22 dezembro 2015

Vevey

A Suíça não tem praia, óbvio. Com isso as cidades que têm lago como Zurique, Genebra, Thun, Biel entre tantas outras que já falei aqui (veja a lista de todas as cidades e os posts aqui), são vistas com uma certa vantagem em relação às outras. Isso porque uma brisa calma e uma vista bonita por aqui sempre são símbolos de uma ainda melhor qualidade de vida. Um passeio ao longo da promenade, uma leitura numa tarde em um banco com vista para o lago, o som dos cisnes e patos faz com que a vida agitada das cidades tenha um certo alívio nesse breve contato com a natureza.
Montreux tem uma riviera famosa mundo afora, com parte do lago Genebra beirando várias cidades, e como fica do lado norte dos alpes suíços, a combinação da paisagem lago e montanha gera uma vista espetacular que só é encontada aqui na Suíça. Vevey é uma dessas cidades que faz parte da Riviera de Montreux, mais que isso, é conhecida como uma das "Pérolas da Riviera de Montreux", pois o panorama alpino visto de lá é simplesmente extraordinário.
Vevey fica no cantão de Vaud e fica próximo a Lausanne, na parte francesa da Suíça. Você pode até não ter ouvido falar dessa cidade ainda, mas ela é conhecida sim e está normalmente no roteiro de viagem pelo Lago Leman, principalmente nos cruzeiros de verão, onde o clima ali é imbatível. Clima e atmosfera, quero dizer. A vibe do lugar. E isso não é de hoje não, o comediante Charles Chaplin se encantou com a cidade e se mudou pra lá com a família onde morou de 1952 até 1877. Há uma estátua dele ao longo da promenade como homenagem e é ponto certo de encontro de turistas.
Bem na frente da estátua de Chaplin está o famoso garfo gigante, fincado dentro do lago, e esse também é um cartão postão de Vevey. Feito de aço, ele tem 8 metros de altura e está ali desde 1995. Isso porque bem na frente está o Alimentarium, o museu da Nestle, que infelizmente estava fechado para reforma quando eu fui em Novembro passado (abrirá de novo em 2016), e a empresa inaugurou esse "monumento" como um marco da celebração do 10o. aniversário do museu. A população aceitou o "landmark" e ele está lá até hoje fazendo com que turistas disputem o melhor lugar para tirar foto com ele.
Isso porque Vevey é onde fica a sede da Nestle, fundada em 1867 ali e como todos sabem, é uma das maiores empresas de alimentos do mundo inteiro, inclusive de chocolate, claro. E que privilégio. A cidade tem uma atmosfera de cidade pequena, assim como a maioria das cidades suíças, mas mesmo assim, Vevey é moderna e internacional, principalmente por sua fama. Não é um museu, nem uma estátua, nem um monumento, o melhor de Vevey está mesmo ao ar livre. É a atmosfera do lugar que faz essa cidade especial. Uma volta ao longo da promenade é de esquecer qualquer problema. Imagine morar ali!
A paisagem é mesmo de tirar o fôlego, tudo parece tão perfeitamente colocado no lugar que parece cenário montado. Mas não é, é tudo real e montado pela natureza mesmo. Não me canso de admirar... Como eu disse, uma volta ali é de fazer esquecer os problemas. Uma tranquilidade, uma paz, um ar puro e limpo, é de se revigorar e recarregar as energias. Passar o dia ali é passar as horas fácil, sem nem perceber o tempo passar.

21 dezembro 2015

O lado ruim da Suíça

Já fazia um tempo que eu queria escrever um post falando do lado não tão bom da Suíça. Porque sim, ok, eu escrevo tantos posts legais de lugares bacanas e como eu me encanto de morar aqui, é verdade. Mas sinto que às vezes pode parecer pra quem lê este blog que a vida aqui é um mar de rosas, e recentemente eu fiz questão de escrever um post pra relembrar que não é. Porém o post foi pessoal, poderia ser em qualquer lugar, e no fundo, é isso mesmo, a vida tem seus problemas em qualquer lugar que você estiver. Sair do Brasil não é a solução dos problemas de ninguém. Em todo os lugares tem vantagens e desvantagens e cada um sabe onde aperta o calo. Se eu continuo aqui é porque sim, no momento a vida pra mim é melhor aqui. Mas isso não quer dizer que a Suíça linda do jeito que é também não tenha problemas. Digo problemas específicos do país. Eu escrevi já um post há uns anos atrás falando sobre isso, mas sinto que chegou a hora de escrever de novo. Agora, com mais tempo de Suíça, mais experiência, acho que estou mais preparada para falar. Então motivada por esta matéria sobre a Noruega que também sempre está no topo das listas e pesquisas de melhores lugares a se viver, qualidade de vida e todas essas coisas que aqui na Suíça também tem, criei coragem para sentar aqui e falar do que que não é bom na Suíça

Os países da Escandinávia todos têm uma qualidade de vida altíssima, baixíssimos níveis de desemprego, violência. Por lá a segurança é maravilhosa, você anda de transporte público por onde bem entender sem medo de nada, tudo funciona, tudo é pontual. Aqui na Europa central também é mais ou menos assim. A exatidão e as coisinhas certinhas são um pouco menos que na Europa lá de cima, porém a Suíça ainda se encaixa melhor nas regras e modo de vida do povo da Europa do norte. Isso porque aqui perto tem a Itália e a França, que querendo ou não, sim, são países europeus bons pra viver mas que ainda sofre com influências de corrupção, maior índice de desemprego, falta de segurança nas ruas, etc.

Aqui na Suíça, não. São casos isolados que acontecem de roubos, assalto a mão armada nem pensar, e sinto falar isso, mas quem pratica coisas assim por aqui geralmente são imigrantes. Mas então, onde estão os problemas da Suíça mesmo, que nascem aqui e são daqui, sem influências de imigrantes?!
Fonte: http://blog.internations.org/2015/04/the-happiest-campers-the-world-happiness-report-2015/

- Impostos
Bom, para começar, assim como na reportagem sobre a Noruega, os impostos! Sim. Aqui há imposto pra tudo, já escrevi um post falando por alto sobre isso, mas além de haver imposto pra tudo que você pensar, aqui os impostos são muito altos. Eu só agora, depois de quase 7 anos de Suíça, estou mudando o meu status de residência e não pago mais o Quellensteuer, que é o imposto descontado direto no seu salário (normalmente para imigrantes), porem agora não só continuo tendo descontos direto no meu salário, como pago o imposto de renda no final do ano, que é mais que um salário inteiro meu assim numa lapada de uma vez só. Esses são os impostos federais e regionais, sem falar no imposto da televisão e do rádio, do cachorro, da igreja, da calefação. E olha, não é barato. A gente sente o rombo no bolso. E por mais que você fale "é mas aí você paga imposto mesmo alto, mas pelo menos vê o resultado". Sim, é verdade, mas não muda o rombo na minha conta e nas minhas economias que têm de mudar minhas prioridades.

- Não há saúde pública
Aqui na Suíça não existe saúde pública. Morando aqui, você é obrigado a ter um plano de saúde privado para cobrir qualquer coisa que você precisar em relação a consultas, internações, emergências, absolutamente qualquer coisa. Sem plano de saúde aqui você está fora da lei, e fora da lei, não preciso nem dizer o que acontece com você. Ou terá que pagar multa ou o valor do plano atrasado referente ao tempo que passou sem plano de saúde e ainda com multa. Isso se não for deportado, dependendo do seu status de residência por aqui. E outra, o plano de saúde não é barato. Seja lá qual for a seguradora, não sai por menos de 300 francos por mês, isso se a sua carência for alta, ou seja, quanto maior o valor da carência, menor o valor que pagará por mês. Porém quando precisar usar o plano de saúde, se tiver por exemplo uma carência de mil francos, terá que pagar todas as despesas além do que já paga por mês até atingir mil francos, para que o plano te reembolse do que você gastou. Para diminuir a carência para por exemplo 300 francos, o valor que você paga por mês aumenta, mas pelo menos se você precisar usar, terá que pagar as despesas até o valor da carência - 300 francos - para que o plano comece a te reembolsar dos gastos. Isso vale por ano. Vira o ano, zera tudo. É um sistema difícil e despendioso. É fechar o olho, pagar e rezar para não precisar usar.

- Sociedade excludente
Talvez esse ponto ainda precise de mais reflexão por aqui. Mas há um fator "novo" pra mim que estou percebendo a medida que a minha vida vai mudando, e em suma, me parece que o sistema que move a sociedade neste país é bastante opressivo e excludente. Posso dar alguns exemplos. O sistema escolar, por exemplo, se você acha cedo no Brasil um jovem adolescente decidir que curso vai fazer na faculdade e prestar vestibular, você precisa conhecer o sistema suíço. Aqui desde cedo, quando os estudantes são crianças, já começa a existir uma separação de alunos bons e alunos não tão bons, e não são separados por sala não, são separados por escola mesmo. Os melhores alunos vão para escola secundária e seguem seguindo até talvez chegar numa universidade, enquanto outros que começaram a mostrar dificuldades permanecem na escola primaria e se tiverem "sorte" podem tentar um curso técnico lá na frente. Isso tem uma enorme influência primeiro na criança, no ser humano que está se formando e crescendo e tem que se separar do convívio de colegas pois não têm o menos nível intelectual (ainda, talvez...?). E depois o impacto que isso traz na sociedade pois isso quer dizer que apenas os "bons alunos" têm maiores chances de ingressar na universidade e ter um diploma, uma carreira, enquanto os outros precisam ir por outros caminhos para ter chances melhores na vida. Isso tudo sem falar de gêneros ne, porque já falei aqui algumas vezes que a Suíça não é muito fã de mulher que trabalha. O sistema escolar tem horários totalmente dessincronizados, fazendo com que seja quase impossível uma mãe trabalhar fora e dar conta dos filhos. Resultado do sistema? Mães largam a carreira. E o impacto nisso na sociedade? Homem pode trabalhar tranquilo e mulher tem que ficar em casa esperando o filho chegar para almoçar, é isso mesmo? Isso porque é primeiro mundo.

- Alta taxa de suicídio
Eu levei um choque muito grande logo no início da minha vida aqui na Suíça, quando um colega do trabalho se suicidou. Nunca tinha sentido um baque desses na vida e depois daí vi que por aqui infelizmente isso é uma coisa normal. Todo mundo que mora aqui conhece ou (conheceu ne) alguém que se suicidou. Seja amigo próximo ou colega do colega. Eu cheguei a comentar sobre isso no post que escrevi há uns anos atrás, mas o incrível (ou talvez não), a Suíça continua lá em cima também na lista de países com altas taxas de suicídio. Mesmo comparados com Noruega, Suécia e Inglaterra, aqui a taxa mesmo tendo diminuído nos últimos anos, continua alta. São 14,3 suicídios a cada 100 mil pessoas (dados de 2007), comparados a 22 suicídios a cada 100 mil pessoas, que eram os dados de 1984. Aqui na Suíça, a prática do "suicídio assistido" é legal desde 1942 e apoiada pela população, isto é, se uma pessoa está com uma doença séria como cancer por exemplo e resolve não viver mais por estar em grande sofrimento, tem o direito de decidir terminar com a própria vida e o médico deve apoia-la prescrevendo drogas letais. Milhares de pessoas viajam até a Suíça para encerrar suas vidas por aqui legalmente, pois a prática não é autorizada pela lei em vários outros países e por aqui, o paciente não precisa ser suíço para "conseguir" se suicidar legalmente. O Suicídio Assistido é diferente da Eutanasia, onde um médico não está envolvido, e a Eutanásia na Suíça é proibido por lei. É triste saber que infelizmente, as altas taxas de suicídio vão além das taxas do suicídio assistido, o que leva a crer que quem faz parte da estatística são drogados ou pessoas depressivas que terminam tirando sua própria vida. E aí está o grande paradoxo, pois a população da Suíça foi eleita o povo mais feliz do mundo neste ano.

- Clima
Tá aí, acho que esse fator contribui para a depressão, o que leva ao suicídio. É só uma teoria. Ora, um lugar onde tem mais da metade do ano de inverno, sim porque de outubro a março/abril aqui é praticamente inverno. Tem as épocas de inverno glacial que é dezembro e janeiro, mas no outono e início da primavera aqui na Suíça ainda há dias de muito frio e quem sabe até neve. Tem gente que cresce aqui e se acostuma, mas é difícil viver tanto tempo com tanta roupa, com tantos dias cinzas, com tanto frio, com a falta de sol. Eu sempre digo que o problema do inverno é que ele é muito longo. E é por isso que quando chega a primavera e o verão que os dias de sol são mais longos e as temperaturas aumentas, até o povo na rua parece mais feliz.

- Frieza das pessoas
E esse ponto deve ter a ver com o clima também. Tiro pela minha guia russa que andou comigo em Moscou, que disse que o povo na Rússia era acostumado a ter tanto tempo de frio e inverno, que se acostumam (infelizmente) a serem mais frias, mais individualistas. Aqui na Suíça não é tão frio como na Rússia mas as pessoas também são frias. Não há aquele calor que nós brasileiros crescemos com ele, digo calor humano mesmo. Abraçam pouco, são menos espontâneos, mais individualistas, mais sérios. Isso é ótimo para trabalhar, organização e regras, mas uma vida inteira só assim ninguém aguenta.

- Racismo
Nem vou me aprofundar muito nesse tópico pra não fazer esse post mais polêmico do que ele já é. Já refleti aqui sobre esse assunto, já falei do partido xenófobo que tem aqui e que muitos suíços se identificam. Aqui é apenas um resumo. É fato, aqui o racismo é problema sério. Às vezes é tão escancarado que dá nojo, e me deixa é mais triste ainda é que muitos não sentem a menor vergonha de falar, de expor o que pensam e vejo o quanto de desprezo um ser humano é capaz de ter pelo outro. Seja por raça, por origens étnicas, por nacionalidade, como se tivéssemos cada um de nós escolhido o lugar de onde viemos e estivéssemos destinados a sofrer o resto de nossas vidas pelas nossas escolhas.

Bom, esses são os aspectos que consegui lembrar e refletir, que me fazem achar que a Suíça não é tããão perfeita assim. Sim, em algumas outras coisas ela é sim maravilhosa, perfeita, eu gosto muito de morar aqui, porque há outros fatores que no momento superam o lado ruim. Mas cada um sabe de si. Eu conheço pessoas que jamais conseguiriam viver muito tempo por exemplo com a frieza das pessoas daqui, ou com o frio que faz aqui por tanto tempo, enfim. Cada um é cada um. E cada lugar tem obviamente seus altos e baixos. Que fique claro que a Suíça também tem.

20 dezembro 2015

Árvore de Natal cantante de Zurique

Há 10 anos, Zurique tem uma atração especial de Natal: a árvore de Natal cantante, ou a Singing Christmas Tree, na Werdmühleplatz, onde a propósito há mais um mercado de Natal que eu ainda não havia falado por aqui. Foram apenas 2 anos morando em Zurique e não deu tempo de conhecer e escrever sobre tudo nesse tempo. Zurique tem vários mercadinhos de Natal e embora eu já tenha conhecido este mercado de Natal nesta praça, que fica numa rua perpendicular a Bahnhofstrasse, a principal rua de compras da cidade, eu não tinha feito post sobre ele.
É também bem verdade que esse mercado especificamente tem ficado a cada ano mais popular. Mas é que o mercado de Natal é meio que um detalhe, a principal atração ali é mesmo a árvore de Natal cantante, e agora em 2015 foi a primeira vez que eu consegui assistir ao concerto. Isto porque há vários concertos, mas acontecem em dias e horários pre-determinados, então se perder a hora, perdeu o concerto. Desta vez não, consegui pegar o concerto e até um bom lugar para assistir com o Edi o coral cantando músicas de Natal.
Na programação há vários grupos de coral de diferentes lugares fazendo apresentações durante o período do advento lá na árvore cantante. Aqui você encontra toda a programação. Este ano a árvore está funcionando desde o dia 19 de novembro e fica até a véspera da véspera de Natal, dia 23 de dezembro. Se não der mais pra ver esse ano, se programe para ir ver o ano que vem. A árvore tem uma estrutura interior montada de tal forma que os integrantes do coral sobem lá por dentro e ficam destribuídos bem arrumadinho na árvore, e de lá mesmo ele se apresenta. Todos com a mesma roupa pra ficar ainda mais bonitinho.
O concerto dura meia hora e é de graça. Meninas vestidas de anjo passam arrecadando dinheiro para apoiar o projeto, que é sustentado em grande parte por diversas empresas, veja aqui quais. Parece que o principal interesse mesmo é proporcionar um momento de alegria para quem se interessa em ir ver o concerto. É muito bonitinho e um programa muito agradável para qualquer idade, inclusive para crianças. O Edi ficou bem entretido assistindo. Eu até filmei uma parte, vejam no video:


E logo ao lado, na própria Werdmühleplatz há um pequeno mercado de natal, com barraquinhas de comidas suíças, pão com alho quentinho, vinho quente, obviamente, além de um pequeno carrossel para as crianças e uma decoração de luzes em forma de estrelas que deixa o ambiente bem natalino mesmo. Tem também um espaço vendendo árvores de natal de verdade! Muito legal! Este ano não estamos tendo muito frio nem neve até agora, mas se depender da árvore de natal cantante e do mercado de natal da Werdmühleplatz, o clima natalino não deixa nada a desejar.

Mais informações: http://www.singingchristmastree.ch/

19 dezembro 2015

Zurique: Swiss Chuchi

É engraçado como eu quando cheguei aqui na Suíça não entendia nada absolutamente nada do dialeto alemão suíço, e hoje, 6 anos e meio depois, cá estou eu até lendo em suíço alemão. Confesso, o nascimento do Edi ajudou muito nesse sentido. Mas acho que o tempo mesmo, os ouvidos são vencidos pelo cansaço. No início eu não entendia e nem gostava de como o alemão suíço soava, achava feio. Hoje até simpatizo, entendo, não entendo tudo, mas entendo, e algumas coisas até falo igual. Está impregnado na cultura e no dia a dia, não tem jeito. Vivendo aqui, mais cedo ou mais tarde a gente tem que aceitar esse bendito dialeto que é quase um idioma novo. Eu costumo comparar que é como se fosse o Português do Brasil e o Português de Portugal. Assim é o Alemão suíço e o Alemão da Alemanha. E hoje percebendo isso, vejo o quanto de coisa eu não entendia e ficava viajando na maionese no início da minha vida aqui, quando algo era falado, ou quando passava na frente de algum lugar e algo estava escrito em suíço alemão... pra mim era o mesmo que grego.
Hoje para mim está claro que esse restaurante aí ó, é a "cozinha suíça", ou Swiss Chuchi. "Swiss" está claro, é "suíço" em Inglês, e "Chuchi" é o Suíço Alemão para "Küchen", que é "cozinha" em Alemão. É, tem que passar pro Alemão clássico primeiro pra saber hahaha. Eu disse, é quase um novo idioma. Mas quando um restaurante ou um lugar tem o seu nome próprio em suíço alemão, olha, pode acreditar que esse lugar deve ser bem suíço. E o Swiss Chuchi é um desses lugares.
No coração de Zurique, no bairro tradicional de Niederdorf, de onde já falei tanto aqui no blog, na época que morava em Zurique, o Swiss Chuchi é sim um tradicional restaurante suíço, servindo o que o suíço faz de melhor: fondue. Aproveitando que um casal de amigos estava visitando no mês passado e queria conhecer Zurique, então vamos fazer direito ne. Com direito a fondue e raclette ao mesmo tempo e tudo mais. Tudo mais entenda-se vinho suíço, acompanhamentos, tal, e cobertores porque sentamos do lado de fora do restaurante e em Novembro já está fazendo frio.
Sem problema, tem cobertor em cada cadeira caso o cliente queira sentar do lado de fora, comer seu fondue, e mesmo no inverno apreciar a atmosfera (gelada) das ruas de Niederdorf. Ali não passa carro, tem vários restaurantes, bares, lojinhas legais, bastante gente pra cima e pra baixo o dia inteiro, então é bem legal parar ali para uma pausa e fazer uma refeição.
Do lado de dentro, o restaurante fica mais suíço ainda. Primeiro na decoração toda de madeira típica da montanha, depois no cheiro principalmente, hahahaha. É quase todo mundo comendo fondue ou raclette, então fica aquele cheiro de queijo que minha nossa, eu só falto eu mesma virar um queijo. Aaaamo queijo, mas depois de um tempo, o cheiro enjoa, vai. Por isso mesmo acho até melhor sentar do lado de fora em épocas assim, isto é, de inverno, quando todo mundo todo mundo mesmo está comendo fondue.
Mas tá bem o cheiro, o cardápio, a decoração... gente, tem até uma vaquinha na fachada! O Swiss Chuchi é bem suíço, bem agradável, os preços são razoáveis, isto é, não são exorbitantes, são na média. Um fondue tradicional custa 26.50 por pessoa, então tá ótimo. Além da localização que não podia ser melhor. E a gente ainda aprende suíço alemão. Nunca mais você esquece que Chuchi é cozinha em suíço alemão. Então, recomendadíssimo.

Swiss Chuchi
Rosengasse 10
8001 Zurich

17 dezembro 2015

Terrible Twos

Na psicologia infantil, o termo "Terrible Twos" ou "Terrível dois" é conhecido como a fase de desenvolvimento social de uma criança, tipicamente por volta dos dois anos de idade, que é associado com um comportamento um tanto quanto rebelde e desafiador. Há diversos livros, artigos, revistas e sites sobre o assunto e eu não pretendo aqui dar aula de nada não. Mas preciso registrar a fase do Terrible Two do Edi.

Quando eu tava grávida, eu lia bastante sobre bebês e assuntos relacionados, mas confesso que a leitura abordava assuntos de até 1 ano, 1 ano e pouco de idade. Depois disso, a rotina ficou muito ativa demais e não me sobrava mais tempo pra ler sobre o assunto. Também não priorizei. Pra mim, as teorias podem até existir e é legal aprender sobre as coisas, mas pra mim no momento, eu pratico a teoria do "learning by doing", que é "aprender fazendo".

O Terrible Two não é uma fase fácil não, admito. Mas embora seja legal saber de dicas pra safar uma situação ou outra, quem melhor conhece a sua criança é você, então você deve ser a melhor pessoa para "sanar" os problemas desta e de quaisquer próximas fases que estejam por vir. Pra mim o Terrible Two é a fase que a criança deixa de ser bebe e começa a virar criança maior, mas onde os hábitos de bebê são deixados muuuuuito lentamente (talvez o ano inteiro de quando a criança tem 2 anos :), e isso torna o processo de transição bebe-criança beeeem arrastado.

Deixar a chupeta, desfralde, mamadeira-copo, aprender a falar e a fazer coisas sozinho. Cá pra nós, é muita novidade pra uma criança só. E por outro lado eles percebem que já são capazes de fazer muitas coisas, se sentem donos do próprio nariz, mas não têm muita noção de muita coisa. Imagine o que passa na cabeça delas, sem experiências passadas, apenas você como porto seguro para "aguentar" correr pro colo, quando qualquer coisa não ocorrer como esperado. Varia de criança pra criança, temperamento pra temperamento, cultura pra cultura. Mas em qualquer lugar do mundo, a famosa "birra" é reconhecida.

Eles querem nos testar. Eles querem experimentar o novo. Eles querem ver até onde é o limite. Eles querem fazer tudo do jeito deles. Eles querem. Querer é poder pra uma criança nessa idade. Como lidar com tanta personalidade, tanta força e desde quando meu filho se tornou tão desobediente? O meu bebe que até poucos dias mal andava direito, que se distraía com bonequinhos bobinhos e com musiquinhas, agora franze a testa e às vezes parece mesmo fazer tudo ao contrário de propósito?

Parece piada, mas é a mais pura realidade. Quem já viveu sabe como é, e quem não viveu ainda, é isso aí que está por vir. Pode parecer engraçadinho e bonitinho no começo, e "até zangado, meu filho é fofo", mas depois de algumas repetições, acredite, a diversão some e só tem espaço para a exaustão. Dúvidas, penso duas vezes se estou fazendo algo errado, por que meu filho não me obedece? Por que ele me bateu? Por que ele está assim? Saindo um pouco da emoção do momento e me tornando um pouco psicóloga de mim mesma, sendo fria e calculista: é assim mesmo, faz parte e vai passar.

Em suma, é isso. Não é o tempo todo assim, mas o Edi tem dias de rebeldia.. ou melhor, horas de rebeldia. Ainda não aconteceu de ele estar um dia inteiro rebelde. Mas algumas horas, sim. Ele está com 2 anos e 8 meses e normalmente quando eu identifico que "lá vem birra", quando começa a desobediência e as provocações, já começo a me perguntar o que pode estar "errado". Ele está com fome? Está com sono? Estou dando muita atenção? Estou dando pouca atenção? Ele está precisando brincar um pouco sozinho, precisa de algum coleguinha pra brincar, precisa ver pessoas diferentes, precisa dormir mais, precisa de ar fresco, precisa de que afinal?

Eu que estou a grande parte do tempo com ele geralmente consigo identificar sim a causa para essa consequência tão exasperadora e quando o comportamento dele começa a ficar exageradamente irritante, é hora de agir. Primeiro de tudo: não perder a paciência. Em casa, na rua, com todo mundo olhando, não importa. Preciso sempre estar no controle da situação para não perder a paciência e a razão. Mesmo parecendo às vezes não adiantar absolutamente nada, prefiro tentar conversar, falar, repetir, repetir de novo e de novo e de novo. Sim, às vezes preciso segura-lo contra a sua vontade, preciso senta-lo no carrinho enquanto ele chora bem alto, preciso escovar os dentes dele mesmo sem ele querer.

Uma vez ele fez birra que não queria comer na mesa, aí eu deixei ele almoçar no sofá. Porque melhor comer no sofá do que não comer ne. Esse foi o meu argumento comigo mesma para permitir que isso acontecesse. Pronto. Uma vez só foi suficiente para toda vez ser uma luta de argumentos para ele almoçar na mesa novamente. Sei que preciso manter a postura e mostrar sempre 100% que eu estou no controle, mas admito de novo, às vezes estou sim exausta, cansaderrima, sem um pingo mais de paciência para argumentar nem com Juca, quanto mais com Edi, que oh well, eu deixo ele jantar no sofá, ou não jantar se não quiser, e assumo as consequencias no dia seguinte, ou nos dias seguintes.

Desacredito que todo dia tudo igual faça do meu filho uma criança melhor. Claro que a rotina é importante, ou até mesmo fundamental para o desenvolvimento sadio de uma criança. Assumo as responsabilidades, mas um pouco de espontaneidade não faz mal a ninguem. Uma coisa que me incomoda ainda um pouco aqui na Suíça é esse desprendimento fácil que eles parecem ter com os filhos. Não sei, uma necessidade que se tornem logo independentes. Seja colocando os bichinhos para irem andando sozinhos na rua para a escola ou ignorando quando choram por qualquer motivo na rua. Talvez seja a falta de jeito, cresceram assim e não sabem ser diferente. Eu tiro pelo Eric que estremece quando o Edi dá um pio na rua.

Crianças francesas (e suíças) e qualquer nacionalidade fazem birra sim, o que diferencia é como os pais reagem a isso por aqui. Gritar, reagir, bater, ou ser indiferente, manter o sangue frio e fingir que nada está acontecendo? De tanto ver o comportamento dos pais, as crianças birrentas suíças terminam uma hora desistindo, creio eu.

Eu não gosto de ignorar quando o Edi está fazendo mal criação. Por mais que me doa nos nervos, prefiro reagir de maneira positiva, mesmo que não seja apanhando o brinquedo (ou seja lá o que for) que ele jogou no chão sem motivo, e mandando (549 vezes) ele apanhar ele próprio. Já diziam por aí: educar dá trabalho, se não está dando trabalho é porque você não está educando.

A fase dos Terrible Two é um verdadeiro teste de paciência para os pais. Tem horas que dá vontade de me trancar no banheiro. Como disse no post passado, nem todo dia é fácil. O Terrible Two não é necessariamente difícil, exaustivo e louco. É tudo isso, mas é também uma (cuidado!) *delicia* ver o Edi progredindo como pessoa. Testando limites e mostrando suas vontades pode parecer uma chatice mas tudo depende como você ve as coisas. É lindo de se ver como ele tem personalidade, entender que isso faz parte do seu desenvolvimento e é uma fase.

Sim, tenho mais olheiras, rugas e cabelo branco por TANTO exercício de paciência, mas ninguém disse que seria fácil. Faz parte do meu papel de mãe, do desenvolvimento do meu amado filho e se é assim que tem que ser, não me resta outra saída a não ser manter o humor da melhor maneira possível e continuar atravessando essa fase level hard. Imagino que ao terminar essa fase, venha outra... Será que é level hard também?!

16 dezembro 2015

Dos dias difíceis

Outro dia vi um post no Facebook que essas redes sociais só servem pra mostrar coisa boa e não transmite a realidade da vida das pessoas. Ora. Quem é que vai querer saber/ler/se interessar/curtir notícias ruins, tristes? Todo mundo quer mais é ser feliz, se divertir, se inspirar, saber de coisa boa, já basta tanta notícia ruim no mundo. Além do que nem todo mundo na sua página do Facebook tem o mesmo grau de intimidade com você, então o que você conta pra um amigo próximo não é o mesmo que você compartilha com seus colegas de trabalho, por exemplo. Beleza. Mas a discussão é aparentemente tão abrangente que li há alguns meses que o próprio Zuckerberg está pensando em implementar um botão Dislike no Facebook exatamente para tais situações ou um alerta do aplicativo quando você estiver prestes a postar fotos ou textos com "too much information".

Legal tudo isso, mas e aí, que que tem? Bom eu só fiz essa introdução porque aqui no blog também pode parecer que a vida na Suíça é um mar de rosas, que eu só passeio e vou a lugares bacanas e tudo mais. E é claro que não é assim. Primeiro, isso aqui é um blog mas não dá tempo de escrever tudo que gostaria. Segundo, depois de tantas e tantas reflexões, tive que me policiar pra "não falar demais" depois de um certo tempo de blog e alguns acontecimentos por aqui. Mas o blog continua aqui, o meu Instagram tá no ar (@elaeamericana_liana), o Snapchat (elaeamericana) e eu não vou deixar de escrever se eu não quiser e eu escrevo o que eu quero, certo?

Esse blog tem uma tag só de reflexões e olha não foram poucas. Já escrevi muita coisa pessoal, coisa boa, coisa não tão boa. Não tenho vergonha de nada do que escrevo, já me convenci que a exposição é um preço que tenho que pagar, e já desencanei. Outro dia uma colega do trabalho chegou pra mim e disse que tinha encontrado meu "site" na internet... expor minha vida pessoal aos colegas de trabalho, minhas fotos a quem quiser ver. É isso aí. Acho que depois de um certo tempo você deixa os grilos de lado e é isso mesmo que você é (eu, no caso). Eu gosto de escrever e pronto, o blog continua, não ligo. A vida é uma só e temos que seguir nossos sonhos e fazer o que a gente gosta. Eu adoro escrever no blog e para mim qualquer situação esquisita que eu já passei compensa. É quando recebo emails e mensagens com elogios, com verdadeiras confissões ou pedindo conselhos e opiniões de vida mesmo, não só de viagens, me sinto sei lá, tão lisonjeada. Vejo que estou conseguindo passar mesmo o que eu quero pois se voce sentiu confiança suficiente para parar, se abrir e escrever sua história pra mim, é porque alguma coisa eu fiz certo aqui. Como já dizia Walt Disney, de nada serve ser luz senão para iluminar o caminho dos demais. Pra mim o meu objetivo aqui não é ostentar a vida na Europa, viagens caras, marcas nem nada disso. É realmente registrar a minha trajetória. E que bom se em algum momento alguém se identificou comigo.

E nessa vida cheia de sonhos e realizações que eu me joguei de cabeça, há lindos dias, dias maravilhosos de sol e passeios realmente que são memoráveis. Os posts estão aí pra registrar isso. Seja porque conheci um lugar novo, uma cidade nova, um país novo, um restaurante legal, porque revi alguém que gosto, porque meu Alemão hoje tava melhor do que ontem. Realmente são dias super intensos os que eu vivo aqui. Uma leitora que me acompanha no Snapchat até disse que eu deveria escrever outro livro só sobre crônicas porque olha, daria uma novela. Mas há dias que..... olha, é pra rezar pra acabar logo...

Esses dias sempre existiram, os dias difíceis. Desde que morava no Brasil, aliás não importa aonde você esteja, e nem a época do ano. Você tem que saber o gosto amargo para apreciar o gostinho do doce. Hoje em dia eu não posso mais desejar não ter saído da cama porque com Edi... ne. Antes em dias assim eu dizia "queria não ter saído da cama hoje". De qualquer forma não dá pra ficar na cama o dia todo mais (ha-ha-ha, mas é). E mesmo assim com ele mesmo meus dias difíceis se tornam tão melhores mas ao mesmo tempo mais necessitados de detalhes e planejamentos infalíveis e todo o malabarismo que quem é mãe sabe. Claro, não sou mais só eu e o planejamento não é só mais só pra mim. Mas não é mito quando dizem que um sorriso faz tudo valer a pena. E como vale. Principalmente quando vem de um filho seu.

O sorriso do meu filho no final de um dia faz valer tudo a pena. Num dia quando por exemplo já de manhã cedo eu estou atrasada, porque ele mesmo, o Edi, está enjoadinho só querendo colo e eu não consigo me arrumar com ele no meu colo. Resultado: me atraso toda... Começar o dia assim não é legal. Deixa-lo na creche e mesmo ve-lo dando tchau pra mim sorrindo, imaginar que ele vai passar o dia fazendo coisas, brincando, descobrindo coisas novas, ou mesmo que vendo as mesmas coisas, eu não vou estar com ele. É melhor nem pensar muito porque é de partir o coração. É arrumar coragem, força e concentração pra ir trabalhar, porque é preciso.

Quando estava louca terminando de arrumar a mudança em Zurique pra voltar pra Berna, há pouco mais de um ano atrás, fui buscar Edi na creche no penúltimo dia de Zurique, e quando cheguei lá tava Edi com a boca mega inchada, sangrando, pois me disseram que tinha caído da cadeira. Dei um piti porque não me ligaram na hora que aconteceu e quando me acalmei fui com o Eric leva-lo ao hospital pra saber se tava tudo bem com ele. Era uma segunda-feira de noite e o hospital de criança tava cheião. Previsão de espera: 2 horas pra ser atendido. É, amigo, e voce achando que na Suíça era diferente.

Pior não foi a espera. Pior era além de eu ter passado o dia arrumando caixas e tralhas da mudança, não tínhamos (eu e o Eric) comido nada o dia inteiro, planejando ir pegar Edi na creche e irmos nós três comer em algum lugar depois. Ao invés disso, estávamos lá mortos de fome e cansaço no hospital. E pior ainda era o Eric dizendo que não era nada, que eu estava dando muita importância, que ele tava com fome e depois de reclamar muito foi embora e eu fiquei lá sozinha com Edi esperando ser atendida. Mãe não pode ter fome ne. Pai sai vai comer e tá tudo certo, mãe não. O Eric não voltou, se vocês querem saber. E o Edi, descobrimos na consulta, tinha quebrado uma parte do dente e tinha que fazer todo um procedimento pra mandar pro plano de saúde pra ficar registrado lá. Isso porque o Eric tinha dito que não devia ser nada.... Voltei pra casa mais de meia noite, botei Edi na cama e comi um pãozinho na cozinha.

Mas os dias difíceis não são só em relação a Edi e Eric não. É porque com criança as possibilidades de "aventuras" como essa do hospital são muito maiores ne. Mas tenho mil exemplos aqui de dias ruins. Imagine você que teve seu filho e ta ai cuidando dele praticamente só, e antes de ter seu filho voce tinha uma vida super agitada, saía pra lá e pra cá, fazia o que te dava na telha, etc etc etc. Voce não era irresponsável não, pelo contrário. Mas quando seu filho nasceu seu senso de responsabilidade aumentou ainda mais assim uns 200%. Aí uma amiga sua que sempre lhe chamava pra sair e tal, e você com seu filho nunca mais saiu a noite pras festas, e cá pra nós, não sinto falta. Mas num belo dia resolve aceitar o convite e começa toda uma logística de como sair, a que horas, articulações com a pessoa que vai cuidar do seu filho enquanto voce estiver fora, pra pouco antes da tal festa que voce nem queria muito ir, mas só pro "heck of it", voce manda uma mensagem pra sua amiga só pra confirmar que ela vai te deixar em casa de carro depois lá da festa, pra receber um ..."ahhh mas eu quero voltar tarde!" como um tapa na cara. Murchei assim como um balão afrouxando o ar de dentro dele e desisti de sair. Eu nem queria mesmo.

Talvez não tenha sido nem por mal a resposta da minha amiga, porque ela não viu, não ta aqui vendo toda a esquematização e logística de tudo pra conseguir me ausentar algumas hora "teoricamente" para relaxar. Deixa pra lá. Sou, sou exigente sim. Estou aprendendo a gerar menos expectativa tambem das pessoas. Acho que sou sim também meio perfeccionista, mas na minha vida aqui, se eu errar um triz, desencadeia a queda do dominó para vários lados e eu não posso me dar ao luxo. É puxado PRA CARAMBA, mas eu já disse aqui e repito: se fosse fácil não tinha graça. Há dias difíceis, de saudade, de pensar: o que eu to fazendo aqui? Dias de impulso que a maior vontade é arrumar as malas e ir embora sem olhar pra tras. Dias que eu não me encaixo em nada que vejo ao meu redor, que apenas enxergo coisas boas da minha vida no Brasil, que sinto falta da minha cultura, do meu idioma, dos meus amigos. Que o mais quero é um riso sem razão, um bom dia mais que educado, um bom dia de fato me desejando que eu tenha um bom dia, porque eu mereço, porque sim.

Dias que o bolo no forno queima, que você escorrega na neve lá fora, que seu salto quebra, que dá calro, que chega na parada do ônibus e vê que ele acabou de fechar a porta e partir, que o Alemão especificamente hoje que você ouve mais parece Grego e parece que todo o seu Alemão hoje exatamente hoje não quer sair direito. Dias que tá um frio do cão, que seu filho tem febre, que está chovendo e não dá pra ir passear com o cachorro, que o computador quebra e que só tem desgraça na TV. Dias que a febre não baixa, que a saudade não passa, e que as lágrimas são inevitáveis.

Dias que o que você mais precisa é de uma ligação, de um abraço, de uma presença, mesmo que só o que haja seja a ausência e o silêncio. Aqueles dias que você percebe que o que realmente você tem de valor, aqueles dias que voce cresce, que amadurece, e vê que não tem mais volta, que a partir dali você nunca mais será o que foi. Que não é questão de ser passional ou não, é questão de ser humana. De não se contentar com pouco, de não aceitar o que não está certo, de correr atrás do que deseja, do que sonha, do que almeja, mesmo vendo tantos obstáculos no caminho. Que se dá conta que nunca será de fato feliz, se jogar tudo pro alto e deixar apenas a vida levar, e fugir das decisões, das responsabilidades, que as dificuldades e os dias difíceis, por mais que doa dizer e admitir, são necessários, porque é na verdade isto que faz a vida valer a pena.

Embora tenha tido e continuo tendo dias difíceis, prefiro acreditar que a vida é isso. De que adianta uma vida só com coisas boas, mais cedo ou mais tarde perde o valor. Os dias nublados são necessários para que a volta dos dias de sol seja apreciada. Então pra voce que me acompanha e tem a impressão que tudo é sempre as mil maravilhas, tenho novidades: não é. Vou continuar postando fotos e posts de coisas que quero lembrar, registrar, mas sempre soube que as dificuldades sempre SEMPRE vão existir. Não importa aonde você esteja. Prefiro me manter positiva mas crescer, ser adulto, ter responsabilidades tem o seu peso,  e os dias difíceis vão aparecer. Mas quanto maior o peso, maior o gosto da vitória de cada batalha, de cada superação, de cada problema resolvido. A vitória na vida é uma coleção de batalhas, e elas nunca deixam de vir, enquanto voce viver. E eu como não nasci em berço de ouro, preciso ir a luta.

15 dezembro 2015

Berna: Kleine Schanze

Uma parte do centro antigo de Berna é meio que uma fortificação, onde fica o Parlamento Suíço. De um lado, a praça do Parlamento, que é inclusive onde acontecem vários eventos durante o ano, como o Rendez-vous que falei há alguns posts, e do outro lado, a vista para o Rio Aare e a fortificação em si. Fortificação em Alemão se fala Schanzen, e aqui em Berna essa fortificação é dividida em duas parte: Grosse Schanzen e Kleine Schanzen, isto é, a Grande Fortificação e a Pequena Fortificação. Hoje eu venho falar da área do Kleine Schanzen.
É no Kleine Schanze que está o monumento do Weltpost, isto é, do correio universal, isso, da União Postal Universal, a UPU, o órgão da ONU onde eu trabalhei assim que cheguei aqui na Suíça. Me lembro que é em Outubro o Weltposttag, o dia do correio mundial e tinha comemorações lá nessa praça onde nós funcionários tínhamos que estar presentes, com discursos dos chefões e até do prefeito de Berna.



Na prática para a população de Berna, o Kleine Schanze é uma praça do lado do Bundeshaus, aberta, que tem uma vista linda da fortificação para a cidade lá embaixo, o rio Aare, como já falei ante, o bairro de Matte, inclusive o Marzili, que já falei aqui no blog também. Nesta praça também tem um pequeno restaurante, o Park Cafe, que é bem requisitado principalmente no verão, pois a praça é bem frequentada durante o dia, as pessoas vão ali almoçar e comer brunch em dias ensolarados, aproveitar o parque. Principalmente porque é bem central, então muitos aproveitam como podem. Não precisa nem ir pro restaurante - que aliás no verão tem fila de espera - mas só em levar seu sanduíche, sua marmita, ou tomar um cafe e arrumar um lugar no sol no parque já está de bom tamanho.

A noite já ouvi dizer que o Kleine Schanze é ponto de encontro de dependentes de droga, ou pelo menos era na década de 90, onde a droga rolava solta mesmo. Mas não sei se hoje ainda é assim, acredito (espero) que não... mas eu mesma nunca estive lá a noite. Durante o dia está sempre limpinha, e nunca tive problema algum ali.

O Kleine Schanzen é um ótimo lugar para relaxar, para passear, respirar um pouco de ar puro e ver um pouco de verde, mesmo estando no meio da cidade, é um pequeno oasis, ponto de encontro e com uma ótima atmosfera.

Kleine Schanze
Bundesgasse 7
3011 Bern