Em suma, na minha opinião, foi uma experiência muito, mas muito positiva e enriquecedora mesmo. Não tô querendo me gabar nem justificar nada não, mas acho que toda mulher que curte viajar deveria, ou melhor, merecia embarcar numa viagem solo. Explico.
Eu mesma tive vários, inúmeros questionamentos, dúvidas, medos, e depois de muitas reflexões e noites acordadas até tarde lendo, eu criei coragem e fui. A mulher sofre muito com questões de preconceito e dependência do homem ou de qualquer companhia que seja pra não se sentir desamparada. Homem viajar só pode, é normal, mas mulher, o quêe?? Por quêê?!! É sempre assim.
Já ouvi muitas mulheres comentando que não viajam - ou não só viajar, fazer outras coisas - porque não tem com quem ir, porque não acha graça em fazer nada só, porque se preocupa com o que as outras pessoas vão pensar, ou porque tem medo, ou porque não é louca. Pô, primeiro: eu concordo que existem coisas e coisas pra se fazer só. Por exemplo, eu não me meteria numa viagem ao Quênia ou a Marrocos sozinha, porque sei que tem muita informação que eu precisaria pra chegar até lá e ter uma boa experiência que sozinha nas minhas condições atuais eu não conseguiria. Aí tudo bem. Partir de qualquer jeito sem eira nem beira na doida e se meter em um monte de encrenca ninguém merece. Mas deixar de embarcar numa viagem, organizada tim tim por tim tim, onde vc vai estar imersa em novas culturas, sem ameaças, num esquema pré-elaborado, atingindo seus objetivos de conhecer os novos lugares..... por quê não, me diz?!
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| Israel |
Na minha humilde opinião, uma mulher madura, independente, confiante em si mesma, no comando da própria vida e preparada pro mundo, não encararia a falta de uma companhia como um bloqueio pra realizar uma viagem, nem qualquer coisa na vida. Ora, vc viajar sozinha é uma maneira de se conhecer melhor, de passar por situações que vc não viveria se tivesse com uma companhia, e talvez vc nem tivesse conhecimento que fosse possível passar por tal situação. Vc cresce, vc se pensa mais, vc conhece outras pessoas, vc não tá só no mundo. E olha, existem poucas sensações no mundo melhores do que a de descobrir que é capaz, como bem disseram a Flávia e a Maristella no livro Viaje Sozinha, que eu li antes de viajar e gostei muito.
Se vc gosta de viajar, mais cedo ou mais tarde, essa questão vai bater de cara com vc, porque é fato: nem sempre dá pra conciliar os interesses. Tipo, eu estava LOUCA pra conhecer Israel. E eu ia com quem? Po, Israel é um destino especial. Claro, tem pessoas que vão lá e não se ligam e não se interessam em toda a bagagem histórica que o lugar carrega e ainda assim têm uma ótima experiência de viagem, mas tem pessoas que não tão nem aí e Israel nem faz parte da lista de desejos de viagens. Conversando com uma amiga suíça daqui, ela me disse que se eu fosse pra Italia ou Paris, ela iria comigo, mas Israel não, não tinha interesse. Lógico, acho que é muito mais fácil arrumar companhia pra ir a Roma, Paris, Londres, do que Israel, Finlandia... Turquia? De tanto que a gente vê a Torre Eiffel, o Coliseu e o Big Ben na capa das revistas, sei lá, acho que deve-se criar no imaginário que aqueles lugares são os principais que deve-se conhecer na vida, e pronto.
Mas eu já fui a Paris várias vezes, já tirei muitas fotos do Big Ben, e tá bom, admito, até gostaria de ir de novo ao Vaticano, mas a vida é curta, eu quero conhecer o mundo e não vivo só pra isso. Preciso aproveitar as oportunidades que tenho - e dinheiro também ne, que meu dinheiro não dá em árvore - pra conhecer o que mais existe além do pacote Europa básico. Aliás, esse foi um dos motivos pelo qual eu me mudei pra Suíça. Aqui eu tô no centro da Europa, Zurique tem vôo pra tudo quanto é lugar, e as promoções de passagens aéreas são muito frequentes.
O problema de ter curtido tanto a experiência é que agora sinto como se qualquer lugar estivesse ao meu alcance. E eu já passei da fase de dar ouvidos a quem não devia, de aborrecimentos que poderiam sabotar meus próprios planos e desejos, agora eu prefiro me inspirar na história e na minha vontade, e seguir adiante ampliando meus horizontes!
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| Jordânia |
Algumas medidas são obviamente necessárias antes de viajar: se informar o máximo que puder sobre o local que se está indo, a cultura, os hábitos, a moeda, os horários, facilidade de transporte. E pra ser sincera, eu adoro essa fase, a fase da preparação. Pra mim, a viagem já começa por aí. Adoro ler sobre os lugares, conhecer no papel e depois poder ver o que li com meus próprios olhos. Não tem aula melhor que essa. E como a gente aprende assim, como a gente cresce. Olha, rodar pelo mundo é um banho de cultura e conhecimento. Pablo Neruda já sabia o que dizia quando afirmou que o mundo é pequeno demais pra nascer e morrer no mesmo lugar.
Pode até ser mais uma fase, uma deliciosa fase, e se for, então que seja, eu estou vivendo-a. Desbravar Israel pra mim representava um desafio pessoal. Depois de tanto aperreio que passei, ir ali, conhecer os passos de Cristo, me rebatizar no Rio Jordão, foi uma renovação. De novo: pode ser fase, uma crise, pronto, uma crise, estou chegando perto dos 30. Mas veja só, estou chegando perto dos 30 e viajando percebo o quanto ainda desconheço do mundo e o quanto ainda quero descobrir desse universo tão complexo e tão encantador.
O que vi, as pessoas que conheci, as situaçoes que passei, toda a trajetória e não só os lugares, os cartões postais, as fotos que apareço sorrindo, são o que fazem tudo ser inesquecível. Por minha conta e risco. Minha sede de sair e desbravar o globo, seja num ritmo acelerado, num esquema sofisticado ou de baixo orçamento, já andava comigo há bastante tempo, desde quando eu vendi todos os meus brinquedos e juntei dinheiro por 4 anos pra ir a Disney com 15 anos. Tudo porque eu quero e sempre quis tentar tirar o maior proveito da situação que estou, seja boa, seja ruim, não importa, eu estou no controle e a vida tem o peso que a gente coloca nela.
Conhecer sempre novos ares, novas culturas, ter contato com outros idiomas, se sentir minúscula diante de um oceano infinito, ver outros estilos de vida, é sempre um acontecimento pessoal marcante. Não me importa se não estou nos parâmetros que a sociedade e a civilização criaram, é o que me faz feliz.
A fama da mulher brasileira não é das melhores nesse mundão afora, e viajando sozinha então, é preciso muita atenção. E conseguir vencer todas essas barreiras e ter depois uma boa experiência, boas lembranças, é o maior triunfo que eu poderia pedir.
Esse sentimento de orgulho, de ter quebrado barreiras e realizado meu sonho. Sei que muita gente queria ter a coragem que eu e muitas outras têm, e eu digo hoje: só fica alienado quem quer. O mundo tá aí, e é aquela história, todo mundo passa por dificuldades. Depois das dificuldades, cabe a vc ficar se lamentando, ou tomar atitudes e sair em busca da sua vitória, seja ela qual for, ela depende única e exclusivamente de VOCÊ. Seja conhecendo coisas novas, ampliando seus horizontes, dando razão às suas vontades... o importante é tirar as pedras do caminho. E se quiser dar umas voltinhas pelo mundo, é um remédio libertador e muito enriquecedor.


A cada paragrafo do seu post que eu lia, me reconhecia nas suas palavras. Sou assim como vc: decidida, sem medo da vida e de enfrentar o mundo mas muito cuidadosa. Somos as mulheres dos anos 2000, querida!
ResponderExcluirJa viajei algumas vezes sozinha, mas foram poucos dias somente para resolver problemas e depois voltar pra casa. A viagem que me fez sentir como vc se sentiu foi a que fiz para Dublin em abril deste ano. Fui com uma amiga e os filhos pequenos passear pelo sul da Irlanda. Nos 3 ultimos dias, ela me disse que nao poderia proseguir a viagem pois um dos filhos dela estava muito cansado.Como tinhamos deixado para conhecer Dublin exatamente no fim da viagem, resolvi seguir sozinha. Fui com a cara e coragem, sem ter programado nada e sem ter um mapa da cidade. Tive que ver tudo dentro do onibus,entre Kilkenny e Dublin.Nossa, foi maravilhoso! Fiz tudo o que queria fazer, tirei as fotos que queria tirar , fazia o roteiro que bem entendia. Gostei tanto que quero fazer outra sozinha. Enquanto meu marido morria de preocupaçao aqui eu me descobria por la. Foi uma experiencia muito enriquecedora!
Maravilha filha!! é simplesmente fantástico quando a pessoa pode e sabe ficar falando horas e horas dela mesma, não é nacisismo e sim conhecimento de si mesma. Você se deu chance a isso justamente por causa das oportunidades que você deu a vida e nào somente que a vida lhe deu. O fato de agora você ter se livrado das amarras do preconceito de viajar sozinha te faz mais feliz e pronta a se realizar mais e mais, não que a felicidade seja uma questão ralacionada à geografia, mas relacionada ao próprio conhecimento e alcance que se tem de si mesma, ai no caso, viajar se torna uma reflexão desse complexo conjunto de conhecimento. Parabéns filha! ter uma filha tão nova e já tão conhecedora de si mesma e do mundo é para mim uma vitória como mãe e historiadora que sou. Bjs. Mãe
ResponderExcluirAnna, tenho certeza que muitas vão ler e também vão se reconhecer nas minhas linhas. AINDA BEM!
ResponderExcluirNossa, vc não sabe como eu fico feliz em saber disso. Que existem muitas mulheres decididas por aí, sem medo quando aparecem situações onde somos postas a prova.
Que ótima deve ter sido esse passeio por Dublin. Eu passei o ano novo em Dublin e foi fantástico! Ainda bem que vc não desistiu.
Concordo com você gênero, número e grau. Mas, confesso que já fui do tipo: só vou ao cinema se tiver com quem. Hoje, se não tiver ninguém pra ir, vou sozinha. Viajar fica mais difícil porque casada o maridão vai comigo. Mas, acho que vc está mais do que certa. A vida passa rápido demais e é preciso aproveitar os momentos, as oportunidades.
ResponderExcluirBeijão
Liana, concordo plenamente. Quando eu era au pair nem sempre tinha ferias na mesma epoca que minhas amigas, entao eu simplesmente fazia minhas viagens soh eu e Deus (como diz meu pai) e adorava. Claro que eh legal viajar com outras pessoas e poder compartilhar as coisas que vemos e fazemos, mas viajar soh tambem te dar aquela emocao de poder estar fazendo o que voce quer sem ter ninguem te apressando ou querendo fazer outra coisa (porque nem sempre os outros querem ver o que voce quer ver). Eu gosto dessa liberdade quando viajo sozinha. Outra coisa legal que voce mencionou, as pessoas que conhecemos na viagem. Conheci pessoas incriveis que ainda tenho contato. Faz tempo que nao viajo sozinha (soh quando vou ao Brasil), mas no geral eh com o marido. Mas jah ta me dando uma coceirinha de cair na estrada sozinha!!!
ResponderExcluirPois é. Eu já viajei com gente que não gostava de parar pra olhar souvenir, por exemplo. Po, eu adoro parar e olhar o artesanato do lugar, coleciono ímã de geladeira dos lugares que vou, então é claro que eu queria parar pra olhar souvenir, mas viajando com gente que não gosta fica mais difícil. Eu só pude olhar com calma cada bugiganga que me chamava atenção.
ResponderExcluirNão tô querendo me gabar nem justificar nada não, mas acho que toda mulher que curte viajar deveria, ou melhor, merecia embarcar numa viagem solo. Explico.
ResponderExcluirEu ADORO viajar só...e também acho uma experiência enriquecedora (por isso gostei de Eat Pray Love). Viajar a dois nem sempre é tão legal, ainda mais quando cada um quer ir pra um lado! (passei por isso também, credo).
Suas viagens são ótimas...eu queria ter mais dinheiro pra poder viajar assim mas não vou reclamar não.
Por falar em Marrocos, é um lugar que quero muito conhecer mas não encaro sozinha, já ouvi cada estória...
ResponderExcluirInfelizmente, o mesmo vale pra Istanbul, outra cidade na minha lista de Must See.
Olha, rodar pelo mundo é um banho de cultura e conhecimento. Pablo Neruda já sabia o que dizia quando afirmou que o mundo é pequeno demais pra nascer e morrer no mesmo lugar.
ResponderExcluirQue legal que você tem esta consciência. Eu acho que poder viajar e conhecer o mundo é um grande privilégio. O que me entristece é ver esses turistas de massa que visitam os lugares e voltam pra casa sem ter aprendido nada de novo. Não basta ter olhos para ver, é preciso saber ver.
Enfim, concordo com você!
É isso mesmo, Beth.
ResponderExcluirSobre Marrocos, tb não encaro só, mas num tour quem sabe.
Istanbul provavelmente deve ser meu próximo destino! Mas tb quero ir num tour. Andar sozinha em país de cultura muçulmana é pedir pra ter chateação.
Liiii,
ResponderExcluirParabéns!
Parabéns pela coragem, pela viagem e pelo post!
Nós sabemos o preconceito q sofremos, só pelo fato de termos aceitado a tal queima dos soutiens e nos tornado mulheres independentes.
Passei pouco tempo sozinha em Lisboa, mas foi um dos melhores momentos da minha vida! Até andar descalça, por aquelas ruas do bairro alto, eu andei (com o sentimento de que já havia vivido ali...sentimento que, se estivesse acompanhada, provavelmente estaria conversando e não teria "tempo" de senti-lo).
Um beijo enorme!
Vivi!!! que honra vc aqui no meu blog!
ResponderExcluirOi Liana, eu que sou de outra geração estranhei um pouco quando vi lá na Flávia a questão de viajar SÓ, vi muitas mulheres viajando assim e eu mesma já viajei dessa forma quando nem tinha Internet e me sentia muito bem, até porque é difícil uma companhia que tenha os mesmos interesses, o dinheiro na ocasião, o pique pra andar pra cima e pra baixo, essas coisas que você bem sabe, então, mesmo quando viajava em grupo tirava um dia pra sair SÓ, e era muito proveitoso, a única coisa que dificulta é a questão da língua, não sou fluente em Inglês, mas até hoje encaro numa boa uma viagem sozinha.
ResponderExcluirOi Liana,
ResponderExcluirO post está maravilhoso! Vai inspirar as corajosas a colocar os olhos no mundo e as mais tímidas a contemplar a possibilidade.
Gosto muito da sua perspectiva destemida diante da vida. Sei que suas escolhas e também as adversidades que você enfrentou te conduziram a este estágio de coragem e maturidade. All in all, adoro ler seu blog! E tb adoro viajar sozinha. Tô planejando uma soon.
Abs
Márcia
Já fui ao Marrocos e eu, particularmente, voltaria sozinha sem problemas. O que acontece lá pode acontecer em grupos, em casal ou só. Já viajei sozinha algumas vezes, mas eu prefiro uma boa compania... gosto de ter com quem compartilhar momentos no momento em que eles acontecem (e eu sei, posso compartilhar comigo mesma), mas na minha opinião, prefiro boa (e repito boa, viajar com gente que eu sei que é cheia de frescura - mesmo sendo amigo - não entra NUNCA nos meus planos).
ResponderExcluirsério Glenda? Marrocos sozinha?
ResponderExcluirNossa deve ter sido uma experiência incrível! Tem contando em algum lugar?
Oi, Liana! Tudo bem?
ResponderExcluirEu sempre entro no seu blog, acho o máximo os relatos que você faz das suas vaigens! Sabe quando você olha pra uma pessoa e pensa: "Eu vou ser assim quando eu crescer!"? Então... Rsrsrs...
Dessa vez, esse seu post mexeu comigo porque estou prestes a fazer minha primeira grande viagem sozinha. Nada tão aventureiro como Israel, mas ir sozinha, pra longe e pela primeira vez sempre bate aquile friozinho na barriga, né? (Vou fazer um curso de 4 semanas em Paris).
Enfim, super me identifiquei. Algumas pessoas conhecidas ao saberem que estou prestes a viajar e deixar namorido "pra trás" durante 1 mês, ficaram surpreendidas. Recebi críticas também no sentido de que viajar sozinho é chato. Mas a gente que gosta de viajar sabe que ninguém que viaje sozinho fica sozinho a viagem inteira, não é mesmo?
Abraços,
LídiaNorte.
www.lidianorte.wordpress.com
Oi Lidia,
ResponderExcluirCurso em Paris, que barato! Aproveite bastante.
Que ótimo que se identificou com o texto, porque sim, é verdade, o que tem de gente pra colocar a gente pra trás quando a gente pensa numa viagem só não é brincadeira não. Como vc viu, eu contei minha experiência aqui, e só tenho coisas boas a dizer. Vou até fazer outras viagens. E ainda mais num curso, é a desculpa perfeita. Aproveita e boas viagens!!
CARACA, que massa!
ResponderExcluiradoreei o que vc escreveu e me identifico muuito também.. eu tenho apenas 17 anos e conheço somente escocia e a inglaterra, até agora foi a maior realização da minha vida, eu sempre trouxe comigo que meu sonho é fazer isso que vc esta fazendo, tipo, meter a cara e conhecer os varios lugares de diferentes culturas, povos, línguas, etc. Muita gente acha que é loucura, mas ao ver que uma mulher esta conseguindo, que é possivel, me inspira mais ainda!
parabéns pela sua ousadia!!
obrigada Juliana! É isso aí! que bom que vc se inspirou e se identificou. tudo que escrevi é a mais pura verdade.
ResponderExcluirÉ a modalidade de viagem que mais gosto, me perdoem o marido e os filhos, mas as vezes é bom estar na própria companhia.
ResponderExcluirHoje em dia são raras, mas ao menos 1 vez ao ano eu tiro só pra mim e é fantástico!
beijo