18 novembro 2010

Assobia e chupa cana ao mesmo tempo

Li aqui que exames comparativos feitos com imagens de ressonância magnética - seja lá como isso é feito - leva a crer que nosso cérebro só consegue processar uma tarefa ao mesmo tempo, enquanto outras aguardam na fila. E quem então é multitarefa na verdade faz uma coisa pensando em outra e isto aumenta a margem de erros cometidos em comparação a pessoas que focam numa só atividade por vez.

Estou falando nisso porque com os últimos acontecimentos no meu trabalho, tomei uma atitude e estou muito perto de uma mudança. Com tanta coisa acontecendo, estou com mil pendências, fazendo as atividades do meu dia a dia, além de ocupar minha cabeça com especulações desnecessárias mas que não consigo espantá-las.

Ainda não posso falar muito disso aqui, mas quando puder, vou falar até não poder mais. Mesmo neste estado em que estou - overwhelmed - de intesidade de coisas fortes acontecendo e que podem se intensificar ainda mais, de possibilidades e incertezas, meu subconsciente ainda me atormenta no meu sono e me faz sonhar com as mais bizarras situações como a da noite passada, onde eu estava em Recife andando pela Rua do Sossego indo pro curso de Alemão no CCBA, como fiz em tantos sábados. Chegava lá, abria a porta da sala e de repente não era na sala onde eu entrava, eu estava aqui, na Suíça. Mas eu estava aqui assim do nada, de repente, com a saia jeans e blusa preta de alça que tinha vestido pra ir a aula de alemão com meus 22 anos, livros na mão, olhando pra tudo a minha volta de boca aberta sem saber de nada, sem reconhecer nada e me perguntando "cadê minha aula de alemão?". Senti um pânico tão intenso, tão desesperador..

Acordei no susto e agradeci a Deus por não ser verdade. Quer dizer, verdade é porque estou aqui, mas sei porque estou aqui. Estava na minha cama, no meu quarto, no apartamento que aluguei, quando vim pra cá, quando consegui meu emprego, quando terminei meu mestrado, quando estava em Recife, enfim, tinha uma cadeia de acontecimentos que eu conheço e eu sabia como tinha vindo parar aqui. Diferente do sonho que eu tinha ido pra aula de alemão num sábado de manhã e de repente estava na Suíça. Tipo cadê o meio da história?

Acho que assisti muito Being Erica e vi muitas portas sendo abertas e a Erica voltando ao seu passado pra consertar as coisas que fez errado. Mas no meu caso não voltei ao passado, abri a porta e pulei pro futuro. Como em Lost. É, assisti muito Lost também.

De qualquer forma, o que estou passando faz parte da preparação de mais uma mudança e como já dizia Clarice Lispector: não sei me entregar à desorientação. Tenho medo de viver o que não entendo, quero ter sempre a garantia de pelo menos estar pensando que entendo. Mas ao mesmo tempo, também me identifico quando Madonna cantou que tem medo de ficar, não de ir.

No meio dos meus medos, ansiedades e pesadelos, o que me atormenta é a incerteza de saber se o que estou fazendo é a melhor coisa que eu de fato poderia fazer no momento. A melhor alternativa. É o peso de tomar decisões e arcar com as consequências e trocar o certo pelo duvidoso. Um momento de "crise" como este é um prato cheio pra explodir de stress, cair cabelo, ressecar pele, comer até se acabar e perder as rédeas da situação. Fazer tudo ao mesmo tempo e na verdade fazer tudo mal feito e não conseguir nada. É verdade. Muita calma nessa hora porque também sabemos que é na crise quando se aflora o melhor de cada um. É preciso se recompor dos surtos e perceber que é na crise que aparecem oportunidades, que o terreno fica fértil para melhorias e é preciso muito pé no chão pra não terminar colocando a carroça na frente dos bois, por tudo a perder e o que poderia ser uma grande e boa mudança​ torna-​se uma cilada desconhecida e difícil de lidar lá na frente.

Já vivi tanta coisa nessa vida que se eu contar você não acredita. Nas minhas vivências, descobri minhas virtudes e o tamanho da minha força. Arquei com cada e toda consequência das decisões que tomei até hoje. Me proponho a mais uma e admito: não sou de ferro, sinto ansiedade, insegurança, medo, aflição, mas o que me move e o que me motiva a engrenar é exatamente o contrário. É a garra, as possibilidades de dar certo, a luta e as batalhas que são cada etapa, a conquista, o dinamismo, o crescimento, o aprendizado e a superação, a contínua busca pelo melhor.

Me rendo. Mergulho. Me entrego. Se puder, assobio e chupo cana ao mesmo tempo, é verdade. Mas quero fazer direito. Então preciso parar, respirar e pensar pra não agir na afobação e agir errado. Aí fuçando a internet achei vários artigos sobre organização de tempo e tarefas, calmaria do stress e maneiras de baixar a poeira mais suavemente. Acho que muito do que se lê por aí é bla bla bla e perda de tempo. A organização só depende única e exclusivamente da força de vontade de cada um. Mas lendo este artigo​, terminei criando uma lista bem alto nível mas que se aplica à minha situação, adaptada da que tem l​á com pontos que vão me ajudar no​ meu "momento de crise":
1. Estar clara no que eu estou tentando alcançar.
2. Reservar tempo para planejar.
3. Listar o que tenho a fazer e estipular datas.
4. Enumerar cada item com sua prioridade.
5. Fazer um item de cada vez. Não começar uma coisa sem ter terminado a outra, se ainda depender de mim.
6. Resolver os itens de maior prioridade primeiro.
7. Tentar ficar imune a interrupções.
8. Não assumir o que não posso cumprir.
9. Planejar lazer para nutrir a alma.
10. Otimizar tudo isso com o tempo disponível que eu tenho.

Antes de tudo não sou control freak, ta. Talvez só um pouco de vem em quando, quando precisa. E​m breve destrincho os tópicos e vou esclarecendo o desenrolar do negócio. Por enquanto, o melhor que eu faço é dar conta do que eu tenho pra fazer e tirar uma boa nota na minha prova de francês, conseguir encerrar o ano bem no trabalho, cumprir minhas atividades lá, participar das festas de fim de ano, cativar minhas amizades por aqui, ter coragem pra encarar o dentista de novo​, manter minha casa limpa e arrumada, minha roupa lavada e cheirosa, meu cachorro feliz e contente​, levar meus planos de viagens a cabo,​ e me preparar pro inverno dentre outras coisitas mais.

10 comentários:

  1. Normalmente quando eu enumero e paro pra pensar nas minhas prioridades é quando eu deveria estar dormindo e descançando a minha mente. Eu tenho a impressão algumas vezes que a minha mãe não descança nunca.

    Sabe aquela coisa de pare por 1 min e limpe a sua mente? Eu não consigo limpar nunca.

    Não consigo cumprir metas simples de coisas que eu planejo fazer durante o dia, que dirá no mês ou no ano. Apesar de me policias, eu acho que nenhuma das tecnicas que usei foi eficiente. E da-lhe nervosismo, cabelo caindo, anciedade...

    Bem espero que você consiga atigir o planejado.

    beijao

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  2. tô besta. ou vc é louca ou a louca sou eu, pq eu faço td de forma extremamente contraria à sua! heheheh

    ta, assumo que ja fui como você, mas cansei. cheguei em um ponto onde vi que quem controla td nao somos nos, esta longe de ser.

    a gente corre corre corre...atras do que? se o que importa esta aqui, hoje, agora??? aprendi, com muito custo, a parar de fazer listas e de planejar. a acreditar mais no destino, em Deus, em mim.

    o raciocinio é bem simples na verdade:
    sou uma pessoa boa, que tenta diariamente fazer bem aos outros, então as coisas vão dar certo pra mim. simples assim, pq eu mereço.

    sei que perto da sua teoria, parece bobagem. mas acredite liana, não é. eu ja morri e ja nasci de novo, so pra poder ver que eu tava vivendo tudo errado.

    hoje eu sei que preciso terminar meu curso de francês, pra no ano que vem, quem sabe, fazer o de gastronomia. nao faço planos a longo prazo, vivo intensamente cada um dos meus dias e saiba: sou a mulher mais feliz do mundo!!!!!

    desacelera menina, a vida é AGORA!
    :D

    e lembre-se: temos o poder de controlar o que queremos nas nossas vidas. as pessoas e tb os problemas, não deixe entrar o que não te faz bem. controle, jogue fora, bota pra correr!!!!! não é facil, mas quando a gente aprende, uhuuu, vale a pena!

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  3. Olá Liana
    Pelo visto, você tem que dar conta de poucas coisas, não é, mesmo?
    Após citar umas 10 você ainda tem que se preparar para o inverno. É mole ou precisa mais?
    O importante nisto tudo, nesta situação que você está vivendo, que não tenho a mínima ideia qual seja, é que mantenha a calma, e pese bem tudo, e decida pela escolha mais acertada para sua vida.
    Fique bem!!
    Bjos

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  4. Ao contrário do que lhe foi aconselhado, não acredito em destino, a nossa vida é o resultado de nossas escolhas, ou seja tomada de decisão, para isso, informações, clareza e planejamento fazem parte do processo. Vá em frente, liste, pense e repense pois aqui se faz e aqui se paga, ou seja, o que decidimos e escolhemos é o nosso futuro e o que vamos viver amanhã , por isso é preciso fazer bem feito pois a vida não se acaba numa virada de página. Bjs. Mãe.

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  5. Nossa Liana, somos mesmo bem diferentes! Por outro lado, você é muito parecida com o meu namorado, rsrsrsrs.

    Eu não sei planejar nada, nem colocar datas (por isso não emagreço, entre outras coisas). E admiro quem sabe planejar. Por outro lado, já discuti com meu namorado x vezes que nem tudo na vida a gente pode planejar...Muitas coisas acontecem independentemente da gente querer ou não (pode chamar de destino se quiser).

    Sou daquelas pessoas emotivas e impulsivas (mas melhorei muito com os anos porque a gente aprende). O que me falta é disciplina e ambição. Duas coisas que você parece ter de sobra!

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  6. Lendo o comentário da sua mãe vi que vocês são bem parecidas! Agora entendi melhor. Com um modelo de planejamento em casa, fica mais fácil.

    Na minha casa nunca teve ninguém assim, nem mãe nem pai. Minha mãe era como eu, ou melhor - eu puxei a ela, né?

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  7. Pois é Beth, como já disse aqui no blog, eu também já fui muito mais impulsiva e imediatista um dia. Com o tempo a gente aprende que simplesmente não dá pra ser sempre assim. O mundo real e as coisas não dependem só de destino. É claro que tb não dá pra planejar tudo e ser controladora de tudo que acontece. É preciso encontrar um equilíbrio entre as duas coisas e é isso que eu procuro fazer nas situações de emergência, crise, surtos.
    Minha mãe tomou decisões diferentes das minhas na vida dela, mas é muito inteligente e sabe de muita coisa. Agradeço muito por eu conseguir parar e pensar quando ela fala, porque ela sabe do que está falando.
    E até agora tem dado certo, então só preciso manter o balanço das coisas.
    E que bom que somos diferentes, porque que chato seria o mundo se fôssemos todos iguais ne!

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  8. Bom, se isso é certo ou errado eu não sei, se é a melhor maneira de viver a vida, também não sei, mas só sei que na minha vida, não consigo fazer nada sem planejamento, sem ponderar, sem antes pensar muito, duvidar, perder noites de sono, etc.
    Mas em contrapartida, raramente me arrependo de uma decisão tomada, mesmo que não tenha saído como o planejado.
    Eu acho que plantamos o que colhemos, e as nossas decisões de hoje terão um peso enorme no nosso futuro; até porque, infelizmente não somos mais crianças...

    Acho que vc está no caminho certo!

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  9. Que as mudanças que te satisfazem cheguem logo. O melhor sempre é saber o que se quer, o que é preciso para alcançar e a forças que vc vai precisar ter. eu nem vou me alongar na conversa, pq to numa fase reflexiva tb... vou acabar escrevendo um livro. ;)

    Bjs

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  10. Como bem disse a Line: Eu acho que plantamos o que colhemos, e as nossas decisões de hoje terão um peso enorme no nosso futuro.

    Este foi e continua sendo meu maior problema. E digo mais, as decisões mais importantes de nossas vidas tomamos por volta dos 30 anos. Não me refiro somente a carreia, mas filhos, casamento, etc.

    Prestes a completar 45 anos (sou beeeeeeeeeeem mais velha do que você), queria poder voltar atrás e mudar um coisinha ou outra. Por outro lado, não adianta chorar o leite derramado.

    Para frente é que se anda!

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