17 setembro 2014

A necessidade de entender as mudanças da maternidade

A maternidade é um divisor de águas na vida de qualquer mulher, certo? Tenha sido a gravidez planejada ou não, seja você casada ou não, seja seu filho menino ou menina, tenha você 20 ou 40 anos, uma coisa é certa: ninguém é a mesma. Escrevi esse post sobre os efeitos colaterais da maternidade, coisas físicas e psicológicas, mas sei lá, a cada dia sinto que sou outra e minha cabeça roda tanto atrás de explicações, numa maneira de tentar entender o que tá acontecendo afinal.

Como se houvesse uma razão só, uma explicação só, uma só pergunta. Parece que eu vejo tudo de outra maneira, enxergo pontos de vista que antes pra mim eram invisíveis ou indiferentes, me emociono com histórias que envolvem relacionamento mãe/pai-filho tão profundamente e constantemente me coloco na posição da outra pessoa nas mais diversas situações que vivo diariamente. Coisas que antes pra mim eu não parava pra pensar, não me importava muito, sei lá. Estou muito mais sensível do que era antes, não consigo entender o que leva uma pessoa a cometer atitudes bizarras que vejo nos noticiários como pai que mata filho, ou na rua mesmo quando outro dia vi um bebê de 8 meses sentado numa cadeirinha na bicicleta atrás do pai no trânsito... gente, não dá pra mim... tenho gasto muito tempo pensando tentando encontrar uma resposta, tentando entender o que pode passar na cabeça dessa e daquela pessoa, como se eu fosse arrumar uma solução pro problema de todo mundo, do mundo todo.

Às vezes chega o fim do dia e eu to tão cansada de tanto pensar. Não é mais tão fácil pra mim relaxar, me desligar das coisas, dormir uma noite inteira de sono sem interrupções. Acho que inconscientemente estou preocupada com o mundo que meu filho vai viver, com o mundo que ele vai viver sem mim, quando ele começar a andar sozinho, com amigos, com outras pessoas, sem que eu esteja por perto vendo o que tá acontecendo e poder alerta-lo disso e daquilo. O que ele vai ver, o que ele vai sentir, com o que ele vai se deparar e o que com certeza vai decepciona-lo. É como se eu quisesse de uma certa forma protege-lo de tudo de ruim que tem no mundo, de todas as crueldades que existem e tudo que um dia ele vai ver.

Me dá um aperto no coração porque eu sei que vai doer e eu não vou poder fazer nada por ele. Vou protege-lo enquanto puder e do que puder, mas não vou conseguir sempre afasta-lo do mal, essas coisas vão ser necessárias pro seu crescimento, pro seu amadurecimento, pra sua formação como pessoa, como homem. Edi não vai ser pra sempre uma criança... É, talvez eu esteja muito adiantada nas minhas preocupações, mas não posso evitar, é involuntário.

Por ele quero ser uma pessoa melhor e fazer tudo certo, as coisas certas, dar um exemplo pra ele se mirar, pra ele ter como base, como base de segurança, alguém que ele saiba que sempre vai estar ali pra ele, que fará sempre qualquer coisa absolutamente para o seu bem. É um senso de responsabilidade muuuuuito maior do que eu jamais tive, do que eu jamais pensei que pudesse ter, que às vezes assusta, e às vezes dói quando penso que não estarei no controle de tudo, e que ele vai sim, um dia, sofrer.

Entendo per-fei-ta-men-te quem deixa de trabalhar para se dedicar totalmente a um filho. Para algumas não é opção, e sim a única forma, um meio, sei lá do que... mas para quem de fato opta por isso e tem a chance de se dar a esse luxo de se dedicar única e exclusivamente à vida do seu filho, está abrindo mão de si, sem pesar o que isso vai implicar no seu futuro. Que seja 2 anos, 3, 4, 5 anos, o seu filho vai crescer, e a sua vida ficou aonde? E o pior é que eu entendo a justificativa.

Tenho gasto tempo e neurônio tentando entender essas mães, todas as mães que me aparecem de alguma forma, e as mães que trabalham, gente, e têm que se dividir em duas, são verdadeiras heroínas. A vida é muito dura, e seja qual for o seu caso, em qualquer caso, não vai dar pra manter nossos filhos na bolha que a gente cria por muito tempo. Infelizmente.

Eu particularmente tenho até dificuldade pra entender direito como era minha vida até antes do Edi nascer. Era só eu, um apartamento só pra mim, comida só pra mim, dinheiro todo só pra mim, planos só pra mim, a prioridade era só eu??!! Como era isso? E como é que eu não tinha tempo para as coisas se hoje eu consigo fazer um trilhão de coisas e ainda dar conta de Edi, muitas vezes sozinha, e de tudo dele, roupa, comida, casa? E ainda tenho um cachorro!

É difícil mesmo, tudo muda. As prioridades mudam, a vida muda, a cabeça muda, o coração muda. Tudo está mudando, aliás. As mudanças, a única constante na vida, disso eu tenho certeza. Tudo passa. Tem também, é claro, a questão da idade, não tenho mais 20 aninhos. Meus 32 anos diga-se de passagem bem vividos me dão experiência pra tomar decisões, analisar melhor as alternativas com o que já vivi e vi no passado, mas não sei se esse amor, esse senso de responsabilidade e sensibilidade que falei antes estariam aqui, se não fosse o fato de eu ter me tornado mãe.

Eu sou muito grata a Edi por ter me tornado mãe e ter me dado a possibilidade de proporcionar tudo isso que estou vivendo. Ele ainda não sabe, mas vai saber um dia. Eu doei meu corpo para a sua existência. Eu me doei. Existência essa que pra gente aqui não foi programada, mas Deus sabe quando tirar e colocar pessoas em nossas vidas. Eu me apego a essa frase pra confortar as perdas inesperadas e ganhos que não sei explicar. Foi assim quando meu pai morreu, quando Edi nasceu, quando meu avô morreu. E se era a hora do Edi vir ao mundo, através de mim, através do Eric, aqui na Suíça, longe de onde eu vim, desse jeito, dessa maneira louca, se ele virou uma pessoa que viria a nascer aqui na minha casa, na minha vida, quem sou eu pra dizer não? Eu tenho mais é que aceitar, aceitar as consequências, lidar com toda essa movimentação de ideias e sentimentos provocadas por tudo que tá acontecendo, e viver da melhor forma possível.

Um dia espero muito ter todas as respostas para minhas perguntas. Um dia quando eu morrer, ou sei lá quando. E tenho muita fé que tudo acontece por um propósito. Talvez seja por isso que tento tanto encontrar respostas e reflito tanto sobre todas as coisas. Em busca de respostas e do propósito das coisas que me importam, coisas que importam.

Dizem que é pra isso que servem os 30 anos, pra amadurecer, aproveitar o que se conseguiu até aqui e viver, viver muito. Vou fazer isso. Quem sabe nos meus 40 venho aqui escrever mais algumas respostas e já outros questionamentos. Até lá.

9 comentários:

  1. rsrsrs...realmente, são tantas perguntas sem respostas e elas só mudam de status, mas continuam a acontecer. Eu me identifiquei com você porque há 27anos atrás passei por tudo isso aos 33anos e realmente, a partir dali eu nem tive tempo de pensar como tudo era antes, e a sorte que naquela época eu era mais ingênua, nem achava o mundo tão cruel e acreditava que teria o controle de quase tudo, aiaiaia ledo engano...a impressão que tenho hoje é que MÃE está sempre atrasada com relação aos filhos, os filhos avançam mais rapidamente, o mundo os faz entender tudo de forma diferente, por mais que você esteja ali acordando e dormindo com ele todos os dias, chega uma hora que você ver que ele está mais "safo" que você, e isso muito cedo na sua visão de mãe...tudo que me diziam, foi tudo ao contrário, que seu eu pegasse muito no colo... e eu peguei, que teria que fazer adaptação na creche, na escola... nunca foi preciso, que seu eu comesse verdinhos (espinafre, bertalha, couve) o filho seguiria o exemplo, MENTIRA...essa foi minha experiência, tenho certeza que nem todo mundo deve ser assim, mas assim foi comigo...hoje continuo com as perguntas, e são outras...desnecessariamente. E quanto mais o tempo passa mais cai a ficha do que é por um filho no mundo...e eu achava que sabia. Porém o que me conforta é quando, me vejo filha de minha mãe, aí eu entendo...ela passou pelas mesmas aflições...e assim é. Você não acha Liana?? ou será esse um questionamento constante de quem tem/teve apenas um filho?rsrsrs

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    1. Eu já me imagino envelhecendo e vendo Edi sendo mais safo que eu. E olha que eu sou muito safa! Nossa não faço ideia como seria minha cabeça se eu tivesse outro filho, não sei se suportaria tanta intensidade! Só me resta esperar pra ver como vamos lidar com os acontecimentos e o que vem por aí.

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  2. As mudanças são muitas, mas depois q o filho vem (mtas vezes inesperadamente) é fazer o melhor, passar os .valores recebidos e estar sempre atenta. Vc é tão inteligente q claro encamihará bem; tb o Edi é europeu (c mto mais oportunidades, proteção, etc). A responsabilidade é tb do pai, então são dois para q tudo dê certo; agora q ninguém passa pela vida sem algum sofrimento isto eu concordo mas a pessoa terá condições de enfrentar e superá-lo.
    Tb. ñ entenderia um pai q anda c um bebe num cestinho de bicicleta e acho super absurdo o q vemos aqui e o sistema de adoção dificultando tudo - quanta mazela!!!
    Felicidades

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    1. Essa é a nossa esperança, ne, que eles passem pela vida tendo condições de superar as dificuldades quando for preciso enfrenta-las sozinhos.. :)

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  3. Muito bonito o que escreveste. Também sou mãe faz pouco tempo e também passam pela minha cabeça coisas muito semelhantes ao que descreveste. Espero também conseguir evitar que meu filho sofra, apesar de saber que isso é inevitável e tenho muito medo do momento em que ele começará a sair sozinho pro mundo. Se bem que, indo pra creche, na verdade acho que até já está saindo e a gente é que não se deu conta, né...

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    1. Também acho. Quando vou busca-lo na creche e fico sabendo que ele caiu, por exemplo, e chorou e doeu e eu não estava lá, por uns segundos me dá um aperto no coração. Sei que é bom pra ele também que eu não esteja perto o tempo inteiro, e nem daria, mas dá essa sensação de poxa, eu não tava lá quando ele precisava...

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  4. A vida é tão mais gostosa com eles, né verdade? Cada dia um desafio diferente, e a gente muda tanto por dentro! Acho que a mudança interior ainda é a maior mudança. Se eu pudesse parar de trabalhar por uns dois anos, juro que pararia. Não acho que esses dois anos fariam tanta diferença na minha "carreira profissional", se é que posso chamar assim, rs. Acho que depende muito do trabalho da pessoa, da área, enfim.

    Quanto aos bebês na bicicleta, é a coisa mais comum do mundo na Holanda e eu não vejo a hora de poder colocar Thomas na garupa! Aqui se vê de tudo, desde bebês mais "durios" sentados na cadeirinhas, até bebezicos de 1 mês num carrinho acoplado na frente da bike. Bicicleta aqui é meio de transporte, e eu já me acostumei a ver de tudo! Rs

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    1. Sim! Mais gostosa, mais difícil... (insira aqui seu adjetivo) hehehe. Sim, eu tava falando de mudança interior mesmo. Estou me mudando também de cidade, mas o que eu digo mesmo é a mudança de nós, pessoas, como pessoas. Já a história da bicicleta.. eu entendo a cultura, mas os bebes tão pequenos não conseguem nem sentar direito e já estão lá sentados na bike tão expostos... é demais pra mim.

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  5. A maternidade é um assunto inesgotável e que toda mãe ADORA conversar, é incrível como a gente se sente atraída por outras mães que falem a mesma linguagem que nós, eu adorava ir para reuniões de pais, falar sobre os filhos, conhecer as mães do amiguinhos, levar para as festinhas de aniversário. Num instante passa Liana, os meus já estão grandinhos, dois na faculdade e a caçula vai fazer vestibular este ano. É verdade que rapidinho eles se tornam mais "safo" que a gente, fico me rindo quando peço alguma ajuda a eles, ou o inverso são eles que se adiantam pra ajudar "se achando". Mas uma coisa nunca muda, quando a crueza da vida bate a porta deles, é no colo da gente que vêm buscar conforto!

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