25 abril 2011

1 ano sem pisar no Brasil

Esta semana está fazendo um ano da última vez que fui ao Brasil. Nunca passei tanto tempo sem ir ao meu país e isso tem razões e consequências.

Queria muito ter ido passar o Natal com minha família, mas por eu ter mudado de emprego, o Natal foi no meio do processo de tramitação da minha permissão no Ministério do Trabalho Suíço, quando ainda não estava certo se eu teria que voltar ao Brasil e receber minha permissão lá, ou se precisaria de qualquer coisa daqui e que talvez precisasse da minha presença aqui nesse meio tempo. Enfim.

Passou Natal, passou Ano Novo, depois de um ano longo de tantos acontecimentos marcantes e tantos planos e expectativas pra essa troca de emprego que implicaria na minha permanência na Suíça; fui ficando por aqui e depois de tudo, no final, deu tudo certo e aqui estou eu completando aniversário de tempo longe do BR.

Sem dúvida isso me traz consequências, primeiro por estar longe de onde eu vim, mesmo já tendo rodado tanto nesse mundo, e depois por ter passado esse tempo aqui, na Suíça. Será que estou sendo cada vez menos "brasileira" porque estou tanto tempo - e cada vez mais tempo - longe do Brasil?

Muita coisa mudou e eu sinto que não sou mais a mesma pessoa. Claro, Lulu Santos já disse: tudo muda o tempo todo, mas eu bem me lembro também nas aulas de Filosofia das discussões sobre as teorias de Parmênides x Heráclito, e às vezes encontro ali fundamentos quando ainda acho que no fundo sou a mesminha. Mas se penso demais, fico ainda mais confusa.

O que mudou? Oh... tantas coisas... acho que sou mais quieta do que antes. Influência desse povo suíço um tanto quanto reservado, frio, mas com a cabeça sem parar de funcionar um segundo, tão centrados, inteligentes e corretos. Talvez isso me deixe mais arisca pras coisas também: falar menos, pensar mais. Mas aí meu pai, que já não está mais nesse mundo há quase 13 anos, pra vc ver como faz tempo, já me dizia que eu era já: arisca. E aí, sou a mesma ou não?

Ao mesmo tempo, é natural essa mudança, essa evolução, amadurecer sempre mais com o passar do tempo, independente de onde esteja. Veja, eu não estou falando de costumes e hábitos. Isso aí hoje tenho vários novos e com certeza são todos influências de onde eu moro e da vida que eu levo aqui. Mas o que me faz pensar é na eterna essência, no trabalho contínuo de construção de caráter, nas influências de uma personalidade, que que esse um ano sem ir no Brasil impacta sobre mim, sabe como é? Ou deixa de impactar, talvez...

Fui a Itália nesta Páscoa e já passei a comparar algumas coisas que via lá com a Suíça, como se a Suíça fosse agora o que eu chamo de casa, porque de alguma forma é, é aqui que eu moro e é aqui que passo meus dias, minhas semanas, há quase 2 anos. Como seria então se quando eu for ao Brasil de novo? O que eu vou estranhar, o que eu não vou gostar, o que eu vou reconhecer como meu, o que vai me encher os olhos d´água?

Não é que eu me preocupe com isso, estou aqui por escolha minha e ter tido que ficar tanto tempo sem ir lá foi preciso devido às circunstâncias e o modo como tudo aconteceu na época que eu queria e podia ter ido. Se eu tivesse podido, eu teria ido. Agora não sei quando irei de novo. Enquanto isso, eu continuo por aqui, mudando. Ou não.

9 comentários:

  1. Oi Liana,

    Nao se preocupe... claro que voce vai estranhar um pouco, mas depois de um tempo vc se acostuma novamente e qdo voltar a Suica vai sentir diferenca tambem. rs Eh engracado, eu sei. E comigo sempre acontece assim.

    Tambem penso muito sobre o que vc falou sobre mudanca de comportamento... as vezes eu nao sei se mudei tanto porque nao moro no Brasil ou porque estou mais velha. Nao consigo decidir sobre isso. Hoje sou bem mais reservada e quieta do que eu era antes, mas e ai? Idade ou falta de "brasilidade"? Vai entender...

    Bjs

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  2. É como vc disse, as pessoas mudam independente de onde elas estejam, é parte da evolução do ser humano. Só não acho um ano muito tempo. Vc escolheu construir sua vida na Suíça e precisa estar centrada nisso. Brasil continuará sendo Brasil e vc uma brasileira que gosta dele. Qdo voltar (se voltar), vc continuará se reconhecendo como brasileira.
    Bjs!

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  3. É tão interessante perceber as mudanças pelas quais passamos. Acho que essa é a maior riqueza que a vida em um país diferente do nosso nos dá: o amadurecimento e o conhecimento que levaríamos anos pra consegur na nossa terra ou então, nem conseguiríamos.

    Eu não sei se aguentarei ficar um ano sem ir ao Brasil,não pelo Brasil em si, mas pelo bem maior que eu tenho na vida e que está lá: meus pais. Sua mãe lhe visitou e tenho ceretza que isso ajudou muito na saudade. Eu, bem, eu dificilemnte terei meus pais aqui pq ambos têm pânico de avião.

    beijos

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  4. O seu texto é a expressão do seu sentimento por se sentir longe de suas raízes por tanto tempo. É, a Suiça é a sua casa, sem dúvida, e viver contemplando os alpes, usufruindo de um meio de tansporte coletivo de 1a categoria, poder aprender outros idiomas e viver com qualidade gera impactos sim, que vão refletir em você pro resto da vida e é isso que você está chamando de "mudança". Se Maomé não pode ir à montanha, a montanha vai Maomé, por isso que eu fui ai te visitar :) Bjs. mãe

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  5. A diferença é que vc se torna cidadã do mundo, e vai se sentir bem aonde estiver. Tb acho que um ano não é muito, eu quando fiquei um ano na europa eu ainda pensava como brasileira, agora sei usar cada tipo de 'chapéu' onde estou, se é que vc me entende!!!
    Abraços

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  6. Acho que todas nós que moramos fora (por um bom tempo) passamos por isso. A vida é bem diferente no exterior. Algumas coisas são mais faceis (transporte público, por exemplo) outras muito mais difíceis (ter que tomar conta da casa sozinha, pq faxineira é CARO!) Isso faz com que a gente cresça e amadureça. E bem ou mal, estando longe da família, aprendemos a ser mais "auto-sustentáveis," sabe? Infelizmente (ou seria felizmente?!), acho que quanto mais tempo a gente mora longe, mas fica difícil se adaptar na volta...uma coisa é voltar de férias, no oba oba de ver a família no Natal. Outra coisa é realmente voltar para morar...isso vai ficando cada vez mais difícil...Porém, uma das vantagens de morar fora é aprender a adaptar. E se você conseguiu adaptar a uma vida nova, nada impede que um dia, você se adapte a "outra" vida nova (ou quem sabe até a "vida antiga" rsrsrsrsr)
    Beijinhos!

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  7. Voltar a morar no Brasil não me passa pela cabeça nem tão cedo. Falo de visitar.

    É como foi dito aqui: menos brasilidade, mais cidadã do mundo, tb mais madura.

    Mas é mto bom saber que toda expatriada sente mais ou menos a mesma coisa :)

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  8. Eu acho que se tivesse morando no Brasil ou invés dos lugares onde passei, teria mudado, mas provavelmente mais devagar e em uma direção diferente...

    Acho que o máximo que já passei sem ao menos ir visitar o BR foram os 11 meses direto na Suíça, e ai foi o país que até hoje morei mais tempo.

    O importante é que vc está feliz por ai, e as coisas dão certo!

    bjs

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  9. Acredito que morar fora do nosso país de origem provoca meio que um amadurecimento acelerado e no caso, sair do Brasil pra um país bem mais civilizado acelera ainda mais esse processo, o que é extremamente positivo. Associado a isso, o próprio envelhecimento nos causa profundas mudanças e nos transforma em pessoas bem diferentes e muitas vezes bem melhores do que eramos. No seu caso, pode ser essa combinaçao que te causa tal sentimento, o que importa mesmo é gostares da pessoa que és hoje com toda a bagagem que adquiriste na tua jornada e nao se preocupar muito se te sentes mais suiça do que brasileira ou vice-versa. Na verdade, como foi dito acima, te tornaste uma cidadã do mundo, e isso é simplesmente fantástico!
    Gosto muito de acompanhar o teu blog Liana, pra mim tirar alguns minutos pra fazer mini viagens pela Europa sem sair de casa! :)

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