13 agosto 2011

que nem jiló

Hoje é aniversário da minha mãe, que tá lá no Brasil. Tô com o coração apertaaaaado de saudade, uma saudade amarga que nem jiló, já dizia o velho mestre... tudo que eu mais queria era dar um abraço nela, na minha irmã e na minha sobrinha que eu já não vejo há tanto tempo... Saudade saudade saudade, que palavra chata! 1 ano e 3 meses desde a última vez que fui ao Brasil. Tem dias que tudo que eu mais queria era sair, ir prum buteco bem fuleiro perto do meu antigo trabalho no Recife Antigo, jogar conversa fora, ir pra um churrasco decente, ouvir todas as pessoas ao meu redor falando português, ouvir samba, dançar descalça, rir bem alto e morrer de calor.

Tem dias que eu não aguento olhar pra cara das pessoas na rua aqui, olho e só vejo o quanto elas não sabem nada do que acontece do outro lado do oceano e o quanto é pobre essa ausência de conhecimento que termina gerando preconceito, esnobismo, um abuso sem fim, que mal consigo dizer Grüsse e tenho raiva de mim por ter inventado de um dia começar a estudar alemão, que foi o que deu rumo a tudo isso que tá acontecendo hoje comigo. Já dizia outro aí, os ignorantes que são felizes!

Nessas horas parece que nada que a gente vive aqui vale a pena, não consigo enxergar nenhuma vantagem, só estou cega de saudade, um aperto no coração, sou só lembranças e invadida por uma sensação de estar deixando de viver minha juventude no meu país, deixando de lado minhas amizades... e daí que eu to vivendo outras experiências, e daí que eu estou conhecendo o mundo, e aí que meu trabalho é uma excelente oportunidade e eu falo vários idiomas, e daiiiiii? nada tem importância, tudo parece cinza no dia mais ensolarado do ano.

Eu sei que é um dia ruim e que vai passar, mas não queria deixar passar batido pelo blog. A vida aqui não é só mar de rosas. Pelo menos minha próxima passagem pelo Brasil já está definida, e assim conforta um pouco esses dias de desespero.

Como já dizia Thom Yorke, hoje eu estou uma creep... uma weirdoo-oo, what the hell am I doing here? I don't belong here...... faz todo sentido... no entanto, eu deixo aqui é o velho clássico de Gonzagão mesmo, numa bela sugestão de um velho amigo que está nos EUA.

16 comentários:

  1. Oi Liana!

    Sei muito bem o que é sentir esse tipo de saudade. E ainda nesta semana li um post no blog de uma amiga e disse pra ela que a saudade nunca é uma coisa boa. Quando a saudade é boa, ela deixa de ser saudade e passa a ser lembrança. É diferente.

    Morei fora do Brasil por 9 anos e pouco e em todos aqueles anos eu sofria no dia das mães, no Natal, nos aniversários, etc.... Não é fácil, mas faz parte do pacote!

    Quanto ao preconceito, ele existe sim, mas não podemos generalizar. No meu caso, conheci alguns poucos japoneses (morei no JP) preconceituosos, que levantavam quando algum brasileiro se sentava ao lado e lojas que começavam a tocar MPB para 'alertar' os vendedores de que tinham estrangeiros ali. Por outro lado, uma grande maioria nos tratava super bem e viviam dizendo que nós brasileiros temos vida, temos alegria!!! Que nos adoravam, adoravam o Senna, Pelé, Carnaval!! kkk Bacana!!!

    Isso mesmo viu. Não deixe passar esse dia nublado em branco e desabafe mesmo aqui com a gente, afinal a blogosfera serve também pra isso. Tudo é fase. Você nunca vai ficar pra baixo pra sempre nem feliz pra sempre. Nada é definitivo. Eu também me sentia assim várias vezes e chegava a pensar que nada daquilo valia a pena (como vc escreveu). Portanto tente se lembrar do início de tudo, como você deve ter lutado para viajar, o quanto deve ter ficado contente quando entrou no avião, etc....

    Fique bem querida. Tudo passa.

    Bjs

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  2. Oi Flavia, acho ótimo quando tem comentário seu, pq vc sempre é tão honesta nas coisas que diz. A questão do preconceito que falei foi pelas situações que vivi recentemente com a indiana do trabalho que contei nos posts passados. Eu mesma não sofri nada de grave ainda, tirando um caso pequeno na aula de francês. No mais, é isso mesmo. Vai passar sim.

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  3. Li, ao ler o seu texto me lembrei de uma frase que eu ouvi ano passado da mãe de um amigo brasileiro que mora na mesma cidade que eu eu, em Knoxville. Ela tem três filhos e todos moram em países diferentes. Perguntei a ela como se sentia e ela me respondeu: "Olhe, a gente cria os filhos pro mundo, é verdade, mas eu queria que eles percebessem que a vida passa rápido demais e viver longe das pessoas que amamos pode não ser a melhor opção". Sei que vc hj está triste e eu sei que essa não e a melhor frase pra dizer num dia como hoje, mas decidi colocar aqui por reflexão. Eu tb sofro, eu tb sinto saudades, e sinceramente quando ouço alguém dizendo que não sente falta, que já acostumou, eu não consigo entender. Amanhã, por exemplo, é dia dos pais no Brasil e eu não vou ver o meu. É o preço que pagamos, porque afinal ninguém pode ter tudo na vida. Cabe a nós decidir o que de fato é o mais importante. beijão

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  4. é isso mesmo Karol.. nossa amanhã é dia dos pais? tá aí um dia que pra mim já passa despercebido há anos :(

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  5. Oi, Liana,
    Tu não vais acreditar se eu disser que estava exatamente assistindo ao DVD do Radiohead, na música Creep, enquanto lia teu post!!!!!
    Sim! Exatamente ela!
    Não moro fora do Brasil, mas estive aí, em Berna, em julho.
    Achava que pararia aí pra poder te conhecer pessoalmente e te apresentar aos brasileiros que moram em Berna. Mas foi uma correria só. Sempre alguém pra visitar ou receber. Fora os 14 dias em Portugal e idas a Strassburg e Evian.
    Tudo é lindo mesmo.
    Mas realmente não é o Brasil.
    Não tem a pobreza, mas as pessoas não sorriem. Temos a impressão de que não há prazer no outro, seja ele nativo ou estrangeiro.
    É pena, pois tinha tudo pra ser um paraíso.
    Mas é um vitória sua estar aí, sim.
    É um ônus que vem junto com todas as escolhas que fazemos.
    Se tivesses ficado no Brasil, o que poderia estar agora te causando desconforto? Sempre tem algo.
    Nada é fácil, mas não esquece que mais difícil é quando nos conformamos no sossego das escolhas do senso comum, como o ficar no pouco quando o que se quer é muito mais.
    Não se amofine.
    E dias ruins servem pra muitas coisas, como escrever um texto legal citando uma música super, como Creep.
    Boa sorte, Lina.

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  6. Liana, eu sei como voce se sente por isso te mando um abraço beeeeem apertado com o calor do nosso Brasil, fica bem ta? Beijos

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  7. Oh fia, um abraço bem carinhoso pra vc e pra fofa da sua mãe que sabe que tem uma filha maravilhosa.
    Bjs!
    Fica bem!

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  8. Oi Liana, eu adorei o teu post. Eu estou em SP, mas pretendo ir pro Canadá e estou longe da minha família há alguns meses. Estou passando por cada perrengue, mas acredito que as coisas vão melhorar. Beijos.

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  9. Oi Liana, morar fora do Brasil, longe de familiares realmente dá muita saudades. Mas como dizem, tudo na vida são escolhas. Eu morei um ano fora do Brasil e voltei pela saudades, mas acho que foi algo meio impulsivo. Todo santo dia eu penso em voltar pra lá... Estou fazendo planos, quem sabe um dia. E hoje mesmo me perguntei, aqui eu reclamo todo dia de saudades de lá. E quando eu estava lá, será que reclamava tanto assim também? bjsss e tudo de bom pra vc

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  10. Linda,
    é normal voce sentir essas coisas, eh normal vc sentir saudade, voce se irritar com a indiferença dos suiços(estou me referindo aos teus tweets).
    Nao seria normal vc achar tudo que rola aqui, como certo e normal.

    Eu que nasci aqui, me assusto as vezes com esse povo!!
    No fundo, qualquer brasileiro ou pessoa que morou no Brasil sabe, que nao existe povo mais feliz que brasileiro(se eles soubessem valorizar o que tem, ne??)

    Mas o fato de vc se irritar com as coisas que acontecem por aqui, so mostram que vc eh brasileira e que vc tem coracao!

    Bjo linda e melhoras!!

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  11. Eu estou me preparando pra ir morar fora. O esquisito é que ando aqui pelo Brasil e penso exatamente as mesmas coisas que você escreveu no post! Não aguento mais as pessoas por aqui, não aguento mais o desrespeito que o brasileiro tem, a falta de educação, de conhecimento, não ligar pra nada, achar que tudo "tem um jeitinho".
    São fases, e o ser humano sempre quer algo que ele não tem.
    Mas eu concordo com a parte da saudade. Isso eu sei que vou ter, sei que vou sentir, saudade dos meus pais, da minha casa.
    Temos que fazer o que é preciso, o que sentimos que é certo. Ir ou voltar, tudo faz parte da vida.

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  12. Pois eh Amanda, eu lembro tambem da epoca que eu soh pensava nisso ai.. Sim, sao fases.

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  13. POis é filha, também fico refletiva quando chegam datas especiais e penso como a vida passa rápida e logo tudo é atropelado pelo tempo que não espera que organizemos nossos sentimentos. Em Julho você completou 29 anos e também não podemos nos abraçar e comemorarmos o seu aniversário. Você virá ao Brasil sim, e vai voltar...virá o Natal, ano novo, e muitas datas significativas. Algumas poderemos até passar juntas, mas vai ficando um débito muito grande que nem sei se a vida toda será suficiente para saldarmos tudo. Obrigada pelo carinho filha!! Bjs. Mãe

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  14. "A Felicidade sempre esta aonde a colocamos, mas sempre estamos aonde nao a colocamos"
    Espero que voce melhore e supere logo essa crise na memoria do coracao. Tudo contribui com a valorizacao dos momentos que se seguirao, perto de quem voce ama.

    Um Beijo e Boa Sorte

    ASTYANAX

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  15. Liana, saudade dói mesmo, mas algo que confora é que se temos saudades é porque temos coisas boas e pessoas que estão longe, ter pessoas que nos amam, lugares que marcaram por bons momentos isso é muito bom. Quando escuto alguém dizer que não tem saudades de nada no Brasil eu sinto pena. Sinto muita saudades, alguns dias são mais dificies do que outros. Sinto saudades de compartilhar meu dia a dia com meus pais, de ter eles me visitando, de sentir meu cachorro pulando no colo, do papo simples com os amigos... Alguns dias como você disse dá vontade de jogar tudo pra cima e eu pergunto como vir parar aqui. Em outros eu sei bem o que estou fazendo aqui e o porque.


    Beijão

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  16. Lia, que texto mais verdadeiro.. estava me sentindo assim também, nao por nenhuma data em especial como voce, mas pelos dias comuns, pelas simples coisas que là passavam tao desapercebidas e que hoje nos faz tanta falta!

    Segura a barra, respira fundo e pensa que logo mais voce ira rever a sua familia.. é isso que estou fazendo pra amenizar a saudade.

    Fica bem!
    Bjs..

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