ir a India a trabalho começou a ser sondada foi a possibilidade de conhecer o Taj Mahal.
Até quem não sabe nada da India sabe da importância do Taj Mahal no mundo, seja no mundo das viagens, no mundo da arquitetura, no mundo dos rajás indianos, no mundo das histórias de amor. Até quem não sabe nada da India nem da importância do Taj Mahal no mundo, se for brasileiro conhece aquela música que começa assim... "Foi a mais linda história de amor...". Realmente o Taj é famoso em diversas áreas, diversos setores, diversas dimensões e ângulos. E conhecer de perto foi a primeira preocupação que tive quando foi confirmada minha viagem a India. A India é gigante, como ir? como chegar? onde fica exatamente?
Eu só sabia que ficava no norte, e eu estava no sul, e eu ia precisar voar não sei pra onde pra chegar lá. Com a muito bem vinda ajuda do meu chefe, juntei todas as informações necessárias, organizamos tudo e eu fui. Com fé e com uma ansiedade gigantesca numa jornada onde aventura era apelido. Acho que eu nunca tinha ficado tão ansiosa pra ver um monumento assim como desta vez. Talvez porque eu estava na India com todas suas diferenças, e ainda mais sozinha, o esforço era grande. Eu tinha que me deslocar 2 mil kilômetros sendo vista como uma ET, uma estranha por todos que me olhavam, "só" pra ir ver um monumento de perto. Mas olha... que monumento, não é mesmo?!!!
O que eu tinha que fazer (e fiz) foi o seguinte: primeiro eu tinha que comprar uma passagem de avião Bangalore-Delhi, pois Delhi é onde tem um aeroporto mais perto de onde fica o Taj. Só que "mais perto" ainda é uma maneira legal de dizer. O vôo durava assim umas 3 horas, e chegando lá (Delhi é a capital da India, diga-se de passagem, a maior cidade do país. E a maior cidade da India é grande!), ir de carro até Agra, uma cidade a 200km de Delhi. O Taj Mahal fica nas proximidades de Agra. Só que em Agra não tem aeroporto. E 200km de Delhi pra lá não são assim como 200km em outro lugar do mundo onde as rodovias são boas e voce dirige numa velocidade constante e chega no seu destino num tempo razoável. As rodovias não são nem o problema, até são boas, apesar de alguns buracos crateras, mas o problema é a quantidade de gente!!! Como sempre!!! Não dá pra manter uma velocidade constante quando se tem que desviar de carroças, vacas, carros de 3 rodas a 40km por hora, feiras com gente no meio da estrada, caminhões esbarrotados de tudo-quanto-é-coisa e tudo mais que voce possa imaginar. A não ser que voce vá a 20, 30km por hora, até dá pra ir numa velocidade constantezinha, apesar de voce ainda ter que diminuir pra passar nos buracos. Mas a pista é dupla, já ajuda bastante. Mesmo assim, levamos nada menos que 5 horas e meia pra concluir os 200km de Delhi a Agra e chegar num hotel que eu reservei lá em Agra. Eu e o motorista. Motorista esse que meu chefe reservou pra mim pela empresa e não me deixou pagar nada porque eu estava fazendo such a good job. Que beleza de presente.
O Taj é fechado às sextas-feiras e eu cheguei a Agra na sexta a noite, depois de passar o dia inteiro viajando - de avião e de carro, contando as esperas em aeroportos, foram no total umas 13 horas. Tudo para ver o Taj de perto. O hotel que fiquei em Agra era maravilhoso, o Trident. Não era barato também, mas foi sugestão do meu chefe, de quando ele foi lá pela primeira vez. E como na India não dá pra brincar com higiene e cuidados, eu acatei imediatamente a sugestão dele porque sei que ele tem altos padrões. Apesar da ansiedade, dormi feito uma anja e acordei sem sinal de cansaço pra chegar ao Taj às 8 da manhã, eu, o motorista e um guia, também reservado pelo meu chefe.
O motorista falava pouco Inglês, mas o guia era ex professor da universidade, falava muito bem Inglês e eu joguei as mãos para o céu de estar dando tudo certo. Chegamos lá no parque onde fica o Taj, descemos do carro eu e o guia, e começou a sessão celebridade. Muitas pessoas tinha por todos os lados, mas ali eram muitas pessoas me olhando, tirando foto descaradamente, pelo simples fato de eu não parecer indiana. A maioria esmagadora de gente que estava ali visitando o Taj Mahal naquele sábado era simplesmente dali mesmo, indiana. Muitos, muitos indianos. Excursões de escolas, famílias, grupos de amigos, era indiano pra tudo quanto era lado.
Turistas assim com cara de ocidental eram poucos. Poucos mesmo, contava-se nos dedos. Então era meio que atração especial ali ver uma cor de pele um pouco mais clara. Então enquanto eu e o meu guia andávamos no parque, chegando nas imediações da entrada do parque, já começava a sessão de fotos e gente pedindo pra tirar foto comigo. Eu no início achei muito esquisito aquele monte de gente me olhando, até achei que tinha alguma coisa errada com a minha roupa (que se voce olhar a roupa das indianas, até deve ter), e minha reação era sempre de surpresa quando alguém pedia pra tirar foto comigo, eu dizia que não era famosa, mas não importava. Eles queriam porque queriam tirar foto, estavam lá tão sorridentes, que eu depois pedi pro meu guia tirar também foto de algumas pessoas que pediam pra tirar foto comigo.
Para entrar no Taj, indiano paga 20 Rupees, o que é menos de 50 centavos de dolar. Mas estrangeiro paga 700 Rupees!!! Comparado ao preço que os indianos pagam, estrangeiro paga um assalto pra entrar ali, mas fazendo a conversão, 700 Rupees é menos de 15 dolares, então tá tudo certo. Vejo isso como um incentivo pros indianos visitarem seus monumentos. Mas ao mesmo tempo é mais um exemplo de como eles tentam extorquir dinheiro de estrangeiro. É porque eu tava muito empolgada pra conhecer o Taj e muito bem humorada, mas nos passeios que fiz por Agra, Delhi, Mysore e Bangalore, perdi a conta de quantas vezes respirei fundo pra não me irritar por ver que algum indiano seja guia ou conhecido tentando me oferecer ou vender algo por um valor absurdamente mais alto do real, só porque eu era estrangeira. Em qualquer chance que eles tinham, eu via uma tentativa às vezes sutil às vezes não de tentar se aproveitar e levar vantagem no valor das coisas. Mas tudo bem, esse não é o objetivo deste post. E como eu disse, eu não queria me irritar, afinal estava prestes a ver de perto o majestoso Taj!
Paguei os 700 Rupees e fomos andando no meio de (MUITA) gente, macacos, camelos e esquilos. O complexo é enorme e o parque é bem cuidado, organizado, e é difícil conter a ansiedade quando a gente anda, anda e nada de Taj aparecer. O guia lá explicando, falando da história por trás do monumento, mas ora, eu já tinha lido até de trás pra frente a história do Taj, eu queria VÊ-LO DE PERTO!!!! E aí, como mostra a primeira foto deste post, de repente aparece ele de relance, no fundo da passagem que eu me aproximo. Magnífico, esplendoroso.........
..................................................................o TAJ MAHAL!!!
É interessante refletir por que o Taj Mahal é tão famoso mundo afora e foi escolhido como uma das 7 maravilhas do mundo moderno. Seria pela sua perfeita simetria, sua proporções deslumbrantemente simples, ou pela história do imperador e sua esposa por trás de tudo?
No século XVII, o imperador Shah Jahan era um general muçulmano que celebrava festivais islâmicos e proibiu investimentos em reformas de igrejas e templos. Ele queria fortalecer os laços islâmicos na India. E seguia tradições como a de ter várias esposas. Arjumand Banu Begum, ou Mumtaz Mahal como era conhecida, era sua terceira esposa e a favorita. Casaram em 1612 e todos os 14 filhos do imperador que nasceram depois desta data eram dela. Ela morreu em 1631 aos 39 anos quando dava luz ao décimo quarto. O imperador mandou construir logo em seguida uma espécie de tumba para guardar o corpo dela, e o dele, quando ele morresse. A tumba foi mais que ornamentada e o resultado foi um monumento que levou 17 anos para ser construído, lindo, mais que perfeito, todo de mármore trazido de elefante de Makrana, a 300km dentro do estado do Rajastão, decorado numa beleza eclética onde de perto se vê caligrafia árabe desenhada no mármore branco, rosas reluzindo no sol que só aumentam a magia do lugar.
As quatro minaretes em volta do monumento que guardam a tumba da rainha não deixam dúvidas que ali existia um reinado muçulmano, e fazem lembrar o quanto a India é tão cheia de diversidades. Eu estava ali na India, em Agra, cara a cara com o Taj Mahal, uma prova de amor como jamais vista, no meio de toda aquela gente sique, hindu, muçulmana, ouvindo conversas que eu não entendia nada, e sendo abordada para estar na foto de gente que eu nem conheço. Quantas vezes na vida eu estaria de novo numa situação como esta? Surreal.
A lenda diz que o tal Shah Jahan planejava ainda construir uma tumba similar para ele próprio no outro lado do rio de mármore preto, mas ficou só na lenda mesmo. O Taj é único e lá dentro não há nada, apenas a tumba dele e dela, uma do lado da outra, cercadas por mais mármore totalmente trabalhado, guardando o corpo dos dois lovers, e lá dentro tem que tirar os sapatos pra entrar. Infelizmente fotos das tumbas não são permitidas mas voce pode fuçar aqui.
Conhecer o Taj de perto foi assim mágico. A cor dos mármores e das pedrinhas que reluzem é uma coisa de outro mundo. Eu não sei. Na India não teve guerras e destruições como na Europa que derrubou um monte de coisa que teve de ser reerguida depois. Então talvez fosse o impressionismo de estar ali pisando num monumento de tamanha importância intacto desde séculos com uma história tão bonita de fundo, que eu fiquei tão abestalhada. O Taj é conhecido como a joia da arte muçulmana na India e uma das obras primas mais admiradas do planeta. E eu estava lá, num belíssimo sábado de sol, abençoada com um dia sem nuvens no céu vendo de perto este belíssimo patrimônio da humanidade. Essas fotos são pra vida toda e as lembranças que tenho na minha mente são priceless.
Além de tudo, eu tive a maior sorte de pegar um guia que gostava de bater foto. Além de ele me explicar muito bem tudo sobre a história e o Taj, ele nem esperava eu pedir pra ele tirar uma foto, ele se oferecia e dizia "aqui vai ficar uma foto ótima, faça assim" e mandava eu fazer poses pra ele tirar foto. Nem sempre é fácil estampar um sorriso bonito e descontraído no rosto quando quem tá tirando a foto é alguém que voce não conhece muito bem ne, eu mesma as vezes não fico muito a vontade não, mas ali eu tava tão feliz de estar ali que achei as fotos sensacionais. Depois eu tive que sorrir menos pra ele como fotógrafo porque voce sabe, eles tendem a ser gentis até demais, e quando ele começou a dizer que concordava com o monte de gente que tava tirando foto comigo porque eu era muito bonita e bla bla, e ele próprio tirou fotos minhas com o celular dele, eu achei antiprofissional, afinal ele estava ali a trabalho como meu guia. Mas tudo bem, eu estava na India, conhecendo o Taj Mahal feliz da vida, e não ia ser mais um indiano querendo tirar foto comigo que ia estragar meu belíssimo dia e minha maravilhosa experiência. Afinal, eu tinha acabado de chegar na India. A ida a Agra foi no dia seguinte da minha chegada a Bangalore. Meu primeiríssimo fim de semana na India! Eu tinha viajado 9 horas de Frankfurt a Bangalore, 4 horas no trem de Berna a Frankfurt, 3 horas de Bangalore a Delhi, 5 horas de Delhi a Agra, sem falar nas esperas nos aeroportos entre uma coisa e outra. Eu não ia me irritar fácil depois de tanto esforço.
Depois de ter conhecido de perto o Taj, ter tirado as sandálias, ter entrado lá e começar a ir embora, pedi um minuto ao guia e sentei. Sentei lá num banco do lado do parque e eu só queria me aquietar. Queria me afastar um pouco do montão de gente, não queria sorrir pras fotos dos outros, só queria um minuto ali de paz, me desligar um pouco da euforia e me dar conta de onde eu estava, do que eu tava fazendo. Olha, eu não sei. Talvez seja porque a India seja muito longe do Brasil, mas eu conheço pouca gente que já esteve ali. Minhas fotos que postei no Facebook deste belíssimo cenário tiveram mais de 100 curtições e comentários. O Taj atrai entre 2 a 4 milhões de visitantes por ano. Mais de 200 mil de fora da India. O calor em alguns meses ali deve ser insuportável, o trânsito em Agra é péssimo e pra chegar a Agra é difícil pra caramba. E ainda assim, o mausoléo é foco de atrações diversas, sob uma grande responsabilidade emocional da história que carrega e suas perfeições de engenharia.
A quietação não durou muito não. Me senti simplesmente privilegiada de poder estar ali. Claro, com tanta fama e ostentação, o Taj já foi alvo de muitos rumores, cópias mundo afora e muita gente depende dele pra viver. O parque onde o Taj fica é mantido pelos donos da propriedade e pelo instituto de geologia que ajuda a manter o monumento bem cuidado. Eles ganham muito dinheiro com as visitas dos estrangeiros. Além disso, existem várias comunidades ou sei lá como chamam de grupos artesanais que fabricam ou tentam produzir o mármore e as flores que decoram o Taj. Depois da visita aí, meu guia me levou pra conhecer o trabalho a mão que eles fazem.
Tudo muito interessante, nobre e tal, mas claro o objetivo é ganhar dinheiro, então depois de todo o bla bla bla de como é minucioso o trabalho feito a mão, foram me oferecer tudo e qualquer tipo de coisa feito com o mármore e as flores lá. Eu achei tudo muito interessante, mas me diz que que eu vou fazer com uma mesa de mármore do Taj Mahal aqui no meu apartamento? Primeiro que pra carregar ia ser um parto ne. Ah, não, eles fazem entrega em qualquer lugar do globo!
Não, sério, o trabalho é muito interessante, mas existe uma linha sutil de limite entre ser interessante e fazer parte do conhecimento lá do passeio turístico e levar pra casa. Thanks, but no thanks. Foi bom pra imaginar como realmente deve ter levado anos e anos pra construir o Taj com essa trabalheira toda dos mármores e rosas, mas basta, só conhecer basta, não preciso levar um pra casa. Além do que, os preços eram absurdos. Mesmo em rupees indianos.
Meu guia era esse aí da ponta da foto acima. Não, olha, não me leve a mal. Eu estava com um humor ótimo, adorei tê-lo como guia, adorei ir lá ver o Taj e ver de perto o trabalho artesanal de cada pecinha de mármore, mas eu não curto (aliás quem curte?) quando sinto que estou sendo vítima de uma cilada pega-turista, sabe como é? Enquanto eu tava ali andando pelo Taj com todo mundo, maravilha. A partir do momento que me vejo numa sala só eu de "ocidental" com um indiano querendo me empurrar um elefante de mármore do Taj Mahal por 200 dolares, já tenho que me esforçar pra manter meu bom humor e esgotar todas as maneiras de dizer que não to interessada em comprar nada.
Ai ai, mas pelo menos a gente ganha história pra contar, não? Tudo é experiência, tudo é válido. Como eu disse, meu humor e meu nível de tolerância estavam muito elevados, eu estava vendo de perto o Taj Mahal! Nada nem ninguém haveria de acabar com aquele momento. Podia ter gente pedindo pra tirar foto a cada 5 minutos, podia ter o chão sujo que eu tinha que pisar pra entrar no Taj, podia ser o calor que não tava fácil, ou o cara querendo que eu comprasse qualquer coisa de mármore, minha visita no Taj Mahal foi inesquecível! Pelo simples fato de eu ter ido ao Taj Mahal!!!
Ainda pretendo contar dos outros lugares que visitei, dos outros passeios que fiz, afinal tantos lugares interessantes como o Forte Vermelho lá em Agra mesmo, o Qutb Minar, em Delhi, os tantos templos em Bangalore e os jardins em Mysore, além das grandes experiências no dia a dia de trabalho em Bangalore, mas não sei se nada chegará aos pés do fascinante Taj, o tão belo Taj Mahal.

20 outubro 2011

A India

Eu ainda não sei como começar a escrever sobre a India. Quando sento aqui na frente do computador e vejo que tem 1214 fotos, fico confusa e deslumbrada sem saber por onde começar. Eu não sou escritora profissional, autora de livros, nem fiz curso de redação pra aprender a redigir. Eu simplesmente escrevo meu blog o que me vem a cabeça, escrevo minhas lembranças, meus sentimentos e minhas experiências do que vivi. E diante de 18 dias na India, as lembranças são tantas, foram tantas experiências, com tanta mas tanta coisa interessante pra compartilhar, que eu simplesmente não sei. Não sei que ordem eu escrevo, não sei por onde começo. Então se eu não apenas escrever, eu não vou sair do canto. Então vamos lá. Até pra escolher as fotos aqui tá dificil.
A India é uma terra de religião, luxo e pobreza extrema. Terra de marajás, sim, marajás eram como eram chamados os reis de lá. Terra de elefantes e de gente pedindo dinheiro na rua e fazendo qualquer coisa por um trocado. Terra de lixo espalhado, e ao mesmo tempo, de gente tão exótica e vacas sagradas. Os 5 mil anos de história deste país conta a história de uma terra habitada por indígenas e imigrantes de várias etnias e comunidades religiosas. Nem que eu quisesse eu seria capaz de resumir aqui a sua história. Por mais que eu tenha lido, estudado e vivenciado na pele, sei que não sou capaz de transcrever o perfil coletivo deste subcontinente.
Todo país grande é complexo, é diverso, é difícil. Veja o Brasil mesmo. Por várias e várias vezes eu me vi na India, involuntariamente comparando o que via com o que já havia vivenciado no Brasil. O norte diferente do sul. Os dialetos ou sotaques de cada um. As características, as crenças do leste e oeste. O mar, a população, o centro tecnológico e desenvolvido, e a pobreza descarada. A India é grande em tudo quanto é número. Depois da China, a maior população do planeta com 1,2 bilhões de pessoas. Não foi a toa que a quantidade de gente foi uma das coisas que mais me impressionou na minha breve estadia por lá. Era gente por todos os lados. No trânsito, nem vou comentar. Não fui a um lugar na India que estivesse vazio, assim, com pouca gente.
Era sempre muita gente e muito barulho. A pessoa ficava exausta só em sair de casa. A única hora que eu conseguia ou pelo menos tentava me desligar mesmo era no quietinho do meu quarto do hotel, quando eu colocava o sinal de NAO PERTUBE, porque senão sempre aparecia um indiano gentil até demais oferencendo serviço de quarto, água, janta, ou sei lá o que. Com tanta gente, há 16 idiomas oficialmente reconhecidos (incluindo Inglês) falados no país, 850 dialetos, 6 religiões principais e inúmeras tradições culturais e étnicas. A India é governada como um todo, mas dividida em 28 estados regionais. Onde eu fiquei, no sul, em Bangalore, é o estado de Karnataka.
E como é impressionante ver tanta gente diferente. Ali no leste, já fronteira com a China, toda aquela gente de olhinho puxado e de pele mais clara ser indiana. Incrível. Quando estava me deliciando no Taj Mahal, em Agra, no norte, me deparei com um grupo de estudantes de olhinhos puxados que pediu pra tirar foto comigo. Perguntei de onde elas eram e elas disseram algum lugar que meu guia disse que era no leste. How awesome is that?
A exótica aí era eu que era alta de olho amendoado e de pele clara. Voce vai me desculpar, mas eu não sabia que existia TANTAS diferenças na India. Foi minha primeira vez na Asia e só aumentou meu desejo de conhecer ainda mais esse continente. A India não é como nada nesse mundo. Ao mesmo tempo que é emocionante, sensacional e inspiradora, é frustrante e incrivelmente diversa. Nao dá pra ter uma ideia pronta de lá. Olha essas crianças descalças!
Com toda sua história, a India tem experiência em receber gente nova e absorve-las na sua cultura, e até se misturar com novos costumes. Adaptação é uma palavra que não pode faltar no vocabulário de quem pisa ali. Flexibilidade. Mudança. A atitude dos indianos é muito humilde e de boa intenção, mas a complexidade do habitat, da mistura de crenças e tradições deixa os ocidentais que chegam por ali meio que oprimidos e esmagados mentalmente com tanta informação.
As paisagens variam das montanhas mais altas do mundo as costas mais tropicais. A India tem muito pano pra manga. Meses e meses andando por ali, ainda acho que seria possível se surpreender e ver coisas novas para explorar. Os efeitos são fortes na memória da gente, a ida a India é coisa do tipo uma vez na vida, mas que aquela vez é muito marcante, sabe como é? Vai ser difícil outra viagem se igualar a esta. Ali eu vi com meus olhos pela primeira vez os costumes de uma religião que até pouco tempo eu nem sabia pronunciar direito. É hindu ou hindi? É hindu. Hindi é o idioma. Ali eu conheci as raízes da fé hindu, conheci de perto templos, pisei no chão sujo das ruas e fui abençoada por um monge hare krishna.
Eu e meu chefe com essa marca vermelha na testa. A variedade e a complexidade é que caracterizam a identidade da India. Os problemas a serem enfrentados quando se vai ali são infinitos, mas a experiência no final é tão fascinante, que vale cada aperreio. Em alguns momentos, parece que é mágico o ar que que passa pelas paredes dos templos. Em outros, não via a hora de voltar pro carro por não aguentar o cheiro de esgoto na rua. Não tinha visitado nenhum lugar até então com tantas controvérsias.
Não tive a chance de ver de perto os Himalayas, mas tenho fé que voltarei por aquelas bandas. O pouco que vi abriu tanto minha mente, me fez ver coisas que eu não me preocupava e outras eu nem sabia que existia. Elefantes, camelos, macacos, vacas, esquilos e cachorros, muitos cachorros. Da última vez que vi tantos animais juntos assim, com certeza eu estava num zoológico. Lá não, eu só estava andando na rua mesmo. E é aí e em outras situações que voce se pega pensando em como deve ser crescer perto de um elefante? e essa poeira toda faz voce ver como onde voce mora é limpo e organizado. As regras dos relacionamentos, o grande valor do matrimônio, a proximidade das pessoas, a pronúncia das palavras, o significado da mitologia, é tudo tão tão tão tão intenso! e tão diferente!
E as histórias dos rajás e dos sultanatos! A extravagância do poder e as dinastias violentas contam uma, uma não, várias histórias, uma mais fascinante que a outra sobre reis, colapsos, resistências e liberdade de um país exótico em desenvolvimento a ser aplaudido. Sem nem mencionar ainda personalidades como Ghandi que até hoje é visto como exemplo e inspiração de resistência e atitude mundo afora. Este livro conta uma boa parte desta diversa história. Comigo carreguei tambem este guia/livro que me ajudou muito a absorver informações e aprender durante minha viagem. Mesmo a trabalho, consegui ver norte e sul e tirar minhas próprias conclusões.
Vou tentar nos próximos posts passar um pouco dessas minhas impressões que ainda estão em estado de transição e organização aqui na minha cabeça.

19 outubro 2011

E a coragem cade?

Arriei. Eu e o tempo. Lá fora, 4 graus e muita chuva e frio. Aqui dentro de casa, 23 graus, aquecedor ligado o dia inteiro e coragem zero. Até acordei cedo, tomei meu banho e tava disposta a ir trabalhar, mas meu organismo se recusou. Espirro que não acaba mais, meu nariz tá cortado de tanto assoar, pobrezinho. Ainda bem que tenho um estoque de lenços em casa. Logo hoje que eu tinha 3 reuniões importantes, tinha que ir a Zurique a tarde, e um fondue em Friburgo a noite com uns amigos. Tudo desmarcado. Tive que acionar minha deputy pra ir as reuniões por mim, reagendar outras coisas e no que pude, trabalhei de casa. E não parei. Saco isso viu. Primeira vez que deixo de ir trabalhar porque to doente desde que mudei de emprego. Odeio ficar doente quando tem um monte de coisa pra fazer. Até achei que ia aproveitar então pra ficar em casa e dar uma geral aqui, finalmente desarrumar as malas da India e tal, mas primeiro que a coragem ainda não deu as caras, e depois que o trabalho tambem nao deixou muito. Não relaxei nada. Imagine se tivesse saído de casa. Pelo menos to aqui no quentinho do meu ape, enquanto a chuva corre solta lá fora.

Eu realmente não queria fazer do blog um diário de coisas bobas do dia a dia. Queria chegar aqui 100% disposta e escrever até não poder mais sobre o Taj Mahal e o Sri Lanka, um monte de coisa legal e tal, mas olha, ta dificil. Será que é o tempo frio? E a casa pra ajeitar? E o montão de roupa pra lavar? Deus, dai-me coragem nessa vida glamourosa na Suiça.

Os últimos dias de trabalho la na India foram tão intensos, que meu organismo agora deve ter percebido que voltou pra casa e ta pedindo arrego. Não tem os modos do celular modo silencioso, modo nao sei o que? Eu estava em "modo guerra", agora mudei o modo automaticamente. Aguentei 2 semanas firme e forte e agora venceu o prazo. E nem foi só eu tambem. Um colega que chegou na ultima semana la tambem ficou doente. Acho tambem que o ar condicionado do avião tava muito forte. Eu comecei a espirrar desde então, e ainda não parei. Saco.

Além do estresse físico, o choque cultural e tanta coisa diferente que meus olhos viram e meu estômago sentiu, muita pressão psicológica. Muita coisa dependia que essa viagem fosse bem sucedida, e a pressão estava grande em mim. Graças a Deus deu tudo certo, e ainda antes de terminar quando ainda estava lá, meu chefe já veio falar em promoção e sondar outros projetos um tanto quanto... humm... exóticos? Sei lá como categorizar. Como caracterizar um projeto em Hong Kong? E em Singapura? É, são as possibilidades. Eu não sei. Fui pega totalmente de surpresa. Eu não tenho medo de desafios, mas tava acabando de finalizar uma mega operação ali na India, e o cara já vem me trazer novas bombas desafios? Mas calma, tem tempo. Tudo são só possibilidades para 2012. Tem muito chão até lá. E muito frio...


17 outubro 2011

De volta a Suiça

Depois de intensos 18 dias na India, estou de volta. Essas quase 3 semanas na India foram uma verdadeira imersão cultural. Fui a trabalho, aproveitei os fins de semana, aproveitei como pude, e mesmo assim, acho que não tem como não se envolver com tudo que se passa lá. Já escrevi sobre isso no post passado. Mas agora que estou de volta, que meus olhos estão vendo tudo tããão diferente, de vez em quando me vem uns flashes na memória e lembro de toda aquela gente nas ruas, dos animais, das buzinas, e me dou conta de onde estou e vejo tudo tão calmo, sério e organizado aqui na Suiça. São dois extremos.

Os últimos dias na India foram bem ocupados. Muito trabalho e muita social tambem. Jantares, festas, passeios, e o último dia, meu Deus, achei que não ia aguentar. Meu chefe organizou um passeio turístico até Mysore, que nem é tão longe assim de Bangalore, mas com o trânsito caótico, levamos 4 horas pra ir, e 5 pra voltar. Num dia só! E depois enfrentamos 9 horas de vôo! E mais 4 de trem! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Sem falar na espera lá na sala executiva antes do vôo que parecia eterna. Eu não voei business class, mas alguns de meus colegas de trabalho sim, então pude curtir um pouquinho das mordomias como drinks free, lanches, internet.

Mas olha, eu não aguentava mais me mexer. Juro. Estava tonta só em ficar parada. Quando cheguei no aeroporto em Frankfurt, meu chefe foi correndo alcançar o próximo trem, e eu passei. Queria mais era sentar num cafe, simplesmente parar um pouco. E peguei o trem pra Suiça 2 horas mais tarde. Cheguei mais tarde em casa, sim, mas eu precisava parar. Mais do que tudo, foi também um grande teste de resistência essa viagem e essas últimas horas por lá. Tanto foi que agora que estou de volta no conforto do meu querido apartamento, que parece que meu organismo desabou. Cheguei em Berna ontem a tarde e hoje fui trabalhar. Devo ter dado uns 500 espirros hoje. Não, uns 600. Foi bacana voltar ao ambiente de trabalho por aqui, mas agora to aqui com aquecedor ligado, com o nariz parecendo nariz de palhaço e tomando remédio pra garganta.

Sem falar na mudança brusca de clima ne. Enquanto na India o tempo era super úmido e a temperatura todos os dias querendo alcançar os 30 graus, cheguei no aeroporto em Frankfurt ontem só com um casaquinho quando fazia 4 graus. A echarpe que ganhei do meu time que me salvou. Juca só quer saber de ficar em cima de tapete ou na cama dele, o chão tá frio. Até o hotelzinho que ele estava cobrou desta vez 1 franco a mais por dia por causa do aquecimento que começou a funcionar. Aqui na Suiça estamos com 10 graus. Bom, não? É outono. Quando saí daqui, há 20 dias atrás, o outono tinha acabado de começar e parecia mais verão com a temperatura bem agradável e roupas leves. Agora não, agora tá todo mundo já vestindo casacos de inverno, cachecol, e eu tambem já fui trabalhar hoje toda empacotada. Tá na hora de trocar o guarda roupa. Tirar do fundo os casacos e blusas de manga comprida, e deixar de lado as roupas leves e de manga curta.

Mas só por mais algumas semanas. Até chegar a hora da próxima viagem...

12 outubro 2011

Absorvida? Nem tanto.

Ainda estou por aqui. Na India. Ultima semana de trabalho em Bangalore. Ups and downs. Depois do stress da viagem do Sri Lanka, confesso que to eh aliviada de ta aqui bem e em paz. O trabalho aqui eh bem bacana, eu gosto do ambiente e dos colegas indianos, e hoje chegaram mais pessoas do time da Suica por aqui pra ficar ate domingo, quando voltaremos todos juntos. Entao muita coisa, muito trabalho, dia bem corrido. E hoje que fomos almocar num restaurante indiano, que me vi explicando o que era cada comida e dando dicas, falando sobre o transito e tudo mais, vi o quanto ja aprendi nessas quase 2 semanas aqui na India.

Voce pensa que nao, mas so nesse curto contato do dia a dia, a gente comeca a ficar absorvida na cultura deles e nos costumes, e nem percebe. O hotel que estou eh simples mas bem legalzinho. Eh limpo, organizado, bom servico, nao tenho reclamacoes a fazer. Aqui no quarto, quando ligo a TV, sao trilhoes de canais quase todos com conteudo indiano. Eh serie, filme, musica, clipe, jornais, tudo em hindi e obvio, eu nao entendo nada.

Liguei a TV um dia desses e tava ai BREAKING NEWS, negocio parecendo moh importante, umas imagens de protestos na rua, gente falando, maior tumulto, confusao, nao sei o que, e quem disse que eu sei do que se tratava? A unica coisa que entendi foi BREAKING NEWS. O resto... diz ai se voce entende...

Mas eh interessante passar os canais e ver algumas cenas de alguns filmes, o drama das novelas, o jeito que as mocas se vestem e se maquiam. Nossa, mesmo sem entender nada, acho interessante. Ate a MTV daqui eh com musicas indianas. Na verdade, eu nao aguento ouvir o tempo inteiro so musica indiana. Mas de vez em quando, acho legal colocar la na MTV pra ver o que ta passando. E nao so na MTV, constantemente tenho visto (e ouvido) uma musica aqui que parece que eh o hit.


Ate um programa chamado Just Dance que eh tipo o So You Think You Can Dance que eh tipo o American Idol da danca, eu assisti por um bom tempo, e achei otimo ver la as dancas do povo, as musicas. E um dos convidados especialissimos era esse Ra One ai do video. O cara danca. Maior celebridade daqui. E a moca do video tambem aparece em comercial de bolsa e cosmeticos por aqui.

Postei esse video no Facebook e meu chefe (que chegou hoje aqui) comentou que esperava conseguir me arrastar de volta pra Suica, porque eu estava um tanto quanto absorvida aqui.

Ora, passe voce 2 semanas na India pra voce ver se da pra nao se inserir. Mesmo a trabalho e com uma especie de status VIP porque ando sempre de carro com motorista que esta sempre a disposicao e etc etc e tal, nao da pra nao se deixar "infectar" e absorver pela cultura deste pais. Fiquei pensando nisso uns dias atras. Mas, por outro lado, nao acho tambem que seja taaaaao facil assim se deixar assimilar em tudo quanto eh aspecto da cultura aqui da India quando se esta aqui por muito tempo.

A comida por exemplo. Vamos voltar pro topico da comida. Eu ja disse que gosto de comida indiana. Mas comer SOH isso O TEMPO TODO meu estomago simplesmente nao aguenta, porque nao estou acostumada. Tenho conversado bastante e aprendido muito com o pessoal do meu time aqui em Bangalore. Eles sao indianos puros entao nao tem fonte melhor. Imagine que aprendi como sao finalmente feito os temperos que deixam essa comida tao picante e saborosa.

Eh pedaco de madeira da arvore, eh semente nao sei de que, noz nao sei de onde. As fontes mais misticas, interessantes e improvaveis. Fico admirada com tudo ainda. Nao sou fresca, mas tenho medo de meu estomago desarranjar e eu ficar impossibilitada de trabalhar. Imagina o mico. Entao fico so no arroz biryane com frango picante, dah e nan naturalmente. O mais simples possivel.

No cafe da manha aqui no hotel, as opcoes sao quase todas indianas. La no cantinho tem torradas e croissants, e eh pra la que eu vou. Olha voce me desculpa, mas eu nao consigo comer coisa muito pesada no cafe da manha. E ver essa comida com cara de almoco logo de manha cedo pra mim nao faz sentido.

Outros hospedes do hotel la na hora do cafe da manha se jogam. Comem tudo parece que tao almocando. Eu fico so na torrada com manteiga e cafe. O servente ja deve ta comecando a ficar chateado comigo. Todo santo dia de manha ele chega pra perguntar se eu quero alguma coisa da cozinha. Mas nem um omelete? Nao, obrigada. Minha barriga acha otimo so a torradinha leve, e passo a manha tranquila.

Ja a hora do almoco tem sido ... hm, dificil. Tentamos restaurantes diferentes pelas redondezas mas a comida eh sempre a mesma - picante, indiana. Meu time deve ter percebido que nao ta facil pra mim e ontem pedimos pizza. Todos eles pediram pizza nao sei o que la chilli, e eu fiquei na marguerita.  To tentando dar um descanso ao meu organismo. Nao ta sendo facil. E tome Bioflorin.

Por nao ter me absorvido no quesito "comida", acho que nao eh tambem assim tao facil se absorver por aqui totalmente. Alem disso, ha varios outros aspectos que sao, digamos, dificeis tambem. O transito, minha nossa, dificil viu se acostumar. Nao faz muita diferenca pedir pro meu motorista nao buzinar quando todo o resto ta la morrendo de apertar a buzina. As condicoes das ruas e estradas tambem sao bem precarias. As vezes ate da uma sensacao estranha do quanto destoa os parques tecnologicos onde a gente trabalha com predios sofisticados e hoteis chiqueresimos das ruas quebradas e gente se amontoando imprensada no onibus velho la fora no meio de um camelo.
Eh dificil se acostumar com isso. Dificil se deixar absorver nisso. Eh simplesmente dificil.

A Suica aqui na India eh vista como um dream country. Em filmes e na mente das pessoas, quando se fala em lugar perfeito, lugar para passar ferias, lua de mel, lugar dos sonhos, eles dizem: Suica. E agora eu to entendendo porque. A Suica eh exatamente o oposto de muita coisa aqui da India. A ausencia desse tempero exagerado na comida, do transito caotico, a calmaria, a normalidade e o luxo constante por todos os lados -- sim, eh a Suica. E eu admito que to ate com uma saudadezinha de la jah...

09 outubro 2011

Quando a viagem não dá certo

Senta e chora. Foi o que eu fiz. Literalmente. A viagem pro Sri Lanka foi mais perrengue que diversão. Graças a Deus estou de volta a India! Os dias que passei no Sri Lanka podiam ter sido melhores... tudo foi uma sucessão de fatores infelizes combinados com a falta de sorte. É, acontece. Não é sempre que temos a sorte de dar tudo tão certo e perfeito como foi a viagem de Israel e a Turquia. Viajar pela Ásia naturalmente exige mais cuidados do que viajar pela Europa, e até pelo Oriente Médio para nós, ocidentais. Dessa vez, as coisas complicaram um pouquinho mais.

Bom, pra começar, ok, eu assumo, eu podia ter me preparado melhor. Mas como seria apenas um mísero fim de semana em Colombo, capital do Sri Lanka, eu negligenciei um pouco.. afinal, o que é um fim de semana no Sri Lanka pra quem tá na Índia por quase 3 semanas, não? Pensei errado. Um fim de semana no Sri Lanka é muita coisa e exige mais cuidados do que o que eu dediquei.

Como eu estaria trabalhando em Bangalore que é no sul da Índia, pertíssimo do Sri Lanka, achei que seria o ideal esticar até lá num fim de semana por minha conta e aproveitar mais a viagem a trabalho. Ora o vôo durava apenas 1 hora. Mas só depois que eu estava de passagem comprada, fui realmente ler a respeito de alguns cuidados e descobri que brasileiro precisa de visto pra entrar no Sri Lanka!!! A gente fica mal acostumada com essas regras que ora funciona como imigrante na Suiça, ora funciona com as regras de passaporte brasileiro. Lá fui eu numa sexta-feira até Genebra no consulado do Sri Lanka correr atrás do visto. Mas o visto foi jogo rápido. Ficou pronto no mesmo dia. Ah se todos os problemas dessa viagem do Sri Lanka se resumissem a um mísero visto no meu passaporte.

A passagem pelo ebookers.ch foi uma pechincha, mas em compensação o vôo da volta tinha conexão em Chennai, na India, e era de madrugada. Tudo bem, achei que valeria o esforço, afinal eu ia conhecer o Sri Lanka!!!

Antes de ir, pesquisei em vários lugares o que ver em Colombo e tive a impressão que não tinha taaaanta coisa assim pra ver lá além de templos budistas. Porque eu não tava afim de ir a praia. Beleza. Reservei um hotel mediano pelo booking.com e entrei em contato por email pra saber o que eles ofereciam ou sugeriam em passeios num dia. Todo email que recebi tinha sempre "don´t worry, madam". Mas po, é claro que eu me preocupo, quero saber o que vai acontecer ne.

No meio de tanta coisa acontecendo na preparação da viagem pra India com a passagem que tinha saído errada, as vacinas, o trabalho amontoando e tanta coisa pra deixar pronta, terminei sem querer confiando nesse don't worry madam do cara do hotel e não me preocupei o tanto que deveria no planejamento desse fim de semana pelo simples fato de nao ter dado tempo. Eu não dei conta. Fato.

Peguei o vôo Bangalore-Colombro pela Sri Lankan airlines e eu era a única mulher do vôo que não estava vestindo sari. Até as comissárias de bordo eram de sari.

OK! No problemo! Ah se esse fosse o problema!

O vôo foi ótimo, tranquilérrimo apesar dos srilankans serem muito conversadores. Aterrisamos em Colombo e meu carro que reservei estava lá com uma placa com meu nome me esperando pra me levar pro hotel.

O aeroporto é longe de Colombo e levei quase uma hora pra chegar no hotel. Cheguei no hotel já tardão da noite, e a primeira impressão... humm... já não foi boa.

Eu já fiquei em muito hotel marromeno nessa vida, mas esse tava muito mais pra menos. Uma escuridão danada na recepção. Eu mal conseguia entender o que o cara da recepção dizia, que sotaque difícil!!! Eu queria saber do meu tour!!!!! O cara lá da recepção só dizia pra eu não me preocupar e eu já tava me irrirando com o "madam" a cada duas palavras que ele dizia. Percebi que não tinha tour nenhum, e ele foi ligar lá naquela hora mesmo pro amigo dele chamado Raju que é motorista e podia fazer um "tour" comigo em Colombro no dia seguinte.... opa opa opa, meu amigo, pera lá, this is not what I signed up for!!!!!!!!!!! Já comecei a mudar o tom de voz e ele me dando o telefone pra falar com seu Raju... olha, eu já tava me arretando. Como vi que não ia resolver nada com esse senhor despreocupado da recepção, achei melhor me recolher, também já estava cansada e não ia resolver nada ali aquela hora da noite. Quem sabe de manhã de cabeça fria e (com sorte) outra pessoa na recepção, eu consiga resolver alguma coisa.

Fui pro meu quarto. Outra decepção. O quarto tinha cheiro de mofo e foi só o cidadão lá abrir a porta que eu já comecei a espirrar. Liguei o ar pra ver se melhorava, mas estava tão cansada, que deixei pra lá minhas patricices e fui dormir. No dia seguinte, acordei, encarei o banho no banheiro escuro e precisando de reforma, me arrumei e desci pro cafe da manhã. Surpresa! O café não está incluso na diária e custa 9 dólares. Mas... trust me, o café não valia 9 dólares. Resultado: não tomei café. Bebi água e fui pra recepção resolver meu tour.

O cara na recepção era outro mas ele falava a mesma coisa-- o tal do senhor Raju. Me colocou pra falar com ele no telefone e eu não entendia absolutamente nada do que ele dizia!!!! Perdi a paciência e peguei o email que tinha impresso que dizia que eles tinham várias opções de agentes de viagens que poderiam me ajudar no meu dia em Colombo, e no meio da cena que eu fazia lá, apareceu a gerente me chamando pra conversar num canto. Eu também mal entendia o que ela dizia e desisti. Estava decidida a ir pra outro hotel, e dizia a ela pra fazer meu check out e me dizer quanto eu tinha que pagar que eu ia embora. Mas a gerente não me deixava e quanto mais ela insistia pra eu ficar e ouvi-la, mais eu me irritava.

Finalmente ela disse que havia outra parte no hotel com quartos novos e renovados e por apenas 5 dolares a mais por dia eu poderia trocar de quarto e ir lá me acalmar pra depois resolver a situação do tour. Fui lá com ela ver o quarto e era melhor mesmo. Mas ora, por que não me ofereceram essa birosca antes?!?! Dormi lá no mofo podendo ter dormido melhor... anyways.. sobre o tour, estava lá conversando com a gerente e quem me aparece??? O senhor Raju!!!! Com 35 anos de experiência em tours, segundo ele, começou a falar e mostrar no meu guia da Lonely Planet os lugares que ele ia me levar.

É, pensei racionalmente e mudar de hotel seria muuuuuito gasto porque esse já estava pago, e hotel em Colombo não é barato. Já era mais de 10 horas da manhã, eu só tinha bebido água e odeio ter a sensação de estar perdendo tempo. Eu já estava ali mesmo, meu novo quarto era melhorzinho e o senhor Raju começou a passar alguma confiança. Ora, por que não? Fui.

Olha, sei não, senhor Raju pode ter 35 anos de experiência mas tem que melhorar MUUUUITO. Parecia uma pegadinha, no minuto que entramos no carro - e não me leve a mal, era um carro de luxo muito bom e muito confortável - parecia brincadeira. Ele não entendia o que eu dizia, e o Inglês dele parecia que tinha piorado assim num piscar de olhos. Na primeira parada que fizemos que foi num templo budista, ele queria me deixar lá e marcar uma hora pra me buscar de volta. HAHAHAHA!!! MEU SENHOR VOCE SO PODE TA DE BRINCADEIRA!!!! Nada disso, mandei ele ir comigo, cade os 35 anos de experiência? Eu queria um TOUR! Com explicações e tudo mais. Ele foi, mas as explicações tá devendo até agora. Nem as perguntas que eu fiz ele entendia, muito menos respondia. Péssimo. Tive que apelar lá no meio do circo pegando fogo ao meu guia quando queria saber de alguma coisa. Mas, tá na chuva é pra se molhar. Só tem tu, vai tu mesmo, como diria em Recife.

Meu tour com o senhor Raju foi um teste de paciência. Sim, visitei vários lugares interessantes em Colombo, templos, museus, praia, mas ele era nada mais que um motorista. Só.

Nem tirei muitas fotos em Colombo porque segundo lugar, senhor Raju era um péssimo fotógrafo e eu estava me esforçando muito pra curtir o passeio.

Além do que, o calor lá fora estava de matar, então não tinha nem muito ânimo pra sair do carro e sorrir pra foto.

Pro segundo dia, meu plano era conhecer Kandy ou Galle, a uns 100 e poucos km de Colombo, cidades históricas e interessantes. Mas com senhor Raju eu não iria de novo nem a pau! Ele até fez um preço camarada porque deve ter percebido na minha cara de decepção que eu não era a mais feliz das turistas. Mas de novo com ele eu não ia não. Quando voltei do meu passeio pro hotel, contei até 10 e fui na recepção descobrir como arrumar um jeito de ir até Kandy ou Galle. Alguns minutos depois, conversei com outro agente de viagem no telefone pra arrumar a viagem pro dia seguinte, mas eu não sei se era porque eu já tava chateada com tudo e comigo por não ter planejado isso melhor, ou se era porque a proposta do tour do cara no telefone não era boa mesmo, que eu desisti. Não, deixa pra lá. Não vou sair de Colombo. E passei basicamente o dia seguinte no hotel dormindo e acordando esperando a hora de pegar meu vôo de volta a India. Infelizmente o que eu haveria de ver em Colombo, tinha visto com senhor Raju.

Check out do hotel, mais um stresse. Contas de câmbio erradas, recibo rasurado, um horror. Haja paciência! O hotel foi o Renuka City Hotel. Um dos motivos que eu reservei minha estadia lá foi o fator localização. Ora, mas foi ingenuidade minha achar que ia fazer alguma diferença. Como se Colombo fosse Sarajevo ou Helsinque que é só sair do hotel e ir bater perna.

Bom, meu vôo na verdade eram 2 vôos. De Colombo ia a Chennai, já na India, e de lá mais um vôo para Bangalore, e finalmente voltar pro meu hotelzinho querido. No check in, me colocaram numa poltrona lá no final do avião, mas quando estava pra embarcar, porque eu era a única estrangeira do voo, me colocaram na primeira classe. Achei ótimo, fui lá na maior mordomia, sem saber o que estava por vir.

Cheguei em Chennai e..... mais uma surpresa!!!!!! Minha mala estava aberta, com cadeado quebrado e com minhas coisas todas reviradas, necessaires abertas..... horrivel, horrivel, horrivel.... eu que já estava com stress acumulado dos últimos acontecimentos e no limite da minha paciência, comecei a chorar e me segurei pra não explodir... mas foi em vão... dei um escândalo lá no aeroporto quando a Jet Airways disse que não ia fazer nada a respeito. Eu não vou nem escrever em detalhes aqui sobre esse momento, porque só de lembrar, me dá uma raiva tão grande mas tão grande, que eu só falto explodir!! Dei falta de um perfume, uma camiseta e um relógio, coisas pequenas, e depois de pesar a mala e ver que o peso estava mais ou menos o mesmo, a mulher lá da cia aérea só pediu desculpas pelo ocorrido e disse que não podia fazer nada. Ora, levaram objetos pequenos, claro que não faz diferença no peso! E só o fato da minha mala estar arrombada sem o cadeado e com o ziper destruído deveria servir pra alguma coisa!!!! Mas não.. fiquei lá parecendo uma louca chorando desesperada com todo mundo me olhando. Não foi nem o fato de ter sido roubada que me deixou mais chateada. Fiquei furiosa pela falta de interesse da cia aérea em fazer qualquer coisa por mim, e num momento que eu tava lá totalmente vulnerável, desprotegida, com alguém sei lá quem abrindo minha mala e mexendo nas minhas coisas!!! Ahhhh que óóóóóóóódiiooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Muita raiva, muita. O que eu mais queria era chegar no hotel aqui em Bangalore... e ainda tinha mais um vôo pela frente... Bom, mas aí eu não ia despachar novamente a mala no novo voo. Era uma malinha pequena, tinha despachado no vôo anterior por conta dos líquidos que tinha dentro. Mas depois dessa, se me barrassem pelos liquidos, eu os deixava, mas não despachava minha mala de novo de jeito nenhum, ela iria comigo lá em cima na cabine. Surpresa de novo??? Me barraram quando fui passar no raio x com a mala, mas não pelos líquidos, mas pelo canivete suiço!!!!!!!!!!!!!! Ah.. parece pegadinha ne? Deixei a piiiiiiiii do canivete suiço e embarquei na cabine com minha mala. O Liana, por que voce nao fez isso antes? Nada disso teria acontecido...

Bom, eu não vi o avião decolar nem aterrisar. Só acordei quando ouvi a menina do meu lado desafivelando o cinto. De tão cansada que estava, dormi feito uma pedra mesmo. Saí do aeroporto de Bangalore com minha mala rezando pro motorista estar lá fora me esperando e claro, esse fim de semana definitivamente não era meus dias de sorte. Ele não estava. Lá vai eu ligar pro cara do transporte da empresa que organiza... e liga pra lá, e liga pra cá... 15 minutos depois aparece o cidadão. Devo ter parecido a sujeita mais antipática da face da terra, porque não sorri, não dei bom dia, não entreguei minha mala pra ele carregar, não abri a boca. Depois de tudo que eu passei nesse fim de semana, eu só queria chegar aqui no hotel, tomar um banho e relaxar. Afinal amanhã tenho que estar inteira pra um dia intenso de trabalho como se nada tivesse acontecido.

Fica como experiência. Nem sempre as viagens são como programamos, e nesse caso, que eu nem programei direito, nem sempre é como a gente espera.