23 novembro 2010

Futuro do Pretérito

Há um ano atrás, a segunda-feira tinha tudo pra ser um dia comum de trabalho... mas não foi.
Há um ano atrás, eu escrevi isto:

Futuro do Pretérito

Conheci um rapaz meio sério que não me dava nem bom dia nem me dirigia o olhar nas primeiras vezes que o vi, apesar de ter aberto a porta do corredor pra mim uma vez. Não fomos apresentados logo. Quando eu cheguei, ele estava de férias e quando voltou simplesmente ninguém nos apresentou. Ele não tinha muitos amigos. Os meses foram passando, nos cruzávamos no corredor de vez em quando, e eu sempre esperava o olhar dele, mas ele era resistente. Passou mais um tempo e ele ficou ausente, não sei, achei que estivesse de férias de novo. Até que um dia numa reunião semanal, fomos todos informados que ele, ele mesmo, estava internado numa clínica para depressivos. Estava longe de casa há 7 anos e pelo jeito não tinha conseguido se adaptar muito bem assim, estava tendo problemas. E problemas da cabeça tem que tratar. Semanas depois fiquei sabendo que ele já estava em casa, sendo ajudado por um amigo, mas ainda não estava indo trabalhar. O gerente dele me convidou a um jantar num domingo na casa dele, disse que ia convidá-lo também, e eu - nas palavras dele - poderia compartilhar um pouco minha alegria com ele e fazê-lo se distrair dos pensamentos ruins que insistiam em invadir sua cabeça. Aceitei na mesma hora.

Antes de acontecer o jantar, fui à sala dele, no trabalho, e desisti de esperar alguém nos apresentar. Disse que era eu a pessoa que ia jantar com ele, com o chefe dele e a esposa no domingo. Ele apertou minha mão e só disse "prazer em conhecê-la". Mais dias passaram e naquela semana, na semana do jantar, eu tive uma crise de torcicolo como jamais vista, me mexia feito um robô. Não trabalhei quinta a tarde nem sexta o dia inteiro. O jantar era domingo próximo. Eu estava tão mal que cancelei compromissos da sexta, do sábado, mas o do domingo eu não cancelei. Não podia. Queria ir mesmo com a tal dor no pescoço.

Passei o fim de semana em casa com bolsa de água quente no pescoço, passando Perskindol e tomando anti-inflamatório. No domingo, meu pescoço ainda não estava bom, e chovia muito, mas eu não deixei de ir ao jantar. Marcamos de nos encontrar e de lá fomos à casa do chefe. Lá, estava a esposa e a bebê. Sentei no sofá, na outra poltrona sentou ele, o chefe foi fazer churrasco lá fora aproveitando que a chuva tinha dado uma trégua. E ficamos na sala conversando e brincando com a bebê. Fizemos perguntas de praxe um ao outro. O vi sorrir, ouvi sua voz e fiquei feliz de estar ali.

Sentamos à mesa, jantamos carne de cavalo, de vitello e de vaca com batatas e salada. Comemos muito, comemos uma torta de chocolate de sobremesa. Permanecemos sentados à mesa por horas, conversamos sobre tudo, e de vez em quando ele fazia confissões que estava melhor e me parecia uma pessoa normal, afinal quem não tem problemas? De volta ao trabalho, cruzei com ele algumas vezes, ele só estava trabalhando meio expediente, e na semana passada, na sala dele, dei de cara com uma caixona de biscoitos prussiens com açúcar que eram uma de-lí-cia. Me disseram que tinha sido ele que havia trazido pra todo mundo e deixou ali pra quem quisesse. pegar Roubei vários biscoitos durante dias e na quinta-feira falei com ele que aqueles biscoitos eram muito bons. Ele me disse que estavam em promoção no Coop aqui do lado. Na sexta-feira, saí do trabalho e passei lá, só tinha o último pacote do mesmo biscoito, ainda na promoção, na prateleira e eu levei. Cheguei em casa, abri na mesma hora e comi mais uns. Comi no sábado, comi no domingo. Na segunda-feira, levei ainda o pacote pro trabalho pra compartilhar com meus colegas de sala, assim como ele havia feito, e planejava ir lá brincar com ele e dizer que estava o imitando. Mas, infelizmente, naquela segunda-feira cinzenta e fria, a mesa dele estava vazia.... E não ia mais ser ocupada por ele, pois ele já não estava mais entre nós....

Respirei rápido. Fiquei muito perturbada. Não consegui me conter.... Rebobinei os momentos que o vi me ignorando nos corredores e depois um rapaz tão doce tentando sobreviver nesse mundo confuso e conturbado. Não me aguentei, chorei muito. Constatei que aquele domingo, aquele fim de semana do jantar na casa do chefe, tinha sido seu último fim de semana vivo. Seus últimos sorrisos e suas últimas refeições. Fui uma das últimas pessoas que ele conheceu.

Sei que não é minha culpa mas não deixo de pensar que talvez se eu tivesse o mantido ocupado no fim de semana seguinte, ele tivesse sobrevivido a mais uma semana. E a cada semana talvez tivesse mais tempo para curar suas perturbações, seus medos e inseguranças, suas tristezas e sensações ruins. Talvez se eu tivesse perguntado o que ele ia fazer no próximo fim de semana e o tivesse encontrado, talvez aquilo o tivesse impedido de acabar com a própria vida. Talvez se eu tivesse tirado uma foto, talvez aquela foto espantasse o sentimento amedrontador de que ele estava só nesse mundo, e tivesse mais paciência pra ver o que ainda teria pra acontecer mais adiante em sua vida. Talvez se eu não tivesse esperado até sexta-feira pra comprar o biscoito, teria dado tempo pra ele ver que eu fiz o mesmo que ele fez para com seus colegas de trabalho, que eu "aprendi" aquilo com ele e que ele tinha coisas valiosas pra mostrar, pra ensinar. Sei lá... 

Mas ele não esperou. E eu? E agora como é que eu fico? Bem, eu vou respirar fundo e tentar continuar. Mantê-lo na lembrança e aprender alguma coisa com isso. Lembrar dos meus próprios momentos de fraqueza. Eu? Eu vou dar valor por não ter jogado tudo pro alto quando as dificuldades apareceram, por ter continuado, por ter tentado, por estar ainda tentando e suportando as indiferenças, as injustiças, o não certo. Por ter sido forte, coisa que ele não foi. Eu? Eu vou esperar que ele tenha partido pra outro mundo mais calmo que este, mais terno e menos cheio de turbulências que podem fazer um ir à loucura a ponto de acabar com a própria vida, quanta coragem... Eu? Eu vou rezar. Porque me conforta e tenho fé que o conforte também. Eu vou me esforçar pra aprender com isto. Eu? Eu vou viver! Viva! Uma próxima oportunidade pode não chegar, e o momento poderá ter sido perdido para sempre.


Dedicado a Craig Peirson.

19 comentários:

  1. Menina...Foi uma experiência e tanto. Acho que pra muita gente.
    E a gente nunca sabe o que pode ou o que nao pode fazer na (ou proporciona a) vida das pessoas.
    Mas, é isso mesmo: viver e aproveitar as oportunidades.
    BJs!

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  2. Oie Liana, lindo o seu post, realmente muito triste o que aconteceu, eu nunca vou entender o suicidio, nunca vou entender como as pessoas veem isso como última solução para os problemas. Essa semana escrevi um post fazendo um paradoxo entre países "felizes" e suicidio. Países no ranking da felicidade também são países onde muitas pessoas cometem suicidio por se sentirem infelizes, depressivas, sozinhas.

    Aqui no Brasil, não temos muito contato com esse tipo de situação e não saberia lidar com isso. Realmente muito triste.

    Meus sentimentos pela perda do seu amigo.

    Beijos

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  3. Liana, se isso te serve de consolo: quando a pessoas esta com a quimica do cerebro desequilibrada (por predisposicao genetica combinada com um meio ambiente baixo astral, nutricao defeituosa e outros fatores) nao ha muito que vc possa fazer. Nao e' uma questao da pessoa "nao saber mudar o pensamento", "ser covarde", "nao ter muitos amigos", etc. O tratamento e' brabeira, feito a base de psicanalise e medicamentos. Um inferno. Tive parentes assim. Um ator se matou recentemente na Holanda, no auge da beleza e sucesso, com bom casamento, filhos lindos, reconhecimento de publico e critica, amigos. Estava no teatro 4 dias por semana com uma peca de sucesso, e se sentindo cada vez mais triste, comendo pouco, apatico. Durante o espaco de um ano decaiu fisicamente e mentalmente ate que se matou.

    Leve sua vida adiante e nao remoa nada ! A morte nao existe e o Craig certamente esta em tratamento.

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  4. Que triste, Liana... De onde era esse rapaz? Eu nao consigo entender uma tristeza que chegue a esse ponto... E agradeço todos os dias por ser brasileira...
    Parabéns pelo texto! Lindo...
    Beijos

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  5. que triste - e eu sei que esse "sentimento de culpa" nao e racional, que voce sabe que na verdade nao poderia ter feito nada para impedir que ele se fosse.
    A verdade e que ninguem, alem dele mesmo poderia ter impedido o que aconteceu.
    E que bom que voce trouxe alegria para o penultimo fim de semana dele. Se voce nao tivesse la, talvez aquele tivesse sido o ultimo.

    Bjs

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  6. Incrivelmente lindo o post, muito lindo.
    É realmente triste quando alguém tira sua própria vida achando que irá acabar com os problemas, pelo contrário.
    Enfim, espero que isso sirva de lição não só pra você mas pra todos que irão ler isso.
    Beijos

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  7. Pois é gente, como eu disse, eu também acho que independente se eu tivesse de fato o chamado pra fazer alguma coisa no fim de semana e o mantido ocupado, estava fora do meu controle.

    Ele era inglês e morava aqui há muitos anos. A primeira vista, parecia antipático e grosso. Mas não era. Era só a máscara. Sinto muitíssimo a perda dele e como tudo aconteceu. Mesmo tendo o conhecido pouco. Pois no último fim de semana estávamos lá jantando juntos. Eu e o chefe dele tentando fazer alguma coisa. Sei lá... me marcou muito isso aqui.

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  8. nao acho que ele seja covarde. nao nos acho mais corajosas que ele, nao mesmo. acho que é preciso muito mais peito pra pôr fim à propria vida do que pra continuar vivendo. as pessoas que conseguiram merecem o meu respeito. so estando nos sapatos delas para saber o tamanho da coragem...

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  9. Bom, eu já tive duas depressões diagnosticadas e tratadas aqui na Holanda (medicamento e terapia) e vou discordar de você quando disse que era mais forte que ele. A primeira foi no Brasil e infelizmente não foi tratada.

    Você não é mais forte - você é uma pessoa sau-dá-vel. As pessoas não sabem o que é depressão. Depressão não é fraqueza, é doença mental.

    Falo por experiência própria. Já sofri muito, já li muito sobre o assunto, minha mãe era depressiva e há um forte fator genético. Eu tive uma depressão pós-parto à beira de uma psicose e tomo antidepressivos até hoje.

    Então entendo muito bem o que ele passou e posso te dizer que você não teria feito diferença alguma. Simplesmente porque o buraco é (muito) mais embaixo. Como a Anita bem citou, trata-se de um desequilíbrio químico no cérebro e assim sendo, deve ser tratado com medicamentos (assim como se trata a diabetes).

    No mais, não se sinta culpada, agradeça a Deus por ter sido poupada desta doença...o mal do século.

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  10. Ei Liana
    Muito triste este episódio. Depressão é uma doença terrível, já presenciei em uma amiga, e é de apavorar.
    Que este rapaz descanse em paz.
    bjos

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  11. Gente, eu não o chamei de covarde nem disse que depressão é fraqueza. Epa epa epa! Não quero levantar polêmica.
    Escrevi o que se passou comigo nesse episódio.
    Nunca tive depressão e não sei detalhes da doença. E não sei detalhes do que se passou com ele.
    O que disse quando escrevi que ele não foi forte, foi achar que o suicídio era a melhor saída para acabar com seu sofrimento. Eu posso não saber muita coisa de depressão mas estou convencida que acabar com a própria vida não é a saída. Ser forte pra mim é continuar, lutar e sobreviver. Tirar a própria vida é muita coragem, mas não é ser forte.

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  12. Em um ano perdi duas pessoas do mesmo jeito. O mais recente há poucas semanas. É uma dor sem igual. Não consigo entender. É perturbador. Mas, não se culpe! E viva, viva mesmo! Porque por mais difícil que seja, viver é uma dádiva. Beijos

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  13. Liana, fiquei impressionada e triste com teu relato. O que me choca é exatamente esta coragem de tirar a própria vida. Por que esta mesma coragem não é usada para continuar a lutar, a encontrar uma saída? Meu Deus, nem imagino o tamanho do desespero e da tristeza que sente alguém que chega a este ponto. Mas como as meninas bem disseram, está fora do controle de quem sente e de quem vê. Só o tratamento e o acompanhamento psiquiátrico podem ajudar. Porém entendo teu sentimento. Eu sentiria igual.
    Beijos!

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  14. Liana,
    Que post mais triste, coitado desse rapaz. Quando comecei a ler o post, já sabia qual seria o final dele, infelizmente.
    Olha, eu me tratei de depressão no Brasil por vários anos. Minha mãe também se tratou e deveria ter continuado o tratamento, mas insiste em dizer que “está muito bem, obrigada”.
    Há pouco tempo reiniciei meu tratamento aqui na Holanda. Se é que posso chamar uma ida ao médico a cada dois meses de tratamento. Tomo remédio que me ajuda a dormir e que me fez engordar 4kg, rs. Muitas vezes vou pra cama super cedo, mas fico lá acordada, pensando, pensando, meu cérebro não pára um minuto sequer, trabalha como uma máquina, e isso me deixa cansada e sem energias pra reiniciar o próximo dia bem. E quando a crise vem, e às vezes ela chega sem avisar, é difícil demais de controlar! E nessas horas nada mais conta, nada mais tem valor, nada mais tem importância. Você não pensa nos seus amigos, na sua família, nas suas férias, nas suas viagens, na sua poupança…tudo que você quer é que esse sofrimento passé o mais rápido possível. Essas crises ainda me dominam de vez em quando, elas são mais fortes do que eu. Eu sofro, P. sofre porque não sabe como me ajudar, enfim, é triste. Aí eu olho pra trás e vejo tudo que minha mãe passou com a depressão dela, um estado depressivo permanente, e isso me dá forças pra tentar não ser igual a ela, não passar pelas mesmas coisas que ela passou. Mas às vezes a depressão te dá uma impressão de estar remando contra a mare, de estar afundando em areia movediça, e quanto mais você faz pra se livrar dela, mais ela se manifesta na sua vida de várias outras maneiras. Eu me policio, tomo medicamentos, vou à academia, yoga, tudo isso pra me manter ocupada e manter meu corpo saudável.
    Muitas pessoas (sei que esse não é o seu caso) ainda acham que depressão é um estado de espírito. Queria eu que fosse apenas isso, mas depressão é uma patologia que, assim como todas as outras, deve ser tratada adequadamente.
    Ufa! Desculpe o post enorme! rs

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  15. Oi Liana, adoro sua forma de escrever. Parabéns. Ter depressão e ter alguém querido que se matou são dores fundas na nossa alma, mas não existe dor que não passe ou ao menos não seja amenizada. Acredito muito no tratamento médico/psicologico e mais ainda em Deus e anjos que nos ajudam e protegem (na medida do possível, pois temos o livre arbitreo). Não sei se vc tem religião ou alguma crença, mas eu sempre coloco essas pessoas em minhas preces e penso que eu fiz o que podia por elas. como foi dito: Leve sua vida adiante e nao remoa nada ! A morte nao existe e o Craig certamente esta em tratamento. Um super abraço e obrigada por dividir isso. Jamile

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  16. eu acredito cegamente na verdade de que "nada acontece por acaso". esse "encontrou" deu-se na vida de vocês por algum motivo (não duvide disso), mesmo que hoje você não saiba exatamente o porquê disso ter acontecido, a razão existe.

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  17. Eu me lembro de como isso lhe abalou na sua fase de adaptação. O inverno estava apenas começando.O cinzento do céu daqueles dias de inverno que apenas anunciava a sua chegada não lhe caía bem,e você desmoronou com a partida brusca desse colega que acentuou ainda mais esse cenário estranho que você estava começando a vivenciar.Por isso lhe marcou tanto. Bjs filha.

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  18. Liana,
    Sinto muito pelo seu colega Craig...
    O mundo às vezes é demasiadamente hostil, mas como você bem mencionou, a fé, os amigos, a família... tudo isto nos ajuda a navegar sem afundar.
    Abraço,
    Márcia

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  19. Infelizmente a gente não pode segurar a vida do outro nem mais um dia, nem uma semana, infelizmente nem com a nossa vida podemos fazer isso, então não se culpe, não pense nos 'se'.
    Depressão é uma doenca muito grave, e a dele parece ter sido muito profunda, já que até em clínica ele foi parar, e acredito que quem vai cometer suicídio acaba cometendo, mais cedo ou mais tarde, e talvez os dias que viva depois do momento que tomou essa decisão não sejam mais de vida, mas de angústia pensando nisso e tomando coragem pra fazer. Muito complicado.
    Quando eu era adolescente estávamos em uma festa de padroeira de uma cidade do interior, e tinha um rapaz que eu e minhas amigas tínhamos uma amizade de férias com ele, já que ele não morava ali, e no domingo, encerramento da festa e hora de voltar pra vida real (estudos, casa, amigos, ...) ele saiu da festa, foi pra casa e tirou a própria vida. Fiquei uns dias analisando se eu ou outra pessoa tinha dito algo que o magoou pra que ele fizesse isso, ou que talvez pudesse ter dito de positivo para evitar, mas depois caiu a ficha que eu ou minhas amigas não contávamos em nada numa decisão tão séria, ele já ia fazer, só estava esperando o momento, e infelizmente foi naquele final de semana depois de termos contato com ele durante uma semana de festa.

    As vidas seguem.

    Beijo

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