21 agosto 2011

O prazer de estar solteira

Eu sou assinante da revista The Economist, e a capa da revista desta semana é esta:

A Asia está casando mais tarde e menos que no passado. Esta é a grande preocupação e as suas implicações. A reportagem é muito interessante e compara a sociedade asiática com a ocidental. Alguns países da Ásia sempre foram exemplo de desenvolvimento e um dos fatores para justificar isto era a base da família e o comportamento das mesmas.

O índice de divórcio na Ásia sempre foi mais baixo que na América e na Europa e isso sempre ajudou a empurrar a economia pra frente. A preocupação agora é que as mulheres de lá estão cada vez mais capacitadas e investindo na carreira, e consequentemente, se afastando ou adiando o tal do casamento.

Se fosse só o prazer de estar solteira e o contentamento da independência financeira e crescimento profissional das mulheres que tivesse em jogo seria muito bom. Mas o buraco é mais embaixo e todo esse "novo" comportamento tem consequências demográficas. Sem casamento, sem bebês, e as taxas de natalidade já começam a ser impactadas.

Não é de hoje que eu ouço que quanto mais instrução a mulher tem - educação, colocação profissional, etc. - mais longe ela fica de toda essa história de casamento, família, etc. Na prática, o que acontece é uma sucessão de fatos onde prioridades são colocadas em prática.

Eu já tive a chance de morar em vários lugares e observar diferentes comportamentos. Já conheci muita gente diferente e tudo isso me ajuda a ter um entendimento melhor das coisas da vida. Tive 5 relacionamentos sérios na minha vida. Namoro mesmo de dizer eu te amo e fazer planos pro futuro. As lições que aprendi em anos desses namoros têm valores que eu nem sei dizer quão grande são.

Em paralelo, eu aprendi a correr atrás do que eu queria. Queria aprender idiomas, estudar, conhecer o mundo, construir uma carreira. A busca atrás de conquistar essas coisas são a tradução da minha garra, minha perseverança e a realização de meus sonhos. Eu não sonhei em construir uma família, casar, ter filhos, não foi isso que eu busquei. Eu queria ser independente!

Sem perceber, eu virei um exemplo desta grande discussão que ronda sociedades e mulheres da minha idade. Seguindo minha velha "rotina" de fazer as coisas bem feitas e não parar de ter metas e sonhos me trouxe aos 29 anos de idade e uma independência tranquila, uma vida confortável, profissionalmente realizada, capacitada, sem falsa modéstia. Sou uma mulher inteligente, culta, ambiciosa, confiante, bem resolvida e solteira.

Em algumas sociedades, seria triste e inaceitável minha situação. Em 1960, mulher da minha idade já teria uns 3 a 4 filhos e estaria cuidando da casa. Poxa... eu amo a minha vida. Precisaria mesmo agora sair em busca de um casamento? Na minha vida e na de tantas outras mulheres como eu aqui, no Brasil e na Ásia, tem outras coisas acontecendo! Eu não descarto a possibilidade de casamento na minha vida, até porque eu acho que ainda estou muito nova pra descartar alguma coisa.. talvez não pra algumas pessoas e algumas sociedades, mas se colocarmos numa balança tantos outros aspectos na bagagem de vida que eu tenho e olhar tantas opções que o mundo oferece na vida de uma pessoa de coisas que ela pode fazer, é triste abrir mão de tudo e ficar só em casa cuidando dos filhos e do marido, quando um dia os filhos crescem e voce percebe que não conhece nada do mundo afora e se dá conta da quantidade de coisas que deixou passar.

É racional que eu queira construir uma família no futuro, mas na minha cabeça, a carreira, a profissão e a estabilidade financeira sempre vieram antes! Afinal, como prover e ser chefe de uma casa com tanta responsabilidade se voce não é capaz de prover pra si próprio?

Além de questões financeiras, eu não quero olhar pra trás e ter a sensação que é tarde demais para fazer certas coisas, e pra mim no momento, esta é a prioridade. Se eu tivesse ficado namorando a mesma pessoa por anos, quem sabe eu tivesse uma cabeça diferente. Mas os relacionamentos que eu tive acabaram, eu tenho personalidade forte e a prioridade na minha vida sempre foi mais pesada no outro aspecto, então não podia ser diferente. Eu nunca quis depender de ninguém, nem financeira nem emocionalmente. Porque relacionamentos são frágeis e no final, voce precisa dar conta da sua vida sozinho mesmo.

Eu sou sim um exemplo de mudança de comportamento feminino dos novos tempos, e tenho muito orgulho da minha posição hoje, do que me tornei. Quando comecei a morar só, eu não tinha essa cabeça. Apesar de me preocupar com estudos e carreira, eu saía a noite pra me divertir mas ficava na esperança de conhecer alguém interessante, e terminei me envolvendo com cada peça. Hoje eu sou diferente disso. Não sou infeliz por ser ou estar solteira. Minha felicidade não depende disso. Hoje eu gosto do meu canto, da minha privacidade, de ser livre pra ir e vir e decidir por mim, aprendi a apreciar outras coisas que se não estivesse sozinha não conseguiria. E eu só abriria mão de tudo isso pra encarar de verdade um novo relacionamento se realmente tivesse alguém que valesse muito a pena. Porque convenhamos, relacionamentos dá um trabalho danado.. e eu adoro minha liberdade. Como no momento não existe ninguém que vale a pena tamanho sacrifício, eu vou vivendo minha solteirice, curtindo o que ela pode me dar de melhor, usufruindo do que tanto busquei, contribuindo e fortificando a classe das unmarried women. Who run the world? Girls!


Girls Who Run The World lyrics

10 comentários:

  1. Pois é Liane. Fico extremamente estressado aqui no Brasil quando atribuem estar solteiro a insucesso emocional. Sabe é como se todo mundo precisasse seguir a mesma forma. Uma droga isso!! oh mente limitada!! Mas enfim.. vamos que vamos. No fim, to feliz solteiro!

    ResponderExcluir
  2. A felicidade nao depende dos outros e sim de nos mesmo. As pessoas (principalmente no Brasil), acham que para a felicidade ser completa è preciso casar e ter filhos, eu nao penso assim, por isso decidi me casar agora, aos 33 anos e estou feliz da escolha que fiz, isso porque encontrei alguem que me completa porque se nao fosse por isso, estaria solteira sim, ja dizia o ditado, "antes so do que mal acompanhada". E nada melhor do que ter a companhia do Juca quando chega em casa, ne? alias, devo confessar uma coisa, sou completamente apaixonada pelo teu Juca, ele è lindo!!!
    Beijos

    ResponderExcluir
  3. hahahahaha Juca é a coisa mais linda do universo! Tb sou apaixonada por ele e não troco por nenhum outro cão! por isso o trouxe do Brasil, a companhia dele é mais que fiel :) afinal já são mais de 8 anos!

    ResponderExcluir
  4. Acho super certo o seu pensamento, Liana! E hoje em dia, acho que o que a mulher mais quer na vida é se sentir realizada profissionalmente. O véu e grinalda ficou lá nos anos 60!

    bjo

    ResponderExcluir
  5. Pois é filha, viva intensamente todos os seus dias e aproveite bem essa conquista única que você alcançou. bjs. Mãe

    ResponderExcluir
  6. Ah eu também acho o Juca um fofo!! Liana concordo com tudo que disse, "no final vc precisa dar conta de sua vida sozinho mesmo", é verdade, por mais que o amor seja grande, um relacionamento é algo que demanda renúncias, entrega e afinal ao contrário do que a maioria pensa, há vida fora do casamento, aff!!

    ResponderExcluir
  7. Excelente post, Liana. Reflete bem o seu contexto e o quão confortável você está com as "delícias e os desafios" provenientes das suas escolhas.
    Márcia

    ResponderExcluir
  8. Eu não sonhei em construir uma família, casar, ter filhos, não foi isso que eu busquei. Eu queria ser independente!

    Eu idem. Nunca sonhei em casar e ter filhos. Meu sonho era ser financeiramente independente (o que fui até poucos anos atrás (hoje dependo do governo holandês até arrumar um emprego qualquer).

    Já viajei muito (e ainda quero viajar). Conheci muitas culturas (morei nos EUA, Irlanda e Escócia, além da Holanda). Já aprendi muitos idiomas (falo três deles diariamente) e por ai vai.

    Depois que você tem filho, tudo (inevitavelmente) muda. Eu até arrisco dizer que ter filho (ou não) é a decisão mais importante na vida de uma mulher. A segunda mais importante é com certeza a escolha do parceiro (foi aí que eu errei, assim como muitas outras).

    Não me arrependo de ter tido meu filho e mostrar um pouco do meu Brasil pra ele este mês que passou foi uma experiência maravilhosa - pra ele e pra mim!

    Enfim, a vida é feita de escolhas...

    ResponderExcluir
  9. é triste abrir mão de tudo e ficar só em casa cuidando dos filhos e do marido, quando um dia os filhos crescem e voce percebe que não conhece nada do mundo afora e se dá conta da quantidade de coisas que deixou passar.

    Vixe, isso é assunto complicado. Eu como sou mais velha já vi muita amiga que passou a vida correndo atrás de carreira chegar aos 40 realizada e doida pra ter um filho. Conheço várias mulheres que tiveram filhos com 41, 42 anos e disseram que foi a melhor coisa que fizeram na vida.

    Enfim, tudo é relativo. Tudo na vida tem dois lados. Só fazer carreira não é bom (não é o seu caso, eu sei). Assim como ficar em casa só cuidando de filho também não é.

    Quanto as coisas que a gente deixa passar, idem. Mulher que faz carreira muitas vezes perde a oportunidade de ter um relacionamento legal e quem sabe, filhos que lhe ensinarão a ver o mundo de outra forma (filho é pra isso, a gente é que aprende com eles). Mulher que casa e tem filhos inevitavelmente perde inúmeros opções profissionais (story of my life).

    ResponderExcluir
  10. Além de questões financeiras, eu não quero olhar pra trás e ter a sensação que é tarde demais para fazer certas coisas, e pra mim no momento, esta é a prioridade

    Último comentário (prometo). Este é exatamente o problema das mulheres que resolvem ter filhos depois dos quarenta...elas pensam que ainda há tempo mas o relógio biológico continua fazendo tic-tic-tic. Ironias da vida.

    PS. Sem querer te assustar...eu pensava exatamente como você aos 29 anos: carreira, viagens e tudo mais. É normal, com o passar dos anos as prioridades mudam.

    ResponderExcluir

Obrigada pelo seu comentário!